11 de maio de 2011 às 15h31
Malditos Cartunistas
Vamos tirar o óbvio da frente 1: Malditos Cartunistas supre uma lacuna histórica ao documentar, de forma direta, com uma simples e bem sacada edição de entrevistas, um pedaço fundamental porém pouco valorizado na cultura brasileira. É uma hora e meia de papo pra câmera que poderia ser duas ou três horas, em parte porque os entrevistados (cartunistas, desenhistas, quadrinistas, editores ) são todos figuraças, em parte porque existe uma demanda reprimida por reflexão e referências nessa área.
Vamos tirar o óbvio da frente 2: Não estamos falando de gente que simplesmente desenha, mas de uma categoria que ajuda a moldar a forma como o país se diverte, se pensa e se enxerga. Quando não é pelas invisíveis cordas das publicações underground, que colocam os malditos cartunistas na posição de influenciadores indiretos da cultura (como a finada revista Animal que pautou editores, diretores de arte, designers, escritores, jornalistas durante sua vida), temos a atuação direta no mainstrem, como Angeli e suas 100 mil edições de Chiclete com Banana vendidas em banca, o pequeno império de Mauricio de Sousa, as tiras diárias de Caco Galhardo, Ota, Arnaldo Branco e outros espalhados por jornais brasileiros, o Reinaldo com o Casseta e Planeta na Globo (por sua vez filhotes do Pasquim de Jaguar e Ziraldo) e, claro, não podemos esquecer, da época em que o Laerte e o Adão Iturrusgarai faziam parte da equipe de roteiristas do TV Colosso. Os malditos cartunistas, na verdade, não são tão malditos assim.
Agora, além desses pontos óbvios, há um mérito extra no Malditos Cartunistas, que é juntar essa turma para que possamos ouvi-los e vê-los em sequência, comparando sua fala, sua atitude e, talvez o mais bacana, o seu visual. Sim, pode parecer futilidade, mas dentro todas as coisas bacanas do filme, o que eu mais gostei foi poder enxergar a cara, as roupas e principalmente o CENÁRIO DE FUNDO das entrevistas: a nesga da cozinha do Ota com o lixo transbordando, a pilha de livros do Angeli, a prancheta do Adão Iturrugarai, a janela de apartamento de classe média portoalegrense da Chiquinha (veja os comentários), o escritório do Ziraldo e por aí vai.
Quando você tiver a oportunidade de assistir Malditos Cartunistas (fique ligado nos festivais de cinema e nas internétes), não deixe, então, de prestar atenção nos cenários. Esse tipo de informação nem sempre entra pelo nosso canal mais racional de compreensão, mas vai ajudando a sedimentar inconscientemente uma cultura visual mais própria do brasileiro. Que aqui não é exclusividade dos entrevistados: o formato do documentário, bem punk, à base de edição de conversas com a câmera, dá o tom perfeito para contar um pedaço importante da nossa história.
O Brasil estava se devendo um trabalho como este.
BRAZIU-ZIU-ZIU-ZIUUUU…
***
Update: o Fabio postou nos comentários o link de um Documento Especial (o Globo Repórter punk) sobre os quadrinhos brasileiros nos anos 80. Ainda não tive tempo de ver (talvez eu tenha visto na época!) mas de qualquer forma, puxo aqui pro post o link.
7 Comentários



Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital no programa Minimalismo (em pausa!). Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 



11 de maio de 2011 às 15h56
aheh chiquinha!
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11 de maio de 2011 às 23h53
http://www.ideafixa.com/ha-20-anos-atras-documento-especial-sobre-quadrinhos-no-brasil/
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12 de maio de 2011 às 11h22
e aquele abraço pros daniéis (paiva e garcia), bravos realizadores do filme. =]
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12 de maio de 2011 às 11h49
Opa, a janela do apartamento classe média não é minha, é da minha amiga Lou Lou que me hospedava em sua casa no Rio, naquele saudoso verão de 2008.
:)
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12 de maio de 2011 às 11h50
Cenário real chicau: Pilhas de papel + xicaras com nescau pela metade + gatos empilhados. HAUAHA!
Beijoca!
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12 de maio de 2011 às 11h53
Chiquinha, fui traído pelas minhas projeções!
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15 de maio de 2011 às 1h33
Falta no filme alguem falando sobre censura POLÍTICA, tem alguns falando na censura MORAL.
O problema de entrevistar cartunistas da grande imprensa, é q queima o filme deles,
admitir q tem censura politica nos seus jornais ( e eu até entendo q o cara tem q preservar o emprego).
Ficou parecendo q terminou a censura POLÍTICA e principalmente a censura ECONÔMICA , a famosa proteção ao anunciante!!
mas o filme é muito bom e util p nós!!!
Santiago
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