26 de janeiro de 2010 às 9h00
Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis – Reciclando Idéias por Peter Burke
Bom, na verdade essa entrada na Biblioteca não é bem um livro, mas um artigo que saiu na Folha no ano passado no qual o historiador inglês Peter Burke fala sobre processos de criação em invenções como a prensa de Guttenberg e as classificações da linguística. O ponto dele é simples: quase toda nova tecnologia se nutriu de caminhos previamente trilhados em disciplinas alheias.
Ou seja: advogar pureza de métodos e mundos na busca por uma nova solução em qualquer área é como entrar no carro e sair dirigindo com o freio de mão puxado. Os argumentos de Burke não são difíceis de serem abraçados. Seja por observação empírica, seja pelos inúmeros exemplos históricos, é bastante claro que desenvolver soluções novas e eficientes passa obrigatoriamente pela colisão de mundos e de formações.
Em publicidade, mantras como “você precisa sair da agência”, “você não pode viver só de referências de publicidade”, que no passado precisavam ser repetidos à exaustão, hoje são parte do vocabulário de qualquer estagiário. Embora ainda exista uma nefasta cultura de pessoas praticamente morando dentro de agências, todo mundo ao menos sabe que é preciso evitar a retroalimentação. Então a arte da hora é fazer a conexão entre suas experiências particulares extra-agência (praticamente todo criativo que eu conheço hoje as tem) e o trabalho dentro da agência. É muito fácil encontrar grandes obstáculos pra fazer a síntese dos dois universos e a diversidade de experiências se transformar em frustração. Digo por experiência própria.
De qualquer forma, é fundamental aprender a valorizar essas vivência extra-dayjob não como uma atividade marginal ou como hobby, mas como parte integral da formação de quem trabalha com publicidade e marketing. Por exemplo, tudo que aprendi sobre narrativa e construção de personagem eu devo à leitura massiva de quadrinhos durante anos e anos. Tudo que eu aprendi sobre as tais novas mídias e sobre comportamento em mercados de nicho eu devo a tocar e ajudar a produzir os Walverdes há 17 anos. E por aí vai.
Bom, eu falando é uma coisa. O Peter Burke falando é outra. Por isso incluí a leitura desse artigo na Biblioteca Conector. Ele provê uma plataforma bastante interessante e bem mais embasada pra reflexões nesse âmbito. Bom proveito.
Como o conteúdo do artigo na internet é restrito a assinantes da Folha, eu subi aí um scan que me mandaram aqui na agência. É só clicar em cima da imagem que abre o post que ela aumenta e dá pra ler na buena. Ou tem uma transcrição aqui.
Bom proveito.
***
A Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis reúne livros e artigos pra quem se interessa por estudas novas manifestações e usos de meios de comunicação. Em outras palavras, pra entender essa baguncinha aí. Pra saber mais, leia a introdução.
Pra ver todos as entradas, clique aqui.
Se você tem uma dica de livro interessante sobre o assunto, resenhe e publique nos comentários.
3 Comentários






Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

28 de janeiro de 2010 às 6h47
Procuro ver as coisas sempre sob perspectivas diferentes e também encaixar o inverso do contrário da idéia para entender melhor algumas coisas.
Concordo plenamente com o exposto e a citação que faço não sei a referência, talvez seja um pouco das leituras do teu blog.
Acho que muita inovação não vem de novas ferramentas ou idéias e sim o rompimento com conceitos e processos antigos, não é acelerar e sim soltar o freio.
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28 de janeiro de 2010 às 10h01
Saca só:
http://www.scribd.com/doc/15959083/-Criatividade-e-grupos-criativos
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28 de fevereiro de 2010 às 7h27
Valeu! Eu tenho algumas dicas de links. Na verdade, é uma coleção de textos infindável. Depois te envio uma seleção… abs
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