OEsquema

Imperfect Basterds

A noção de lixo reciclável acaba de ganhar um novo significado. Foi lançado este ano pela editora americana Mark Batty o livro Glitch: Designing Imperfections. Glitch traz 206 imagens de telas de erros de computador formaram desenhos interessantes sem querer. Por exemplo: sistemas que deram pau, programas que travaram ou desenhos que foram corrompidos pela máquina. São pixels desorganizados, problemas que aos olhos de um bom editor foram reunidos como um material gráfico inspirador.

A bem da verdade, eu ainda não botei as mãos nesse livro. Mas adorei o conceito. Porque acho que é bom a gente se acostumar com esse tipo de coisa. Com tanta tecnologia nova surgindo, durante muito, muito tempo o erro vai acontecer com mais frequência do que o acerto. E, embora seja cool falar que “erro é legal”, o fato é que erro geralmente dá frio na barriga e perna mole. Então ao menos é bom ver o desconforto compensado por um olhar benevolente e positivo.

Mas, vamos ver pelo lado bom: ao poucos, estamos nos tornando especialistas nesses erros. É isso aí minha gente! Nenhuma geração vai errar tão bem nos meios digitais como nós!

***

Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.

6 Comentários
por: Gustavo Mini postado em: Minimalismo tags: , , ,

6 Comentários

Comentário por Luciano Bargmann
17 de novembro de 2009 às 9h02

Trabalho com programação (desde sistemas ERP até jogos com engines como o Quake e o Unreal) e nunca ví tal bizarrice. Pra acontecer algo parecido com isso, você precisa de um problema em sua placa de vídeo. Geralmente quando você tem um problema na placa de vídeo, seu computador trava. Estou a alguns minutos tentando achar outra forma de gerar esses “erros” sem ser com uma ferramenta bem conhecida… e concluo que esse é um belo (ou não) trabalho de photoshop.

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Comentário por Gustavo Mini
17 de novembro de 2009 às 10h02

Luciano, acho meio paranóico pensar assim. Mas como você entende muito mais disso do que eu, acho que vou ter que dar algum crédito à sua tese.

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Comentário por arlen
17 de novembro de 2009 às 15h44

sim mas nesse caso o erro também pode ser alguem cutucar a placa de vídeo(“desenhos que foram corrompidos pela máquina”).

Nos jogos de antigamente(90´s) acontecia este tipo de erros com frequência. Mesmo q seja um trabalho no photoshop, claramente a inspiração são os travamentos e erros mesmo, ao menos me parece.

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Comentário por terezo
18 de novembro de 2009 às 13h32

“Nos jogos de antigamente(90´s) acontecia este tipo de erros com frequência”:

É o saudoso TILT!!!

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Comentário por Helio Biesemeyer
5 de janeiro de 2010 às 12h36

Oi Gustavo. Esse seu post tem a ver com a tese central do pensamento do Bruno Latour, que li no livro “A esperança de Pandora”. O problema não é o erro. O problema é o domínio como paradigma. Parece que os comentários dos programadores confirmam essa versão. O que foi publicado não é resultado de erro, mas de ações intencionais. Aí vai:

O que está em jogo aqui é o domínio. Ao tornar o mundo o produto dos pensamentos e fantasias dos indivíduos e ao falar sobre a construção como se ela envolvesse o livre jogo da fantasia, os modernistas acreditam estar fazendo o mundo à imagem deles, tal como Deus os fez à sua. Eis uma estranha e ímpia descrição de Deus. Como se Deus fosse o dono de Sua Criação! Como se fosse onipotente e onisciente! Se Ele tivesse todas essas perfeições, não haveria Criação. Como Whitehead propôs de forma tão bela, também Deus é ligeiramente surpreendido pela sua Criação, ou seja, por tudo o que é mudado, modificado e alterado ao encontrar-se com Ele: “Todas as entidades reais partilham com Deus essa característica de autocausação. Por essa razão toda entidade real também partilha com Deus a característica de transcender todas as demais entidades reais, incluindo Deus” (Whitehead). Sim, somos realmente feitos à imagem de Deus, isto é, tampouco nós sabemos o que estamos fazendo. Somos surpreendidos pelo que fazemos mesmo quando temos, mesmo quando acreditamos ter completo domínio. Mesmo um programador de software é surpreendido por sua criação depois de escrever duas mil linhas de software; não deve Deus surpreender-se depois de reunir um conjunto muito maior? Quem jamais dominou uma ação? Mostrem-me um romancista, um pintor, um arquiteto, um cozinheiro que não tenha, como Deus, sido surpreendido, arrebatado por aquilo que ela (a ação) – ou que eles – já não estava fazendo.

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Comentário por thiago
25 de maio de 2010 às 18h57

wow.

hahah

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