8 de dezembro de 2011 às 17h30
Contra a Datenização da linguagem
Reiterando o que escrevi no Feice quando linkei a matéria acima: é inspirador o discurso que o Luiz Eduardo Soares vem martelando na mídia há anos. Falar em perdão e conciliação é, hoje, quase uma heresia. Mesmo nos veículos que não se apresentam como explicitamente datenizantes, tem sempre uma entrevista de vítima revoltada que justifica o sentimento de vingança que está em vigência cultural. Quanto maior o sofrimento, maior a carta branca não escrita para o revide com força total. São poucas as vozes conciliadoras. É preciso espalhá-las e amplificá-las.
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Uma coisa curiosa: mesmo gente supostamente civilizada, educada e defensora dos direitos civis acaba datenizada. Um momento simbólico disso foi quando, há alguns meses, circulou a notícia que em Porto Alegre uns punks gays haviam espancado uns nazis. Nem sei se foi confirmado como fato, mas o que importa aqui é que não faltou gente pra “comemorar” o acontecido nas redes sociais. Ma como assim??
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É claro que a imensa maioria das pessoas que se regozija com o espancamento de nazis não é capaz de tocar num fio de cabelo de quem quer que seja. Mas a linguagem, proferida e hoje tão amplificada, ajuda a criar um ambiente propício para atitudes muitas vezes impensadas. Por que gente que não conseguiria de fato de bater em alguém (ou nem pensou muito no assunto) passa adiante o regozijo com o espancamento de alguns alguéns?
É de se tomar cuidado.
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Antes que alguém ache que estou defendendo algum tipo de censura ou de politicamente correto: estou falando de uma reflexão interna do sujeito e não de uma força reguladora externa.
O vídeo acima(que não permitia incorporação…) é a sequência inicial do segundo episódio da primeira temporada de Louie, o seriado daquele humorista Louie CK. Durante um pôquer de comediantes-amigos, Louie pergunta a um dos parceiros, que é gay, se ele se ofende com a palavra faggot. O parceiro, então, dá uma aula sobre a etimologia de faggot. Segundo o roteiro, a história toda vem de faggot como sinônimo de um ramalhete de gravetos, usados comumente na era medieval pra queimar mulheres acusadas de bruxarias e… gays.
Ele encerra a pequena aula de história dizendo: “não é que eu me ofenda quando você usa no palco, mas achei que seria interessante você saber de onde vem a palavra.”
Segundo a Wikipedia, pode nem ser essa a origem exata do termo. Mas acho que o ponto sobre linguagem é válido.
5 Comentários





Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital no programa Minimalismo (em pausa!). Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
gustavomini arroba gmail.com 



8 de dezembro de 2011 às 18h24
1. vdd.
2. o link que manda pra wikipedia na real é o link pro vídeo do Louie CK
3. é muita opinião pra pouca conversa. como disse o matias, o pessoal tá na ressaca da web 2.0, tem que dar pitaco em tudo
abraço
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8 de dezembro de 2011 às 18h27
vALEEEU.
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12 de dezembro de 2011 às 12h50
Não só isso, o cara fala que toda vez que alguém o chamava de faggot, mesmo que por brincadeira, ele lembrava dos chutes e socos na época do colégio. Remodelou alguns conceitos meus essa cena do Louie.
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12 de dezembro de 2011 às 15h28
Belo post.
O fenômeno bem definido por vc como Datenização é algo bastante perigoso na atualidade. Tais sentimentos são disseminados por uma parte reacionária da sociedade. Vem de diversos setores, como de parlamentares como o deputado Bolsanaro, como também de personagens midiáticos como o próprio Datena.
As redes sociais tem mostrado que esse sentimento tem encontrado cada vez mais adeptos. É como vc falou, muitas das pessoas com esses sentimentos não seriam capazes de agredir fisicamente qq pessoa, mas somente o fato de terem tal ideologia da vingança, acaba por legitimar agressões físicas de grupos mais exaltados ou continuem elegendo parlamentares como o citado Jair Bolsanaro. Por um lado é compreensível que vítimas de crimes possam no momento da agressão ou da agressão a um ente querido, possam ter sentimentos vingativos, visto que algumas agressões são bastante lesivas e possam despertar sentimentos bastante agressivos, visto que os seres humanos têm o seu lado passional. Por isso mesmo que o crime deve ser julgado pelo Poder Judiciário, com juízes que estão distantes do ocorrido e tem mais capacidade para julgarem friamente o ocorrido, mesmo que saibamos das limitações e dos vícios do Judiciário.
Sentimentos de vingança espontâneos são bastante perigosos e causam instabilidade social gigantesca, me lembro do caso recente do motorista que teve um problema ao dirigir e desmaiou e consequentemente atropelou alguns pedestres e em seguida foi barbaramente linchado pelos populares que estavam no local. Acho linchamentos um grande sintoma da barbárie. É um evento onde uma orda de pessoas imbuídas da coragem coletiva de bando, julgam instantaneamente e punem no mesmo evento uma pessoa, passando longe dos princípios civilizados do Estado Democrático de Direito, cometendo injustiças como o linchamento citado.
Mas o que causa grande preocupação é veículos da mídia aumentarem cada vez mais o espaço dado a programas policiais que disseminam tais tipos de sentimentos na população. As mídias de rádio e televisão são concessões públicas e tem obrigação constitucional de veicular em sua programação programas com responsabilidade social, mesmo que isso soe utópico.
Mesmo não sendo popular e bem visto por grande parte da população, o perdão defendido pelo autor debatido, tem que ser considerado pelo simples fato do que o modelo prisional atual é um retumbante fracasso e nada/pouco tem contribuído para o bem estar da sociedade.
Algo interessante de ser dito é que o chamado conceito (para mim muito reacionário e hipócrita) de “homem de bem” é algo frágil e abstrato. Dessa maneira qq um pode incorrer em crime e ser condenado, nessas horas o perdão será pedido por esse que muitas vezes se intitulou como homem de bem, ou mesmo quando seu filho também cometer algum delito.
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22 de dezembro de 2011 às 16h43
Acho que si, putz.
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