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Arquivo: Minimalismo

Aeroportos

Aeroportos são lugares de ninguém. Isso não é uma crítica às companhias aéreas ou às agências federais. É só uma constatação conceitual. Fora os funcionários, pra todo o resto da população flutuante dos aeroportos, a relação com tempo e espaço é muito diferente. Porque o aeroporto é um lugar entre lugares.

Todo mundo que passa uma, duas, três, cinco, seis horas esperando vôos está passando um tempo em lugar nenhum. É daí que vem aquela sensação esquisita quando você faz muitas conexões em um mesmo dia. O problema não é você. O problema é que estar no aeroporto é estar a caminho e estar parado ao mesmo tempo.

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A imagem que eu escolhi pra ilustrar o post quase rende outro post. Ela mostra  a parede luminescente do Terminal 5 do aeroporto de Heatrhow, Londres, criada pelo estúdio Troika. O horário de Londres aparece como eixo central do relógio e é ladeado pelos horários de regiões ou locais interessantes do mundo como o Museu Guggenhein, o Everest, o Canal do Panamá e a Torre Eiffel. Uma leve e divertida subversão dos tradicionais relógios de aeroporto que trazem o horário em diversas capitais financeiras ou políticas do mundo.

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O post e esse assunto todo são inspirados num dos programas Minimalismo que eu fiz pra Oi FM.

Pra ver outros textos relacionados ao programa, vá por aqui.

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Descartáveis Permanentes

Esse monte de oferta de notícias rápidas com que a gente convive na internet costuma dar a idéia de que estamos cercados de uma massa de informação instantânea e descartável. Mas, por outro lado, muitos fragmentos em texto, foto ou vídeo que passam batidos numa época podem acabar voltando como relevantes nos anos seguintes, dependendo do contexto em que ressurgem.

(As “mais lida”s da Folha, por exemplo, volta e meia são freqüentadas por notícias bem antigas que sucumbem a alguma onda de interesse bizarra. Teve um caso bem célebre disso esses tempos, mas não estou conseguindo lembrar qual é – que ironia.)

O ponto mais curioso disso tudo é que, diferente de notícias em papel ou na televisão, que têm arquivos difíceis de serem acessados, na internet mesmo o jornalismo mais raso acaba virando biblioteca. E criando mais um paradoxo dos nossos tempos: as notícias instantâneas e aparentemente descartáveis se tornam bem mais duráveis do que se esperava ou se queria pra elas.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.
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Foto bacana daqui.

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Exatamente humano

Nas conversas do dia a dia, a tecnologia é tratada como um assunto das ciências exatas. Mas se a gente olhar com atenção, vai perceber que na verdade ela sempre foi da área de humanas. Inventos como um chip ultra veloz, um e-reader ou um GPS são humanos porque nasceram de desejos bastante humanos, seja um desejo por conforto, por companhia ou por poder. Quanto mais moderna e mais incrível for a tecnologia, mais humana ela é porque provavelmente veio da parte obscura da mente de um visionário. E não existe nada mais humano e tão pouco exato do que a mente obscura de um visionário.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.
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Postos

Os postos de gasolina são lugares marcantes na cultura contemporânea. Primeiro, nos reunimos em torno deles pra abastecer e fazer a manutenção dos nossos veículos. Depois, começamos a passar por lá também pra ouvir música alto, tomar cerveja, comer porcaria, comprar remédios ou alugar filmes.

É irônico, interessante e talvez meio triste que tudo que encontremos nos postos de gasolina hoje possa ser classificado de combustível. E como tudo está mudando com rapidez, fica aí uma questão interessante: o que será considerado combustível pra nós nos próximos dez, vinte ou cinqüenta anos? Respostas no posto de gasolina mais próximo.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.
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Carteiras

Primeiro, o dinheiro de papel começou a ser substituído pelos cartões de plástico. Agora, os cartões estão disputando espaço com novas formas de pagamento digital feitos diretamente no computador ou no celular. Se os cartões de plástico forem mesmo substituídos por senhas digitais, isso vai levar a uma mudança social no uso da… carteira.

Com menos dinheiro físico pra levar, as nossas carteiras serão meros depósitos de bilhetes, fotos e outras quinquilharias, enquanto nossos celulares se tornarão o nosso centro financeiro por permitirem a conexão com bancos e sistemas de pagamento digital. Vivem avisando as empresas de mídia e entretenimento, mas alguém aí esqueceu de dar um toque sobre a revolução para os fabricantes de carteira.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.
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E o corpo nisso tudo?

Um dos grandes desafios para os novos aparelhos como smartphones, e-readers e o iPad é a ergonomia, ou seja, o comportamento e a posição do corpo enquanto estamos interagindo com conteúdos digitais. A nossa história com esses aparelhos é recente e o corpo de quem fica horas e horas em cima do smartphone ou de um e-reader deve estranhar.

Com o tempo, a tendência é que naturalmente a gente vá encontrando posições e momentos adequados e sadios pro uso de cada aparelho. Ou a conta do celular no uso de dados não vai ser nada perto da conta que o corpo vai cobrar.

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Esse texto foi inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM. (Pra ver todos os textos, vá por aqui.) Mas eu já toquei nesse assunto (frequentemente negligenciado) nesse post aqui.

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Multi

Hoje, quando se fala em conteúdo multimídia, logo a gente lembra de coisas como as notícias na internet, aquelas que trazem texto junto com vídeos, fotos, gráficos em 3D, áudios, essas coisas. Mas não é só o mundo da informação que está assim. As relações pessoais também estão se tornando mais… multimídia.

As amizades, os amores e os laços familiares hoje contam com uma série de anexos como fotos de celular, vídeos de câmeras digitais, mensagens de SMS, emoticons do MSN, perfis no Orkut, enfim, toda uma variedade de expressões digitais brilhantes, pulsantes e feitas de pixels, que já estão ajudando a contar e enriquecer a nossa biblioteca sentimental.

Haja HD pra tanta coisa…

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

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Internet = urbanização

O grande sonho de quem navega na internet é ter uma conexão rápida e encontrar sites fáceis de explorar.  No dia-a-dia, a rotina é bem diferente, recheada de serviços lentos, sites complicados e links quebrados. O vale que existe entre vontade e experiência acaba gerando um acúmulo de pequenos momentos estressantes com novas tecnologias. Mas talvez uma parte considerável dos desencantos cotidianos que acompanham interações digitais seja fruto, simplesmente, de idealizações.

A evolução da internet em países como o Brasil segue mais ou menos as regras da urbanização. Existem muitos planos e muitos desejos, mas, no fundo, por muito tempo a gente vai ter que conviver com a versão digital dos engarrafamentos, das calçadas imperfeitas, das ruas esburacadas e dos bairros degradados.

A vida digital, queiramos ou não, também é vida.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

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Essa van bacana aí eu achei aqui.

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Scanners

O scanner é um dos grandes responsáveis pela tradução de trilhões e trilhões de documentos físicos pra linguagem dos softwares. Ele é hoje um tipo de diplomata entre o mundo analógico e digital. Mas esse momento de estrelato do scanner não vai durar pra sempre.

Ao longo das próximas décadas a necessidade de escanear documentos talvez diminua lentamente. Ou porque muitos documentos já terão sido escaneados ou porque muitos já virão em formato digital. Não é que o scanner vá sumir. Mas como acontece com aparelhos e celebridades em uma época de tecnologia acelerada, não é realista ficar se achando por muito tempo.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi  FM.

Pra ver todos os textos, <a href=”http://www.oesquema.com.br/conector/category/minimalismo”>vá por  aqui.</a>

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Impressões

A tecnologia de touchscreen, como todo mundo já sabe, é uma das grandes apostas (confirmada!) na área de interfaces. Cada vez mais a gente vai dialogar com aparelhos tocando direto na tela. Hoje esse recurso é novidade e parece muito bonitinho, mas dentro de alguns anos ele vai se tornar mais comum e perder parte do encanto.

Um dos grandes desafios na popularização das telas sensíveis ao toque é quando elas estiverem presentes em locais públicos. Além de precisarem ser bem menos frágeis, elas vão disputar espaço com a poluição visual e um tipo de sujeira cotidiana do ambiente urbano que vai exigir bem mais do que as atuais telas com tratamento oleofóbico…

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

Pra ver todos os textos, vá por aqui.

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Nonsense planet

Não cheguei a ler esse livro, mas a premissa é muito atraente, não é? Autêntico representante dessa leva de livros de ciência pop, o “13 Coisas que Não Fazem Sentido” ressalta anomalias ainda não explicadas pela ciência como sinais vindos do espaço em 1977, a fusão a frio (que na teoria é impossível mas que funciona em laboratório), o efeito placebo e certos gases em Marte que parecem ter sido produzidos por formas de vida semelhantes à nossa. (Confira um pouco mais na resenha do Guardian.)

Mas, vamos combinar… pra sacar qual é o maior mistério do livro, não precisa ler: é o próprio livro! Como é que o jornalista de ciência Michael Brooks conseguiu encontrar só 13 anomalias que não fazem sentido quando a gente sabe que deve existir pelo menos um bilhão de coisas absolutamente nonsense no nosso planeta?!

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

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Inteligência Artificial

A maior parte das mudanças culturais que a gente está vivendo hoje são, de certa forma, parentes da revolução industrial do século 19. No livro o Zen e a Psicanálise, de 1960, o professor zen budista DT Suzuki comenta que uma das diferenças fundamentais entre homens e máquinas surgidas no século XIX é o objetivo ao executar tarefas.

A finalidade de uma máquina é sempre terminar uma tarefa enquanto nós, humanos, frequentemente encontramos significado no próprio processo, não só no resultado. Isso é um bom parâmetro pra evolução da inteligência artificial. Um computador (ou um software) só terá atitudes humanas no dia em que ele conseguir executar uma tarefa com o mero objetivo de executar – e não de terminar.

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Texto inspirado num dos programetes “Minimalismo” que eu faço pra Oi FM.

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Ah: um bom pedaço do livro citado acima está disponível em inglês no Google Books. Parece simples de ler, mas ele é profundo. Eu li umas dez páginas e estou há quase um mês pensando nelas.

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Pode sair dando autógrafos

O número de câmeras que estão nos filmando está crescendo ano a ano, sejam as câmeras digitais dos nossos amigos ou as onipresentes câmeras de seguranças em supermercados, bancos ou prédios. Todo mundo hoje está em alguma tela em algum momento do dia, o que vem gerando muita discussão sobre privacidade mas também está fazendo a felicidade de muita gente vaidosa e que gosta de aparecer – mesmo que seja nas tvzinhas dos seguranças.

Portanto, se você algum dia sonhou em celebridade de TV, seu sonho já se realizou porque nos dias de hoje você é muito mais filmado e gravado do que muitos atores da década de 70.

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Post inspirado num dos Minimalismos que eu faço pra Oi FM.

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As novas cidades fantasma

Geralmente quando alguém fala em cidades fantasma, a gente logo associa o termo a regiões abandonadas pela falta de dinheiro. Mas, na China, acontece o contrário. O governo de lá liberou incentivos de bilhões de dólares pra construção civil e pro setor imobiliário, gerando absurdos como Ordos, uma cidade feita para um milhão de pessoas mas habitada só por algumas centenas. O motivo disso é fazer bonito no PIB com grandes números de investimento. Mas, como temos visto ultimamente, números não são bons para habitar cidades. Eles são bons mesmo em criar bolhas econômicas.

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Escrevi esse comentário pro Minimalismo da Oi FM, inspirado nesse artigo da Foreign Policy e nesse do Gizmodo, que tem vídeo.

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Foco

Segundo o pesquisador americano David Dalrymple, a capacidade de ser focado em um mundo cheio de distrações é mais importante do que acumular conhecimento. Vale ler o artigo todo do Dalrynple, porque ele meio que quebra alguns conceitos solidifcados que flutuam nas nossas conversas de churrasco e mesa de bar.

Qualé o ponto dele? É assim: vivemos num período em que as instituições educacionais e as empresas ainda valorizam, ensinam e se estruturam em torno do acúmulo de conhecimento, a habilidade de você simplesmente SABER coisas. Mas, hoje, com tanta informação à disposição de forma rápida e barata, o que conta são as mentes capazes de navegar com clareza nos oceanos de dados, que não se afogam mas que conseguem dar um sentido maior e mais profundo a eles. Em outras palavras, saber qualquer um sabe. Mas e coordenar tudo de acordo com cada situação necessária?

Daqui pra frente, vamos provavelmente assistir a uma valorização cada vez maior da faculdade natural da mente humana para se focar e ligar os pontos. O mais curioso disso é que a tecnologia, indo contra o que muitas vozes apocalípticos pregam, não está matando o nosso lado mais mágico e intuitivo, mas tornando-o, isso sim, um artigo essencial.

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Post inspirado num dos Minimalismos que eu faço pra Oi FM.

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Identidade

A pesquisadora e jornalista inglesa Aleks Krotoski está investigando a relação entre a identidade das pessoas dentro e fora da internet. O mito que se criou em torno disso é que muita gente inventa um personagem quando cria um perfil digital, aumentando algumas qualidades e reduzindo defeitos. Mas o que o estudo da Aleks está descobrindo é que cada vez mais as identidades digitais refletem a identidade da pessoa fora da rede.

Ou seja, lentamente estamos amadurecendo na construção das nossas relações online, e descobrindo que não podemos fugir de quem realmente somos nem mesmo no tal “mundo digital”. A fuga não esconde nossos traços. Apenas, de um jeito indireto mas geralmente flagrante para olhos atentos, os reforça.

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A imagem acima é do set do Flickr de desenhos feitos no iPhone pelo incrível José Carlos Lollo.

E o texto do post é inspirado num dos Minimalismos que eu faço pra Oi FM.

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Blippy

O Blippy é daqueles sites que surgem e levantam três questões clássicas relacionadas à tecnologia hoje: 1) Pra que serve esse troço? 2) Tá, mas pra que serve MESMO esse troço? 3) Santo cristo, onde é que isso vai parar?

Vamos às respostas.

1) No Blippy, que está em testes ainda, você cadastra seu cartão de crédito e seus perfis na internet e o programa mostra pra todos seus amigos da suas redes sociais seus gastos em detalhes e em tempo real, na hora em que você acabou de passar o cartão na maquininha.

2) Quem é que vai querer ser controlado e comentado pelos outros dessa forma, eu não sei. Mas, vamos combinar que tem um uso excelente pro Blippy: cadastrar todos os cartões de crédito de todos os políticos brasileiros no site e fazer aparecer no Orkutão.

#ficadica.

Ah: a pergunta 3 não é comigo, é no guichê seguinte.

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A cor do som

Os celulares são aparelhos difíceis de serem customizados por fora, na sua estrutura física, a grande maioria deles, pelo menos. Ainda assim, todo mundo dá um jeito de deixar o telefone com a sua cara. Uma vez que papéis de parede e fotinhos são limitadas pra um raio de ação mais amplo, o som é que é, hoje, um dos grande fatores de diferenciação do aparelho. É por isso que os ringtones são tão importantes e geram tanto dinheiro no mundo todo pra operadoras e gravadoras. É o toque pessoal de cada um, seja uma música, uma voz gravada ou uma piadinha qualquer que faz dois aparelhos iguais parecerem de donos tão diferentes.

Em resumo, o som é hoje a cara do celular.

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Post inspirado num texto que gravei pro Minimalismo da Oi FM.

Ilustra: daqui

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Quebrando coisas & conceitos

Os artistas europeus Ronnie Yarisal e Katja Kublitz tiveram uma idéia interessante pra quem gosta de descontar suas frustrações quebrando coisas. Eles inventaram uma vending machines, essas máquinas que vendem refrigerantes, só que colocaram ali dentro objetos de porcelana. Então você chega na máquina, coloca a moeda e escolhe o objeto, ele cai na gaveta e quebra na hora.

No fundo, a máquina funciona bem como uma dupla crítica: sobre a tendência atual de transformar tudo em compras, e também sobre a digitalização das nossas vidas, de não tocarmos diretamente naquilo que estamos envolvidos emocionalmente. Ou seja: a máquina de quebrar coisas não serve só pra lidar com a raiva (um subterfúgio controverso de acordo com algumas correntes psicológicas, diga-se de passagem), mas também com outras questões mais profundas do mundo contemporâneo.

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Post inspirado num texto que gravei pro Minimalismo da Oi FM.

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Câmeras

A câmera fotográfica é um objeto que mudou muito de status nos últimos anos. Ela surgiu na vida de nós, não-fotógrafos, como um simples capturador de momentos especiais. E as imagens que elas produziam eram guardadas com toda pompa e circunstância em álbuns super bem cuidados.

Hoje, a câmera, em sua encarnação digital, está à disposição de muito mais gente. Ela se tornou um objeto mais comum  que captura momentos também mais comuns. Ficou mais fácil registrar o dia-a-dia e ficou mais difícil selecionar (e desfrutar d’) os momentos realmente especiais no meio de tantos gigas de imagens

Esse é mais um dos paradoxos da cultura digital que não serão resolvidos por aparelhos mas pela mentalidade do usuário.

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Post inspirado num texto que gravei pro Minimalismo da Oi FM.

Imagem: “Stairway to Nothing”, Centro Cultural Martin Cererê em Goiânia.

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A volta dos que não foram – 2

Um dos efeitos colaterais da disseminação de novas tecnologias, curiosamente, é o retorno a velhos hábitos. Por exemplo, já foi dito que o mp3 trouxe de volta a era dos singles e que o email também trouxe de volta o diálogo escrito entre as pessoas depois de um longo declínio na troca de cartas.

(Embora alguns hoje decretem a morte do email, eu não acredito. Pra mim, é que nem a morte do cinema, do rádio, da televisão…)

Bom, mas a questão é que o celular também é responsável por um desses fenômenos. No século passado, antes da criação do relógio de pulso, era comum alguém puxar um aparelho do bolso pra saber as horas. Hoje, tu vê só, é igualzinho. Pra se situar e não ficar perdidão, a maior parte das pessoas precisa ir no bolso em busca das horas, consultando o celular.

Pobre pulso: perdeu status no que diz respeito a nos conectar com o fluxo do tempo. E pro bolso, que nem parte do corpo é!!!

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Leia também A volta dos que não foram – 1.

Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.

Imagem daqui.

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Bukowski e os computadores

A dúvida se a tecnologia atrapalha ou incrementa o talento de um artista não é nova. Ela vem de séculos e chega até os nossos tempos envolta em polêmica. O escritor Charles Bukowski foi um dos que abraçaram a tecnologia como uma facilitadora. Em 91, Bukowski ganhou um computador de sua esposa e a partir daí sua produção de poemas aumentou. Em parte pela sua maturidade como poeta, é claro. Mas em parte também graças ao processador de textos do computador, algo que ele deixou claro em algumas cartas.

Bukowski, que também chegou a comentar sobre a possibilidade de lançar um e-book, é um escritor até hoje comemorado pela sua tosquice. Ele poderia muito bem ser associado um certo sentimentalismo com o passado. Mas sua abertura à tecnologia é apenas um lembrete de que seu espírito transgressor não estava preso à nostalgia por ferramentas de trabalho vintage.

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Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.

E nesse link que alguém me passou, não lembro quem.

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Imperfect Basterds

A noção de lixo reciclável acaba de ganhar um novo significado. Foi lançado este ano pela editora americana Mark Batty o livro Glitch: Designing Imperfections. Glitch traz 206 imagens de telas de erros de computador formaram desenhos interessantes sem querer. Por exemplo: sistemas que deram pau, programas que travaram ou desenhos que foram corrompidos pela máquina. São pixels desorganizados, problemas que aos olhos de um bom editor foram reunidos como um material gráfico inspirador.

A bem da verdade, eu ainda não botei as mãos nesse livro. Mas adorei o conceito. Porque acho que é bom a gente se acostumar com esse tipo de coisa. Com tanta tecnologia nova surgindo, durante muito, muito tempo o erro vai acontecer com mais frequência do que o acerto. E, embora seja cool falar que “erro é legal”, o fato é que erro geralmente dá frio na barriga e perna mole. Então ao menos é bom ver o desconforto compensado por um olhar benevolente e positivo.

Mas, vamos ver pelo lado bom: ao poucos, estamos nos tornando especialistas nesses erros. É isso aí minha gente! Nenhuma geração vai errar tão bem nos meios digitais como nós!

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Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.

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Tehching

O tailandês taiwanês (obrigado Good Blood) radicado nos Estados Unidos Tehching Hsieh é um dos mais interessantes artistas de performance dos últimos tempos. De 78 a 99 ele executou uma série de trabalhos que tinham como principal instrumento a sua própria vida.

Por exemplo, entre 85 e 86 ele passou o tempo inteiro sem produzir arte, sem falar em arte, sem ler sobre arte e sem entrar em museus ou galerias.

Ele apenas… viveu… seguindo essa regra simples que criou pra si mesmo e ficou durante um ano livre do mundo das artes.

Um dos aspectos mais interessantes da obra de Tehching é mostrar que regras não existem apenas para serem seguidas ou questionadas, mas também utilizadas como moldura; Enquanto muita gente busca alcançar liberdade tentando cortar todas as amarras, a pilha do cara é criar fronteiras específicas que servem como uma poderosa ferramentas de criação.

Conheci o trabalho do Tehching num dos workshops do professor Charles Watson sobre Processo Criativo, que já foram tema deste post e deste post.

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Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.

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Sobre liberdade & edição

O Tiago Dória recentemente comentou que estamos vivendo na era do desmanche do conteúdo. Adorei essa expressão que resume bem um jeito de viver contemporâneo. É aquela coisa: em vez de ouvir discos inteiros, estamos preferindo músicas individuais que coletamos e selecionamos de acordo com a nossa preferência. Ou então, em vez de ler todo o conteúdo de um só portal de notícias, escolhemos matérias específicas de diferentes fontes de informação na internet.

Isso me lembra um assunto freqüente que vi no “Twitter” há alguns meses: pessoas de mau humor reclamando do mau humor do “Twitter”. As aspas são propositais: não faz sentido reclamar do Twitter, mas talvez sim do “Twitter”. O primeiro, sem aspas, é a ferramenta, algo neutro, cujo usuário decide como vai utilizar. O segundo, com aspas, é o consolidado. Aquela telinha com um conteúdo de pessoas que EU decido seguir (e não o programador da rádio), onde EU sou o editor (e não o diretor de programação do SBT), onde EU fiz a escolha (e não o chefe de redação da Folha). Se o MEU “Twitter”, com o grupo de seguidores que EU montei, está chato ou repetitivo ou insosso ou irrelevante, a responsabilidade é toda minha (e não do editor da Veja). É mais ou menos como brigar com o shuffle do mp3 player por ele estar tocando só música ruim.

A questão toda é que o desmanche do conteúdo coloca nas mãos de nós, ouvintes, leitores, espectadores, a responsabilidade de editar obras artísticas e informações. Todos nós – e não apenas os “formadores de opinião” ou os “curadores” – estamos nos tornando de fato editores e cada vez mais temos duas coisas: primeiro, a liberdade de escolha. E em segundo lugar, a responsabilidade. Porque se nós é que estamos escolhendo e selecionando, também não podemos mais botar a culpa em ninguém da má qualidade do que consumimos em termos de informação e entretenimento.

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Ilustração roubada do blog do Guy Deslile.

Post inspirado num texto que gravei para o Minimalismo na Oi FM.

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