• Jam: uma ferramenta de processo criativo simples e visual

    Quem não é da área criativa em comunicação, geralmente acha que a parte mais complicada desse trabalho é “ter ideias”. Já quem é do ramo sabe: hoje em dia, com tanta informação e tantas ferramentas à mão, qualquer um tem ideias. O que não falta é gente chegando em reunião com ideias! O problema real é gerar ideias que resolvam mesmo os briefings e de maneira sistemática, o que é o oposto de ter espasmos de criatividade atirando para qualquer lado, coisa que qualquer um pode fazer de vez em quando.

    Foi pra resolver isso que eu e o Zé Pedro Paz da DZ Estúdio criamos a JAM – Processo Criativo Smart/Simple. A JAM é uma ferramenta simples e visual desenvolvida para sistematizar a criação de ações e campanhas da DZ. Na DZ, assim como em muitas agências digitais, criação é processo e não necessariamente um departamento. Logo, envolve pessoas de áreas diferentes que nem sempre tem as manhas do processo criativo. Daí, a necessidade de utilizarmos um método de fácil compreensão e aplicação que organize as informações de entrada, facilite o brainstorm e depois consolide o resultado do brain.

    A JAM vem sendo usada há mais de um ano na DZ e ajudou a desenvolver uma série de projetos bacanas. Agora, resolvemos abrir a JAM e liberá-la para o uso de quem quiser na esperança de receber críticas e sugestões, e também para ajudar outras empresas e pessoas que estejam, como estivemos, com obstáculos em processos criativos que envolvem profissionais de backgrounds muito diferentes.

    Interessou? A JAM está explicadinha aqui nessa página, inclusive com os boards visuais que usamos nas nossas jams. Use e escreva pra nós pra fazer suas considerações. Queremos daqui um tempo ter uma JAM 2.0 ainda melhor e mais útil.

    ***

    Atenção: na próxima quarta, dia 19 de novembro, eu e o Zé vamos dar um workshop sobre como usar a JAM na Semana da Comunicação da ARP. Mais informações aqui.

  • Por que o Facebook é a internet das eleições 2014

     

    E quem diria: a rede social que passou boa parte do ano tendo sua decadência prevista por pesquisas e especialistas se tornou a grande estrela digital das eleições de 2014, mesmo antes do segundo turno terminar. Com cerca de 90 milhões de usuários ativos, dos quais 59 milhões acessando-o diariamente (dados de agosto), o Facebook vem combinando grandes números de audiência na internet com a aderência de todas as correntes políticas e classes sociais, além de permitir a discussão política em diferentes níveis de profundidade. Muita gente ama, muita gente o odeia o Facebook, mas todo mundo declara seu amor e ódio eleitoral postando no próprio.

    Em 2010,  nas últimas eleições presidenciais, éramos menos de 9 milhões de brasileiros no Facebook e 9 milhões no Twitter. O Orkut era o terceiro site mais acessado do país e contava com 30 milhões de usuários, mas seu formato mais tosquinho e a população menos conectada e menos móvel impediam um fluxo tão orgânico e pulsante de conteúdos como temos hoje. Além do mais, os Protestos de Junho de 2013 ainda não tinham acontecido e política não era uma pauta tão quente como é agora (embora eu tenha a impressão que no Facebook TODAS as pautas tem pegado fogo). Na verdade, vivemos em um país tão diferente de 2010 em termos de cultura digital que é quase impossível fazer comparações.

    Por um lado, o Facebook foi beneficiado pelo contexto de 2014: nos últimos dois anos, pudemos começar a usar a palavra “popular” para falar de smartphones, internet móvel e vídeo na internet. Nos últimos 15 meses, tivemos dois grandes eventos nos quais testamos intensamente nossas redes pessoais no que diz respeito a discussões nacionais – os já citados Protestos de Junho e, ligado a isso, a Copa do Mundo. Mas também há os predicados do próprio Facebook, sendo que o mais importante de todos é que ele combina os principais formatos de postagens e compartilhamentos em uma única plataforma: se você quer condensar sua opinião política em 140 caracteres, você pode; se você quer se estender, escrevendo um post de 2.000 caracteres manda; se você se contenta em compartilhar um card com um meme, tá valendo; vídeos oficiais do seu candidato são aceitos; vídeos não oficiais também são válidos;  selfie na urna? Tudo bem! O Facebook não tem preconceitos e aceita todo mundo que queira se expressar do jeito que bem entender – desde, claro, que esteja demograficamente dentro da população mininamente conectada do país.

    Em termos de correntes política, também parece que ninguém teve muita escolha a não ser abraçar o Facebook para chegar ao eleitorado. Os sites oficiais dos candidatos, seus canais de YouTube, os blogs dos correligionários e os veículos à esquerda ou à direita, todos dependeram do Facebook para criar ou ampliar sua audiência. Mesmo as fanpages dos candidatos também não sobreviveriam de suas funções oficiais: um vez que a lei eleitoral proíbe a compra de mídia por parte de políticos e partidos em época de eleição, está sendo preciso contar com uma militância bem construída e versada na rede, o que significa ter capacidade de disseminação no Facebook. Partidos mais organizados e com militância conectada não garantem nada, mas levam vantagem ao menos ocupando o encanamento da internet com seus conteúdos.

    E o Twitter? É claro que o Twitter retomou este ano sua importância, confirmando a vocação para segunda tela de eventos ao vivo pela TV e assim turbinando os debates nacionais. Eu, particularmente, gosto mais do poder de síntese e da qualidade do material que circula pelo Twitter. Mas é impossível negar: em se tratando de internet, a festa da democracia esse ano foi marcada, divulgada e confirmada via Facebook.

  • A perigosa cultura narrativa do “Como Mudar o Mundo e Sua Vida”

    Mês passado, o Gustavo Gitti publicou no Papo de Homem um texto criticando os excessos do que poderíamos chamar de “cultura do aprimoramento”. Disse ele: “Estamos na era do aprimoramento pessoal. ‘Como’ e ‘melhorar’ são os novos mantras: como melhorar a alimentação, como melhorar o trabalho, como melhorar o relacionamento… Quando aparece a palav… >
  • A receita do Queens of The Stone Age pro rock fazer sentido em 2014

    A morte do rock já foi cantada e decantada e, pra mim, é ponto pacífico. O rock entrou no século 21 agonizante e não sobreviveu aos ventos da mudança. Foi substituído sem solenidade como vetor cultural significativo da juventude, que vem adotando outras formas de identificação e empoderamento bem mais a ver com o ambiente […] >
  • Tommy Kambota, campeão mundial de Não Vale Pisar nos Risquinhos nos anos 80

    Publicado originalmente na revista Void número 99. *** Um papo com Tommy Kambota Quando o dentista Tomás Caetano, 47, entra no café que fica dentro do supermercado Zaffari do Menino Deus, em Porto Alegre, ele demora um pouco até chegar à minha mesa. Antes de sentar para começar nossa entrevista, precisa dar atenção aos funcionários e clientes […] >
  • Três notas rápidas sobre cultura pop e cultura digital

    1) Corrijam-me se eu estiver ruim de memória, mas suspeito que o comercial da F-1 da Globo usando “Taca-le pau” é o primeiro grande registro de um bordão que migra DA internet PARA a TV. Não é questão de brincar de disputinha TV x Internet, mas sim mais um sintoma interessante sobre a diversidade de fontes de cultura pop que a internet trouxe pra nossa realidade. E isso, lembrando, que ainda tem mais ou menos metade da população brasileira pra se conectar ainda…

    2) A ânsia em atender a suposta vontade das pessoas de criarem seus caminhos de conteúdo está levando empresas de conteúdo digital (mídia e publicidade) a abrirem mão da responsabilidade de criar hierarquias de informação. Isso está se refletindo também na mídia impressa e eletrônica. O resultado não tem sido democracia, mas bagunça.

    3) Existe uma ideia no ar de que as pessoas sempre pagam por aquilo que lhes é valor. No digital, as pessoas pagam pelo que não conseguem de graça, seja por preguiça ou por desconhecimento técnico pra chegar lá. O valor no digital na maior parte das vezes não está no produto/conteúdo, mas no acesso (o que é um tanto quanto deprimente para quem cria produtos e conteúdos).

    ***

    Foto: Raumrot.

     

     

  • Mike Myers: trajetória e bastidores do SNL

    Aproveite enquanto ainda está disponível pra download gratuito: o papo do comediante e podcaster Marc Maron com Mike Myers é definitivamente imperdível.

    Além de contar cronologicamente toda sua trajetória profissional, de membro de uma família criativa e intelectual da classe média canadense até criador de sucessos globais como Wayne’s World e Austin Powers, Myers ainda tricota causos de bastidores do Saturday Night Live e explica por que escreveu, produziu e dirigiu um documentário sobre Shep Gordon, lendário manager do Alice Cooper, Blondie e Luther Vandross.

    Pra quem curte meandros da comédia e do showbiz, é um episódio altamente inspirador.

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