17 de dezembro de 2008 às 14h14
Expandindo algumas colaborações
Adorei o conceito de brand hijacking que o Will trouxe pra cá. Ele já havia me falado em conversar informais, mas nada como ter as coisas mais esquematizadas. Eu lembrei alguns outros exemplos, derivados do Video Show, como a Dança dos Famosos, mas daria pra fazer uma lista na Globo, que tem uma série de atrações autofágicas – ou melhor dizendo, autoreferenciais. É o padrão Globo sendo reafirmado em uma espécie de vórtice sem fim na esperança de evitar o inevitável (s aber: impermanência).
No fundo no fundo, estamos falando de um comportamento contemporâneo totalmente generalizado: o já tão comentado fato de que as pessoas vão poder (estão podendo) consumir conteúdo da forma como quiserem e quando quiserem. O brand hijacking emula esse comportamento ao promover a salada antes que o consumidor o faça (nem todo mundo faz por si). Quem fizer salada e distribuir, vencerá. Tem um post do Tiago Dória que resvala nesse assunto – o NYT está linkando conteúdos da concorrência.
O post do Guilherme Dable (cujos desenhos eu tentei comprar) me lembra o título de um curso promovido pela galeria dele (e de uns sócios): Desenhar é Traçar o Pensamento. Algo assim. Depois de muitos muitos anos, esse ano eu voltei a desenhar. Não estou falando do Autopista, mais observações domésticas mesmo. Que é onde essas questões que o Guilherme colocou mais aparecem.
Quando faço desenho de observação, se eu me descuido, caio brutalmente em um estado de ansiedade por não estar conseguindo ver no papel o que estou vendo à minha frente. O que é, sob um certo ponto de vista, risível: como se houvesse à minha frente algo objetivo que possa ser transferido intacto de forma fidedigna ao papel. Rarará. É muito difícil pra mim desistir da idéia de como as coisas se parecem visualmente, como diz o incrível Antony Gormley (cujos desenhos ilustram esse post aqui) citado pelo meu interino. Fazer o quê. Vamos em frente.
Isso, de certa forma, está relacionado com o tocante post do Ronaldo Evangelista. Ele cita o poder de coisas (pequenas, grandes, óbvias ou escondidas) que nos inspiram. E o consequente impulso que brota em nós para tentar reproduzir essa inspiração sob a forma novas coisas (pequenas, grandes, óbvias ou escondidas).
Não há o que discordar do post dele, eu só acrescento um detalhe: essa quebra de percepção promovida por certos produtos culturais depende não apenas de um autor brilhante, mas de observadores com o coração aberto e sintonizados em uma frequência similar (ainda que não aparente). Vou mais longe: corações realmente abertos são extremamente habilidosos em enxergar inspiração nas situações/objetos menos desenhadas para tanto, inclusive as que prescindem de um autor e de uma intenção.
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Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

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