1 de junho de 2010 às 10h29
Execuções
Meu texto sobre a profusão de pessoas querendo só ter idéias (em contraponto às pessoas a fim de executar idéias dos outros) rendeu algumas discussões interessantes. O post foi replicado no Update or Die e no blog da escola de atividades criativas Perestroika. Nessa última, o Marco Loco, criativo brasileiro morando em Berlim e um dos responsáveis pelo Impossible Goalkeeper da Adidas, questionou vários pontos no meu texto. O Leo, da W3Haus e o Israel da Aquiris entraram na discussão e acaba que tive que estender e revisar algumas das minhas reflexões.
Mas meu ponto continua o mesmo: tem muito preguiçoso a fim de sentar em torno de uma mesa de reuniões e jogar idéias a esmo, sem grandes compromissos com a sua produção. Quando, em torno dessas mesas, se reúnem pessoas sem o pacto da realização (ou com esse pacto balizado por agendas individuais em vez de uma única, coletiva), o sistema todo dá pau.
É chover no molhado dizer o quanto é difícil construir o equilíbrio entre motivações individuais e coletivas no desenvolvimento de um projeto criativo. O que advoguei no texto é que a participação/condução de líderes e empreendedores criativos (não que tenham vindo da área da criação, mas que tenham apreço pelos processos criativos) é fundamental pra criar um ambiente (econômico, físico e psicológico) onde esse tipo de atitude prevaleça.
Existe um outro tipo de atitude necessária no momento atual da publicidade, que é uma certa condescendência com a bagunça. O fail da Chuva de Twix no fim de semana passado e sua repercussão negativa são um exemplo excelente. O primeiro impulso que me veio ao saber do fracasso foi pensar “iiiihhh, os caras não sabem fazer a coisa, meteram os pés pelas mãos”. O segundo pensamento foi: “peraê, olha primeiro pro seu telhado. De que material ele é?” A bagunça do Twix é extremamente saudável porque coloca alguns pingos nos is. Mostra o quanto é difícil realizar ações diferentes e também como as idéias, o dinheiro ou a posição de empresas estabelecidas não necessariamente as protege de fails consideráveis. Estamos todos no mesmo barco.
Agora, depois do fail ocorrido, todo mundo vai ter mil e uma teorias sobre o que deu errado e como deveria ter sido conduzido o trabalho. Certamente a Chuva de Twix vai virar Fail Case em palestras sobre marketing de guerrilha. Mas, diferente de outras vezes onde fui mais ácido em meus pensamentos, eu me solidarizo com quem quer que tenha produzido essa ação. Por mais elementares que tenham sido alguns erros de produção e por mais que eles sejam claros a milhares de manés munidos de muitas “idéias legais” e um teclado de computador, alguém levou adiante essa ação e tentou colocar ela no mundo real, fora das mesas de reuniões. Isso, por si só, já tem mérito.
Quem já produziu uma Chuva de Twix que atire a primeira pedra.
***
Leitura complementar: o making of do Impossible Goalkeeper escrito pelo Marco. Foi de onde roubei a imagem do post.
5 Comentários




Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

2 de junho de 2010 às 18h00
Será que todo mundo hoje em dia quer ser “artista”? Será que não estamos diante do “artista-massa”?; como dizia Ortega y Gasset.
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3 de junho de 2010 às 15h38
Agora eu concordo 100%. E não apenas pq colocou meu rafe feio em anexo. :)
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3 de junho de 2010 às 20h23
Eu havia concordado com a primeira parte e concordo novamente. Apesar de concordar com Marco Loco de que não há tantas pessoas no mercado com ideias criativas/geniais, nao vi o texto por esta óptica.
No mundo digital, é muito comum ver designers sem a mínima noção de como estruturar um projeto e deixá-lo em pé. E aí, a definição de designer do Wollner me parece bastante pertinente: “Designer é aquele que entende do projeto como um todo. Se você cria apenas a capa de um livro, você não é designer, é ilustrador”.
Na faculdade é bastante comum esse problema. Todos querendo ter as ideias executadas, mas sem a mínima noção de como fazer. E com o agravante, o ego que não permite contribuir com as ideias de outras pessoas.
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4 de junho de 2010 às 14h37
Oi
Navegando por aí conheci este site (curti bastante), li o texto acima e comments, gostaria só de dizer que concordo plenamento com o comments do Léo Ribeiro. =D
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Pingback por #TEDxVV |
3 de outubro de 2011 às 20h15
[...] prática, tema muito interessante já abordado pelo Gustavo Mini em um dos seus posts no Conector (leia aqui). O assunto me lembrou também do livro dos ex-CP+B Alex Bogusky e John Winsor, ‘Baked In’, [...]