30 de setembro de 2008 às 9h58
Interdependência Indie
As violentas turbulências do mercado de capitais são surpresas pra nós, incautos, que não acompanhamos essa história de longe. Bem, não exatamente nós, porque faz já algum tempo que eu venho recebendo avisos de que algo desse tipo iria acontecer. Primeiro porque eu tenho um amigo que todos os dias me manda notícias de economia. Antes eu achava meio chato, mas com o tempo comecei a perceber que ler sobre economia é muito parecido com ler sobre música. E como ler sobre música anda me entediando, descobri um novo filão de distração em acompanhar o mundo dos negócios. A revista Época Negócios, por exemplo, oferece uma abordagem mais contemporânea do que a Exame (dá pra fazer a regra de três com a Veja).
Além disso, há alguns meses minha mulher chegou de uma apresentação de uma pesquisa pra um cliente nosso contando sobre como 2009 vai ser um ano de “soluço” no crescimento mundial. Ao que parece, todo ciclo de crescimento inclui um momento de retração e de crise, como que uma retomada de fôlego para a sua continuidade. Depois, eu mesmo assisti a uma apresentação de um economista e comecei a ver diversas matérias falando a respeito da cautela em 2009.
Aí, o Bruno Ramos, do Música e Mercado, me mandou um trabalho que ele está fazendo a respeito do crescimento do número de artistas estrangeiros se apresentando em SP (logo, em outras cidades do Brasil). Me pediu comentários e críticas e aí me veio todo esse papo de soluço do crescimento.
Quem curte música viu nos últimos anos um desfile de gringos aportando aqui de forma como nunca se viu antes na história da música brasileira. Pequenos artistas obscuros que fazem a felicidade de nichos começaram a dar as caras e fazer shows com uma frequência assustadora. Obviamente ainda tem muita gente reclamando que o Brasil não é a Inglaterra, mas só mesmo uma mente muito reclamona pode tentar fazer essa comparação.
O fato é que essa invasão gringa tem muitas causas, mas uma boa parte delas está diretamente ligada à estabilização econômica e à forte entrada de capital estrangeiro no País. A pulsação cultural de São Paulo, que vem se refletindo em outras capitais e até no interior, não está desconectada dos anabolizantes financeiros que a cidade vem tomando nos últimos anos. Me parece que poucos produtores culturais (e muito menos fãs) fazem essa conexão.
Mas, o ano que vem, com a economia soluçando, vai ser um pouco mais difícil pra quem trabalha com cultura. Embora a tendência não seja retornar aos patamares de dez anos atrás, em 2009 os bolsos serão revirados atrás de moedas pra investimentos maiores. E, nesses períodos, a cultura é sempre a primeira a ser penalizada nos orçamentos.
Eu não sou lá grande autoridade ou um bom oráculo em economia. Também não quero fazer auê. Mas se você tem banda, casa de show, selo ou festival e lê esse blog, é bom ficar ligado.
5 Comentários





Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital no programa Minimalismo (em pausa!). Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 



30 de setembro de 2008 às 13h05
A economia é um bom catalisador de cultura. Lembro quando investi uma graninha em 1997, eu comecei a me antenar mais no que acontecia no mundo, dai veio a crise asiática, perdi a metade do investimento, mesmo esperando quase um ano.
Depois larguei os investimentos de risco, mas fiquei bem mais antenado na economia, todos os assuntos que vejo hoje, olho um pouco também sobre o ponto de vista econômico.
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1 de outubro de 2008 às 8h57
então gustavo, não tem uma parada q diz q o ideograma chinês para crise é formado por dois outros q querem dizer risco e oportunidade? então 2009 é o ano pra se arriscar!
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1 de outubro de 2008 às 9h35
Com certeza! É ano para arriscar, mas especialmente, se você não é muito dependente de dinheiro para isso.
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1 de outubro de 2008 às 18h17
Pois é, Gustavo.
Eu sou economista e jornalista, mas já escrevi por aí sobre música (alguma coisa pra Bizz).
Você tem toda razão no que está dizendo. Mas, sempre que esse papo aparece, lembro de um amigo que fez uma relação entre a história econômica brasileira e os megashows de rock que a gente recebeu por aqui, de 1980 a 2000. Chegou a conclusão de que não tinha relação muito forte entre as duas variáveis, não. Por exemplo, o Van Halen (argh!), veio no meio de uma baita tempestade econômica.
Mas não sei quanto a número de shows. Aí talvez tenha uma correlação mais forte, mesmo.
Abs
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13 de outubro de 2008 às 15h50
[...] Olhaí, matéria na Folha daquele lance que eu falei na semana restrasada. [...]