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Retomando o leme

Foto daqui

Voltei. E voltei inspirado. Não sei exatamente inspirado pra quê. Quer dizer, até meio que sei, mas não vou contar. Você vai descobrindo ao longo dos próximos meses. Ou anos. Junto comigo.

Como disse no post de despedida, estive participando da Consagração da Terra Pura de Padmasambava, um templo tradicional do budismo tibetano construído aqui perto de Porto Alegre. O evento reuniu cerca de 600 pessoas do mundo todo. Do mundo todo MESMO: Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela, Alemanha, Austrália, Inglaterra, Nepal, Tibet, Butão, Estados Unidos e por aí vai. Foram dias históricos para os praticantes do budismo tibetano no Ocidente, não apenas pela inauguração do templo (idênticos a esse só existem mais dois no oriente) mas pela reunião de professores incríveis que raramente são vistos juntos devido a compromissos com suas próprias comunidades.

***

Para alguns amigos, eu expliquei assim: é uma espécie de Tim Festival (dos bons) do budismo tibetano. Uma oportunidade única de ver e receber ensinamentos de professores que nem sempre aparecem por aqui. Melhor: é como se o Tim Festival de 2005 acontecesse em 1992, época rarefeita em termos de shows internacionais.

Tive a incrível oportunidade de voluntariar na produção do evento, ajudando nas mais diversas frentes, o que me permitiu viver uma experiência única em termos de organização de trabalho (como o Eduf vem frisando no Magaiver). Nos últimos dois anos, eu venho participando de grupos de discussões na agência a respeito de processos, produtividade, essas coisas. Por isso, me chamou a atenção a forma como a comunidade de voluntários se organizou para fazer acontecer a Consagração. Foi um exemplo de… fazer acontecer.

Não existe um grande segredo místico por trás, apenas centenas de pessoas trabalhando com um objetivo comum e, mais do que isso, acreditando profundamente nesse objetivo comum, corporificado por exemplos vivos, pessoas de carne e osso que servem como referência. Falando assim parece o mais baixo dos textos de auto-ajuda corporativa. Mas é isso mesmo. O discurso das brochuras de cursos de gestão e liderança não estão errados. A prática é que é muito difícil de ser implementada. Sobretudo pela falta de dois aspectos: uma filosofia genuína a ser compartilhada (e não imposta ou comprada) e exemplos genuínos que sirvam de real referência humana.

Todos os professores enfatizaram o aspecto inspirador e simbólico da construção da Terra Pura. Não é apenas um lugar para budistas levarem adiante suas práticas, mas uma expressão direta da pureza da mente de cada um de nós, independente da sua crença ou ausência dela. No budismo, se acredita que obstáculos como raiva, orgulho, apego, desejo, inveja e ignorância não são aspectos que fazem parte da natureza da mente, mas são obscurecimentos. A metáfora do sol é muito utilizada pra explicar isso. Vamos lá.

A natureza da mente (de todos, não apenas de budistas) é como o sol, brilhante, pervasivo, e as chamadas “emoções perturbadoras” são como as nuvens: o sol não pára de brilhar quando está nublado, nós só não o enxergamos por conta das nuvens. A intenção de construir um lugar como a Terra Pura é expressar diretamente os aspectos mais puros da mente e inspirar em cada um a busca de um caminho pra remover os obscurecimentos.

Não que seja fácil, mas taí uma bela placa de orientação na autopista.

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De volta ao Conector.

Fiquei maravilhado de ver as contribuições dos amigos que convidei pra postar enquanto estava fora. Trouxe um outro colorido pro Conector e expandiu a minha intenção no dia que criei o blog: conectar diferentes assuntos. Gostei tanto que estou pensando numa forma de regularizar as contribuições. Especialmente no departamento da Autopista. Estou pensando em colocar mais vezes por semana. Ou dar um blog só pra ela. Se você tiver uma opinião a respeito, expresse-a nos comentários.

Amanhã eu expando um pouco o assunto dos meus colaboradores.

4 Comentários
por: Gustavo Mini postado em: Design, Mente tags: , , , , , , , ,

4 Comentários

Pingback por Trabalho Sujo » Arquivo » Reconectando-se - OESQUEMA
16 de dezembro de 2008 às 11h05

[...] Mini voltou hoje das férias e eu esqueci de postar o Autopista de ontem – na base do ctrl+c ctrl+v de tudo. O pequeno buda do grunge gaúcho aproveitou seu descanso para criar seu próprio Autoesquema e chamou uns bambas para ajudá-lo na inglória tarefa de dar vida diária a um espaço virtual. Além da minha “ilustre” presença postada também aí em cima, o Conector contou com as seguintes participações, nestes dias de retiro do Mini: [...]

Comentário por adriana
17 de dezembro de 2008 às 1h02

obrigada por compartilhar estes vídoeos conosco. namaste!

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Comentário por João
17 de dezembro de 2008 às 7h29

Gosto muito da linguagem dos quadrinhos, seria muito bom ter diversos autores no mesmo tema, ou ambiente, é bom ver pontos de vista diferentes.
Autopista leva a uma obsessão minha, que é o tempo, ou melhor, a dinâmica do tempo, além da minha fissura em perspectivas visuais que também estão na estrada.
Afinal, na autopista não interessa a chegada e sim o caminho.

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Comentário por chico
30 de dezembro de 2008 às 16h12

“O discurso das brochuras de cursos de gestão e liderança não estão errados. A prática é que é muito difícil de ser implementada. Sobretudo pela falta de dois aspectos: uma filosofia genuína a ser compartilhada (e não imposta ou comprada) e exemplos genuínos que sirvam de real referência humana.”

é bem isso mesmo.
ô mini, já viu apocalypto, do mel gibson? essa parte aqui é extremamente budista:
http://fubap.org/borae/?p=136

é a parte do começo, em que as pessoas da tribo se sentam ao redor da fogueira e o ancião fala.

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