Recomendação: o Trasel escreveu um post interessante sobre a importância da linearidade no processo educativo. Bom… pedagogia DEFINITIVAMENTE não é algo que eu possa comentar com consistência, mas o que me cativou no texto do Trasel é o tom “epa-calmalá” no que diz respeito a surtos gerais do tipo “GENTE, OS JOVENS SÃO MULTITAREFA, PRECISAMOS REMODELAR O MUNDO AO REDOR PRA QUE SEJA MULTITAREFA SENÃO FICAREMOS PARA TRÁS.”
(Comentei também algo sobre isso nesse post recente.)
Enfim. Criou-se, nos últimos anos, a idéia de que o distúrbio de atenção é uma criação das mídias digitais. E, embora elas colaborem pra isso, faz bem o Trasel em lembrar que “Os alunos atuais não se dispersam porque a Internet os acostumou a começar uma busca procurando por dados sobre a extensão do Rio Amazonas e terminar tendo frio na espinha ao ler notícias sobre pessoas atacadas pelo candiru. Eles se dispersam porque nossa mente é dispersiva e a Internet é uma reprodução técnica desse caráter hipertextual do pensamento.”
Nos comentários, teve gente que gentilmente discordou e trouxe um outro ponto de vista. Mas no geral eu tendo a concordar com o Trasel pois no meu entender ele colocou a questão da educação ocidental como um lembrete de equíbrio em meio ao alarmismo e não como uma verdade definitiva. Aliás, o ponto dele, se eu bem entendi, não é fazer uma apologia da linearidade mas ressaltar que não precisamos sucumbira a essas reações exageradas no que diz respeito às novas formas de consumo de mídia, achando que tudo na pedagogia contemporânea precisa ser jogado fora de uma hora pra outra.
Como diria um sábio da antiguidade: calma, calma, não priemos cânico.
ariel em 16 de março, 2010 às
5:10 pm
é “palma, palma, não priemos cânico”
joao em 17 de março, 2010 às
8:24 am
Não sei se o comentário é pertinente, mas sempre que se fala em troca de gerações, parece que houve uma evolução no ser humano, falo literalmente, como se a teoria de Darwin acabasse de mostrar mais uma de suas façanhas.
Seres humanos são iguais a séculos, milênios, não houve evolução genética que nos tornasse mais inteligentes mais “multiprocessados”. Estamos no mesmo estágio que estavam Sócrates e Platão.
O que mudou foi o meio onde vivemos e novos estímulos tanto positivos quanto negativos, o ser humano é igual. Eu, meus pais, avos, bisavós, tataravós somos iguais, eu não tenho um dedo especial adaptado ao controle remoto e celular e isto nunca vai existir, a não ser que isto faça com quem tenha este dom, consiga ter mais filhos e propagar este dom pelo mundo.
Acho que pedagogia é uma das matérias mais inexatas que existem, por trabalhar com dados difíceis de medir e saber o que eu é importante, além disto, é dominado por um grupo com ideais muito fortes e passionais.
Cris em 17 de março, 2010 às
2:25 pm
li o texto do träsel e tendo a concordar com ele.
Essa onda de que devemos nos adaptar aos mais jovens… sei lá, mas… se um estagiário entra na empresa, a empresa toda vai mudar pra que ele se adapte (porque ele é o máximo da multitarefa mas não consegue terminar nada) ou ele vai ter que se adaptar?
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