8 de março de 2006 às 17h44
Ainda o livro aquele
“É assim que Brook caracterizava a contraposição de burgueses e boêmios: ‘Os burgueses valorizavam o materialismo, a ordem, a tradição, a sensatez, a autodisciplina e a produtividade. Os boêmios buscavam a criatividade, a rebeldia, a novidade, a capacidade de expressão, a generosidade espiritual e a experimentação.’ Cabe perguntar: qual de ambos reflete melhor a mentalidade do capitalismo contemporâneo?
Quem opotou pela primeira corrente pensa que o capitalismo requer conformismo para funcionar adequadamente. Mas não é assim. Na verdade, acontece exatamente o contrário. O capitalismo se nutre do que Joseph Schumpeter chamou de ‘a eterna tempestade de destruição criativa’, ou seja, uma natureza mutante estruturada em ciclos sucessivos de ‘geração e experimentação’.
(…)
O boêmio se considera um radical, um subversivo que se nega a aceitar a maneira habitual de fazer as coisas. E isto é precisamente o que mantém acesa a chama do capitalismo.
(…)
A contracultura, nos diz Thomas Frank, pode explicar-se melhor como mais uma etapa do desenvolvimento da mentalidade burguesa americana, um ato interessante do melodrama do consumismo individual no século XX.”
E por aí vai.
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Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital no programa Minimalismo (em pausa!). Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 



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