OEsquema

Adorável Bagunça: rescaldo de Cannes

Picasso: bagunça na percepção

Todo mundo tentou. Trazendo cases. Teorias. Explicações. Esquemas. Rótulos. Processos. Exemplos. Caixinhas. Modelos. Promessas. Idéias. Rascunhos. Teses. Etceteras. Mas a real é que o Festival de Cannes este ano terminou e mais uma vez ninguém conseguiu explicar direito o que está acontecendo: empresas de marketing direto se tornando agências digitais. Agências digitais ocupando o espaço de agências “tradicionais”. Bureaus de mídia montando estruturas para a criação de branded content. Agências “tradicionais” desenvolvendo incríveis projetos online. Agências de digitais fazendo ativação no mundo offline. Adorável bagunça!

Bagunça é uma palavra feia no mundo dos negócios porque indica falta de controle. Falta de controle significa perda de dinheiro e perda de dinheiro é uma coisa bem complicada. No entanto, todo salto evolutivo implica em perdas e a primeira delas é a perda do controle.

Na tentativa de controlar o incontrolável, criam-se modelos. Os bons modelos vingam e são implementados com sucesso. Os ótimos não duram. Mas dão espaço para formas orgâncias de ação que vão se transformando ao longo do tempo.

Girl Talk: bagunça no som

Com as pessoas, é a mesma coisa. O processo evolutivo do profissional de marketing e publicidade hoje passa obrigatoriamente pelo desenvolvimento de uma qualidade muito difícil de se cultivar nessa área: tolerância ao caos.

Por uma questão de sobrevivência física e emocional, o sistema nervoso humano se estrutura de forma a estabelecer padrões e tentar, ao máximo, mantê-los. Ao processo de quebrar esses padrões dá-se o nome de “crescimento” e isso nunca ocorre sem uma boa dose de angústia por ir contra nossa tendência natural de buscar o que é confortável e previsível.

Mashup Face Generator: bagunça na cara

Crescem mais psicologicamente não as pessoas ou empresas mais “bem estruturadas”, que conseguem fortalecer seus padrões, mas sim as de melhor nível de tolerância à constante desestruturação que a realidade nos impõe. E esse é o desafio que enfrentamos no marketing e na publicidade: aumentar o grau de tolerância à incerteza evitando construir estruturas e processos fixos demais ou nos fecharmos na busca de respostas apressadas que vão oferecer alívio meramente temporário.

O caminho daqui pra frente não parece passar por encontrar respostas e sim por conviver numa boa com intermináveis perguntas. Eu sei que é muito mais fácil e romântico falar do que fazer, mas justamente por isso talvez toda a energia investida na busca pela milagrosa solução definitiva deva ser realocada para a busca da receita de como ampliar nossos limites de paciência, tantos pessoais como organizacionais.

Duchamp: bagunça na bicicleta e no banquinho

Paciência não é uma qualidade muito bem vista porque freqüentemente é confundida com passividade. No entanto, quando a ansiedade se torna o status quo, alimentar a ansiedade é que pode ser considerado uma atitude passiva. E ser paciente, a grande revolução.

Sejamos pacientes com a bagunça. Ela é adorável. A bagunça está no âmago de manifestações culturais importantes como o dadaísmo, o cubismo, a filosofia open source e toda a incrível cultura dos mashups. Se tivermos paciência ao lidar com o caos, por si só ele nos apontará o caminho natural nessa nova realidade. Que eu não sei qualé. Mas que também não quero ter pressa para descobrir.

***

(valeu o papo, Will)

4 Comentários
por: Gustavo Mini postado em: Publicidade tags: , , , ,

4 Comentários

Comentário por Cris
18 de julho de 2008 às 9h10

legal essa idéia da paciência. em geral o pessola tende a ver paciência como acomodação… mas já vi mta m…. sendo feita por precipitação.

Responder

Comentário por Bruno Ramos
23 de julho de 2008 às 11h00

Gostei do texto. Estou estudando um pouco sobre como se organiza o mercado de advogados (escritórios e advogados individualmente). Lógico, é um lance mais tradicional, mas tem sua bagunça também. A questão da paciência é algo a ser cultivado e necessário em qualquer ambiente empresarial. Abraço.

Responder

Comentário por thaís vasselai
13 de agosto de 2008 às 20h23

Mini, só pra dizer que adorei a história da bagunça no evento de ontem…

e paciência é tudo nesta vida mesmo.

Responder

Comentário por Gustavo Mini
14 de agosto de 2008 às 11h06

Legal, Thaís.. te vi lá de cima!

Responder

Deixe um comentário