7 de agosto de 2009 às 11h55
Conector em Gotham parte 12: jesus é véio
… já a Liu Chuang, diferente do Sang Dong (sonoro esse início de post, não?) escolheu uma abordagem diferente pra questionar noções de identidade e falar da relação das pessoas com seus objetos e sentimentos. Ela simplesmente chegou em algumas pessoas aleatoriamente na rua e comprou TUDO que a pessoa estava usando e portando no momento, INCLUINDO chicletes, cuecas e documentos. TUDO. Depois, ajeitou as coisas numa bancada do New Museum e chamou a parada de “Buying Everything On You”. Eu olhei e comprei a idéia na hora. Foi mal aí o trocadilho, mas eu realmente me conectei com o trabalho da Liu Cheung por mais óbvio e direto que ele seja. Se um grande pintor pode, em pleno museu, despir uma pessoa com um quadro intenso, por que negar a outro artista a oportunidade de fazer isso literalmente e no meio da rua? E depois trazer pra dentro do museu não a pessoa prestes a ser despida mas tudo aquilo do que ela foi despida? Você vai negar? Hein? Hein? Eu não.
E se outro chinês, o Chu Yun, quiser criar uma escultura usando uma pessoa? E se a única forma de convencer essa pessoa a fazer parte de uma escultura viva for emboletar a querida com Dormonid (ou outra dessas substâncias que as pessoas usam pra se anestesiar) e colocá-la pra dormir dentro do museu (quem nunca “dormiu” dentro de um museu?), em uma cama branca, com lençóis brancos, como são as paredes da maior parte dos museus? Quem vai dizer que talvez ela seja a pessoa mais concentrada que está lá dentro? Não me meto nessas coisas. Cada um com seus problemas.
E o que você me diria se aparecesse mais um desse hoje ubíquo país pra botar alguns pingos nos is e outros embaixo do ponto de interrogação quando falamo da cultura cosplay, congelando imagens de cosplayers em situações absolutamente cotidianas, dando a real não apenas para eles, mas também para quem não entende qualé, borrando os limites e mostrando que está tudo certo como está, não há qualquer dissonância de realidade no cosplay? O que você me diria?
E, quando, cansado de chineses, você se deparasse com desenhos aparentemente infantis de objetos domésticos? E descobrisse que são desenhos da vó da Katerina Seda, a qual, nos seus últimos anos de vida, foi convencida a desenhar o que a rodeava, fazendo você pensar na degradação do corpo e da mente ao mesmo tempo em que tenta lhe convencer do valor do mundo cotidiano? E se isso tudo lembrasse a pequena distância que existe entre a infância e a velhice, lembrando que quando crianças desenhamos para conhecer um mundo que vamos explorar e que a senhora ali está desenhando infantilmente um mundo do qual está prestes a se despedir? Você ia sacanear a senhora e dizer que os desenhos dela não prestam?
E se você chegasse ao fim de um post cheio de pontos de interrogação e descobrisse que isso foi só uma gambiarra pra encobrir o fato de que o blogueiro amigo não sabia direito por onde começar o seu texto, estava com preguiça de consolidar um raciocínio decente então tacou-lhe o conteúdo fazendo pergunta atrás de pergunta para um leitor aleatório, puro fruto da imaginação hiperativa de alguém que queria, de alguma forma, por mais estúpida que fosse, dividir um pouco da fascinação que lhe causou a exposição Younger Than Jesus que estava rolando no New Museum?
Hein? Hein?
2 Comentários










Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

17 de agosto de 2009 às 11h10
Obrigado.
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11 de setembro de 2009 às 8h04
[...] ver com esse post: o trabalho de Katerina Seda que comentei num texto sobre a exposição Younger Than Jesus. « Tumblr | » Por [...]