9 de julho de 2009 às 12h24
Conector em Gotham parte 9: Sonic Youth no United Palace Theater
Foi difícil pra mim começar a escrever sobre esse show. O Sonic Youth é uma banda fundamental na minha formação, tanto de fã quanto de tocador de música, então toda e qualquer informação traz junto a marca da emoção mais desbragada. Também é complicado porque já faz alguns anos que eu não escuto regularmente os discos da banda. Acho que o último que eu efetivamente ouvi de cabo a rabo foi A Thousand Leaves (muito embora eu tenha me apaixonado por The Emtpy Page do Murray Street) e depois, como acontece com qualquer namoro, acabamos indo cada um pra um lado por divergência de interesses. O problema não é você, Sonic Youth, eu é que mudei…
Na minha época de desinteresse pela banda, cheguei ao ponto de desprezar as duas vindas deles para o Brasil. Na primeira (um show incrível no Free Jazz em 2000 que vi pela TV) me arrependi. Mas consertei pegando um excelente show dos caras depois no T In The Park em 2001 ou 2002 na Escócia. Na segunda vez, não me arrependi: várias almas declararam o show do Claro Q É Rock simplesmente chato.
O show da semana passada em Nova Iorque, a meu distante ver, cai na segunda vala. Eu passei quase todo o show entediado, à medida em que a banda ia enfileirando músicas do novo The Eternal (que eu deixara pra conhecer ao vivo) misturadas com composições bem antigas (coisas incríveis e perenes como Death Valley 69, Pacific Coast Highway e Tom Violence), uma parte delas concentrada no bis. Este, por sinal, um show à parte. Na primeira volta ensaiada da banda, o vocalista e ainda intenso frontman Thurston Moore incitou a platéia a sair das cadeiras (aquele velho clichê de show na gringa, quase todo mundo fica sentado) e tomar a frente do palco. Todo mundo obedeceu, menos nós da platéia superior que apenas pudemos nos levantar. A pequena quebra de decoro parlamentar e o repertório contraditoriamente refrescado por canções antigas, deu um pouco mais de vida a um show difuso.
Pensei que essa seria apenas uma impressão minha derivada de um período de afastamento, mas encontrei por aí algumas resenhas que também falam sobre esse sentimento. Uma, em especial, levanta inclusive a problemática acústica do United Palace, que não privilegiou muito quem estava na platéia alta. Longe de estar inaudível, o mix que subia vinha com um reverber adicional que dificulta o entrelaçamento das três guitarras empunhadas por Moore, Ranaldo e Gordon (o baixo ficou a cargo do ex-Pavement Mark Ibold na grande maioria das músicas).
Não é uma questão de falta de entrega ou de energia. Pelo contrário, a banda que tem quase 30 anos de atividade se apresenta como se seus integrantes tivessem 20 anos de idade. Moore, em especial, se balança e chacoalha como um adolescente e é bem recebido pela platéia, inclusive quando resgata mais um hábito para o revival dos anos 90: o mosh. Sim, Thurston Moore teve a petulância de se jogar em cima do público a essa altura do campeonato. Há de se tirar o chapéu pro cara por conta dessa… quanta disposição.
Mas então, qual é o problema? Já disse lá em cima. Quase certo que não há nada de errado com a banda, eu é que estava a fim de ouvir a) Os hits mais palatáveis de Goo, Dirty, Experimental Jet Set e Daydream Nation ou b) o trabalho mais lustrado e lírico a la The Empty Page. Não rolou a química, tudo bem. É a vida. Me contentei com a cerveja, a pipoca (sim!) e o bis (a melhor parte do show, muito embora eu não consiga entender por que uma banda sai e volta três vezes pra dar três bis de duas músicas cada… por que não fazer um bis de seis? ou dois de três? Whatever…) Eu só não conseguia parar de pensar que minha mulher e minha enteada estavam se divertindo mais vendo The Blue Man Group.
Uma última nota. O United Palace, onde aconteceu o show, foi um espetáculo à parte, com sua arquitetura bizarra e opulenta que mistura estilos bizantino, hindu, romano, entre outros delineados na Wikipedia. Inaugurado em 1930, ao longo de 4 décadas abrigou espetáculos de vaudeville e projeções cinematográficas, foi comprado em 1969 por um reverendo de uma igreja cristã. Desde então, o teatro tem sido utilizado mais para fins religiosos (todo mundo tem a sua Igreja Universal) até que a partir de 2007 começou a ser alugado novamente para shows. Bjork, Stooges e Arcade Fire são alguns dos nomes que passaram pelo United antes do Sonic Youth.
A localização do Palace também não é muito óbvia. Ele fica numa área bem ao norte da ilha de Manhattan que muito provavelmente não recebe com frequência o tipo de público que vai a esses shows. O cara que estava sentado ao meu lado veio do Brooklyn (bem ao sul) e comentou que o Sonic Youth poderia tocar em qualquer lugar da cidade, mas escolheu este como uma forma de ajudar a comunidade. Eu adicionaria ainda o fator estético/inusitado do local e talvez um aluguel mais barato como motivos complementares.
Minhas fotos foram feitas com o celular e são meio podres. Então não deixe de ir aqui pra ver fotos massa do shows, do lugar e do setlist.
3 Comentários







Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

9 de julho de 2009 às 21h36
Muito massa o texto.
Realmente foi chato o show no Claro que é Rock. Mas ele foi gloriosamente compensado pela performance do Iggy & The Stooges. Nunca ouvi tanta gente uivando de alegria.
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10 de julho de 2009 às 17h07
vi o sigur rós nesse mesmo teatro ano passado. o lugar é lindaço mas é bem podrão em volta, dá até medo andar à noite.
pena que esse show do sonic youth foi chato. dos shows que eu vi foi um mais foda que o outro – incluindo o claro.
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10 de julho de 2009 às 20h25
Putz, man!
Achei o show deles no CQR maravilhoso, embora o som pudesse estar mais alto.
Ver SY é sempre uma experiência ímpar.
Aí, vc q é bróder do Rolinha, põe aquela pilha clássica no cara de que ele nos deve um show do SY no Circo desde o início dos 90. Afinal, promessa é dívida!
abs
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