sexta-feira, 26 de junho, 2009

Colin em Cannes

Os anos 00 (ou 10) jah tem seu Robert Rodriguez. Ele atende Marc Price, tem 30 anos e uma historia pronta pra entrar para os classicos “do underground para o mainstream”: como fa de terror, fez seu filmes de zubmis por pura vontade de fazer e, diz ele, investiu apenas 45 libras na producao.

Colin foi sensacao no Festival de Cinema de Cannes mas nao tanto aqui no Festival de Publicidade. Ontem, a agencia britanica Saathi & Saatchi, celebre por incentivar novos talentos das cameras, trouxe Price para a apresentacao do decimo nono Saatchi & Saatchi Director`s Showcase. Price teve seus quinze minutos de fama entre os publicitarios e anunciou uma projecao exclusiva do filme para hoje. As 18h no auditorio Debuss do Palais, entretanto, havia apenas eu, um amigo mais cinco ou seis pessoas na plateia. Ao que parece, filmes de zumbis feitos com 45 libras nao sao atraentes para a maior parte do mercado.

Eh uma pena que poucos tenham ido assistir. Colin nao eh propriamente uma obra prima: a historia tem uma estrutura narrativa um pouco confusa e pelo menos 20 minutos de cenas sobando. Por outro lado, eh um representante classico da cultura do it yourself com todos os meritos que isso traz, como uma energia visceral e um claro frescor. Mais do que isso, Price introduziu na histora do cinema de terror a perspectiva do zumbi atraves de seu filme. Em vez de acompanharmos a historia de sobreviventes tentando fugir dos zumbis, somos levados de carona no cotidiano de Colin, desde seus primeiros minutos como zumbi ateh seu vagar tropego por uma Londres imersa no caos. Na sua viagem pela cidade, Colin encontra a irma, que nao foi afetada pela praga e tenta traze-lo de volta a normalidade levando-o pra casa da mae, buscando ativar sua memoria afetiva.  

Ha pouca explicacao e muitas visceras, bem como uma trilha sonora absolutamente claustrofobica, responsavel por metade do clima do filme. A outra metade fica por conta da camera tosca e da edicao nervosa, que Price confessou ser um recurso de compensacao do baixo orcamento.

Como nao havia ninguem no auditorio, minutos antes da projecao meu amigo chamou Price pra bater um papo. Nervoso com a pouca plateia, deu seu primeiro autografo da vida e disse que adorou a semana em Cannes, uma vez que segunda feira precisava voltar para seu dayjob burocratico. Queria saber nossa impressao sobre o filme e eu tinha meia duzia de perguntas pra poder contar mais pra voces, mas o cara simplesmente sumiu durante a projecao. Com 30 anos, aparentava 21 e seu filme de certa forma reflete esse paradoxo.

Uma ultima anotacao: durante o filme nao parei de pensar como a cultura pop geralmente funciona como um sintoma dos climas sociais dos paises. Me lembrei que ano passado a revista Monocle publicou um artigo falando sobre um certo estado de depressao que estava pairando sobre a Inglaterra devido aos problemas economicos que o pais estava enfrentando. Durante o festival aqui em Cannes, muitos foram os altos executivos de agencias do primeiro mundo que se referiram a crise com um certo tom depressivo. Nao estah sendo facil pra “eles” do primeiro mundo e tenho certeza que a falacao em torno de Colin tem uma certa ressonancia com o momento claustrofobico e problematico que as financas da elite do planeta estah vivendo. Eh ou nao eh?

***

Minhas impressoes sobre o Festival de Publicidade de Cannes continuam sendo publicadas diariamente no blog da Escala.

Tem lah o video do Roger Daltrey cantando em voz e violao a poucos metros de mim… foi massa…

Por Gustavo Mini às 17:07 | 4 Comentários | Permalink

terça-feira, 23 de junho, 2009

De Cannes e Nova Iorque para voce, leitor

Pois entao. Antes de vir a Cannes, passei uns dias em Nova Iorque e o apartamento da pessoa que me hospedou fica nessa rua absurdamente agradavel, Woody Allen Style, no West Village ou Greenwich Village, que eh um lugar que tem toda uma aura cultural/intelectual, uma historia.

E todo dia eu saindo pra rua e olhando essa plaquinha nesse predio, nao ultrapasse. Pensei que tinha acontecido um crime, as pessoas toda hora tirando fotos. E pergunei pra Ann, que estava me hospedando, qualera dessa plaquinha e ela disse: “Ah, esse era o apartamento de Carri do Sex and The City durante a serie. Eles filmavam aih. Eh um problema pros moradores, por isso a plaquinha.” 

E esse cartazinho aih? O que esse cara aprontou??

Meu carro.

As ruazinhas de Cannes sao perfeitas praquele passeio de fim de tarde estressado porque o wireless do hotel nao tah funcionando e voce precisa postar a cobertura do festival logo de uma vez. Correria em Cannes eh outra coisa!

Agora, sem duvida nenhuma, bom mesmo eh passear de retroescavadeira na praia. E o povo no Brasil reclama de quem anda de carro na areia. Esse cara tava com o porta malas da retro aberto, tocando o maior funk carioca e mexendo toda a areia pra fazer um travesseirinho onde ele pudesse colocar a  cabeca pra tomar banho de sol no dia seguinte. O pessoal se puxa pelo conforto aqui.

E essas cadeirinhas aih hein? Acredite, ainda nao consegui sentar nelas. Mas amanha rola. Ah rola!

***

E o segundo post sobe o Festival de Cannes tah lah no blog da Escala.

Ateh outra hora.

Por Gustavo Mini às 15:47 | 1 Comentário | Permalink

segunda-feira, 22 de junho, 2009

Hoje nao tem autopista

as esquerdas, Biz Stone, dono do Twitter

Interrompi 35 semanas de Autopista poraue estou em Cannes cobrindo o Festival de Publicidade pra agencia. O wireless do meu hotel foi pro saco, entao estou aqui numa mistura de lan house com telefonica onde os teclados sao muito esquisitos. Por isso a ausencia de acento e por isso estou teclando devagar - ah vc nao nota isso.

Suspeito que nao vou ter muito tempo pra escrever aqui pelas proximas duas semanas (depois dessa semana em Cannes estarei de ferias) mas na ledida do possivel passo aqui pra contqr alguma coisa. O grosso do conteudo esta indo pro blog da Escala. Entao soh me resta contar aqui aue soh dormi duas horas no voo esta noite entao nem sei direito mais o aue estou escrevendsjfhdsfurehlkjmhm

Por Gustavo Mini às 15:32 | Sem comentários | Permalink

sábado, 20 de junho, 2009

Videofinde: Little Joy acoustic at KCRW

Tá bom?

***

Leia aqui a resenha do show do Little Joy em Porto Alegre.

Por Gustavo Mini às 8:00 | 3 Comentários | Permalink

sexta-feira, 19 de junho, 2009

Freestyle + Urbe 6 anos

Eu sei que eu falei na terça que não gosto de ficar postando cartazes e flyers porque senão todo mundo fica me mandando (e eu só faço jabá de amigo e OLHE LÁ). Mas quando vi o cartaz dessa festa aí, do Marcos (batera dos Walverdes), não pude resistir. Que arte massa hein?

Aí meu nobre vizinho, Bruno, começou a postar micro-entrevistas com o lapidado line-up da festa de 6 anos de comemoração do Urbe. Não viu? Até o momento em que escrevi esse post, tem papo com o Apavoramento Soundsystem, Ritmos Digitais, Lettuce. A essa altura já deve ter mais coisa. Vai lá.

Por Gustavo Mini às 8:00 | 1 Comentário | Permalink

quarta-feira, 17 de junho, 2009

Street Zen: The Life and Work of Issan Dorsey

Issan se preparando para a ação.

Espiritualidade é um tema complicado de abordar num país como o Brasil. Vivemos uma espécie de paradoxo. Se temos uma população que se diz majoritariamente católica (83%), no dia-a-dia ela se ampara mais no sincretismo, na crença em santos particulares ou então na boa e velha reza aleatória na hora do desespero. Para deixar tudo ainda mais ambíguo, apesar de muitos não praticarem formalmente o cristianismo, a moral cristã meio que paira sobre a cultura do país. Ela não rege os desejos e não dá as cartas claramente, mas funciona como o eixo médio da nossa moral coletiva e qualquer duas horas de televisão aberta mostram isso. Mesmo os intelectuais do país costumam frequentemente se comportar como carolas: apontam, acusam, pedem punição.

No outro extremo do espectro, existe também, claro, uma adoração dos loucos desvairados como oposição à moral instituída, mas isso é apenas o outro lado da moeda. 99% das vezes que vejo alguém puxar o saco de algum “rebelde”, me parece mais birra do que qualquer outra coisa. A verdade é que raramente ambos conceitos, suposta perfeição e suposta imperfeição, convivem em harmonia.

Se na vida cotidiana eles são obrigados a conviver, o mesmo não acontece no imaginário popular. A ambiguidade no Brasil, acredito, é sutilmente bem vinda na prática, mas na teoria, no discurso ou na iconografia ela não pega bem. Somos um país de mulatos práticos que gosta do preto no branco teórico. Ainda que saibamos de todos os detalhes sórdidos sobre nossos santos/modelos/salvadores/representantes, preferimos os relegar a um papel secundário de seu caráter, recusando-nos a acreditar que o lado escuro da mente e do coração de alguém possa realmente fazer parte do seu todo.

Por isso, enquanto virginiano inverterado e maniqueísta eventual, achei tão inspiradora a leitura de Street Zen. O livro é a biografia do mestre zen budista Issan Dorsey escrito por um jornalista, colega praticante e amigo que escolheu abordar todos os aspectos da vida de Dorsey sem deixar nada de fora. Tudo é exposto, desde seu homossexualismo, seu trampo de drag queen e eventual garoto de programa, sua relação com anfetaminas, heroína e LSD, sua convivência com estratos baixos e considerados pervertidos da sociedade até sua trajetória como praticante zen, criador de um hospice pioneiro para pacientes de AIDS e reconhecido professor que… morreu de AIDS. Pra resumir, um outro mestre zen americano, Bernie Glassman, escreveu no prefácio que via Issan como “uma mistura de Lenny Bruce e S.S. Dalai Lama”.

O interessante da abordagem de Street Zen é que a primeira etapa da vida do biografado em momento algum é colocada como oposição à segunda. A jornada descrita no livro não segue o roteiro comum de “degradação, descida ao inferno, expiação dos pecados por meio do sacrifício e redenção”. É mais como se fosse tudo junto, tudo ao mesmo tempo agora. O lado outsider de Issan Dorsey, em vez de contraponto ao lado religioso, funcionou como base, como fundação, como fonte de incríveis ferramentas sociais e espirituais que ele utilizou mais tarde para ajudar os que habitavam as margens da conservadora sociedade americana dos anos 60, 70 e 80.

A trupe da qual Issan fazia parte como Tommy Dee.

A mensagem aqui é uma só: por conta de nossas limitações, achamos que só os perfeitos alcançam a perfeição e Issan Dorsey vem para torcer completamente essa lógica injusta e inútil. A compaixão mais ampla não deixa nada nem ninguém de fora. Nem as pessoas que marginalizamos socialmente, nem nossos sentimentos e aspectos pessoais que marginalizamos mentalmente, escondendo no fundo do baú. Dorsey, segundo o livro, foi a personificação desse tipo de compaixão. Justamente por sua convivência com pessoas marginalizadas, por ter experimentado e visto de tudo, ele serviu de referência para os sem-referência. Ele abraçou tudo. O próprio autor da biografia diz que, se não fosse pelo amigo, talvez não se sentisse apto a praticar o budismo.

Como pano de fundo pra tudo isso, recebemos de brinde uma série de rápidas porém valiosas contextualizações: o surgimento da cena psicodélica em San Francisco; a chegada de Suzuki Roshi (um grande mestre zen budista) aos Estados Unidos e o desenvolvimento de sua comunidade, com direito a escândalos cabeludos protagonizados pelo seu sucessor; a intersecção do mundo gay de San Francisco com as comunidades espirituais; e os primeiros baques ali causados pela AIDS.

Street Zen é de escrita simples, fluída e direta. Uma boa parte das histórias vêm contada em primeira pessoa, por Issan ou por companheiros próximos. Dessa forma, em dois ou três capítulos você já se sente íntimo dele e lá pela página 200 bate uma certa melancolia porque os dois estão chegando ao fim: o livro e o protagonista. Issan morreu em 6 de setembro de 1990 de complicações ligadas à AIDS, no próprio hospice que criou, cercado de amigos e experimentando na prática lições básicas do budismo que vinha ensinando: compaixão e, principalmente, a impermanência.

Vertido das páginas do diário pessoal do autor, o relato dos últimos dias de Issan são crus e perturbadores. Sensacionalismo? Não. Uma narrativa que se pretendia tão aberta quanto seu personagem principal realmente não poderia se eximir e deixar de fora o momento de maior significado da história de Issan e que Suzuki Roshi chama de “O maior professor”: a morte.

Desesperador, desagradável e incômodo, muitas vezes é melhor nem tocar nesse assunto. Mas, se for pra tocar, melhor que seja assim, como Issan fez, de forma completa. Mesmo sofrendo e com dificuldades físicas, ele deixou sua última lição ao abraçar a morte da mesma forma que abraçou a vida.

Por Gustavo Mini às 12:46 | 3 Comentários | Permalink

terça-feira, 16 de junho, 2009

Apolônio em Porto Alegre

Eu não costumo publicar flyers e avisar de shows aqui senão viro agenda de tanto que me mandam coisas. Mas vou abrir uma honrosa exceção não apenas pela amizade, mas porque quero muito ver essa banda tocando bastante. Gostaria muito que você fosse conferir ao vivo o que já é mega astral em mp3. O Apolônio vem pra Porto Alegre (e depois segue pro Macondo em Santa Maria) esquentar um pouco as noites gaudérias.

Mas que diabos faz esse Apolônio? Bom, tu pode baixar o disco inteiro aqui (clica com o botão direito, salvar arquivo como) ou então dar uma prévia no Myspace dos caras. Eu não ia falar que eles fazem um sonzinho bem macio, com discretas batidas quebradas, vozes simpáticas e guitarrias viajantes, mas aí vou ter que citar o gaita, o que é um saco porque acaba que ficam taxados como a banda da gaita. A função foi criada pelo Mairena (proprietário do Clube Praga) e o parceiro Albo. Depois foram se juntando mais uns figuras, como o Malásia (ex-percussionista da Ultramen, morando em SP) e a atriz gaúcha Tainá Muller.

Ah: se liga na versão dengosa de Train in Vain do Clash. Um primor do dengo.

Por Gustavo Mini às 8:00 | 1 Comentário | Permalink

domingo, 14 de junho, 2009

Autopista 35

Toda segunda tem Autopista. Clica na imagem pra ver maior.

Por Gustavo Mini às 5:00 | 1 Comentário | Permalink

sábado, 13 de junho, 2009

Videofinde: a real human interface

Da Multitouch Barcelona. Dica do Vini.

Por Gustavo Mini às 8:00 | Sem comentários | Permalink

sexta-feira, 12 de junho, 2009

Bloquinhos

Lucas achou uma cimitarra entre os presentes de casamento. Veio sem cartão, então nem ele nem a Carla sabiam a origem.

“Deve ter sido um dos seus amigos da TI.”
“Pode ser. É cool.”

Um amigo programador do Lucas era fã de Prince of Pérsia.

“Quem disse que cimitarra é cool? Eu acho brega.”
“Sei lá. Foi só um comentário.”

Nisso, tocou a campainha. João apareceu na porta.

“Sim?”
“Estou procurando uma cimitarra.”
“…”
“Vocês têm uma cimitarra pra dar?”
“Desculpe?”
“Uma cimitarra… uma daquelas espadas assim e assim.” disse João desenhando no ar o tal formato.

“Só um pouquinho.”

Lucas fechou a porta e voltou pra sala.

“Carlinha, tem um cara querendo uma cimitarra aí fora.”
“Ótimo. Vende pra ele a nossa. Eu não quero isso aqui. Daqui a pouco a gente vai ter filho, não quero saber de arma em casa.”
“Nem pra decoração?”
“Você não vai pendurar essa citarra na parede, Lucas?”
“É cimitarra. Seu pai, não vai querer?”
“Lucas, se livra desse negócio. A gente nem sabe quem deu. Deve até dar azar.”
“E se for de um de nossos chefes?”
“Azar, Lucas. Você vai ter medo do seu chefe o resto da vida?”
“Tá bom. Mas o cara aí não tem dinheiro.”
“Então dá pra ele, faz um leasing, qualquer coisa, só se livra disso.”

Lucas pegou a cimitarra e foi até a porta. Abriu e mostrou a peça para a visita.

“Ah.. é perfeita” disse João examinando o fio.
“Pode ficar para você.”
“Obrigado. Muito obrigado.”
“De nada.”

Lucas fechou a porta e João desceu pela escada, com a cimitarra embaixo do braço, embalada em papel de presente amassado. Pegou o ônibus circular e parou em uma papelaria da zona norte.

“Quanto custam os bloquinhos?”
“50 centavos cada.”
“Posso pagar com uma cimitarra?”
“Uma o quê?”
“Isso.”

João desembrulhou a cimitarra no balcão.

“Ai Jesus!”
“Chama o gerente…”
“É assalto?”
“Não. Quero propor uma troca.”
“Ai, eu sabia, é assalto.”
“Não é… chama o gerente…”
“Ai Jesus…”

A vendedora saiu rezando e voltou com o gerente.

“É um assalto?”
“Não, quero propor uma troca.”
“Manda.”
“Essa cimitarra por 600 bloquinhos.”
“Hmmm…”

O gerente calculou mentalmente, coçando o cabelo com gel. Pegou a cimitarra, examinou o fio.

“Certo. Eu fico com ela e pago pelos bloquinhos. Marta, pega 600 bloquinhos no estoque.”
“600? Ai Jesus…”
“Vai, Marta!”

João saiu com os 600 bloquinhos em duas sacolas. Pegou o ônibus de novo e abriu o primeiro pacote de bloquinhos quando lembrou que não tinha caneta. O sol riu da ironia enquanto se punha atrás dos transformadores da empresa pública de energia elétrica. Assunto clássico para ao menos um bloquinho.

***

Essa história saiu na Mais Soma #11. Download da revista inteira em PDF clicando com o botão direito aqui.

Leia a primeira história da caminhada de João aqui.

A ilustração (veja grande na revista!) é do Guilherme Dable.

Por Gustavo Mini às 10:15 | 1 Comentário | Permalink

quarta-feira, 10 de junho, 2009

Tributo ao Mudhoney no Jornal da MTV

Entrevista com Pitty e Autoramas. BG com Walverdes, MQN, Lucy and The Popsonics também.

Por Gustavo Mini às 8:00 | 2 Comentários | Permalink

terça-feira, 9 de junho, 2009

A verdadeira publicidade sustentável

A máxima é conhecida e, hoje, bastante divulgada: todo ato relacionado ao consumo causa impacto ambiental. Todos nós já concordamos com isso e estamos cientes de que a saída é uma abordagem sustentável, o que significa a revisão de processos econômicos, sociais e culturais, não apenas o uso racional de recursos naturais. No universo do marketing e da publicidade, a sustentabilidade pegou. E propagou-se feito viral em milhares de campanhas mundo afora. Algumas de forma bastante supérfluas, outras tantas, felizmente, acompanhadas do esforço sincero de indivíduos e organizações realmente preocupadas em não deixar o assunto virar um eterno habitante do planeta Power Point.

Porém, talvez seja o momento de aprofundar um pouco mais o conceito de sustentabilidade na publicidade, lembrando que o efeito causado por nosso trabalho vai além do resultado de nossos clientes ou dos copinhos de plástico de café usados na agência. Nós mesmos, como produtores de uma quantidade incrível de mensagens diárias, somos em parte responsáveis pela manutenção da ecologia da informação. Nos últimos dez anos, testemunhamos boquiabertos a explosão dos pontos de contato que podem ser utilizados por uma marca para se conectar ao seu público. As comportas foram abertas e entramos na era em que Qualquer Coisa pode virar publicidade. Uma delícia para quem gosta de experimentar. Uma complicação para quem precisa tomar decisões diárias sobre budget. Um pesadelo para a poluição informacional.

Como vantagens desse período, temos a possibilidade de gerar melhores expressões de nossas estratégias. Tornar Qualquer Coisa publicidade pede escolhas mais inteligentes. O exercício da escolha com rigor e poesia em meio a um mar de opções refina o produto publicitário e poupa o ambiente onde a informação circula (a mente de todos nós) pois quanto mais certeiros, menos precisamos gritar, menos precisamos poluir. Este é o ponto mais delicado de uma publicidade sustentável: precisamos, mais do que nunca, incrementar nossa capacidade de escolha. É bom para todos. Para a agência, que trabalha mais focada. Para o cliente, que vê seu dinheiro melhor investido. E para o consumidor, que não é cercado de publicidade irrelevante e meramente poluidora.

Olhando desse ponto de vista, parece não haver dilema algum. As soluções brilhantes propostas pela publicidade sempre foram baseadas no que o pensamento estratégico pode oferecer de melhor. Mas, do jeito maluco que a informação circula hoje, é preciso uma atitude um pouco mais ousada do que simplesmente levantar a sobrancelha e declarar que “sempre foi assim”. Se vivemos cada vez mais soterrados (pessoal e profissionalmente) em informação, os ninjas da hora não são os que fazem escolhas, mas os que sabem criar espaços lúcidos para que, aí sim, sejam feitas as escolhas.

Ambientes de trabalho saudáveis e lúcidos são a base de uma publicidade sustentável. E pedem mais do que refeições grátis, sofás para descanso e videogames para a diversão. Pedem respeito à saúde física e mental das pessoas que fazem e que dão suporte à atividade estratégica de fazer escolhas. Em atividades intensas como a publicidade, essa noção de respeito precisa ser constantemente relembrada para não se tornar um mero conceito bonitinho. Não é um compromisso apenas dos líderes, mas também dos liderados.

As estratégias desenvolvidas dentro de um espaço lúcido serão automaticamente lúcidas. E, portanto, sustentáveis. A alguns este pode parecer um raciocínio esquisito. Mas ele é lógico e direto. Somos mais do que o resultado de nossas escolhas. Somos o resultado da forma como fazemos nossas escolhas. Portanto, se a atitude mais importante na publicidade atual é escolher, precisamos pensar seriamente não apenas nas escolhas que fazemos, mas em que condições de temperatura e pressão as estamos fazendo.

***

Artigo publicado no jornal do Festival de Gramado.

Ainda estou pensando no que escrevi…

Por Gustavo Mini às 8:00 | 6 Comentários | Permalink

segunda-feira, 8 de junho, 2009

Autopista 34

Toda segunda tem Autopista. Clica na imagem pra ver maior.

Por Gustavo Mini às 5:00 | Sem comentários | Permalink

sábado, 6 de junho, 2009

Videofinde: henri cartier-bresson na rua

Por Gustavo Mini às 8:00 | 1 Comentário | Permalink

sexta-feira, 5 de junho, 2009

E um adendo ao post do Vôo 447

Como eu tava falando. Não podemos ignorar outros aspectos simbólicos desse acidente. Não foi um vôo qualquer, que caiu no interior do Brasil levando um monte de “gente comum”. Foi um vôo da Air France que ia do Rio pra Paris. O tanto de glamour envolvido no imaginário desse trajeto não é recente. A conexão Rio e Paris no início do século passado era intensa. É o ano da França no Brasil. O primeiro ministro francês vem sendo figura constante na mídia, ainda mais casado com quem é. Esse tipo de acidente acaba mexendo com uma série de ligações pouco visíveis.

Por Gustavo Mini às 11:00 | 1 Comentário | Permalink

Um adendo ao post do Harry Potter

Mais um sinal do viés inclusivo da cultura pop da década 00:

Adoro esse comercial. O Wii trouxe de volta a família e mais um universo de jogadores casuais ao mundo dos games. O Wii foi lançado em 2006, mas sabe quando começou a ser concebido dentro da Nintendo segundo a Wikipedia? 2001.

***

O post do Harry Potter começa aqui e continua aqui.

Por Gustavo Mini às 10:31 | Sem comentários | Permalink

quinta-feira, 4 de junho, 2009

Não, Harry Potter não vai chutar a sua bunda

(Continuação desse post.)

Harry Potter não vai chutar a sua bunda porque, e isso é uma suposição ainda, ele não tem nada contra você. O problema do Harry Potter, até onde entendi, é com aquele de quem não se diz o nome. Mais curiosamente, Harry Potter não vai chutar a bunda do pai dele ou da sociedade, porque ele não tem grandes problemas com o pai ou com mais ninguém. Talvez os tios, mas ele tira de letra. O problema de convivência com os tios e o primo é facilmente sublimado com pequenas transgressões mágicas, nada de muito pesado. Não é necessário. Harry Potter não vai chutar sua bunda porque não é preciso. A grande questão da série Harry Potter é lutar com os próprios demônios com o suporte da amizade (esse é um dos grandes temas da série, não é mesmo?). De alguma forma que não sei explicar, isso me parece bastante mais leve do que a temporada de Luke Skywalker em Dagobah. Perto de Harry, Luke é muito mais birrento. A geração Harry Potter pode ser mais mal acostumada com certos confortos, mas me parece menos birrenta. Atenção: não estou falando das pessoas ou de casos individuais. Estou falando da cultura pop como um todo. A cultura dos anos 00 é mais blasé, menos birrenta, mais inclusiva. Não é?

***

É incrível que a obra musical que serviu de porta-voz para uma revolução latente no início dos anos 90 se chame Nevermind. Tradução livre: deixa quieto. Deixa pra lá. Dá nada. Entende a ironia? Nevermind não deixou nada quieto. Foi o catalisador de um movimento que vinha se ensaiando durante todos os anos 80, naquele tradicional movimento de contração e expansão da cultura pop, no qual a onda vigente é sempre uma negação radical da anterior. Nevermind! Não dá nada. E deu tudo. A geração chamada de slacker, preguiçosa, sub-empregada apesar de over-educada, sem querer acabou mexendo com tudo. Nunca a preguiça foi tão ativa e presente. Nunca a largação foi tão eloquente. Nem mesmo no punk: ali havia raiva, havia uma energia clara sendo exposta. Com todo aquele papo de grunge, foi a letargia que virou vetor de transformação. Quem diria! Não lembro de alguém ter sublinhado essa ironia tão clara. Eles vieram, disseram Nevermind, mas todo mundo “mind”. E deu no que deu.

Os anos 90 acabaram sendo a última década em que era preciso escolher um lado. As cansativas discussões em listas sobre o mundo “corporativo” e o “mundo indie”. O Cobain aparecendo na capa da Spin com uma camiseta dizendo “Corporative rock magazines suck”. A questão das bandas que assinavam ou não assinavam com majors. Filmes independentes contra filmes de grandes estúdios. Todas as dicotomias, ao longo dos anos 00, se tornaram anacrônicas.

A partir de 2001 tudo ficou mais bagunçado. É um ano emblemático nesse sentido. Obrigado por avisar, Kubrick & Clarke! 2001, afinal, foi o ano em que:

- a Apple lançou o iPod, inaugurando uma era em que as coleções de música abrigavam sem constrangimento Strokes, Ivete Sangalo, Chico Buarque e Rick e Renner lado a lado.
- os Strokes lançaram o EP com Modern Age/Last Nite/Barely Legal, botando os indies pra dançar nas pistas novamente e não apenas se balançar com músicas sem ritmo ou pular ao som de funk metal.
- caiu na roda A Stroke of Genius, o mashup de Christina Aguillera com Strokes do Freelance Hellraiser, fato auto-explicativo
- saiu As Heard on Radio Soulwax, album do 2ManyDjs que regurgitava em um único set 45 músicas de diferentes frentes do pop, dando a cara esquizofrênica das pistas da década que começava.
- Harry Potter e a Pedra Filosofal, o primeiro filme da série, foi lançado nos cinemas (se não me engano desbancando no Brasil um recorde do Rambo III), atingindo um público que os livros não atingiam.
- as Torres Gêmeas e a noção de que os Estados Unidos eram uma ilha no mundo caíram.

(No Brasil, não me lembro bem de cabeça. Mas também foi uma época de queda de barreiras. Acho que foi nessa época que os festivais fora do eixo Rio/SP começaram a se fortalecer. Foi uma época em que viajamos bastante com a banda, vários produtores independentes começaram a trazer bandas menores pro Brasil com shows em cidades inusitadas. Mudhoney no Brasil foi em 2001. Jon Spencer, Luna, Cat Power, Nebula (pra quem abrimos quatro ou cinco shows) também. Os sorocabanos do Wry foram pra Londres em 2001. O Festival Calango, que botou Cuiabá no mapa, começou em 2001. Acho que foi por esse ano que bandas como MQN, Forgotten Boys e Autoramas começaram a ter uma base de fãs mais respeitável. E por aí vai.

Mas a questão aqui é a seguinte. Olhe para os exemplos citados na lista acima. Todos eles têm a marca da inclusão e não da exclusão. O punk, o new wave e o grunge traziam a marca da exclusão. O punk brigava com o “sistema”, a new wave com a simplicidade, o grunge com o sistema de novo. Os anos 2001 não vieram pra brigar com ninguém. Sua arma foi a inclusão. Tá todo mundo no mesmo barco. Strokes com Cristina Aguillera, guitarras com pista de dança, 45 músicas onde Emerson Lake and Palmer convivem com Basement Jaxx, um aparelho que permite carregar toda sua biblioteca musical junta, um filme no qual um garoto com poderes mágicos transita entre o mundo da magia e o mundo dos trouxas, festivais e bandas relevantes em locais tradicionalmente excluídos do circuito cultural brasileiro.

Harry Potter não vai chutar a sua bunda porque uma antiga batalha acabou. O sarcasmo, a combatividade e a desilusão dos anos 90 hoje são mainstream. Não são mais tão relevantes, não fazem mais cosquinha. Depois de dez anos aprendendo a misturar e incluir, vamos cozinhar nos próximos dois anos novos conceitos e novos sabores que vão dar o tom da década vindoura. Eu não sei bem quais são eles, mas sabe o que mais? Deixa quieto…

Por Gustavo Mini às 10:25 | 12 Comentários | Permalink

quarta-feira, 3 de junho, 2009

Vôo 447

A queda de um avião sempre mexe com todo mundo das mais variadas formas. Alguns ficam com medo de voar. Outros relembram histórias de pessoas próximas que viveram um drama similar. Uma outra turma se dedica à criar ou repassar piadas relacionadas ao evento. Também tem os que, silenciosos, refletem sobre o significado mais profundo da vida. Uns abrem o coração à distância, se solidarizando da forma como podem com os familiares das vítimas. Outros tem o ímpeto de empreender alguma ação, procurar um responsável. Cada um ao seu jeito, estamos todos, penso eu, procurando absorver o fato absolutamente ordináro de que a morte pode chegar a qualquer momento e de qualquer forma.

Como existe uma distância enorme entre saber racionalmente e integrar isso à compreensão direta, são esses acontecimentos cheios de simbolismos que fazem o trabalho sujo de colocar um tema desconfortável em nossa pauta diária. Quando morrem pessoas em um deslizamento de uma favela, em um ataque da polícia, em um acidente rodoviário, em uma epidemia de dengue, é mais fácil aceitar pois as causas são visíveis e a indignação encontra rapidamente uma via para fluir. Temos explicações, culpados, medidas a serem tomadas.

O Vôo 447, no entanto, parece pertencer mais ao universo do Lost do que do Jornal Nacional: estamos sendo obrigados a engolir uma quantidade incrível de hipóteses sem nenhuma conclusão por tempo demais do que estamos acostumados. E não está sendo divertido. Não é JJ Abrams que está no comando. Não tem ninguém no comando.

Enquanto isso, vamos sendo soterrados com gráficos e explicações para lidar com uma questão mais complicada: não importa o quanto tentemos, o quanto nos tornemos bons em engenharia, um avião de uma companhia respeitável pode sumir de uma hora pra outra e levar consigo uma galera.

A instantaneidade da comunicação digital, nesse caso, vem sendo inútil. Não há novidades na velocidade em que podemos nos atualizar. Ficamos sabendo que um destroço foi encontrado. Que o navio da marinha chegou ao local. Assistimos a representações gráficas do possível local do acidente. Ficamos andando em círculos, fingindo que estamos sabendo de alguma coisa pela crescente incapacidade de suportar o não saber de coisa nenhuma.

Por Gustavo Mini às 11:03 | 15 Comentários | Permalink

segunda-feira, 1 de junho, 2009

Autopista 33

Toda segunda tem Autopista. Clica na imagem pra ver maior.

Por Gustavo Mini às 10:08 | Sem comentários | Permalink

sábado, 30 de maio, 2009

Videofinde: picasso desenhando

Só isso.

Precisa mais? Então tá:

Por Gustavo Mini às 8:00 | 2 Comentários | Permalink

sexta-feira, 29 de maio, 2009

Harry Potter vai chutar a sua bunda

Há um tempão li um artigo muito legal na Esquire a respeito da importância do Harry Potter para a cultura pop contemporânea. O ponto do jornalista Chuck Klosterman era muito simples: se você não está acompanhando a série agora em algum nível, prepare-se para ser excluído: você vai perder o fio da meada da maior parte dos produtos da cultura pop dos próximos trinta anos.

Como isso? Bem, acompanhe o gráfico. Se você tem aí entre 25 e 35 anos, com certeza teve algum nível de contato com a série Guerra nas Estrelas ou Os Trapalhões. Da mesma forma, deve ter amigos que não absorveram essas referências e hoje têm dificuldades em serem engajados por determinadas músicas, programas de televisão, filmes ou seriados produzidos hoje. Tenho um amigo que passou batido pelos Trapalhões por morar nos Estados Unidos e o melhor do Hermes e Renato não faz nem coceirinha nele.

Estamos falando aqui de Unidades Básicas de Cultura Pop. Guerra nas Estrelas e Trapalhões são Unidades Básicas de Cultura Pop, átomos fundamentais que serviram de espinha dorsal para uma série de estruturas nas décadas subsequentes. A disco music e o Monthy Pyton são outros exemplos clássicos. Sem o Monty Phyton, não existiria TODA a publicidade contemporânea, especialmente a produzida entre 95 e 2005. Sem a disco music, não teríamos uma cinzenta área sexual que permite a homens chegarem perto do limiar da homossexualidade sem se comprometer demais, mas isso é outro assunto. Também tenho vontade de expandir esse tópico para os filmes do trio Zucker, Abrahams and Zucker como Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu e a obra prima Top Secret, mas isso também rende um blog inteiro…

De volta ao cerne da questã.

A princípio, parecemos estar falando a respeito de um universo bastante restrito formado pelo entretenimento masculino jovem de classe média ocidental. Mas isso é o suficiente para causar uma fissão nuclear. Piadas internas de Star Wars não ficaram presas à órbita desses imberbes. Elas ganharam o mundo, chegaram a paródias de Bollywood e letras de funk carioca. Isso acontece porque os representantes mais intensos dessa cultura, à medida que crescem, passam de fãs a pessoas extremamente bem posicionadas na indústria cultural, chegando ao posto de produtores de cultura pop mainstream. Eu vi isso acontecer com meus próprios olhos. Eu participei de uma lista de emails em 1995 com pessoas que hoje ocupam postos chave da cultura pop (em diferentes níveis, ok). As “bobagens” discutidas naquela lista hoje pautam investimentos substanciais de alguns players relevantes nessa área - inclusive em nível gringo.

Resumindo: quem vai escrever, produzir, dirigir e criticar os seriados, as músicas, os filmes e os games das próximas décadas passou as últimas se embebendo da cultura da magia, especialmente em Harry Potter mas também através da trilogia Senhor dos Anéis, pra não falar de todo o caldo esotérico-tecnológico de Matrix. Se você, como eu e o Chuck Kloterman, não tem uma afinidade muito grande com o mundo das varinhas mágicas, dos elfos, das vassouras que voam, você está FORA. Para quem trabalha com comunicação, isso pode ser impeditivo.

Existem três saídas clássicas pra esse problema que me ocorrem no momento. A primeira é ler os livros da série Harry Potter, um investimento de tempo e paciência talvez muito grande pra quem, como eu, não tem pendor pelo universo de magia. O segundo é ver os filmes, embora você corra o risco de pegar uma fatia mais superficial daquele universo. E o terceiro é o que acabou me beneficiando: conviver com crianças. Minha enteada de 8 anos não é propriamente maluca por Harry Potter, mas tem os filmes e os vê com uma certa regularidade. Ela é minha esperança. Meu salvo-conduto. Meu visto americano. Minha memória expandida em termos de Unidade Básica de Cultura Pop.

(continua semana que vem)

Por Gustavo Mini às 11:37 | 27 Comentários | Permalink

quinta-feira, 28 de maio, 2009

Como é ruim…

… bater o dedinho no pé da mesa.

Por Gustavo Mini às 19:16 | Sem comentários | Permalink

quarta-feira, 27 de maio, 2009

Gratidão

Teachers é uma das melhores (acho que a melhor…) músicas do Daft Punk. Batidão contagiante e um stereo de vozes pagando tributo aos que eles consideram seus professores na música. Nesse vídeo, alguém aê compilou as fotos de todos os figuras. Quer acompanhar a lista de DJs, produtores e compositores que ensinou o que o Daft Punk aprendeu direitinho? Sigam-me os bons!

Paul Jonson
DJ Funk
DJ Sneak
DJ Rush
Waxmaster
Hyperactive
Jammin Gerald
Bryan Wilson
George Clinton
Lil Louis
Ashley Beatto
Neil Landstruum
Kenny Dope
DJ Hell
Louis Vega
K-Alexi
Dr. Dre is in the house yeah
Omega in the house
Gemini is in the house
Jeff Mills is in the house
DJ Deya
DJ Milton
DJ Slugo
DJs on the low
Green Velvet
Joey Beltram
DJ Else
Roy Davis
Boo Williams
DJ Tonka
DJ Snow
DJ Pierre
Mark Dana in the house
Tom Allen’s in the house
Romanthony’s in the house
Ceevea in the house
Luke Slater
Jerry Carter
Robbert Hood
Paris Mitchel
Dave Carter
Van Helden in the house
Amanda in the house
Sir Jordan’s in the house, yeah

Por Gustavo Mini às 8:00 | 2 Comentários | Permalink

terça-feira, 26 de maio, 2009

Alan Wallace no Brasil

Wallace à direita de S.S. Dalai Lama

Um dos mais importantes nomes mundiais do estudo da consciência vem de novo ao país no mês que vem pra conduzir um retiro e dar uma série de palestras promovidas pelo CEBB. De 4 a 15 de junho, o físico e ex-monge budista vai passar pelo Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Viamão para falar sobre a convergência entre o método científico e o método contemplativo de investigação da consciência.

Wallace tem uma trajetória inspiradora, que reflete o tema de suas palestras: sua vida é, em si, a convergência de ciência e espiritualidade. Sua busca começou nos anos 70, década na qual foi ordenado monge por S.S. Dalai Lama. A seguir, passou a ensinar meditação e filosofia budista bem como servir de tradutor para diversos mestres budistas. Depois, iniciou uma vivência acadêmica que começou com o estudo de física e filosofia da ciência e um PhD em estudos religiosos em Stanford.

Hoje, ele é uma das principais interfaces no diálogo entre cientistas e contemplativos religiosos, atuando frequentemente em conferências, construindo produtivas pontes entre a filosofia budista, a psicologia, a filosofia e os conceitos da ciência moderna. Esse é um dos principais objetivos do Santa Barbara Institute for Consciousness Studies, que Alan Wallace dirige em parceria com profissionais como o psicólogo americano Paul Ekman, uma figura quase pop, célebre por seus estudos das emoções relacionadas às expressões faciais.

Alan Wallace no Google Tech Talks

Mas, afinal de contas, o método científico não dá conta sozinho disso? Bom esse encontro de diferentes visões é fundamental na busca por uma compreensão mais ampla e prática da consciência e de seus diferentes estados. Pelo pouco que li é assim: os estudos científicos são produzidos a partir de medições objetivas e externas à consciência. Não existem aparelhos que pentrem os pensamentos, as sensações, as percepções, os conceitos que uma pessoa experiencia. Só é possível medir a atividade cerebral.

Uma vez que a consciência é uma experiência fundamentalmente subjetiva, a contribuição de pessoas com um extenso treinamento contemplativo (como a meditação) traz complementos valiosos na descoberta de caminhos para a investigação científica dos aspectos mais profundos da mente. Alguém que navega bem pela sua própria mente, com clareza e disciplina, pode ajudar de forma mais eficiente a responder questões como: do que é feita a consciência? Como ela é? Que tipo de condições internas a satisfazem? Qual a fonte do bem estar e da sanidade mental? Como ter uma mente estável, saudável, sem depender intensamente de fatores externos? Como não ser chachaolhado ao sabor dos ventos sem criar uma fortaleza emocional intransponível que acaba sendo obstáculo a muitas experiências da vida?

Alan Wallace, Lama Padma Samtem e Chagdud Khadro em Viamão/RS.

As respostas para essas perguntas são detalhadas em muitas tradições contemplativas, mas geralmente não tem respaldo científico e por isso são consideradas inválidas em muitos âmbitos sociais, médicos e acadêmicos. Pessoas como Alan Wallace, S.S. o Dalai Lama, o Lama Padma Samtem e Yongey Mingyur Rinpoche (entre tantos outros, inclusive de outras tradições) vem trabalhando pessoalmente no sentido de produzir encontros frutíferos que resulte em ações práticas e programas educacionais facilmente acessíveis por pessoas que não desejam se engajar em alguma prática religiosa.

Se você lê esse blog, certamente se interessa de alguma forma pelas novas relações que estamos formando com a tecnologia e através da tecnologia. A capacidade de prestar atenção, entre outros aspectos cognitivos, é um dos tópicos mais discutidos nesse sentido. Então, não perca a oportunidade de ouvir a eloquência e o conhecimento de uma pessoa que é TÃO referência quando o assunto é estudo de consciência. Poucas vezes temos acesso direto a fontes tão qualificadas.

***

Leitura complementar:

- Entrevista com Dr. Wallace na Istoé.

- Li e recomendo. Como Lidar com as Emoções Destrutivas: pela capa, esse livro tem a maior cara de auto-ajuda, mas na verdade é um minucioso documento sobre um diálogo de cinco dias de cientistas com  S.S. Dalai Lama sobre as emoções humanas. É um panorama rico, com visões da neurologia, biologia, psicologia e budismo. O Alan Wallace é um dos protagonistas desse encontro promovido periodicamente pelo instituto Mind and Life.

- Não li, mas recomendo. Livros em português do Alan Wallace: A Revolução da Atenção (sobre a importância da atenção e do foco sustentado como base pra uma mente saudável) e Budismo com Atitude (sobre a importância do ajuste de ações e atitudes como parte do caminho contemplativo).

E era isso!

Por Gustavo Mini às 12:22 | 2 Comentários | Permalink

Hoje é o aniversário de uma linda criança de 3 anos

E apesar de todo ser dessa idade exigir paciência com a sua imaturidade e impaciência, também é um privilégio incrível aos 34 anos e aos 36 anos poder ter presente todos os dias um constante olhar de espanto com cada experiência por que passamos juntos.

Três anos é tão pouco e também é um universo inteiro.

Por Gustavo Mini às 11:05 | 2 Comentários | Permalink


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