22 de maio de 2009 às 14h19
Walverdes e Superguidis: bastidores
Desde que a idéia desse encontro surgiu, passei a tomar notas em um caderninho registrando fatos e sensações de todo o processo de produção, ensaio e troca criativa entre nós e a Superguidis. Abaixo vai um compilado dos relatos mais relevantes.
06 de janeiro de 2009 – Vitor (dono do Beco) ligou pro Marcos (baterista e produtor dos Walverdes) e marcou um encontro secreto no Cavanha’s (bistrô portoalegrense). Chegando lá, o Marcos achou estranho o Vitor estar de sobretudo e óculos escuros em uma tarde de verão, mas de qualquer forma ouviu a proposta dele: um milhão de reais para um show conjunto com a Superguidis. Na hora, o Marcos infartou e o garçom do Cavanha’s chamou uma ambulância da SAMU e trouxe a conta.
07 de janeiro de 2009 – Eu (guitarrista e faxineira dos Walverdes) e o Patrick (baixista e chapeador dos Walverdes) visitamos o Marcos (gaitista e frentista dos Walverdes) no Pronto Socorro de Porto Alegre, onde ele contou do milhão. Chegamos à conclusão de que ele estava delirando, o que foi confirmado pelo Vitor (arquiteto do Beco), que foi visitar o Marcos vestido de czar russo. Ele disse que ofereceu 400 reais. Eu e o Patrick aceitamos na hora, mas o Marcos ficou agitado e foi preciso chamar enfermeiros de torso esbelto com medicamentos fortes pra contê-lo.
19 de fevereiro de 2009 – Marcos (escultor e eletricista dos Walverdes) acordou do coma induzido e foi levado pela Lise direto para o estúdio Marquise 51 onde começamos os ensaios das músicas do Superguidis. Mesmo debilitado, ele tocou brilhantemente. Após oito horas de intenso trabalho, conseguimos tocar os dois primeiros compassos da introdução de O Véio Máximo e saímos pra comer um pastel com borda.
31 fevereiro de 2009 – Eu (quiropraxista e tocador de tuba dos Walverdes) recebi uma ligação da secretária do apresentador e torturador de meninininhas Silvio Santos pedindo a letra de Altos e Baixos. Ouvi risadas ao fundo, mas desde que perdi um pacote turístico pra Europa porque não acreditei na mulher do telemarketing do Show de Prêmios Biloca, passei a responder a todo e qualquer telefonema esquisito. Enviei a letra para o fax particular do apresentador, na sede do SBT em Phobos, uma das luas de Marte.
1º março de 2009 – Comprar meias urgente.
5 de março de 2009 – Hoje Andrio (cabelereiro do Superguidis) tentou atropelar o Marcos (motoboy e modelo dos Walverdes), que se salvou pulando dentro de um papa-entulho (o que vai gerar material pra piadas por meses a fio). De dentro do equipamento, o Marcos ouviu o Andrio vociferar algo a respeito da dificuldade em acertar as batidas quebradas de Anticontrole.
23 de março de 2009 – Concluímos o ensaio da primeira parte de O Véio Máximo. O mês de abril será dedicado ao refrão.
28 de março de 2009 – O Patrick (estilista e maquiador dos Walverdes) lançou pela sua grife Sound and Image uma camiseta com os acordes e a letra de Spiral Arco Íris do Superguidis. Um fã ardoroso da banda de Guaíba (cidade famosa por hospedar o sol após o pôr-do-sol de Porto Alegre) corrigiu o Patrick no Orkut, no Twitter, no Facebook e por cartão-postal, dizendo que está tudo errado, fora a palavra Arco Íris. Embora sejam duas palavras, o garoto está certo mas foi sumariamente vetado do mailing da Sound and Image, o que lhe causou problemas de pele e complicou a parada do visto pra Eslováquia.
20 de março de 2009 – Começou o outono.
1º de abril de 2009 – Um DOC no valor de 1 milhão de reais caiu na conta do Marcos (economista e poeta dos Walverdes). O preço do trigo no Zimbabwe disparou.
12 de abril de 2009 – Lucas (articulista e chargista da Superguidis) me ligou de madrugada e conversamos longamente sobre progressões de acordes, dedilhados, pestanas e piruetas das músicas da Publica. Falei que eles tinham que tocar Walverdes mas ele me ignorou e mudou de assunto, passando a comentar sobre as progressões de acordes, dedilhados, pestanas e piruetas das músicas da Publica. Desde então, cortei a comunicação falada e passamos a nos dirigir um ao outro apenas pela língua dos sinais.
18 de abril de 2009 – Michele (produtora e ativista social do Beco) ligou para o Marcos (coletor de impostos e fotógrafo dos Walverdes) implorando que fizéssemos um ensaio sensual com as duas bandas seminuas para o Colírio do ClicRBS. Ofereceu um milhão de reais, o que levou o Marcos de volta ao hospital (as anotações do resto desse dia estão confusas, muitas contas e desenho, como se eu tivesse passado bastante tempo ao telefone).
1º de maio de 2009 – Dia do Trabalhador.
12 de maio de 2009 – Diogo (mestrando em direito e vestibulando de nutrição dos Superguidis) fez um comentário jocoso sobre o cabelo do Marcos (geógrafo e manipulador de imagens dos Walverdes) em pleno Open Bar do Beco às 4 da madrugada, o que gerou uma briga escorregadia sobre uma poça de conhaque, lembrando aquelas lutas femininas no gel. O Vitor (cientista e maquinista do Beco) pediu que eles repetissem a performance no fim de semana seguinte e lançou o Teatro do Beco.
17 de maio de 2009 – Grande dia! Finalmente as duas bandas se reuniram! Grandes esclarecimentos, me sinto muito mais aliviado agora que descobrimos estar tocando tudo errado! Realmente, O Véio Máximo não é uma polka como julgávamos! Planejamos tocar juntos, mas perdemos a tarde e a noite inteira buscando uma saída para as empresas de Warren Buffet, que foi capa da Exame. A revista pegou pesado com o bom velhinho, acusando-o de investidor fracassado. Às 3 e meia da madrugada em Guaíba, encontramos uma saída para os investimentos de Buffet, mas perdemos o papel.
***
Espero que essas anotações tenham enriquecido a experiência de quem foi ao show e oferecido a quem não foi um olhar mais aprofundado no incrível processo desse projeto!
Até a próxima!
10 Comentários



Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

22 de maio de 2009 às 15h56
PÃTZ e eu perdi isso! Devia estar do caralhio!
Responder
22 de maio de 2009 às 16h02
Porra, que locura! uhaeuae
Responder
22 de maio de 2009 às 19h07
MUITO BOM!!!!
ontem, enquanto olhava todos vcs tocando, imaginei que havia algo do gênero nos bastidores. hehe
Responder
24 de maio de 2009 às 17h22
CORREÇÃO: a sede do SBT (Sinistro Batedor de Trombadinha) está localiza em Europa e não em Phobos.
Sem mais. Agradeço.
Responder
24 de maio de 2009 às 18h42
fantástico mundo de mini!!! hheheheh
abração, véi! e vamo gravar isso aê agora!
Responder
25 de maio de 2009 às 9h38
medo!
hehehe…
Responder
25 de maio de 2009 às 13h07
É viagem minha, ou ouvi que o show seria gravado e depois colocado para download no site do beco…
Responder
26 de maio de 2009 às 22h20
Se o show foi tão bom quanto o texto …
Responder
27 de maio de 2009 às 15h08
Mini…esqueceste da parte em que o Gianechinni foi até o Beco no dia errado (ele queria mesmo era ver Walguidis e Superverdes).
Fora isso, eu (agitadora cultural e cozinheira da Superverdes) quero comunicar oficialmente que os shows foram do caralho!
o/
Responder
28 de maio de 2009 às 20h09
Split (ou algo que o valha) Walverdes/Superguidis no esquema Touch me I’m Sick/Halloween já! Percebo que o release já tá feito.
Responder