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A volta dos que não foram

A imagem acima eu vi num post do PSFK falando de um selo inglês que está lançando edições limitadas de seus artistas somente em fita cassete. Num primeiro e rápido olhar, a notícia tem cara de revival: “as boas e velhas fitas cassete estão de volta” (muito embora eu, como um cara prático para escutar som, não vejo muita vantagem na volta da fita cassete).

Depois do primeiro e rápido olhar, vem a pergunta: as fitas cassete estão de volta pra quem? Para os “omanenses” é que não. Pra eles, as fitinhas nunca foram embora.

Assim que botei os olhos no texto do PSFK, me lembrei desse post do Jan Chipcase, pesquisador da Nokia que anda por lugares fora dos grandes centros em busca de insighst de mobilidade. Em Oman (um sultanato árabe), diz Jan, 90% do conteúdo à venda é música local, e quase toda ela no formato de fitas cassete. Ainda. Hoje.

(E em uma rápida busca na minha memória, lembro de ver ainda muitas fitas cassete presente em vários bares de beira de estrada em várias partes do Brasil, provavelmente pra alimentar os toca-fitas dos caminhoneiros. As fitinhas disputando espaço com os CDs piratas…)

Bem… o caso é que 99% das matérias a respeito do comportamento frente às novas tecnologias tem por base o cotidiano de americanos e ingleses descolados. Que, já faz algum tempo, não têm mais o mesmo impacto no que diz respeito a exportar tendências para o resto do mundo. O trabalho de gente como Jan Chipcase, só pra dar um exemplo mais mainstream, é justamente de garimpar insights em locais e estratos sociais com necessidades muito mais variadas do que simplesmente ter o mais novo gadget à disposição. No mesmo blog, se você procurar bem, vai achar um estudo que ele fez pra Nokia em favelas de várias partes do mundo buscando um novo olhar sobre questões de mobilidade.

Enfim…

O ponto aqui é algo que me lembro de ter aprendido vendo filmes de ficção científica: o que caracteriza um determinado cenário como futurista não é o fato de haver novíssimas tecnologias bem estabelecidas e espalhadas por tudo quanto é lado. O futuro, creio, é feito da convivência (nunca bem resolvida) de novas e antigas tecnologias que insistem em não arredar o pé porque simplesmente resolvem muito bem o problema de determinados grupos sociais ou de certas regiões geográficas.

A necessidade é a mãe da invenção e madrasta da manutenção.

3 Comentários
por: Gustavo Mini postado em: Música tags: , , , , , , , ,

3 Comentários

Comentário por Paulo Dióegenes
7 de janeiro de 2010 às 15h02

Oh yeah, Mini. Grande análise. Como diria meu finado avô: “quem não tem cão, caça com gato”.

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Comentário por Erica
10 de janeiro de 2010 às 15h00

Concordo plenamente quando vc diz que boa parte das matérias que abordam o comportamento em relação às novas tecnologias são baseadas no cotidiano de americanos e ingleses descolados. É curioso notar como, por exemplo, o twitter é mencionado sempre como uma verdade absoluta e amplamente estabelecida, como se fosse realidade em todos os cantos deste país. Ledo engano.

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Pingback por A volta dos que não foram - 2 - Conector - OESQUEMA
19 de janeiro de 2010 às 9h56

[...] Leia também A volta dos que não foram – 1. [...]

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