OEsquema

Diversidade

Meu, você viu AQUELE vídeo no YouTube? Você baixou AQUELE aplicativo? Já leu AQUELE livro sobre preços na era digital? Já entrou NAQUELA rede social? Não? Como não? COMO NÃO? COOOOMOO NÃÃÃÃO SEU DESLIGADO???!!!!

Acredito que poucas pessoas ainda gostam de se engajar nesse tipo de conversa. É um hábito tacanho, fruto de uma época de elitismo informacional, na qual apenas poucas pessoas com muito dinheiro tinham acesso a determinados nacos da cultura do nosso tempo. Cheguei a pensar, por alguns anos, que esse tipo de papo ficaria pra trás quando as informações estivessem um pouco mais democraticamente distribuídas. Mas obviamente as coisas não são assim e eu estava sendo ingênuo em dois níveis. Primeiro, porque ainda há fortes controvérsias sobre a real democratização na distribuição de informações mesmo com um acesso crescente da internet. Segundo, porque a quantidade de informações circulante criou um outro tipo de atitude elitista maluca fragmentada que não diz respeito a ter ou não ter dinheiro, mas sim fazer ou não fazer parte de um círculo de influenciadores em determinadas áreas.

Hoje, não há como alguém saber tudo, mas é possível que você esteja por dentro de tudo de um certo segmento, o que o deixa seguro nele e o faz provavelmente um especialista quando está fora da sua turma. Mas essa é uma foram de ver as coisas. Outra é a seguinte: você ser compreendido dentro do seu segmento e considerado um especialista quando está navegando fora do seu segmento, da sua turma, o torna na verdade um ignorante. É o que todos nós somos dependendo do ponto de vista e de nossa localização num dado instante.

Nossa riqueza como equipes, grupos, turmas, é justamente termos informações complementares. Não faz sentido tirar onda de alguém com quem você trabalha porque ELA NÃO VIU TAL VÍDEO? COMO NÃO?!. Se todo mundo viu por que precisa que mais uma pessoa veja? Não é melhor que você veja certos vídeos, eu veja outros e então façamos uma mistureba pra ver no que dá?

Um lugar onde todas as pessoas JÁ VIRAM, CLARO, TAL VÍDEO E ÓBVIO QUE JÁ LERAM TAL LIVRO E, POR FAVOR, JÁ BAIXARAM AQUELE APP, seria um local de instrução absolutamente uniforme. Se você olhar ao redor e se ver num grupo assim, é provável que esteja vivendo num condomínio fechado de cultura pop.

Hoje, mais do que nunca, desconhecer alguma coisa não costuma ser sinal de desinformação, mas sim de diversidade cultural.

4 Comentários
por: Gustavo Mini postado em: Publicidade tags: , , ,

4 Comentários

Comentário por Ariel Cardeal
19 de abril de 2011 às 0h02

Sempre os mesmos.

É quando o nicho se fecha em si, né? É como ler só o Não Salvo ou SÓ OEsquema (rs)
Na real essa é uma característica humana presente desde as cavernas, não? Eu chamaria de ‘bairrismo virtual’, pelo ponto de vista das pessoas compartilharem coisas fechadas num segmento.
Mas vamos e venhamos, ninguém controla a randomicidade do universo que nos presenteia vez ou outra com olhares diferentes das coisas, não é?

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Comentário por Gustavo Mini
19 de abril de 2011 às 8h37

É verdade, Ariel. A pessoa só precisa ter um pouco de abertura pra randomicidade. :-)

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Pingback por TODO MUNDO = ODNUM ODOT | Nada DiNovo
25 de abril de 2011 às 20h38

[...] da Rolling Stone (Os cinco filmes mais cults que as pessoas mentem ter assistido) me lembrou este texto do Gustavo Mini, do Conector. Another brick in the [...]

Comentário por tati
9 de fevereiro de 2012 às 18h45

Acho mesmo que desejar saber tudo/o ultimo grito é sinal de provincianismo.

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