Categoria: Design


terça-feira, 26 de janeiro, 2010

Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis - Reciclando Idéias por Peter Burke

Bom, na verdade essa entrada na Biblioteca não é bem um livro, mas um artigo que saiu na Folha no ano passado no qual o historiador inglês Peter Burke fala sobre processos de criação em invenções como a prensa de Guttenberg e as classificações da linguística. O ponto dele é simples: quase toda nova tecnologia se nutriu de caminhos previamente trilhados em disciplinas alheias.

Ou seja: advogar pureza de métodos e mundos na busca por uma nova solução em qualquer área é como entrar no carro e sair dirigindo com o freio de mão puxado. Os argumentos de Burke não são difíceis de serem abraçados. Seja por observação empírica, seja pelos inúmeros exemplos históricos, é bastante claro que desenvolver soluções novas e eficientes passa obrigatoriamente pela colisão de mundos e de formações.

Em publicidade, mantras como “você precisa sair da agência”, “você não pode viver só de referências de publicidade”, que no passado precisavam ser repetidos à exaustão, hoje são parte do vocabulário de qualquer estagiário. Embora ainda exista uma nefasta cultura de pessoas praticamente morando dentro de agências, todo mundo ao menos sabe que é preciso evitar a retroalimentação. Então a arte da hora é fazer a conexão entre suas experiências particulares extra-agência (praticamente todo criativo que eu conheço hoje as tem) e o trabalho dentro da agência. É muito fácil encontrar grandes obstáculos pra fazer a síntese dos dois universos e a diversidade de experiências se transformar em frustração. Digo por experiência própria.

De qualquer forma, é fundamental aprender a valorizar essas vivência extra-dayjob não como uma atividade marginal ou como hobby, mas como parte integral da formação de quem trabalha com publicidade e marketing. Por exemplo, tudo que aprendi sobre narrativa e construção de personagem eu devo à leitura massiva de quadrinhos durante anos e anos. Tudo que eu aprendi sobre as tais novas mídias e sobre comportamento em mercados de nicho eu devo a tocar e ajudar a produzir os Walverdes há 17 anos. E por aí vai.

Bom, eu falando é uma coisa. O Peter Burke falando é outra. Por isso incluí a leitura desse artigo na Biblioteca Conector. Ele provê uma plataforma bastante interessante e bem mais embasada pra reflexões nesse âmbito. Bom proveito.

Como o conteúdo do artigo na internet é restrito a assinantes da Folha, eu subi aí um scan que me mandaram aqui na agência. É só clicar em cima da imagem que abre o post que ela aumenta e dá pra ler na buena. Ou tem uma transcrição aqui.

Bom proveito.

***

A Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis reúne livros e artigos pra quem se interessa por estudas novas manifestações e usos de meios de comunicação. Em outras palavras, pra entender essa baguncinha aí. Pra saber mais, leia a introdução.

Pra ver todos as entradas, clique aqui.

Se você tem uma dica de livro interessante sobre o assunto, resenhe e publique nos comentários.

Postado por Gustavo Mini às 9:00 | 3 Comentários | Permalink

terça-feira, 24 de novembro, 2009

Sobre ir fundo em camadas horizontais

David e Maggie Loony se conheceram, namoraram e viveram casados por 40 anos. Ao longo desse tempo, tiveram três filhos, Dennis, Claire e Peter, que foram criados em uma casa de três andares na praia. Agora, beirando os 70 anos, papai e mamãe Loony chamam os filhos de volta à casa para um último aviso: eles estão se separando. Dennis pira, Claire reflete sobre o próprio divórcio e Peter… bem, Peter é o único que não é retratado com uma cabeça humana, mas com a de um sapo. E, não sei se tem a ver com isso, Peter encontra uma oportunidade de respirar.

Umbigo sem Fundo é isso: pura investigação humana usando como ferramentas a dissolução, a manutenção e a construção de laços familiares, usando um arsenal de escolhas narrativas e estéticas que faz o livro não parecer as 720 páginas que tem. Como objeto, Umbigo Sem Fundo é pesado e chato de carregar. Mesmo assim, eu o levei pra ler na praia, porque, como obra, a densidade e o peso do assunto são temperadas com um olhar amplo que empresta leveza e espaço pra que qualquer leitor (mesmo que não seja americano e filho de pais idosos se separando) possa se identificar com algum aspecto do impacto da decisão de David e Maggie. Conscientemente ou não, o que o jovem autor Dash Shaw fez foi transformar os meandros dolorosos da micro-saga dos Loony em um buffet de pequenas questões universais que pode ser acessado - como os bons buffets - por vários lados.

E assim o mundo anda. Página após página, podemos observar o desdobramento do divórcio dos Loony através diversas camadas: temos o discurso, as palavras, o que é dito pelos personagens; temos as onomatopéias, que são tão presentes na história como os ruídos do dia-a-dia são em momentos embaraçosos; temos as escolhas anatômicas dos personagens (Dennis é meio Homer Simpson, Peter é meio Caco dos Muppets); temos as decisões estéticas e técnicas de linguagem de quadrinhos (Shaw usa quase tudo que é possível usar); temos os cenários, os móveis, o céu, a areia, o mar, todos fazendo as vezes de apoio visual para pequenos dramas; e, por fim, temos a casa dos Loony, personagem fundamental na trama por servir de território de busca física e emocional, de Dennis e sua sobrinha Jill.

Pra completar, o traço de Shaw ainda se localiza numa espécie de limbo técnico: parece rascunho, mas é detalhista; é detalhista, mas parece relapso; é relapso, mas bate fundo. Como se isso não bastasse, a edição brasileira (talvez a americana também, não sei) vem impressa (por quê?) em uma cor bege, o que é perfeito para o tom da história já que pouca coisa entre os Loony é, em termos de sentimentos, só preto ou branco.

Bom, a essa altura talvez você já tenha notado… uma família disfuncional, uma casa na praia, um narrador que oferece espaço para a história se desenrolar e gosta de usar cenários e objetos como personagens. Se você juntar A com B, vai perceber que Umbigo sem Fundo se insere em toda uma linhagem americana de autores que trabalham dessa forma. Nos quadrinhos, já falei aqui sobre a recente Fun Home (aqui e aqui), por exemplo. No cinema, não é difícil lembrar de Margot e o Casamento, A Lula e a Baleia, e Tempestade de Gelo, Os Excêntricos Tennenbauns, pra ficar em algo recente (alguém lembra de coisas mais antigas nesse sentido?) Se algum desses títulos calou fundo aí, não pense duas vezes sobre adquirir o pesado tomo de Umbigo sem Fundo. Também é um bom presente de Natal para um amigo ou parente que gosta de boas histórias desenhadas.

Exemplares autografados por Shaw durante a Bienal do Rio.

Uma última nota curiosa: diferente do que esse tipo de graphic novel/filme/romance possa sugerir (e quanta terapia disfarçada de literatura se faz nesse sentido!), Dash Shaw disse em entrevista à New Yorker que o livro não é autobiográfico. A família do autor sempre foi tranquila, seus pais estão juntos até hoje e, segundo ele, tem muito pouco dos Loony. O que talvez explique a poesia de Umbigo Sem Fundo: pra enxergar com tantas nuances certas tragédias, é preciso 1) a capacidade de se distanciar ou 2) estar de fato distante delas.

***

Bom, aqui tem dois links interessantes caso você queira ir um pouco mais adiante. Mas minha sugestão é a seguinte: leia o livro primeiro, depois explore as entrevistas.

Em todo caso, aqui estão elas.

Em inglês, pra New York Magazine: How Dash Shaw Wrote The Graphic Novel of The Year.

Em português, pro Grito.

E também, pra facilitar sua vida, comparação de preços no Buscapé.

Boa leitura.

Postado por Gustavo Mini às 9:25 | 4 Comentários | Permalink

sábado, 26 de setembro, 2009

Videofinde: lúdico e comestível

Conheça os sucos Do Bem. Se o suco é bom e a história é real eu não sei. Mas os vídeos são massa.

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quarta-feira, 8 de julho, 2009

Conector em Gotham parte 8: high line

É engraçado. A série Gotham na verdade começou há um anos e pouco, quando passei dez dias com minha mulher em Nova Iorque. Como você pode ler aqui, eu fiquei bastante impressionado com minha primeira vez nos Estados Unidos. Da mesma foma que a maior parte das pessoas de classe média no Brasil, cerca de 70% da minha formação cultural se deu por intermédio de produtos americanos (de todas as qualidades). Fora isso, tenho algumas ligações sentimentais com a língua e o jeito como os americanos organizam sua sociedade.

Essa segunda viagem a Nova Iorque só veio confirmar as sensações misturadas da primeira: adoro o lado cosmopolita e cultural da cidade, mas aquela correria e aquela ansiedade no ar definitivamente não me fazem tão bem. De modo que meus dois lugares prediletos são o Central Park (como achei no ano passado) e a recém inaugurada High Line. O Central Park você conhece bem de todos aqueles filmes que já viu. Mas a High Line é uma jóia fresca, foi inaugurada há algumas semanas, uma alternativa de passeio poética e inteligente em uma cidade cravada de pequenos prédios e arranha céus que parece ter se tornado o novo orgulho dos novaiorquinos (ou ao menos os representados pela mídia…).

A idéia tem mais de dez anos e foi declinada pelo prefeito da tolerância zero, Rudolph Giuliani. Basicamente, o que se pretendia era pegar uma linha de trem “aérea” e transformá-la em um… parque. Parte da linha original foi derrubada muito antes, mas o que sobrou recebeu um redesenho completo, com passeio, uma vegetação que simula o verde selvagem que cresce em torno de ferrovias e facilidades como bancos, telefones de emergência, escadas de acesso e um curiosíssimo anfiteatro com uma enorme vitrine que dá para a rua.

Passear na High Line foi certamente uma das coisas mais especiais que fizemos. Ela literalmente eleva o seu passeio, o coloca em um outro nível numa cidade onde a maior parte das caminhadas do circuitomais turístico (a não ser aquelas na orla da ilha de Manhattan) são sufocadas por prédios por todos os lados. Ok, os prédios ainda estão lá, mas o pedestre parece ganhar um outro status, ao menos ao conseguir enxergar a rua de cima e o segundo ou terceiro andares dos prédios ao redor olho no olho. Pra completar, a High Line fica a poucos quarteirões da orla do Rio Hudson, o que oferece algumas vistas incríveis quando a prediarada (coletivo para prédios) dá um tempo.

Aqui em Porto Alegre temos um projeto chamado Aeromóvel que chegou a ser construído mas nunca foi utilizado comercialmente. O projeto piloto foi instalado próximo ao centro da cidade e até hoje está lá, jogado às moscas. Daria uma boa High Line para nós.

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Curiosidade: fui pesquisar sobre o Aeromóvel e descobri que ele é uma tecnologia brasileira. Existe apenas uma outra linha operando no mundo em Jakarta.

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A série sobre Nova Iorque continua nos próximos dias.

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sexta-feira, 19 de junho, 2009

Freestyle + Urbe 6 anos

Eu sei que eu falei na terça que não gosto de ficar postando cartazes e flyers porque senão todo mundo fica me mandando (e eu só faço jabá de amigo e OLHE LÁ). Mas quando vi o cartaz dessa festa aí, do Marcos (batera dos Walverdes), não pude resistir. Que arte massa hein?

Aí meu nobre vizinho, Bruno, começou a postar micro-entrevistas com o lapidado line-up da festa de 6 anos de comemoração do Urbe. Não viu? Até o momento em que escrevi esse post, tem papo com o Apavoramento Soundsystem, Ritmos Digitais, Lettuce. A essa altura já deve ter mais coisa. Vai lá.

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quinta-feira, 16 de abril, 2009

Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis - McLuhan + Fiore: The Medium is the Massage

É um tanto quanto óbvio colocar esse livro aqui e minha idéia era evitar os óbvios. Mas eu não pude resistir: ao explicar teoria da comunicação com uma linguagem gráfica fragmentada (para a época) e mais próxima da cultura pop do que da academia, Marshall McLuhan e o designer Quentin Fiore tornaram vivo o conceito apresentado no título de sua obra.  Para isso, lançam mão de metáforas visuais e de citações de Bob Dylan, Montaigne, cartuns do The New Yorker e onomatopéias de quadrinhos a la Linchestein.

Mas é preciso tomar cuidado e não trocar a eloquência gráfica de Medium is the Massage pelo seu estofo. Há visões deliciosas e úteis neste volume, a maior parte delas oferecendo uma razoável retaguarda teórica para quem trabalha com as ditas “novas mídias”, elas que não têm ainda, ao menos com acesso universal, um corpo teórico que ajude a pensar trabalhos de forma mais estratégica e menos “vamos fazer assim pra rolar”.

Um desses conceitos, a respeito do ambiente invisível, eu explorei no post Quer Aparecer, Seja Invisível. Outros, como a dimensão mítica dos circuitos elétricos ou a necessidade de cultura participatória entre o público jovem, você vai ter que ler pra debulhar.

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Página 142: “A propaganda termina onde o diálogo começa”.

Ok?

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Duas curiosidades.

Uma: capa da edição que eu tenho, essa ai de cima, é do David Carson, um dos ícones dos anos 90 (será q o design a la Carson vai voltar também?)

Duas: o McLuhan é considerado o “santo patrono” da Wired.

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Pra saber mais sobre a Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis, leia a introdução.

Para ver todos os livros, clique aqui.

Se você tem uma dica de livro interessante sobre o assunto, resenhe e publique nos comentários.

Postado por Gustavo Mini às 8:00 | 6 Comentários | Permalink

quinta-feira, 26 de março, 2009

A mente & os protocolos da cultura digital (3)

Esse papo todo, estou chegando à conclusão, é coisa de migrante digital. Saca migrante digital? É um conceito que vi numa palestra (não lembro de quem, não lembro qual) que dividia as pessoas em migrantes e nativos digitais. Os nativos nasceram e cresceram com as internet e as tecnologias móveis já implementadas, enquanto que nós, os migrantes, começamos a lidar com isso depois dos 20 anos.

Fato: a maior parte dos migrantes digitais “fala” com sotaque. E estranha a maior parte dos novos protocolos de comunicação, por mais que adote e curta muitos deles. É o que o Bruno comentou há algumas semanas, no post A Geração do Meio.

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Bom, estou tentando retomar o meu eixo de pensamento. Não é meu objetivo, ao escrever esses posts, refletir sobre as dificuldades que certas pessoas tem com novos gadgets e muito menos criticar comportamentos surgidos da popularização da tecnologia. Não, não… o que eu acho interessante é como estamos mandando pra dentro da mente os protocolos da cultura digital. Que é algo que não começou a acontecer ontem. Nos comentários, alguém trouxe à tona a idéia de ciborgues, de junção do corpo humano com aparelhos. Embora isso não esteja rolando da forma cool como acontece nos filmes, a verdade é que toda vez que o ser humano começa a conviver mais intensamente com uma máquina, a simbiose acontece. O automóvel é o melhor exemplo: ao entrarmos dentro dele, nos vestimos de automóvel e agimos como automóvel. Andamos como automóvel, falamos a língua dos automóveis (composta basicamente por buzina, reclamação e xingamentos) nos restringindo às áreas dos automóveis, ou ao menos às que é possível um automóvel entrar. Não subimos escadas com automóvel, por exemplo. A identidade do automóvel passa a compor a nossa identidade temporariamente. Esse exemplo do automóvel não é meu, tirei de um texto do Lama Padma Samtem.

Assim acontece com tudo. Os objetos que utilizamos compõem nossa identidade e passamos a agir de acordo com essa nova identidade, olhando o mundo de outra forma. Exemplo clássico: de celular na orelha, falando com um amigo, automaticamente a rua vira uma cabine telefônica. Não é mais rua, é um espaço íntimo expandido que faz parte da conversa (sim, mesmo as pessoas “educadas” fazem isso). E assim por diante.

Olha, na real acho que me perdi na curva. Antes que alguém me acuse a) de estar fumando maconha ou b) de estar meramente regurgitando um monte de clichês de teorias pós-modernas (sendo que eu não conheço nenhuma delas formalmente, mea academica ignorância), tento de novo trazer o eixo da idéia inicial e fazer um rápido fechamento antes que isso tudo vire um grande fiasco.

1. Nossa identidade é um fluxo contínuo de fenômenos impermanentes (um corpo, sensações, percepções, conceitos e uma consciência, todos elementos se modificando a cada instante) que ganha sentido graças a uma narrativa que criamos, contamos e recriamos a cada interação com o mundo (ou com nosso inquieto fluxo de pensamentos).

2. A forma de contarmos e absorvermos histórias vem mudando significativamente com a digitalização da produção, distribuição e consumo de conteúdo.

3. Uma vez que nossas narrativas “interiores” são altamente influenciadas pela nossa interação com narrativas “exteriores” (contos de fadas, pinturas, cinema, romance), a introdução de fundamentos de transmedia storytelling (narrativas fragmentadas cujo sentido completo está na intersecção de diversas mídias) em larga escala…

4. … vai invariavelmente afetar a forma como as pessoas lidam com as identidades, adquirindo novas habilidades, especialmente no que diz respeito a fragmentar e reconstruir suas narrativas pessoais (como se faz em um universo transmedia) devido ao contato continuado com interfaces digitais e uso intenso de uma variedade cada vez maior de meios de produção, distribuição e consumo de conteúdo digital.

5. O Henry Jenkins já citou a necessidade de ter críticos de arte que possam fazer, digamos, resenhas de universos transmedia (e não crítico de “cinema”, “quadrinhos”, “TV”). Da mesma forma, vamos ter terapeutas, por exemplo, ferramentados para lidar com essa nova forma de construção de identidades?

Algo assim. AAAAAH. Chega!

Na próxima semana: design and the elastic mind.

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Leitura complementar: as 5 famílias de usuários da internet por Eduf.

Postado por Gustavo Mini às 11:28 | 4 Comentários | Permalink

quinta-feira, 19 de fevereiro, 2009

Obamicom

Divirta-se com o Obamicom. Os aí de cima, eu que fiz. Os de baixo são da galeria do site.

Postado por Gustavo Mini às 12:03 | 2 Comentários | Permalink

terça-feira, 3 de fevereiro, 2009

Curso Rápido para Usar Banheiro

Os banheiros como conhecemos estão por aí já faz algum tempo. Ainda assim, o Starbucks entendeu que é preciso avisar os homens CLARAMENTE  como ele funciona em um curso rápido de três estágios. Foi isso que compreendi e que me impeliu a fotografar esse aviso em um de seus banheiros em São Paulo. O teor sucinto do curso, resumido em uma placa, denota a degradação do nossos sistema educacional mas também revela o cotidiano intenso ao qual a maior parte dos homens está submetida - não há tempo a perder, ainda mais na capital paulista.

Mas vamos ao curso. Impossível aprender como usar um banheiro sem as fundações do conhecimento. Começamos, então, com o básico: a diferença entre a privada e o chão, uma vez que muitos provavelmente confundem esses conceitos. O chão é aquilo sobre o qual pisamos, é horizontal e a privada está fixa NELE e não É ele. A confusão entre algo que é e algo que está sobre não é meramente semântica, mas se deve provavelmente ao mau entendimento de matérias sobre física quântica publicadas em revistas como a Superinteressante. Por outro lado, se chão e privada são distantes conceitualmente, o mesmo não se pode dizer de sua característica material. Eles estão dentro do banheiro, logo, pertencem ao mesmo universo e sua utilidade se confunde. O Starbucks deveria ficar feliz por não ser uma casa noturna. De outra forma, teria que esclarecer também a diferença funcional entre a pia e o vaso, mas aí já estamos falando de um curso de mestrado.

Na sequência, o segundo módulo aproveita o gancho (em uma invejável manobra didática) para lembrar que uma cesta de lixo, apesar do Karim Rashid, da Coza e do Phillip Starck, não é uma peça meramente decorativa. Sim, o cesto de lixo onde se lê “lixo” é, de fato, o lugar para colocar o lixo. Aqui, a confusão conceitual é mais intrincada pois o relativismo apresenta uma gama enorme de possibilidades para o depósito do lixo: privada, chão e cesto surgem como a dança do universo, insondáveis em seus propósitos e abertos a todas as possibilidades.

Desconfiando que muitos seriam capazes de absorver as duas primeiras etapas mas que provavelmente estariam cansados demais para apreender a terceira, o curso entra na reta final com um assunto mais ameno, que resgata lembranças da infância. Ainda atual, o aviso de tocar a descarga traz o eco de vozes maternas e oferece um alento àqueles já confusos com tantas regras precisando ser internalizadas. A figura feminina é um ponto de apoio psicológico para o ato que, enfatiza-se, deve ser praticado após o uso da privada, sob o perigo de entrarmos em um loop conceitual do qual poucos sairiam sãos.

Um apêndice do curso traz o aprofundamento ético de suas implicações técnicas. Notável esforço quando vemos as instituições educacionais ensinando única e exclusivamente para o mercado, virando as costas para o aspecto humano que toda atividade traz embutida. O fato de que “outros, depois de você, utilizarão este sanitário” transcende a esfera funcional e questiona os limites entre “eu” e o “outro”, injetando a noção de coletividade e compaixão em um cenário de extremo individualismo.

Resumindo: o Starbucks está de parabéns. Mas esse aviso me fez pensar que alguma coisa deu errada no processo civilizatório.

Postado por Gustavo Mini às 9:43 | 4 Comentários | Permalink

sexta-feira, 19 de dezembro, 2008

Conector em Gotham parte 7

As escadas de incêndio me impressionaram. Não apenas pelo desenho geométrico e hipnotizante ou pela aparência de armaduras vestindo os prédios. Mas principalmente pelas lembranças de dezenas de histórias do Demolidor, Batman e Homem Aranha lidas nas primeiras duas décadas da minha vida. Vi muita coisa acontecer nessas escadas e quando me deparei com elas de verdade, confesso que fiquei meio sentimental.

Postado por Gustavo Mini às 9:20 | 1 Comentário | Permalink

terça-feira, 16 de dezembro, 2008

Retomando o leme

Foto daqui

Voltei. E voltei inspirado. Não sei exatamente inspirado pra quê. Quer dizer, até meio que sei, mas não vou contar. Você vai descobrindo ao longo dos próximos meses. Ou anos. Junto comigo.

Como disse no post de despedida, estive participando da Consagração da Terra Pura de Padmasambava, um templo tradicional do budismo tibetano construído aqui perto de Porto Alegre. O evento reuniu cerca de 600 pessoas do mundo todo. Do mundo todo MESMO: Brasil, Argentina, Uruguai, Chile, Venezuela, Alemanha, Austrália, Inglaterra, Nepal, Tibet, Butão, Estados Unidos e por aí vai. Foram dias históricos para os praticantes do budismo tibetano no Ocidente, não apenas pela inauguração do templo (idênticos a esse só existem mais dois no oriente) mas pela reunião de professores incríveis que raramente são vistos juntos devido a compromissos com suas próprias comunidades.

***

Para alguns amigos, eu expliquei assim: é uma espécie de Tim Festival (dos bons) do budismo tibetano. Uma oportunidade única de ver e receber ensinamentos de professores que nem sempre aparecem por aqui. Melhor: é como se o Tim Festival de 2005 acontecesse em 1992, época rarefeita em termos de shows internacionais.

Tive a incrível oportunidade de voluntariar na produção do evento, ajudando nas mais diversas frentes, o que me permitiu viver uma experiência única em termos de organização de trabalho (como o Eduf vem frisando no Magaiver). Nos últimos dois anos, eu venho participando de grupos de discussões na agência a respeito de processos, produtividade, essas coisas. Por isso, me chamou a atenção a forma como a comunidade de voluntários se organizou para fazer acontecer a Consagração. Foi um exemplo de… fazer acontecer.

Não existe um grande segredo místico por trás, apenas centenas de pessoas trabalhando com um objetivo comum e, mais do que isso, acreditando profundamente nesse objetivo comum, corporificado por exemplos vivos, pessoas de carne e osso que servem como referência. Falando assim parece o mais baixo dos textos de auto-ajuda corporativa. Mas é isso mesmo. O discurso das brochuras de cursos de gestão e liderança não estão errados. A prática é que é muito difícil de ser implementada. Sobretudo pela falta de dois aspectos: uma filosofia genuína a ser compartilhada (e não imposta ou comprada) e exemplos genuínos que sirvam de real referência humana.

Todos os professores enfatizaram o aspecto inspirador e simbólico da construção da Terra Pura. Não é apenas um lugar para budistas levarem adiante suas práticas, mas uma expressão direta da pureza da mente de cada um de nós, independente da sua crença ou ausência dela. No budismo, se acredita que obstáculos como raiva, orgulho, apego, desejo, inveja e ignorância não são aspectos que fazem parte da natureza da mente, mas são obscurecimentos. A metáfora do sol é muito utilizada pra explicar isso. Vamos lá.

A natureza da mente (de todos, não apenas de budistas) é como o sol, brilhante, pervasivo, e as chamadas “emoções perturbadoras” são como as nuvens: o sol não pára de brilhar quando está nublado, nós só não o enxergamos por conta das nuvens. A intenção de construir um lugar como a Terra Pura é expressar diretamente os aspectos mais puros da mente e inspirar em cada um a busca de um caminho pra remover os obscurecimentos.

Não que seja fácil, mas taí uma bela placa de orientação na autopista.

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De volta ao Conector.

Fiquei maravilhado de ver as contribuições dos amigos que convidei pra postar enquanto estava fora. Trouxe um outro colorido pro Conector e expandiu a minha intenção no dia que criei o blog: conectar diferentes assuntos. Gostei tanto que estou pensando numa forma de regularizar as contribuições. Especialmente no departamento da Autopista. Estou pensando em colocar mais vezes por semana. Ou dar um blog só pra ela. Se você tiver uma opinião a respeito, expresse-a nos comentários.

Amanhã eu expando um pouco o assunto dos meus colaboradores.

Postado por Gustavo Mini às 9:45 | 4 Comentários | Permalink

terça-feira, 2 de dezembro, 2008

+Soma #8

O PDF da +Soma anda saindo junto com a versão impressa. Barbada. Não tem como não babar na revista. Entre os destaques do mês, páginas e mais páginas com desenhos da Tara McPherson, entrevista com o jornalista americano Michael Azerrad (que escreveu uma biografia do Nirvana e acabou de lançar um disco de entrevista com ícones do cenário independente americano), entrevista com Titi Freak e, no finalzinho, a minha coluna!

Vai lá  e baixa. Ou procura aqui onde você pode encontrar uma de papel. Vale a pena.

Postado por Gustavo Mini às 17:00 | 1 Comentário | Permalink

sexta-feira, 28 de novembro, 2008

Como alcançar o sucesso em 10.000 horas

A AIGA é uma das mais tradicionais associações de design no mundo, com eventos e publicações que tradicionalmente viram palco de debates inflamados e um nível de reflexão por vezes admirável. Pois no último foi no AIGA Business and Design Conference que o escritor, ensaísta e “pensador pop” (ugh!) Malcom Gladwell deu uma idéia ao vivo do que deve ser seu próximo livro, Outliars.

Em pouco mais de vinte minutos, Gladwell mais uma vez exerceu seu talento de provocar o senso comum e desestruturar preconceitos entranhados na cultura popular. No caso, trata-se de desfazer o mito do “gênio instantâneo”, começando com o exemplo do Fletwood Mac, passando por Mozart, Cezane, Mark Twain e os Beatles, todos casos nos quais a maestria em suas áreas demandou no mínimo 10.000 horas de prática. É isso mesmo, você ouviu direito: segundo Gladwell, não existe gênio que não tenha trabalhado pelo menos 10.000 horas na sua atividade até ela ser dominada.

Duvida? Problema seu. Agora vai ter que comprar o livro.

***

Mas o mais bonito é o fechamento da fala de Gladwell. Ele lembra a velocidade dos dias atuais, a exigência para que bandas, por exemplo, aconteçam não mais no primeiro disco, mas no primeiro single. E coloca a atual crise financeira mundial como uma excelente oportunidade pra um back to basics de criatividade e inovação, onde a ansiedade e a loucura por fazer brotar uma solução dá lugar a um processo mais espaçoso de permitir sucessivas e quase intermináveis sessões de “tentativa-e-erro”. Algo impensável em certos ambientes comerciais.

Assistindo à palestra, me lembrei de algumas atividades a que me dediquei nos últimos dez anos cuja única disposição de tempo era entre 10 e 20 minutos diários. Eu sempre desprezei esse tempo e me achava preguiçoso e relapso, até que, nos últimos anos, comecei a perceber o acúmulo de prática daqueles 10 ou 20 minutos diários e tudo que eles me beneficiaram. Me fez pensar que não dá pra desprezar os dividendos do esforço constante e diligente (mesmo quando em pequenas doses e envolvido em tédio) em detrimento de fantasiosos espasmos de entusiasmo.

Enfim.

Não deixe de ver esse vídeo. E guarde o PDF com a transcrição.

Postado por Gustavo Mini às 8:00 | 4 Comentários | Permalink

sexta-feira, 21 de novembro, 2008

Blogs na Época

Enquanto alguns perdem um valioso tempo de suas vidas discutindo a validade ou não do conteúdo dos blogs, a Época vai lá e taca na sua capa os tais 80 Blogs que Você Não Pode Perder. Sagaz movimento da revista em vários aspectos. Primeiro, porque alinha sua imagem de marca a um inquestionável fenômeno contemporâneo, obrigação de qualquer revista semanal que não seja vista pelos seus leitores como um “confiável senhor de 60 anos”. Segundo, porque simplesmente abraça a ferramenta em vez de questioná-la munida de paradigmas empoeirados (desculpe a redundância). Terceiro, porque tem muita gente (muita gente) que ainda está tateando neste mundo e não custa nada dar um empurrão inicial.

Um blog (perdi o link, não achei mais!) observou que essa foi uma maneira muito esperta da Época colocar os SEUS blogs em evidência, colando-os a blogs que tem relevância e boa audiência. É uma excelente hipótese. Mas ainda assim achei interessante a iniciativa da revista, que provavelmente inspirou seu mapa dos blogs no trabalho da empresa japonesa Information Architets. Vale uma visita no Faz Caber, o blog dos designers da Época, que falam sobre a confecção do mapa da matéria.

Web Trends Map da IA.

E a curadoria? São os 80 blogs indicados pela Época aqueles que você não pode perder? Acho totlmente irrelevante discutir isso. Ali no meio estão alguns blogs que eu considero muito interessantes e inclusive visito com certa frequencia, bem como tantos outros que eu acho uma total perda de tempo, um desperdício de espaço em servidor e banda.

Mas o ponto é justamente esse: a beleza de se informar através de blogs é você montar o SEU grupo de “informantes”, do SEU jeito, seja assinando RSS, seja no Delicious, seja nos seus favoritos, seja LEMBRANDO das URLS e digitando diretamente. Você é seu próprio editor e mesmo que não se considere à altura do cargo ou não esteja interessado, com uma pesquisa rápida você encontra algum… blog que fazem esse papel nas mais diversas áreas de interesse.

A Wired e outros sites espertinhos vem decretando a morte do blog por conta do avanço do twitter e das redes sociais. Mas enquanto não aparecer uma boa forma de qualquer zé mané montar uma página pra dividir suas impressões ou suas referências com o mundo (interessem ela uma, dez, cem, mil ou cem mil pessoas), acho que os blogs vão se manter. Especialmente no Brasil. Países como os Estados Unidos ou a Inglaterra tem produtos em geral com ciclos de vida muito rápido. O Brasil é mais lento e não apenas por uma questão econômica, mas cultural. Tudo dura um pouco mais aqui. Latino feelings. Coisa boa. Não precisamos abraçar a velocidade irrefreável da cultura pop americana ou inglesa e suas manias de aposentar um fenômeno por semana pra fazer girar a máquina.

Depois acontecem os supbrimes da vida e ninguém sabe por quê…

Aliás, essa coisa de decretar a “morte do blog” é um péssimo resquício do passado. Há pouco, minha mulher me alertou pra um editorial de uma revista feminina que dizia algo como “aposente sua calça assim assado”. Não existe coisa mais anacrônica do que “decretar a morte” ou o “nascimento” de algo com tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, com tantas possibilidades e tanta liberdade para as pessoas escolherem como e quando vão consumir conteúdo.

Morte à essa mania de decretar a “morte” das coisas. O “já era” já era. Ou não era?

Postado por Gustavo Mini às 14:49 | 6 Comentários | Permalink

quinta-feira, 13 de novembro, 2008

Parques Pessoais

Presta atenção quando você passar de novo por uma esquina com grama: o ângulo de 90 graus formado pela calçada vai estar sempre acompanhado de um atalho cortando o gramado e criando um caminho alternativo que nos permite economizar uns 40 ou 50 centímetros de caminhada. Uma economia sem sentido, que só mostra o quanto quem passa por ali é preguiçoso, apressado ou displicente, ignorando completamente o trabalho que a calçada tem de guiar nossos passos pra que não tenhamos que estragar a grama ou coisa do tipo.

Bom, eu pensava dessa forma tosca até alguém comentar no meu blog, chamando minha atenção para o termo “desire lines”. Sim, essas trilhas supostamente aleatórias têm um nome bonito. E também uma função. Segundo o meu leitor, há paisagistas e planejadores urbanos que utilizam o conceito de desire lines (também chamadas de desire paths ou social trails) para estabelecer os caminhos de parques: primeiro você coloca lá um pedação de grama e deixa as pessoas caminharem à vontade. À medida em que as desire lines vão surgindo, os caminhos são feitos – ou refeitos.

As desire lines são uma forma bonita de poesia urbana. Ninguém combina assim: “Opa, sabadão, vamo ali fazer uma desire line?”. A desire line é simplesmente a expressão de uma inteligência coletiva, da necessidade de encontrar um caminho mais curto, mais inteligente, mais bonito ou simplesmente um outro caminho.

O assunto fica especialmente interessante quando você pára pra pensar que, tirando os parques, também costumamos estabelecer desire lines nas nossas relações. Qualquer olhar mais atento vai revelar entre familares, colegas de trabalho ou amigos uma série de calçadas de cimento (necessárias), mas também uma vasta rede de atalhos feitos da mais pura grama detonada. E é aí onde a ação acontece.

Nossas desire lines pessoais oferecem caminhos alternativos para tudo aquilo que as calçadas não comportam. Um passeio que começa numa calçada e termina numa desire line é como uma conversa que começa com palavras e termina com olhares. Um sistema de irrigação alternativo que não invalida o oficial, mas o deixa muito mais rico e cheio de possibilidades.

Nossa tendência é querer logo pavimentar essas desire lines sentimentais pra que elas se tornem calçadas. Algumas realmente talvez precisem. Mas também é preciso ter cuidado e lembrar que é muito, muito saudável manter um imenso gramado e deixá-lo à disposição das pessoas que você mais gosta pra elas de vez em quando poderem fazer o caminho que elas quiserem.

Preciso anotar isso em algum lugar pra não me esquecer.

***

Isso foi minha coluna da Mais Soma #7.

Fotos daqui.

Postado por Gustavo Mini às 9:10 | 11 Comentários | Permalink

quinta-feira, 23 de outubro, 2008

+Soma #7

A +Soma #7 já tá disponível pra download em PDF no site dos caras. Lá no fim tem a minha coluna. E o recheio está mais incrível do que nunca (q horro parece frase de comercial de oferta…). Entre outras coisas, tem uma histórica entrevista com o Jaca, quadrinista e ilustrador que é tipo o Velvet na sua época: pouca gente conhecia, mas cada um que viu o show montou uma banda.

Postado por Gustavo Mini às 11:08 | 1 Comentário | Permalink

quarta-feira, 22 de outubro, 2008

Data Visualization

Também chamam de Infoviz ou Infoesthetics. Mas, independente do rótulo, a base é a mesma: tomar uma antipática massa de dados e dar um jeito de transformá-la em amiga, algo raro em se tratando de dados. Quantas pessoas você conhece que tomariam uma cerveja ou passariam uma noite de bom grado com uma pilha de lâminas do Excel?

Por outro lado, os projetos mais arrojados de Data Visualization não são um extreme makeover de relatórios, mas sim obras em si que oferecem portas de entrada mais intuitivas na geração de insights, na busca por inspiração ou no mero ato de comunicar o que quer que seja.

Há pouco, a Slate largou um slideshow bastante instrutivo a respeito desse assunto, fazendo o que eu já tinha pensado mas deu preguiça: construiu uma linha do tempo colocando o Treemap do Ben Shneiderman como big bang (deve existir algo mais antigo, mas enfim) e abriu uma série de caminhos para os que quiserem se aprofundar.

Esse é um assunto que sempre cortejei, uma vez que eu adoro sistemas de organização, ainda mais quando acompanhados de senso estético. Por conta disso, ano passado resolvi entrevistar o Jonathan Harris para o número inaugural da +Soma, um dos nomes mais citados quando o assunto é a alquimia dos dados em poesia visual. A entrevista começa aqui, continua aqui e termina aqui.

Obviamente estava há horas tentando emplacar uma idéia na área para algum cliente da agência, mas dois projetos saíram na frente aqui no Brasil: O Rio Está Feliz e Ame Seu Coração (que em setembro teve até instalação no vão livre do Masp). São duas iniciativas bem interessantes e fico feliz de estarem sendo feitos tentativas comerciais de Data Visualization, mas também parece um prato cheio para piadas de cartunistas, especialmente a ação no Rio, não?

Aqui na agência, fizemos uma experiência. Ao longo de um mês, um grupo de pessoas acessou quase que diariamente o Emotional Cities, que cataloga o humor de cada pessoa e junta em sets visuais por cidades, países ou grupos que você monta. No meio dessa história me caiu uma ficha muito grande que a questão do Data Visualization não diz respeito só à facilidade de leitura de dados. Por ter uma interface amigável e uma proposta simpática, o Emotional Cities obriga a pessoa a parar por alguns minutos que seja e refletir a respeito do seu estado de espírito - algo que poucos fazem na correria do dia-a-dia. Isso fecha com o que o Jonathan Harris me falou na entrevista, que ele não vê problema em uma interface que exija um pouco mais envolvimento porque um maior envolvimento oferece uma maior recompensa interna ao usuário. Bom design, menos velocidade, mais recompensa. Uma equação valiosa em termos humanos.

Agora… você quer ver um cara que REALMENTE se puxou no assunto? Então dá uma olhada no Visualizing The Bible do Chris Harrison. Em parceria com um pastor, o cara transformou várias referências cruzadas da Bíblia em imagens. Beira o TOC, mas é isso aí, vam’bora. Que atire a primeira pedra…

Postado por Gustavo Mini às 13:55 | 4 Comentários | Permalink

quinta-feira, 16 de outubro, 2008

GPS Art - é tudo verdade?

A idéia inicial do case Desafiando a Inércia não era trabalhar com GPS Art ou Drawing, chame como quiser. Um dos projetos no brain era trazer esculturas cinéticas do Theo Jansen pra Porto Alegre, mas você pode imaginar a operação e a verba pra fazer isso. Não deixem de ver os vídeos do cara que têm no YouTube. Mas rascunho vai, rascunho vem, enquanto eu lia sobre inércia e leis da física acabamos chegando na questão do movimento na cidade, nos patins e daí pro GPS foi um pulo natural.

Acho que a atenção mais geral pra esse negócio começou no meio do ano com a tal história do maior desenho do mundo (que no fim era só um projeto, mas não deixou de ser super interessante). Teve também um esquema do Cícero Silva e do Marcos Khoriati no FILE em Porto Alegre, onde os caras colocaram à disposição um software que permite a qualquer desenhador de GPS no seu celular! Depois, em Cannes, eu vi o case “The World is My Canvas” da Nokia pro N95, que apresentava um falso artista de “Positioning Art”, numa ação cheia de vídeos hilários com o suposto artista.

Ao ir atrás de outras referências de GPS Art, cheguei nesse site aqui que tem vários registros interessantes, incluindo uma galeria de desenhos. Pa falar a verdade, a obra que eu achei mais instigante de todas não foi propriamente desenhada com GPS, mas esculpida. Se chama Data Cloud.

O artista inglês Jeremy Wood começou a história medindo a exata posição de dois bancos em uma praça com um GPS. Logo depois, ele começou a colocar outros bancos na posição supostamente original medida pelo aparelho. O resultado é essa foto aí embaixo e mostra as diferenças de posição indicadas em intervalos de dez segundos.

Além de ser graficamente interessante, Data Cloud é um pequeno manifesto sarcástico em 3D a respeito da nossa confiança cega no funcionamento da tecnologia, ainda mais esta que responde uma das perguntas básicas do ser humano: onde estou?

Postado por Gustavo Mini às 15:38 | Sem comentários | Permalink

sexta-feira, 19 de setembro, 2008

Ritta Ikonen & o Transporte Público

Olha essa que interessante: uma colaboração da artista finlandesa Ritta Ikonen com o serviço de transporte público de Londres deu forma aos sentimentos mais significativos dos passageiros na forma de roupas esquizóides/fantasias que foram fotografadas e viraram pôster. O processo do trabalho, chamado Commuter Thrival, está descrito aqui.

O que eu achei legal do projeto foi o fato de materializar sensações e sentimentos cotidianos no transporte público (falta de espaço, calor excessivo e falta de socialização) e transformar em poesia visual. Manifestar o que está não-dito na forma de posters pra todo mundo ver - e não só quem visita uma galeria.

Descobri o trabalho numa entrevista que o We Make Money fez com a srta. Ritta. A entrevista é cheia de links e se você não curte (como eu) se afogar em mar de links, vai direto no site da moça.

***

Segunda eu continuo com o Convergence Culture.

Bom fim de semana.

Postado por Gustavo Mini às 11:20 | Sem comentários | Permalink

terça-feira, 16 de setembro, 2008

Parafuso no Flickr

O Renan Schmidt e seu estúdio Parafuso agora tem um portfolio no Flickr. Bem mais fácil de ver as coisas que ele faz. É do Renan o lettering do Conector, além das capas de Anticontrole e 90 Graus dos Walverdes.

Postado por Gustavo Mini às 10:30 | Sem comentários | Permalink

quarta-feira, 3 de setembro, 2008

As desire lines nas agências

Esse lance de desire lines é uma mão na roda pra explicar uma pá de coisas. Minha última coluna da +Soma foi com uma metáfora de desire lines e relações pessoais. E aqui na agência, essa semana, usei o conceito pra explicar o que eu considero a melhor forma de implantar processos relacionados à inovação.

Apesar de nunca ter estudado formalmente o assunto, não ter MBA e não conhecer teorias relacionadas a processos, me coube nos últimos 15 meses ajudar de forma bastante ativa na implantação de uma nova cultura através de um novo departamento aqui na agência. Nesse tempo todo, eu ganhei mais alguns cabelos brancos, perdi algumas noites de sono, tive umas crises gástricas - e isso tudo, vamos deixar bem claro, é uma MERDA, destestaria fazer apologia da loucura que é trabalhar nesse ritmo de agência mais do que seis, digo, oito horas por dia.

Mas enfim, ao menos nesse trajeto eu aprendi muito (sobre o novo momento da publicidade, sobre mim, sobre os outros, sobre pessoas em geral). Tive o privilégio de viver no limbo por esse tempo, sem ter uma função e processos muito bem definidos (pontos para o meu chefe que sacou que o lance é começar beta), flutuando nos mais diversos projetos e transitando por departamentos muito diferentes, tratando com pessoas de diversos backgrounds, construindo (poucos) cases interessantes que foram pra rua, criando (muitas) possibilidades que não deram em nada, angariando (alguma) simpatia e tomando (alguma) porrada.

Bom, a coisa mais valiosa que eu aprendi nisso tudo (entre zilhões) foi que a melhor forma de estabelecer uma nova cultura em uma agência (ou locais semelhantes) é respeitar as desire lines criadas pelas pessoas. Pra quem não sabe, as desire lines são os caminhos alternativos que as pessoas fazem em parques e praças, buscando atalhos ou simplesmente uma caminhada mais agradável que não havia sido detectada pela pessoa que projetou a calçada.

Em toda empresa existem desire lines. Às vezes são caminhos improdutivos mas na maior parte dos casos são atalhos inteligentíssimos ou então vias muito mais interessantes do que aquelas que estão pavimentadas. É pelas desire lines corporativas que circulam as informações mais ricas e por onde de fato acontecem os projetos. É por onde você anda de pé no chão ou enlameando os tênis, sem tantos pudores.

As desire lines corporativas não invalidam a necessidade de calçadas. Isso eu também aprendi: essa coisa de “ame o caos” é muito bonita em palestra de gringo (na verdade tudo uns puta control freak) mas extremamente estressante e contraproducente se mal aplicada em uma estrutura mais formal.

Não é possível uma agência de maior porte querer se comportar como hotshop (pequenos estúdios com práticas mais livres e foco maior em criatividade). É uma idéia absurda e muito frustrante pra todo mundo (embora bastante popular). Quem quer trabalhar (ou liderar) uma hotshop, deveria urgente tentar montar uma (pra ver o que é bom pra tosse) em vez de tentar implantar uma cultura dessas dentro de uma estrutura que não está preparada para tanto.

Então a meu ver o ideal é manter as calçadas e usá-las, mas sem desprezar ou matar o espaço das desire lines. Isso é muito mais fácil falar do que fazer porque as desire lines tem uma natureza anárquica, colaborativa e anti-institucional. Elas são móveis, surgem e se desfazem ao longo dos meses. Algumas que eram muito úteis podem se tornar um estorvo depois de alguns meses, como uma trilha que fica TÃO enlameada que é impossível passar por ela. Mas, diferentes das calçadas erradas, as desire lines erradas morrem por si só porque não precisam ser quebradas a martelo. É só parar de passar por ali e deixar a natureza fazer seu trabalho.

***

Imagens: daqui.

Postado por Gustavo Mini às 11:06 | 4 Comentários | Permalink

segunda-feira, 1 de setembro, 2008

Beleza

“Na vida humana, a forma estética consiste no fato de princípios sólidos e firmes como montanhas tornarem-se agradáveis em virtude de sua lúcida beleza.”

Li isso no I Ching esse fim de semana e me remeteu ao que eu havia escrito a respeito do Florent e à necessidade de se ter uma base conceitual forte para qualquer projeto que envolva estética. O antigo livro chinês segue:

“Contemplando as formas existentes no céu, pode-se compreender o tempo e suas diferentes exigências. Contemplando as formas existentes na sociedade humana, pode-ser estruturar o mundo.”

***

Imagem: Jeana Sohn

Postado por Gustavo Mini às 15:39 | 1 Comentário | Permalink

sábado, 30 de agosto, 2008

Conector em Gotham - parte 5

Eis que ao pesquisar pra repassar umas dicas de Nova Iorque pra um amigo, descubro que eu e minha mulher pegamos os últimos suspiros do Florent: o restaurante idiossincrático do aventureiro Florent Morellet fechou suas portas cerca de um mês depos de passarmos por lá.

Olha o que foi a despedida do bistrô: uma série de eventos tresloucados ao longo de cinco semanas, cada uma delas correspondendo ao estágio de luto do modelo Kubler-Ross: uma semana de Negação, outra de Raiva, mais uma de Negociação, a seguinte de Depressão e a final de Aceitação.

Por aí dá pra ter uma idéia do motivo (nada gastronômico) pelo qual eu quis ir ao Florent: descobri ele no livro Perverse Optimist, que reúne os principais trabalhos do designer Tibor Kalman, fundador da M&CO, influência direta do Stefan Segmeister e co-criador da Colors junto com o Oliviero Toscani. A M&CO foi responsável não só pela identidade gráfica do Florent como também pela divulgação através de pôsteres, anúncios e brindes carregados de ironia e crítica política/cultural. O trecho do livro dedicado ao trabalho de Kalman ao Florent é tão interessante (uma aula de conceituação e de atenção consistente aos detalhes) que quando decidimos ir pra Nova Iorque, incluí o pequeno bistrô no roteiro.

O Florent foi um dos primeiros (senão o primeiro) empreendimento não ligado ao comércio atacadista de carne (seja gado ou travestis) a se instalar no Meatpacking District, vizinhança totalmente degradada lá em 1986. O aventureiro Molleret resolveu colocar ali seu bistrozinho que passou a receber sequelados quase uma década antes de boutiques, restaurantes chiques e clubs iniciarem uma espécie de revalorização da área, uma revalorização tão tão eficiente que o aluguel do Florent ficou impraticável, acarretando o fechamento do lugar.

Fomos lá duas vezes durante nossa estadia e na primeira desistimos por causa da fila enorme. O público, claro, já não era mais aquela coisa underground que deve ter sido nos anos 80, mas ainda assim fazia jus ao que eu li no Perverse Optimist: “Eu queria abrir um restaurante que, se possível, não precisasse de design nenhum. Um lugar que já existisse, que parecesse que sempre existiu e que parecesse ficar lá pra sempre.” Com certeza parte da ironia de ocupar um american dining e colocar um espelhão em frente ao balcão (característica de bistrôs franceses), bem como a localização inicialmente obscura se perderam no tempo. Mas esse clima meio indefinível de irreverência com nostalgia me pareceu estar lá ainda.

foto daqui

Mas o que que isso interessa? Eu não queria deixar esse post como uma dica duplamente inútil (primeiro porque o lugar fechou, segundo porque não é bem assim pra ir ali em Nova Iorque comer num restaurante…).

O que me atraiu no Florent foi o fato de ser um lugar com raiz, com alma, com uma história interessante que sustenta opções estéticas e não o contrário. Toda vez que essa equação é invertida e se colocam as opções meramente estéticas (ou sensoriais, etc, etc, etc) como base para um conceito surgido sabe-se lá de onde, o resultado é menos criativo, menos instigante e, em última análise, menos humano.

Postado por Gustavo Mini às 12:00 | 1 Comentário | Permalink

quarta-feira, 27 de agosto, 2008

somsitneteS

“Quando criamos esse personagem, nos divertimos pensando em alguém que tivesse essa liberdade toda. Eu certamente adoraria beber tanto quanto ele e não me preocupar com o meu fígado. Seria legal acordar de manhã numa total ressaca, já pegar uma garrafa de Scotch, beber uns goles no gargalo, dizer ‘Ah, me sinto melhor agora’ e então começar meu dia. Mas eu nunca faria isso porque eu me preocuparia o dia todo se não estou me tornando um alcoólatra, se eu estou me destruindo, se meu casamento não vai sofrer com isso. Ele não pensa nessas coisas e há algo incrivelmente atraente a respeito disso.”

Trecho de uma matéria no caderno de mídia do Guardian que explora um fenômeno praticamente estabelecido no mainstream, mas ainda pouco comentado mais claramente: a cultura machoman setentista no jeito de ser e vestir, acho que até mais no vestir do que no ser. O texto do articulista John Harris é todo calcada em cima do seriado Life on Mars, que eu nunca vi mais gordo, mas que também não senti a necessidade de assistir pra escrever esse post. Porque, você vai ver, no fim das contas tudo que é comentado ali de certa forma é facilmente encontrável em outras referências que andam nos rodeando.

O ponto do Harris é que o clima de “sou durão e posso tudo” que emana dos antigos seriados de televisão e hoje permeia a cultura pop traz consigo uma certa inocência também derivada daquela época. E ele traz mais uma declaração do criador de Life on Mars a respeito de sua cria:

“Se ele soubesse o que sabemos hoje, provavelmente ele não se comportaria assim. (…) O fato é que na vida real Gene Hunt seria provavelmente feio e racista.”

***

Memórias dos anos 70 trazem uma estranha nostalgia: ela pega de jeito as pessoas entre 27 e 35 anos e ok, normal. Mas o engraçado aqui é como esse refluxo estético e, por vezes, comportamental, está tão onipresente independente da pessoa ter vivido ou não aquela época - um traço fascinante da forma como as pessoas se instruem e se divertem hoje. Uma das explicações, caso você queira teorias: as pessoas entre 27 e 35 anos estão distribuídas estrategicamente em funções influentes da indústria do entretenimento, informação e tecnologia.

Se é difícil determinar pontos de mudança definitivos (uma vez que o caldo cultural se move de maneira fluída, numa espécie de degradê), com um mínimo esforço podemos pinçar obras de referência que sacramentaram o início do retro-setentismo em nossa era. Agora me vêm à cabeça apenas dois: o Boogie Nights do Paul Thomas Anderson (derivado de Os Bons Companheiros e Cassino) e o Soundgarden (as pessoas falam falam do Nirvana e esquecem a banda que de fato trouxe o Sabbath de volta). Se formos adiante, vamos chegamos no stoner rock, no Hermes & Renato (trazendo de volta toda uma subcultura de amor aos Trapalhões e às pornochanchadas brasileiras), o Canal Brasil e o culto ao Peréio. Em paralelo, o Cidade de Deus, queira ou não queira, cimentou a estética brasileira dos anos 70 que já vinha sendo embalada pela volta do samba rock e pelo prévio resgate underground do Tim Maia Racional.

Na raia ao lado, temos os shows da Nação Zumbi e do Mundo Livre S/A revivendo um certo riponguismo universitário que veio desaguar no Cordel do Fogo Encantado e, mais recentemente, no Teatro Mágico. O Cheiro do Ralo, do Heithor Dhalia, é um dos melhores e mais interessantes ícones dessa estética (felizmente acompanhado de algo que nem sempre está presente: conteúdo). Não vi O Dia em que meus Pais Saíram de Férias, mas sei que também está nessa pilha.

A lista é grande e grifada com marca texto eu certamente destacaria Zodíaco, filme mais recente do David Fincher que não só investiga a história real de um serial killer americano dos anos 70 como mergulha totalmente no clima e no visual da época. Tive uma sensação engraçadíssima com esse filme: me senti em casa, totalmente reconfortado com aquelas imagens todas, a fotografia, os objetos, as roupas, muito embora eu não tenha vivido tanto nos anos 70 (6 anos apenas), muito menos nos Estados Unidos e muito menos perto de serial killers (que eu saiba). Deve ser a exposição massiva aos seriados dos anos 70 ao longo dos anos 80. Enfim.

***

O mercado publicitário abraçou totalmente esse sabor setentista, em parte pela influência do Hermes & Renato e tudo isso que viemos comentando, em parte porque é o jeito como os argentinos fazem publicidade - e eles estão pautando os comerciais brasileiros nos últimos 3 anos. Se bem me lembro, tudo começou com uns comerciais da Sprite meio que imitando Hermes & Renato, lembra disso? Tem esse daí de cima do Twix também, o melhor de todos.

***

Ah.. como é que eu fui esquecer uma das PRINCIPAIS obras nesse lance de “neo-setentismo” (inventei agora, não existe, não passe adiante): o Âncora.

***

Como é que se explica tudo isso? Que misteriosas forças na cultura fazem com que isso tudo aconteça? Me recuso a teorizar demais porque só pensei clichês: o conforto de voltar ao passado, especialmente aquele que não vivemos e que permite refilmagens mentais particulares, bem como o limbo temporal que as tecnologias digitais ajudaram a criar (tudo pode em qualquer tempo).

O fato é que esses dias eu olhei pra mim: casaco de abrigo Adidas azul marinho, calça de veludo meio boca de sino cor de vinho, tênis Adidas branco…. me dei conta, pô, que cheguei aos 33 anos de idade vestido de um jeito muito parecido com quando eu tinha seis…

Os psicanalistas podem ficar à vontade nos comentários, mas eu não vou pagar a consulta.

Postado por Gustavo Mini às 11:45 | 5 Comentários | Permalink

terça-feira, 19 de agosto, 2008

Vai, Viral!

Uma das grandes confusões em torno do tal marketing viral é que a maior parte das pessoas (sejam leigos, sejam profissionais de marketing ou publicidade) simplesmente não sabe que nenhum viral não é tããããão viral assim quanto se pensa e que existe toda uma ciência pra fazer a disseminação de conteúdos - especialmente quando as partes envolvidas não têm quinze anos de idade, não estão enfurnadas em um quarto e quando seu contato com o tecido vivo da cultura pop se dá por meio do Power Point.

Pois é justamente disso que trata The Social Metropolis, segundo livro-portfolio da Go Viral, uma das maiores (eles dizem, ao menos) empresas de disseminação online da Europa. Os caras da Go Viral estão fazendo o favor de explicar de forma didática e bastante clara (tem muitos desenhos!) como é que se faz para botar conteúdo em redes sociais sem precisar rezar pro santo pra que ele tenha chance de talvez-quem-sabe-um-dia acontecer ou então protagonizar derrapadas constrangedoras.

“The Social Metropolis” parte da premissa de que existe essa tal de Social Metropolis no mundo online e que obviamente ela não é uma cidade autônoma, descolada do mundo offline (vamos deixar essa etapa pra trás, ok?). A Social Metropolis é a cidade que nunca dorme por excelência, um local cujos cidadãos, ruas, prédios e organização hierárquica estão em constante transformação, sem referências que durem muito tempo. Esse ambiente absolutamente fluído é o campo no qual os conteúdos (de marca ou pessoais) são semeados constantemente. Alguns permanecem semente ou plantinha pra sempre. Outros brotam, crescem e se viralizam de acordo com regras dinâmicas que (não acredite se lhe disserem o contrário) ninguém domina muito bem.

O primeiro capítulo é todo dedicado a construir e sustentar a metáfora de Social Metropolis baseando seus argumentos em cases e citações que a maior parte de nós já conhece mas que faltava alguém organizar de um jeito mais decente: o gorila da Cadbury, as bolas na trave do Ronaldinho, o Ray Ban Never Hide, democratização da informação, o crescimento massivo do uso de redes sociais, a economia da atenção e a tecnologia como um facilitador da disseminação.

Na sequência, vem o conceito de Social Citzen Activation, entrando mais a fundo na questão de como engajar (ô palavrinha…) o tal do cidadão social e de como é fundamental isso em qualquer estratégia online. Se eu fosse resumir o capítulo em uma frase seria simplesmente dizendo que o furo é bem mais embaixo para quem está acostumado com publicidade interruptiva. Aqui é que começa o lado mais chato (porém necessário) do livro, porque é quando a Go Viral começa a delinear suas técnicas para planejar conteúdo para disseminação em redes sociais (sim, existe isso), planejamento de atenção (pois é… também existe), tudo embasado por cases interessantes como toda a campanha prévia do The Dark Knight.

Eu confesso que, por mais que eu ache interessante esse assunto, eu comecei a dormir na metade desse capítulo mas fui adiante meio sonolento até a metade final do seguinte: Digital Brand Activation. Aqui a Go Viral introduz os conceitos (leia-se vende seu peixe) the Big Seed e Always On.

Usando o exemplo de cases como o Fifa Street 3, Halo 3 e o Lost Experience, o livro coloca o Big Seed como uma estratégia que interliga ações online em redes sociais com publicidade interruptiva de mídia de massa. A Go Viral é esperta, sabe que o mundo hoje é complementar e que não dá pra ficar atirando pedra num segmento do mercado que lhe dá sustento: as agências de criação e as agências de mídia.

Depois do Big Seed, vem a questão do Always On, outra dificuldade pra quem tem um background de publicidade interruptiva, que é a história de se manter em diálogo constante e não entregar uma campanha, cruzar os braços e esperar a próxima.

***

Mas melhor do que eu ficar tentando resumir o calhamaço, por que não deixar que o CEO da Go Viral fale ele mesmo? Aí embaixo tem o video da apresentação do cara em Cannes. Mó pinta de fã do Smashing Pumpkins que toma um uisquinho.

Não tá a fim de ver o vídeo? Tu pode ler o livro online.

Não tá a fim de ler online? Troca teu email por um PDF.

***

Tu vê que os caras da Go Viral são muito do espertos. Enquanto tem gente que ainda pensa que precisa esconder o jogo e guardar suas ferramentas pra si, eles constróem a sua imagem gerando e dividindo (palavra da hora) conteúdo proprietário que leva o nome da empresa adiante e termina em coisas como esse post que você está lendo.

É um negócio interessante que mostra um pouco de como funciona disseminação de conteúdo online: a Go Viral me deu um livro com conteúdo relevante pra mim, me deu sua palestra inteira de Cannes em vídeo e em troca ganhou um post em um blog lido por algumas centenas de publicitários e ainda colocou três versões do conteúdo à disposição dos incautos.

Isso é post pago?

Postado por Gustavo Mini às 11:30 | 3 Comentários | Permalink

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