23 de junho de 2008 às 18h33
publicidade é o preço que as empresas pagam por não serem originais
Um do momentos mais interessantes da palestra foi quando Crump sugeriu que os publicitários deveriam pensar mais como designer de produtos, aquele velho papo de colaborar mais dentro da estrutura das companhias que atendem, citando uma frase maravilhosa: “publicidade é o preço que as empresas pagam por não serem originais”.
Isso me lembrou os comerciais que lançaram o iPhone no ano passado: um produto tão inovador que não precisava nem de um roteiro ou uma produção mirabolante. A big idea era o produto. Ponto.

Na sequência, um fulano da Apple (não anotei o nome e tou com preguiça de ir atrás) fez um dos semináros mais curiosos, porque metade foi usado pra apresentação da visão da marca da maçã a respeito da comunicação na era digital e a outra metade…. o cara passou vendendo o sistema operacional do Mac, bem como os recursos do iLife. Parecia um vendendor de carro. Ele simplesmente abriu um álbum de fotos, começou a explicar as facilidades do iPhoto, do iWeb, do Keynote, do Numbers, iTunes, do iMovie, e ia montando toda uma página de web com os programas da Apple são fáceis e intuitivos (e são mesmo os desgraçados). No início eu achei de uma cara de pau absurda, parecia um vendedor de loja, mas umas seis horas depois me caiu a ficha… pode até não ter sido intencional, mas o que o fulano deixou claro é o seguinte: rapaziada, se segurem nas cadeiras porque com uma maquininha dessas qualquer um é uma usina de comunicação e mesmo que não vá roubar nossas contas, já está roubando a atenção das pessoas que antes estavam exclusivamente assistindo aos nossos comerciais e aos filmes de Hollywood. Sei que isso não é novidade mas eu nunca vi alguém pegar um computador e mostrar na frente de algumas centenas de publicitários de forma tão didática por que a vida de quem trabalha com comunicação ficou mais difícil – ou mais interessante.
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Havia muita coisa boa e inspiradora no shortlist, mas três ressalvas podem ser feitas. Primeiro que depois do The Hire em 2002 e do Nike Plus em 2007, provavelmente vai demorar algum tempo pra aparecer algo tão breakthrough em Cannes de novo. É o ciclo natural das coisas. Então você assistia um case bom atrás do outro, mas também não via nada que revolucionasse tanto o jeito como se comunica marcas da forma como se deu nesses dois exemplos citados.
A segunda ressalva é que havia muitas inscrições em que não se via um porquê de ser Titanium. E a idéia do Titanium é essa: uma ação, uma idéia que revolucione o jeito como a publicidade anda. O que se via muito eram campanhas integradas ou sacadas interessantes, dois aspectos que não são o suficiente pra descrever um The Hire e um Nike Plus.
A terceira ressalva é que, ao menos na minha opinião, os cases que tinham uma causa maior por trás eram os mais interessantes. Não que a idéia de levar um pub da Austrália para a Inglaterra não tenha me surpreendido e divertido. Não que eu seja impermeável à incrível materialização do universo do Halo 3. Mas é que quando você vê cases como esses abaixo, a coisa bate mais fundo. Esses são os meus três vencedores com Titanium esse ano:
Pra fechar a banquinha, o GP de Filme do Ano do júri é o meu também. Esse comercial parece uma bobagem mas ele é muito inteligente. Como diz o livro da Go Viral, nunca se falou tanto em Cadbury nos últimos quinze anos na Inglaterra, e isso porque o comercial oferece vários níveis de absorção: você pode se perguntar se o gorila é de verdade, se o Phil Collins está dentro da fantasia, se isso tem a ver com chocolate, porque essa música, por que um gorila, e enquanto isso seu cérebro absorve uma imagem primal de prazer. Fora isso, os caras ainda tiveram a manha de usar uma música brega equilibrando ela em cima do muro, entre o sarcasmo e a confissão. Incrível.
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Bom, estou chegando em Londres, de onde devo mandar mais algumas novidades e talvez um últimpo post com um rescaldo de pequenas anotações que ficaram pra trás ao longo da semana.





Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

24 de junho de 2008 às 9h45
Seu blog é muito bom. Por favor, continue escrevendo sobre o que viu em cannes. Obrigado, Guilherme
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25 de junho de 2008 às 7h08
Sugestão: The Borderline, um bar num porão do Soho onde tem shows legais. Anos atrás vi El Vez e, acredite, Spinal Tap lá. Fica num bequinho da Manette Street.
Quando eu fui, não tinha google ainda. Procura pra ver se existe o lugar ainda, veinho!
Também no soho tem o Wagamama, restaurante de massinhas japonesas não muito caro e em estilo refeitorio de cadeião hi-tech.
Tao dadas as dicas…
Abs!
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