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Pensando ConCulture#2

Um dos paralelos que estou fazendo automaticamente a cada parágrafo de Convergence Culture é com a forma de funcionamento das agências de publicidade. Nos últimos seis meses, tenho feito parte de um grupo ligado ao planejamento estratégico da Escala que está definindo os rumos da agência em termos de escopo. Aquela coisa: quais disciplinas serão incorporadas ao pensamento estratégico ou operação? Que tipos de serviços vamos entregar e que tipo vamos terceirizar, gerenciando o conteúdo de marca?

Em meio a essas discussões, obviamente surgiram muitas questões a respeito do perfil dos profissionais e da forma de trabalho dentro da agência quando as disciplinas atendidas vão além da tradicional campanha de TV/Jornal/Rádio/Outdoor. Enquanto os veículos que cobrem o setor se debruçam sobre a necessidade de se compreender as tecnologias, remuneração e linguagem de disciplinas correlatas à publicidade “convencional” (mobile marketing, guerrilha, ativação etc), eu não paro de pensar que esse é o menor dos problemas.

Venho insistindo que existem certas habilidades interpessoais tão importantes quanto conhecimento técnico ou habilidade criativa. Pessoas chave, detentoras de conhecimentos específicos que precisam ser espalhados por toda a agência, por exemplo, não podem fazer o gênero “gênio isolado”. Porque grande parte do trabalho delas é justamente espalhar conhecimento. Portanto elas precisam fazer mais o tipo “gênio pimpão”.

Mas antes de tudo, em geral os profissionais de agência hoje precisam de paciência. Paciência para suportar a ambiguidade dos papéis de empresas e pessoas ao seu redor; paciência de precisar desmontar e remontar briefings de acordo com o surgimento de novos pontos de contato periodicamente; paciência em trabalhar com um número maior de pessoas do que antes era possível para criar uma campanha; paciência em buscar consenso entre esse número maior de pessoas; paciência de ver pessoas que não entendem nada do seu campinho tendo idéias melhores que a sua; enfim, paciência.

A segunda habilidade é a capacidade de misturar mentalidade de criador e estrategista com mentalidade de produtor. Hoje, saber o “como” se faz qualquer coisa é parte fundamental do processo criativo. Não é mais possível montar um projeto complexo, que envolve novas tecnologias ou pontos de contato sem saber como essas tecnologias ou pontos de contato funcionam. Isso é uma mudança brutal de paradigma especialmente para a área de criação, que durante décadas não precisou se preocupar demais com o COMO, mas mais com O QUÊ. Hoje, se o criativo (e os planners, diga-se de passagem) não sabe o COMO, não tem muito como fazer um novo O QUÊ. Além disso, existem muitos novos COMO para serem explorados e descobertos. O que exige uma nova capacidade generalista, que inclui a habilidade de flutuar sobre áreas ainda mais vastas do que o costume e captar a essência do COMO de cada uma, bem como saber trabalhar em total parceria com quem sabe mais COMO de ALGUMA COISA do que você.

Não entendeu nada? Paciência…

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Imagens: esculturas do Antony Gormley

7 Comentários
por: Gustavo Mini postado em: Publicidade, Uncategorized tags: , , , , , , , , , ,

7 Comentários

Comentário por tatu
18 de setembro de 2008 às 18h15

hahah to contigo.

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Comentário por Thiago Marinho
19 de setembro de 2008 às 9h11

Me formei P&M em 2002, nunca trabalhei na área, muito menos estágio, hojke trabalho em uma empresa de logística aduaneira.
Mas como gosto muito da área, as dificuldades antes, hoje e sempre, como você escreveu e concordo plenamente é que muitas vezes um cara que se “acha” o cara, ou realmente tem idéias e mais idéias, JAMAIS aceitará que outra pessoa que não viva naquele mundo ou especificamente naquele espaço dê o pulo do gato, pq o egocentrismo é tão dilacerado que aquilo já faz parte do caráter do cidadão.
Então a paciência que você cita vai para o beleléu.
Em contrapartida, a habilidade interpessoal que você também cita, para mim é fundamental em qualquer setor da publicidade, o feeling e a humanização de pensamentos simples mas que acertem na mosca aquilo que o cliente querm, isso eu acho o mais importante na criação.
Sds!

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Comentário por Cris
19 de setembro de 2008 às 9h35

extamente ao ponto.

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Comentário por Paula Martini
19 de setembro de 2008 às 18h13

Oi Gustavo, bacanas seus olhares em cima das idéias do Henry Jenkins. Aliás, bacanas seus olhares. Já tinha o conector num bookmark antigo mas agora passei a ler mais assiduamente e tenho gostado muito. Parabéns. Cheguei aqui através do Matias e do Bruno e do Arnaldo, que acompanho desde sempre — vida longa a’OEsquema.

Abraços,
Paula.

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Pingback por Trabalho Sujo » Arquivo » NOEsquema - OESQUEMA
20 de setembro de 2008 às 12h17

[...] Arnaldo comenta o surgimento de uma nova minoria: o pobre; – Mini resenha (enquanto lê) Cultura da Convergência, de Henry Jenkins; – E o Bruno fala tanto do chilique que Kanye West teve com um fotógrafo quanto da reação [...]

Pingback por Mau Humor » Arquivo » Think different - OESQUEMA
23 de setembro de 2008 às 13h21

[...] Mini faz a resenha em tempo real de um livro do Henry Jenkins sobre convergência. Vale uma lida, até porque sou muito binário para entender ou explicar. ;) [...]

Comentário por Illan Starks
29 de setembro de 2008 às 14h28

Fantástico este post, é exatamente o tipo de coisa que deveria ser mais amplamente discutida, pois na verdade visa a real problemática na Comunicação Atual. Gostei especialmente da parte que aborda sobre o conhecimento das “ferramentas” serem pre-requisito hoje para um criador, onde antes valia acima de tudo a idéia.

I.

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