22 de julho de 2010 às 18h32
Robôs
O New York Times publicou recentemente uma matéria em vídeo e em texto contando sobre experiências do uso de robótica em salas de aula. O grande trabalho dos pesquisadores, pelo que entendi, não é só fazer com que os robôs desenvolvam a capacidade de ensinar, mas sim de aprender, de absorver determinadas respostas do aluno pra refinar a sua atuação nas situações seguintes.
Na Coréia do Sul, por exemplo, já existe a previsão de uso de autômatos como professores assistentes nos próximos anos por causa da grande capacidade de armazenar informação e por conta da paciência infinita para a repetição de tarefas. A idéia não é substituir professores, mas oferecer um apoio em tarefas muito repetitivas ou mecânicas.
O caso é interessantíssimo e, por isso mesmo, evoca uma série medos profundos do ser humano, sendo o primeiro deles o pavor de ser substituído, de tornar-se obsoleto. A seguir, vem o desconforto com a idéia de acabar transformando processos pedagógicos em linhas de montagem. Imagine colocar uma ferramenta dessas nas mãos de um empresário com cifrões no lugar das pupilas. Não é muito difícil compor mentalmente uma cena de armazéns lotados de crianças sendo “ensinadas” por robôs pra acelerar a qualificação de mão de obra de uma região ou cidade em desenvolvimento. É cena de filme de ficção científica, mas algumas delas andam se tornando realidade. Só de pensar, dá arrepios.
Uma outra forma de pensar isso é ver o fluxo de aprendizado como uma via de mão dupla. Acho que era o Paulo Freire que dizia que ninguém ensina ninguém, as pessoas aprendem juntas. Substituir professores por robôs, nesse caso, não impactaria apenas na formação de alunos mas também na formação profissional e, acima de tudo, humana dos professores. Será que determinadas tarefas repetitivas e que exigem paciência não devem ser executadas por humanos? Um dos maiores predicados das tarefas repetitivas e tediosas é justamente desenvolver pessoas capazes de lidar com elas, às vezes de forma resignada (nos tornaremos como raça incapazes de lidar com o tédio?), às vezes de forma criativa. Quer melhor combustível pra criatividade do que o tédio e a repetição? E se acabarem com o combustível?
Enfim. A questão é complexa. O post, hoje, termina por aqui. A reflexão não.
3 Comentários




Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 

23 de julho de 2010 às 9h46
Cara, isso me lembra uma palestra do Ken Robinson sobre educação no TED.
Será que não é o ensino que está tão formatado que os professores são passíveis de serem substituídos por robôs?
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23 de julho de 2010 às 13h26
Será que todo professor conta com talento, capacidade e paciência adequadas e necessárias para o exercício do ensino?
De todos os professores que tivemos na vida, quantos se mostraram realmente preparados para estar na frente de 35 alunos passando o conhecimento adiante?
Realmente, a reflexão é complexa e profunda.
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25 de julho de 2010 às 16h24
olá, daqui a 1 ano e 1/2 me formo professor de filosofia, penso que o “corpo á corpo” não será substituido mas será um luxo para poucos. como os professores particulares hoje.
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