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Avatar

Acho que já se falou e escreveu bastante sobre Avatar. Mas com a poeira da quarta-feira-de-cinzas finalmente baixando e toda a purpurina da avenida se depositando no concreto, talvez seja uma boa hora pra perguntar: quem é que andou espalhando essa idéia de que o filme tem uma mensagem new age, pacifista e ecológica?

Tudo bem, tudo bem, eu comprei total, lépido e faceiro, o papo da árvore que serve como um grande hub de conexão entre a tribo de Pandora e a inteligência vegetal do planeta. A idéia é super bacana e podia render uma série inteira de filmes interessantíssimos só em cima disso (Avatar Chronicles? Animavatar?). Agora, vamos combinar: fazendo os cálculos, descontando os juros e botando tudo na ponta do lápis, o que temos no fim das contas é mais um blockbuster com uma pancadaria pesada de meia hora no final e, pela pela milésima vez na cultura cinematográfica, um americano salvando um povo considerado “primitivo”. Não se engane: Avatar é mais uma (exuberante, linda, visualmente muito bem executada) sessão de terapia da alma americana.

Bom, isso tudo pode ser meu lado cínico falando. Deve ser meu lado cínico. Mas o fato é que não consegui abraçar Avatar como algo mais do que uma super experiência de direção de arte e computação gráfica (embora, como bem lembrou minha mulher, não é tão surpreendente pra quem tem filhos e vem assistindo a 3D intensamente nos últimos anos). O motivo do meu desencanto? O humanismo no filme é muito mal distribuído. Exemplo. O lado tosco do coronel Quaritch é espremido até tirar todo o suco e encher o copo de um vilão absolutamente caricato e nada dúbio. E dubiedade é o que faz os grandes vilões da mitologia moderna serem grandes vilões, pois assim podemos nos conectar com eles e não cair no conto do “pessoas do bem contra pessoas do mal”.

É impossível, mesmo para a platéia mais retrógrada, se identificar com o Coronel Quaritch de tanto que ele é pintado como malvadão. O papel das mitologias pop, a meu ver, não é de forma alguma colocar as coisas totalmente em seu devido lugar, mas dar uma bagunçada nas percepções ao fazer você se identificar com personagens de diferentes matizes – encontrar pequenas partes de você ao longo de todo o elenco. Não é o caso de Quartich, não é o caso de Avatar.

Veja bem: não estou desfazendo o filme. Adorei vê-lo. Tive boas três horas de cinema. Só estou aguardando, com certa ansiedade, a evolução dos roteiristas de blockbuster pra acompanhar tanta acrobacia visual.

9 Comentários
por: Gustavo Mini tags: ,

9 Comentários

Comentário por Lucius
17 de fevereiro de 2010 às 23h13

Se fosse um filme 2D seria fracasso de bilheteria. Possivelmente considerado o pior filme do diretor.
Além disso, nenhum ator empolga. O suposto mocinho é um chato.
Filme lembra um pouco Tarzan, homem branco que vive na selva e é mais forte que qualquer índio e os animais. O herói de Avatar consegue domar até um periquito gigante. E de forma mais fácil do que o outro ser alado.
A dancinha ao redor da rede neural para a transmissão de dados também é totalmente dispensável.
A maior dúvida que tive no filme foi de onde vinha tanta água que caía das rochas que ficavam flutuando.

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Comentário por Patricia Vieira
18 de fevereiro de 2010 às 13h17

Ah! Não seja tão crítico. Três horas que me fizeram esquecer o planeta de onde venho.

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Comentário por arlen
19 de fevereiro de 2010 às 15h14

é, na real o problema é justamente este levar a sério demais um filme como Avatar, ficar esperando um roteiro extraordinário, atuações incriveis, inovações artisticas enfim.
Eu achei muito tri o filme, assisti numa cópia baixada de internet, portanto 2D e foi uma experiencia muito interessante.
Quer roteiro, atuações? procura o Aronofsky, o Richard Kelly, enfim…

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Comentário por marcio
22 de fevereiro de 2010 às 1h39

minha amiga me resumindo o filme ” um roteiro básico americano pintado de azul”

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Comentário por ~Matias
27 de fevereiro de 2010 às 9h30

Avatar eh tipo assistir alguem jogando Halo patrocinado pela WWF com trilha sonora do Sting

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Comentário por Marcelo
28 de fevereiro de 2010 às 2h08

falou absolutamente tudo. o filme tecnicamente é perfeito, impressionante, mas parece que esqueceram de reservar uma pequena fatia de todo o esforço intelectual e financeiro para a originalidade do filme.

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Comentário por Carlinha Link
1 de março de 2010 às 21h09

eu não vi o filme ainda, então não tenho mto como opiniar sobre a experiência do filme em si. Mas achei bem interessante uma matéria na bravo de fevereiro fazendo um comparativo entre os filmes “visuais” x os filmes de “textos inteligentes”. O titanic teve esse mesmo efeito, uma superprodução banal…

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Comentário por Isaac
16 de junho de 2010 às 11h19

Bem, falando sobre Avatar, escrevi em meu blog sobre o filme em questão, e hoje vejo o quanto a minha crítica foi um tanto pelo calor do momento pós filme, tanto que corrigi a nota que dei ao filme. O roteiro não existe, é um roteiro simplório com diálogos beirando o rídiculo e atuações mais que pífias, a animação por computador não me mostrou a que veio, pois este tipo de mundo cenário já nos é mostrado a um bom tempo nos games de última geração, e não tinha observado este ponto de vista sobre a sessão de terapia da alma americana. Acredito também piamente que se o filme fosse lançado em 2D não seria umfilme grandioso, o pior é que cada dia que passa o cinema americano vai se perdendo cada vez mais com seus roteiros ridiculos, suas franquias insuportáveis e seus filmes de super heróis!!!!!!

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Comentário por Miguel Monteiro
23 de março de 2011 às 10h39

Pocahontas no espaço, exactamente a mesma história “http://thenextweb.com/shareables/2010/01/05/pocahontas-avatar/” .
Filme para crianças. Para quem realizou Alien 2, desanimou.

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