E o Uruguai, onde a união civil gay já existe desde 2007, mostra mais uma vez que está na vanguarda social do continente.

Vai dar certo? Não sei, mas vale arriscar, já que o modelo proibicionista atual fracassou (relacionado a isso, leia também "Cocaine Incorporated", que saiu no New York Times esses dias).

Venda de maconha será política externa do Uruguai, diz ministro (do Terra)

A luta pela legalização da venda de maconha será parte da política externa do Uruguai, segundo o ministro da Defesa do país, Eleuterio Fernández Huidobro. Em entrevista coletiva na quarta-feira, ele disse que a medida é um marco no combate ao tráfico de drogas, segundo o jornal uruguaio El País.

O projeto de "legalização controlada" da maconha será enviado pelo governo uruguaio ao Parlamento no próximo trimestre. O plano que será apresentado se difere de outros projetos que já tramitam no Parlamento uruguaio, já que não prevê a liberação do cultivo e produção da droga. "Se permitirmos o cultivo próprio para um ou dois, teremos que permitir para todo mundo, e como controlamos isso?", questionou o ministro da Defesa.

Segundo ele, "os projetos que estão no Parlamento apostam no cultivo próprio e descriminalizam a produção". "Nós discordamos do cultivo próprio, pelo menos até que o consumo seja legalizado de maneira generalizada a nível internacional", afirmou Huidobro.

O governo ainda não definiu se a produção de maconha ficará nas mãos do Estado ou de empresas. A princípio, o cultivo será estatal, disse ao jornal o secretário-geral da Junta Nacional de Drogas, Julio Calzada. Mas o ministro da Defesa, Eleuterio Fernández Huidobro, não descartou que seja terceirizado no futuro.

Segundo o ministro, há consenso de que a fiscalização da produção de maconha ficará com o Estado. "Teremos que tomar medidas para não afetar os países vizinhos, para que não sejamos acusados de ser um centro de fabricação e distribuição da droga", disse o Huidobro.

O chefe da Defesa do Uruguai disse que "uma decisão errada do ex-presidente dos Estados Unidos Richard Nixon (ao proibir a venda de maconha) foi o que provocou todos esses desastres, declarando uma guerra que foi ganha pelos traficantes".