Recomendação: o Trasel escreveu um post interessante sobre a importância da linearidade no processo educativo. Bom… pedagogia DEFINITIVAMENTE não é algo que eu possa comentar com consistência, mas o que me cativou no texto do Trasel é o tom “epa-calmalá” no que diz respeito a surtos gerais do tipo “GENTE, OS JOVENS SÃO MULTITAREFA, PRECISAMOS REMODELAR O MUNDO AO REDOR PRA QUE SEJA MULTITAREFA SENÃO FICAREMOS PARA TRÁS.”
(Comentei também algo sobre isso nesse post recente.)
Enfim. Criou-se, nos últimos anos, a idéia de que o distúrbio de atenção é uma criação das mídias digitais. E, embora elas colaborem pra isso, faz bem o Trasel em lembrar que “Os alunos atuais não se dispersam porque a Internet os acostumou a começar uma busca procurando por dados sobre a extensão do Rio Amazonas e terminar tendo frio na espinha ao ler notícias sobre pessoas atacadas pelo candiru. Eles se dispersam porque nossa mente é dispersiva e a Internet é uma reprodução técnica desse caráter hipertextual do pensamento.”
Nos comentários, teve gente que gentilmente discordou e trouxe um outro ponto de vista. Mas no geral eu tendo a concordar com o Trasel pois no meu entender ele colocou a questão da educação ocidental como um lembrete de equíbrio em meio ao alarmismo e não como uma verdade definitiva. Aliás, o ponto dele, se eu bem entendi, não é fazer uma apologia da linearidade mas ressaltar que não precisamos sucumbira a essas reações exageradas no que diz respeito às novas formas de consumo de mídia, achando que tudo na pedagogia contemporânea precisa ser jogado fora de uma hora pra outra.
Como diria um sábio da antiguidade: calma, calma, não priemos cânico.
O número de câmeras que estão nos filmando está crescendo ano a ano, sejam as câmeras digitais dos nossos amigos ou as onipresentes câmeras de seguranças em supermercados, bancos ou prédios. Todo mundo hoje está em alguma tela em algum momento do dia, o que vem gerando muita discussão sobre privacidade mas também está fazendo a felicidade de muita gente vaidosa e que gosta de aparecer - mesmo que seja nas tvzinhas dos seguranças.
Portanto, se você algum dia sonhou em celebridade de TV, seu sonho já se realizou porque nos dias de hoje você é muito mais filmado e gravado do que muitos atores da década de 70.
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Post inspirado num dos Minimalismos que eu faço pra Oi FM.
Geralmente quando alguém fala em cidades fantasma, a gente logo associa o termo a regiões abandonadas pela falta de dinheiro. Mas, na China, acontece o contrário. O governo de lá liberou incentivos de bilhões de dólares pra construção civil e pro setor imobiliário, gerando absurdos como Ordos, uma cidade feita para um milhão de pessoas mas habitada só por algumas centenas. O motivo disso é fazer bonito no PIB com grandes números de investimento. Mas, como temos visto ultimamente, números não são bons para habitar cidades. Eles são bons mesmo em criar bolhas econômicas.
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Escrevi esse comentário pro Minimalismo da Oi FM, inspirado nesse artigo da Foreign Policy e nesse do Gizmodo, que tem vídeo.
Lembra que eu comentei aqui que customizei um Converse lá no Goiânia Noise? Pois então. Não era tinta direto no tênis, e sim na matriz que vai pra fábrica. Essa semana recebi o pacote com o tênis propriamente dito. O primeiro e único Converse dos Walverdes. Já que nenhuma empresa quer fazer, eu mesmo fiz!
Também na semana passada saiu a Mais Soma 16, com capa do Gary Baseman e uma entrevista que o Mateus fez comigo e com o Nobre sobre as conexões Walverdes + MQN ao longos dos últimos dez ou quinze anos. Além de falar das nossas bandas, eu e o Fabrício damos uma geral sobre o cenário independente brasileiro e como a gente vem participando disso desde o meio dos anos 90.
Tu pode baixar a revista inteira (tem entrevista também com nosso conterrâneo Otto Guerra) aqui.
E, por fim, o recorte aí de cima é de uma pequena entrevista que o Marcelo Costa fez comigo pra Billboard desse mês. Com o The Who na capa. Nós e Who na Billboard, que beleza, hein? Pra completar, na mesma seção temos o Wado acima, as meninas do T.A.T.U. à direita e o Filipe Catto à esquerda. Excelente companhia.
Olha…
… bonitos.
Essas fotos são do Marco Chaparro pra Noize 31 que já tá online também com as imagens e uma rápida entrevista comigo e com o Patrick. Essa semana ainda sai a de papel, distribuição gratuita.
Do the twist
Do the fly
Do the swim
And do the bird
Well do the duck
Aaah, and do the monkey
Hey hey, watusi
And, ah, what about the frug
Do the mashed potato
What about the boogaloo
Oh, the bony marony
Come on let’s do the twist
Aaah
O trecho acima, de Apertem os Cintos o Piloto Sumiu 2, além de ser um clássico momento da comédia moderna também oferece um excelente paralelo pra responder à questão proposta no título do post. No filme, a espaçonave que faz o primeiro vôo tripulado à Lua enfrenta sérios problemas técnicos enumerados pela aeromoça: asteróides e problemas no sistema de navegação, que está levando a nave direto pro Sol. Mas o caos se instala mesmo quando um passageiro se revolta e acusa a moça de estar escondendo algo. E ela admite: “Ok… é verdade… também acabou o café.” Aaaaaaaaah!!
Bom.
Digamos, então, que um dia o Al Qaeda puxe a tomada da internet e toda rede fique desativada por uma semana. Honestamente, eu não me apavoro tanto com o provável caos no mercado financeiro ou no sistema de serviços à população, seja público ou privado.
Essa semana, o @maurodorfman comentou que o Twitter é o SAC do universo. Portanto, eu fico imaginando que o verdadeiro problema no caso de um “web blackout” (uéblecáuti) seriam os bilhões de pessoas que reclamam e desabafam no Twitter, no MSN, nos blogs e redes sociais todos os dias. Onde toda essa energia vai ser depositada? O que essas pessoas vão fazer?
Aaaaaahhhh!!!
Segundo o pesquisador americano David Dalrymple, a capacidade de ser focado em um mundo cheio de distrações é mais importante do que acumular conhecimento. Vale ler o artigo todo do Dalrynple, porque ele meio que quebra alguns conceitos solidifcados que flutuam nas nossas conversas de churrasco e mesa de bar.
Qualé o ponto dele? É assim: vivemos num período em que as instituições educacionais e as empresas ainda valorizam, ensinam e se estruturam em torno do acúmulo de conhecimento, a habilidade de você simplesmente SABER coisas. Mas, hoje, com tanta informação à disposição de forma rápida e barata, o que conta são as mentes capazes de navegar com clareza nos oceanos de dados, que não se afogam mas que conseguem dar um sentido maior e mais profundo a eles. Em outras palavras, saber qualquer um sabe. Mas e coordenar tudo de acordo com cada situação necessária?
Daqui pra frente, vamos provavelmente assistir a uma valorização cada vez maior da faculdade natural da mente humana para se focar e ligar os pontos. O mais curioso disso é que a tecnologia, indo contra o que muitas vozes apocalípticos pregam, não está matando o nosso lado mais mágico e intuitivo, mas tornando-o, isso sim, um artigo essencial.
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Post inspirado num dos Minimalismos que eu faço pra Oi FM.
Nos anos 1990, perguntaram à filósofa Marilena Chauí quais eram suas preocupações diárias.
“Ora”, respondeu a professora, “eu vou do bife ao infinito”.
A pesquisadora e jornalista inglesa Aleks Krotoski está investigando a relação entre a identidade das pessoas dentro e fora da internet. O mito que se criou em torno disso é que muita gente inventa um personagem quando cria um perfil digital, aumentando algumas qualidades e reduzindo defeitos. Mas o que o estudo da Aleks está descobrindo é que cada vez mais as identidades digitais refletem a identidade da pessoa fora da rede.
Ou seja, lentamente estamos amadurecendo na construção das nossas relações online, e descobrindo que não podemos fugir de quem realmente somos nem mesmo no tal “mundo digital”. A fuga não esconde nossos traços. Apenas, de um jeito indireto mas geralmente flagrante para olhos atentos, os reforça.
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A imagem acima é do set do Flickr de desenhos feitos no iPhone pelo incrível José Carlos Lollo.
E o texto do post é inspirado num dos Minimalismos que eu faço pra Oi FM.
“Nossa consciência não é nada mais do que um pedaço de ilha insignificante flutuando em um vasto oceano circundante. Mas é desse insignificante pedaço de terra que nós podemos olhar para a imensa expansão do inconsciente.”
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Livremente traduzido daqui.

Depois de abrir o escopo e não se restringir a livros, também trazendo artigos pra nossa coleção, a Biblioteca Conector insere o primeiro filme na sua lista de referências. E, pra surpresa de alguns, não é nenhum documentário cabeçudo sobre o cenário da comunicação (embora venha um por aí, aguarde).
Mas enfim. O que é que um filme da Nora Ephron, mais conhecida por comédias românticas como Sintonia de Amor e Mensagem para você, está fazendo aqui? Bom, eu explico direitinho e, se precisar, faço um desenho.
A publicidade, nos últimos anos, vem demandando cada vez mais dos seus profissionais a sensibilidade de uma comunicação mais próxima e menos invasiva. Em palestras e artigos, se fala muito em conversar com o consumidor em vez de tentar convencê-lo de alguma coisa a golpes de repetição intrusiva. Pra conversar, existem, sim, técnicas e tecnologias, mas muito mais eficiente e profundo do que simplesmente absorver e replicar as técnicas e as tecnologias é compreender as motivações por trás desse valioso diálogo. E, pra isso, Julie e Julia se presta muito bem.
Pra quem não sabe, o filme retrata o cruzamento de duas trajetórias: a da chef maluquete Julia Child e a da aspirante a escritora Julie Powel. A mistura realmente aconteceu na vida real em 2002 quando Julie se viu inspirada pela leitura da biografia de Julia e resolveu cozinhar as suas 524 receitas em um ano. Detalhe: Julie compartilhou sua aventura com (primeiro dezenas, depois) milhares de leitores em um diário digital, formato ainda incipiente na época mas que viria a se tornar bastante popular nos anos seguintes sob o nome de… blog.
Julie e Julia é, então, uma agradável e consistente Sessão da Tarde com um brinquedinho a la Kinder Ovo incluído pra quem se interessa por comunicação. Seus 123 minutos caem bem pra explicar a qualquer um como surge uma voz própria e relevante que cativa uma audiência de nicho na internet - e como essa autenticidade pode levar um conteúdo a conquistar espaço em outras mídias e no coração de um catatau de gente. Ver o envolvimento de Julie com seu blog, aquele derramamento de emoções em um template tosco sem garantias de qualquer retorno que não a mera expressão pessoal deve ensinar a corações duros a necessidade de vozes humanas na comunicação de marca.
Ou não. Nunca sabemos.
O mais bacana é que o blog original da Julie Powell (que depois virou livro e, mais tarde, esse filme) ainda está online, no mesmo lugar onde foi criado. Pode ser interessante vasculhá-lo, mas minhas inclinações arqueológicas não são pra tanto. O filme me parece suficiente ao menos para o ponto que eu queria estressar aqui.
***
Uma última nota.
Não sei se você notou, mas a Nora Ephron deu uma de Dangermouse e pode ser que ela tenha cometido o primeiro mashup de livros na história do cinema, ao menos em nível mainstream e de forma tão clara que podemos ver as duas tracks se alternando. Legal, né?
Tchau.
***
A Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis reúne livros e artigos pra quem se interessa por estudas novas manifestações e usos de meios de comunicação. Em outras palavras, pra entender essa baguncinha aí. Pra saber mais, leia a introdução.
Pra ver todos as entradas, clique aqui.
Se você tem uma dica de livro interessante sobre o assunto, resenhe e publique nos comentários.
O que seria do Superguidis se não fosse o bom humor? A expressão que dá nome ao primeiro single/videodeyoutube do novo disco do grupo guaibense é, sem dúvida, um dos pilares da sua consistência. Nascida junto com uma leva bacana de bandas do Rio Grande do Sul, como a Publica e a Stratopumas, os Superguidis se destacaram pela opção de atuar em fronteiras lodosas: a flutuação (muito bem executada) entre o som sujo e as melodias pop; e também entre as letras simpáticas, amigáveis e os temas esquisitos, que muitas vezes só eles e alguns parceiros entendem profundamente. Não fosse o bom humor (e um inegável talento para melodias), os Superguidis seriam chatos como tantas outras bandas.
A cidade dos Guidis, Guaíba, oferece uma metáfora poderosa pra singularidade do seu som. Ela fica a 40 minutos de ônibus de Porto Alegre, mas poderia ser muito mais perto caso alguma empresa de transporte fluvial conseguiu vencer o lobby rodoviário e oferecer uma barca que simplesmente atravessasse o Rio Guaíba numa linha reta. Esse distanciamento específico, geografica e socialmente falando, oferece um ângulo de visão da capital ignorado pela maior parte dos portoalegrenses, a menos que eles sejam ricos proprietários de lancha, apaixonados por vela ou pescadores pobres, estratos sociais em que 100% dos indies locais não se encaixam.
Pra completar o lado nonsense da parada toda, até hoje ninguém sabe direito se esse tal de Rio Guaíba é de fato um Rio, um Lago ou um Estuário. Volta e meia especialistas trazem a discussão aos jornais, mas a população já se acostumou com a definição de Rio e no fundo (ou na beira), tanto faz. Afinal, essa esquizofrenia combina perfeitamente com o espírito da região e, em especial, com o jeitão de ser e tocar do Superguidis.
No papo abaixo, que tive por email com o vocalista e guitarrista Andrio, você confere um pouco mais do “pensamento superguidisiano” e dos planos para o terceiro disco, já gravado e em vias de ser lançado.
Conector: Me diz uma coisa, o que é que vocês fazem entre um disco e outro? Vocês tem um esquema tradicional tipo “Ensaios-Composição-GRavação-Lançamento-Turnê”? Ou vão tocando, compondo e gravando tudo ao mesmo tempo?
Andrio: Para esse disco a gente foi ensaiando as canções e gravando demos na garagem do Marco à medida em que elas iam surgindo, testando arranjos e timbres para chegar na hora e não patinar muito. Entre um disco e outro, rola exatamente isso: shows de lançamento, turnezinha e tal. Esse ano queremos inovar, lançando singles periódicos, de repente até em versão física pras rádios. Sabe como é, os caras ainda vivem nessa de ter o CD na mão, não catam coisa nova na internet…
Conector: Em que pé está o disco novo? O que está faltando? Alguma previsão de lançamento?
Andrio: Só falta finalizar a parte gráfica. Tá uma tijolada, o som. O nascimento do filhote tá previsto pra meados de março.
Conector: Onde foram as gravações? Em quantas sessões vocês fizeram?
Andrio: Foi novamente na casa do Philippe Seabra, no Daybreak Studio. O cara deu uma mão na produça também, mais ou menos como foi o segundo. Ficamos lá todo o janeiro de 2009, matamos o disco em poucos dias. O mais demorado se deu por conta de uma troca de válvulas do Mesa Boogie do
Seabra, aí foi engraçado porque passamos a gravar o disco de trás pra frente, adicionando voz valendo e violões, por exemplo. Tive que imaginar a dinâmica das músicas para adicionar punch nos vocais… essas coisas.
(Nota do editor: a maior parte das gravações de vozes acontecem depois que toda a base - guitarras, baixos, baterias, já está gravada)
Conector: Tem alguma coisa nova nesse disco que vocês trouxeram em termos de som?
Andrio: Sim, sessões de cordas (cello, violino) em algumas músicas. Tem coisa com o violão mais na cara, também, ao mesmo tempo que há coisas bem mais pesadas (no nosso parâmetro, obviamente), com muita pressão.
Conector: O som de vocês está indo pra algum lado específico? Ou vocês não tem a menor idéia de onde vai dar?
Andrio: Sei lá, cara… ainda surge aquela vontade de fazer canções sujas com pegadas pop. Mas acho que está se expandindo, agora. Até o áudio de um show inteiro de releituras acústicas vai sair junto com o terceiro disco. Ou seja: galera aqui tá ampliando os horizontes. Talvez daqui uns anos lancemos um disco de polka.
Conector: Qual é a vantagem de ver Porto Alegre do outro lado do rio? Mesmo que alguns de vocês morem aqui, viveram muitos anos em Guaíba, então imagino que vocês tenham uma outra visão da capital, que quem vive aqui não tem. Como isso influencia as músicas?
Andrio: Acho que influencia mais na atitude. A capital hoje está muito careta, conservadora demais. O que rola de mais bacana de shows está nos arredores, na região metropolitana. E disso eu tenho um certo orgulho, dá uma cara meio outsider. O Wander Wildner falou um dia que a parte guaibense da banda é o que a salva, se referindo a essas marras portoalegrenses… hehehe…
Conector: Pois é, eu tenho a clara impressão que o Superguidis mantém há muitos anos um ar forte de gangue, de clube fechado, com piadas e uma linguagem muito própria. Sem dúvida isso contribui pra personalidade e força do som. Vocês tem noção disso? Ou só vendo de fora pra notar?
Andrio: Sim, a gente é um tanto fora da casa. eu percebo que o nível de autismo por aqui é bem elevado, e engraçado que o ápice disso é justamente quando estão os quatro reunidos. Às vezes cansa de tanta maluquice que sai do repertório de baboseiras. Também, nos conhecemos há muito tempo, temos quase a mesma visão de mundo e fazemos questão de rir da nossa própria cara, de não nos levarmos muito a sério.
Conector: Ok, voltando à questões mais práticas: vocês têm uma política econômica pra banda? Tipo, limites mínimos de cachê, de estrutura pra tocar? Ou vocês analisam caso a caso?
Andrio: Analisamos os casos. Um exemplo é uma tour de dez dias no norte que estamos fechando pra abril,
onde é possível que não haja lucro. Mas como a gente ainda não explorou horrores esta região, vale muito a pena só o fato de o cara empatar e não ter prejuízo financeiro. Vai ser divertido: guidis desbravando a floresta amazônica e arredores! Queremos fazer isso nos outros cantos do país… e com disco novo embaixo do braço este ano, vai ser supimpa.
Conector: Quem marca os shows e faz a correria da banda?
Andrio: Agora estamos trampando com um brother de longa data (Ernando Daitx, também guitarrista da ProzaK). Ele que está cuidando de marcar shows desde o ano passado. Ele também viaja junto com a gente e ataca de roadie. A gente procura articular junto com o Fernando Rosa, mas a coisa tende a se espalhar mais esse ano, fechando parcerias com gente de fora do estado para agendar coisas lá pra cima.
Conector: Como funciona a parceria com o Senhor F?
Andrio: A gente é gratíssimo em fazer parte desse cast, que nos trouxe uma grande visibilidade ao longo da metade da década passada para cá. Temos a plena certeza de que estamos no caminho certo, crescendo junto com o selo rumo a algo maior, sem abrir mão da integridade artística rumo a afobações, sabe? não queremos essa coisa de hype, de fenômeno descartável e sem consistência, sem conteúdo, e sim consolidar uma carreira construída em cima de três discos (até agora). Para o alto e avante, sem atropelos.
***
Não deixe de conferir as outras entrevistas que fiz com gente bacana como Jonathan Harris (do We Feel Fine), a artista americana Joana Sohn, o pessoal da finada Mono (hoje Sound and Vision e Needles and Pins), o André Takeda e o Léo Lage.
Essa é a Kung Fu:
Esse somos os Walverdes:
Isso é Kung Fu + Walverdes. É quarta. É cedo. É barato.
***
Walverdes no Myspace
Walverdes no Orkut.
Walverdes no Fotolog.
Walverdes no TramaVirtual (Playback inteiro pra baixar de graça, bem como a Demo Amarela e o Demasiada Sequela)
Walverdes no Conector
“No fim dos anos 90, quando a internet surgiu no nosso cotidiano, ela era vista por muitos pensadores como um ambiente livre, com uma circulação de informação que iria naturalmente libertar o mundo de uma série de amarras sociais. Quinze anos depois, a força da internet é inegável, mas as preocupações em torno dela mudaram um pouco.
Hoje também é preciso sustentar a ideologia libertária da internet no plano teórico mas, junto com isso, também temos que buscar formas práticas de acesso universal, como computadores, cabos, satélites, linguagens e preços que promovam a inclusão de grandes fatias da população mundial na rede para garantir que ela cumpra sua profecia democrática.”
Escrevi esse texto em janeiro e ele foi ao ar essa semana no Minimalismo da Oi. De lá pra cá, esbarrei em dois textos bastante interessantes que tangenciam o mesmo assunto: as limitações da mobilização no ambiente online. Esse é um tópico perigoso porque se presta rapidamente a ser transformado em uma cantilena baixa do estilo “vida digital vs vida real” - como se hoje as atividades em dispositivos e mídias digitais já não fossem parte do que costumamos chamar de “vida real”.
Mas eu parto do pressuposto que eu e você vamos conseguir evitar cair em visões extremadas, tanto para um lado quanto para o outro. Também acredito que já exista uma base sólida o suficiente pra começarmos a questionar a validade das mobilizações sociais e culturais na internet como se fossem um fim e não um meio. Não precisamos demonizar a internet ou os computadores para admitir, sem medo de ser feliz, de que muitas vezes é mais fácil interagir com uma interface digital do que botar a mão na massa quando se trata de resolver certas questões cabeludas, seja em nossas relações pessoais ou coletivas.
Na Época da semana passada, o Evgeny Morozov (pesquisador, editor da Foreign Policies e do blog Net Effect) questionou fortemente o ativismo online, admitindo que o uso da internet “reduziu muito os custos de publicação e tornou mais fácil encontrar apoio” mas também perguntando “quem garante que esses apoiadores serão realmente úteis ou estarão dispostos a ir às ruas?” Classificando grande parte das ações sociais na internet como “slacktivism” (ativismo preguiçoso), Morozov não negou o uso da web, mas trouxe à tona a necessidade dos ativistas de conhecer melhor estratégias tradicionais.
Com um discurso mais informal, a Renata Lemos também levantou uma bola parecida no seu blog com um post que traz um título mais alarmista. Em “Alô, os bandidos estão lá fora!”, ela cita Umair Haque e Derrick Jansen pra dar basicamente o mesmo recado do Morozov: é preciso mais do que indiginação digital pra resolver questões econômicas, climáticas e sociais.
Concordo totalmente com o Morozov e com a Renata, mas aproveito pra levantar mais uma sobrancelha e tentar indicar uma distorção na mensagem deles que pode vir a surgir.
Grande parte do que conhecemos como ativismo social hoje tem a ver com ações de grande impacto na mídia. É um subterfúgio criado por grupos como o Greenpeace. Quer queiram ou não, podemos considerar esses grupos avôs do hoje tão comentado marketing de guerrilha, que nasceu da necessidade de dar o máximo de exposição a causas que tinham pouca verba para compra de espaço formal em veículos de massa. Já vi chamarem isso de “media hijacking”, sequestro de mídia.
O problema é achar que todo e qualquer ato que traga mudança social precise ter cara de espetáculo. Invadir as ruas (ou a rede) com slogans inteligentes, imagens bem sacadas e ações inusitadas que gerem factóides dissemináveis não pode ser confundido com a essência da mobilização social. Afinal, quantas pessoas não estão por aí, sem nenhuma conexão com mídia, fazendo trabalhos incríveis enquanto metidas em verdadeiras reentrâncias sociais? Será que todas elas precisam mesmo de uma grande exposição pra fazer o seu trabalho? Acho que não. A necessidade de exposição exacerbada é uma invenção da nossa era e não precisa ser seguida cegamente.
Tenho conhecido, nos últimos anos, incríveis pensadores e articuladores sociais fazendo uma grande diferença, utilizando as ferramentas que tiverem à mão pra trabalhar (inclusive a internet) e gerando pequenos pontos de distensão no tecido social sem precisarem serem conhecidos, sem precisar de muito espaço na mídia, sem precisar de números fabulosos (seja em dinheiro, audiência de TV, views ou membros de comunidade). São terapeutas, assistentes sociais, praticantes espirituais, empresários, médicos, educadores, publicitários, contadores, jornalistas, programadores, gente “comum”, sem um grande número de followers mas que, com seu trabalho bem feito no dia-a-dia (e até tentando resolver suas questões pessoais) me dão uma visão bastante diferente do que pode significar mobilização e mudança social.
Não tenho muita certeza sobre o futuro. Mas já faz alguns anos que acredito que o trabalho de formiguinha (e não as ações espetaculares) é que vai sustentar a possibilidade de uma convivência melhor nesse planeta em todos os âmbitos. Na verdade, a vontade individual de gerar mudanças grandiosas, pode acabar se revelando, em vez de um sentimento altruísta, uma neurose, um complexo de grandiosidade que nem sempre traz frutos genuínos e duradouros.
Nesse sentido, mais do que nunca, menos pode ser bem mais.
Estava ouvindo um podcast com a professora budista Elizabeth Mattis Namgyel e, no meio de 50 minutos de insights bonitos e práticos, ela me saiu com uma metáfora que eu achei bem bacana e queria dividir com vocês.
O assunto geral da palestra era, na verdade, sobre a relação entre a mente e o corpo. Não vou entrar em detalhes e estragar a explanação clara da Elizabeth, mas no geral ela coloca a necessidade de manter-se sempre entre os extremos do apego (sensualismo) e da rejeição (austeridade excessiva) pra com toda e qualquer experiência corporal. E, exemplificando a flexibilidade de mente necessária nessa abordagem, ela trouxe a imagem dessas gaivotas que ficam paradinhas em cima de bóias no mar.
Bom, a real é que as tais gaivotas nunca ficam paradinhas em cima de uma bóia. Elas estão o tempo todo se movendo de acordo com o balançar da bóia e do mar, ajustando-se milimetricamente à maré, sem exageros pra qualquer um dos lados. O ficar “paradinho numa bóia” ou “numa boa” é uma fantasia dos olhos que enxergam gaivotas à distância.
Pois é, eu sei que é mais fácil falar (ou escrever) do que fazer. Eu sei, ah como eu sei. Mas fica aí registrado um substituto à já bastante usada metáfora do bambu que se dobra à força do vento. Se tem coisa que faz bem pro cérebro é uma nova imagem dizendo coisas que ele já sabia.
Suerte para nosostros, amigo.
Acho que já se falou e escreveu bastante sobre Avatar. Mas com a poeira da quarta-feira-de-cinzas finalmente baixando e toda a purpurina da avenida se depositando no concreto, talvez seja uma boa hora pra perguntar: quem é que andou espalhando essa idéia de que o filme tem uma mensagem new age, pacifista e ecológica?
Tudo bem, tudo bem, eu comprei total, lépido e faceiro, o papo da árvore que serve como um grande hub de conexão entre a tribo de Pandora e a inteligência vegetal do planeta. A idéia é super bacana e podia render uma série inteira de filmes interessantíssimos só em cima disso (Avatar Chronicles? Animavatar?). Agora, vamos combinar: fazendo os cálculos, descontando os juros e botando tudo na ponta do lápis, o que temos no fim das contas é mais um blockbuster com uma pancadaria pesada de meia hora no final e, pela pela milésima vez na cultura cinematográfica, um americano salvando um povo considerado “primitivo”. Não se engane: Avatar é mais uma (exuberante, linda, visualmente muito bem executada) sessão de terapia da alma americana.
Bom, isso tudo pode ser meu lado cínico falando. Deve ser meu lado cínico. Mas o fato é que não consegui abraçar Avatar como algo mais do que uma super experiência de direção de arte e computação gráfica (embora, como bem lembrou minha mulher, não é tão surpreendente pra quem tem filhos e vem assistindo a 3D intensamente nos últimos anos). O motivo do meu desencanto? O humanismo no filme é muito mal distribuído. Exemplo. O lado tosco do coronel Quaritch é espremido até tirar todo o suco e encher o copo de um vilão absolutamente caricato e nada dúbio. E dubiedade é o que faz os grandes vilões da mitologia moderna serem grandes vilões, pois assim podemos nos conectar com eles e não cair no conto do “pessoas do bem contra pessoas do mal”.
É impossível, mesmo para a platéia mais retrógrada, se identificar com o Coronel Quaritch de tanto que ele é pintado como malvadão. O papel das mitologias pop, a meu ver, não é de forma alguma colocar as coisas totalmente em seu devido lugar, mas dar uma bagunçada nas percepções ao fazer você se identificar com personagens de diferentes matizes - encontrar pequenas partes de você ao longo de todo o elenco. Não é o caso de Quartich, não é o caso de Avatar.
Veja bem: não estou desfazendo o filme. Adorei vê-lo. Tive boas três horas de cinema. Só estou aguardando, com certa ansiedade, a evolução dos roteiristas de blockbuster pra acompanhar tanta acrobacia visual.
1 desenho por dia até o fim do carnaval.

1 desenho por dia até o fim do carnaval.
1 desenho por dia até o fim do carnaval
1 desenho por dia até o fim do carnaval
1 desenho por dia até o fim do carnaval.
Quando eu vi as comparações entre as fotos photoshopeadas e não photoshopeadas da Madonna há algumas semanas, minha primeiríssima reação foi: “cara, o que que é isso? Ela é assim???” Acredito que a maior parte dos mortais deve ter pensado algo parecido.
Alguns segundo depois, me dei conta de que o mais surpreendente não deveria ser a descoberta de que a Madonna “está assim”, mas perceber o quanto fiquei mal acostumado com a imagem dela. Nossa percepção, no geral, automaticamente classifica a foto natural como esquisita e a foto artificial como “natural”. Não aconteceu com você?
É que o conceito de natural é algo bem mais maleável do que o seu significado sugere. O que parece “natural” geralmente é algo adquirido e, de forma consciente ou não, treinado. Nosso olho é um dos órgãos mais treinados à nossa revelia. E nossa percepção visual, na última década, vem sendo treinada em uma série de códigos bizarros no que diz respeito à passagem da idade do ponto de vista visual.
É tudo muito divertido, tudo muito legal, mas é certo que isso dá bode no sistema operacional.
***
Tem mais comparações entre photoshop e vida real que o Bruno andou linkando.
Em 2002 saiu uma Mixamg de verão (no verão dos ingleses) com uma coletânea que acabou me marcando muito justamente por estar lá. É um disquinho que eu ouvia bastante quando pegava ônibus e, apesar de metade das faixas não prestar muito, elas combinavam perfeitamente com o clima da época e da viagem.
Uma das mais marcantes é a que abre a coletânea. Reclamona e bizarrinha, “Do You Remember House” é basicamente um mimimi dançante que consegue a proeza de transformar um texto nostálgico e levemente ranzinza em algo divertido e extremamente funky.
Obra da dupla de produtores Josh Milan e Kevin Hedge, que assinaram muita coisa de garage e house sob o codinome Blaze (muitas vezes junto com o vocalista Chris Hebert).
I remember house
Before it was called house.
I remember house
When house respected house.
I remember house
When house groove on the roots of house.
I remember house
When house was soul music and R’n'B,
Before house was disco.
I remember house
Before the superclubs.
I remember house
When people knew the lyrics of house.
I remember house
Before recordlabels sold the house.
I remember house
When house was about love…
I remember house.
House
I remember house
When house was more then just a name to package te sound of sproove this emotion.
I remember house
When it was just one house.
I remember house
When house had artists, songwriters and personalities.
I remember house
When you didn’t have to be a DJ just to be into house.
I remember house
When house was broke.
I remember house
When house was done in the house.
I remember house
When it was a spiritual thing…
I remember house
Do you remember house
House
Do you remember house
House
I remember house
Before it was techno
I remember house before it had an afro.
I remember house
Before it was deep.
I remember house
Before it was hard.
I remember house
When house had tempels (and or tempo’s).
I remember house
Before mpc16’s.
I remember house
Before house had loots
I remember house
Before the whole world knew.
I remember house
Do you remember house
House
Do you remember house
House
I remember house
Before it was called house.
I remember house
When house respected house.
I remember house
When house groove on the roots of house.
I remember house
When house was soulmusic and R’n'B,
Before house was disco.
I remember house
Before the superclubs.
I remember house
When people knew the lyrics of house.
I remember house
Befor recordlabels sold the house.
I remember house
When house was about love
I remember house
Do you remember house
House
Do you remember house
House
***
Ps: eu catei a letra em alguns fóruns mas acho que ela tem alguns problemas…
O Blippy é daqueles sites que surgem e levantam três questões clássicas relacionadas à tecnologia hoje: 1) Pra que serve esse troço? 2) Tá, mas pra que serve MESMO esse troço? 3) Santo cristo, onde é que isso vai parar?
Vamos às respostas.
1) No Blippy, que está em testes ainda, você cadastra seu cartão de crédito e seus perfis na internet e o programa mostra pra todos seus amigos da suas redes sociais seus gastos em detalhes e em tempo real, na hora em que você acabou de passar o cartão na maquininha.
2) Quem é que vai querer ser controlado e comentado pelos outros dessa forma, eu não sei. Mas, vamos combinar que tem um uso excelente pro Blippy: cadastrar todos os cartões de crédito de todos os políticos brasileiros no site e fazer aparecer no Orkutão.
#ficadica.
Ah: a pergunta 3 não é comigo, é no guichê seguinte.
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