8 de julho de 2009 às 11h15
Conector em Gotham parte 8: high line
É engraçado. A série Gotham na verdade começou há um anos e pouco, quando passei dez dias com minha mulher em Nova Iorque. Como você pode ler aqui, eu fiquei bastante impressionado com minha primeira vez nos Estados Unidos. Da mesma foma que a maior parte das pessoas de classe média no Brasil, cerca de 70% da minha formação cultural se deu por intermédio de produtos americanos (de todas as qualidades). Fora isso, tenho algumas ligações sentimentais com a língua e o jeito como os americanos organizam sua sociedade.
Essa segunda viagem a Nova Iorque só veio confirmar as sensações misturadas da primeira: adoro o lado cosmopolita e cultural da cidade, mas aquela correria e aquela ansiedade no ar definitivamente não me fazem tão bem. De modo que meus dois lugares prediletos são o Central Park (como achei no ano passado) e a recém inaugurada High Line. O Central Park você conhece bem de todos aqueles filmes que já viu. Mas a High Line é uma jóia fresca, foi inaugurada há algumas semanas, uma alternativa de passeio poética e inteligente em uma cidade cravada de pequenos prédios e arranha céus que parece ter se tornado o novo orgulho dos novaiorquinos (ou ao menos os representados pela mídia…).
A idéia tem mais de dez anos e foi declinada pelo prefeito da tolerância zero, Rudolph Giuliani. Basicamente, o que se pretendia era pegar uma linha de trem “aérea” e transformá-la em um… parque. Parte da linha original foi derrubada muito antes, mas o que sobrou recebeu um redesenho completo, com passeio, uma vegetação que simula o verde selvagem que cresce em torno de ferrovias e facilidades como bancos, telefones de emergência, escadas de acesso e um curiosíssimo anfiteatro com uma enorme vitrine que dá para a rua.
Passear na High Line foi certamente uma das coisas mais especiais que fizemos. Ela literalmente eleva o seu passeio, o coloca em um outro nível numa cidade onde a maior parte das caminhadas do circuitomais turístico (a não ser aquelas na orla da ilha de Manhattan) são sufocadas por prédios por todos os lados. Ok, os prédios ainda estão lá, mas o pedestre parece ganhar um outro status, ao menos ao conseguir enxergar a rua de cima e o segundo ou terceiro andares dos prédios ao redor olho no olho. Pra completar, a High Line fica a poucos quarteirões da orla do Rio Hudson, o que oferece algumas vistas incríveis quando a prediarada (coletivo para prédios) dá um tempo.
Aqui em Porto Alegre temos um projeto chamado Aeromóvel que chegou a ser construído mas nunca foi utilizado comercialmente. O projeto piloto foi instalado próximo ao centro da cidade e até hoje está lá, jogado às moscas. Daria uma boa High Line para nós.
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Curiosidade: fui pesquisar sobre o Aeromóvel e descobri que ele é uma tecnologia brasileira. Existe apenas uma outra linha operando no mundo em Jakarta.
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A série sobre Nova Iorque continua nos próximos dias.
2 Comentários







Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

8 de julho de 2009 às 15h13
paris tem um passeio coberto por um jardim, que era uma ex linha de trem. chama-se promenade plantée e aparece no filme “antes de anoitecer”. apesar disso, é desconhecido como ponto turístico
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12 de julho de 2009 às 20h51
Camarada Mini, a “Promenade Plantée” de Paris foi inaugurada em 1998 (e concluída em 2000). Tive a mesma sensação boa que tu tivesse na High Line quando andei por lá. Nos arcos do “Viaduc Daumesnil”, que é de 1859, a prefeitura de Paris contruiu lojas. Dá uma olhada: http://www.boston.com/beyond_bigdig/cases/paris/index.shtml.
Quanto ao aeromóvel, parece que vai fazer parte do novo projeto viário de Porto Alegre para a Copa, incluindo também uma segunda linha do bicho para ligar a estação aeroporto do Trensurb ao dito cujo Salgado Filho. Abraço!
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