27 de outubro de 2008 às 16h35
O melhor do Tim (não o Maia, o Festival)
De todos que já frequentei (Tim ou não) esse foi o festival que mais me pegou de sangue doce. Primeiro porque acabei lá por conta de um fim de semana romântico no Rio, não tinha como objetivo principal ver as bandas. Segundo porque nenhuma das atrações (fora o DJ Yoda) me falava muito ao coração. Terceiro porque o zunzunzun sobre a baixa venda dos ingressos, o preço absurdo e a prévia gongação generalizada do line up já projetavam um clima meio empastelado na história toda, então era melhor nem se entusiasmar demais.
De fato, minha experiência foi a de confirmar o ar esquizo que se profetizou aos quatro ventos para o Tim 2008. Ao menos no sábado, dia que compareci, a impressão geral era a de faltar uma pitada ou duas de tempero. Ou, quem sabe, um bom prato principal, já que dá pra dizer que os palcos tavam bem temperados com eletrônica contemporanea, punk cigano, a tal da new rave, a “nova mpb” e por aí vai. Ainda assim, tendo vivido boa parte da adolescência vendo show ao vivo pelas resenhas da Bizz, não me sinto bem em assinar embaixo de vibe reclamona. Sim, a curadoria podia ter se ligado mais (o Hermano Vianna foi confrontado pela reportagem do JB na Revista de Domingo), mas o ingresso 40% mais barato que pegamos com o cambista e as seguintes figuras fizeram valer a noite:
1) DJ Yoda
(vídeo roubado do Matias)
Em 2005, soterrado de atrações interessantes por tudo quanto é lado no Sonar em Barcelona, ainda tive ânimo e disposição de me surpreender com um DJ inglês que literalmente saltava aos olhos. Sábado passado, a sensação de assistir Yoda foi exatamente a mesma, sem tirar nem pôr: um resgate do entusiasmo de ter oito anos de idade ao ver o cara manipular não só beats e acapellas mas também imagens, sobrepondo e misturando cenas do imaginário pop dos últimos 40 anos numa demonstração incrível de técnica e bom humor. O Brasil quase perdeu o chamado Magic Cinema Show (um nome despretensioso e exato), já que até poucos dias atrás Duncan Beyni viria apenas como DJ, deixando de lado sua incrível faceta de VJ. Sorte que, por algum motivo, o jogo virou pro nosso lado. Num momento em que o rap e a “música eletrônica” pagam o preço de ter se afundado em pretensão, nada como um cara com cenas de Vila Sésmo e O Grande Lebowski na manga pra lembrar qualé.
2) Har Mar Superstar
Ele veio como convidado especial do chato Neon Neon e acabou roubando a cena com seu freestyle afiado e sua barriga quase sexual. Infelizmente, nunca tinha ouvido falar do Har Mar, mas googleando aqui e ali descobri que o cara já escreveu música pra Jennifer Lopez e Kelly Osbourne e abriu show pros Strokes. Tudo que faltava de groove e intensidade (e faltava bastante) pro Neon Neon tinha de sobra no Har Mar, que ainda apareceu pra dar o ar da graça no show dos Klaxons com seus falsetes altamente inspiradores que iam além da piada.
3) Gogol Bordello
Música cigana da europa oriental tocada na porrada. Como bem diz o Matias, pode soar um tanto quanto micareta e inspirar olhares cínicos. Mas a batida tum-tá-tum acompanhada por gaita, violino e guitarra pesada, por mais que soe fácil e clichê, é contagiante. Até uns passos eu ensaiei, totalmente contaminado. Se o Wander Wildner se juntasse com Kraunus e Plestkaya, o efeito seria parecido.
4) Klaxons
Banda boa e representativa da sua geração é aquela que parece um monte de coisa e não parece coisa alguma. Assim é o Klaxons: puro Pixies, mas também total Altern 8. É pós-punk, mas também é grunge. É reto e cru, mas também é pop. Porque, no fim das contas, desde os anos 60 é tudo a mesma coisa, reembalada de acordo com o espírito de cada tempo. Essa é a graça da história, não?
Durante o ótimo show do Klaxons, me lembrei do DJ Erol Alkan, que no início dos anos 00 resgatou o rock pras pistas na noite londrina Trash. Em cima do palco, os Klaxons estavam fazendo o que Alkan fazia com os CDJs ao abrir o conceito de “batida dançante” para toda uma leva de estilos que há algum tempo não encontrava espaço na pista se não fosse sob a forma de remix. Os Klaxons deixaram bem claro: colidir rock com eletrônica não precisa necessariamente de samplers ou bateria eletrônica, bastam uns falsetes e uns baixos poderosos que tá feito o trabalho. Embora eu não seja um fã ardoroso da banda, fiquei feliz de ver que it’s not over yet…
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Cobertura OESQUEMA:
- Bruno entrevistou o MGMT e deu uma opinião geral com um olhar carioca.
- O Matias fez um enorme post sobre a versão paulista do festival, linkou um monte de outras matérias e ainda descolou o Fabric Live do DJ Yoda.
- O Arnaldo ainda não publicou nada porque também não tem que ficar dando mole pra vagabundo.
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Anotações soltas:
- Eu estava muito animado pra ver o show do Marcelo Camelo (estréia no RJ, não sabia). Ainda mais que abriram a tenda mesmo pra quem não tava de pulseirinha azul (o ingresso daquele palco). Mas três músicas no ambiente dispersivo e com um som meio embolado me fizeram cair fora e, ainda bem, ir ver o Gogol Bordello. Acho que se fosse sentadinho e comportado no teatro aqui em Porto Alegre, era capaz de eu ter curtido mais.
- Essa história de cobrar trocentos mil reais por cada tenda precisa acabar… quem não tem a fortuna pra cobrir todos os shows precisa fazer escolhas bizarras, como se quem gostasse de Paul Weller não fosse curtir os Klaxons. E mais: uma coisa é você ter que escolher entre cinco bandas ótimas em festival da Inglaterra, onde essas bandas vivem circulando. Outra é no Brasil, onde não é todo dia que aparece um Har Mar Superstar na sua frente.
- Tocando com os Walverdes, eu não tenho moral pra reclamar de som alto… mas em alguns shows parte do embolamento vinha do volume excessivo. Vai ver que os caras caíram no conto do “quando lotar abafa o som”. Não lotou, então…
- Mas fora isso… tudo bem! E com você?




Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

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29 de outubro de 2008 às 0h17
[...] da Tim podem fazer com uma cidade com o Rio. Ele também fez uns videozinhos; – Também no Rio, o Mini assistiu ao Yoda, Gogol Bordello, Klaxons e Neon Neon e fez algumas considerações sobre sua…; – Arnaldo não foi a show nenhum e também não perdeu grande coisa, mas faz uma pergunta [...]