OEsquema

Arquivo: Minimalismo

Don’t believe the hype

Comprar um aparelho digital é hoje uma das tarefas mais ingratas que existem. Se você não tem um amigo ou alguém na família que seja especialista vai ter que confiar em vendedores, na propaganda do fabricante ou em reportagens da mídia. Mas nem sempre essas fontes dão a dica mais essencial, que é a seguinte: a melhor saída é sempre escolher o aparelho de acordo com a sua necessidade e não pelo que ele ou o mercado oferecem.

Muitas vezes acabamos comprando aparelhos cheios de penduricalhos só porque é o padrão do momento. Mas, diferente da retórica anti-consumista, isso não acontece por sermos todos zumbis consumistas e sim porque, no geral, não sabemos bem o que queremos e o que precisamos diante da oferta acelerada e crescente de tecnologia. Uma forma de se relacionar com isso é olhar com atenção para a situação, reduzindo a velocidade entre o impulso e a ação, e reunindo o máximo de informações antes de efetivar a compra. Pra facilitar, vale fazer uma lista escrita em papel com itens que se pretende usar, cruzar com as reais necessidades do cotidiano e definir a compra a partir disso.


Repito: o que você precisa nem sempre corresponde ao que o mercado está oferecendo como sendo o melhor. A melhor TV com o melhor home-theather é pra quem aprecia qualidade de som e imagem, não pra quem só gosta de se jogar no sofá pra ver uma tvzinha. O computador mais rápido e mais moderno é pra quem gosta de jogos complexos ou pretende produzir conteúdo, não pra quem só quer acessar emails e redes sociais. O celular mais avançado é pra quem vive de conexão constante. A câmera mais poderosa é pra quem tem aspirações fotográficas, ainda que amadoras. E assim por diante.

Outra coisa: nem sempre você precisa do modelo mais moderno. Existem versões antigas de câmeras, mp3 players ou de computadores que podem dar conta da sua necessidade. Eu vivi anos com um Creative Zen Mini de 5GB (acima) que pra mim serviu melhor do que os iPods da época. Hoje, abri mão de ter mp3 player, uma vez que meu celular pode armazenar e tocar música. Nesse caso, pra que a sobreposição? Exemplos de sobreposição hoje podem ser encontrado em todas as áreas.

Em resumo, a história é bastante simples: tomar nas próprias mãos a decisão sobre o que se precisa ou não. Pode ser um pouco mais complicado, exigir um pouco mais de pesquisa. Mas vale a pena. Resistir ao hype fácil da cultura digital é ecológico e econômico.

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Leitura Complementar

In Praise of Crap Technology – artigo no Boing Boing sobre o valor de tecnologia não tão de ponta.

Preparado para Morrer – artigo sobre obsolescência programada no Estadão.

The Unconsumption Project – outra do Boing Boing, dessa vez sobre uma marca sem dono pra revitalizar antigos objetos.

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Post inspirado num dos programetes Minimalismo que faço pra Rádio Oficial do Verão.

Imagem: logo do unconsumption.

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Minimalismo Mixtape

Se você ainda consegue manter a sua atenção fixa num assunto, num vídeo de mais de 10 minutos, num livro de mais de 100 páginas, saiba que essa talvez seja uma habilidade muito valorizada no futuro. Umas das regras clássicas da economia é que a escassez de um produto tende a aumentar o seu valor. Seria plausível pensar que, daqui uns anos, as pessoas que tem a capacidade de reter a atenção por mais tempo serão pagas pra assistir determinados conteúdos mais longos e depois contar pros outros que vão estar distraídos com mensagens de 140 caracteres.

A nossa escrita está ficando mais quadrada porque confinada aos emails, às anotações que são tecladas, aos contatos que são armazenados de forma digitalizada nas agendas de computadores e celulares. Quem sofre mais com a digitalização da vida não é a escrita formal, os textos profissionais, e sim os rabiscos do cotidiano, como os números de telefone anotados em cantinhos de jornal, os recados em pedaços de papel e os pensamentos desenhados na folha de uma agenda. Que lugar tem eles nas mídias digitais?

Muita gente acha que o principal poder do Google vem da alta capacidade de busca. Mas isso é só um pedaço da história. A verdeira força do principal buscador da internet vem da classificação de informações por relevância. Ou seja, não é que o Google seja só bom de buscar. Ele é bom principalmente em encontrar e classificar. Tão bom que além encontrar o que você precisa, ele também encontra você quando um anunciante precisa da sua atenção. Aqueles links patrocinados no canto da página são a grande fonte de receita do Google e eles funcionam porque você está sempre usando a ferramenta e tornando ela mais inteligente, com resultados mais relevantes.

Que a internet está mudando o jeito como a gente faz um monte de coisas, todo mundo já sabe. De tempos em tempos reportagens na tv, em revistas e na própria rede parecem dar a ideia de que estamos caminhando juntos na mesma direção. Mas a tecnologia não muda a vida das comunidades do mesmo jeito. Brasileiros, chineses, indianos, americanos, ingleses, todos são impactados de forma diferente. Cada povo absorve as inovações com o tom da sua cultura.

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Em muitos lugares do mundo, a internet ainda é uma novidade. Menos de um terço da população mundial tem acesso à rede, mas provavelmente é uma questão de tempo até o planeta ficar de fato totalmente conectado. Isso significa que a internet que a gente tem hoje, mesmo com todas sua diversidade cultural, é só uma amostra do que está por vir. Ela ainda tem o jeito dos Estados Unidos e da Europa. Com o tempo, a entrada de mais e mais pessoas das regiões menos conectadas deve trazer novidades.

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A África, a Ásia e o Oriente Médio ainda tem muito o que crescer e colocar na internet. Mais ou menos 4 bilhões de pessoas dessas três regiões não estão lendo blogs e sites de notícia, assistindo vídeos, ouvindo música online e dividindo suas idéias, suas fotos de família, seus vídeos curiosos e suas opiniões com o resto do mundo digital. Quando eles entrarem nessa, aí sim pode ser que a gente sinta um pouco mais o gostinho de viver em uma aldeia global.

Quando uma pessoa não tem informação de moda o suficiente pra se sentir segura na hora de vestir, ela geralmente recorre a refências da novela ou de revistas conhecidas. Com música ou cinema é mais ou menos a mesma coisa. Mas quando o assunto são aplicativos de celular, ainda faltam referências populares pra organizar todas as possibilidades que existem.

As lojas de aplicativos como App Store e Android Market ainda são confusas e os veículos que decodificam as tendências e as melhores opções ainda são voltados a um nicho. A tecnologia já é parte da cultura popular, só que o universo de informação sobre tecnologia ainda precisa fazer um pouco mais de barulho pra chegar na massa crescente que está dando corpo e volume pra nova cultura digital.

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Isso aí foi um rápido mix de trechos dos meus comentários de cultura digital na Oi FM, os Minimalismos.

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15 minutos

Esses dias eu escrevi o seguinte pro Minimalismo da Oi:

“A expressão cultura pop não tem uma definição fechada e científica mas daria pra dizer que cultura pop é a média do que aparece na tv, na internet, nas revistas, nos games, no cinema, todo esse conteúdo que funciona um pouco como a linguagem do nosso tempo. A cultura pop sempre foi produzida por profissionais e consumida por nós. Mas uma coisa interessante está acontecendo: a nossa vida está cada vez mais parecida com a cultura pop.

Talvez essa seja uma outra forma de ler a já surrada (mas ainda atual) frase do Andy Wahrol – “no futuro todos terão seus 15 minutos de fama”. Como é amplamente aceito, o futuro chegou, só que os 15 minutos de fama vieram diferente. Me parece que sempre se pensou que os 15 minutos de fama seriam na Rede Globo, no grande jornal da sua cidade, na principal rádio da região. Uma coisa, assim, meio “anônimos no Big Brother”.

Mas parece que aconteceu o contrário. Em vez da vida privada ir pra mídia, os parâmetros de mídia (distribuição em escala, medição de audiência, estética pensada) é que vieram pra vida privada. Não é preciso correr atrás da fama, os conceitos ligados a ela permeiam o nosso dia-a-dia, as nossas relações pessoais, via rede e dispositivos digitais. A fama (ou sua versão made in china) é que ficou sedenta por gente. Ou pela gente. E assim nos abraçou, deixando suas marcas.

Voltando pro texto da Oi:

“Não é só aquele papo de que agora a gente também produz vídeos e músicas em casa, mas é que a nossa vida está servindo de recheio pra blogs e redes sociais, está emoldurada em telas de todos os tamanhos, se transformou na linha narrativa de muitos projetos interativos. Hoje, qualquer foto tem cara de ensaio e até um toque de telefone tem jeito de trilha sonora. Esse é um dos efeitos colaterais que não se esperava da tecnologia: era pra ela deixar a vida mais fácil, mas também está deixando a vida mais pop.”

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O bom e velho menos é mais

Essa idéia não é nova, mas sempre vale o remix. O curioso, nesse caso, o que chama a atenção nessa fala, é aquele olhar americano: os caras tem o talento de pegar qualquer coisa e transformar no pacote método + slogan. Chega a parecer um dos números do McDonalds. Ainda assim, vale o recado.

Outra nota: para quem já ganha pouco, não tem muito e mora apertado por conjunção econômica, esse papo deve soar estranho. No fundo, claro, é uma reação urbana de países desenvolvidos. Mas alguma coisa podemos aprender com o colapso econômico/psicológico dos EUA.

Tinha aquela frase, né, do William Blake: “O caminho do excesso conduz ao palácio da sabedoria”. Mas, pelo jeito, não é bem assim. Com frequência, o caminho do excesso simplesmente alimenta os excessos do palácio.

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Aproveito o gancho pra resgatar um post de 2008, Menos é menos e tudo bem! Eu sou meio incomodado com essa frase “Menos é mais”, porque no fim das contas ela valoriza o “mais”, né?

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Linha da vida

As moças devem saber, mas eu descobri há pouco: a Vivara lançou esse ano uma linha chamada LIFE. Que, na verdade, é mais do que uma simples linha, é uma espécie de editor/agregador de significados de vida muito mais eficiente do que algumas ferramentas digitais. Viajei demais? Acho que não. Vejamos.

A idéia é bem simples (e comercialmente inteligente): você compra uma pulseira ou colar e vai acumulando berloques que, sugere-se, tenham a ver com a sua história de vida. Arrumou um namorado novo? Bota um coração. Casou e foi passar a lua de mel em Paris? Bota uma Torre Eiffel. Ficou grávida? Bota um bebezinho. E por aí vai. Claro que dá pra usar como mero enfeite, mas a graça está justamente em compor a pulseira pra contar uma história. E com um brinde semiótico: é a linha da vida, em um círculo.

No fundo, é o que o Facebook gostaria que a gente fizesse na sua Timeline. Só que o Facebook, apesar de dar sua ferramenta de graça, é muito mais arrogante e pretensioso. Uma timeline em forma de pulseira (em que pesem aí questões monetárias e sociais) é infinitamente mais lúdica e fiel a uma história de vida do que uma timeline da forma como o Facebook sugere.

Porque a edição, no caso da pulseira, está muito mais na sua mão (sem trocadilhos) e é muito mais simbólica, não é tão estatística e forçada como a timeline digital no estilo Facebook (ou dos fracassados lifeblogs). Nesse último caso, além de partir do antipático pressuposto (ou, pior, da aspiração comercial) de que o que vale da sua vida passa pelo Feice, uma Timeline bacana e fiel dependeria de um usuário que domina perfeitamente as complexas configurações de privacidade. É comum, também, que usuários menos aplicados acabem deixando que configurações padrão façam as escolhas por eles.

Claro, pode-se considerar que uma Timeline do Feice fragmentada, produzida por enganos e baixa intimidade com as configurações técnicas, acabe dando um resultado tão legítimo quanto um diário escrito à mão, cheio de rasuras, imperfeições e lacunas. Mas, de alguma forma, me parece que os lapsos derivados do não entendimento completo de uma ferramenta digital resultam em um produto final menos autêntico. Rasuras aparecem, gritam, enquanto que configurações erradas frequentemente se misturam às postagens corretas, tornam-se postagens corretas.

Outro problema é que, por mais dados que uma pessoa gere ao interagir com os diversos aplicativos que atravessam seu cotidiano, mesmo que isso seja coletado e classificado de forma matematicamente perfeita, ainda estamos falando de fragmentos reunidos dentro de um condomínio fechado – enquanto a vida segue mais rica lá fora (não só fora da internet, mas, antes disso, fora do Facebook, no resto da internet).

Viver e dar sentido à vida, alguns defendem, é narrar e editar a própria história o tempo todo. Sempre fomos, de certa forma, sujeitos às (e impulsionados pelas) limitações das ferramentas da nossa época. Pode ser que no futuro dominemos as configurações de uma timeline digital da mesma forma como dominamos já a fala, a escrita, o recorte, a colagem e a confeção de pulseiras. Mas enquanto isso não acontece, não custa nada investir um pouco de atenção e reflexão no que tentam nos empurrar como sendo a linha da nossa vida.

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Minimalismo

Como sempre, eu lembro: clicando aqui ou no banner ali do lado, você vai para a tag do meu programete no site da Oi FM sobre cultura digital. Lá tem o Minimalismo em áudio e texto pra re-ouvir ou ler.

Nos últimos tempos, eu venho falando sobre o quanto nós somos mais do que a soma de nossas conexões digitais, sobre a noção de buffet na hora de comprar aparelhos digitais, sobre o futuro da blogagem por voz, sobre a origem da hashtag, sobre Pittsburgh disputando atenção com o Vale do Silício, entre muitas outras coisas.

Aparece lá…

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Bebês

Todos já vimos esse vídeo, não? E todos nos impressionamos com ele, não? Ok.

Claro que é impressionante ver um bebê interagindo com uma revista como se fosse um iPad. É, como reza o clichê, uma quebra de paradigma para nós, que estamos aí há mais tempo. Mostra, também, como a interação digital à base de toque dialoga melhor com… bebês. Nesse estágio da vida, tocar, arrastar e manipular são algumas das ferramentas básicas de interação com o mundo – e não só com revistas ou iPads.

Mas tem uma coisa não muito dita nesse caso: o bebê se dá melhor com o iPad porque ele ainda não é capaz de mexer numa revista. A revista é muito complicada pra ele. Ele precisa crescer e evoluir para poder interagir decentemente com uma revista (que pode ser rasgada e comida, diferente de um tablet). Em se tratando de interação analógica, o bebê ainda é um ignorante.

Sem ofensas.

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Minimalismo

Caso você não saiba ou não seja um frequentador do blog da Oi FM: lá tem todos (ou quase) os programentes Minimalismo que eu faço, em áudio e texto. Por exemplo, nas últimas semanas, você pode perceber, eu andei falando sobre como um trabalho do argentino David Lamelas de 1974 lembra a lógica das fotos atuais, sobre o Dia de Desconectar nos EUA, sobre como os aparelhos ficam menores mas mais presentes na nossa vida, sobre como os memes viraram rockstars, sobre como a internet está virando assunto de engenharia civil, entre outros papos.

Confere os posts/audios todos indo por aqui, na tag do Minimalismo no blog da Oi.

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Netflix

Como comentei no Face e no Twitter, assinei o Netflix há algumas semanas pra testar o serviço de “locação online” (não é bem isso, mas enfim). De cara, gostei: tem 30 dias de graça pra experimentar e a interface, apesar de tosca, dá pra navegar com mais facilidade do que os concorrentes (que eu nem sabia que existiam direito, o que mostra o que é a força de uma marca global). O acervo do Netflix nacional não é lá essas coisas, mas também não precisa ser. Aliás, esse problema é generalizado com locação online por questões contratuais com os grandes estúdios (leia o dossiê completo do Link). De minha parte, gosto de dar uma vasculhada em filmes mais antiguinhos e tou podendo assistir o Mad Men Tem Muppets, De Volta para o Futuro, Duna… tá na boa.

Uma coisa que faz toda a diferença: lá em casa temos Wii, então usamos o Netflix na TV. Se fosse pra ser só no computador, na boa, teriam que cobrar menos que 14,90 por mês. Agora, tem um lance muito engraçado e curioso que tem a ver com a foto que eu postei acima.

O botão B do controle do Wii funciona como “VOLTAR” no Netflix. E ele fica na parte de baixo do controle. Ou seja: toda vez que você dá play e se recosta pra assistir o que quer que seja, não pode simplesmente largar o controle displicentemente no sofá. Precisa tomar cuidado e colocar ele de lado, de forma que não aperte o botão B sem querer e nem o controle fique apontando pra tela (porque senão ficam aparecendo os menus).

É uma bobagem, não chega a ser um problema. Mas são essas pequenas coisas que mostram 1) como estamos acostumados a sistemas estabelecidos – no caso, jogar o controle da TV ou da NET no sofá sem receios e 2) como um pequeno detalhe não previsto originalmente coloca um pequeno empecilho na sua interação com um novo sistema.

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Só pra não deixar de dar meu prognóstico, que é igual ao que tem saído em geral por aí: não acho que os serviços de locação online ameacem as locadoras tão cedo. Em primeiro lugar, pela questão dos lançamentos, que no DVD (original ou pirata) ainda saem antes por questões legais. Em segundo lugar, porque ainda precisa facilitar a vida do usuário médio que no geral prefere (minha intuição) ir até a locadora (ou o seu camelô) do que ficar se envolvendo com o mundo dos plugins e dos cabos (coisa de nerd).

Quando os lançamentos estiverem na mão e a experiência de compra/locação/assinatura for realmente suave, aí sim.

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Nunca esqueça da TORNEIRA

Pós-ruminando o post do último domingo, sobre o Dia de Desconectar, me lembrei de dois Minimalismos que fiz pra Oi num passado recente.

Num deles, eu trouxe à tona uma metáfora bastante comum hoje quando se discute mídias digitais, que é essa história de comparar informação à água. Não sei bem quem começou com isso, mas um dos caras que costuma usar esse comparativo é o futurista Gerd Leonhard. Também me lembro de um livro (que não li) chamado The Future of Music (o Matias comenta sobre ele nesse debate), no qual o futuro consumo de música é comparado com o consumo de água. É uma forma de explicar os modelos de assinatura, nos quais você paga uma mensalidade e tem acesso à música quando quiser no seu computador ou celular – que, preste atenção, deixam de ser garrafinhas pra se tornarem torneiras.

Digo isso, porque essa história de água, garrafinhas e torneiras é um excelente gancho pra quem se sente sobrecarregado com tanta informação que chega pelos meios digitais. Assim como nós somos cercados por informação, nós também somos cercados por água. Tem água correndo por canos nas paredes, no teto e no chão – inclusive na rua. A gente só não enxerga, mas somos rodeados de água encanada.

Se não existissem as torneiras, a água encanada ficaria o tempo todo jorrando, faria a maior molhaçada e seria uma incomodação do cacete. Então, inventaram essa maravilha que é a torneira. Quando a gente precisa, abre a torneira, usa a água. Parou de usar, fecha a torneira.

Com o excesso de informação, tem que ser a mesma coisa. Não é porque existe um fluxo constante de informação chegando que a torneira precisa ficar aberta o tempo todo. Ou, para ser mais direto, não é porque ficam vendendo o conceito de “always on” e que o email pode ser configurado no celular que você vai deixar ele aberto, atualizando o tempo todo.

O email, o Facebook, o Twitter, o Orkut, a rede de SMS são como canos por onde passa água. Cabe a cada um abrir e fechar a torneira adequadamente se não quiser se afogar.

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Desconexão

O vídeo acima é o comercial de divulgação do “Dia Pra Desconectar“, uma iniciativa de um rabino americano pra incentivar o povo a dar um tempo da nóia de ficar o tempo todo checando email, rede social, sms e coisas do tipo. Essa história não é propriamente uma surpresa: a noção de que, em geral, estamos coletivamente exagerando vem se tornando pauta permanente da mídia, no cafezinho da firma e nas mesas de bar. É muita novidade a cada semana, é muito padrão social sendo mexido pela popularização de novas tecnologias. A isso segue-se naturalmente uso exagerado e, a seguir, questionamento, reflexão. Pelo menos, assim esperamos…

Mas tem duas coisas que me chamaram a atenção no vídeo do A Day to Disconnect.

Em primeiro lugar, sempre gosto de filmes que traduzem visualmente uma experiência mental – no caso, as pessoas que somem quando alguém está concentrado no celular ou no computador. É ou não é assim que rola?

Em segundo lugar, o formato pop de um recurso muito utilizado em práticas religiosas: essa história de escolher um período (uma hora, algumas horas, o dia todo) pra se desconectar é uma versão contemporânea de ferramentas antigas como jejum ou voto de silêncio. Particularmente, gosto muito dessas ferramentas e, quando usadas por vontade própria e com presença mental, acho que elas sempre produzem experiências interessantes e uma expansão de consciência (não de um jeito psicodélico, mas de realmente aumentar o conhecimento de primeira mão sobre um determinado fenômeno interno ou externo à sua mente).

Isso tudo também me lembra a fala do escritor Tom Chatfield no seminário do TED em Cannes. Reproduzo os parágrafos que escrevi para o blog da minha agência. Vale a pena relembrar, porque para Chatfield, “as duas mentalidades extremas, de abraçar totalmente ou repudiar as conexões digitais, são… extremas.

O conceito que ele propõe, de alternar as duas no dia-a-dia, pode parecer óbvio. Mas é tão óbvio que a maior parte das pessoas não se dá ao trabalho de tomar para si a responsabilidade de se conectar e desconectar, acostumando-se a culpar frequentemente os aparelhos digitais pelo tal de “information overload.”

A mensagem de Chatfield é clara: nós é que devemos escolher…

… quando vamos nos conectar e quando vamos nos desconectar. E não os aparelhos ou os conteúdos.”

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Regras da Firma

“Sérgio, você pode vir aqui na minha sala um minuto?”
“Claro, chefe.”

“Diga.”
“Sérgio, você sabe que… bem, você não sabe… mas nós instalamos recentemente nos computadores do escritório um software que mede o uso que as pessoas fazem da nossa internet.”
“Não sabia… chefe.”
“Pois então, Sérgio. Feche a porte ali, por favor.”

Clam.

“Este calhamaço aqui… estas 934 páginas que eu estou segurando… e só consigo segurar porque faço academia quatro vezes por semana… o que você acha que é isso?”
“Chefe… nunsei… é… “
“Faça sua aposta… chute…”
“É… hmm… bem… o relatório do que eu… faço… na…”
“Continue… você está indo bem…”
“… na internet… aqui… no trabalho?”
“…”
“Chefe?”
“Não, Sérgio. Estas 934 páginas são o meu livro de endereços do Facebook que eu imprimi. O relatório da sua atividade na internet durante o trabalho não preenche nem um post it.”
“Chefe… eu…”
“No mês de junho, Sérgio, você ficou exatamente trinta e… dois… minutos e quarenta e sete segundos na internet. Você é a pessoa que passa menos tempo na internet aqui no escritório. Olha aqui: Silveira, 54 horas no mês passado. Silvinha, 38 horas, sendo 30 no YouTube. Romeu, 28 horas, a maior parte delas no Orkut. Eu: 87 horas de internet.”
“Chefe, eu posso explicar…”
“Sérgio, isso não tem explicação. Pra mim, alguma coisa você está aprontando. A grande questão é: o que você está fazendo o dia inteiro neste escritório que você não está na internet? Você já ouviu falar em redes sociais? Você sabe o que significa a palavra social? Claro que não, Sérgio. Você é anti-social. Você é mais do que anti-social, você e anti-rede-social. Um psicopata!”
“Mas, chefe, eu que juntei o povo pra ir no meu apartamento fazer um churrasco…”
“E não foi ninguém, Sérgio. Porque você não sabe usar a porra do Eventos do Facebook. Mas não é nem essa a questão, Sérgio. A questão é que você precisa entender por que nós somos pagos. Você não está aqui pra ficar de brincadeirinha, ficar de papo no café, ficar fazendo amizadezinhas reais, como você disse no seu único post do Facebook.”
“Chefe, eu prometo que vou entrar mais…”

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Texto meu publicado na revista Noize #46. A revista, como sempre, está ótima.
Leia online aqui. Baixe o PDF aqui.

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Narcóticos

Em matéria de aplacar angústias humanas básicas (solidão, morte, falta de sentido, brutalidade), o mundo contemporâneo pode estar sendo ineficiente, mas não dá pra dizer que é por falta de esforço. Poucas épocas na historia da humanidade (se alguma) oferecem tamanha diversidade de analgésicos para as pequenas e grandes dores da existência.

Mas o que eu acho curioso na nossa época é o seguinte: embora a farmacologia venha se sofisticando cada vez mais, bem como responsabilizada por tentar tapar o sol com a peneira, não é a ciência que tem criado os remédios mais populares e sim a cultura pop. Pela sua farta disponibilidade, seu diálogo constante com as vontades gerais e a possibilidade de auto-administração, a cultura pop continua sendo a principal fonte de busca em massa de conforto, escape e (nos melhores casos) transcendência. Entre Platão e Prozac, o pessoal ainda prefere Insensato Coração, Cat Power, Colheita Feliz, Two and a Half Men e Planeta Terra.

Levando-se em consideração que sempre acabamos usando novelas, seriados, músicas e games pra dialogar em algum nível com nossos dilemas mais profundos, talvez não seja uma má escolha.

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Imagem daqui.

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Lesão Mental por Esforço Aleatório

“Na última década, vem sendo muito comum que as empresas contratem serviços de ginástica laboral pra evitar lesões associadas ao computador em seus funcionários. Todo mundo sempre lembra de cuidar dos dedos, das mãos, dos ombros e das costas. Mas pouca gente se dá conta que a mente também está sendo submetida a estímulos novos e mais intensos nos ambientes de trabalho.

A cabeça também precisa de ginástica e descanso pra dar conta de tanta informação. Se o seu pulso sofre com tantos cliques do mouse, a sua mente deve sofrer com a enxurrada de emails, tabelas, relatórios e documentos que você esta abrindo com esse mouse. Mesmo um vendedor que passe o dia inteiro na rua pode estar sendo impactado negativamente com o fluxo constante de emails e mensagens que recebe no celular.

Falar em despoluir e cuidar da mente no ambiente de trabalho ainda é um assunto novo e um pouco esquisito. Mas tomara que não seja preciso surgir um tipo de tendinite mental pra gente prestar mais atenção nisso.”

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O texto acima foi meu programete Minimalismo de 3 de agosto na Oi FM. Quando fui colar o roteiro do programa aqui, me lembrei dessa iniciativa da ONG britânica Mental Health Foundation de divulgar a prática de “mindfulness” como uma ferramenta de redução de stress e como profilaxia no que diz respeito a outras condições, que vão de ansiedade crônica a depressão. A imagem acima é um dos cartazes da campanha.

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No Brasil, mindfulness é frequentemente traduzido como “atenção plena” ou “presença mental”. Eu conheci a prática de atenção plena através do budismo, mas ela é absolutamente isenta de adesão religiosa. Inclusive, já encontrei o mesmo princípio em aulas de Yoga, alongamento e no relato de esportistas. A prática em si é muito simples. Sabe aquela música do Titãs “Tudo Ao Mesmo Tempo Agora”? Pois então, atenção plena é justamente um outro verso da canção: “Uma coisa de cada vez”. Para aprender, existem certas técnicas: focar a atenção na respiração, fazer contagens, sentar com a coluna ereta, andar prestando atenção nos passos… mas a essência é não se perder no tsunami de estímulos que o mundo sensorial oferece usando algo como eixo (geralmente o corpo). Vale sublinhar que não se trata de NEGAR os estímulos, pelo contrário. Com a prática de atenção plena, se aproveita melhor cada um deles – na sua vez.

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Uma vez, lembro que li no ex-blog do Eduf um termo interessantíssimo que me grudou na mente: mindless browsing. Traduzindo, vamos dizer que seria “ficar browseando a esmo, sem presença mental”. Que é quando a gente fica na internet pulando de um site pra outro, abrindo um monte de abas, passando um pouco de tempo em cada uma…enfim, praticando o tal do mindless browsing. Se você parar pra perceber, o mindless browsing agita a mente e, na repetição, deixa o cara meio zonzo, meio abobalhado. Mindless browsing é a condição básica de navegação da maior parte de nós. Mas só porque ela é a forma corrente de uso do computador, não quer dizer que seja a mais saudável.

A prática de atenção plena seria justamente o antídoto para o mindless browsing: parar, respirar, fazer uma coisa de cada vez. Eu não estou dizendo que é fácil (muito menos que eu seja bom nisso…). Na verdade não é, porque parece que ficar a esmo, essa sim é o nosso funcionamento natural. Mas, iniciativas como a da Mental Heatlh Foundation estão jogando luz sobre uma outra possibilidade: a presença mental, a atenção no momento presente, é que seria a nossa condição básicas de sanidade e operação.

Para mais argumentos, dados e até um curso online de prática de mindfulness,visite o site da campanha.

Se alguém quiser dicas de onde encontrar esse tipo de treinamento, falamos nos comentários.

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Documentário como ferramenta de marketing

Uma coisa que me chamou a atenção este ano no Festival de Cannes foi a presença constante cases que giravam em torno ou terminavam em DOCUMENTÁRIOS. O fenômeno não é novo, mas possivelmente estamos chegando no ponto onde isso está se tornando mais comum, uma espécie de item permanente no cardápio de opções de uma campanha. Acima postei alguns exemplos e dando uma olhada (e uma pensada) por cima, não é difícil descobrir por que o uso desse recurso é tão sedutor para os publicitários.

1) Diferente do comercial de 30 segundos, em um documentário (ou em micro documentários) é possível explorar por mais tempo a história da campanha. Entretanto, isso não invalida o comercial de 30 segundos, que pode muito bem ser utilizado pra divulgar o documentário.
2) Os custos de gravação e edição digital deixa bem mais acessível a produção de conteúdo audivovisual mais extenso.
3) E, claro, a internet oferece uma plataforma de exibição a um custo mas baixo do que pagar a veiculação em TV.
4) A possibilidade de compartilhamento também é outra questão indiscutível.
5) O mais importante, nos últimos anos, os documentários entraram no alfabeto pop, estão aparecendo mais não apenas na publicidade, mas no cenário cultural como um todo.

De todos esses fatores, que surgem intimamente ligados, a internet é obviamente o mais forte quando olhamos para os pilares dessa tendência. Um bom documentário na rede nasce de mãos dadas com as redes sociais – especialmente quando o assunto é socialmente relevante. O Guardian publicou um artigo sobre isso em junho, não deixe de ler.

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Em tempo: por mais que os cases acima sejam interessantes, todos eles me deixaram com uma sensação muito esquisita. Talvez seja influência do formato documental, mas parece sempre que há uma intenção de “interferência social” da marca em uma comunidade ou em um assunto. É isso que, em todos esses cases, os documentários documentam.

Pode ser ceticismo, mas eu geralmente me incomodo com isso. Sempre achei – e continuo achando – que a melhor forma de uma empresa/marca contribuir socialmente com o que quer que seja é através de suas atividades do dia-a-dia e não SÓ através de uma campanha ou da comunicação. Pra deixar mais claro, sempre penso nesse exemplo: de nada adianta uma marca de carros fazer uma campanha para reduzir a mortalidade no trânsito e continuar a produzir comerciais que só sedimentam imagens de sucesso e excitação ligadas à velocidade. Eu sei que essa discussão é longa, que é muito fácil cair no maniqueísmo e achar que é tudo culpa da publicidade. Também sei que preciso temperar meu ceticismo com alguma dose de boa vontade e admitir que as comunidades impactadas por essas ações saem ganhando alguma coisa (os documentários, de novo, documentam isso).

Mas onde há tanto dinheiro envolvido, é preciso levantar essa lebre. Sempre.

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Um adendo. Até o Foo Fighters tá nessa:

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Interfaces

Poucos profissionais são tão fundamentais à nossa sanidade mental hoje quanto os designers de interface. É papel deles mediar nosso entendimento com os gadgets através de soluções que não nos obriguem a fazer um curso toda vez que trocamos de telefone ou atualizamos um software – embora seja isso que quase sempre acontece…

Mas, enfim.. na ficção o trabalho dos designers de interface também é necessário. Afinal, aquela tela de computador que aparece durante 4 segundos nos escritórios do FBI precisa ser ao mesmo tempo críveis e facilmente compreendida. Um dos caras que faz esse trabalho é o Mark Coleran, responsável por “Fantasy User Interfaces” de filmes como Children of Men, Missão Impossível 3 e O Ultimato Bourne.

A Fast Company recentemente fez um profilezinho e uma entrevista com o cara e revela que os talentos do Sr. Coleran estão sendo requisitados para interfaces “do mundo real”. O que obviamente é um trampo bem diferente em termos de funcionalidade.

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Falando em interfaces, esse foi justamente o assunto um Minimalismo ontem na Oi FM. Esses tempos, me assaltou a idéia de que pouco o futuro da televisão (ligada à internet, provavelmente com algumas funções “sociais”) depende muito dos designers de interface. Você pode ler (ou ouvir o texto) aqui.

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Amigos, amigos, redes à parte

De todos os comentários, dúvidas, desconfianças, elogios, críticas, pés atrás, de tudo que já passou pela minha cabeça e pela mídia (a social e a não social) sobre o Google+ até agora, o que mais me chamou a atenção foi o fato de que O GOOGLE SENTE QUE PRECISA EXPLICAR PRA NÓS O QUE SIGNIFICA A PALAVRA “AMIGOS”.

De novo: o Google (o Google!) quer nos ensinar (ou lembrar) o que significa amizade.

Isso não é pouca coisa. É bastante significativo e só não escrevo mais sobre isso porque meio que já escrevi ano passado no post Meus Amigos do Facebook.

Se estiver a fim, vai lá. Amigo.

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Update. Meu colega @azeredo temperou um pouco minha ingenuidade com a seguinte observação: não é que o Google quer nos EXPLICAR o que é amizade. O que ele quer é SABER quem são nossos amigos próximos. E família. E etc…

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TV did not kill web stars

Esse comercial da Vostu com a Ivete é o mindfuck definitivo do marketing digital brasileiro. Há anos que artigos em revistas e sites especializados, bem como palestras evangélicas, vem detonando a televisão como um meio válido de publicidade. Anunciar na TV, para fundamentalistas digitais, é símbolo de incompetência. É tiro de canhão, desperdício, furto qualificado, diz-se. Não é preciso verba de mídia nem celebridades, o consumidor é a mídia, o que é bom viraliza-se naturalmente, declama-se.

Mas, tu vê só, o mundo dá voltas. Não defendo este ou aquele meio, vivo e trabalho em cima do muro (é de onde se tem a visão geral das coisas). Mas não deixa de ser engraçado ver empresas ícone do mundo digital experimentando um pouco com o mais (nos últimos tempos) mal falado dos meios. Dito isto, reforço: faz absoluto sentido a Ivete vendendo Megacity na TV (ainda que fechada, não vi na aberta). Ivete, TV e jogos sociais, é tudo mainstream. E brasileiro, pelo que sei, gosta de coisa mainstream. Cauda longa é consequência de mercados estabilizados e economicamente maduros, penso.

Mas o Ivete/Megacity não é a única. Desde o ano passado que a TV fechada vem sendo invadida por comerciais de empresas “da web”. Começamos pela mais recente, do Mercado Livre, que por sinal tem comerciais muito bacanas e um posicionamento espertíssimo:

E a Netshoes? Diz em alto e bom tom que “Você nasceu digital” e ela também.

O comercial do Chrome, sim, passou na Globo ano passado. Nada como um comercial da maior empresa digital do mundo passando no canal (ainda) mais visto do Brasil. Junção de canhões.

(Diga-se de passagem, em outubro de 2010 eu estava nos Estados Unidos e vi o Google anunciando a sua rede de conteúdo, seus banners, em página quádrupla no The New York Times – o autêntico cross-media.)

Um dos meus prediletos é o do Groupon (também do ano passado), porque ele explica o conceito de compras coletivas e define como “a nova febre da internet”:

O do SaveMe também é bem didático:

O do Buscapé vai um pouquinho mais longe:

No setor dos “regionais” e dos comerciais mais baratinhos, tem o Vaquinha Vip:

Esse do Peixe Urbano, por sua vez, é um deleite de subtexto e metalinguagem: a TV usada no fim do comercial é uma bem antiga, ainda por cima chamada pelo peixe de “aquário”.

Por último, um merchandising do Club Penguin no Disney Channel com direito ao apresentador vestido a caráter para uma festa medieval que iria acontecer dentro da rede social infantil da Disney, o popular e incrível Club Penguin.

Conclusão da história 1: se você trabalha com mídia, não precisa mais ter medo. TV está deixando de ser palavrão (como comentei aqui, gostar de TV é/já foi usado em alguns círculos pra ofender alguém).

Conclusão da história 2: em termos de cultura digital, é melhor sentar e ver a bagunça acontecer (e assentar de tempos em tempos) do que ficar bravateando por aí.

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Minimalismo das últimas semanas

Por motivos de correria maior, não tenho postado os links dos programinhas que faço pra Oi FM. Mas tá registrado lá no blog da Oi. Tem um pouco de tudo: eu falo sobre radinho de pilha, pilha de livros não lidos, língua inglesa, crowdsourcing, exagero nos reviews online, SMS, internet no Brasil, coisas de graça, réplicas sociais, energias alternativas, e por aí va.

Se você quer ler ou escutar tudo, é só clicar aqui.

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Telas

Talvez um dos principais objetivos na vida de uma tela seja seduzir os humanos. E que alvo fácil nos tornamos. Diante de telas, todos somos um pouco como aqueles insetos que procuram a luz (ou, pra não ficar no clichê dos insetos, como a Carolyne de Poltergeist). Telas e olhos humanos: feitos uns para os outros.

São muitos os aspectos que nos atraem nas telas, mas creio que o princiapal é o fato de que uma tela estabelece limites claros entre o que está acontecendo dentro e fora delas. E dentro, todos sabemos, a vida é bem mais confortável: as explosões são inofensivas, a pobreza é suportável, a morte é uma abstração, a corrupção é do outro, os dramas são controlados e a comédia, fartamente disponível.

Não há dúvida de que uma tela conectada à internet oferece maior nível de interatividade e borra um pouco os limites entre a confusão de dentro e a de fora do retângulo. Mas na comparação, não adianta: em termos de perigo, a confusão de fora sempre vai ganhar da confusão de dentro.

A constatação é simples e deve ser antiga. É fácil imaginar o primeiro ser humano que buscou refúgio pela primeira vez dentro de uma caverna. Aposto que não foi o teto ou as paredes que lhe transmitiram alívio. Olhando para o tumultuado mundo lá fora, com o rosto iluminado por descargas elétricas, ele deve ter percebido as inegáveis (ainda que temporárias) vantagens de ver uma tempestade emoldurada pelo buraco da entrada.

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Imagem 1: série The Iluminatti de Eva Baden, toda com fotos de rostos iluminados por telas.

Imagem 2: anúncio da Band Sports que ganhou Leão de Bronze em Cannes.

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Leia também: Telas Fixas, Telas Móveis, Telas Coletivas, Telas Íntimas.

Leia também: As telas como personagens de Star Wars.

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Minimalismos das últimas semanas

É o seguinte, gente: agora além dos audios, no blog da Oi FM também tem os textos do Minimalismo arquivado pra quem quiser me LER e não me ESCUTAR.

Vai lá.

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O Mundo Percebido

“O mundo não passa do meu próprio corpo afetado pelo mundo.”

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Minimalismo – de 3 a 14 de junho

Nas últimas duas semanas, eu não tenho postado muito aqui. Mas tenho falado diariamente, como sempre, na Oi FM sobre…

- Os mitos da usabilidade. Pra ouvir, clique aqui.

- Os expansivos da internet. Pra ouvir, clique aqui.

- A confusão entre  passado, presente e fututo. Pra ouvir, clique aqui.

- Quem tem o poder do tempo real? Pra ouvir, clique aqui.

- De novo ele: o futuro! Pra ouvir, clique aqui.

- Democracia digital. Pra ouvir, clique aqui.

- Tecnostress! Pra ouvir, clique aqui.

- Crowdsourcing na publicidade. Pra ouvir, clique aqui.

Beleza?

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O início, o fim e o meio

A onda não é nova, mas agora parece estar chegando a algum tipo de tipping point: bandas fazendo shows (e turnês) para tocar discos inteiros, geralmente clássicos da sua própria discografia. O que o De Falla (de forma relevante e bem sucedida) fez aqui em Porto Alegre duas semanas atrás vem de uma linhagem interessante que atravessa diversas estirpes do rock. Basta dar uma googleada pra descobrir que já tivemos o Pixies tocando o Dolittle (inclusive no SWU aqui no Brasil), o Weezer tocando o Pinkerton, o Queens fazendo shows especiais do álbum de estréia, o Motley Crüe tocando o Dr. Feelgood, o Nine Inch Nails tocando o Downward Spiral, o Cracker fazendo o Kerosene Heat, o Melvins mandando o Houdini, o Primal Scream viajando com o Scremadelica e o Sonic Youth desenferrujando o Daydream Nation (que, na verdade, nunca enferrujou). Isso é só um aperitivo, claro. Continuando a pesquisa, a lista não termina.

O ponto é: pra que isso? O caminho mais raso pra responder à questão é culpar uma indústria da música perdida, que está experimentando todas as opções de venda e conexão com os fãs. Isso nos levaria, então, às famosas turnês caça-níqueis. Mas… se não nos contentarmos com a explicação mais simplista e militante, precisamos cavar um pouco mais. E descobrimos que, na cultura pop, a física quântica venceu: hoje, é possível você viver simultaneamente em duas, três, quatro épocas diferentes ao mesmo tempo sem que isso seja mal visto como era nos anos 90. Logo, se hoje tudo pode e tudo é de hoje, seria natural resgatar álbuns clássicos em sua totalidade.

Mas aí também a resposta está incompleta. O resgate de um clássico recente não é o mais importante (apesar de ser curioso). O ÂMAGO da história é o formato álbum, AQUELA COISA COM INÍCIO, MEIO E FIM que foi despedaçada e jogadas em pastinhas com o advento do mp3. Início, meio e fim são três elementos absolutamente estranhos à cultura digital, cujo fluxo de conteúdo sempre tende a um indigesto infinito.

Pois bem. Esses dias, comentei na Oi FM que uma das grandes vantagens  dos livros e revistas tradicionais em relação às suas versões interativas (e experimentais) em tablets e e-readers é o fato dos meios impressos terem INÍCIO, MEIO E FIM. Preste atenção: mesmo os recordes de venda de e-books da Amazon são baseados em obras digitais que emulam o conceito clássico de livro, com INÍCIO, MEIO E FIM. O Flipboard, aplicativo popular entre os usuários de iPad, também tenta formatar a enxurrada de conteúdo das redes sociais como uma revista com… INÍCIO, MEIO E FIM.

(Não adianta: o ser humano, todos sabemos, adora limites. Até pra poder ficar tirando onda de que quer vencê-los, transcendê-los.)

O conceito de álbum guarda essa semelhança com os livros e revistas impressos: ele seduz pela finitude. Mas ok. Mas então por que precisa ser tocado presencialmente? Por que o álbum ganha tanta exposição mais na sua forma ao vivo do que no seu formato em vinil, CD ou até mesmo digital? Ora: o que é mais finito (e, hoje, atraente) do que assistir a um SHOW de um álbum inteiro, com as músicas tocadas na ordem? O que é mais excitante do que um evento físico – porém intangível – que poderá não acontecer de novo e que não está sujeito nem a 1) ser despedaçado num shuffle qualquer 2) ser relegado ao limbo de uma pasta de MP3 que é poucas vezes visitada com tanta solenidade?

Tem algo que muita gente não entende - especialmente os envolvidos no lado mais comercial da tecnologia: a finitude, o estático, a desconexão, tudo isso são elementos fundamentais para a cultura digital – e para nossa sanidade coletiva.

É como quando passa aquele cara na rua carregando uma placa que diz O FIM ESTÁ PRÓXIMO. Se você pensa que o pessoal se apavora, você não está entendendo. O pessoal, hoje, grita OBA!

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Minimalismo – 23 de maio a 2 de junho

Aqui você pode escutar o que rolou nas últimas duas semanas na minha coluna auditiva diária sobre cultura digital na Oi FM:

- Dia 23 eu falei sobre onde costumamos guardar nosso conteúdo. Ouça clicando aqui.

- Dia 24 o assunto foi a relação dos aparelhos digitais e nosso corpo. Ouça clicando aqui.

(Aliás, esse assunto aí eu já abordei numa série de posts que começa neste, passa por este e chega neste.

- Dia 25 o tema foi “como lidar com grandes quantidades de informação via meios digitais”. Ouça clicando aqui.

- Dia 26 eu falei do toque como forma de comunicação. Ouça clicando aqui.

- Dia 27 eu abordei “o que os brasileiros fazem enquanto estão navegando em sites”. Ouça clicando aqui.

- Dia 30 o assunto do Minimalismo foi a internet das coisas. Ouça clicando aqui.

- Dia 31, o tema foi identidade. Ouça clicando aqui.

- Dia 1º, eu questionei o conceito de voyer na era digital. Ouça clicando aqui.

- Dia 2, falei do papel da escrita hoje. Ouça clicando aqui.

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Quer ouvir programas mais antigos? Procure por aqui.

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