OEsquema

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War on… general purpose computers

Há muitos anos o escritor e ativista digital Cory Doctorow vem defendendo o livre trânsito de conteúdos e a extinção dos artifícios que impedem as cópias digitais. No vídeo acima, ele abriu oficialmente uma frente de batalha mais profunda e radical: a necessidade de manter os nossos APARELHOS também livres de proteções que nos impeçam de executar uma determinada tarefa.

Na área de tecnologia isso se chama de “computadores de propósito geral”, máquinas que podem executar qualquer tarefa dependendo da forma como elas são configuradas. O PC que a gente usa no dia-a-dia pode ser classificado nessa casinha. Você (ou algum amigo entendido) pode pegar seu computador e remexer em toda a configuração pra que ele execute melhor um tipo (games online) ou outro (editar vídeos) de tarefa. Segundo Doctorow, não interessa à indústria tamanha flexibilidade e o futuro se encaminha pra dispositivos que vem com extras (físcos ou digitais) que impedem o usuário de fazer essas modificações.

O colunista do site Torrent Freak, Rick Falkvinge, também entrou também na briga. Ele compara a liberdade de reconfigurar uma máquina que você comprou com a liberdade de você se expressar e dizer o que pensa. Parece exagero? Assista a primeira meia hora da palestra do Cory Doctorow (depois vem perguntas da platéia) e depois voltamos a conversar.

Ah: se você não quiser ASSISTIR, pode LER a transcrição.

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Update: o Link já tinha publicado a transcrição em bom português.

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“Life is split in episodes”

Isso já andou circulando por aí, mas não custa colar aqui e relembrar.

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Os dois lados da moeda

Dois toques rápidos sobre quadrinhos de não-ficção e graphic novels.

Quem acompanha esse mundo já vem convivendo há alguns anos com o dia-a-dia atribulado dos refugiados palestinos, cortesia do respeitável trabalho jornalístico de Joe Sacco. O cartunista americano-maltês tem retratado o conflito entre Israel e Palestina com talento e sensibilidade únicos, abrindo feridas e colocando o resto do mundo dentro da casa e da alma de gente que toma na cabeça praticamente todos os dias.

Mas, raramente temos um vislumbre, nessa mesma linha, do cotidiano do outro lado do muro. Por diversos motivos que não cabem a mim explorar, a vida de figuras ordinárias em Israel acaba chegando aqui mais ou menos da mesma forma rasa e superficial que a imagem esteriotipada do desespero e da revolta palestina. É aí que entra Exit Wounds.

A graphic novel da quadrinista israelense Rutu Mondam cobre justamente a vida de um jovem taxista de Tel Aviv – e quando ela é atravessada por fragmentos da guerra. O encontro com uma também jovem oficial do exército traz novidades relacionadas ao paradeiro do pai desaparecido do tal taxista. O que houve? Ele sumiu? Morreu num atentado? As perguntas e as respostas não são simples. Elementos como o exército israelense, atentados sucididas, pessoas desaparecidas e a tensão constante da guerra se alinham com temas como família, amor e solidão. Nesse sentido, Exit Wounds traz bem menos desespero, pobreza e destruição explícitas do que as histórias de Joe Sacco. Mas isso não faz dela, em nenhum momento, menos humana.

Então, é simples: gosta de graphic novel, gosta de Joe Sacco, gosta de um pouco de romance contado de forma inusitada, manda ver em Exit Wounds.

Um lembrete, algo que já escrevi aqui: ler esse tipo de história especificamente EM QUADRINHOS sempre oferece uma dimensão extra à narrativa. Nos desenhos, temos acesso a todo um âmbito visual que é fruto de estilo e escolhas pessoais, o que coloca no relato mais profundidade e personalidade.

Outra nota: tem uma edição da Drawn & Quarterly de Exit Wounds que vem com uma entrevista da Rutu Modan feita por ninguém menos que o próprio Joe Sacco.

Última: vale dar uma olhada no blog da Rutu Modam no New York Times.

Não vou me debruçar demais em cima de Notas sobre Gaza, que terminei de ler esse fim de semana. Então vamos rapidamente e direto ao assunto: quem curte Joe Sacco vai certamente abraçar com gosto esse volumão. Mas vale avisar: não é bem mais do mesmo. É um trabalho diferente de, por exemplo, Palestina ou Gorazde. Bem menos dinâmico e mais investigativo, aqui Sacco foca todo seu poder de fogo em um massacre ocorrido na Faixa de Gaza em 1956. O livro é igualmente o resultado e o relato dessa investigação, uma vez que o autor divide com o leitor seu esforço em espremer a verdade de exaustivas entrevistas pessoais que são equilibradas com documentos oficiais. Uma aula de história, jornalismo investigativo, quadrinhos e, sem dúvida, humanismo.

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Atenção: volta e meia o Submarino anda fazendo promoções dos livros dele.

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Laerte

Não sei se vocês notaram, mas o Laerte vem prestando um serviço de valor inestimável pro nosso país. Não, eu não estou falando dele assumir publicamente o fato de usar/desfrutar/curtir roupas femininas. O que eu acho mais fundamental é a FORMA como ele vem fazendo isso na mídia, com uma mistura de clareza, firmeza e ternura que raramente se vê em quem está tentando alargar um pouco os horizontes dos costumes sociais.

Às vezes sinto que falta no ativismo social um pouco desse jogo de cintura, dessa paciência em explicar, dessa tolerância para com a dificuldade do outro em compreender novos paradigmas. Em certos momentos, quem quer defender a justiça social parece que vira ditador: tome porrada em quem deu porrada em sem teto, dê-lhe linchamento em quem maltratou cachorro, corte-se a cabeça dos políticos corruptos! É muito sangue nos olhos e daí não dá pra enxergar direito.

Por isso, vejo em Laerte um exemplo a ser seguido nesse sentido bem específico. Empurrar os limites com menos belicismo é mais uma das artes que ele está executando tão bem.

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Mistura finíssima: Laerte + Pereio no Sem Frescura.

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Pura poesia

“Na neblina da noite em Odessa, Ucrânia, quando um outdoor digital deu pau e mostrou uma caixa de erro flutuando no céu escuro…”

Vi no The New Aesthetic via @danielgalera.

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Melhores Posts de 2011

 

Estou de férias e volto só dia 9 de janeiro. Enquanto isso, fique com uma seleção dos posts mais bacanas de 2011 selecionados por uma comissão formada por me, myself and I.

Toque - uma tela touch no aeroporto de Florianópolis.

New Orleans After The Deluge – quadrinhos jornalísticos sobre a tragédia do Katrina.

Minhas impressões sobre o Kindle – é isso aí que o título diz.

Intermediários – a chuva na fazenda.

Pimpão – a importância do especialista de tecnologia ser simpático.

Reclamões - o bom uso da energia das reclamações digitais.

5 Coisas que deveriam ter sumido das palestras publicitárias em 2011 – será que se foram?

Jeffrey Brown – ele parece não saber desenhar, mas acho que é truque

Acúmulo – juntar coisas digitais também é juntar tralha.

Diversidade – não dá mais pra dizer “meu, não acredito q vc não viu isso!”

Crônicas de Gelo, Fogo e Sangue do Autor – o bullying em cima do criador de Guerra dos Tronos.

Corrida-dô – anotações sobre o livro do Murakami, aquele de corrida.

Malditos Cartunistas – a grande colaboração desses caras na análise do Brasil.

Calças cáqui – tudo pode virar ícone…

Patti Smith em Cannes – eu estava lá!

O início, o fim e o meio – por que tantos shows de discos clássicos?

Ginsberg – anotações sobre a biografia dele.

De todos os tamanhos – sobre a escalabilidade do rock.

Amigos, amigos, redes à parte – tiveram que nos explicar a diferença.

TV did not kill the web stars – as empresas de internet se mandam pra TV.

Television em Porto Alegre – eu fui e tava massa.

Telas – elas sempre chamam nossa atenção.

Diferentes iguais – sobre Diálogons en La Escuridad e Yo También.

The Quitter – anotações sobre esse livrinho do Harvey Pekar.

Documentário como ferramenta de marketing – além dos 30 segundos.

Sobre escrever – um texto que escrevi  sobre… escrever.

Nevermind em 12 faixas – todo mundo falou alguma coisa sobre ele. Eu também quis.

Primal Scream em Porto Alegre – eu fui e tava massa.

Matt Damon, educação e idéias vagas – o pessoal não pensa antes de falar.

Nunca esqueça da torneira – pra não se afogar em informação.

Regras da firma – redes sociais no trabalho.

Balde – chutá-lo ou não chutá-lo?

Clichês – como evitá-los.

Minha impressão sobre o iPad 2 – é isso aí!

Julgamentos – anotações sobre o documentário Judgment Day – Intelligent Design on Trial

Linha da vida – a arrogância da Timeline do Feice.

El Jardin Armado – mais um belo trabalho do David B.

 

 

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Coletivos

Eu fecho minha blogagem esse ano com um post muito especial. A foto acima, que talvez alguns já devem ter visto no Feice, registra o primeiro encontro físico dos quatro fundadores d’Oesquema, o teto que me abriga. Isso aconteceu em circunstâncias tão curiosas quanto obviamente simbólicas: nos reunimos para o lançamento da série de micro-documentários Diálogos Coletivos produzida generosamente pela Colméia. Nós somos objeto de um deles e os outros dois falam sobre a revista Soma (da qual também sou colaborador desde o primeiro número) e do Fora do Eixo (do qual meu contato vem de ter tocado em um ou dois festivais com os Walverdes).

Diz muito o fato de termos nos reunido pela primeira vez devido a forças alheias a nós, devido a um convite externo e não por conta de alguma “reunião de planejamento” ou coisa do tipo. Diz não apenas sobre o jeito como Oesquema surgiu e funciona, mas também sobre como as coisas podem funcionar hoje em dia. Tu vê só: quatro caras que gostam de absorver, digerir e produzir cultura conseguem gerar impacto, audiência e uma certa relevância mesmo sem a construção de uma rede formal (como o FdE) ou a constituição de uma estrutura microempresarial de viés fortemente cultural (como é a Soma/Kultur Estúdio).

Desse ponto de vista, o coletivo mais interessante do projeto da Colméia (já que nenhum dos protagonistas se considera representado pela palavra coletivo, outra discussão interessante) é justamente o formado pelos três vídeos. Ainda que não cubram todas, eles pegam pontos fundamentais das imensas possibilidades de empreender culturalmente no meio de tantas mudanças estruturais que o mundo está vivendo. O presente, como diz o Pablo Capilé, está grávido. Eu acrescento: de multigêmeos (existe isso?) que não são univitelinos, que vão crescer com personalidades e características físicas bastante diversas. Não é prudente deixar que vistam as crianças todas com a mesma roupa.

Feliz Ano Novo pra todos os indivíduos, para todos os coletivos e para imenso o coletivo formado pelos coletivos – formais ou não.

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Um brinde ao líquido

A linguagem humana é uma coisa engraçada. A gente tem mania de construir alfabetos inteiros usando conceitos que se mantém cristalizados e inquestionados por décadas e que acabam se transformando em dogmas laicos. Por exemplo, você consideraria a ação de alugar um apartamento um ato revolucionário? Certamente não. Quando se fala em alugar um apartamento, é provável que a sua mente abra gavetas e escaninhos ligados a ideias como burocracia, complicação e pequeno aburguesamento. Muito raramente, senão nunca, alguém diz “vou alugar um apartamento” e você lembra, digamos, da geração beat e de tudo que ela significou para a cultura dos últimos 60 anos.

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Acontece, curiosamente, que o fato de Joan Vollner ter alugado um apartamento no número 412 da W118 Street em Nova Iorque foi fundamental para a explosão beat na década 50. Esse foi o endereço que Joan dividiu com Edie Parker, mulher de Jack Kerouac, e cujas portas estavam sempre abertas pra receber gente fina como William Burroughs, Lucien Carr e Allen Gisnberg – além do proprio Kerouac, claro. Nesse pequeno apartamento alugado, madrugadas agitadas por anfetaminas e jazz bebop funcionaram como uma espécie de líquido amniótico para o feto da turma que logo depois colocaria o pé na estrada e aprontaria tremendas confusões. Talvez o contrato de locação desse imóvel tenha sido, de fato, a obra escrita que inaugurou o legado beat.

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Em seu livro mais recente, De Onde Vem as Boas Ideias, o escritor de “ciências pop” Steve Johnson fala sobre a importância desse tipo de lugar, que ele define como tendo propriedades líquidas. Johnson lembra que a maior parte das teorias relacionadas à criação de vida na terra são baseadas em água. E não só porque hidrogênio e oxigênio sejam elementos fundamentais em muitos compostos orgânicos, mas também porque H2O em estado líquido é simplesmente um excelente apartamento para interações químicas. O carbono, a base da vida terráquea, é um excelente conector (como era Allen Gisnberg), ou seja, tem a capacidade de se ligar a uma grande variedade de outros elementos. Mas sem um meio que permitisse numerosas colisões randômicas desse conector com outros parceiros, não haveria a exploração – e a posterior efetivação – dessas possibilidades. Ou seja: líquido é o estado da criação. No gasoso, há muita distância entre as partículas, nada vai a lugar algum. Congelado é paradão demais.

Acredito que muitos que lêem essa revista já estiveram, mesmo que por algumas poucas horas, em um lugar assim. Puxe da memória e certamente você vai se lembrar da atmosfera: uma noite movimentada, com gente entrando e saindo, os copos e cigarros passando de mão em mão, os grupos se fazendo e se desfazendo, os assuntos pulando de pessoa em pessoa, a informação fluindo e as ideias, mesmo que disparatadas e desestruturadas, sendo exploradas, retorcidas – moeda intelectual trocando de carteira e tendo sabe-se lá que destino.

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Nem sempre são apartamentos. Às vezes são ruas que concentram bares ou centros culturais. Uma esquina, uma quebrada. Não precisa ser à noite. Pode ser um campinho de futebol com goleiras nuas e, no lugar da grama, areião. Ou uma feijoada semanal num bairro longe do centro. Pode ser um escritório de portas abertas para a peregrinação de talentos complementares. Ou um ateliê que sirva de imã pra gente que compartilha curiosidades – mas não necessariamente o mesmo segmento artístico ou filosofia de vida. Pode ser qualquer lugar, desde que seja líquido. E, claro, desde que tenha uma Joan Vollner e uma Edie Parker pra bancar a parada e abrir as portas pras moléculas colidirem e se experimentatem como pares.

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Na história da cultura, muitos são lembrados, comemorados e seguidos por revolucionarem modelos e condutas. Mas poucos levam o devido crédito por criar, fomentar e manter ativo o ambiente onde essas viradas acontecem com toda a carga de energia e interação que necessitam. Essa gente pode até se manter anônima. Só não pode deixar de existir.

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Essa foi minha coluna pra revista Soma#26. Não deixe de dar uma boa olhada em toda a revista aqui.

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Tapes do Demo

Simples assim: o Edson do Power of The Bira está subindo uma cacetada de fitas cassete de bandas independentes dos anos 90. Ou seja, passando os mp3 daquela época pra propriamente mp3. Tem Squaws, De Falla, Boi Mamão, Dash, Loop B, e por aí vai…

A nossa Ao Vivo no Japão, de 1997, está lá também. Essa fita foi uma espécie de transição entre o nosso primeiro e imaturo disco pro segundo, 90 Graus, um pouco mais consolidado em termos de som. Várias músicas do 90 Graus estão na Ao Vivo no Japão, bem como uns rascunhos e também peças da Chulé de Coturno (a outra banda do Marcos, Gian e Bruno com o Renato, que anos depois acompanhou o Wander por um tempo).

Ao Vivo no Japão foi gravada ao vivo num estúdio em Porto Alegre.

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Todo mundo é DJ em Porto Alegr… digo, PORTLAND!

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O futuro do rock

Rápida tese.

Pelo jeito que a coisa anda, o futuro do rock vai ser em dividido em dois: as bandas que vão fazer o povo dançar e as que vão encher as músicas de partezinhas e viradinhas e coisinhas pros marmanjos estudarem da platéia.

Não é?

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Bairrista

1) Micro-documentário sobre o Bebeco Garcia, um dos guitar heroes do rock gaúcho, que tocou no Garotos da Rua e também depois mandou ver na sua excelente carreira solo (nessa fasem dividimos o palco do Orbital com ele uma vez em São Paulo, quando ele tocava com o Egisto e não me lembro quem era o batera…)

2) Trailer do documentário sobre as 12 Horas de Tarumã, uma prova clássica do automobilismo gaudério.

Aí estão mais dois sinais de uma coisa bacana: o Rio Grande do Sul nos últimos anos vem pagando tributo e explorando sua mitologia pop. Precisamos de mais documentários assim: sobre o DeFalla, sobre o Replicantes, sobre a Graforréia, sobre os Casvavelettes, sobre o TNT, sobre o Garagem Hermética…

(PS: o documentário das 12 horas de Tarumã vai trazer Walverdes na trilha…)

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Três bandas, uma só voz

Amantes dos riffs lancinantes e das batidas contudentes que estiverem por perto de Porto Alegre: não percam esse show sexta-feira! Não é sempre que um line-up se alinha tão bem dessa forma, que a combinação encaixa tanto. Não estamos falando de rock, estamos falando de ciência!

Estamos falando do autoproclamado GRUNGE UNIVERSITÁRIO dos Hangovers, uma das bandas mais bacanas e intensas que apareceu em Porto Alegre nos últimos anos. Se você não acredita em mim, dá uma ouvida nos sons que tem na Trama Virtual – onde, aliás, eles andaram frequentando o primeiríssimo lugar nas paradas por muitas semanas logo que lançaram seu EP, Academia Brasileira de Tretas.

Se o Hangovers trilha o caminho do GRUNGE UNIVERSITÁRIO, a Viana Moog é o NOISE COM MESTRADO. Os caras são mestres em no mínimo duas coisas: misturar poesia ácida (nos dois significados da palavra) com tramas barulhentas de guitarras e também em colocar São Leopoldo no mapa roqueiro do país. A Viana já frequentou as paradas de São Leopoldo, especialmente aquelas na época do colégio no Sete de Setembro.

Já os Walverdes, minha banda, eu espero que você conheça já que frequenta o blog. Desde nossa fundação, em 1993, já fomos escolhidos quatro vezes BANDA DO ANO pelo CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU, duas vezes PERSONALIDADE CARICATA DO ANO pela NASA e cinco vezes PESQUISADORES CONVIDADOS DA UNIVERSIDADE DE HARVARD EM MASSACHUSSETS, OHIO (onde apresentamos o pré-projeto da tese intitulado “Walking backwards – an essay”).

Ficamos seis semanas consecutivas em PRIMEIRO LUGAR NAS PARADA 75 e 76 da RS 40 esperando um ônibus pra Viamãop. Ao lado do GRUNGE UNIVERSITÁRIO do Hangovers e do NOISE COM MESTRADO da Viana Moog, vamos apresentar nossa TESE DE DOUTORADO EM ROCK PAULEIRA.

Quem perder vai ficar mais burro.

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Ah: chegaram as novas velhas camisetas dos Walverdes. À venda no show ou pelo email marcosrubenich75@gmail.com

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Tapumes

Não sei se vocês notaram, mas os tapumes de obra mudaram de categoria nas nossas vistas. Eles não são mais efêmeros. Eles não vão mais embora. Um vai, aparece três. Eles se transformaram, praticamente, em parte do acervo permanente da cidade.

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Fundos de Prédios – um fetiche

Resista, parquinho de plástico colorido, resista! As crianças precisam de você!

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Mais fotos na seção “Minhas Fotos Toscas”.

 

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Julgamentos

A telinha acima é o documentário “Judgment Day: Intelligent Design on Trial”, que tem inteirinho pra assistir no YouTube (em inglês). Ele cobre, com entrevistas e dramatizações, o conflito que se instalou em uma pequena cidade da Pensilvânia ali por 2004 por conta de uma ação polêmica: a tentativa de embutir o ensino do criacionismo nas aulas de ciência da escola local. O caso, como toda boa história americana, foi parar na justiça.

Ensinar criacionismo como ciência é proibido pela constituição dos Estados Unidos, mas há anos movimentos criacionistas tentam empurrar a sua visão da origem das espécies disfarçando-a de uma suposta teoria científica chamada “Design Inteligente”. O que o filme conta é justamente os detalhes de como se desmontou, peça por peça, a noção de que “Design Inteligente” é algo próximo de uma teoria científica.

Fora de discussões de mesa de bar, não é um assunto fácil. Não dá pra tomar uma decisão judicial com base no “dãã, nada a ver, isso aí não existe, é ÓBVIO que não existe.” Mas o documentário encaminha o raciocínio pra nós, que estamos assistindo, dando rápidas noções de evolucionismo, criacionismo e americanismos. Embora claramente defensor do pensamento científico clássico (o que gerou reclamação dos criacionistas sobre a falta de isenção) , o filme tem umavisão razoável da situação como um todo.

Aproveite enquanto está facinho no YouTube: “Judgment Day” é imperdível e talvez obrigatório numa época de avanço assustador de bancadas ditas “religiosas” no nosso Congresso.

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Diga-se de passagem: apesar de me envolver com o filme e o sugerir como peça importante de reflexão para um fenômeno cultural que estamos vivendo no Brasil, não sou um desses fundamentalistas do pensamento científico. Costumo acompanhar as entrevistas de dois grandes advogados do ateísmo ativo, o Christopher Hitchens e o Richard Dawkins, mas não tenho nenhuma vontade se ser colocado no mesmo balaio deles.

Nesse ponto, tendo a concordar mais com a entrevista do Alain de Botton para o Caderno Cultura da Zero Hora (que, por sinal, anda bem bacana): existe uma multidão silenciosa que não se alinha com os extremos – sejam teístas ou ateístas. É uma imensa área cinzenta que reúne, acredito, algum pessoal disposto a compor diferentes visões, abrindo mão da abordagem mais agressiva e buscando promover uma cultura de paz e compaixão sem necessariamente vincular o Estado a tradições específicas.

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Na verdade, cheguei a esse filme por indicação do professor Charles Watson no terceiro módulo do seu falado Workshop de Processo Criativo. Ele costuma usar, no curso, um trecho do “Judgement Day” em que um cientista explica o funcionamento do mecanismo evolucionário pra derrubar um argumento dos criacionistas. É mais ou menos o seguinte.

Uma das defesas do “design inteligente” se baseia no estudo de uma bactéria que tem uma organela de propulsão tão complexa que, segundo eles, “não poderia ter evoluído de algo mais simples”. Logo, só pode ter sido desenhado por um “designer inteligente”. Esse conceito é chamado de “complexidade irredutível”. Um dos exemplos clássicos pra defender a complexidade irredutível é a ratoeira – aquela que o rato pega o queijo e fica preso num araminho. Para os partidários do design inteligente, a ratoeira não tem função se privada de alguma de suas partes.

A contraexplicação da acusação no Jugdement Day caminha simultaneamente por um lado biológico e outro simbólico. Na biologia, vem à tona uma versão anterior da bactéria citada na qual a organela/motor de propulsão, sem algumas partes, não está totalmente evoluída. Mas, apesar de não servir como propulsor, funciona muito bem como… injetora de veneno.

Pra ilustrar melhor o argumento, o cientista dá seu depoimento usando uma ratoeira como prendedor de gravata. Sem três de suas cinco partes, a ratoeira não serve pra pegar rato. Mas isso não a inutiliza como acessório de vestuário.  Em outras palavras, do ponto de vista da evolução, é possível, sim, que existam etapas intermediárias nas quais os mecanismos biológicos tem funções totalmente diferentes de suas versões evoluídas.

Não sei se ficou claro. Tem que ver o filme mesmo.

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O Charles Watson usa isso como paralelo para o processo criativo: é muito comum que, quando estamos criando, se tenha centenas de idéias aparentemente inúteis ou bestas mas que geralmente servem de escada – ou de etapas intermediárias – para a construção do que se consideraria a solução final. Ou seja: aqueles papéis rascunhados no lixo não são lixo, são só a idéia final ainda na pré-escola.

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The Hipster Cycle

Eu tenho uma tese de 1,99 que é o seguinte: se você mantiver seus gostos (pra roupa, cinema, comida, qualquer coisa estética) por toda a vida, a cada 18 anos você tem um ciclo de 3 nos quais está totalmente sintonizado na moda.

Portanto, é só comprar roupas (e apetrechos) de boa qualidade, ficar parado e esperar que o tempo passe por você e encaixe de novo.

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O sketch aí de cima eu tirei do Portlandia, aquele seriado baseado em sarcasmo anos 90 aplicado aos tempos de hoje disfarçados de anos 90. O Portlandia em si é um “hipster cycle” porque pra achar engraçado você tem que estar pelo menos com um pé bem enfiado dentro da cultura que eles usam como base pra fazer graça.

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Mas a verdadeira maravilha do Portlandia (além dos roteiros e atores afinadíssimos) é esse formato de sketchzinhos: dá pra achar quase tudo no YouTube, sem essa nóia de TORRENT. Procura lá, bota PORTLANDIA na busca, vai…

Aproveita que foram só seis episódios na primeira temporada e a segunda é só ano que vem. Sem aquela outra nóia de temporadas gigantescas cheias de episódios e histórias…

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Ah, mais uma coisa.

Um amigo meu (não sei se ele quer o nome envolvido com esse post) conhece um cara de Portland que lhe contou o seguinte. A indústria do cimento é central pra economia de Portland. Inclusive agora me lembrei que há 15 anos fiz alguns anúncios pra uma marca de cimento e havia um tipo de cimento chamado CIMENTO PORTLAND.

Bom, enfim.

O fato é que, ao que parece, a cidade é orgulhosa dessa parada do cimento (como Detroit era da indústria automobilística) e isso acabou gerando um efeito colateral interessante que são as PISTAS DE SKATE de Portland: diz que tem muitas pistas experimentais e malucas pra demonstrar a versatilidade do cimento.

Cimento pride. Algo assim. Tive preguiça de pesquisar mais.

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Aprendendo a tocar Melvins

Essa é minha música predileta deles:

E é assim que se toca, segundo o próprio guitarrista King Buzzo:

Aliás, dá pra aprender a tocar todo o clássico Houdini aqui.

Dica do Julio Porto.

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Um PS: muita gente considera que o Walverdes é uma banda de inspiração STONER, mas a verdade é que o Melvins, por exemplo, nos influenciou muito mais do que o Queens e todo esse povo que veio depois…

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O bom e velho menos é mais

Essa idéia não é nova, mas sempre vale o remix. O curioso, nesse caso, o que chama a atenção nessa fala, é aquele olhar americano: os caras tem o talento de pegar qualquer coisa e transformar no pacote método + slogan. Chega a parecer um dos números do McDonalds. Ainda assim, vale o recado.

Outra nota: para quem já ganha pouco, não tem muito e mora apertado por conjunção econômica, esse papo deve soar estranho. No fundo, claro, é uma reação urbana de países desenvolvidos. Mas alguma coisa podemos aprender com o colapso econômico/psicológico dos EUA.

Tinha aquela frase, né, do William Blake: “O caminho do excesso conduz ao palácio da sabedoria”. Mas, pelo jeito, não é bem assim. Com frequência, o caminho do excesso simplesmente alimenta os excessos do palácio.

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Aproveito o gancho pra resgatar um post de 2008, Menos é menos e tudo bem! Eu sou meio incomodado com essa frase “Menos é mais”, porque no fim das contas ela valoriza o “mais”, né?

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Linha da vida

As moças devem saber, mas eu descobri há pouco: a Vivara lançou esse ano uma linha chamada LIFE. Que, na verdade, é mais do que uma simples linha, é uma espécie de editor/agregador de significados de vida muito mais eficiente do que algumas ferramentas digitais. Viajei demais? Acho que não. Vejamos.

A idéia é bem simples (e comercialmente inteligente): você compra uma pulseira ou colar e vai acumulando berloques que, sugere-se, tenham a ver com a sua história de vida. Arrumou um namorado novo? Bota um coração. Casou e foi passar a lua de mel em Paris? Bota uma Torre Eiffel. Ficou grávida? Bota um bebezinho. E por aí vai. Claro que dá pra usar como mero enfeite, mas a graça está justamente em compor a pulseira pra contar uma história. E com um brinde semiótico: é a linha da vida, em um círculo.

No fundo, é o que o Facebook gostaria que a gente fizesse na sua Timeline. Só que o Facebook, apesar de dar sua ferramenta de graça, é muito mais arrogante e pretensioso. Uma timeline em forma de pulseira (em que pesem aí questões monetárias e sociais) é infinitamente mais lúdica e fiel a uma história de vida do que uma timeline da forma como o Facebook sugere.

Porque a edição, no caso da pulseira, está muito mais na sua mão (sem trocadilhos) e é muito mais simbólica, não é tão estatística e forçada como a timeline digital no estilo Facebook (ou dos fracassados lifeblogs). Nesse último caso, além de partir do antipático pressuposto (ou, pior, da aspiração comercial) de que o que vale da sua vida passa pelo Feice, uma Timeline bacana e fiel dependeria de um usuário que domina perfeitamente as complexas configurações de privacidade. É comum, também, que usuários menos aplicados acabem deixando que configurações padrão façam as escolhas por eles.

Claro, pode-se considerar que uma Timeline do Feice fragmentada, produzida por enganos e baixa intimidade com as configurações técnicas, acabe dando um resultado tão legítimo quanto um diário escrito à mão, cheio de rasuras, imperfeições e lacunas. Mas, de alguma forma, me parece que os lapsos derivados do não entendimento completo de uma ferramenta digital resultam em um produto final menos autêntico. Rasuras aparecem, gritam, enquanto que configurações erradas frequentemente se misturam às postagens corretas, tornam-se postagens corretas.

Outro problema é que, por mais dados que uma pessoa gere ao interagir com os diversos aplicativos que atravessam seu cotidiano, mesmo que isso seja coletado e classificado de forma matematicamente perfeita, ainda estamos falando de fragmentos reunidos dentro de um condomínio fechado – enquanto a vida segue mais rica lá fora (não só fora da internet, mas, antes disso, fora do Facebook, no resto da internet).

Viver e dar sentido à vida, alguns defendem, é narrar e editar a própria história o tempo todo. Sempre fomos, de certa forma, sujeitos às (e impulsionados pelas) limitações das ferramentas da nossa época. Pode ser que no futuro dominemos as configurações de uma timeline digital da mesma forma como dominamos já a fala, a escrita, o recorte, a colagem e a confeção de pulseiras. Mas enquanto isso não acontece, não custa nada investir um pouco de atenção e reflexão no que tentam nos empurrar como sendo a linha da nossa vida.

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El Jardin Armado, David B.

O David B. já tinha dado a dica. Na sua já clássica graphic novel autobiográfica, Epilético, as batalhas medievais apareciam como fertilizantes pra imaginação e impulso artístico desde a infância do autor. Tamanha foi essa influência que a história da família Beauchard acabou retratada, de fato, como uma longa cruzada em busca da cura e redenção da epilepsia do irmão de David.

Desta vez, em El Jardim Armado y Otras Historias, as batalhas são o mote principal dos três contos criados e ilustrados pelo cartunista francês. Flutuando com elegância entre história e mito, David B. nos leva a lugares como a Pérsia no século VIII, em pleno califado de Harun Al Rashid (de Mil e Uma Noites) e Praga no século XVI. Em cenários de disputas territoriais, políticas e, sobretudo, religiosas, se desdobram episódios que promovem o encontro de três forças: os governantes e seu poderio militar, o homem comum em busca do paraíso e seres místicos que encaminham ou desencaminham conforme alguma lógica não-aparente.

Não se engane com meu palavreado ou com a minha descrição barroca: as páginas de David B. fluem como uma mãe lendo um conto de fadas na beira da cama à noite. Não há compromisso excessivo com o rigor histórico. A arte é primorosa e agradável. Tudo que temos que fazer é sentar confortavelmente, abrir o livro e deixar símbolos universais fazerem o seu habitual trabalho.

O livro saiu em espanhol pela Editoral Sin Sentido. E tem também em inglês na Amazon.

Ah: quem curtiu Persépolis vai certamente encontrar alguma afinidade com El Jardim Armado. Embora o trabalho do David B. não seja, neste caso, autobiográfico, o sabor do oriente médio está presente. Vai sem medo.

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Falando em economia criativa…

Os artistas estão precisando mesmo se profissionalizar e se instrumentalizar para o novo momento da indústria musical…

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Semana ARP

Um dos grandes acertos desse 2011 que se encaminha para o fim foi a escolha da Associação Riograndense de Propaganda de dedicar sua tradicional semana de palestras ao tema Indústria Criativa. Também conhecido como “economia criativa”, o assunto vem sendo debatido e retratado intensamente nos útlimos dois ou três anos, especialmente nos veículos de economia e negócios.

(Economia criativa é como vem sendo chamado o escopo de atividades que inclui setores como moda, design, arquitetura, música, teatro, games, enfim, tudo aquilo que não era comumente tratado como indústria por ter seus produtos baseados em ativos culturais ou intangíveis. Pra entender um pouco mais, vale a pena dar uma olhada na extensa e didática matéria que a Época Negócios publicou no fim do ano passado.)

É sintomático (e muito inteligente) que a ARP surfe essa onda através do seu evento anual. A publicidade sempre funcionou, de certa forma, como um hub de economia criativa. O dinheiro ganho por redatores, diretores de arte, designers, diretores de comerciais e produtores de jingles a vida toda foi informalmente “desviado” para financiar projetos paralelos/pessoais de música, cinema, moda e design. A publicidade também é agregadora (ou corruptora, dependendo do seu ponto de vista…) de talentos das mais diversas áreas (arquitetos, designers, produtores digitais e audivisuais) e também o setor mais organizado e mais visível da economia criativa hoje. Natural, então, que uma iniciativa voltada à indústria criativa tenha como estopim um festival de publicidade. Antes isso do que a premiação pura, simples e irrefletida.

Estou sabendo também que há a intenção de que o assunto economia criativa não seja apenas um tema dessa semana de palestras (que tem no seu programa gente de moda, games, jornalismo musical, design, cinema e o Joh Howkins, autor do livro que conceitua a economia criativa). Já ouvi conversas, inclusive, sobre uma futura organização de clusters locais para negociar incentivos junto ao poder público. Uma das inspirações seria o Porto Digital em Recife.

Mas vamos com calma. O primeiro passo é prestigiar a Semana da ARP e dar uma boa pensada no assunto. Afinal, a base de toda indústria criativa é justamente isso: a capacidade de pensar, de imaginar, de criar.

2 Comentários

Imagine o Galvão Bueno dizendo…





… “Dubstep e criança… tuuuuudo a ver…”

Comercial, caseiro, fake, real… tem de tudo… bota dubstep + kid, young, children no YouTube e deixa vir…

(ps: pra saber mais sobre dubstep, vai na dica do Bruno.)

(ps 2: post inspirado numa conversa com Landosystem e Damásio, meus ex-parceiros de Carregados)

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Bebês

Todos já vimos esse vídeo, não? E todos nos impressionamos com ele, não? Ok.

Claro que é impressionante ver um bebê interagindo com uma revista como se fosse um iPad. É, como reza o clichê, uma quebra de paradigma para nós, que estamos aí há mais tempo. Mostra, também, como a interação digital à base de toque dialoga melhor com… bebês. Nesse estágio da vida, tocar, arrastar e manipular são algumas das ferramentas básicas de interação com o mundo – e não só com revistas ou iPads.

Mas tem uma coisa não muito dita nesse caso: o bebê se dá melhor com o iPad porque ele ainda não é capaz de mexer numa revista. A revista é muito complicada pra ele. Ele precisa crescer e evoluir para poder interagir decentemente com uma revista (que pode ser rasgada e comida, diferente de um tablet). Em se tratando de interação analógica, o bebê ainda é um ignorante.

Sem ofensas.

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