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O Não Tão Curioso Caso de Benjamin Button

Existe muitos ângulos e muitas leituras para este filme. Eu poderia escrever linhas e mais linhas a respeito de cada pequeno detalhe bem pensado e construído que conduz tão bem a história. Também poderia destilar algumas boas lições de vida, quase beirando a auto ajuda barata (se é que não vou acabar aí). Poderia até mesmo comentar meu pé atrás inicial com a possibilidade do diretor David Fincher entrar numa fase barroca. Mas a real é que eu simplesmente saí perturbado e tocado pelo filme.

De tudo, o que mais me chamou a atenção em Benjamin Button, e o que é possível racionalizar, é o movimento que os personagens fazem para lidar com os fatos inevitáveis da vida. O mágico, o fantástico e o inusitado, ou seja, a condição de Benjamin (que nasce velho e morre novo), não impede o comum, o mundano, o inevitável: nascimento, doença, morte, velhice, solidão. Desse ponto de vista, o filme é cru e direto. Não há fábula que remedie de forma definitiva o básico da vida humana. A imaginação frequentemente rende, no máximo, um Tylenol 750g.

Obviamente, há muito de inspirador nas quase três horas de projeção. Uma das pontas do durex: no entrecruzar dos caminhos, Benjamin, seu pai, sua madrasta e seu grande amor, todos precisam extrapolar suas identidades usuais para poderem se relacionar de forma mais direta uns com os outros. Pai, mãe, filho, namorado, namorada, marido, esposa, mãe, velho, criança, amante, funcionário, chefe, todos esses rótulos não são propriamente invalidados, mas são (às vezes dolorosamente, às vezes naturalmente) transcendidos pra que as relações se viabilizem e as pessoas possam trazer algum cuidado, alguma compreensão, ou simplesmente fazer companhia umas às outras.

David Fincher foi sagaz. Com um truques básicos de ilusionismo narrativo, conseguiu chamar de curioso o que existe de mais humano e usual em todos nós.

Obrigado, camarada.

***

Imagens: Heather Horton

3 Comentários
por: Gustavo Mini postado em: Arte, Mente, Uncategorized tags: , , , ,

3 Comentários

Comentário por Angelo Pilla
27 de fevereiro de 2009 às 18h33

Leia o conto do Fitzgerald. Talvez tu entendas porque acho que o filme desperdiçou todas as boas oportunidades de ter algum significado.
Abraço.
Angelo.

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Comentário por Claudia Schroeder
27 de fevereiro de 2009 às 18h42

Moço, leste o conto? Se não leu, leia. É osso duro. É cruel. Mas é excelente.
beijo!

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Comentário por Sylvo
2 de março de 2009 às 11h02

Tão profundo quanto o filme. Embora o filme não tenha sido profundo o suficiente (na minha opinião), para me imergir.

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