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Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis – Tribe/Jana: New Media Art

Ano passado, de Cannes, sublinhei num post a esperta declaração de Sam Roddick (filha da Anita Roddick da Body Shop) que creditava ao ativismo social a origem do marketing de guerrilha. Concordo, mas isso é apenas parte da história, porque à influência de ações impactantes como as do Greenpeace e do PETA precisamos também agregar todo um rol de idéias fertilizadas no ambiente da arte moderna e contemporânea. Por isso esse livro veio parar aqui. Se vamos falar em new media (ou seja lá o nome que você queira chamar, tanto faz pra mim), precisamos falar em new media art. Desse ponto de vista, esse livrinho amigável da Taschen é revelador e estimulante.

Revelador porque o ensaio que abre o livro delineia, de uma forma que não dá sono, a árvore genealógica da New Media Art, colocando-a como descendente mais ou menos direta do Dadaísmo, da Pop Art, da Arte Conceitual e da Vídeo Arte. E faz sentido. Olhar para obras relacionadas a esses movimentos vai sempre nos causar uma sensação de incrível familiaridade, mesmo que a gente não domine (eu ao menos não domino) esse cânone. Lá atrás, os caras já estavam sintonizados com o que estamos vivendo hoje e acho que estamos num bom momento pra olhar pra trás,  uma vez que já tem gente demais pedindo pra você olhar pra frente. E quando muita gente pede a mesma coisa…

Em segundo lugar, a leitura de New Media Art é estimulante porque esbarramos com uma penca considerável de trabalhos cuja base é burlar sistemas, conceitos, percepções. Ok, toda boa arte deve fazer isso, mas o que chama a atenção no escopo dessas obras é uma intenção declarada na ruptura, a ruptura como forma e não apenas como conteúdo. E mais, essa ação é conduzida em suportes digitais, uma boa parte delas usando a internet e outras tantas baseadas em dispositivos móveis, instralações ou gadgets.

Quer uma palhinha? Pois eu achei o livro inteiro num wikisite da Brown University, amigo! Não sabe por onde começar? Tá com preguiça? Tudo bem, faz o seguinte. Começa pelo LifeSharing, um projeto no qual Eva e Franco Mattes permitiram que todo mundo pudesse ver TODO o conteúdo e tráfego dos seu computador pessoal durante 3 anos. Depois dá um pulo até etoy.share, uma “corporação artística” que vende ações pra financiar suas performances. Não deixe de passar por A-Trees, trabalho de Natalie Jeremijenko que criava (em 1999!) árvores em desktops a partir da emissão de carbono em escritórios. Divirta-se com a descrição de Dialtones, onde o Golan Levin (do We Feel Fine) e sua turminha usaram (em 2001!) celulares de uma platéia para um concerto. Também vale ler sobre 1 Year Performance Video, que remixa com certo sarcasmo o trabalho do Tehching (que vou comentar aqui semana que vem) ao recriar uma exaustiva performance presencial com vídeo online.

O resto, como sempre, é por sua conta.

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Pra saber mais sobre a Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis, leia a introdução.

Pra ver todos os livros, clique aqui.

Se você tem uma dica de livro interessante sobre o assunto, resenhe e publique nos comentários.

2 Comentários
por: Gustavo Mini postado em: Arte, Publicidade tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

2 Comentários

Comentário por NATASHA
26 de maio de 2009 às 10h39

Olá, Gustavo. Será que você poderia me mandar seu email de contato? Thanks.

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Comentário por Eduardo
3 de junho de 2009 às 18h53

só no “final” – entre aspas porque duvido que haja um final pra essa seção, ao menos programado – vc vai revelar de onde tirou a expressão “mídias variáveis”?

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