20 de janeiro de 2009 às 8h00
2008 para 2009: Susana Vieira
Uma das atividades a que mais me dediquei de forma regular no ano passado foi acompanhar a novela que teve Suzana Vieira como atriz principal, Marcelo Silva como ator coadjuvante (ou seria o contrário) e um verdadeiro aparato de transmedia a partir do qual os espectadores podiam construir uma história utilizando fatias narrativas geradas pelo casal e editadas por jornalistas e fotógrafos de dezenas de veículos de comunicação em várias plataformas.
(Se você não sabe nada, aqui vai um resumo: a atriz conheceu o PM quando ele fazia bico de segurança no Carnaval de 2006; engataram um namoro, casaram, foram de lua de mel pra República Dominicana, onde Marcelo teve um apendicite em plena Caras; 3 meses depois, o figura foi preso por quebra quebra em um motel com uma prostituta e expulso da PM; Susana passou por cima do incidente com a ajuda da Glória Maria em uma entrevista no Fantástico e a relação seguiu sem maiores percalços até outubro de 2008 quando veio à tona a relação extra-susanavieral que Marcelo mantinha com uma nutricionista; semanas de barraco seguiram-se, atingindo o ápice com a morte do cara por overdose de cocaína, seguido de xingamentos da Ana Maria Braga em cadeia nacional, a revolta da família do falecido e um silêncio de Susana. Fecha parênteses…)
A novela particular de Suzana Vieira veiculou em noticiários “sérios” como o Jornal Nacional, brotou com naturalidade em programas de fofoca na televisão, se expandiu de forma dramática em revistas de celebridade e tem pedaços espalhados pelo YouTube, sites de fofoca, blogs e comunidades do Orkut (poucas se comparado a outros hits midiáticos do ano, mas tem). Como grande parte dos atuais produtos de transmedia storytelling, a trama ainda pôde ser acompanhada por um único meio, mas ganhou em exuberância ao ser montada peça a peça nas diferentes mídias. Por exemplo, as fotografias silenciosas de Susana em revistas como a Contigo! após a separação eram complementadas por confissões do casal formado pelo ex-PM e a nutricionista na Sonia Abraão e, posteriormente, coloridas com declarações raivosas de Ana Maria Braga em seu programa na Globo. Para não nos deixar esquecer, o YouTube fornece cenas do passado de namoricos e beijocas entre Susana e Marcelo na praia. O quebra-cabeça não é profundo, mas as peças são numerosas. Manoel Carlos perde de longe.
Após a morte do ex-PM, Susana Vieira voltou a público tentando mostrar-se otimista e positiva, mas o que verteu de páginas de revistas como Caras, Istoé Gente e Contigo! foi a alma da celebridade brasileira atual – alto astral de fachada. Mágoas (compreensivelmente) profundas, palavras pesadas e a mais pura acidez foram mal disfarçadas com o bom e velho “bola pra frente” brazuca, que dessa vez não pôde esconder a verdade: Susana Vieira, apesar das inúmeras tentativas de posar de super mulher (com a anuência de grande parte dos veículos, inclusive os programas “sérios” da Globo) é um ser humano com todos os itens de série lodosos que costumam vir no pacote.
E, se para o leitor do Conector isso parece dizer o óbvio, lembro que é importante escarafunchar esses ícones pois eles habitam o imaginário do país e nós, os “esclarecidos” aceitamos esses rótulos da forma como nos são empurrados, mesmo que seja simplesmente para desprezar. Isso também é uma forma de compactuar com esse sistema bisonho.
Como Susana diz que desprezou intensamente Marcelo dando uma forma burlesca ao seu luto, quando desprezarmos Susana tiramos do radar pedaços importantes da nossa coletividade, que se não forem bem examinados, serão simplesmente cristalizados em algum tipo de intelectualização maniqueísta que não leva a lugar nenhum.
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Ainda sobre 2008 pra 2009: Arnaldo fala sobre Obama.
6 Comentários





Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

20 de janeiro de 2009 às 9h07
a volta que dá a pessoa para justificar que gosta mesmo de uma fofoca…mas não é que tu se puxou? o texto está ótimo. agora entendi a tua obsessão.
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20 de janeiro de 2009 às 10h25
Infelizmente aceitamos quase tudo sem questionar. Muito bom teu texto. Abs.
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20 de janeiro de 2009 às 10h55
sim, aqueles que se rebelam contra um sistema também fazem parte dele, tanto quanto aqueles que o aceitam… por isso eu não perdi o primeiro capítulo da novela ontem. hauhauh
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20 de janeiro de 2009 às 14h05
Ótimo texto!
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24 de janeiro de 2009 às 9h17
Ótima reflexão.
E o comentário da Lúcia melhor ainda :)
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7 de março de 2009 às 13h38
Fantástico texto.
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