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Cidades Digitais: um assunto universal e transversal

Escrevi esse texto já faz alguns meses. Era pra sair em um jornal. Não saiu. Então aí está, atrasado, já no meio da campanha política.

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A corrida eleitoral desse ano mal começou e um assunto já desponta com força inédita no debate político: a digitalização das relações políticas e sociais através de projetos oficiais das prefeituras. O tema ronda o âmbito governamental faz alguns anos, mas só agora começa a ganhar contornos mais claros em grande parte graças à insistência de ativistas da área, cada vez mais organizados e mais presentes em diferentes setores da sociedade. No discurso dessa turma, duas abordagens são fundamentais para uma visão produtiva do assunto: a universalidade e a transversalidade.

A universalidade diz respeito a quebrar a idéia de que cidades mais digitais são de interesse exclusivo das elites urbanas. Moradores da capital, do interior, de regiões urbanas e rurais, grandes empresários ou moradores de rua, todos se beneficiam com investimentos mais democráticos nesse setor. Para os menos favorecidos economicamente, o acesso à tecnologia não deve ser considerado um luxo, mas um vetor de inclusão social. Porque o acesso democratizado às tecnologias e às linguagens digitais distribui melhor poderes e saberes. Abre portas geralmente fechadas no ambiente físico.

A tranversalidade também é um fator fundamental. Por transversal entenda-se a capacidade do tema de ser objeto de ação de rubricas governamentais tão diferentes como infra-estrutura, cultura, desenvolvimento e saúde. A internet é assunto de infra-estrutura na medida em que o acesso universal pressupõe uma cobertura robusta, rápida e segura para todos; é assunto de educação quando a capacidade de articulação de conhecimento na rede surge como um dos ingrediente básico para o crescimento pessoal e profissional; é assunto da saúde pública quando os avanços tecnológicos permitem contornar problemas históricos de gestão e informação; e por aí vai. Não há secretaria que possa se omitir de ter em seus quadros ao menos uma pessoa em posição estratégica que domine amplamente o universo digital e suas implicações.

A equação é complexa mas o princípio é muito, muito simples: a cultura digital é coletiva por natureza e qualquer força em contrário pode ser classificada como distorção. Desse ponto de vista, por mais paradoxal que possa parecer, cidades bem estruturadas digitalmente, mais bem servidas por ferramentas e conhecimento tecnológicos, também serão cidades mais humanas.

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Imagem: daqui.

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por: Gustavo Mini postado em: Destaque, Digital, Imagem tags: ,

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