Enquanto alguns perdem um valioso tempo de suas vidas discutindo a validade ou não do conteúdo dos blogs, a Época vai lá e taca na sua capa os tais 80 Blogs que Você Não Pode Perder. Sagaz movimento da revista em vários aspectos. Primeiro, porque alinha sua imagem de marca a um inquestionável fenômeno contemporâneo, obrigação de qualquer revista semanal que não seja vista pelos seus leitores como um “confiável senhor de 60 anos”. Segundo, porque simplesmente abraça a ferramenta em vez de questioná-la munida de paradigmas empoeirados (desculpe a redundância). Terceiro, porque tem muita gente (muita gente) que ainda está tateando neste mundo e não custa nada dar um empurrão inicial.
Um blog (perdi o link, não achei mais!) observou que essa foi uma maneira muito esperta da Época colocar os SEUS blogs em evidência, colando-os a blogs que tem relevância e boa audiência. É uma excelente hipótese. Mas ainda assim achei interessante a iniciativa da revista, que provavelmente inspirou seu mapa dos blogs no trabalho da empresa japonesa Information Architets. Vale uma visita no Faz Caber, o blog dos designers da Época, que falam sobre a confecção do mapa da matéria.
Web Trends Map da IA.E a curadoria? São os 80 blogs indicados pela Época aqueles que você não pode perder? Acho totlmente irrelevante discutir isso. Ali no meio estão alguns blogs que eu considero muito interessantes e inclusive visito com certa frequencia, bem como tantos outros que eu acho uma total perda de tempo, um desperdício de espaço em servidor e banda.
Mas o ponto é justamente esse: a beleza de se informar através de blogs é você montar o SEU grupo de “informantes”, do SEU jeito, seja assinando RSS, seja no Delicious, seja nos seus favoritos, seja LEMBRANDO das URLS e digitando diretamente. Você é seu próprio editor e mesmo que não se considere à altura do cargo ou não esteja interessado, com uma pesquisa rápida você encontra algum… blog que fazem esse papel nas mais diversas áreas de interesse.
A Wired e outros sites espertinhos vem decretando a morte do blog por conta do avanço do twitter e das redes sociais. Mas enquanto não aparecer uma boa forma de qualquer zé mané montar uma página pra dividir suas impressões ou suas referências com o mundo (interessem ela uma, dez, cem, mil ou cem mil pessoas), acho que os blogs vão se manter. Especialmente no Brasil. Países como os Estados Unidos ou a Inglaterra tem produtos em geral com ciclos de vida muito rápido. O Brasil é mais lento e não apenas por uma questão econômica, mas cultural. Tudo dura um pouco mais aqui. Latino feelings. Coisa boa. Não precisamos abraçar a velocidade irrefreável da cultura pop americana ou inglesa e suas manias de aposentar um fenômeno por semana pra fazer girar a máquina.
Depois acontecem os supbrimes da vida e ninguém sabe por quê…
Aliás, essa coisa de decretar a “morte do blog” é um péssimo resquício do passado. Há pouco, minha mulher me alertou pra um editorial de uma revista feminina que dizia algo como “aposente sua calça assim assado”. Não existe coisa mais anacrônica do que “decretar a morte” ou o “nascimento” de algo com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, com tantas possibilidades e tanta liberdade para as pessoas escolherem como e quando vão consumir conteúdo.
Morte à essa mania de decretar a “morte” das coisas. O “já era” já era. Ou não era?
Joe Cocker no GTA. Mas me apareceu em um CD desses meio falcatrua, “Tarantino Experience”. Que música incrível. O que é a batida? Me lembrou Queens of The Stone Age.
Aí, beliscando no YouTube, achei essa aí de cima, com o 2Pac cantando em cima.
E o show da Publica no Gig Rock sábado passado? É injusto eu dizer que foi o melhor show da noite, uma vez que cheguei já quando a Mallu estava entrando no palco e fui embora antes de ver o Superguidis, perdendo grande parte do line up. Ainda assim, é flagrante os degraus que a Pública galgou ao longo de 2008, a ponto de fazer o público deixar de lado a concorrida pista de dança de uma dupla símbolo da geração Beco (Schutz & Machuca). O objetivo: se amontoar na frente do palco e fazer coro pras sempre cantáveis músicas do primeiro disco e começar já a acompanhar as ainda melhores canções do disco novo. Eu não estava propriamente embolado na frente do palco, mas fiz questão de ajudar no coro de Long Plays, Polaris e Lugar Qualquer.
No que diz respeito às músicas novas: algumas delas estão no MySpace. Vai lá. É lindo ver o que os caras estão fazendo com a música deles (com a força do Fruet, produtor de mão cheia que fez o segundo disco do Flu). Elaboraram um pouco mais os arranjos mas conseguiram manter o fator “cantável” e fugir da complicação exagerada, também mantendo a esquisita ponte entre o cenário urbano contemporâneo de Porto Alegre e o rock inglês que forjaram em Polaris. É i-na-cre-di-tá-vel que os caras consigam soar ao mesmo tempo Nei Lisboa e Supergrass. E fica bom! Fazer isso sem soar pastiche não é pra qualquer um. A Pública consegue. Conte nos dedos quem tem essa habilidade!
A música da Pública é pra ouvir, ouvir de novo, ouvir mais uma vez e então cantar junto ao vivo. Fiquem ligados nas notícias do disco novo. Ele sai no ano que vem com um DVD com um pequeno documentário.
E a Mallu Magalhães? Confirmou o que se esperava: o carisma, a habilidade/naturalidade no palco e o bom gosto. Mallu estava feliz, cantando e tocando bem, dizendo que tentou comprar o CD em uma loja mas que estava tudo fechado por conta do feriado. A galera curtiu e celebrou, mas alguma coisa me fez gostar mais do primeiro show no Porão do Beco no meio do ano, com mais cara de improvisação, lotado.
Cedo pra qualquer julgamento apressado. Pode ser só implicância minha. Na real, pra usar expressões mais ténicas, mais uma vez ficou claro que a mina é “massa” e tem a “manha”. Apesar de (me disseram) estar citando Nietzche no backstage. Vamos em frente.
Um dia antes, eu estava sentado na estilosa sala de aula da Perestroika, uma escola de publicidade/criatividade fundada há pouco por alguns publicitários portoalegrinos a fim de largar a agência e inventar algum outro esquema. Mas, não, não voltei a estudar, ainda mais sexta à noite. Na real, fui assistir à segunda ou terceira noite da Balalaika, a sessão de stand-up comedy da Perestroika com três aspirantes locais: Felipe Agnoni (um dos donos da Perestroika e ex-redator publicitário), o Daniel Martins (meu grande amigo, fotógrafo, redator, viajante quase profissional) e o Léo Prestes (também redator, ex-colega de Escala, hoje bandeado pros lados da internet na W3Haus).
Era 15 patacas com direito a uma long neck (Bohemia!) valendo três sessões de meia hora/20 minutos e um intervalinho entre elas. De certa forma, me senti no Garagem Hermética em 93 vendo o nascer, espero, de uma nova cena, amparada belo bom momento do stand-up no país, que começa a transferir pra “vida real” a boa audiência que vem angariando com os vídeos no YouTube de gente como o Rafinha Bastos e o Danilo Gentili (só pra citar os mais conhecidos).
Foi uma noite feliz. Longa vida e tudo mais.
Toda segunda tem Autopista. Buscando um incremento de 23,7% no orçamento da empresa.
Vídeo do Gabriel Shalom. Como diz um amigo, ele deve sofrer de “editite”. Mas é astral. Bom pra um domingo. Muito embora eu esteja postando isso na sexta.
Dica do Nicolas Motta.
Olha o cardápio:
Arthur de Faria
Nobs
Canja Rave
Atrack
Camboja Motel
Viana Moog
Alcaloides
Mallu Magalhães (SP)
Nevilton (PR)
Pública
Revoltz (MT/RS)
Walverdes
Identidade
Superguidis
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O festival vai rolar na quadra da Escola de Samba Praiana (Av. Pe. Cacique, 1261).
Ingressos antecipados na Pó de Estrela (Alberto Torres, 228).
Pra quem chegou hoje aqui, estou lendo Convergence Culture, do americano Henry Jenkins e fazendo um post a cada capítulo reunindo algumas reflexões/anotações/palpites (você pode resgatar os outros posts clicando aqui).
O livro é uma referência importante pra quem se interessa com os movimentos atuais quando falamos em entrelaçamento de mídias. E, o mais importante: Convergence Culture não é focado nos veículos/ferramentas de mídia, mas enfatiza o conjunto de comportamentos que brota ao redor deles. Logo na introdução, Jenkins definiu o conceito de convergência como sendo o que fazemos dentro da mente e não o que acontece fora, nas diversas mídias em que os conteúdos hoje se desenrolam. Pois o capítulo 3, Searching For the Origami Unicorn, leva essa premissa às últimas consequências ao estudar um dos cases mais interessantes e intensos de transmedia storytelling: The Matrix.
My Little Dead DickPra muitos, a trilogia não passou de uma sequência de 3 blockbusters cujos criadores deveriam ser presos por formação de quadrilha ao construir uma mitologia pilhando tantas referências da cultura pop, da filosia e da religião como quem vai ao supermercado (sem dinheiro e sem cartão de crédito). Entretanto, ao olhar atento e investigativo de Jenkins (e eu concordo), a questão é muito mais rica. The Matrix é uma das mais bem sucedidas tentativas de transmedia storytelling em escala global e industrial, um esforço que misturou motivações comerciais com a paixão nerd pela construção de universos desenhados especialmente para a submersão recreativa e/ou escapista.
E aqui vai a minha primeira anotação à Bic no canto de página no livro: por estarmos ainda dando os primeiros passos nesse novo tipo de narrativa, ainda cabe aos apaixonados fazer os primeiros movimentos. O processo de dissecação que Jenkins faz do universo Matrix deixa bastante claro que, apesar de haver dinheiro grosso envolvido, é o gosto pela coisa (e não pelo dinheiro que a coisa gera) que fez os Irmãos Wachowaski fazer o que fizeram do jeito que fizeram. Em outras palavras: consultor não recomenda esse tipo de encrenca antes dela estar completamente assegurada de sua eficiência.
Por outro lado, devido à sua proximidade com os recônditos da cultura pop, os produtores de Matrix sabiam o que fazer e basearam a extensão do seu trabalho em um time de produção quadrinistas, desenvolvedores de games, animadores, coreógrafos de luta e outros profissionais que tinham em alta conta como fãs e não como produtores. Nomes como Geof Darrow, Yoshiaki Kawajiri e Woo-ping Yuen podem não dizer nada à maior parte de nós. Mas são artistas com uma carreira consistente em suas áreas e, inclusive, uma base de audiência prontinha. Os Irmãos Wachowski faziam parte dela.
Segundo ponto: isso é bem diferente do sistema tradicional, no qual você simplesmente repete o logotipo da franquia em um sem número de apetrechos e bonecos dispostos em prateleiras de grandes magazines, adicionando praticamente zero informação nova ao universo original e desprezando nichos. Segue Jenkins dizendo que “Matrix é entretenimento para a era da convergência de mídias, integrando múltiplos textos para criar uma narrativa tão grande que não cabe em um só meio.”
Ou seja, não se trata de reproduzir logotipos ou personagens ad infinitum em todo o material que for possível vender, mas espalhar verdadeiramente pedaços da história ao longo de uma cadeia complexa capaz de atingir múltiplos níveis de engajamento. O nerdus maximus fica feliz e o tiozinho que caiu na sessão de cinema do multiplex por acaso também.
Ron MueckQuarto ponto: isso afeta a própria visão de licenciamento comercial, porque exige mais das partes envolvidas. É preciso uma colaboração maior, envolvimento dos licensiadores em processos de co-criaçao nos quais eles compreendam o universo e colaborem para sua expansão e não para sua redundância. Geralmente, produtos de franquia seguem uma lógica comercial, mas cada vez mais é necessária a adição de uma visão artística.
Quinto ponto: botar esse esquema pra funcionar em um produto de nicho, que busca se conectar a uma audiência bastante específica, não deve ser tão difícil. Mas arquitetar isso em escala global, atendendo aos desejos de uma Warner Brothers, são outros quinhentos. Os Irmãos Wachowski souberam brincar com os milhões que colocaram nas suas mãos, oferecendo material suficiente para uma diversidade de platéia como nunca se viu antes na história da cultura pop. Se você quisesse, podia simplesmente assistir aos filmes. Mas caso fisgasse a isca e resolvesse se engajar mais, descobriria um buraco quase sem fim com material de mineração distribuído em uma série de animação, games, graphic novels e por aí vai.
Experências de universos transmedia dessa forma não são totalmente novas. Jenkins cita o exemplo da vastidão de possibilidades que o universo Pokemón apresenta há anos. Mas Matrix transcendeu a audiência interessada em desenhos animados ou mangás, chegando no nível “Temperatura Máxima” de cultura popular. Não é pra qualquer um.
Apesar disso, Jenkins sublinha: “Relativamente poucas franquias, se é que alguma conseguiu, atingiu o completo potencial do transmedia storytelling. Os produtores de conteúdo ainda estão encontrando o seu caminho nesse sentido.”
Sexto ponto: assim como co-emerge uma nova audiência, essas mudanças também vão provocar o co-surgimento de uma nova crítica. Que sentido faz uma experiência de transmedia como The Matrix ou Heroes ser analisada ou criticada separadamente por críticos de cinema, quadrinhos, games e desenho animado? Os dois últimos segmentos de Matrix foram detonados por críticos de cinema (a meu ver, com razão). Mas talvez não o fossem por “críticos transmedia”, uma vez que a maior parte dos furos de narrativa dos filmes estavam contemplados nas outras mídias, em especial nos games. (Não posso deixar de lembrar a experiência fantástica que foi a revista Play, uma junção visionária e ainda inédita em mídia impressa de cobertura de música, games, cinema, literatura e tudo mais.)
***
Pra fechar, mais citação direta do Jenkins: “Existe um ponto além do qual as franquias não podem ser extendidas, subtramas não podem ser adicionadas, personagens secudários não podem ser identificados e referências não podem ser percebidas. Nós só ainda não sabemos qual é esse ponto.”
Aí está o cerne da questão em termos de cultura de convergência e transmedia storytelling: nessa longa fase de transição que estamos vivendo, qualquer tentativa de estabelecer um modelo é precipitada. Nesse momento de experimentação, qualquer um que diga que tem absoluta certeza de qualquer coisa ou é ingênuo ou é picareta.
Mas não tenho muito bem certeza disso.
Presta atenção quando você passar de novo por uma esquina com grama: o ângulo de 90 graus formado pela calçada vai estar sempre acompanhado de um atalho cortando o gramado e criando um caminho alternativo que nos permite economizar uns 40 ou 50 centímetros de caminhada. Uma economia sem sentido, que só mostra o quanto quem passa por ali é preguiçoso, apressado ou displicente, ignorando completamente o trabalho que a calçada tem de guiar nossos passos pra que não tenhamos que estragar a grama ou coisa do tipo.
Bom, eu pensava dessa forma tosca até alguém comentar no meu blog, chamando minha atenção para o termo “desire lines”. Sim, essas trilhas supostamente aleatórias têm um nome bonito. E também uma função. Segundo o meu leitor, há paisagistas e planejadores urbanos que utilizam o conceito de desire lines (também chamadas de desire paths ou social trails) para estabelecer os caminhos de parques: primeiro você coloca lá um pedação de grama e deixa as pessoas caminharem à vontade. À medida em que as desire lines vão surgindo, os caminhos são feitos – ou refeitos.
As desire lines são uma forma bonita de poesia urbana. Ninguém combina assim: “Opa, sabadão, vamo ali fazer uma desire line?”. A desire line é simplesmente a expressão de uma inteligência coletiva, da necessidade de encontrar um caminho mais curto, mais inteligente, mais bonito ou simplesmente um outro caminho.
O assunto fica especialmente interessante quando você pára pra pensar que, tirando os parques, também costumamos estabelecer desire lines nas nossas relações. Qualquer olhar mais atento vai revelar entre familares, colegas de trabalho ou amigos uma série de calçadas de cimento (necessárias), mas também uma vasta rede de atalhos feitos da mais pura grama detonada. E é aí onde a ação acontece.
Nossas desire lines pessoais oferecem caminhos alternativos para tudo aquilo que as calçadas não comportam. Um passeio que começa numa calçada e termina numa desire line é como uma conversa que começa com palavras e termina com olhares. Um sistema de irrigação alternativo que não invalida o oficial, mas o deixa muito mais rico e cheio de possibilidades.
Nossa tendência é querer logo pavimentar essas desire lines sentimentais pra que elas se tornem calçadas. Algumas realmente talvez precisem. Mas também é preciso ter cuidado e lembrar que é muito, muito saudável manter um imenso gramado e deixá-lo à disposição das pessoas que você mais gosta pra elas de vez em quando poderem fazer o caminho que elas quiserem.
Preciso anotar isso em algum lugar pra não me esquecer.
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Isso foi minha coluna da Mais Soma #7.
Fotos daqui.
Novo Mundinho Animal do Arnaldo Não-Antunes.
Bruno pega Monique Gardenberg no contrapé (não deixe de ler). E não é por causa do Tim.
Matias está postando todo o The Year Punk Broke, já clássico documentário que segue uma tour européia do Sonic Youth no longínquo ano de 1991 e acaba fazendo uma varredura na frutífera cena indie da época. Vai no Trabalho Sujo e procura os posts de nome “4:20″.
… com o incrível Mister Maker. O Mister Maker é O CARA. Sério. Uma de minhas referências atuais. (O vídeo do bicho na vasilha sumiu do YouTube, então troquei por este!)
Mister Maker passa todo dia de manhã no Discovery Kids. Não procurei muito na internet, mas pelo jeito foi algo criado depois do fim do Art Attack (bom nome pra uma banda). Mas o Mister Maker é muito mais carismático.
É o que fala esse artigo do Wall Street Journal (em inglês, repassado pelo Marcello Pereira). No entanto, não é exatamente a TV de massa que a gente conhece no Brasil, aberta e tudo mais. Mas uma idéia mais ligada ao universo dos games online (onde os jogadores interagem através de seus consoles ligados à internet), expandindo essa interação social não apenas através dos consoles mas também utilizando a TV a cabo pra socializar informação (o que seus amigos estão assistindo, etc).
Só me deixou mais claro que o furo da interação na TV digital aberta brasileira é bem mais embaixo e vai depender (muito) da internet.
Fim de semana vamos tocar no Gig Rock na companhia da Mallu Magalhães, Wander, Canastra, Dellamarck, Alcalóides, Canja Rave, Montage, Pública, Superguidis, Vianna Moog, Do Amor, e por aí vai. A programação completa (que inclui debates com o Capillé do Espaço Cubo, o Miranda e o Panço da Tamborete), está aqui. O Ricardo da Revoltz, que toca no mesmo dia que a gente, pediu pra avisar que a banda tá com um EP novo… vai lá ver.

Toda segunda tem Autopista. E toda segunda tem a frase “toda segunda tem Autopista” seguido de um comentário pretensamente engraçadinho.
Feriados de 2009:
01/01/09 - quinta-feira - Confraternização Universal
23/02/09 - segunda-feira - Carnaval
24/02/09 - terça-feira - Carnaval
10/04/09 - sexta-feira - Paixão de Cristo
21/04/09 - terça-feira - Tiradentes
01/05/09 - sexta-feira - Dia do Trabalho
11/06/09 - quinta-feira - Corpus Christi
07/09/09 - segunda-feira - Independência do Brasil
12/10/09 - segunda-feira - Nossa Sra. Aparecida - Padroeira do Brasil
02/11/09 - segunda-feira - Finados
15/11/09 - domingo - Proclamação da República
20/11/09 - sexta-feira - Zumbi/Consciência Negra
25/12/09 - sexta-feira - Natal
Vamos começar assim: do R.E.M. eu sou tipo fã de coletânea. Já esbarrei em grande parte do repertório deles por aí, mas não conheço a discografia inteira, não sei o nome de todas as músicas do set list e não sabia cantar as músicas junto. Mas, na boa, isso também não fez a menor falta. Na última quinta, me juntei às mais de 14 mil pessoas que encheram (mas não lotaram, o que foi ótimo) o estádio do Zequinha (número 244 no ranking da CBF, porém com lugar cativo no coração de muitos portoalegrenses) na admiração por uma banda que tem como grande predicado a habilidade de tocar músicas obscuras como se fossem hits e hits como se fossem músicas obscuras.
Em pouco mais de uma hora e meia de show, começando pontualmente na hora marcada (o que me fez perder duas músicas, cresci à base de shows com atraso de hora e meia), o R.E.M. celebrou o rock em uma de suas formas mais interessantes, conseguindo conquistar o público sem os exageros geralmente utilizados para suprir a falta de consistência em muitas bandas do mesmo porte. No lugar dos refrões fáceis, melodias interessantes e por vezes inusitadas; no lugar das fórmulas, a marca registrada na voz do Michael Stipe, na guitarra ao mesmo tempo universal (meia história do rock passa pelos riffs dele) e pessoal do Peter Buck e nas linhas de baixo e backing vocals do animado Mike Mills. O R.E.M. não é uma banda óbvia, mas engana bem quase soando como uma.
O incrível telão de LED, que alternava imagens conceituais com clips da performance editadas ao vivo, deu um toque especial à noite, mas não deixou de ser em nenhum momento coadjuvante do repertório rico e da execução intensa (e vamos combinar que eles já poderiam ter se jogado nas cordas). As manifestações de alegria pela eleição do Obama vinham de ambas as partes (banda e público) e dos dois lados pareceram mais sinceras do que populistas.
Análises à parte, deixei o estádio do Zequinha com uma sensação boa, aquelas melodias e a espontaneidade da banda ecoando em mim ao longo da sexta-feira toda. Mas, acima de tudo, saí com uma certeza irregovável.
O Michael Stipe é filho do Didi.
***
Fotos: Felipe Neves.

Continuando o post anterior, eu dexei de citar um dispositivo que permite o consumo móvel da tv digital aberta: o pen drive-antena. É uma solução mais barata (cerca de 200 patacas) do que a TV portátil (entre 600 e 800 realitos por agora), que o celular (mais de um milhar de pitombas). Certo que vai fazer a felicidade de muito torcedor de futebol que precisa viajar com o notebook pra cima e pra baixo.
Mas, enfim.. vamos aos tópicos restantes…
4) Paciência
O Governo e a mídia televisiva em geral precisaram fazer esse auê inicial como forma de impulsionar a cultura da TV digital não só para a população, mas também para a indústria e o meio publicitário. Entretanto, como tudo no Brasil, o crescimento da penetração dessa nova tecnologia vai acontecer de uma maneira disforme e provavelmente contra a maior parte dos prognósticos.
O brasileiro é um tanto quanto imprevisível no consumo de tecnologia (perfis conservadores e inovadores não respeitam muito uma visão demográfica). Mas acho que dá pra dizer que teremos algo muito próximo do WAP no celular: uma super promessa espetacularizada no iníco que decepcionou ao longo dos primeiros anos. Lembra disso? O WAP foi vendido como a internet no celular, mas não passa de uma rede muito lenta, que exige uma paciência absurda pra acessar.
Da mesma forma, a TV digital vai demorar um bom tempo pra ter seu grande potencial (interatividade) explorado de forma interessante. Até lá, o maior trabalho será dos engenheiros das emissoras, dos maquiadores e cinegrafistas (que estão precisando se adaptar ao detalhismo da imagem em alta definição), das produtoras de comerciais e, especialmente, dos departamentos comerciais que vão ter que quebrar a cabeça com modelos de remuneração futuros…
5) Interatividade
Esse é o ponto de maior fraqueza da TV digital. Por motivos que não sei explicar bem, a faixa de frequência de transmissão da TV digital brasileira não permite interatividade de duas vias. Pra ser mais claro, vão ser precisos acordos com TVs a cabo ou redes de telefonia fixa ou móvel para que o telespectador interaja com o conteúdo de forma mais dinâmica. Coisas simples como acesso à informação básica na tela, seleção de ângulos ou de canais de som estarão, com o tempo, disponíveis no controle remoto. Mas operações mais complexas como compras de produto ou experiências de maior profundidade dependerão sempre de um pareceiro telecom.
Sobre isso, um outro aspecto fundamental foi levantado quarta por um cara da Globo: o quanto a interatividade compromete a noção convencional audiência. Digamos que você está assistindo a uma novela. Entra o intervalo e você dá de cara com um comercial interativo de carro. Interessado, você mergulha na interatividade que o comercial lhe permite: olha o carro de todos os ângulos, verifica as ofertas de parcelamento, investiga reviews da imprensa especializada e se perde naquele mergulho. Ótimo para o consumidor, péssimo para a emissora, que vê sua audiência se fragmentar e ir se perdendo ao longo do break, podendo até nem retornar para o programa que estava assistindo.
Emissoras de TV até hoje só souberam vender grandes fatias de audiência de programas. Lidar com mergulhos invididuais de profundidade e com telespectadores que criam seus próprios caminhos no conteúdo será um aprendizado demorado e duro para as emissoras.
Mas é isso aí, meu velho! Los que pariu que los crie!
6) Abundância, Editabilidade, Sociabilidade
A maior parte das reflexões que vi serem feitas nas palestras a respeito da da TV digital sempre trataram o telespectador como um ser estático, que não muda sua relação com a TV por conta do avanço da internet especialmente. Esse é um assunto muito delicado, geralmente tratado com um certo desdém, como se a televisão estivesse cercada por hábitos intocáveis. O celular, uma vez que vai poder receber o sinal da TV digital, é sempre lembrado. Mas a internet é totalmente ignorada. E eu entendo por quê.
O problema é que todas essas reflexões e objeções vem de pessoas que cresceram tendo uma relação umbilical com a TV. O que provavelmente não vai se repetir com essa intensidade nas pessoas que estão crescendo com um computador e uma banda larga dentro do quarto. Os chamados “nativos digitais” têm motivações e formas de interagir com conteúdo que fogem à compreensão absoluta de nós, “migrantes digitais”. É preciso admitir. Não acho que todos os “migrantes” não possam entender os “nativos”, mas é preciso um salto no escuro, um abandonar de crenças básicas, uma capacidade de abstração que não vejo na maior parte dos executivos da indústria da comunicação.
Não acho que a internet vá substituir a TV. São dois meios que tem a forma de consumo completamente diferente. A TV oferece sociabilidade analógica: quatro, cinco, oito, dez pessoas podem assistir juntas a um programa. A internet, por sua vez, é um meio de sociabilidade digital: você compartilha o que descobre e o que assiste com vinte, trinta, cinquenta, cem mil, um milhão de pessoas que não estão ao seu lado. São dois momentos de consumo de conteúdo completamente diferente, complementares e não excludentes. Ao que tudo indica, um não vai poder oferecer tudo que o outro oferece. Por isso eles terão que dialogar. E, desculpe Rede Globo, dividir sua audiência.
A TV digital aberta, por muitos e muitos anos, não vai poder oferecer três elementos básicos que os nativos digitais estão se acostumando: abundância, editabilidade e sociabilidade. O engorde na audiência da TV digital não depende apenas de pegar mais gente por conta da mobilidade e portabilidade, mas de oferecer ou conversar com esses três conceitos que estão se enraizando nas novas gerações.
Não é um assunto que mereça um fechamento. Na verdade ele precisa se manter aberto. Mas pra não deixar o post sem um finalzito interessante, teclo uma última anotação: as pessoas estão construindo novas formas de consumir conteúdo. Novas formas, no plural. Não acredito que vai existir UMA forma de se consumir TV digital, internet, revista ou o que quer que seja, mas no mínimo uma centena. Não acredito, como o Henry Jenkins, que vai existir um aparelho universal em todas as casas, mas sim um universo vasto de aparelhos que vão ser configurados e montados de acordo com a vontade e necessidade de cada indivíduo ou de cada família.
É pra isso, eu acredito, que precisamos nos preparar.

Chegou a TV Digital em Porto Alegre. Terça passada, estive na cerimônia oficial da RBS, que contou com a presença de figuraças tipo o Ministro da Linha Direta Helio Costa, a governadora Yeda Crusius e todos os grandões da RBS (a Globo do Sul). O convescote também contou com a presença do vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, o presidente da Câmara de Vereadores, o prefeito em exercício, o presidente da Assembléia Legistlativa, donos de agência, diretores e gerentes da área de mídia de agência (que é como eu fui parar lá), gente do jornalismo em geral, empresariado local de porte, champanhes caros, muito terno e gravata, água com gás e sem gás, coca-cola, guaraná, canapés incríveis com queijos excelentes, figo com cream cheese, garçons atenciosos e uma tv digital portátil de brinde no final (essa aí da foto).
O clima era ao mesmo tempo solene e de confraternização entre parceiros, com o Nelson Syrotski (presidente da RBS) e o João Roberto Marinho discursando no nível “turma de amigos”, relembrando em seus discursos os sonhos de seus pais no mundo da telecomunicação como quem lembra papo de churrasco. Até o Ministro Hélio Costa entrou na batida “meu querido diário” ao recordar a primeira vez que veio a Porto Alegre, convidado pelo fundador da RBS, Mauricio Syrotski Sobrinho, pra entrevistar o Sammy Davis Jr. na festa de 25 anos do grupo.
Para nós, gaúchos, sempre sedentos de atenção e de reconhecimento, ainda foi levantado um outro ponto emblemático em uma das falas: foi aqui a primeira transmissão pública da televisão colorida foi em 1972, em Caxias do Sul, durante a Festa da Uva, que anos depois viria a se tornar palco de um dos mais célebres vídeos virais, o do choque do Lasier. Você vê, então, como tudo está interligado e como o Rio Grande do Sul é importante na vida da TV brasileira!
Mas a grande questão é: e daí? O que nós vamos ganhar com isso? A TV Digital é mesmo essa maravilha? Era o que faltava pra virarmos os Jetsons? Depois de quatro palestras (ainda assisti mais uma ontem) e uma cerimônia oficial, fiz uma série de anotações a respeito do assunto. Não espere entender tudo de TV Digital com esse post pq eu não sou enciclopédia. Você pode encontrar informações mais técnicas aqui ou aqui. Vamos à minha especialidade: palpitaria.
1) A TV Digital é irreversível
Embora seja tentador derramar sarcasmo em cima de toda essa onda, não estamos falando de uma modinha. A TV digital será o novo padrão de transmissão até 2016. A transição vai ser lenta e capenga, mas vai acontecer. Se fosse há alguns anos, eu não acreditaria que isso seria possível no Brasil. Mas lembre-se que existe toda uma indústria a fim de vender TVs e conversores. E que o DVD que custava 800 reais há alguns anos hoje chegou a 100. E que tem muita gente com Pentium em casa, um equipamento de ponta há 5 anos.
2) Gratuidade
Sim, os aparelhos de TV com conversor embutido ainda custam uma fortuna. Mas já tem conversores a 300 reais, o que custa cerca de 8 meses do pacote básico da NET, que oferece apenas TV aberta. Some-se a isso que a maior audiência da TV a cabo são os canais abertos, o fato de muita gente ainda assistir TV com fantasma ou depender de antena externa e pronto: temos aí um interessante mercado latente.
3) Mobilidade
Acredito que um dos primeiros grandes movimentos de penetração da TV digital vai ser a mobilidade comercial. Cuma? Empresas de mídia out-of-home instalando TVs com recepção digital em ônibus, por exemplo, com patrocínio acoplado ao redor do aparelho (não vão poder interferir na programação da TV colocando outros comerciais, provavelmente).
4) Portabilidade
Aqui temos duas possibilidades. Os telefones celulares com recepção digital e os aparelhos portáteis de TV como os que a RBS distribuir aos convidados da festa.
No primeiro caso, a massificação vai depender dos planos das operadoras. A fidelidade à operadora provavelmente vai ditar a possibilidade de ter um celular com TV digital a preços irrisórios, uma vez que a operadora não recebe por transmissão de dados como acontece na rede 3G - e na Inglaterra, por exemplo, onde a rede de telefonia móvel é utilizada para a transmissão. Ou seja, lá você sempre paga por volume de dados quando assiste TV no celular. A alternativa é criar o hábito de assistir tv no celular com a TV aberta gratuita e depois oferecer programação alternativa no 3G (seriados, filmes, etc).
No segundo caso, dos aparelhinhos portáteis, acredito que o grande fator de massificação será a pirataria. A menos que a indústria ofereça peças bem baratas, os vigias entediados nas suas casinhas vão correndo no camelô substituir seu radinho de pilha por uma TVzinha digital. E o número de assaltos a empresas e residências vai crescer, porque eles vão estar mais distraídos.
(continua amanhã)
Não sou dado a comentar política por aqui. Mas visto que Obama é um dos primeiros grandes ícones pop construídos nesse início de século, não posso deixar de sublinhar: o grande “reality check” começa agora, na esperança que o governante Obama faça jus ao símbolo Obama.
São duas coisas bem diferentes e a segunda foi absurdamente inflada ao longo da campanha eleitoral americana. Obama representa tanta coisa e foi depósito de tanto mais que me parece quase impossível estar à altura de tudo que foi sonhado nos últimos meses.
De minha parte, aprendi três lições com o Lula, que seguiu um esquema bastante similar.
Primeira: é muito importante que existam esses símbolos. E que eles estejam abrigados em seres humanos vivos, que andam por aí.
Segundo: esses símbolos provocam mudanças ao transformar em mainstream discursos de nicho (não vamos esquecer que muito da pauta de TODOS os partidos atuais foi discurso “radical” do PT nas décadas anteriores).
Terceiro: símbolos não salvam países. Pessoas salvam países. “Pessoas” e não “pessoa”.
Quarto: como diz o B Negão, o processo é lento. Mais do que esperança, há de se ter paciência.
Vamos ver onde isso tudo vai dar.
Complementando o post da semana passada, abaixo estão as cinco perguntinhas que eu mandei pro Liniers. Procurei, na medida do possível, perguntar coisas complementares a outras entrevistas locais como a do Universo HQ, do Overmundou ou da Folha. Confereaê.
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Conector: Depois de seis Macanudos, um pequeno livro pra crianças, um diário de viagens e um “cuaderno“, você tem planos para expandir sua linguagem? Alguma idéia para uma graphic novel ou algo mais extenso?
Liniers: Eu espero no próximo ano encontrar tempo pra desenvolver uma história no formato de graphic novel. Ela está já há algum tempo na minha cabeça, mas as tiras diárias acabam deixando pouco espaço para fazer outras coisas.
Conector: Você recebe muitas propostas de licenciamento? Existe um limite que você não gostaria de cruzar nesse sentido, para não expôr demais seus personagens?
Liniers: Eu faço muito pouco licenciamento, apenas para alguns amigos que fazem camisetas e cadernos. Não me sinto muito confortável em perder o controle sobre o meu trabalho.
Conector: Como você vivia antes do Macanudo pagar suas contas?
Liniers: Eu casei com uma advogada… felizmente, minha mulher não é mais advogada, ela é escritora agora.
Conector: De que forma o nascimento de sua filha vem influenciando seu trabalho? Pergunto isso porque você sempre pareceu ter uma abordagem infantil da realidade (no bom sentido!).
Liniers: Gosto muito dessa ponte bem construída que tenho com a minha infância. É uma parte emblemática das nossas vidas. A presença de Matilda certamente reforça minha relação com essa época incrível. Com certeza ela tem me influenciado de toda forma possível, das mais alegres formas possíveis.
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Legal né? É.
Toda segunda tem Autopista. E toda segunda tem que clicar na imagem pra aumentar e ler direito.
Muito doce na cuca. E resolveu esconder as evidências do pai.
Aqui ela dança Pump It.
E por aí vai…
Dica da Carla Federizzi.
Tem um frase do Woody Allen que eu adoro “Fiz um curso de leitura rápida e li “Guerra e Paz” em vinte minutos. Fala sobre a Rússia.” Dito isto, Mr. Allen me libera pra eu tentar resumir o capítulo 3 do Convergence Culture em apenas uma frase pinçada do próprio livro:
“Devido ao fato dos personagens serem pessoas reais cujas vidas transcendem os limites da série, os espectadores ficam com a sensação de que existe mais pra ser descoberto a respeito deles, o que fornece um incentivo a buscar informação adicional em diversos canais de mídia”.
Este trecho é a essência do que me interessou no capítulo inteiro. “Buyin Into American Idol”, na verdade, tem a intenção de fornecer um mergulho em profundidade na estrutura do product placement (o que aqui chamamos de merchandising) do reality show americano. A série é considerada um divisor de águas nessa disciplina, com cases de integração de marcas e trama com tamanha sinergia a ponto de diversos consumidores mais críticos questionarem a ética de tais ações.
Porém, enquanto pesquisa a relação entre as conversas de cafezinho sobre American Idol e as marcas que o patrocinam, Jenkins vai dando na paralela informações valiosasas sobre outro assunto: como funciona uma boa história que quer transcender o seu meio de nascença ou seu principal meio de difusão - o hoje famoso (talvez amanhã não) transmedia storytelling.
American Idol foi um reality show esperto, que se utilizou de tudo que era necessário para alavancar a audiência. Não aboliu a importância da transmissão massiva em televisão aberta ao mesmo tempo em que passou a jogar com novos e fundamentais recursos, como a votação por mensagem de texto*, os fóruns online e os sites de compartilhamento de vídeo.
Apesar disso tudo, a verdadeira mídia do transmedia storytelling não é o celular, a web ou a TV, mas a fofoca. Vamos lembrar um trecho da introdução do livro, no qual o modelo de mídia da historiadora Lisa Gitelman é citada: “Em um primeiro nível, um meio é a tecnologia que permite a comunicação. Em um segundo nível, um meio é um apanhado de protocolos ou de práticas sociais que crescem em torno daquela tecnologia”. Nesse sentido, a conversa sobre a vida alheia é um dos protocolos mais fortes que surgiu em torno dos reality shows. E é também a verdadeira “cola” que mantém unidos os pedaços dos universos criados em diversas mídias. A fofoca, na verdade, não é conteúdo: é meio por onde o conteúdo viaja e se expande de forma exponencial. Não vai existir obra em transmedia que não tenha um forte componente de socialização.
Eu sempre gosto de pensar no exemplo das novelas brasileiras. Embora elas não sejam transmedia por excelência (cadê o perfil dos personagens no Orkut adicionando amigos no “mundo real”? por que os personagens de Malhação não entram no MSN? Quando o Agostinho Carrara vai ter um blog sobre suas histórias do táxi? Por que não recebo SMS da Donatela?), as novelas no Brasil alimentam todo um universo editorial fora da tela que movimenta uma quantidade incrível do que Douglas Rushkoff chama de “social currency”: moeda social, feita de “assuntos”, utilizada cotidianamente pelas pessoas para comprarem atenção umas das outras.
Bom, o capítulo 3 de Convergence Culture é muito maior e mais rico que essas minhas rápidas anotações. O que eu tentei aqui foi só sublinhar o que me parece ser o elemento das boas histórias nesses tempos de transmedia (desculpa de novo, mas é a palavra do momento, calma que passa): utilizar o conteúdo - e não só os meios - para oferecer material de diálogo às pessoas. Se funciona com as revistas de fofoca de novela e com toda a mitologia do jornalismo esportivo, vai funcionar também com outras formas de ficção como a publicidade.
Achei no blog do Allan Sieber. Mais uma fonte para minha pesquisa nada científica sobre blocos e cadernos de anotações. Em breve, um post sobre o assunto.
Nosso servidor deu um pau monstro ontem e ficamos fora do ar. Agora algumas imagens de alguns posts não voltaram, mas o lance deve se regularizar nas próximas horas. Vamos ver…
Conforme anunciado, chegou o Macanudo em português. A série de livros do cartunista Liniers (que já chega a seis na Argentina) tem sua primeira edição publicada no Brasil pela editora Zarabatana. Se você curte Calvin & Haroldo, Laerte, Adão Iturrusgaray, Charles Kaufman, Michel Gondry, Jorge Luis Borges, Quino, Fontanarrosa e coisas do tipo, certamente vai se encantar com o humor ao mesmo tempo metafísico e despretensioso de Ricardo Liniers Siri. Quer fazer um test-drive? Afia o espanhol e dá uma vasculhada nos arquivos do Autoliniers.
Cartunistas, geralmente, se munem de doses cavalares de sarcasmo e acidez. O que chama a atenção no trabalho de Liniers, por outro lado, é seu olhar carinhoso com o mundo. Ainda que seja um observador sagaz de certas aberrações da vida humana e crítico ferrenho do consumismo, a contrapartida entregue por ele aos leitores não é sob a forma de pauladas corrosivas, mas dividindo conosco seu olhar mais poético e aberto. Azeitonas, pinguins, duendes, um homem misterioso de capa preta e chapéu, um gato chamado Fellini e vacas cinéfilas não são seres habitando um mundo absurdo, mas um espelho mais honesto do que costumamos chamar de realidade.
Fã há alguns anos, desde que o Takeda me indicou um Macanudo lá em Buenos Aires, descobri recentemente que o cara tem uma legião de adoradores por aqui. Essa comunidade até pouco tempo atrás silenciosa foi aos poucos dando as caras nos blogs brasileiros e oferecendo aquela sensação de que você não está sozinho na admiração por um trabalho de rara sensibilidade pop. Segundo o Nasi, ao ser convidado para uma mesa redonda na semana passada com o Liniers em pessoa (tem foto aqui), ele foi surpreendido por um público que, crescendo na moita, conhecia tudo do universo Macanudo. As aventuras do Nasi, que passou o dia com o Liniers, estão registradas no blog do Universo HQ e confirmam a impressão que os quadrinhos passam a respeito do cara ser gente fina e generoso. Inspirado por Fontanarrosa, que desenhava incansavelmente para seus fãs, Liniers vai lançar Macanudo 6 na Argentina com a capa embranco. Os 5 mil exemplares serão ilustrados à mão pelo autor. Tá bom ou quer mais?
No último fim de semana, mergulhei em Conejo de Viaje, uma compilação de diários de viagem particulares do Liniers em forma de quadrinhos. Diferente das tiras da série Macanudo, o universo geralmente mais elaborado dá lugar a traços rápidos (feitos diretos na tinta, sem rascunho) e histórias “quase” comuns. Esse “quase”, no entanto, não é por conta dos tradicionais personagens absurdos e bizarros, mas sim - de novo - por um olhar atento e levemente descondicionado que passar por um campo de captação de energia eólica e o enxerga como, na verdade, uma plantação de cataventos. Me lembrou Mário Quintana.
Enfim. Conejo de Viaje ainda não chegou ao Brasil (só em espanhol, importando). Mas Macanudo está aí. Vai lá e compra. Compra vários e distribui uns de presente. Eu vou fazer isso. Se você quer um e não é meu amigo, pode me adicionar no Orkut e me adular. Você corre o risco de ganhar um Macanudo de Natal.
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