OEsquema

Um outro mundo é impossível

Na corrida, colo aqui algumas anotações que fiz ontem durante o primeiro dia do Fórum Social Temático e do Conexões Globais em Porto Alegre. São notas esparsas tecladas no celular durante o debate de abertura do Conexões (com o Gilberto Gil, o Antônio Martins, o Vinícius Wu e a Olga Rodriguez) e o papo na Pós-TV (com o Sérgio Amadeu, Cláudio Prado e a Ivana Bentes). Considerem esses parágrafos uma saladinha de fruta do que vi e ouvi lá, misturado com alguma coisa que eu mesmo pensei.

1. A mudança vem aos poucos. Não se pode trocar um sistema estabelecido por outro, isso não acontece. O que se faz é ir mexendo em áreas do sistema, irrigando com novas idéias, novos conceitos, novos pensamento, substituindo as peças. Por isso, a mobilização nunca pára, a mobilização é permanente.

2. Da mesma forma, por isso a política não pode ser algo que se faz de 2 em 2 anos com um voto numa urna eletrônica. Política é a ação do dia-a-dia, escolhas e caminhos que se faz, em casa, no trabalho, na rua, na rede.

3. Depois de grandes mobilizações populares, como o Occupy, é preciso ter mecanismos de “governança pós-revolta”. Porque é muito comum, na hora de resolver a crise, voltar às estruturas políticas formais tradicionais.

4. A troca assimétrica é um novo parâmetro. A troca simétrica é a lógica do mercado: você me diz que esse produto vale 5 patacas, eu lhe dou 5 patacas. Mas num mundo conectado em rede, as trocas começam a se tornar mais assimétricas e mais dependentes dos afetos: eu gosto desse conteúdo, então eu pago mais. Eu não gosto desse, então não pago, baixo de graça. Os laços de amizade e os laços familiares são exemplos de trocas assimétricas: você não consegue botar as relações na ponta do lápis, as contas raramente fecham. Esse tipo de conceito está migrando para o mercado e para as estruturas formais políticas e econômicas. As contas não vão mais fechar do jeito clássico.

Uma digressão: o mundo corporativo é falsamente baseado em trocas simétricas. Politicagem, maracutaia e joguetes emocionais são um belo exemplo de como nem sempre 5 reais vale 5 reais. Existem outras jogos envolvidos.

5. Não é apenas a ação que tem poder. O discurso também tem poder. A mobilização mundial em torno da questão SOPA/PIPA não envolveu tanta gente indo pra rua. Foi uma mobilização de discurso, de expor para o mundo as entranhas do projeto e suas consequências. Como todas as pessoas são hoje retransmissoras de mídia, seu discurso pode ganhar status de ação quando coordenado com o espírito do tempo.

6. Um outro mundo é impossível. Temos que dar um jeito nesse mesmo.

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Don’t believe the hype

Comprar um aparelho digital é hoje uma das tarefas mais ingratas que existem. Se você não tem um amigo ou alguém na família que seja especialista vai ter que confiar em vendedores, na propaganda do fabricante ou em reportagens da mídia. Mas nem sempre essas fontes dão a dica mais essencial, que é a seguinte: a melhor saída é sempre escolher o aparelho de acordo com a sua necessidade e não pelo que ele ou o mercado oferecem.

Muitas vezes acabamos comprando aparelhos cheios de penduricalhos só porque é o padrão do momento. Mas, diferente da retórica anti-consumista, isso não acontece por sermos todos zumbis consumistas e sim porque, no geral, não sabemos bem o que queremos e o que precisamos diante da oferta acelerada e crescente de tecnologia. Uma forma de se relacionar com isso é olhar com atenção para a situação, reduzindo a velocidade entre o impulso e a ação, e reunindo o máximo de informações antes de efetivar a compra. Pra facilitar, vale fazer uma lista escrita em papel com itens que se pretende usar, cruzar com as reais necessidades do cotidiano e definir a compra a partir disso.


Repito: o que você precisa nem sempre corresponde ao que o mercado está oferecendo como sendo o melhor. A melhor TV com o melhor home-theather é pra quem aprecia qualidade de som e imagem, não pra quem só gosta de se jogar no sofá pra ver uma tvzinha. O computador mais rápido e mais moderno é pra quem gosta de jogos complexos ou pretende produzir conteúdo, não pra quem só quer acessar emails e redes sociais. O celular mais avançado é pra quem vive de conexão constante. A câmera mais poderosa é pra quem tem aspirações fotográficas, ainda que amadoras. E assim por diante.

Outra coisa: nem sempre você precisa do modelo mais moderno. Existem versões antigas de câmeras, mp3 players ou de computadores que podem dar conta da sua necessidade. Eu vivi anos com um Creative Zen Mini de 5GB (acima) que pra mim serviu melhor do que os iPods da época. Hoje, abri mão de ter mp3 player, uma vez que meu celular pode armazenar e tocar música. Nesse caso, pra que a sobreposição? Exemplos de sobreposição hoje podem ser encontrado em todas as áreas.

Em resumo, a história é bastante simples: tomar nas próprias mãos a decisão sobre o que se precisa ou não. Pode ser um pouco mais complicado, exigir um pouco mais de pesquisa. Mas vale a pena. Resistir ao hype fácil da cultura digital é ecológico e econômico.

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Leitura Complementar

In Praise of Crap Technology – artigo no Boing Boing sobre o valor de tecnologia não tão de ponta.

Preparado para Morrer – artigo sobre obsolescência programada no Estadão.

The Unconsumption Project – outra do Boing Boing, dessa vez sobre uma marca sem dono pra revitalizar antigos objetos.

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Post inspirado num dos programetes Minimalismo que faço pra Rádio Oficial do Verão.

Imagem: logo do unconsumption.

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Pura poesia

“Na neblina da noite em Odessa, Ucrânia, quando um outdoor digital deu pau e mostrou uma caixa de erro flutuando no céu escuro…”

Vi no The New Aesthetic via @danielgalera.

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Google em botecos: um estrago

O Google sem dúvida é um das invenções mais incríveis e úteis das últimas décadas. Mas ele também tem seu lado estraga-prazeres. Principalmente quando você junta o Google com o acesso à internet pelo celular e uma mesa de bar. Isso porque geralmente uma boa parte do tempo que se passa com os amigos no boteco é investido em discussões sem sentido e sem objetivo. E, pra jogar conversa fora, é fundamental que a mesa seja ignorante em determinados assuntos.

Com o acesso ao Google no celular, discussões que ocupariam a noite inteira de especulação criativas podem acabar em poucos minutos quando alguém acha uma resposta lógica e exata na internet. Pior ainda: além de acabar com a criatividade na mesa, ainda tem gente que fica com a ilusão de que sabe alguma coisa só porque achou um site no Google.

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Texto de um dos programentes Minimalismo que eu faço pra Rádio Oficial do Verão.

Imagem: daqui.

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Galgando a hierarquia

O comercial acima (que eu peguei no Matias) é mais um exemplo daquilo que conversamos aqui e aqui a respeito da saga do Harry Potter (também pesquei uma evidência aqui). Um comercial desses sendo criado, aprovado e veiculado é fruto do envelhecimento de toda uma geração, que agora tem alguns representantes em posição de poder (no mínimo, aqui, no marketing da indústria automobilística e, claro, em agências de propaganda). No futuro, Star Wars certamente será esquecido e conviveremos com esquetes desse tipo relacionados a novos personagens, sendo Harry Potter o mais provável e em seguida, quem sabe?

Ah: não sei se você tem notado, mas Senhor dos Anéis também teve um poder de gerar memes no mainstream. Agora me deu preguiça de procurar no YouTube, mas tenho visto o bordão “my precious” em diversos seriados, inclusive alguns programas de TV aberta…

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Lembrando: não é a primeira vez que a VW fuça no baú de Star Wars. No ano passado rolou o premiado e comentado comercial The Force também.

Nerd power…

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O estado das coisas

“Já é Guerra pela Água. Já é. Há alguns meses, comecei a escrever uma longa matéria sobre as futuras guerras pela água. Mas vi que já não são “futuras guerras”: já estão aí, já são presentes. Se se examina bem, a guerra da Líbia foi a primeira grande guerra pela água. Haverá muitas outras no Oriente Médio, no sul da Turquia, Israel-Palestina. Mas a guerra da Líbia foi a primeira. E é terrível, por causa do Projeto Great Man Made River – mais de 20 bilhões de dólares, financiados integralmente pelo estado líbio de Gaddafi, com muita tecnologia canadense.”

O Pepe Escobar (que há muito tempo atrás escrevia pra Bizz, lembra?) explica o jogo de poder no mundo hoje. Eu não sabia: há anos ele é articulista de geopolítica do Asian Times e colabora com a Al Jazeera, um canal de TV russo e um de Washington. A entrevista, pra uma publicação alemã, é longa e complexo (e eu teria que ler mais duas vezes pra captar toda a extensão da rede de referências). Mas o investimento de tempo e atenção, garanto, compensa.

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Ligue os pontos

É como diz aí em cima: simplesmente reuni os textos (que considerei) mais interessantes da discussão recente sobre cultura independente num só lugar. Não tem análise, no máximo um viés de escolha e um discurso que acaba se montando com os trechos que escolhi pra servirem de guia para cada link. A conclusão é de cada um.

Está aqui no tumblr Discurso Alternativo.

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Leitura Sugerida

“Tudo isso tem nome: vaporware. O produto anunciado não é nem hardware, nem software. É vapor. Empresas enganam por muitos motivos. No caso da Skiff, eles tinham a tela preto e branco flexível. Mas a empresa foi comprada por Rupert Murdoch, o magnata internacional de imprensa. Ele estava interessado no software, descartou o hardware.”

Pedro Dória fala sobre engambelação na Consumer Electronic Show.

“Online, contrary to Nietzsche’s allegation, God is most certainly not dead. The web is littered with sacred spaces and, if anything, He (or She or It) has been released from traditional doctrine to become everything to everybody.”

Aleks Krotoski fala sobre o efeito que a internet teve nas religiões.

“Quando me passaram o primeiro livro desta série para traduzir (que foi “A princesa de rosa-shocking”), eu fiquei bem feliz, pois ainda estava iniciando minha carreira e senti um voto de confiança da editora Record por me passar um título campeão de vendas. Acabei traduzindo uns 15 livros de Meg Cabot. No meio disto, aconteceu uma coisa muito chata, que foi descobrir no Orkut uma página de meninas que me odiavam por causa das traduções da Princesa – segundo elas, eu fazia tudo errado, e elas só ficavam me xingando e falando mal de mim, divulgavam o meu e-mail e tudo… mas nenhuma jamais me escreveu para perguntar por que eu fazia as coisas do jeito que eu fazia e nem mesmo para me criticar cara a cara. “

A tradutora Ana Ban fala sobre os desafios de traduzir os livros da Meg Cabbot, autora da série de best-sellers O Diário da Princesa (o que me lembrou o bullying em cima do George R.R. Martin.)

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Relação

A essa altura do campeonato, já não é mais novidade pra ninguém esse papo do quanto nós estamos sendo inundados de informação hoje em dia. Na verdade, e felizmente, já estamos chegando no ponto em que muitas vozes estão propondo reflexões e comportamentos alternativos. O problema é que a questão é quase sempre tratada do ponto de vista da nossa relação com outras pessoas.

Por exemplo, a crítica que se faz contra quem fica muito tempo grudado no celular ou no computador geralmente vem acompanhada da sugestão que a pessoa saia da frente da tela e vá se encontrar com outras cara a cara. Mas antes disso, a pessoa talvez devesse se preocupar com sua relação consigo mesma.

Ficar grudado em qualquer tela nos rouba de nós mesmos, nos desacostumamos a ficar conosco. Antes de aprender a abrir mão da mediação de uma tela com o mundo, quem fica muito tempo conectado precisa aprender a abrir mão da mediação de uma tela consigo mesmo.

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Texto de um dos programentes Minimalismo.

Imagem: MarciaMonica Cook, daqui.

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Quase de volta

Já voltei de férias, mas ainda não comecei a postagem oficial. Escrevo só pra avisar aos que ainda não sabem: a Oi FM deixou de existir no dial no dia 31 de dezembro e no seu lugar está agora a Rádio Oficial do Verão.

Eu continuo fazendo meus comentários sobre cultura digital no Minimalismo que vai ao ar todos os dias às 9h30 e 14h30 em Belo Horizonte, São Paulo, Ribeirão Preto e Campinas pela 91,4FM; no Rio de Janeiro, é a 102,9 FM, em Recife 97,1 FM e Porto Alegre é 90,3FM.

Ou, claro, na rádio online.

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Melhores Posts de 2011

 

Estou de férias e volto só dia 9 de janeiro. Enquanto isso, fique com uma seleção dos posts mais bacanas de 2011 selecionados por uma comissão formada por me, myself and I.

Toque - uma tela touch no aeroporto de Florianópolis.

New Orleans After The Deluge – quadrinhos jornalísticos sobre a tragédia do Katrina.

Minhas impressões sobre o Kindle – é isso aí que o título diz.

Intermediários – a chuva na fazenda.

Pimpão – a importância do especialista de tecnologia ser simpático.

Reclamões - o bom uso da energia das reclamações digitais.

5 Coisas que deveriam ter sumido das palestras publicitárias em 2011 – será que se foram?

Jeffrey Brown – ele parece não saber desenhar, mas acho que é truque

Acúmulo – juntar coisas digitais também é juntar tralha.

Diversidade – não dá mais pra dizer “meu, não acredito q vc não viu isso!”

Crônicas de Gelo, Fogo e Sangue do Autor – o bullying em cima do criador de Guerra dos Tronos.

Corrida-dô – anotações sobre o livro do Murakami, aquele de corrida.

Malditos Cartunistas – a grande colaboração desses caras na análise do Brasil.

Calças cáqui – tudo pode virar ícone…

Patti Smith em Cannes – eu estava lá!

O início, o fim e o meio – por que tantos shows de discos clássicos?

Ginsberg – anotações sobre a biografia dele.

De todos os tamanhos – sobre a escalabilidade do rock.

Amigos, amigos, redes à parte – tiveram que nos explicar a diferença.

TV did not kill the web stars – as empresas de internet se mandam pra TV.

Television em Porto Alegre – eu fui e tava massa.

Telas – elas sempre chamam nossa atenção.

Diferentes iguais – sobre Diálogons en La Escuridad e Yo También.

The Quitter – anotações sobre esse livrinho do Harvey Pekar.

Documentário como ferramenta de marketing – além dos 30 segundos.

Sobre escrever – um texto que escrevi  sobre… escrever.

Nevermind em 12 faixas – todo mundo falou alguma coisa sobre ele. Eu também quis.

Primal Scream em Porto Alegre – eu fui e tava massa.

Matt Damon, educação e idéias vagas – o pessoal não pensa antes de falar.

Nunca esqueça da torneira – pra não se afogar em informação.

Regras da firma – redes sociais no trabalho.

Balde – chutá-lo ou não chutá-lo?

Clichês – como evitá-los.

Minha impressão sobre o iPad 2 – é isso aí!

Julgamentos – anotações sobre o documentário Judgment Day – Intelligent Design on Trial

Linha da vida – a arrogância da Timeline do Feice.

El Jardin Armado – mais um belo trabalho do David B.

 

 

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Coletivos

Eu fecho minha blogagem esse ano com um post muito especial. A foto acima, que talvez alguns já devem ter visto no Feice, registra o primeiro encontro físico dos quatro fundadores d’Oesquema, o teto que me abriga. Isso aconteceu em circunstâncias tão curiosas quanto obviamente simbólicas: nos reunimos para o lançamento da série de micro-documentários Diálogos Coletivos produzida generosamente pela Colméia. Nós somos objeto de um deles e os outros dois falam sobre a revista Soma (da qual também sou colaborador desde o primeiro número) e do Fora do Eixo (do qual meu contato vem de ter tocado em um ou dois festivais com os Walverdes).

Diz muito o fato de termos nos reunido pela primeira vez devido a forças alheias a nós, devido a um convite externo e não por conta de alguma “reunião de planejamento” ou coisa do tipo. Diz não apenas sobre o jeito como Oesquema surgiu e funciona, mas também sobre como as coisas podem funcionar hoje em dia. Tu vê só: quatro caras que gostam de absorver, digerir e produzir cultura conseguem gerar impacto, audiência e uma certa relevância mesmo sem a construção de uma rede formal (como o FdE) ou a constituição de uma estrutura microempresarial de viés fortemente cultural (como é a Soma/Kultur Estúdio).

Desse ponto de vista, o coletivo mais interessante do projeto da Colméia (já que nenhum dos protagonistas se considera representado pela palavra coletivo, outra discussão interessante) é justamente o formado pelos três vídeos. Ainda que não cubram todas, eles pegam pontos fundamentais das imensas possibilidades de empreender culturalmente no meio de tantas mudanças estruturais que o mundo está vivendo. O presente, como diz o Pablo Capilé, está grávido. Eu acrescento: de multigêmeos (existe isso?) que não são univitelinos, que vão crescer com personalidades e características físicas bastante diversas. Não é prudente deixar que vistam as crianças todas com a mesma roupa.

Feliz Ano Novo pra todos os indivíduos, para todos os coletivos e para imenso o coletivo formado pelos coletivos – formais ou não.

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Um brinde ao líquido

A linguagem humana é uma coisa engraçada. A gente tem mania de construir alfabetos inteiros usando conceitos que se mantém cristalizados e inquestionados por décadas e que acabam se transformando em dogmas laicos. Por exemplo, você consideraria a ação de alugar um apartamento um ato revolucionário? Certamente não. Quando se fala em alugar um apartamento, é provável que a sua mente abra gavetas e escaninhos ligados a ideias como burocracia, complicação e pequeno aburguesamento. Muito raramente, senão nunca, alguém diz “vou alugar um apartamento” e você lembra, digamos, da geração beat e de tudo que ela significou para a cultura dos últimos 60 anos.

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Acontece, curiosamente, que o fato de Joan Vollner ter alugado um apartamento no número 412 da W118 Street em Nova Iorque foi fundamental para a explosão beat na década 50. Esse foi o endereço que Joan dividiu com Edie Parker, mulher de Jack Kerouac, e cujas portas estavam sempre abertas pra receber gente fina como William Burroughs, Lucien Carr e Allen Gisnberg – além do proprio Kerouac, claro. Nesse pequeno apartamento alugado, madrugadas agitadas por anfetaminas e jazz bebop funcionaram como uma espécie de líquido amniótico para o feto da turma que logo depois colocaria o pé na estrada e aprontaria tremendas confusões. Talvez o contrato de locação desse imóvel tenha sido, de fato, a obra escrita que inaugurou o legado beat.

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Em seu livro mais recente, De Onde Vem as Boas Ideias, o escritor de “ciências pop” Steve Johnson fala sobre a importância desse tipo de lugar, que ele define como tendo propriedades líquidas. Johnson lembra que a maior parte das teorias relacionadas à criação de vida na terra são baseadas em água. E não só porque hidrogênio e oxigênio sejam elementos fundamentais em muitos compostos orgânicos, mas também porque H2O em estado líquido é simplesmente um excelente apartamento para interações químicas. O carbono, a base da vida terráquea, é um excelente conector (como era Allen Gisnberg), ou seja, tem a capacidade de se ligar a uma grande variedade de outros elementos. Mas sem um meio que permitisse numerosas colisões randômicas desse conector com outros parceiros, não haveria a exploração – e a posterior efetivação – dessas possibilidades. Ou seja: líquido é o estado da criação. No gasoso, há muita distância entre as partículas, nada vai a lugar algum. Congelado é paradão demais.

Acredito que muitos que lêem essa revista já estiveram, mesmo que por algumas poucas horas, em um lugar assim. Puxe da memória e certamente você vai se lembrar da atmosfera: uma noite movimentada, com gente entrando e saindo, os copos e cigarros passando de mão em mão, os grupos se fazendo e se desfazendo, os assuntos pulando de pessoa em pessoa, a informação fluindo e as ideias, mesmo que disparatadas e desestruturadas, sendo exploradas, retorcidas – moeda intelectual trocando de carteira e tendo sabe-se lá que destino.

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Nem sempre são apartamentos. Às vezes são ruas que concentram bares ou centros culturais. Uma esquina, uma quebrada. Não precisa ser à noite. Pode ser um campinho de futebol com goleiras nuas e, no lugar da grama, areião. Ou uma feijoada semanal num bairro longe do centro. Pode ser um escritório de portas abertas para a peregrinação de talentos complementares. Ou um ateliê que sirva de imã pra gente que compartilha curiosidades – mas não necessariamente o mesmo segmento artístico ou filosofia de vida. Pode ser qualquer lugar, desde que seja líquido. E, claro, desde que tenha uma Joan Vollner e uma Edie Parker pra bancar a parada e abrir as portas pras moléculas colidirem e se experimentatem como pares.

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Na história da cultura, muitos são lembrados, comemorados e seguidos por revolucionarem modelos e condutas. Mas poucos levam o devido crédito por criar, fomentar e manter ativo o ambiente onde essas viradas acontecem com toda a carga de energia e interação que necessitam. Essa gente pode até se manter anônima. Só não pode deixar de existir.

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Essa foi minha coluna pra revista Soma#26. Não deixe de dar uma boa olhada em toda a revista aqui.

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Tapes do Demo

Simples assim: o Edson do Power of The Bira está subindo uma cacetada de fitas cassete de bandas independentes dos anos 90. Ou seja, passando os mp3 daquela época pra propriamente mp3. Tem Squaws, De Falla, Boi Mamão, Dash, Loop B, e por aí vai…

A nossa Ao Vivo no Japão, de 1997, está lá também. Essa fita foi uma espécie de transição entre o nosso primeiro e imaturo disco pro segundo, 90 Graus, um pouco mais consolidado em termos de som. Várias músicas do 90 Graus estão na Ao Vivo no Japão, bem como uns rascunhos e também peças da Chulé de Coturno (a outra banda do Marcos, Gian e Bruno com o Renato, que anos depois acompanhou o Wander por um tempo).

Ao Vivo no Japão foi gravada ao vivo num estúdio em Porto Alegre.

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Diálogos Coletivos

Diálogos Coletivos – Teaser from Colmeia on Vimeo.

Esta segunda, estarei em SP para o lançamento dessa série de mini-documentários da Colméia. Os três episódios são dedicados a ajuntamentos de gentes de diferentes naturezas: tem um episódio sobre nós, d’Oesquema, outro sobre a revista +Soma (com a qual colaboro desde o primeiro número também) e um terceiro sobre o coletivo Fora do Eixo (ao qual não sou ligado, mas já participei de eventos ligados a eles). Assim que os docs forem liberados, eu posto aqui.

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Todo mundo é DJ em Porto Alegr… digo, PORTLAND!

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Minimalismo Mixtape

Se você ainda consegue manter a sua atenção fixa num assunto, num vídeo de mais de 10 minutos, num livro de mais de 100 páginas, saiba que essa talvez seja uma habilidade muito valorizada no futuro. Umas das regras clássicas da economia é que a escassez de um produto tende a aumentar o seu valor. Seria plausível pensar que, daqui uns anos, as pessoas que tem a capacidade de reter a atenção por mais tempo serão pagas pra assistir determinados conteúdos mais longos e depois contar pros outros que vão estar distraídos com mensagens de 140 caracteres.

A nossa escrita está ficando mais quadrada porque confinada aos emails, às anotações que são tecladas, aos contatos que são armazenados de forma digitalizada nas agendas de computadores e celulares. Quem sofre mais com a digitalização da vida não é a escrita formal, os textos profissionais, e sim os rabiscos do cotidiano, como os números de telefone anotados em cantinhos de jornal, os recados em pedaços de papel e os pensamentos desenhados na folha de uma agenda. Que lugar tem eles nas mídias digitais?

Muita gente acha que o principal poder do Google vem da alta capacidade de busca. Mas isso é só um pedaço da história. A verdeira força do principal buscador da internet vem da classificação de informações por relevância. Ou seja, não é que o Google seja só bom de buscar. Ele é bom principalmente em encontrar e classificar. Tão bom que além encontrar o que você precisa, ele também encontra você quando um anunciante precisa da sua atenção. Aqueles links patrocinados no canto da página são a grande fonte de receita do Google e eles funcionam porque você está sempre usando a ferramenta e tornando ela mais inteligente, com resultados mais relevantes.

Que a internet está mudando o jeito como a gente faz um monte de coisas, todo mundo já sabe. De tempos em tempos reportagens na tv, em revistas e na própria rede parecem dar a ideia de que estamos caminhando juntos na mesma direção. Mas a tecnologia não muda a vida das comunidades do mesmo jeito. Brasileiros, chineses, indianos, americanos, ingleses, todos são impactados de forma diferente. Cada povo absorve as inovações com o tom da sua cultura.

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Em muitos lugares do mundo, a internet ainda é uma novidade. Menos de um terço da população mundial tem acesso à rede, mas provavelmente é uma questão de tempo até o planeta ficar de fato totalmente conectado. Isso significa que a internet que a gente tem hoje, mesmo com todas sua diversidade cultural, é só uma amostra do que está por vir. Ela ainda tem o jeito dos Estados Unidos e da Europa. Com o tempo, a entrada de mais e mais pessoas das regiões menos conectadas deve trazer novidades.

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A África, a Ásia e o Oriente Médio ainda tem muito o que crescer e colocar na internet. Mais ou menos 4 bilhões de pessoas dessas três regiões não estão lendo blogs e sites de notícia, assistindo vídeos, ouvindo música online e dividindo suas idéias, suas fotos de família, seus vídeos curiosos e suas opiniões com o resto do mundo digital. Quando eles entrarem nessa, aí sim pode ser que a gente sinta um pouco mais o gostinho de viver em uma aldeia global.

Quando uma pessoa não tem informação de moda o suficiente pra se sentir segura na hora de vestir, ela geralmente recorre a refências da novela ou de revistas conhecidas. Com música ou cinema é mais ou menos a mesma coisa. Mas quando o assunto são aplicativos de celular, ainda faltam referências populares pra organizar todas as possibilidades que existem.

As lojas de aplicativos como App Store e Android Market ainda são confusas e os veículos que decodificam as tendências e as melhores opções ainda são voltados a um nicho. A tecnologia já é parte da cultura popular, só que o universo de informação sobre tecnologia ainda precisa fazer um pouco mais de barulho pra chegar na massa crescente que está dando corpo e volume pra nova cultura digital.

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Isso aí foi um rápido mix de trechos dos meus comentários de cultura digital na Oi FM, os Minimalismos.

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Contra a Datenização da linguagem


(Clica que ela aparece maior)

Reiterando o que escrevi no Feice quando linkei a matéria acima: é inspirador o discurso que o Luiz Eduardo Soares vem martelando na mídia há anos. Falar em perdão e conciliação é, hoje, quase uma heresia. Mesmo nos veículos que não se apresentam como explicitamente datenizantes, tem sempre uma entrevista de vítima revoltada que justifica o sentimento de vingança que está em vigência cultural. Quanto maior o sofrimento, maior a carta branca não escrita para o revide com força total. São poucas as vozes conciliadoras. É preciso espalhá-las e amplificá-las.

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Uma coisa curiosa: mesmo gente supostamente civilizada, educada e defensora dos direitos civis acaba datenizada. Um momento simbólico disso foi quando, há alguns meses, circulou a notícia que em Porto Alegre uns punks gays haviam espancado uns nazis. Nem sei se foi confirmado como fato, mas o que importa aqui é que não faltou gente pra “comemorar” o acontecido nas redes sociais. Ma como assim??

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É claro que a imensa maioria das pessoas que se regozija com o espancamento de nazis não é capaz de tocar num fio de cabelo de quem quer que seja. Mas a linguagem, proferida e hoje tão amplificada, ajuda a criar um ambiente propício para atitudes muitas vezes impensadas. Por que gente que não conseguiria de fato de bater em alguém (ou nem pensou muito no assunto) passa adiante o regozijo com o espancamento de alguns alguéns?

É de se tomar cuidado.

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Antes que alguém ache que estou defendendo algum tipo de censura ou de politicamente correto: estou falando de uma reflexão interna do sujeito e não de uma força reguladora externa.


O vídeo acima(que não permitia incorporação…) é a sequência inicial do segundo episódio da primeira temporada de Louie, o seriado daquele humorista Louie CK. Durante um pôquer de comediantes-amigos, Louie pergunta a um dos parceiros, que é gay, se ele se ofende com a palavra faggot. O parceiro, então, dá uma aula sobre a etimologia de faggot. Segundo o roteiro, a história toda vem de faggot como sinônimo de um ramalhete de gravetos, usados comumente na era medieval pra queimar mulheres acusadas de bruxarias e… gays.

Ele encerra a pequena aula de história dizendo: “não é que eu me ofenda quando você usa no palco, mas achei que seria interessante você saber de onde vem a palavra.”

Segundo a Wikipedia, pode nem ser essa a origem exata do termo. Mas acho que o ponto sobre linguagem é válido.

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O futuro do rock

Rápida tese.

Pelo jeito que a coisa anda, o futuro do rock vai ser em dividido em dois: as bandas que vão fazer o povo dançar e as que vão encher as músicas de partezinhas e viradinhas e coisinhas pros marmanjos estudarem da platéia.

Não é?

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Terapia Indie

Não tenho tempo pra articular um post maior, mas vocês não estão com a impressão de que está rolando a maior terapia em grupo na mídia por parte da geração independente dos anos 80/90? Vejamos.

Aqui no Brasil é bem óbvio que isso está acontecendo – e já faz algum tempo. Toda a discussão em torno do Circuito Fora do Eixo esse ano foi, na verdade, uma requentada da polêmica do ano passado (lembra da a carta do João Parahyba?). Esse ano, a coisa foi reativada pela coluna do Álvaro Pereira Jr., pela visão do China e pela resposta do Bruno do Macaco Bong, pra não falar do desabafo do Bernardo do Elma no Facebook, contando os rolos com a produção do Cedo e Sentado (você veja que já tem bibliografia o debate e eu nem linkei 1/10 da parada…).

(Até pensei em escrever sobre isso tudo do ponto de vista de artista, mas resolvi responder tocando com os Walverdes por aí.)

Mas não é só na órbita do Fora do Eixo que gira a terapia em grupo. Bandas como o DeFalla voltando, o Rodolfo do Raimundos em matéria na Rolling Stone, a inacreditável ronha entre o Lobão e o Lolapalooza (o simbolismo disso me deixa pasmo), o lance entre o Ultraje e o Peter Gabriel, o Adriano saindo do CSS (não pude não lembrar de emails inflamados da época da Poplist, mesmo com a posterior entrevista mais comedida)… enfim… como diz aquela irresistível canção, “alguma coisa está fora da ordem” – ou fora do eixo (tum-tum-pish!)

No meio disso tudo, poucas coisas que li esse ano me deixaram tão intrigado e boquiaberto quanto o depoimento da mina do LeTigre sobre não poder construir uma vida estruturada materialmente com seu ofício de artista nos Estados Unidos. Ainda que legítimo, não dá pra um artista brasileiro ler o texto e não achar esquisito. É outra peça absurdamente forte e simbólica, porque é um sinal de estruturas (financeiras, sociais e conceituais) ruindo.

Outros indícios da grande terapia de grupo indie das últimas décadas: depoimentos como o do Bob Mould (Sugar/Husker Dü) e do Low Barlow, abrindo motivações, alguns podres e bastidores de momentos culturais singulares e fundamentais do fim do século passado. Pra não falar da separação do casal ícone do underground – Kim Deal Gordon e Thurston Moore, com direito a declarações emotivas do George Harrison do Sonic Youth, Lee Ranaldo.

(Em tempo: em 2009 Kim e Thurston abriram sua casa pra revista americana Nylon. O que mais me chamou a atenção nessa matéria foi o tom desculposo da dupla ao comentar que tem dois carros na garagem, como se tivessem que justificar pra patota alternativa tamanho luxo… a patrulha indie é implacável! A resposta aparece agora: dois carros pra cada um ficar com um… tumtu-pish!)

Rapaz, que momento!

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Bairrista

1) Micro-documentário sobre o Bebeco Garcia, um dos guitar heroes do rock gaúcho, que tocou no Garotos da Rua e também depois mandou ver na sua excelente carreira solo (nessa fasem dividimos o palco do Orbital com ele uma vez em São Paulo, quando ele tocava com o Egisto e não me lembro quem era o batera…)

2) Trailer do documentário sobre as 12 Horas de Tarumã, uma prova clássica do automobilismo gaudério.

Aí estão mais dois sinais de uma coisa bacana: o Rio Grande do Sul nos últimos anos vem pagando tributo e explorando sua mitologia pop. Precisamos de mais documentários assim: sobre o DeFalla, sobre o Replicantes, sobre a Graforréia, sobre os Casvavelettes, sobre o TNT, sobre o Garagem Hermética…

(PS: o documentário das 12 horas de Tarumã vai trazer Walverdes na trilha…)

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Três bandas, uma só voz

Amantes dos riffs lancinantes e das batidas contudentes que estiverem por perto de Porto Alegre: não percam esse show sexta-feira! Não é sempre que um line-up se alinha tão bem dessa forma, que a combinação encaixa tanto. Não estamos falando de rock, estamos falando de ciência!

Estamos falando do autoproclamado GRUNGE UNIVERSITÁRIO dos Hangovers, uma das bandas mais bacanas e intensas que apareceu em Porto Alegre nos últimos anos. Se você não acredita em mim, dá uma ouvida nos sons que tem na Trama Virtual – onde, aliás, eles andaram frequentando o primeiríssimo lugar nas paradas por muitas semanas logo que lançaram seu EP, Academia Brasileira de Tretas.

Se o Hangovers trilha o caminho do GRUNGE UNIVERSITÁRIO, a Viana Moog é o NOISE COM MESTRADO. Os caras são mestres em no mínimo duas coisas: misturar poesia ácida (nos dois significados da palavra) com tramas barulhentas de guitarras e também em colocar São Leopoldo no mapa roqueiro do país. A Viana já frequentou as paradas de São Leopoldo, especialmente aquelas na época do colégio no Sete de Setembro.

Já os Walverdes, minha banda, eu espero que você conheça já que frequenta o blog. Desde nossa fundação, em 1993, já fomos escolhidos quatro vezes BANDA DO ANO pelo CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU, duas vezes PERSONALIDADE CARICATA DO ANO pela NASA e cinco vezes PESQUISADORES CONVIDADOS DA UNIVERSIDADE DE HARVARD EM MASSACHUSSETS, OHIO (onde apresentamos o pré-projeto da tese intitulado “Walking backwards – an essay”).

Ficamos seis semanas consecutivas em PRIMEIRO LUGAR NAS PARADA 75 e 76 da RS 40 esperando um ônibus pra Viamãop. Ao lado do GRUNGE UNIVERSITÁRIO do Hangovers e do NOISE COM MESTRADO da Viana Moog, vamos apresentar nossa TESE DE DOUTORADO EM ROCK PAULEIRA.

Quem perder vai ficar mais burro.

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Ah: chegaram as novas velhas camisetas dos Walverdes. À venda no show ou pelo email marcosrubenich75@gmail.com

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Tapumes

Não sei se vocês notaram, mas os tapumes de obra mudaram de categoria nas nossas vistas. Eles não são mais efêmeros. Eles não vão mais embora. Um vai, aparece três. Eles se transformaram, praticamente, em parte do acervo permanente da cidade.

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Fundos de Prédios – um fetiche

Resista, parquinho de plástico colorido, resista! As crianças precisam de você!

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Mais fotos na seção “Minhas Fotos Toscas”.

 

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iPad como moldura

Acontece periodicamente, com todas as novidades tecnológicas: elas logo viram molduras de cartazes e anúncios que precisam de um “toque de modernidade”.  Você já deve ter visto por aí em revistas. Já aconteceu com celulares e monitores de computador. Agora é a vez do iPad.

Melhor: essa foto eu tirei no (único) posto de gasolina de São Vicente do Sul, cidade de pouco mais de 8 mil habitantes no interiorzão do Rio Grande do Sul.

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