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Melhores Posts de 2011

 

Estou de férias e volto só dia 9 de janeiro. Enquanto isso, fique com uma seleção dos posts mais bacanas de 2011 selecionados por uma comissão formada por me, myself and I.

Toque - uma tela touch no aeroporto de Florianópolis.

New Orleans After The Deluge – quadrinhos jornalísticos sobre a tragédia do Katrina.

Minhas impressões sobre o Kindle – é isso aí que o título diz.

Intermediários – a chuva na fazenda.

Pimpão – a importância do especialista de tecnologia ser simpático.

Reclamões - o bom uso da energia das reclamações digitais.

5 Coisas que deveriam ter sumido das palestras publicitárias em 2011 – será que se foram?

Jeffrey Brown – ele parece não saber desenhar, mas acho que é truque

Acúmulo – juntar coisas digitais também é juntar tralha.

Diversidade – não dá mais pra dizer “meu, não acredito q vc não viu isso!”

Crônicas de Gelo, Fogo e Sangue do Autor – o bullying em cima do criador de Guerra dos Tronos.

Corrida-dô – anotações sobre o livro do Murakami, aquele de corrida.

Malditos Cartunistas – a grande colaboração desses caras na análise do Brasil.

Calças cáqui – tudo pode virar ícone…

Patti Smith em Cannes – eu estava lá!

O início, o fim e o meio – por que tantos shows de discos clássicos?

Ginsberg – anotações sobre a biografia dele.

De todos os tamanhos – sobre a escalabilidade do rock.

Amigos, amigos, redes à parte – tiveram que nos explicar a diferença.

TV did not kill the web stars – as empresas de internet se mandam pra TV.

Television em Porto Alegre – eu fui e tava massa.

Telas – elas sempre chamam nossa atenção.

Diferentes iguais – sobre Diálogons en La Escuridad e Yo También.

The Quitter – anotações sobre esse livrinho do Harvey Pekar.

Documentário como ferramenta de marketing – além dos 30 segundos.

Sobre escrever – um texto que escrevi  sobre… escrever.

Nevermind em 12 faixas – todo mundo falou alguma coisa sobre ele. Eu também quis.

Primal Scream em Porto Alegre – eu fui e tava massa.

Matt Damon, educação e idéias vagas – o pessoal não pensa antes de falar.

Nunca esqueça da torneira – pra não se afogar em informação.

Regras da firma – redes sociais no trabalho.

Balde – chutá-lo ou não chutá-lo?

Clichês – como evitá-los.

Minha impressão sobre o iPad 2 – é isso aí!

Julgamentos – anotações sobre o documentário Judgment Day – Intelligent Design on Trial

Linha da vida – a arrogância da Timeline do Feice.

El Jardin Armado – mais um belo trabalho do David B.

 

 

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Tapumes

Não sei se vocês notaram, mas os tapumes de obra mudaram de categoria nas nossas vistas. Eles não são mais efêmeros. Eles não vão mais embora. Um vai, aparece três. Eles se transformaram, praticamente, em parte do acervo permanente da cidade.

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Fundos de Prédios – um fetiche

Resista, parquinho de plástico colorido, resista! As crianças precisam de você!

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Mais fotos na seção “Minhas Fotos Toscas”.

 

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iPad como moldura

Acontece periodicamente, com todas as novidades tecnológicas: elas logo viram molduras de cartazes e anúncios que precisam de um “toque de modernidade”.  Você já deve ter visto por aí em revistas. Já aconteceu com celulares e monitores de computador. Agora é a vez do iPad.

Melhor: essa foto eu tirei no (único) posto de gasolina de São Vicente do Sul, cidade de pouco mais de 8 mil habitantes no interiorzão do Rio Grande do Sul.

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Semana ARP

Um dos grandes acertos desse 2011 que se encaminha para o fim foi a escolha da Associação Riograndense de Propaganda de dedicar sua tradicional semana de palestras ao tema Indústria Criativa. Também conhecido como “economia criativa”, o assunto vem sendo debatido e retratado intensamente nos útlimos dois ou três anos, especialmente nos veículos de economia e negócios.

(Economia criativa é como vem sendo chamado o escopo de atividades que inclui setores como moda, design, arquitetura, música, teatro, games, enfim, tudo aquilo que não era comumente tratado como indústria por ter seus produtos baseados em ativos culturais ou intangíveis. Pra entender um pouco mais, vale a pena dar uma olhada na extensa e didática matéria que a Época Negócios publicou no fim do ano passado.)

É sintomático (e muito inteligente) que a ARP surfe essa onda através do seu evento anual. A publicidade sempre funcionou, de certa forma, como um hub de economia criativa. O dinheiro ganho por redatores, diretores de arte, designers, diretores de comerciais e produtores de jingles a vida toda foi informalmente “desviado” para financiar projetos paralelos/pessoais de música, cinema, moda e design. A publicidade também é agregadora (ou corruptora, dependendo do seu ponto de vista…) de talentos das mais diversas áreas (arquitetos, designers, produtores digitais e audivisuais) e também o setor mais organizado e mais visível da economia criativa hoje. Natural, então, que uma iniciativa voltada à indústria criativa tenha como estopim um festival de publicidade. Antes isso do que a premiação pura, simples e irrefletida.

Estou sabendo também que há a intenção de que o assunto economia criativa não seja apenas um tema dessa semana de palestras (que tem no seu programa gente de moda, games, jornalismo musical, design, cinema e o Joh Howkins, autor do livro que conceitua a economia criativa). Já ouvi conversas, inclusive, sobre uma futura organização de clusters locais para negociar incentivos junto ao poder público. Uma das inspirações seria o Porto Digital em Recife.

Mas vamos com calma. O primeiro passo é prestigiar a Semana da ARP e dar uma boa pensada no assunto. Afinal, a base de toda indústria criativa é justamente isso: a capacidade de pensar, de imaginar, de criar.

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Posts + Lidos de Setembro

Em primeiro lugar, meu texto sobre redes sociais que saiu na revista Noize, “Regras da Firma”.

Em segundo, SABE-SE LÁ POR QUÊ, um texto que escrevi sobre a Susana Vieira no fim de 2008.

Em terceiro lugar no pódio, o post comentando o vídeo do francês Marc Augé sobre o conceito de Não Lugares.

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O Mundo Percebido

“O mundo não passa do meu próprio corpo afetado pelo mundo.”

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De Cannes

Prometi no post anterior que ia passar por aqui para escrever essa semana. Mas não deu. De qualquer forma, convido todos os presentes (que ainda não foram) a visitarem o blog da Competence, onde fiz alguns posts bem grandes e com bastante coisa. Alguns não interessam só a publicitários.

Ontem eu escrevi sobre os novos modelos e os valores que fazem uma agência interessante a partir dos seminários da R/GA e da 72andSunny.

Dia 22 eu escrevi sobre os outsiders da propaganda em Cannes fazendo bonito: Robert Redford, Sarah Key, Pharrell, entre outros.

Dia 21 eu escrevi sobre a relação das pessoas com as telas e a classificação da BBDO usando personagens de Star Wars. Nesse mesmo, teve também os seminários com o Malcolm Gladwell e a Ariana Huffington.

Dia 20, o texto foi sobre marcas e crowdsourcing.

Semana que vem tem mais. Fotos comentários, Patti Smith, Will.I.Am…

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Cheque



Débito ou crédito? Nenhum dos dois: cheque. Ele pode não ser tão prático ou tão seguro. Mas é ótimo pra brincar. Bem-vindo ao Playcheck.

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Grandes obras da sinalização

Sem dúvida é o suficiente. Depois de enfiar o dedo molhado numa tomada, todos os germes serão eletrocutados e você nunca mais precisará lavar as mãos ou qualquer outra parte do seu corpo.

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Emoção Art.ficial 5.0

Semana passada estive na Bienal de Arte e Tecnologia no Itaú Cultural. A mostra, imperdível pra paulistas e turistas, vai até dia 5 de setembro e tem uma vantagem curiosa em relação a outras seleções do gênero: ela é enxuta e equilibrada. A arte digital é um campo vasto, que pode ser coberto na verdade pela intersecção de muitos segmentos (vídeoarte, robótica, intervenções urbanas, performance, bioarte, inteligência artificial, etc) onde a exata (ou propositalmente inexata) definição das fronteiras fica a cargo de cada curadoria.

O recorte pelo viés da emoção, no caso da Bienal do Itaú Cultural, é duplamente sacana. Primeiro, porque investe em uma dualidade fácil. No léxico popular, tecnologia é uma coisa “fria”, em contraste com as iniciativas “mais humanas”, que são “quentes”. Essa idéia está tão entranhada no nosso sistema de pensamento que chegamos a recortar uma parte do conhecimento e tacar-lhe um rótulo de “ciências humanas”, como se todo o resto acontecesse à nossa revelia.

No andar da carruagem, essa divisão chegou ao século XX transferindo pra todo e qualquer aparelho eletrônico a responsabilidade de carregar o lado frio e calculista dos habitantes do planeta Terra. Mas, no fundo, tudo aquilo que é feito de chips e telas acabou se transformando num dos melhores espelhos do que a humanidade tem de mais… humano. Explorações arqueológicas futuras nos atuais celulares vão corroborar facilmente esse ponto de vista.

Mas, se falar de emoção ao transitar no ambiente da tecnologia é meio que apertar o botão da polêmica fácil, também não deixa de ser uma escolha inteligente pra uma mostra que (espero) pretende ampliar o alcance de arte digital. Nesse ponto, a Emoção Art.ficial 5.0 equilibra bem obras interativas pop e de fácil acesso (como um robô que escaneia sua face e a desenha) com projetos bem mais conceituais.

Vou me focar aqui em três obras que pendem para o primeiro caso, mas que tem conteúdo suficiente pra render um mergulho mais profundo. O mainstream que se enraiza nos nichos mais bizarros – eis o que me interessa.

Vamos começar pelo Hysterical Machines, instalação do pesquisador Bill Vorn que espalha essas estruturas robóticas com formas levemente aracnídeas de maneira que você possa caminhar tranqüilamente entre elas. Quer dizer, tranquilamente em termos, porque assim que você chega perto das “criaturas”, sensores de movimento identificam sua presença e disparam reações espasmódicas e barulhentas. O conjunto funciona como um lembrete: máquinas, a princípio, não têm medo, não têm como ser histéricas. Mas podem, isso sim, emular o comportamento humano, devolver a nós, com uma performance externa, os nossos sentimentos e sensações mais espalhafatosos.

Andar no meio das Hysterical Machines é passear em um cenário de suspense, paranóia e reatividade. O fato disso acontecer através de objetos mecânicos e não com uma turba humana soa como mera arbitrariedade estética, um código dos nossos tempos.

Já os vídeos do Virtual Creatures Evolution são aparentemente mais discretos, menos físicos do que a maior parte das obras do Emoção Art.ficial. Mas nem por isso são menos impactantes. O projeto do Karl Sims, na verdade, não são os vídeos, mas sim o desenvolvimento de “animais virtuais” com formatos básicos de computação gráfica (blocos, principalmente) e habilidades rudimentares como pular, seguir um ponto, competir ou nadar. Esses rebanhos são criados e colocados em um ambiente digital às centenas, pra que lutem pela sua sobrevivência. Os mais fortes ou mais adaptáveis sobrevivem e passam linhas de código à geração seguinte, mais esperta e mais propensa à sobrevivência. Reconhece o script? Nem vou comentar esse daqui. O vídeo fala por si.

(Uma curiosidade: o Karl Sims é o criador da Gen Arts, empresa que desenvolveu softwares de efeitos especiais usados por grandes produções hollywoodianas. )

Outra obra bacana é o Robotarium do português Leonel Moura. Neste pequeno viveiro, cinco robozinhos se dedicam única e exclusivamente a exercer suas funções “naturais”: um é especialista em girar ao redor do próprio corpo, um segundo passa o tempo todo evitando os outros robôs através de sensores e por aí vai. O Leonel Moura entende do assunto: o Robotarium no Itau Cultural é uma versão pocket do Robotarium X, zôo de robôs que abriga mais de 40 robôs em grande parte movidos a energia solar.

Mais uma vez, o ponto aqui é construção de seres cibernéticos servindo de depósito pra um dos grandes dilemas filosóficos humanos: o que diabos eu tô fazendo aqui? Os robôs do Robotarium são organismos simples, de hábitos e objetivos mais simples ainda. E, diferente das criaturas do Karl Sims, não tem nem mesmo a possibilidade de evoluir. Levam uma vida pacata e relativamente harmônica, sem grandes ameaças ou entraves, mas também estão presos na tarefa de fazer o que foram criados pra fazer e ponto final. E aí? E nós?

Pois é, pois é. Visitando Emoção Art.ficiais com os olhos bem abertos, é possível perceber claramente que esse papo de frieza e exatidão que colaram na palavra tecnologia é fruto de um conceito torto que vem lesando a nossa percepção ao longo de mais de um século. E que reflete, no fundo, uma das características mais humanas que existem: o medo de olhar no espelho.

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Como eu falei, a Bienal vai até 5 de setembro. A relação completa das obras e o serviço você encontra no site oficial.

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As duas fotos do post foram solenemente roubadas do blog da Regina Azevedo.

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De cima

Como eu disse antes, adoro os fundos e tetos dos prédios…

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Não-lugares

Augé entrevistado pelo programa Milênio, da Globo News.

Alguns meses atrás eu comentei no Minimalismo e aqui no blog sobre o efeito que os aeroportos têm sobre nós, de fazer a gente se sentir numa espécie de limbo, num lugar entre lugares. Uma pessoa nos comentários me alertou que o antropólogo francês Marc Augé tem toda uma teoria sobre o assunto. Ou seja, eu estava de metido no assunto.

Augé criou o conceito de não-lugares, espaços ambivalentes, de passagem, que não causam naturalmente a sensação de você fazer parte daquele lugar. Outros exemplos de não-lugares, além dos aeroportos, são os supermercados, os metrôs e os quartos de hotéis. É um conceito interessante porque é derivado e parente próximo da noção de exclusão que permeia a visão urbanista contemporânea. Na ânsia de excluir-se o diferente, o velho, o sujo e o tédio, em alguns casos acaba-se excluindo a si mesmo dos lugares. E os transformando em não-lugares.

Um outro efeito colateral é transformar lugares familiares, como a nossa casa e o nosso trabalho, em não-lugares. Mas isso é assunto pra oooutro post…

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Ingressos pra festa do Creators Project

Não sei o quanto você tá sabendo, mas é o seguinte: dia 14 rola em São Paulo o braço brasileiro da turnê do The Creators Project com um programa beeeem bacana. De dia a galeria Baró, na Barra Funda, recebe a mostra de trabalhos do Nick Zimmer (do Yeah Yeah Yeahs), do Muti Randolph, do Spike Jonze, do Radical Friends, entre outros figuras interessantes. Essa parte do evento é aberta ao público das 12h às 17h.

À noite, baixa-se a luz e liga-se o som pra shows do Emicida com o Zegon (do N.A.S.A), Gang Gang Dance e o Mark Ronson (provavelmente em algum esquema de DJ Set). Essa segunda parte é fechada para convidados e tem poucas formas de descolar cortesias. Uma é se ligar na promo oficial do Creators. A outra é participar das promos de blogs parceiros como o Conector aqui. Pra concorrer a um (1 / hum) ingresso, faz o seguinte:

1) Segue o @conector no Twitter;
2) Publica no SEU Twitter a seguinte frase: Se eu der sorte, o @conector vai me botar na lista da festa do @Creators_Brasil. http://migre.me/12QgR
3) Caso seu Twitter seja bloqueado/privado, torne-o público, caso contrário sua participação não será detectada.
4) Terça-feira, dia 9, eu vou fazer um SORTEIO aqui na minha mesa auditado POR MIM MESMO.
5) Se liga: a festa é em SP e a promo é só INGRESSO.

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SORTEIO ENCERRADO!

A vencedora foi a @JuuDonato.

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Pelas costas

Não sei se foi muita leitura de Demolidor e Homem Aranha, mas desde criança eu tenho uma tremenda curiosidade de ver prédios de cima e pelas costas. O centro de Porto Alegre, então, é um prato cheio pra esse voyeurismo urbano.

O que não é fachada geralmente esconde um universo rico tanto para o olhar quanto para a imaginação. E geralmente não só nos prédios, né…

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Eles não se entendem

Eu não tenho números aqui, mas acho que todo mundo vai concordar que não existiu outra época na trajetória da humanidade com tantas tecnologias surgindo num espaço tão curto de tempo. Ao menos não tecnologias que se espalhassem com tamanha rapidez pra mão dos grande público e não ficassem restritas a círculos científicos ou determinadas regiões do globo.

Em outras palavras: tá tudo uma loucura né?

Esse fenômeno criou um momento histórico de grandes inovações mas também de um sentimento de ansiedade coletiva por conta do grande número de linguagens tecnológicas que não simplesmente não se conversam. Sim, é a era da conectividade, a era da integração, mas também é a era dos cabos inúteis, dos drivers bipolares, dos técnicos que não resolvem, dos especialistas que tomam bola nas costas de hardware, do discurso dos empreendedores de tecnologia que dificilmente bate com a experiência cotidiana do usuário médio.

A batata quente do diálogo entre os aparelhos que temos em casa está sendo passada de mão em mão e sempre acaba queimando os dedos de quem menos entende do assunto. E dê-lhe cabo pra ligar o laptop na TV, que fica obsoleto quando você muda de laptop; e dê-lhe gaveta de cabos pra conectar o celular com o laptop porque o Bluetooth não funciona direito; e dê-lhe chamada de técnico doméstico pra fazer um simples roteador aceitar a conexão dos computadores da casa; e dê-lhe suor pra transferir dados pra um celular novo; e por aí vai. Isso não é justo com usuários cuja relação com a maior parte dos eletrodomésticos nos últimos 40 anos se resumiu a botões de liga e desliga e um cabo de força.

Às vezes, parece que vai chegar um dia em que todas as tecnologias vão fazer sentido juntas. É o que nos vendem por aí, mas geralmente essa idéia depende de vocês ter TODOS os aparelhos da sua casa da mesma marca (quá quá quá) e mesmo assim não sabemos se o diálogo vai acontecer de fato. Talvez a marca dos nossos tempos seja mesmo viver em um ecossistema tecnológico fragmentado que exige conhecimento específico e intervenção constante.

E não me venham com papinho Apple nos comentários, que o mundo não vai ficar indo atrás do Steve Jobs pra tudo e meu Macbook já me aprontou algumas bem feias.

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Foto: daqui.

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Imma Be a Marketing Star

O Matias falou do Telephone da Lady Gaga e do Born Free da M.I.A., mas eu acho que esqueceu (propositalmente, uma vez que o radar do cara é onipresente…) de citar uma outra pérola recente da história dos clips: Imma Be Rock That Body do Black Eyed Peas. Lançado há mais de dois meses, o clip não tem a exuberância artê do trabalho da Lady Gaga e nem a pungência poplítica (esse termo eu roubei do Bruno) do vídeo da M.I.A., mas, vamos combinar, não perde pra nenhum dos dois em termos de importância pra quem gosta de explorar as camadas mais profundas do pop contemporâneo.

A meu ver, a coisa é mais ou menos assim: se os clips da Lady Gaga e da M.I.A. querem provar algum ponto intensamente, a junção de duas faixas em um vídeo do Black Eyed Peas se foca nos dois aspectos mais fundamentais do pop (e da carreira do Black Eyed Peas): divertir e gerar divisas.

Por diversão, entenda-se a impressionante mão do produtor e líder dos Peas, Will.I.Am ao empilhar referências de praticamente tudo que se fez em música desde que o Kraftwerk foi preso dentro daquele elevador com o George Clinton. O mix das duas faixas, com suas diferenças de andamento e produção, parece mais um mini-set dos 2Many DJs: em cerca de oito minutos tem claras referências a rock, rap old school, rap contemporâneo, electro minimalista, big beat, maximal, enfim, não há tempo nem espaço a perder quando se trata de Will.I.Am. É como se ele promovesse um festival com Afrika Bambaata, 2Many Djs, Chemical Brothers, Daft Punk, Outkast, Justice, Moby e dissesse: “bom, vocês tem aí oito minutos pra tocar e divertir essa galera que não lê blog de música. Se virem.”

Em termos visuais, o clip segue exatamente a mesma lógica, saturando cenários e situações com boa parte da ficção científica dos últimos 40 anos. Ali estão: as armas de onda de impacto utilizadas pela equipe do Tom Cruise em Minority Report; os figurinos d’O Quinto Elemento a la Gaultier (incluindo o sutiã de cone desenhado pelo designer pra turnê Blond Ambition da Madonna); também figurinos inspirados nos antigos seriados do Flash Gordon; o comercial da Citroen com o carro-robô dançando break; logo, Transformers também; paisagens que misturam o ar de District 9, Tatooine e o primeiro Mad Max… enfim.. eu poderia ficar o dia inteiro listando as referências. Mas parte da graça de assistir o clip é justamente você fazer sua própria lista.

O tipo de inteligência que constrói esse Lego audiovisual não se baseia só em ambições artísticas. Will.I.Am é considerado, hoje, mais do que um produtor/frontman do pop. Ele é um übermarqueteiro de mão cheia e as ações de product placement nos clips dos Black Eyed Peas (que incluem motos, carros, celulares e computadores) são apenas a ponta do iceberg.

Uma matéria recente no Wall Street Journal lista as marcas que já trabalharam JUNTO com a banda (Apple, BlackBerry, Pepsi, Honda, Verizon…) e revela a eloquência do vocalista quando ele está longe dos palcos de estádios. É em salas lotadas de executivos que Will.I.Am tem dado seus maiores shows, respondendo com incrível competência a empresas ávidas por colar a imagem de suas marcas a um grupo que consegue atravessar nichos e agradar fãs de diferentes idades, estratos sociais e nacionalidades.

Pra completar, o cara ainda tira a maior onda em Imma Be, comparando sua trajetória de popstar com a falência do Lehman Brothers, banco que liderou o crash financeiro de 2008 nos Estados Unidos:

Loanin out a billion, I get back a trillion
Imma be a brother, but my name ain’t Lehman
Imma be ya banker loading out semen

Pois é, amigo… e você achando que aquele flashmob na Oprah era impressionante…

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E o corpo nisso tudo?

Um dos grandes desafios para os novos aparelhos como smartphones, e-readers e o iPad é a ergonomia, ou seja, o comportamento e a posição do corpo enquanto estamos interagindo com conteúdos digitais. A nossa história com esses aparelhos é recente e o corpo de quem fica horas e horas em cima do smartphone ou de um e-reader deve estranhar.

Com o tempo, a tendência é que naturalmente a gente vá encontrando posições e momentos adequados e sadios pro uso de cada aparelho. Ou a conta do celular no uso de dados não vai ser nada perto da conta que o corpo vai cobrar.

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Esse texto foi inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM. (Pra ver todos os textos, vá por aqui.) Mas eu já toquei nesse assunto (frequentemente negligenciado) nesse post aqui.

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Balanço Geral

Antes tarde do que nunca: fui ver a exposição do Raul Mourão na Subterrânea no último dia, sábado passado. Conhecia o Raul de nome, das caixas de comentários do Conector. E também tinha visto que ele tinha sido comentado em uma matéria especial da Monocle sobre o Rio (bem antes do caos hidráulico recente). Mas, como bem sabemos, nome é uma coisa e experiência visitando exposição é outra bem diferente.

Não tenho gostado muito de escrever sobre arte. Primeiro porque, craro, me falta conhecimento de causa. Segundo porque, me perdoem o clichê, sempre parece que as palavras não são o suficiente pra enganchar os leitores na minha experiência. Logo, ter ido ver o trabalho do Raul na Subterrânea é mais um desses casos constrangedores: eu quero falar bem, mas não sei como fazer isso sem soar extremamente pretensioso.

Bom… talvez a melhor forma seja simplesmente recomendar fortemente aos leitores que, aparecida a oportunidade, se joguem pra dentro de um espaço com o trabalho do cara e se contentem em passear por ali. Foi mais ou menos essa a minha sensação com o Balanço Geral: o negócio ali não é olhar, apreciar, raciocinar ou pensar. As esculturas cinéticas (ó, já estraguei tudo…) do Raul Mourão parecem pertencer a uma outra classe de coisas que terminam com “ar”: visitar, passear, caminhar, respirar, só estar junto das obras, conviver um pouco com elas (não muito). Quem sabe até comendo um amendoim ou fingindo que não está nem aí. Só não recomendo fones de ouvido e som, acho que aí sim atrapalharia a experiência. Mas, sei lá. Vai saber se pra voce não é melhor?

Bom. Isso tudo não é algo das obras, claro. Nem da exposição ou do espaço. É um lance meu. Se é seu… como saber? Não adianta, você vai ter que dar um jeito de conferir. Cada um com seus problemas.

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Aproveitando o ensejo, hoje abre um expo nova na Subterrânea. Lyneas e Camadas, com desenhos de artistas latino-americanos. Na abertura, rola bebida e o já tradicional sorteio de obras, no melhor estilo rifa de colégio com números a 5 reais. Um novo clássico de Porto Alegre dando uma refrescada na cena cultural da cidade. Mais informações aqui.

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Branding honesto

É fácil rir disso. Mas, vamos combinar: quer melhor simbologia para um motel do que um coração com pernas peludas, dentões tentando passar ingenuidade e um olhar serelepe? É ou não é esse o espírito do motel? Não acreditam que isso é usado pra sinalizar um motel? Ah, se toda marca fosse honesta assim…

Fica ali perto do estádio Olímpico em Porto Alegre. E não. Eu nunca fui nesse.

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Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis – Reciclando Idéias por Peter Burke

Bom, na verdade essa entrada na Biblioteca não é bem um livro, mas um artigo que saiu na Folha no ano passado no qual o historiador inglês Peter Burke fala sobre processos de criação em invenções como a prensa de Guttenberg e as classificações da linguística. O ponto dele é simples: quase toda nova tecnologia se nutriu de caminhos previamente trilhados em disciplinas alheias.

Ou seja: advogar pureza de métodos e mundos na busca por uma nova solução em qualquer área é como entrar no carro e sair dirigindo com o freio de mão puxado. Os argumentos de Burke não são difíceis de serem abraçados. Seja por observação empírica, seja pelos inúmeros exemplos históricos, é bastante claro que desenvolver soluções novas e eficientes passa obrigatoriamente pela colisão de mundos e de formações.

Em publicidade, mantras como “você precisa sair da agência”, “você não pode viver só de referências de publicidade”, que no passado precisavam ser repetidos à exaustão, hoje são parte do vocabulário de qualquer estagiário. Embora ainda exista uma nefasta cultura de pessoas praticamente morando dentro de agências, todo mundo ao menos sabe que é preciso evitar a retroalimentação. Então a arte da hora é fazer a conexão entre suas experiências particulares extra-agência (praticamente todo criativo que eu conheço hoje as tem) e o trabalho dentro da agência. É muito fácil encontrar grandes obstáculos pra fazer a síntese dos dois universos e a diversidade de experiências se transformar em frustração. Digo por experiência própria.

De qualquer forma, é fundamental aprender a valorizar essas vivência extra-dayjob não como uma atividade marginal ou como hobby, mas como parte integral da formação de quem trabalha com publicidade e marketing. Por exemplo, tudo que aprendi sobre narrativa e construção de personagem eu devo à leitura massiva de quadrinhos durante anos e anos. Tudo que eu aprendi sobre as tais novas mídias e sobre comportamento em mercados de nicho eu devo a tocar e ajudar a produzir os Walverdes há 17 anos. E por aí vai.

Bom, eu falando é uma coisa. O Peter Burke falando é outra. Por isso incluí a leitura desse artigo na Biblioteca Conector. Ele provê uma plataforma bastante interessante e bem mais embasada pra reflexões nesse âmbito. Bom proveito.

Como o conteúdo do artigo na internet é restrito a assinantes da Folha, eu subi aí um scan que me mandaram aqui na agência. É só clicar em cima da imagem que abre o post que ela aumenta e dá pra ler na buena. Ou tem uma transcrição aqui.

Bom proveito.

***

A Biblioteca Conector para Estudo de Mídias Variáveis reúne livros e artigos pra quem se interessa por estudas novas manifestações e usos de meios de comunicação. Em outras palavras, pra entender essa baguncinha aí. Pra saber mais, leia a introdução.

Pra ver todos as entradas, clique aqui.

Se você tem uma dica de livro interessante sobre o assunto, resenhe e publique nos comentários.

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Sobre ir fundo em camadas horizontais

David e Maggie Loony se conheceram, namoraram e viveram casados por 40 anos. Ao longo desse tempo, tiveram três filhos, Dennis, Claire e Peter, que foram criados em uma casa de três andares na praia. Agora, beirando os 70 anos, papai e mamãe Loony chamam os filhos de volta à casa para um último aviso: eles estão se separando. Dennis pira, Claire reflete sobre o próprio divórcio e Peter… bem, Peter é o único que não é retratado com uma cabeça humana, mas com a de um sapo. E, não sei se tem a ver com isso, Peter encontra uma oportunidade de respirar.

Umbigo sem Fundo é isso: pura investigação humana usando como ferramentas a dissolução, a manutenção e a construção de laços familiares, usando um arsenal de escolhas narrativas e estéticas que faz o livro não parecer as 720 páginas que tem. Como objeto, Umbigo Sem Fundo é pesado e chato de carregar. Mesmo assim, eu o levei pra ler na praia, porque, como obra, a densidade e o peso do assunto são temperadas com um olhar amplo que empresta leveza e espaço pra que qualquer leitor (mesmo que não seja americano e filho de pais idosos se separando) possa se identificar com algum aspecto do impacto da decisão de David e Maggie. Conscientemente ou não, o que o jovem autor Dash Shaw fez foi transformar os meandros dolorosos da micro-saga dos Loony em um buffet de pequenas questões universais que pode ser acessado – como os bons buffets – por vários lados.

E assim o mundo anda. Página após página, podemos observar o desdobramento do divórcio dos Loony através diversas camadas: temos o discurso, as palavras, o que é dito pelos personagens; temos as onomatopéias, que são tão presentes na história como os ruídos do dia-a-dia são em momentos embaraçosos; temos as escolhas anatômicas dos personagens (Dennis é meio Homer Simpson, Peter é meio Caco dos Muppets); temos as decisões estéticas e técnicas de linguagem de quadrinhos (Shaw usa quase tudo que é possível usar); temos os cenários, os móveis, o céu, a areia, o mar, todos fazendo as vezes de apoio visual para pequenos dramas; e, por fim, temos a casa dos Loony, personagem fundamental na trama por servir de território de busca física e emocional, de Dennis e sua sobrinha Jill.

Pra completar, o traço de Shaw ainda se localiza numa espécie de limbo técnico: parece rascunho, mas é detalhista; é detalhista, mas parece relapso; é relapso, mas bate fundo. Como se isso não bastasse, a edição brasileira (talvez a americana também, não sei) vem impressa (por quê?) em uma cor bege, o que é perfeito para o tom da história já que pouca coisa entre os Loony é, em termos de sentimentos, só preto ou branco.

Bom, a essa altura talvez você já tenha notado… uma família disfuncional, uma casa na praia, um narrador que oferece espaço para a história se desenrolar e gosta de usar cenários e objetos como personagens. Se você juntar A com B, vai perceber que Umbigo sem Fundo se insere em toda uma linhagem americana de autores que trabalham dessa forma. Nos quadrinhos, já falei aqui sobre a recente Fun Home (aqui e aqui), por exemplo. No cinema, não é difícil lembrar de Margot e o Casamento, A Lula e a Baleia, e Tempestade de Gelo, Os Excêntricos Tennenbauns, pra ficar em algo recente (alguém lembra de coisas mais antigas nesse sentido?) Se algum desses títulos calou fundo aí, não pense duas vezes sobre adquirir o pesado tomo de Umbigo sem Fundo. Também é um bom presente de Natal para um amigo ou parente que gosta de boas histórias desenhadas.

Exemplares autografados por Shaw durante a Bienal do Rio.

Uma última nota curiosa: diferente do que esse tipo de graphic novel/filme/romance possa sugerir (e quanta terapia disfarçada de literatura se faz nesse sentido!), Dash Shaw disse em entrevista à New Yorker que o livro não é autobiográfico. A família do autor sempre foi tranquila, seus pais estão juntos até hoje e, segundo ele, tem muito pouco dos Loony. O que talvez explique a poesia de Umbigo Sem Fundo: pra enxergar com tantas nuances certas tragédias, é preciso 1) a capacidade de se distanciar ou 2) estar de fato distante delas.

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Bom, aqui tem dois links interessantes caso você queira ir um pouco mais adiante. Mas minha sugestão é a seguinte: leia o livro primeiro, depois explore as entrevistas.

Em todo caso, aqui estão elas.

Em inglês, pra New York Magazine: How Dash Shaw Wrote The Graphic Novel of The Year.

Em português, pro Grito.

E também, pra facilitar sua vida, comparação de preços no Buscapé.

Boa leitura.

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Videofinde: lúdico e comestível

Conheça os sucos Do Bem. Se o suco é bom e a história é real eu não sei. Mas os vídeos são massa.

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Conector em Gotham parte 8: high line

É engraçado. A série Gotham na verdade começou há um anos e pouco, quando passei dez dias com minha mulher em Nova Iorque. Como você pode ler aqui, eu fiquei bastante impressionado com minha primeira vez nos Estados Unidos. Da mesma foma que a maior parte das pessoas de classe média no Brasil, cerca de 70% da minha formação cultural se deu por intermédio de produtos americanos (de todas as qualidades). Fora isso, tenho algumas ligações sentimentais com a língua e o jeito como os americanos organizam sua sociedade.

Essa segunda viagem a Nova Iorque só veio confirmar as sensações misturadas da primeira: adoro o lado cosmopolita e cultural da cidade, mas aquela correria e aquela ansiedade no ar definitivamente não me fazem tão bem. De modo que meus dois lugares prediletos são o Central Park (como achei no ano passado) e a recém inaugurada High Line. O Central Park você conhece bem de todos aqueles filmes que já viu. Mas a High Line é uma jóia fresca, foi inaugurada há algumas semanas, uma alternativa de passeio poética e inteligente em uma cidade cravada de pequenos prédios e arranha céus que parece ter se tornado o novo orgulho dos novaiorquinos (ou ao menos os representados pela mídia…).

A idéia tem mais de dez anos e foi declinada pelo prefeito da tolerância zero, Rudolph Giuliani. Basicamente, o que se pretendia era pegar uma linha de trem “aérea” e transformá-la em um… parque. Parte da linha original foi derrubada muito antes, mas o que sobrou recebeu um redesenho completo, com passeio, uma vegetação que simula o verde selvagem que cresce em torno de ferrovias e facilidades como bancos, telefones de emergência, escadas de acesso e um curiosíssimo anfiteatro com uma enorme vitrine que dá para a rua.

Passear na High Line foi certamente uma das coisas mais especiais que fizemos. Ela literalmente eleva o seu passeio, o coloca em um outro nível numa cidade onde a maior parte das caminhadas do circuitomais turístico (a não ser aquelas na orla da ilha de Manhattan) são sufocadas por prédios por todos os lados. Ok, os prédios ainda estão lá, mas o pedestre parece ganhar um outro status, ao menos ao conseguir enxergar a rua de cima e o segundo ou terceiro andares dos prédios ao redor olho no olho. Pra completar, a High Line fica a poucos quarteirões da orla do Rio Hudson, o que oferece algumas vistas incríveis quando a prediarada (coletivo para prédios) dá um tempo.

Aqui em Porto Alegre temos um projeto chamado Aeromóvel que chegou a ser construído mas nunca foi utilizado comercialmente. O projeto piloto foi instalado próximo ao centro da cidade e até hoje está lá, jogado às moscas. Daria uma boa High Line para nós.

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Curiosidade: fui pesquisar sobre o Aeromóvel e descobri que ele é uma tecnologia brasileira. Existe apenas uma outra linha operando no mundo em Jakarta.

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A série sobre Nova Iorque continua nos próximos dias.

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Freestyle + Urbe 6 anos

Eu sei que eu falei na terça que não gosto de ficar postando cartazes e flyers porque senão todo mundo fica me mandando (e eu só faço jabá de amigo e OLHE LÁ). Mas quando vi o cartaz dessa festa aí, do Marcos (batera dos Walverdes), não pude resistir. Que arte massa hein?

Aí meu nobre vizinho, Bruno, começou a postar micro-entrevistas com o lapidado line-up da festa de 6 anos de comemoração do Urbe. Não viu? Até o momento em que escrevi esse post, tem papo com o Apavoramento Soundsystem, Ritmos Digitais, Lettuce. A essa altura já deve ter mais coisa. Vai lá.

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