23 de outubro de 2011 às 21h59
Leitura Sugerida
Essa semana, peguei dois textos pra ler em sequência e, serendipitosamente, eles faziam muito sentido juntos. Vejamos: primeiro, o artigo do Douglas Rushkoff sobre o #occupywallstreet e toda a questão da crise americana, perguntando: “Desde quando o desemprego é um problema?”. Bem, obviamente a pergunta é retórica e não se dirige às pessoas que estão desempregadas (o que seria perverso).
Rushkoff, isso sim, aproveita o gancho do desemprego pra lembrar que “o que nos falta não é emprego, mas uma maneira de distribuir justamente a abundância que geramos com nossas tecnologias, e uma maneira de criar significado num mundo que produz coisas demais.” Antes disso, vai mais longe: “como podemos organizar uma sociedade em torno de outra coisa que não o emprego?”
O ponto de Rushkoff é que a tecnologia permite que as pessoas, entre outras coisas, divirtam umas às outras, ajudem umas às outras a criar sentido (como sempre, o empreendimento mais difícil). Se o dinheiro circular nesse sentido horizontal, a economia seria um tantinho mais saudável.
Infelizmente, o argumento ainda soa mais filosófico do que prático (o que não deveria nos desanimar). No texto seguinte que entrou na minha fila de leitura, o escritor e ensaísta Sam Harris comenta sobre sua experiência com os Kindle Singles, os “livretos” digitais da Amazon de menor extensão e menor preço, criados justamente pra atender uma nova demenda de leitores que não querem gastar tempo para absorver 600 páginas de argumentação em torno de um assunto.
Diz Harris > “Os editores não conseguem cobrar dinheiro suficiente por livros de 60 páginas. Logo, os autores não conseguem se remunerar com eles. Mas os leitores estão começando a perceber que isso não é problema deles. Pior, a maior parte das pessoas acredita que pode dar um pulo no YouTube e assistir a uma conferência com o autor, ou então dar uma espiada no blog dele e, assim, absorver muito do que ele tem a dizer sobre determinado assunto.”
Ou seja: diminuindo-se os intermediários, é preciso contornar a questão da gratuitade para que as relações horizontais (quando nós consumimos conteúdos que nós criamos) sejam viabilizadas também economicamente. Sem excessos, mas economicamente.
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Imagem: daqui.




Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital no programa Minimalismo (em pausa!). Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 



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