• Os estranhos prazeres de Lapalux

    O erotismo estranho, entorpecedor, fim de noite de “Nostalchic” fez dele um dos discos mais elegantes de 2013. Agora, o produtor britânico Lapalux prepara a sequência, com “Lustmore”, que sai em abril, novamente pelo selo Brainfeeder, de Flying Lotus.
    Pra adoçar os sentimentos, ele dá uma prévia do seu segundo álbum – descrito como “uma experiência visual imaginária”, inspirada pelo filme “O iluminado”, de Stanley Kubrick – com o balanço câmera lenta de “Closure”, com a participação da cantora inglesa Szjerden.

  • No embalo de Robson e Lincoln

    Enquanto muitos dos trabalhos da MPB dos anos 1980 simplesmente evaporaram no tempo, “Robson Jorge & Lincoln Olivetti” ainda desce como um refresco, mais de três décadas depois do seu lançamento. Primeiro e único trabalho da dupla que dominou as paradas de sucesso no começo daquela década, o álbum é um brilhante resumo das experiências dos autores com o então embrionário som de pista “made in Brazil” – Robson Jorge, morto em 1993, no papel do habilidoso guitarrista, influenciado por George Benson; Lincoln Olivetti, falecido hoje, como o tecladista, produtor e arranjador de ouvido privilegiado.

    Vindos do universo dos bailes de subúrbio do Rio e, por tabela, do movimento Black Rio, os dois foram pioneiros no uso de sintetizadores e de recursos eletrônicos na época. Por terem se tornado quase uma banda de estúdio da Som Livre, produzindo diversos hits radiofônicos da época, sofreram também críticas que os apontavam como responsáveis por uma pasteurização da MPB.

    “Robson Jorge & Lincoln Olivetti”, porém, passou incólume às pedradas, muito por ser praticamente um álbum instrumental. Em suas 12 faixas, o som de Earth, Wind & Fire e Kool & The Gang, referências notáveis, abrasileira-se, em grooves suaves, enriquecidos pela guitarra cristalina de Jorge e pela participação de convidados como os saudosos Marcio Montarroyos e Oberdan Magalhães (criador da Banda Black Rio), mais Leo Gandelman, nos sopros, e Jamil Joanes, no baixo, entre outros.É música de fusão (souljazzfunkdiscompb), com faixas como “No bom sentido” e “Jorgeia Corisco” que não fariam feio no repertório de artistas contemporâneos como Dam Funk e Toro Y Moi.

    O vinil de “Robson Jorge & Lincoln Olivetti”, com sorte, ainda pode ser encontrado em sebos (lá fora, costuma ser vendido por cerca de US$ 100). Felizmente ele já pode ser curtido também em sites de streaming. Qualquer que seja o formato, hoje, mais do que nunca, apesar da tristeza, é um dia apropriado para saudá-lo, 12 vezes, de preferência – principalmente um jornalista que, em 1993, quando Robson Jorge morreu, aos 39 anos, afundado no alcoolismo, escreveu seu obituário de forma crítica, refletindo sua própria imaturidade, e gostaria de se desculpar, aqui e sempre, pela deselegância.

  • Nas sombras com Kode 9

    Sol, nem pensar. DJ, produtor, filósofo e dono da gravadora Hyperdub, Kode 9 (Steve Goodman) reaparece mais sombrio do que nunca em seu novo EP, “Killing season”. Previsto para chegar às lojas no final de outubro, ele traz Kode 9 – que toca na Wobble, no Rio, no próximo dia 4 – novamente acompanhado pelo MC The Spaceape, seu parceiro de longa data, em cinco faixas que tem temas como magia, demônios, exorcismo e vudu, num mergulho pelas profundezas do grime.

    Bú!

  • O conselho de Bruce Lee

    Do hip-hop ao drum and bass, o que não faltam são músicas com samples de frases de Bruce Lee. Uma das mais recentes é essa do Fold, com a famosa “be water, my friend” (já usada por Masta Killa, do Wu-Tang Clan, em “No said date”)

    Now fight!

  • A aparição de Kate Bush

    Doc feito pela BBC para saudar a volta aos palcos da fada Kate Bush – uma das figuras mais misteriosas e reclusas do universo pop – depois uma pequena ausência de 35 anos. Vão ser 15 shows, a partir de amanhã, no Hammersmith Apollo, em Londres – todos com lotação esgotada assim que os ingressos começaram a ser vendidos, em março. Outras sete datas foram anunciadas, entre setembro e outubro.

    No filme, os depoimentos de Peter Gabriel, John Lydon, Tori Amos, David Gilmour, Big Boi (Outkast), Tricky e Neil Gaiman ajudam a entender o motivo de toda a excitação em torno dessa verdadeira aparição.

  • O embriagante sabor do Aguardela

    Com ares dramáticos e espírito aventureiro, o grupo mineiro debuta com estilo em embriagante álbum homônimo, independente, transitando por uma incomum rota, que passa pelo folk de tons barrocos, a MPB e o rock experimental, em faixas como “Cantiga da meia volta” e “Oá” (dos videos abaixo), que, dependendo da dose, ecoam Mutantes, Tom Waits e Tortoise.

  • O rap de Capicua é muito gira

    Capicua é Ana Matos. Capicua é rapper. O nome vem de uma expressão catalã (e significa algo como “cabeça” e “cauda”). A origem é Portugal, mais precisamente a cidade do Porto. A língua é a nossa, mas com o sotaque deles e a esperteza dela. As influências são diversas: passam por Sergio Godinho e Zeca Afonso, ícones locais, que se destacaram por seu engajamento durante a Revolução dos Cravos (“Músicas que meus pais ouviam”, me diz ela, de passagem pelo Rio), cruzam com pioneiros do rap português, como Mind The Gap e Dilema, e se esticam até Kanye West.

    O nível é superior, em todos os sentidos (Ana é socióloga). O segundo álbum de Capicua, o recém lançado “Sereia louca”, afirma isso em suas 10 bem articuladas faixas, que abrem espaço até para um incrível mix com o fado (“Soldadinho”, com a participação da cantora Gisele João), sem contar o groove macio de “Vayorken”, de tons autobiográficos (Quando seus pais viajavam para Nova York, ela, ainda pequena, dizia que tinham ido pra “Vayorken”). Ouça sem erro: Capicua é muito gira.

/ Calbuque
Jornalismo dub
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