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Terapia Indie

Não tenho tempo pra articular um post maior, mas vocês não estão com a impressão de que está rolando a maior terapia em grupo na mídia por parte da geração independente dos anos 80/90? Vejamos.

Aqui no Brasil é bem óbvio que isso está acontecendo – e já faz algum tempo. Toda a discussão em torno do Circuito Fora do Eixo esse ano foi, na verdade, uma requentada da polêmica do ano passado (lembra da a carta do João Parahyba?). Esse ano, a coisa foi reativada pela coluna do Álvaro Pereira Jr., pela visão do China e pela resposta do Bruno do Macaco Bong, pra não falar do desabafo do Bernardo do Elma no Facebook, contando os rolos com a produção do Cedo e Sentado (você veja que já tem bibliografia o debate e eu nem linkei 1/10 da parada…).

(Até pensei em escrever sobre isso tudo do ponto de vista de artista, mas resolvi responder tocando com os Walverdes por aí.)

Mas não é só na órbita do Fora do Eixo que gira a terapia em grupo. Bandas como o DeFalla voltando, o Rodolfo do Raimundos em matéria na Rolling Stone, a inacreditável ronha entre o Lobão e o Lolapalooza (o simbolismo disso me deixa pasmo), o lance entre o Ultraje e o Peter Gabriel, o Adriano saindo do CSS (não pude não lembrar de emails inflamados da época da Poplist, mesmo com a posterior entrevista mais comedida)… enfim… como diz aquela irresistível canção, “alguma coisa está fora da ordem” – ou fora do eixo (tum-tum-pish!)

No meio disso tudo, poucas coisas que li esse ano me deixaram tão intrigado e boquiaberto quanto o depoimento da mina do LeTigre sobre não poder construir uma vida estruturada materialmente com seu ofício de artista nos Estados Unidos. Ainda que legítimo, não dá pra um artista brasileiro ler o texto e não achar esquisito. É outra peça absurdamente forte e simbólica, porque é um sinal de estruturas (financeiras, sociais e conceituais) ruindo.

Outros indícios da grande terapia de grupo indie das últimas décadas: depoimentos como o do Bob Mould (Sugar/Husker Dü) e do Low Barlow, abrindo motivações, alguns podres e bastidores de momentos culturais singulares e fundamentais do fim do século passado. Pra não falar da separação do casal ícone do underground – Kim Deal Gordon e Thurston Moore, com direito a declarações emotivas do George Harrison do Sonic Youth, Lee Ranaldo.

(Em tempo: em 2009 Kim e Thurston abriram sua casa pra revista americana Nylon. O que mais me chamou a atenção nessa matéria foi o tom desculposo da dupla ao comentar que tem dois carros na garagem, como se tivessem que justificar pra patota alternativa tamanho luxo… a patrulha indie é implacável! A resposta aparece agora: dois carros pra cada um ficar com um… tumtu-pish!)

Rapaz, que momento!

4 Comentários
por: Gustavo Mini postado em: Destaque, Música tags: , , , , ,

4 Comentários

Comentário por Mateus
5 de dezembro de 2011 às 11h41

Achei o texto do China bem escrito, bem argumentado e elegante, ainda que com uma posição bastante clara. Por sua vez, a resposta do Macaco Bong tem algum fundamento, mas foi apresentada da pior maneira possível. O texto é desnecessariamente agressivo e ofensivo, além de ter passagens homofóbicas…

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Comentário por Eduardo Azeredo
6 de dezembro de 2011 às 15h18

O tal texto do China é bem convincente. A ver se tudo o que ele fala é verdade. Só que tem uma pérola tremenda, que é a parte em que ele fala que como funcionário da MTV fala o que a emissora manda porque lhe paga. Pegou malzão.

Se alguém conseguiu ler o texto inteiro do Bruno do Macaco Bong me avisa, porque requer uma paciência hercúlea, tanto pelo tamanho como pela escrita de msn. Os caras deram certíssimo via fora do eixo e ali tão os argumentos. O foda é ver o cara corroborar um esquema de aparente pouco profissionalismo que funciona com eles mas que eu imagino não funcionar pra 90% das bandas minimamente bem sucedidas.

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Comentário por Snorks
7 de dezembro de 2011 às 13h05

Fala Mini,
O Thurston pegava a Kim Deal também? Tá explicado porque ele e a Kim Gordon tretaram então

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Comentário por Gustavo Mini
7 de dezembro de 2011 às 18h46

Opa! Consertado!

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