30 de janeiro de 2012 às 11h15
Fórum Social & Conexões Globais – fechando a tampa
Então: acabei não indo no último dia do Conexões Globais, que eu estava acompanhando presencialmente (leia aqui e aqui). Mas ainda peguei alguns debates via uébi e os assuntos permaneceram comigo no fim de semana. Vamos, então, a algumas considerações finais.
Não sou exatamente um conoisseur de ativismo social, mas ficou bastante clara a crise no ENTENDIMENTO do desdobramento dos encontros. Não foram poucas as pessoas que ouvi e artigos que li comentando sobre uma suposta rarefação dos movimentos e dos eventos ligados ao Fórum Social Temático: tudo muito espalhado, sem uma centralização, sem um leque de propostas finais consolidado. Particularmente, acho muito estranho isso ser considerado um problema quando me parece que é justamente essa horizontalização uma nova forma de funcionamento.
De minha parte, ainda que eu não seja diretamente atuante politicamente, não senti FALTA ALGUMA de um final consolidado. A mim, o que interessou, foi justamente passar pela experiência de assistir aos debates (declinei o convite para um porque queria justamente OUVIR), encontrar pessoas, respirar um ar diferente. Ninguém sai igual depois de eventos como esses e essa modificação é, por si, um produto válido. Saí dos poucos encontros que fui certo de que, sim, é preciso articulação formal, mas que a troca de experiências e o aprendizado que você leva são também vetores políticos importantíssimos. No meu caso, trouxe o que absorvi para o blog, para o meu funcionamento familiar e profissional e para algumas conversas particulares com pessoas que estão inseridas em processos sociais ativos.
Talvez uma boa forma de representar isso seja o comentário que ouvi uma vez de uma monja zen a respeito da dinâmica da comunidade que ela coordena. Era algo assim: uma fogueira precisa de vários elementos pra funcionar. Precisa da lenha, que vai queimar, que seriam as pessoas que se entregam de corpo e alma à “causa”. Mas uma fogueira precisa também de pessoas que fiquem ao redor alimentando o fogo, jogando gravetos, recebendo o calor. E eu adicionaria mais um elemento: tem também as histórias que as pessoas contam ao redor da fogueira. Elas também são combustível, elas também são parte do que faz a fogueira não morrer.
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Imagem: roubei do post do Matias.















































Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
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