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Minimalismo Mixtape

Se você ainda consegue manter a sua atenção fixa num assunto, num vídeo de mais de 10 minutos, num livro de mais de 100 páginas, saiba que essa talvez seja uma habilidade muito valorizada no futuro. Umas das regras clássicas da economia é que a escassez de um produto tende a aumentar o seu valor. Seria plausível pensar que, daqui uns anos, as pessoas que tem a capacidade de reter a atenção por mais tempo serão pagas pra assistir determinados conteúdos mais longos e depois contar pros outros que vão estar distraídos com mensagens de 140 caracteres.

A nossa escrita está ficando mais quadrada porque confinada aos emails, às anotações que são tecladas, aos contatos que são armazenados de forma digitalizada nas agendas de computadores e celulares. Quem sofre mais com a digitalização da vida não é a escrita formal, os textos profissionais, e sim os rabiscos do cotidiano, como os números de telefone anotados em cantinhos de jornal, os recados em pedaços de papel e os pensamentos desenhados na folha de uma agenda. Que lugar tem eles nas mídias digitais?

Muita gente acha que o principal poder do Google vem da alta capacidade de busca. Mas isso é só um pedaço da história. A verdeira força do principal buscador da internet vem da classificação de informações por relevância. Ou seja, não é que o Google seja só bom de buscar. Ele é bom principalmente em encontrar e classificar. Tão bom que além encontrar o que você precisa, ele também encontra você quando um anunciante precisa da sua atenção. Aqueles links patrocinados no canto da página são a grande fonte de receita do Google e eles funcionam porque você está sempre usando a ferramenta e tornando ela mais inteligente, com resultados mais relevantes.

Que a internet está mudando o jeito como a gente faz um monte de coisas, todo mundo já sabe. De tempos em tempos reportagens na tv, em revistas e na própria rede parecem dar a ideia de que estamos caminhando juntos na mesma direção. Mas a tecnologia não muda a vida das comunidades do mesmo jeito. Brasileiros, chineses, indianos, americanos, ingleses, todos são impactados de forma diferente. Cada povo absorve as inovações com o tom da sua cultura.

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Em muitos lugares do mundo, a internet ainda é uma novidade. Menos de um terço da população mundial tem acesso à rede, mas provavelmente é uma questão de tempo até o planeta ficar de fato totalmente conectado. Isso significa que a internet que a gente tem hoje, mesmo com todas sua diversidade cultural, é só uma amostra do que está por vir. Ela ainda tem o jeito dos Estados Unidos e da Europa. Com o tempo, a entrada de mais e mais pessoas das regiões menos conectadas deve trazer novidades.

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A África, a Ásia e o Oriente Médio ainda tem muito o que crescer e colocar na internet. Mais ou menos 4 bilhões de pessoas dessas três regiões não estão lendo blogs e sites de notícia, assistindo vídeos, ouvindo música online e dividindo suas idéias, suas fotos de família, seus vídeos curiosos e suas opiniões com o resto do mundo digital. Quando eles entrarem nessa, aí sim pode ser que a gente sinta um pouco mais o gostinho de viver em uma aldeia global.

Quando uma pessoa não tem informação de moda o suficiente pra se sentir segura na hora de vestir, ela geralmente recorre a refências da novela ou de revistas conhecidas. Com música ou cinema é mais ou menos a mesma coisa. Mas quando o assunto são aplicativos de celular, ainda faltam referências populares pra organizar todas as possibilidades que existem.

As lojas de aplicativos como App Store e Android Market ainda são confusas e os veículos que decodificam as tendências e as melhores opções ainda são voltados a um nicho. A tecnologia já é parte da cultura popular, só que o universo de informação sobre tecnologia ainda precisa fazer um pouco mais de barulho pra chegar na massa crescente que está dando corpo e volume pra nova cultura digital.

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Isso aí foi um rápido mix de trechos dos meus comentários de cultura digital na Oi FM, os Minimalismos.

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por: Gustavo Mini postado em: Destaque, Minimalismo tags: ,

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