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Hives em POA – 8.09.08

O Hives é aquela coisa: uma verdadeira obra de engenharia sueca que não soa como uma. Vindos do país que inventou o relógio (ou ao menos o elevou ao estado de arte), os caras martelam riffs de forma exata, tudo dentro do tempo como se um metrônomo fosse o sexto membro da banda (um amigo meu me assoprou que o batera, sim, toca com um ponto e um metrônomo, bem como existem uns amps extra atrás dos “oficiais”). Fora a amizade com o andamento, as roupas alinhadas e a noção de espetáculo expõem ao olhar mais atento um outro significado para a palavra “engrenagem”. Tudo funciona bem no Hives. É incrível.

Apesar disso, três coisas impedem a banda de soar como ciência exata: a excelente fonte de referências (quem conseguiria misturar tão bem a sujeirada e a velocidade do Sonics e com a batida reta do Devo?), a aparente paixão e a atitude entertainer. É esse terceiro elemento, contudo, que mantém a banda longe da vala comum da mera regurgitagem do rock – afinal referências e paixão dão origem a muita porcaria.

No palco do Hives, não apenas o vocalista Howlin’ Pelle Almvquist comanda o espetáculo com carisma e habilidade como os outros integrantes da banda compõem um retrato equilibrado deixando espaço adequado para todos: o jeitão psicopata de Mr. Nicholar Arson, o “tô na minha tocando intenso” do Vigilante Halmstrom, o desdém meio “Blues Brothers” de Dr. Matt Destruction e o olhar assassino do baterista Chris Dangerous. Tudo isso poderia dar em um show estilo “malvadão do rock”, mas uma generosa camada de sarcasmo capitaneada pela interação do vocalista com a platéia distensiona tudo, oferecendo a um público cri-cri pra cacete a oportunidade de sorrir um pouco e de:

- Bater palmas quando o vocalista manda

- Responder ativamente ao chamado “Te amo Porto Alegre”

- E participar de coros desavergonhosamente…

… sem o perigo de destoar do ambiente que o som venenoso da banda poderia criar.

Coisa de engenheiro do bem.

Os caras são bons. Não vão mudar o mundo, mas espalham um pouco mais de bom humor sobre uma base musical consistente. Perto do que vemos muitas vezes, já tá de bom tamanho.

***

Foto: daqui.

4 Comentários
por: Gustavo Mini postado em: Música tags: , ,

4 Comentários

Comentário por Eduardo
11 de setembro de 2008 às 12h57

Os relógios são suiços não suecos.

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Comentário por Gustavo Mini
11 de setembro de 2008 às 15h00

Opa.. muito bem lembrado… q gafe…

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Pingback por Mau Humor » Arquivo » Indignação seletiva - OESQUEMA
15 de setembro de 2008 às 17h05

[...] Mini fala do show do Hives, que curtiu bastante. Engraçado como é muito fácil achar defensores do cinema como puro entretenimento – e, ao mesmo tempo, não pode aparecer uma banda que não fale de problemas existenciais (levando em conta que, pra essa geração, namorada que não liga se encaixa na categoria) sem ser tirada de SubMamonas. Engraçado que Hives veio naquele espasmo de início do século que revelou Strokes, Vines etc, mas era bem mais ligada em bandas de garagem sessentista tipo Sonics do que na cena artsy novaiorquina/matemeporfavor dos anos 70 como as demais. É mais do mesmo, mas com ênfase no mais, gosto com a moderação de quem prefere os originais. E é apenas rock’n’roll, mas eu… acho essa citação deprimente. [...]

Comentário por Pedro
3 de novembro de 2008 às 7h11

Hives é foda. Os caras tao na ativa faz muito tempo, mas apareceram mesmo na ondinha strokes. Eu vi essa porra ao vivo em 97 na zoropa. To velho…

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