27 de fevereiro de 2009 às 18h24
O Não Tão Curioso Caso de Benjamin Button
Existe muitos ângulos e muitas leituras para este filme. Eu poderia escrever linhas e mais linhas a respeito de cada pequeno detalhe bem pensado e construído que conduz tão bem a história. Também poderia destilar algumas boas lições de vida, quase beirando a auto ajuda barata (se é que não vou acabar aí). Poderia até mesmo comentar meu pé atrás inicial com a possibilidade do diretor David Fincher entrar numa fase barroca. Mas a real é que eu simplesmente saí perturbado e tocado pelo filme.
De tudo, o que mais me chamou a atenção em Benjamin Button, e o que é possível racionalizar, é o movimento que os personagens fazem para lidar com os fatos inevitáveis da vida. O mágico, o fantástico e o inusitado, ou seja, a condição de Benjamin (que nasce velho e morre novo), não impede o comum, o mundano, o inevitável: nascimento, doença, morte, velhice, solidão. Desse ponto de vista, o filme é cru e direto. Não há fábula que remedie de forma definitiva o básico da vida humana. A imaginação frequentemente rende, no máximo, um Tylenol 750g.
Obviamente, há muito de inspirador nas quase três horas de projeção. Uma das pontas do durex: no entrecruzar dos caminhos, Benjamin, seu pai, sua madrasta e seu grande amor, todos precisam extrapolar suas identidades usuais para poderem se relacionar de forma mais direta uns com os outros. Pai, mãe, filho, namorado, namorada, marido, esposa, mãe, velho, criança, amante, funcionário, chefe, todos esses rótulos não são propriamente invalidados, mas são (às vezes dolorosamente, às vezes naturalmente) transcendidos pra que as relações se viabilizem e as pessoas possam trazer algum cuidado, alguma compreensão, ou simplesmente fazer companhia umas às outras.
David Fincher foi sagaz. Com um truques básicos de ilusionismo narrativo, conseguiu chamar de curioso o que existe de mais humano e usual em todos nós.
Obrigado, camarada.
***
Imagens: Heather Horton
3 Comentários





Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

27 de fevereiro de 2009 às 18h33
Leia o conto do Fitzgerald. Talvez tu entendas porque acho que o filme desperdiçou todas as boas oportunidades de ter algum significado.
Abraço.
Angelo.
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27 de fevereiro de 2009 às 18h42
Moço, leste o conto? Se não leu, leia. É osso duro. É cruel. Mas é excelente.
beijo!
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2 de março de 2009 às 11h02
Tão profundo quanto o filme. Embora o filme não tenha sido profundo o suficiente (na minha opinião), para me imergir.
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