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Conector em Gotham – parte 1 de muitas

Pôr do sol na sétima avenida

Onde eu andei todo esse tempo? Eu estava em Nova Iorque. The Big Apple. Gotham. Nova Iorque Contra o Crime. Lar do Demolidor.

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Foram 8 dias da melhor forma possível: com a minha mulher, que além de ser minha amada, já foi meia dúzia de vezes pra cidade. Ou seja, em nenhum momento precisei me preocupar com aquela coisa de mapas ou direções. Tudo que eu precisava fazer era ficar boquiaberto com a quantidade absurda de informação que meu cérebro tentava absorver. O principal efeito de Nova Iorque sobre mim: fazer eu me sentir com oito anos de idade.

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Por muitos motivos me senti dessa forma. Primeiro por isso, por estar sendo levado de um lado para o outro feito sem precisar nem olhar nome de rua. Segundo porque estar na cidade ativou um sem número de lembranças sentimentais ligadas a filmes e quadrinhos que entraram pelos meus olhos e ouvidos especialmente na infância. Terceiro porque tudo na cidade parece ser tão farto e estar tão à mão em uma variedade tão grande que me senti uma criança numa loja de brinquedos.

frio na sétima avenida

Durante os primeiros três dias parecia que eu tinha fumado haxixe. Não consegui entrar na vibe aceleradíssima da cidade, como uma espécie de distanciamento, mas ao mesmo tempo me sentia meio em casa com tantas esquinas e prédios já visitados através das história do Demolidor ou dos filmes do Woody Allen. É uma sensação muito esquisita e várias outras pessoas que já foram pra lá me confirmaram esse efeito.

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Mas isso foi uma espécie de proteção. Porque, na real, a impressão que eu tive é que o ar da cidade cheirou cocaína. Em todo lugar tem gente andando rápido, indo de um lugar para outro. Muita gente. O tempo todo. “The city that never sleeps”, diz um slogan local. Não sei se isso deveria ser motivo de orgulho.

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A grande questão é: pra onde essas pessoas todas estavam indo? Pra outro lugar não é porque, até onde sei, a população da cidade está crescendo e não diminuindo. Então temos mais de oito milhões de pessoas trabalhando duro, trabalhando muito mesmo (parece que mesmo os ricos trabalham bastante lá, vai entender), correndo o tempo todo e não indo a lugar algum. A cidade nunca dorme mas também está sempre lá, parada no mesmo lugar. Não há notícias de que as ilhas que formam Nova Iorque tenham se movido em alguma direção que seja. De alguma forma, não parece fazer sentido toda essa velocidade. É um verdadeiro paradoxo de física moderna.

(continua…)

3 Comentários
por: Gustavo Mini postado em: Uncategorized tags: , ,

3 Comentários

Comentário por Doc Lee
17 de maio de 2008 às 14h57

Pura fantasia vinda de corporação, metade em dinheiro e metade em confusão. Hahah!

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Comentário por Bibiana Bosak, diretamente da estrada
22 de maio de 2008 às 11h34

bah, gostei mesmo desse teu post. Eu tenho algumas reflexões a respeito, comparações de Londres com Nova Yorque. Minha mãe, desde que eu era pequena, me falava que Londres era uma velha sentada e eu queria muito entender isso.

Finalmente cheguei a Londres e, depois de já ter passado por NY, me pus a compará-las. Conclui que ambas são a mesma pessoa em idades diferentes. Cheguei a conclusão que Londres é sim uma velha gorda sentada tomando chá, daquelas velhas descoladas que já viu de tudo e agora fica só rindo da cara de toda essa gente correndo e fazendo carinho no gato.

Já NYC é essa mesma velha, quando era uma jovem insegura, meio Madonna assim, que precisava trabalhar o dia todo, festear a noite inteira e fazer tudo sempre, nunca perder nada nem por um segundo. Engraçado é que, por mais que NY seja a cidade do mundo que mais se movimenta, a impressão que dá é que ela parou no tempo com os Yuppies dos anos 80, que desde então continua todo mundo estriquinado, correndo em círculos em volta da cidade, bem no clima cocaína que tu descreveu tão bem. Concordo contigo, acho mesmo um grande paradoxo. Vai ver é uma cidade nova ainda, recém saída da adolescência…

Valeu pelo espaço, parabéns pelo blog e muito prazer.

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Comentário por Clarissa Corrêa
8 de julho de 2009 às 16h39

Gustavo,

Teu blog é muito bom, conheci através da Magali Moraes.
A tua descrição de NY foi a melhor que já li. Fui pra lá só duas vezes, mas de certa sinto o cheiro da cidade quando fecho os olhos. NY tem um encanto que só entende quem já esteve lá. Mulheres elegantes caminham rapidinho, de tênis, com copo de café e lanchinho nas mãos e scarpin dentro da bolsa. Tudo acontece rápido rápido rápido, mas o mundo para se tu senta no Central Park e fica observando esquilos se escondendo pelos cantos. É uma visão mágica. Sou meio suspeita pra falar, meu sonho é um dia morar lá. Nem que seja só por 3 meses.

Um beijo e parabéns!

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