Monthly Archives: November 2013

3-em-1 Techno-samba

O ziriguidum eletrônico não é propriamente um gênero, nem um sub-gênero.

Ainda bem. Nove entre 10 tentativas desse cruzamento são constrangedoras, macumba pra turista arregalar os olhos.

Mas isso não quer dizer que não tenha saído coisa boa da mistura do sambão com o technão. Separei três clássicos dos anos 90 que são incríveis. E fusões de verdade: diferente de alguns que fazem pouco mais do que tacar um loop de percussão e um sample de avenida em cima de um ritmo quadrado.

Os dois primeiros são holandeses e o terceiro é inglês.

The Goodmen – Give It Up

Logo que cheguei para morar em Londres, em 93, essa tocava em toda parte.

Capricorn – 20 HZ

Hit do Mau Mau no Sra. Krawitz, em 92.

Basement Jaxx – Samba Magic

Essa quem nunca tocou? O BJ abriu seu show no Skol Beats com ela, com direito a porta-bandeira e tudo mais. Lembrei da tradição inglesa de vender gelo pra esquimó, areia para beduíno etc

Jamie Oliver NÃO achou nenhum material do New Order/Joy Division

“Fuckin’ hell!”

A história era cool demais… para ser verdade.

Você deve ter visto: ”Jamie Oliver encontrou fitas master do New Order e Joy Division no porão de seu novo restaurante em Manchester durante uma obra.” Uau!

Mas parece que não foi bem assim.

Segundo informa o sempre diligente Jonty Skrufff, fontes próximas a Peter Hook disseram que a história, originada no, err, The Sun, não é nova.

“Isso aconteceu há muito tempo atrás”, disse Hook para o Skrufff. “Em 2008.”

Segundo o baixista, o concorrente do The Sun, o Daily Mail, contou a história como ela aconteceu. E citou um porta-voz de Jamie Oliver que disse que “na verdade, a carga foi removida antes que a gente chegasse no local”.

E como as fitas foram parar lá? Hook disse que o local antes era uma agência bancária. Quando a Factory (gravadora do New Order/Joy Division) faliu, Rob Gretton (empresário) surrupiou várias fitas de artistas do selo. “E depois esqueceu delas. Assim como o banco”, riu Hook.

Aqui a matéria no Daily Mail

Top 10 – A morte de Whitney Houston na rede

1) O primeiro tweet a registrar a morte, postado pela assessora de imprensa da cantora sete minutos depois do fato.

2) Horas depois, o Twitter estava tomado pelo assunto. Olha a curva do infográfico abaixo.

3) Saíram mil galerias de fotos. Gostei dessa do Idolator com capas de disco.

4) O Guardian puxou uma matéria da Billboard de 1986 falando da “revelação” Whitney Houston.

5) O site Whitney Houston’s Journey Mapped reviu a trajetória da cantora usando localizações no Google Maps e vídeos relacionados.

6) Daí teve essa ótima do The Daily Show que o Matias mandouexpondo o ridículo de uma reportagem da CNN surpreendendo pessoas na rua com a notícia.

7) Nos comentários do texto que fiz sobre o histórico e a influência da Whitney, o Rodrigo Sanches avisou desse tweet do escritor Bret Easton Ellis falando do seu personagem Patrick Bateman, um psicopata yuppie fã de Whitney(que cito no meu texto).

8 ) O que me levou ao Twitter do “próprio” Patrick Bateman.

9) Circularam trocentas versões, mash-ups e remixes da Whitney também. Esse remix 2Step, postado pelo meu primo Owen Miller, foi um dos mais legais.

10) E aí teve o mega-fail que foi esse jornal do Bauru que não só roubou (ainda que com crédito) o texto do meu colega Roberto Nascimento, crítico do Caderno 2, como errou feio na foto.

RMC – qual o tamanho da música eletrônica BR?

Começou na terça a 4ª edição da RMC – Rio Music Conference, a maior e mais abrangente até agora.

Aqui tem a programação completa das palestras e workshops.

Aqui as principais atrações das festas.

A maior novidade esse ano é o lançamento de um Anuário que procura botar no papel o tamanho da cena/mercado da música eletrônica no Brasil. Mostra que em 2011, o público de seus eventos chegou a 19,5 milhões, rendendo R$ 879 milhões em dinheiro de bilheteria. O anuário é um trabalho fundamental para que se perceba o tamanho e a importância desse universo.

Teve também uma premiação com várias categorias como Melhor DJ, Melhor Clube etc. Tive a honra de ficar em primeiro na categoria de Melhor Jornalista. Aproveito para agradecer de coração a todos aqueles que lembraram do meu nome.

Apareci ainda em duas outras categorias: em segundo lugar na categoria “Personalidade do ano”, ficando atrás apenas do Renato Ratier, e em quarto na categoria “Veículo especializado” com esse blog aqui. De novo, meu muito obrigado a quem votou.

Quero dar também um parabéns e obrigado especiais ao Cláudio Miranda e ao Leo Janeiro pelo esforço em organizar essa parada! (e minhas desculpas por não ter podido comparecer esse ano…)

Aqui tem todas as categorias e colocados:

Produtor / Remixer

1º – Gui Boratto 
2º – Wehbba
3º – Memê
4º – Dubshape
5º – Tikosgroove

Track do ano
1º – This is not the end (Gui boratto) 
2º – Don’t know what to do (Tiko’s Groove)
3º – Every cow has a bird (dubshape)
4º – Jackit (Felguk)
5º – Canto pro Mar (Memê)

DJ do ano
1º – Mau Mau 
2º – Renato Ratier
3º – Fabricio Peçanha
4º – Mario Fischetti
5º – Carlo Dall’Anese

DJ Revelação de 2011
1º – Ricardo Estrella 
2º – Pic Schmitz
3º – Marie Bouret
4º – João Gromma
5º – Renee Mussi

Live Act em 2011
1º – The Twelves 
2º – AsK 2 Quit
3º – Life is a Loop
4º – Dexterz
5º – Hands Up

VJ de 2011
1º – Vagalume 
2º – Toshiro
3º – Axell
4º – Cadu da Toro
5º – VJ Léo

Tour Internacional*
1º – David Guetta (3plus) 
2º – Kaskade (DJ Com)
3º – Sharam (3plus)
4º – Erick Morillo (WDB Management)
5º – Avicii (3plus)

Club (até 1000 pessoas)
1º – D.edge /SP 
2º – Beehive /RS
3º – Disco /SP
4º – Confraria das artes /SC
5º – Vibe /Curitiba

Super clubs (mais de 1000 pessoas)
1º – Warung (SC) 
2º – Clash (SP)
3º – Privilége Búzios /Juiz de Fora
4º – Green Valley (SC)
5º – Pacha Floripa (SC)

Agência de Artistas 
1º – 3 plus 
2º – Entourage
3º – Hypno
4º – Dj.com
5º – Tune

Veículo especializado em música eletrônica*
1º – Mixmag 
2º – Housemag
3º – Porra DJ
4º – Blog Bate estaca
5º – Electromag

Jornalista especializado
1º – Camilo Rocha 
2º – Claudia Assef
3º – João Anzolin
4º – Jesus Light
5º – Ronald Villardo

Festival de música eletrônica
1º – Mob Festival 
2º – UMF (XYZ)
3º – Tenda eletrônica Rock in Rio (Dream Factory)
4º- Espaço Greenspace – (SWU)
5º – Tribe (Tribe)

Escola/Curso para DJs
1º – AIMEC 
2º – IATEC
3º – DJ LAB
4º – DJ BAN
5º – D-Edge College

Agência de Eventos de música eletrônica
1º – No Limits 
2º – Dream Factory
3º – Grupo Green Valley
4º – XYZ
5º – NID&T

Personalidade do ano*
1º – Renato Ratier
2º – Camilo Rocha
3º – Edo Van Duyn
4º – Sandro Horta
5º – Bazinho Ferraz

Aqui a lista no site da RMC.

Laurent Garnier na Ed Banger

Laurent Garnier, um dos DJs preferidos aqui da casa, vai lançar um EP pela Ed Banger, casa de Justice e SebastiAn.

As faixas são:

1. Jacques In The Box
2. Our Futur (Loud Disco Mix)
3. Our Futur (Deeper Detroit Mix)

Nesse vídeo ele toca “Our Futur” em Osaka. Julgando pelo trecho, parece que vem paulada por aí. A reação do público é incrível.

Nada como o tempo para suavizar as arestas.

Quando o electro-maximalismo da Ed Banger despontou, em meados dos anos 00, fãs do techno e house tradicionais torceram o nariz.

Laurent Garnier foi um deles. “É tudo imagem. Musicalmente, não empolga. Gosto de alguma coisa, mas boa parte não dialoga comigo. Sinto que a maioria é mais marketing do que qualquer coisa”, disse ele à Resident Advisor em 2009.

Ponto para monsieur Garnier por ter mudado de postura.

 

Whitney Houston foi importante por que mesmo?

Logo que saiu a notícia da morte de Whitney Houston, a Sony correu para aumentar o preço de seu catálogo no iTunes. Pegou mal e a gravadora voltou atrás.

Para alguns, a jogada pareceu procedimento normal. Uma matéria da Reuters cita um executivo da Universal que explica: “Você não quer parecer ganancioso demais, mas também quer capitalizar em cima da atenção que a estrela está tendo agora”.

Faturar em cima da morte é coisa que a indústria cultural faz sem culpa. No caso de Whitney, deve haver um carinho especial. Seus hits foram a trilha de um tempo onde ser capitalista selvagem e especulador tinha voltado a ser motivo de orgulho (idealismos hippie, disco e punk já devidamente ultrapassados).

Em 1987, quando saiu o segundo álbum da cantora, Whitney, os yuppies, com seus ternos Armani de ombreira, Rolex no pulso e BMW na garagem, estavam no topo do mundo. Eram os vitoriosos das eras Ronald Reagan e Margaret Thatcher (assista Dama de Ferro, onde Meryl Streep interpreta a primeira-ministra britânica, para sentir o clima).

Foi neste ano que o escritor Bret Easton Ellis lançou American Psycho (Psicopata Americano), um thriller movido a morte e dinheiroO protagonista Patrick Bateman é um investidor financeiro, amante de chocolate Godiva e vinho Chardonnay. Quando ninguém está olhando, é também um serial killer frio e cruel. Bateman é fã de Phil Collins, Robert Palmer e, em especial, de Whitney Houston.

Na versão para o cinema do livro, ele diz o seguinte sobre a cantora: “Difícil escolher uma favorita entre tantas músicas boas, mas ‘The Greatest Love of All’ é uma das melhores, mais poderosas músicas já escritas sobre auto-preservação e dignidade. Já que é impossível nesse mundo em que vivemos ter empatia com os outros, então podemos sempre ter empatia com nós mesmos. É uma mensagem importante, crucial na verdade. E é lindamente declarada no álbum.”

Whitney Houston representou um ponto alto na escalada social da soul music. Esse processo começou ainda na Motown, gravadora que diluiu o soul para se tornar “o som da América jovem”. Nos anos 70, veio da Philadelphia o soul de smoking e taça de champanhe na mão. Era uma mudança estética que acompanhava o crescimento das classes média e alta negras nos EUA. Consequência da igualdade de direitos civis e maior acesso a trabalho e estudo.

Na década de 80, vieram os “buppies” (“black yuppies”) e o que o escritor Nelson George chamou de The Death of Rhythm’n'Blues. O soul foi inundado por baladas mela-cueca e grooves caretas. Black music aguada, insípida e castrada. O conteúdo cada vez menos importante que a forma. O vocal soul apenas como clichê de intensidade emocional, pura embalagem. O groove funkeado como balancinho inofensivo, sem suor nem sacanagem.

Whitney Houston foi a rainha desse tempo, desse som, desse “soul”. Sua linhagem era nobre (Cissy Houston era a mãe, Dionne Warwick a prima, Aretha Franklin a madrinha), por isso Whitney ainda tinha um certo “mojo” na interpretação (o que prova o punhado de músicas boas que tinha).

Mas o “mojo” provou ser secundário. Nas retrospectivas, o que se lembra da carreira musical de Whitney é a técnica, as vendagens, as sete músicas consecutivas em primeiro lugar nos EUA. Símbolos de status e desempenho profissional.

Depois de Whitney, estava aberta a porta para ginastas da voz com hits melodramáticos e açucarados. Vieram Mariah Carey, Toni Braxton, Celine Dion, Vanessa Williams. Veio toda uma escola onde “cantar bem” significa apenas técnica e derramamento. Música de vitrine, sem empatia exceto com si mesmo.

Na madrugada de sábado para domingo, quando a morte de Whitney corria por todas as mídias, liguei na CNN e vi Piers Morgan conversando com Simon Cowell pelo telefone.

Na conclusão do papo, os dois jurados do X-Factor explicaram porque Whitney era tão especial: quando os calouros do seu programa escolhiam interpretar uma música da cantora sempre derrapavam naquelas notas mais difíceis. Notas essas que Whitney alcançava sem suar.

Parâmetros típicos de um mundo que esqueceu da empatia.

Todd Terje… de novo!

Quem segura o cara em 2012? Depois da fodíssima “Inspector Norse”, do remix para Roxy Music, o norueguês me aparece com essa.

É um remix da cultuada banda eletrônica The Units (na foto), que surgiu em San Francisco no final dos anos 70.

Faz parte da interessante coletânea I-Robots Present : We Are Opilec!, que mistura velhos e novos produtores.