• Sintetizando John Carpenter

    (Foto de Kyle Cassidy)

    Até Michael Myers sabe que, além de dirigir, John Carpenter também fez a trilha sonora de filmes cultuados como “Halloween”, “Fuga de Nova York”, “A bruma assassina” e “Aventureiros do bairro proibido”, entre outros, sempre com camadas e mais camadas de hipnóticos sintetizadores.

    Por isso, a expectativa para o lançamento, amanhã, de “Lost themes”, seu primeiro álbum de músicas inéditas, não criadas para o cinema (mas, claro, sempre tendo as telas como inspiração). Ouvindo “Night” enquanto a ação não começa e lembrando de Com Truise e tantos outros que têm Carpenter, o compositor, como influência.

  • Os estranhos prazeres de Lapalux

    O erotismo estranho, entorpecedor, fim de noite de “Nostalchic” fez dele um dos discos mais elegantes de 2013. Agora, o produtor britânico Lapalux prepara a sequência, com “Lustmore”, que sai em abril, novamente pelo selo Brainfeeder, de Flying Lotus.
    Pra adoçar os sentimentos, ele dá uma prévia do seu segundo álbum – descrito como “uma experiência visual imaginária”, inspirada pelo filme “O iluminado”, de Stanley Kubrick – com o balanço câmera lenta de “Closure”, com a participação da cantora inglesa Szjerden.

  • No embalo de Robson e Lincoln

    Enquanto muitos dos trabalhos da MPB dos anos 1980 simplesmente evaporaram no tempo, “Robson Jorge & Lincoln Olivetti” ainda desce como um refresco, mais de três décadas depois do seu lançamento. Primeiro e único trabalho da dupla que dominou as paradas de sucesso no começo daquela década, o álbum é um brilhante resumo das experiências dos autores com o então embrionário som de pista “made in Brazil” – Robson Jorge, morto em 1993, no papel do habilidoso guitarrista, influenciado por George Benson; Lincoln Olivetti, falecido hoje, como o tecladista, produtor e arranjador de ouvido privilegiado.

    Vindos do universo dos bailes de subúrbio do Rio e, por tabela, do movimento Black Rio, os dois foram pioneiros no uso de sintetizadores e de recursos eletrônicos na época. Por terem se tornado quase uma banda de estúdio da Som Livre, produzindo diversos hits radiofônicos da época, sofreram também críticas que os apontavam como responsáveis por uma pasteurização da MPB.

    “Robson Jorge & Lincoln Olivetti”, porém, passou incólume às pedradas, muito por ser praticamente um álbum instrumental. Em suas 12 faixas, o som de Earth, Wind & Fire e Kool & The Gang, referências notáveis, abrasileira-se, em grooves suaves, enriquecidos pela guitarra cristalina de Jorge e pela participação de convidados como os saudosos Marcio Montarroyos e Oberdan Magalhães (criador da Banda Black Rio), mais Leo Gandelman, nos sopros, e Jamil Joanes, no baixo, entre outros.É música de fusão (souljazzfunkdiscompb), com faixas como “No bom sentido” e “Jorgeia Corisco” que não fariam feio no repertório de artistas contemporâneos como Dam Funk e Toro Y Moi.

    O vinil de “Robson Jorge & Lincoln Olivetti”, com sorte, ainda pode ser encontrado em sebos (lá fora, costuma ser vendido por cerca de US$ 100). Felizmente ele já pode ser curtido também em sites de streaming. Qualquer que seja o formato, hoje, mais do que nunca, apesar da tristeza, é um dia apropriado para saudá-lo, 12 vezes, de preferência – principalmente um jornalista que, em 1993, quando Robson Jorge morreu, aos 39 anos, afundado no alcoolismo, escreveu seu obituário de forma crítica, refletindo sua própria imaturidade, e gostaria de se desculpar, aqui e sempre, pela deselegância.

  • Nas sombras com Kode 9

    Sol, nem pensar. DJ, produtor, filósofo e dono da gravadora Hyperdub, Kode 9 (Steve Goodman) reaparece mais sombrio do que nunca em seu novo EP, “Killing season”. Previsto para chegar às lojas no final de outubro, ele traz Kode 9 – que toca na Wobble, no Rio, no próximo dia 4 – novamente acompanhado pelo MC The Spaceape, seu parceiro de longa data, em cinco faixas que tem temas como magia, demônios, exorcismo e vudu, num mergulho pelas profundezas do grime.

    Bú!

  • O conselho de Bruce Lee

    Do hip-hop ao drum and bass, o que não faltam são músicas com samples de frases de Bruce Lee. Uma das mais recentes é essa do Fold, com a famosa “be water, my friend” (já usada por Masta Killa, do Wu-Tang Clan, em “No said date”)

    Now fight!

  • A aparição de Kate Bush

    Doc feito pela BBC para saudar a volta aos palcos da fada Kate Bush – uma das figuras mais misteriosas e reclusas do universo pop – depois uma pequena ausência de 35 anos. Vão ser 15 shows, a partir de amanhã, no Hammersmith Apollo, em Londres – todos com lotação esgotada assim que os ingressos começaram a ser vendidos, em março. Outras sete datas foram anunciadas, entre setembro e outubro.

    No filme, os depoimentos de Peter Gabriel, John Lydon, Tori Amos, David Gilmour, Big Boi (Outkast), Tricky e Neil Gaiman ajudam a entender o motivo de toda a excitação em torno dessa verdadeira aparição.

  • O embriagante sabor do Aguardela

    Com ares dramáticos e espírito aventureiro, o grupo mineiro debuta com estilo em embriagante álbum homônimo, independente, transitando por uma incomum rota, que passa pelo folk de tons barrocos, a MPB e o rock experimental, em faixas como “Cantiga da meia volta” e “Oá” (dos videos abaixo), que, dependendo da dose, ecoam Mutantes, Tom Waits e Tortoise.

/ Calbuque
Jornalismo dub
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