Monthly Archives: November 2013

Ícone punk John Lydon completa 55 anos

Aproveitando que o homem faz 55 anos nesta segunda (31), um momento de ouro da sua carreira.

John Lydon e sua banda PIL (Public Image Limited) fazem uma aparição no tradicional programa American Bandstand, de Dick Clark.

Eles chamam a plateia pra cima do palco, trocam de instrumento, esquecem de fingir que estão tocando (é playback, claro). Instauram a anarquia no caretíssimo programa. O povo adora.

Consta que Dick Clark também. O apresentador teria dito que a participação do PIL foi um dos melhores momentos da história do programa.

Veja matéria e álbum especial no Virgula: John Lydon completa 55 anos: veja um A-Z do ícone punk

Set de perguntas: A Guy Called Gerald

É só um cara chamado Gerald. Na hora de escolher seu nome artístico, Gerald Simpson optou pelo básico: A Guy Called Gerald. Um dos membros originais do 808 State, foi um dos compositores da magnânima “Pacific State” (segundo já contou por aí, sem ter levado o devido crédito).

Depois de se estressar com os outros 808, saiu em voo solo. De cara, cunhou um dos 10 maiores clássicos da acid house. Essa música aí embaixo:

A Guy Called Gerald – Voodoo Ray

Nos anos 90, ele virou uma figura essencial do jungle/drum’n'bass. Dessa época, seu registro mais conhecido é o aclamado álbum Black Science Technology.

No novo milênio, voltou a investir no acid e no techno. Faz parte dessa fase uma colaboração com a polêmica cantora M.I.A., “In Ya Head”.

Ele toca esse sábado (29) no D-Edge, em São Paulo. Será uma apresentação do seu conceituado live, não ele como DJ.

Aproveitei para lhe mandar sete perguntas, que servem como estreia do Set de Perguntas, a nova seção do Bate-Estaca, com, duh, sete perguntas que procuram fugir do óbvio (a la “Como você vê a música eletrônica hoje?”).

A primeira vez que entrevistei Geraldo foi em Londres, em meados dos anos 90. Ele foi reservado e de poucas palavras. Você verá pelas respostas aqui que ele continua o mesmo (além de seguir ressentido com coisas de 20 anos atrás).

Além de discotecar e fazer música, que outra atividade você sabe fazer muito bem?
Construir “gadgets” eletrônicos.

Cite dois álbuns que você ouviu muito o ano passado.
Wayne Shorter – Native Dancer e
Airto Moreira – Identity.

Que tipo de música não lhe agrada nem um pouco?
Música feita por DJs em vez de produtores.

Cite um livro que teve grande impacto em você.
Reality Revealed – Douglas Voigt.

O que você faz para manter a saúde em dia?
Bebo água.

Como seriam as férias ideais para você?
Ficar trancado dentro do estúdio.

Se houvesse um site tipo Wikileaks dedicado à indústria musical, que segredo ou história você mais gostaria de ver revelada?
Todas as mentiras sobre onde e como a cena eletrônica inglesa começou; além do racismo tipo “sorriso na cara, punhalada pelas costas.”

Aqui o site e o blog de A Guy Called Gerald.

Boêmios e vagabundos também ajudam SP a ser grande


“Esses vagabundos querem que a gente pague a balada deles!”, berrou o motorista de dentro de seu carro brilhoso e cristalizado. Sua reclamação era contra um protesto segurando o trânsito à sua frente. Cerca de 300 pessoas gritavam contra o aumento de ônibus na cidade (para balançar num coletivo custa agora R$ 3). O fato aconteceu algumas semanas atrás.

Na hora em que o sangue do homem subiu, os preconceitos vieram à tona numa versão três-em-um: gente que protesta, gente que não “dá duro” e gente que sai na balada. Tudo a mesma ralé.

Nem vou entrar no mérito do seu Rabuja ser contra o direito democrático do protesto (para sua felicidade, a PM acabou metendo bala de borracha nos manifestantes).

Minha bronca aqui é com a falta de respeito que pessoas como ele (e não são poucas) demonstram ter com uma nobre tradição de São Paulo.

Essa tradição remonta ao imortal Adoniran Barbosa. Este era um homem que não estava nem aí com o que pensavam dele. Cantava coisas como “Minha maloca… Ofereço aos vagabundos que não têm onde dormir.”

Imbuídos do ideal bandeirante, senhores de respeito se enchem de pompa e orgulho ao falar da “Locomotiva do Brasil”, da “pujança”, “indústria” e “progresso” de São Paulo.

Mas no aniversário da metrópole, teria sido justo também um brinde aos vagabundos, boêmios, românticos e errantes que povoam a cidade. O prato paulistano não teria o mesmo sabor sem eles. O Yin caxias precisa desse Yang dionisíaco mais do que ele imagina.

GRIFE, SOFISTICAÇÃO, VANGUARDA…

No site da São Paulo Turismo está escrito: “A cidade é uma grife, é glamour e sofisticação, …um caldeirão efervescente de arte e vanguarda… da arte urbana.” Muito bacana.

Mas vale lembrar que esses atributos devem muito à incansável labuta de milhões de copos cheios, pistas de dança suarentas, moleques transgressores, shows de garagem, poetas de boteco, sujadores de parede, artistas de calçada, freaks, fritos, desajustados e divagadores que só terminam quando o dia já bate forte na janela.

A mesma SP Turismo até reconheceu isso ao chamar dois filhos da noite suja paulistana, Alex Atala e DJ Marky, para participar de uma campanha exaltando São Paulo.

Mas a mensagem não combina com o que se vê acontecendo em outras instâncias. Como quando a polícia chegou a bater em músicos que insistiam em tocar na rua.

Ou como quando foram anunciados planos de se arrasar todo um “quarteirão da cultura” para que a iniciativa privada construa mais alguns hectares de “Business Towers” envidraçadas.

Para todos os efeitos, por enquanto, é a visão do seu Rabuja que continua valendo em São Paulo. E ai de quem achar ruim.

Creamfields BR é neste sábado!

A versão UK do festival

Creamfields, o tradicional festival eletrônico inglês (e mundial), está de volta ao Brasil. Ele acontece neste sábado (22), em Florianópolis.

O evento volta maior, melhor estruturado e com novos organizadores: o pessoal da Indústria do Entreteniment. A ambição é que ele se torne um evento estabelecido no calendário brasileiro.

Por conta de alguns nomes tipo Erick Morillo e Above & Beyond, teve gente que criticou o lineup por ser “pop demais”.

E é mesmo. Mas vem cá, algum dia o Creamfields já se propôs a ser uma grande vitrine do underground?

E outra: não dá bem pra chamar de “pop” nomes da escalação como Guy Gerber, Deep Mariano, Raresh e Loco Dice.

É claro que o lineup do Creamfields inglês, até por ser bem maior, tem um espaço maior para inovação. E o público lá aceita uma tenda cuja metade dos artistas é de dubstep.

O mesmo vale para o argentino, que tem, por exemplo, Plastikman e Marc Houle, que não vêm na edição brasileira. Só lembre que o Creamfields dos nossos vizinhos já comemora 10 anos ininterruptos.

Mas mesmo na Inglaterra ou Argentina, são nomes como David Guetta, Tiesto e Deadmau5 que encabeçam os elencos e atraem as maiores multidões.

Esperamos que o Creamfields brasileiro possa seguir esse caminho , ganhando fôlego nas próximas edições para ter headliners hiper-mega, mas também mais apostas de risco comendo pelas beiradas.

Se você quiser ir no Creamfields BR, é melhor correr, faltam poucos ingressos.

Mais informações aqui no site oficial do festival.

Leia aqui minha resenha sobre o Creamfields inglês de 2010.

Remixando dramaturgia

Você já conhece remix musical de monte. Deve conhecer alguns remixes de filme também. Mas e remix teatral, já tinha visto?

Essa é a pegada do dramaturgo Renato Andrade, de São Paulo.

Renato é craque em fazer dramaturgia dialogar com música popular, conexão que não costuma rolar muito aqui no Brasil.

Seu espetáculo Retratos & Canções, sucesso de público e crítica, tem todas as falas extraídas de letras de canções. É genial!

Aqui sua invenção mais recente: remixes teatrais de música popular, dentro de uma série chamada Retratos.

Clique aqui para ver de onde veio a letra e se surpreenda.

Nada como um bom remix para trazer à tona coisas que nunca enxergaríamos num original.

Aqui outros clipes da série Retratos.

Holy Ghost = o elo perdido entre Sigue Sigue Sputnik e Doobie Brothers?

Em breve, num disco da DFA…

A DFA soltou uma amostra do próximo trabalho do Holy Ghost. “Do It Again” tem lampejos de Bauhaus e Sigue Sigue Sputnik em levada sintética mid-tempo.

O álbum de estreia deles chega em abril. Tem participações de The Juan Maclean, Luke Jenner (The Rapture), Chris Glover (Penguin Prison) e…

…MICHAEL MCDONALD.  Sim, esse mesmo, uma das metades do Doobie Brothers (e que também colaborou com Steely Dan, que também tem uma faixa chamada “Do it Again”, mas nada a ver com essa do HG).

Holy Ghost – Do It Again

Alerta anos 80: Human League em São Paulo!

Human League confirmado no Brasil!

Mas, diferente do boato que reproduzimos aqui em dezembro, em show sozinho, sem Spandau Ballet ou Tears For Fears.

Clique nesse post de dezembro para ler e ouvir mais sobre o Human League.

O grupo toca no dia 6 de abril no Via Funchal, em São Paulo. Ainda não se sabe se será seu único show no país.

Os ingressos já estão à venda no site e na bilheteria do local. Preços: R$ 120 (pista), R$ 160 (mezanino), R$ 180 (pista premium em pé) e R$ 200 (camarote).

Enquadraram o truque do Daft Punk

Na época do lançamento da trilha do Daft Punk para o remake do clássico sci-fi Tron, surgiram dois boatos.

O primeiro dizia que o Daft Punk tinha feita uma trilha bem mais eletrônica do que a que saiu. Só que a Disney, produtora do filme, teria rejeitado essa primeira opção, insistindo em música de cinema “mais tradicional”.

Daí, veio o segundo boato: essa trilha rejeitada estaria rodando pela web disfarçada como um projeto chamado The Third Twin.

E aí, há pouco tempo, o festival espanhol Arenal Sound anunciou o tal Third Twin no seu lineup. No release do evento, chegava a dizer que o projeto era “diretamente ligado ao Daft Punk”.

Depois dessa, os representantes do Daft Punk resolveram entrar em cena. Em um comunicado, negaram qualquer ligação entre o DP e TT. Chamam o festival de “falso” e “fraudulento”. A Disney apareceu e negou que tivesse rejeitado qualquer material.

Ouça duas do Third Twin abaixo e veja o que você acha. Para mim, parece óbvio, pelos vocais utilizados e sonoridade meia-boca, que NÃO se trata do Daft Punk.

The Third Twin – Chicago Soul

The Third Twin – Evil Minds