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Los Hermanos são techno

Gerald Mitchell 1

Nem pierrot, nem colombina e muito menos bloco do eu sozinho. Gerald Mitchell, figura premiada de Detroit, volta à ativa bem acompanhado em “Descendants of the resistance”, novo álbum do seu projeto, Los Hermanos. Ao seu lado, convidados como os vocalistas Christina Perez, Bill Beaver e J Rich dão um toque soul ao já funkeado techno produzido por esses irmãos da cartilha eletrônica.

Músico, produtor e DJ, Mitchell (o bigode grosso aí de cima) fez parte do célebre Underground Resistance e criou o Los Hermanos com os craques Mike Banks e DJ Rolando, substituídos depois por Santiago Salazar (DJ S2) e Dan Caballero (DJ Dex). Seu primeiro álbum, “On another level”, de 2004, já saudava, em sua faixa de abertura, “Welcome to Los Hermanos”, gente como Carlos Santana e o grupo War, demonstrando que o apego de Mitchell ia além do soul e do funk, abraçando também a latinidade desses pioneiros. “It´s a family affair”, como diria Sly Stone.

“Descendants of the resistance”, como indica o título, é mais uma saudação dos tempos de ouro do techno de Detroit do que um avanço ou uma ruptura musical. Mas e daí? Ouça”Keep hold tight” e repare como tradição pesa e, sinceramente, continua irresistível.

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Dias e noites de disco

Disco novo 2 (Tony Manero)

A disco ganha o embalo da nostalgia hoje, com a volta ao ar de “Dancin´ days”, a partir de meia-noite, no Canal Viva. Escrita por Gilberto Braga e dirigida por Daniel Filho, a novela, exibida entre julho de 1978 e janeiro de 1979, mostrava a rivalidade entre as irmãs irmãs Júlia Matos (Sonia Braga) e Yolanda Pratini (Joana Fomm), mas a graça mesmo estava ambientação, centrada na discoteca que dava o nome à trama, de propriedade de Julio (Reginaldo Farias). Ela foi inspirada na Frenetic Dancin’ Days, de Nelson Motta, que ao lado da New York City Discotheque, marcou a noite do Rio na segunda metade dos anos 1970, influenciando o surgimento de diversas outras discotecas pelo país, numa época, ainda marcada pela repressão do regime militar, quando dançar parecia ser o único remédio. Um dos últimos a comandar a cabine da New York City, onde reinou o mitológico Ricardo Lamounier, foi o DJ Claudio Careca, que assina o belo set abaixo, só com pérolas da época.

É nesse tom também a mostra “A era disco no cinema”, que começa no próximo dia 16, no CCBB. Com curadoria do jornalista e crítico Mario Abbade, ela reúne 38 longas – 30 de ficção, como o drama chileno “Tony Manero” (da foto lá de cima) e oito documentários, como “The secret disco revolution” – que mostram, de uma forma ou de outra, a influência e o impacto da disco no cinema (assim como na moda, no comportamento etc). Além da vinheta abaixo, tem a programação completa aqui

E é, como sabemos, um bom momento pra se celebrar a herança disco, cujo DNA está por aí, no sucesso pop do Daft Punk, na volta à cena de um craque como Giorgio Moroder, na turnê de Nile Rodgers com o Chic, no sucesso da série “Future disco” (já no sétimo volume) e no lançamento de “It´s album time”, primeiro trabalho de Todd Terje. Aliás, vai uma camiseta do Daft Punk aí?

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‘A grande beleza’ tem a elegância italiana

Esquema - Jep 1

“A grande beleza” é o fino. Dirigido por Paolo Sorrentino, o filme acompanha o jornalista e escritor Jep Gambardella (Toni Servillo) em suas reflexões sobre a vida aos 65 anos no highlife de Roma. Sem concessões ao fator “jovem”, mostra gente adulta, grisalha, com rugas e frustrações, se jogando na pista de dança – a cena de abertura é espetacular – ou participando de afiadas discussões sobre tudo o que está aí, entre cenas de hipnótica beleza, num pacotão que remete ao supremo “A doce vida”, de Fellini.

Mas isso até a vetusta Academia de Cinema de Hollywood viu, tanto que deu à “Grande beleza” o Oscar de melhor filme estrangeiro de 2014. O que extrapola o olhar cinematográfico é a elegância de Gambardella – absurdamente cool em cada entrada em cena, numa aula de bom gosto que independe da idade – que ajuda a tornar “A grande beleza” um dos filmes de visual mais classudo dos últimos tempos.
Mas também, ele é italiano.

Esquema - Jep 2

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O nome é Porras, Jon Porras

Jon Porras

Um pouco de abstração pra finalizar a semana em modo descompressão, cortesia de Jon Porras. “Apeiron” faz parte de “Light divide”, novo disco do músico de San Francisco, que a Thrill Jockey lança semana que vem. Curioso: apesar desse minimalismo subaquático, com traços de Brian Eno, Porras (guitarrista que também faz parte da dupla Barn Owl) começou tocando em uma banda de metal.

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Brujeria vai poluir o Rio hoje

Brujeria 1

Chega de dedinho pra cima. O carnaval carioca vai ser enterrado de vez hoje à noite com a passagem do trator Brujeria pelo palco do Odisseia. Brutal e poderoso, o grupo mexicano de death metal- cujos integrantes se apresentam mascarados – cospe faiscantes letras (em espanhol, claro) sobre narcotráfico, violência na fronteira EUA/México e sexo perverso.

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Nos shows, ao final de um desfile de proibidões metálicos, os bichos brabos – que costumam levantar cabeças decapitadas em suas apresentações – às vezes sacam “Marijuana”, uma versão funky e provocativa para a suprema bagaceira, “Macarena”, quebrando o clima teatral e geralmente deixando o público na dúvida se bate cabeça ou faz a coreografia da música.

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Experimentando Tóquio

Toquio Allsaints

A AllSaints vai além do corte e da costura de suas elegantes roupas e acessórios, de levada industrial/rock, quase sempre em tons preto, branco e cinza. Além de produzir sessões musicais em seus galpões, a marca britânica – já citada em letras de Tinie Tempah e Jay-Z – também produz vídeos, como a série “Music cities”. O mais recente é um rápido mergulho nos subterrâneos de Tóquio, conduzido pela voz de Gilles Peterson. O caimento ficou perfeito.

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Aquele abraço, Wayne Smith

wayne smith 4

Morreu na segunda-feira passada o cantor jamaicano Wayne Smith, aos 48 anos, em Kingston, de causas ainda não conhecidas. Smith foi a voz do hit “Under mi sleng teng” (às vezes “Under me sleng teng), lançado em 1985 e que gerou a explosão do dancehall na ilha (e depois no mundo). Produzida por King Jammy, a música foi a primeira a ser criada por ali com a ajuda de uma bateria eletrônica (na verdade, um teclado barato, Casio MT-40). Depois dela, o reggae entrou numa batida diferente. E, como era de se esperar, nunca mais foi o mesmo.

Como a criação digital era mais barata que contratar uma banda, outros produtores abraçaram rapidamente a fórmula, criando discos com apenas uma base (o chamado “riddim”), com vários cantores e MCs (ou toasters ou deejays) cantando por cima dela. Smith foi apenas um de uma lista que incluiu canarinhos como Sanchez e Wayne Wonder, e improvisadores como Charlie Chaplin, Yellowman e Clint Eastwood.

Na sequência, porém, já nos anos 1990, vieram MCs mais cascudos como Shabba Ranks, Ninjaman, Mad Cobra e Buju Banton, a turma nervosa do ragga, de cabeças raspadas, cordões de ouro, deitando falação sobre mulheres, armas, mulheres e armas. Foi a época em que um certo pó branco entrou em cena, ocupando o lugar da erva considerada sagrada pelos rastas. Por isso mesmo, rolou forte o conflito de gerações, os mais antigos defendendo as “raízes” do reggae, os mais novos, ligados no hip hop, dizendo que a vida era outra e que esse papo de Jah e volta à Àfrica era furado.

Foi mais ou menos assim, começando com “Under mi sleng teng” (às vezes “Under me sleng teng), na voz de Wayne Smith.

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Contagem regressiva para o Boiler Room no Rio

BOILER_ROOM_RJ_Mural_8b

Algumas horas pra primeira edição do Boiler Room no Rio, que rola daqui a pouco, em uma locação de visual espetacular, como sugere a imagem acima.
A escalação, excelente, vai ser assim. Pra ver e ouvir, é aqui

17h – 17h50m – Flow & Zeo
17h50m – 18h30m – Leo Janeiro
18h30m – 19h25m – Maurício Lopes
19h25m – 20h15m – Nepal
20h15m – 20h45m – Wladimir Gasper
20h45m – 21h35m – Rodrigo S.

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Royalston entra na sala

Royalston

Royalston é o australiano Dylan Martin, que está lançando seu primeiro disco pela Med School, braço da poderosa Hospital Records. “OCD” tem tudo aquilo que a casa gosta: frequências graves em atividade extrema, entre o drum and bass e o dubstep, com forte sabor techno. Prove, mas de barriga vazia.

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A maré boa de Oliver Wilde

Oliver Wilde banda

Oliver Wilde foi uma das boas surpresas de 2013. No seu disco de estreia, “A brief introduction to unnatural light years”, o cantor, compositor e multi-instrumentista de 25 anos (que, no horário comercial, trabalha na loja de discos Rise, em Bristol) fez bonito com sua doce mistura de folk e guitarras distorcidas. Aqui tem uma entrevista com ele.

E nosso balconista preferido já está de volta, agora menos solitário, com banda e tudo (ele é o primeiro à esquerda na foto acima). Seu segundo disco, “Red tide opal in the loose end womb” (como se vê, Wilde gosta de títulos longos e pomposos) chega ao mundo no dia 5 de maio, mas o couvert está disponível no soundcloud: é “On this morning”. Coisa fina mais uma vez. Parece que ainda vamos falar muito de Oliver Wilde por aqui (Dia desses, aliás, conto como foi bacana comprar “A brief…” no site da própria Rise)

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