OEsquema

Gaivotando

Estava ouvindo um podcast com a professora budista Elizabeth Mattis Namgyel e, no meio de 50 minutos de insights bonitos e práticos, ela me saiu com uma metáfora que eu achei bem bacana e queria dividir com vocês.

O assunto geral da palestra era, na verdade, sobre a relação entre a mente e o corpo. Não vou entrar em detalhes e estragar a explanação clara da Elizabeth, mas no geral ela coloca a necessidade de manter-se sempre entre os extremos do apego (sensualismo) e da rejeição (austeridade excessiva) pra com toda e qualquer experiência corporal. E, exemplificando a flexibilidade de mente necessária nessa abordagem, ela trouxe a imagem dessas gaivotas que ficam paradinhas em cima de bóias no mar.

Bom, a real é que as tais gaivotas nunca ficam paradinhas em cima de uma bóia. Elas estão o tempo todo se movendo de acordo com o balançar da bóia e do mar, ajustando-se milimetricamente à maré, sem exageros pra qualquer um dos lados. O ficar “paradinho numa bóia” ou “numa boa” é uma fantasia dos olhos que enxergam gaivotas à distância.

Pois é, eu sei que é mais fácil falar (ou escrever) do que fazer. Eu sei, ah como eu sei. Mas fica aí registrado um substituto à já bastante usada metáfora do bambu que se dobra à força do vento. Se tem coisa que faz bem pro cérebro é uma nova imagem dizendo coisas que ele já sabia.

Suerte para nosostros, amigo.

3 Comentários
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3 Comentários

Comentário por Lucas Moraes
19 de fevereiro de 2010 às 8h55

Esse equilíbrio só é possível se a gente olha pras coisas ruins também. Em vez de tratá-las na base da porrada, com a intransigência de um nazista. Poucas pessoas dão carinho pra rejeição.

Legal teu blog. Dá pra notar que tu escreve durante o ócio criativo. Durante a vida!

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Comentário por adriana
20 de fevereiro de 2010 às 1h17

qual o link do podcast? merci

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Pingback por Grande Mini - Trabalho Sujo - OESQUEMA
27 de fevereiro de 2010 às 12h40

[...] sobre o papel do produtor, descobre a ótima Mess e entrevista o Andrio do Superguidis), sobre ficar numa boa, sobre o Avatar, festejando Mulatu ou house fuleiro, ou ainda escrevendo os volumes esparsos da [...]

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