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Ligue os pontos

É como diz aí em cima: simplesmente reuni os textos (que considerei) mais interessantes da discussão recente sobre cultura independente num só lugar. Não tem análise, no máximo um viés de escolha e um discurso que acaba se montando com os trechos que escolhi pra servirem de guia para cada link. A conclusão é de cada um.

Está aqui no tumblr Discurso Alternativo.

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Melhores Posts de 2011

 

Estou de férias e volto só dia 9 de janeiro. Enquanto isso, fique com uma seleção dos posts mais bacanas de 2011 selecionados por uma comissão formada por me, myself and I.

Toque - uma tela touch no aeroporto de Florianópolis.

New Orleans After The Deluge – quadrinhos jornalísticos sobre a tragédia do Katrina.

Minhas impressões sobre o Kindle – é isso aí que o título diz.

Intermediários – a chuva na fazenda.

Pimpão – a importância do especialista de tecnologia ser simpático.

Reclamões - o bom uso da energia das reclamações digitais.

5 Coisas que deveriam ter sumido das palestras publicitárias em 2011 – será que se foram?

Jeffrey Brown – ele parece não saber desenhar, mas acho que é truque

Acúmulo – juntar coisas digitais também é juntar tralha.

Diversidade – não dá mais pra dizer “meu, não acredito q vc não viu isso!”

Crônicas de Gelo, Fogo e Sangue do Autor – o bullying em cima do criador de Guerra dos Tronos.

Corrida-dô – anotações sobre o livro do Murakami, aquele de corrida.

Malditos Cartunistas – a grande colaboração desses caras na análise do Brasil.

Calças cáqui – tudo pode virar ícone…

Patti Smith em Cannes – eu estava lá!

O início, o fim e o meio – por que tantos shows de discos clássicos?

Ginsberg – anotações sobre a biografia dele.

De todos os tamanhos – sobre a escalabilidade do rock.

Amigos, amigos, redes à parte – tiveram que nos explicar a diferença.

TV did not kill the web stars – as empresas de internet se mandam pra TV.

Television em Porto Alegre – eu fui e tava massa.

Telas – elas sempre chamam nossa atenção.

Diferentes iguais – sobre Diálogons en La Escuridad e Yo También.

The Quitter – anotações sobre esse livrinho do Harvey Pekar.

Documentário como ferramenta de marketing – além dos 30 segundos.

Sobre escrever – um texto que escrevi  sobre… escrever.

Nevermind em 12 faixas – todo mundo falou alguma coisa sobre ele. Eu também quis.

Primal Scream em Porto Alegre – eu fui e tava massa.

Matt Damon, educação e idéias vagas – o pessoal não pensa antes de falar.

Nunca esqueça da torneira – pra não se afogar em informação.

Regras da firma – redes sociais no trabalho.

Balde – chutá-lo ou não chutá-lo?

Clichês – como evitá-los.

Minha impressão sobre o iPad 2 – é isso aí!

Julgamentos – anotações sobre o documentário Judgment Day – Intelligent Design on Trial

Linha da vida – a arrogância da Timeline do Feice.

El Jardin Armado – mais um belo trabalho do David B.

 

 

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Tapes do Demo

Simples assim: o Edson do Power of The Bira está subindo uma cacetada de fitas cassete de bandas independentes dos anos 90. Ou seja, passando os mp3 daquela época pra propriamente mp3. Tem Squaws, De Falla, Boi Mamão, Dash, Loop B, e por aí vai…

A nossa Ao Vivo no Japão, de 1997, está lá também. Essa fita foi uma espécie de transição entre o nosso primeiro e imaturo disco pro segundo, 90 Graus, um pouco mais consolidado em termos de som. Várias músicas do 90 Graus estão na Ao Vivo no Japão, bem como uns rascunhos e também peças da Chulé de Coturno (a outra banda do Marcos, Gian e Bruno com o Renato, que anos depois acompanhou o Wander por um tempo).

Ao Vivo no Japão foi gravada ao vivo num estúdio em Porto Alegre.

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Todo mundo é DJ em Porto Alegr… digo, PORTLAND!

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O futuro do rock

Rápida tese.

Pelo jeito que a coisa anda, o futuro do rock vai ser em dividido em dois: as bandas que vão fazer o povo dançar e as que vão encher as músicas de partezinhas e viradinhas e coisinhas pros marmanjos estudarem da platéia.

Não é?

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Terapia Indie

Não tenho tempo pra articular um post maior, mas vocês não estão com a impressão de que está rolando a maior terapia em grupo na mídia por parte da geração independente dos anos 80/90? Vejamos.

Aqui no Brasil é bem óbvio que isso está acontecendo – e já faz algum tempo. Toda a discussão em torno do Circuito Fora do Eixo esse ano foi, na verdade, uma requentada da polêmica do ano passado (lembra da a carta do João Parahyba?). Esse ano, a coisa foi reativada pela coluna do Álvaro Pereira Jr., pela visão do China e pela resposta do Bruno do Macaco Bong, pra não falar do desabafo do Bernardo do Elma no Facebook, contando os rolos com a produção do Cedo e Sentado (você veja que já tem bibliografia o debate e eu nem linkei 1/10 da parada…).

(Até pensei em escrever sobre isso tudo do ponto de vista de artista, mas resolvi responder tocando com os Walverdes por aí.)

Mas não é só na órbita do Fora do Eixo que gira a terapia em grupo. Bandas como o DeFalla voltando, o Rodolfo do Raimundos em matéria na Rolling Stone, a inacreditável ronha entre o Lobão e o Lolapalooza (o simbolismo disso me deixa pasmo), o lance entre o Ultraje e o Peter Gabriel, o Adriano saindo do CSS (não pude não lembrar de emails inflamados da época da Poplist, mesmo com a posterior entrevista mais comedida)… enfim… como diz aquela irresistível canção, “alguma coisa está fora da ordem” – ou fora do eixo (tum-tum-pish!)

No meio disso tudo, poucas coisas que li esse ano me deixaram tão intrigado e boquiaberto quanto o depoimento da mina do LeTigre sobre não poder construir uma vida estruturada materialmente com seu ofício de artista nos Estados Unidos. Ainda que legítimo, não dá pra um artista brasileiro ler o texto e não achar esquisito. É outra peça absurdamente forte e simbólica, porque é um sinal de estruturas (financeiras, sociais e conceituais) ruindo.

Outros indícios da grande terapia de grupo indie das últimas décadas: depoimentos como o do Bob Mould (Sugar/Husker Dü) e do Low Barlow, abrindo motivações, alguns podres e bastidores de momentos culturais singulares e fundamentais do fim do século passado. Pra não falar da separação do casal ícone do underground – Kim Deal Gordon e Thurston Moore, com direito a declarações emotivas do George Harrison do Sonic Youth, Lee Ranaldo.

(Em tempo: em 2009 Kim e Thurston abriram sua casa pra revista americana Nylon. O que mais me chamou a atenção nessa matéria foi o tom desculposo da dupla ao comentar que tem dois carros na garagem, como se tivessem que justificar pra patota alternativa tamanho luxo… a patrulha indie é implacável! A resposta aparece agora: dois carros pra cada um ficar com um… tumtu-pish!)

Rapaz, que momento!

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Três bandas, uma só voz

Amantes dos riffs lancinantes e das batidas contudentes que estiverem por perto de Porto Alegre: não percam esse show sexta-feira! Não é sempre que um line-up se alinha tão bem dessa forma, que a combinação encaixa tanto. Não estamos falando de rock, estamos falando de ciência!

Estamos falando do autoproclamado GRUNGE UNIVERSITÁRIO dos Hangovers, uma das bandas mais bacanas e intensas que apareceu em Porto Alegre nos últimos anos. Se você não acredita em mim, dá uma ouvida nos sons que tem na Trama Virtual – onde, aliás, eles andaram frequentando o primeiríssimo lugar nas paradas por muitas semanas logo que lançaram seu EP, Academia Brasileira de Tretas.

Se o Hangovers trilha o caminho do GRUNGE UNIVERSITÁRIO, a Viana Moog é o NOISE COM MESTRADO. Os caras são mestres em no mínimo duas coisas: misturar poesia ácida (nos dois significados da palavra) com tramas barulhentas de guitarras e também em colocar São Leopoldo no mapa roqueiro do país. A Viana já frequentou as paradas de São Leopoldo, especialmente aquelas na época do colégio no Sete de Setembro.

Já os Walverdes, minha banda, eu espero que você conheça já que frequenta o blog. Desde nossa fundação, em 1993, já fomos escolhidos quatro vezes BANDA DO ANO pelo CONSELHO DE SEGURANÇA DA ONU, duas vezes PERSONALIDADE CARICATA DO ANO pela NASA e cinco vezes PESQUISADORES CONVIDADOS DA UNIVERSIDADE DE HARVARD EM MASSACHUSSETS, OHIO (onde apresentamos o pré-projeto da tese intitulado “Walking backwards – an essay”).

Ficamos seis semanas consecutivas em PRIMEIRO LUGAR NAS PARADA 75 e 76 da RS 40 esperando um ônibus pra Viamãop. Ao lado do GRUNGE UNIVERSITÁRIO do Hangovers e do NOISE COM MESTRADO da Viana Moog, vamos apresentar nossa TESE DE DOUTORADO EM ROCK PAULEIRA.

Quem perder vai ficar mais burro.

***

Ah: chegaram as novas velhas camisetas dos Walverdes. À venda no show ou pelo email marcosrubenich75@gmail.com

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Aprendendo a tocar Melvins

Essa é minha música predileta deles:

E é assim que se toca, segundo o próprio guitarrista King Buzzo:

Aliás, dá pra aprender a tocar todo o clássico Houdini aqui.

Dica do Julio Porto.

***

Um PS: muita gente considera que o Walverdes é uma banda de inspiração STONER, mas a verdade é que o Melvins, por exemplo, nos influenciou muito mais do que o Queens e todo esse povo que veio depois…

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Imagine o Galvão Bueno dizendo…





… “Dubstep e criança… tuuuuudo a ver…”

Comercial, caseiro, fake, real… tem de tudo… bota dubstep + kid, young, children no YouTube e deixa vir…

(ps: pra saber mais sobre dubstep, vai na dica do Bruno.)

(ps 2: post inspirado numa conversa com Landosystem e Damásio, meus ex-parceiros de Carregados)

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Hoje em Esporro Porto Alegre

E o Leonardo Panço (Tamborete Records, Jason, entre outros empreendimentos) sentou pra botar no papel a visão (privilegiada) dele da cena barulhenta do Rio nos anos 90. Dá uma olhada no teaser do livro:

Hoje ele lança as 256 páginas aqui na cidade. E atenção, muita atenção: o Panço me disse que quem comprar o livro (que sai 30 patacas) leva grátis 5 CDs da banquinha dele. Tem também os livros anteriores dele (a 20 narjara turetas cada) e leva 2 CDs.

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Nevermind em 12 faixas

Smells Like a Teen Spirit

O Nevermind não foi um disco que eu escutei. Foi um disco que eu vivi. Porto Alegre, na época do Nevermind, teve sua própria versão da “cena de Seattle”, da “explosão do rock alternativo”, guardada as devidíssimas proporções. Não tinha internet, mp3, banda gringa da hora tocando na cidade e muito lugar pra tocar/sair. Mas tinha a Osvaldo Aranha e depois a Barros Cassal, ruas que reuniram centenas de bermudões e camisas xadrez nos fins de semana. Toda geração precisa de um som, uma roupa e um pólo geográfico. De um jeito ou de outro, tivemos aqui a nossa filial dessa história, como um posto americano avançado numa republiqueta tropical. É nesse contexto que o Nevermind aterissou na minha vida.

In Bloom

O Forastieri comentou que o Nevermind é um disco de fechamento de ciclo e não de abertura. Concordo e, de fato, as 12 faixas meio que consolidam as décadas anteriores. A melodia dos anos 60, o glam e a virulência dos 70, os excesso e experimentos dos 80, está tudo lá. Mesmo como seu inegável frescor, o álbum diz muito mais sobre as décadas prévias do que as que viriam a seguir.

Come As You Are

Embora o Nevermind seja lembrado como um representante do resgate do “do it yourself” punk, a verdadeira energia que permeava tudo era a atitude slacker do “tô nem aí”. E essa sim foi a grande mudança nos 20 anos do Nevermind. Enquanto a cultura digital tansformou o “do it yourself” em cultura popular, o “tô nem aí” foi meio esquecido. Hoje, todo alternativo é hiperativo e se jogar nas cordas, definitivamente, não pega bem. (Falo por experiência própria.)

Breed

De todos os efeitos colaterais que um disco desses causa, o pior é a horda de filhotes bastardos. A quantidade de sub-nirvana que apareceu na cola do trio original são ao mesmo tempo uma prova da importância e um legado pentelho. Silverchair, Bush e mais um bando de zé mané conseguiram a façanha de nos servir comida congelada requentada quando bastava fritar um ovo direito ou caprichar num sanduíche.

Lithium

O filósofo Zygmunt Bauman (agora a coisa ficou séria!!) diz que “A ambivalência, quando não é suportada, é detestada.”. Impossível ler essa frase e não lembrar de “I hate myself and i want to die” título emblemático de uma canção que Cobain queria usar pra nomear o sucessos do Nevermind, In Utero. O alcance popular do Nirvana (e de toda uma geração musical) exigiu uma energia pesada investida no dilema alternativo x mainstream. Era muito mau humor. Ia acabar dando no que deu.

(No fim das contas, tudo se resolveu ao longo dos anos 00, quando “banda que mistura rock e eletrônica” deixou de ser diferencial e Cristina Aguillera e Strokes puderam conviver numa boa na mesma faixa. Não dá pra dizer que foi energia desperdiçada, mas é meio irônico. Pra que tudo aquilo? Bom, como diz uma amiga minha, espernear faz parte da vida.)

Polly

Um verdadeiro presente para garotos ao redor do mundo: uma das músicas mais fáceis de se tocar no violão em toda a história do pop. Isso sim é OPEN SOURCE.

Territorial Pissing

E, de repente, uma banda de uns caipiras do interior do noroeste americano vai parar em camisetas de camelô no centrão de Porto Alegre. E, de repente, as camisas pretas já não são mais exclusividade dos metaleiros. E, de repente rock pesado também é coisa de gente sensível e deprimida. Não é pouca coisa.

Drain You

Em tempos de hard rock, funk metal, axé e tecnopop farofa, era bom ver a potência e o impacto da simplicidade. Três caras. Guitarra, baixo e bateria. Umas amarguras, umas boas melodias e muita distorção. Lembrar que faz-se milagre com pouco – e com os aspectos mais negros da mente humana – é algo que precisa de reforço periódico, faz parte dos ciclos culturais. Estamos precisando disso novamente…

Lounge Act

A música mais legal do disco.

Stay Away

As pessoas falam, falam, falam de internet e mp3, mas esquecem da Gol. Quando o Nirvana veio tocar no Brasil, passagem de avião tinha preços proibitivos e o jeito foi ir pra praia e deixar gravando no programa do videocassete. Uma felicidade: chegar em casa na segunda e perceber que a gravação tinha dado certo. Vi muito essa fita mas fiquei meio decepcionado: o Dave Grohl tocando de boné, o Cobain castanho e o Novoselic de cabelo curto. Cadê os caras dos clips? Cadê os caras do Nevermind?

On a Plain

O Nevermind pode não ser o melhor disco da sua época, nem o único, nem o mais importante musicalmente, nem o mais profundo. Mas ele foi um dos primeiros símbolos da velocidade e abrangência da nova cultura global. Um ponto destacado numa rede de eventos.

Há 20 anos, parecia que o Nevermind chegava pra simbolizar a resistência do underground, a dicotomia, a tensão. Hoje, fica mais claro que ele veio pra simbolizar a distensão, a mistura, a construção de pontes que, de fato, se consolidaram na cultura pop.

Something in The Way

Todo sistema que sofre uma sobrecarga precisa ser reiniciado. Então pra mim é isso: o Nevermind foi a sobrecarga (distorção, angústia, desespero) que resetou o sistema.

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Screamadelica em Poa

Nada melhor que um show do Screamadelica pra comemorar os 20 anos do Nevermind…

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Disco novo da Pública pra download

Está lá no site deles. Eu tive acesso ao disco há várias semanas, bem antes disso e era inclusive pra dar uma boa resenhada por aqui. Não tive tempo ainda, mas digo e repito: não deixe de baixar e ouvir. Melhor ainda, tente pegar um dos shows ao vivo.

De certa forma, minha opinião sobre a Pública continua sendo a que escrevi no release do primeiro disco deles em 2006: é uma banda que soube fazer aquela difícil e especial mistura de global com local, no caso as influências do rock inglês com o que a cultura urbana de Porto Alegre tem pra oferecer de melhor.

Só aconteceu agora que eles cresceram, foram pra cidade grande, estão no terceiro disco e tudo mais. Mas a essência (felizmente) é a mesma. Porque, como diz a segunda (e bela) faixa, é “Pouca estrada pra cedo envelhecer”.

***

E atenção PAULISTAS: a Pública lança o disco novo HOJE AÍ NO BECO DE VOCÊS.

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Primavera

Calma Patti Smith… ela já tá chegando…

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Nunca esqueça da TORNEIRA

Pós-ruminando o post do último domingo, sobre o Dia de Desconectar, me lembrei de dois Minimalismos que fiz pra Oi num passado recente.

Num deles, eu trouxe à tona uma metáfora bastante comum hoje quando se discute mídias digitais, que é essa história de comparar informação à água. Não sei bem quem começou com isso, mas um dos caras que costuma usar esse comparativo é o futurista Gerd Leonhard. Também me lembro de um livro (que não li) chamado The Future of Music (o Matias comenta sobre ele nesse debate), no qual o futuro consumo de música é comparado com o consumo de água. É uma forma de explicar os modelos de assinatura, nos quais você paga uma mensalidade e tem acesso à música quando quiser no seu computador ou celular – que, preste atenção, deixam de ser garrafinhas pra se tornarem torneiras.

Digo isso, porque essa história de água, garrafinhas e torneiras é um excelente gancho pra quem se sente sobrecarregado com tanta informação que chega pelos meios digitais. Assim como nós somos cercados por informação, nós também somos cercados por água. Tem água correndo por canos nas paredes, no teto e no chão – inclusive na rua. A gente só não enxerga, mas somos rodeados de água encanada.

Se não existissem as torneiras, a água encanada ficaria o tempo todo jorrando, faria a maior molhaçada e seria uma incomodação do cacete. Então, inventaram essa maravilha que é a torneira. Quando a gente precisa, abre a torneira, usa a água. Parou de usar, fecha a torneira.

Com o excesso de informação, tem que ser a mesma coisa. Não é porque existe um fluxo constante de informação chegando que a torneira precisa ficar aberta o tempo todo. Ou, para ser mais direto, não é porque ficam vendendo o conceito de “always on” e que o email pode ser configurado no celular que você vai deixar ele aberto, atualizando o tempo todo.

O email, o Facebook, o Twitter, o Orkut, a rede de SMS são como canos por onde passa água. Cabe a cada um abrir e fechar a torneira adequadamente se não quiser se afogar.

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Moore a porter

Taí um dos vídeos daquela série francesa legalzuda com o Thurston Moore tocando alguma coisa do seu disco solo, esse meio folk produzido pelo Beck. Ainda não ouvi o disco inteiro (estou indo aos pouquinhos, no carro, no curto trajeto até o trabalho), mas suspeito que essa Benediction seja a melhor, a primeira do disco, logo de cara.

Percebam um detalhe curioso: a camisa que o Moore está usando lembra muito a que ele usava no clip de Sugar Kane, quase 20 anos atrás. Será que é a mesma?

Isso me lembra um episódio da sétima temporada de Curb Your Enthusiasm. Durante a gravação de um “reunion”, o Seinfeld discute com o Larry David explicando que o George Constanza precisa ser interpretado pelo eterno George Constanza Jason Alexander. A justificativa: “This is iconic television!”

Pois é: this is iconic rock’n'roll!!

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Walverdes por Xiru

O cara sabe fazer a história… e ele ainda gravou um videozinho bacana, muito embora, claro, o microfone direto da câmera não tenha dado conta da zoeira.

Isso tudo foi no show dos 18 anos, há algumas semanas.

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A Gangue da Matriz ataca novamente

No finalzinho do ano passado, quando já tava todo mundo se preparando para o Natal e Ano Novo, final de governo, luzes sendo apagadas, a porta de ferro do boteco sendo baixada, os deputados gaúchos aumentaram os próprios salários em 73% numa só tacada. Poucos dias depois, o Tonho Crocco produziu um rap direto na webcam criticando de um jeito divertido e inteligente a iniciativa dos deputados, dando nome aos bois e misturando a cultura de rua novaiorquina (a base da música é do Beastie Boys) com a cultura de rua portoalegrense (a Gangue da Matriz, que apavorou a cidade e o imaginário popular nos anos 80). É um pequeno primor de crítica política que, se não impediu o aumento, ao menos deu mais visibilidade à questão e fez circular o nome dos envolvidos.

Agora, o Tonho está sendo processado pelo Ministério Público devido uma representação assinada pelo presidente da Assembléia Legislativa da época, Giovani Cherini.

É o tipo de situação que não tem nem o que dizer. Basta passar adiante a notícia que se houver um mínimo de bom senso, essa história vai se desfazer por si. Se ela não se desfizer, vamos continuar divulgando e ajudando o Tonho a fazer barulho.

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De todos os tamanhos

O vídeo acima é o trabalho mais recente do Kutiman, figura conhecida por mashups de YouTube. Dessa vez, ele juntou dezenas de cenas de pessoas tocando Black Dog do Led Zeppelin em um único clip. É um desses trabalhos simbólicos do nosso tempo. É um tipo de manifestação que já se prepara pra virar clássico: a edição de vídeo virtuosa que revela habilidades forjadas em milhões de garagens e quartos.

Mas não é isso que mais me chamou a atenção. Na verdade, esse vídeo me lembrou uma outra história, que é a ESCALABILIDADE INVERSA DO ROCK.

É assim.

Escalabilidade, em comércio, é a propriedade de uma empresa de ir crescendo organizadamente à medida em que sua produção, suas vendas ou a demanda por seu atendimento também cresça. Em telecomunicações, por exemplo, a escalabilidade de um sistema é a capacidade dele crescer de acordo com a entrada de novos usuários. Uma operadora de celular precisa ter um esquema “escalonável”, que possa ser replicado e aumentado de acordo com a entrada de novos clientes, de preferência sempre com a mesma ou com melhor qualidade.

É mais ou menos isso.

No caso do rock (e do futebol), a escalabilidade acontece de forma inversa. É propriedade do rock que três pessoas em um quarto possam experimentar o gostinho que três pessoas em um estádio sentem quando estão tocando para vinte mil pessoas. Na verdade, a Escalabilidade Inversa do Rock é tão intensa que UMA ÚNICA PESSOA num quarto, em frente ao espelho, com uma guitarra tosca e um amplificador meia boca, pode experimentar a sensação (proporcional) de seus ídolos quando eles estão levando uma turba à loucura.

(Na verdade, como o Air Guitar prova, não é nem preciso guitarra, amplificador ou espelho.)

Pois então. Em se tratando de Escalabilidade Inversa do Rock, numa ponta do espectro, está o Led Zeppelin no Madison Square Garden escrevendo uma parte da história do rock. Na outra, está um garoto qualquer, tocando Black Dog no quarto, fazendo as notas de rodapé.

Daí vem a beleza do vídeo acima. Daí vem a beleza do rock.

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Walverdes no Paraná

Relembrando.

SEXTA 15.07
PARAÍSO – PR
No Paraíso do Rock com Brian Oblivion e seus Raios Catódicos, Daniel Belleza e Corações em Fúria e Giovani Caruso e o Escambau. O Festival vai até o domingo e tem Matanza, Nevilton & mucho más.

SABADO 16.07
LONDRINA – PR
Na Semana do Rock com Tênis Sujo e um Scarpin, Locodillos e The Brown Vampire Catz.

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Ouça Walverdes continuamente.*

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*”Ouça Walverdes continuamente” é uma marca registrada dos Walverdes”.

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* “Walverdes” é uma marca registrada dos Walverdes*.

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* “Walverdes” é uma marca registrada dos Walverdes*.

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* “Walverdes” é uma marca registrada dos Walverdes*.

Bem, você entendeu.

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Feliz Dia Mundial do Rock

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O negócio é baixar a cabeça e trabalhar

Walverdes no Gig Rock domingo passado no Beco, de cujo site tirei as fotos.

A gente trabalha, você ouve.

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Television em Porto Alegre

Um Beco lotadíssimo, com uma idade média mais alta do que o comum, preparou o clima para que o Television fizesse bonito no segundo dia do Gig Rock. E, diga-se de passagem, os caras pelo jeito fizeram mais bonito do que em São Paulo. Segundo relatos de amigos confiáveis, o show de SP foi morno e sem tesão. Mas, em Porto Alegre, alguma química esquisita da cidade permitiu que a turma de Tom Verlaine vivesse um momentinho especial no sul da América do Sul. Essa foi minha sensação do show: a banda mandou bem, mas o público é que fez a cama para que o quarteto novaiorquino deitasse e rolasse.

Quem foi sabia o que queria ver e ouvir. E todo mundo teve o que pediu. Ou quase tudo. See no Evil foi pedida insistentemente, mas não levamos. Seria bacana, mas diante de Venus, Marquee Moon, Prove it e até Psychotic Reaction (do excelente Count Five) não houve muito do que reclamar. As execuções não foram sempre perfeitas (punk, anyone?), mas na maior parte do tempo as guitarras floreadas de Verlaine e Ripp dialogaram com precisão e poesia. Ah, as guitarras do Television: suas lindas!

No meio do show me caiu uma ficha: como o Wilco rescende a Television desde a entrada de Nels Cline! E essa conexão Wilco-Television é só a pontinha do fio da meada. Um dos grandes trunfos da banda é justamente o emaranhado de referências em que ela se baseou e gerou. Se você começa a puxar uma pontinha, logo novelos de lãs inteiros das cores mais diversas caem na sua cabeça. Sendo que o novelo do Strokes é a base de muitos figurinos em Porto Alegre, fez total sentido que o Television se desse bem por aqui, melhor que em São Paulo ao menos.

Enfim…

Pra terminar.

De tão cheio que estava o Beco, fiquei lá atrás, perto do bar. Fora a primeira música, que consegui assistir clandestinamente no palquinho do operador de som até ser convidado a me retirar, de resto o visual do show pra mim foi só nucas e escápulas.

Mas tudo bem. Television em Porto Alegre. Não vi e adorei.

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Patti Smith @ Cannes

O vídeo aí de cima é a Patti Smith cantando My Blakean Year depois de dar uma entrevista no seminário da agência Grey no Cannes Lions na sexta passada. Todos os anos a Grey traz um artista pra entrevistar e falar de seu processo criativo, contar histórias, etc. Em 2009 foi o Roger Daltrey, que falou dos anos de ouro do The Who e de como a adoção do jeitinho mod pela banda foi uma jogada de marketing.

Voltando à Patti Smith, o dela foi o único seminário no qual eu larguei de mão meu caderno e minha caneta. Como no vôo até Cannes fui lendo um bom pedaço do Just Kids (o livro de memórias sobre a relação dela com o Robert Mapplethorpe), sentia que não era o caso de ouvir e anotar, mas sim de simplesmente estar por lá e sentir qualé a da moça. E realmente, ela tem uma coisa meio xamânica que não tem como ser “anotada”.

Diferente do que eu pensava, ela entrou no palco toda sorrisos, de tranças. Estava certamente em outra batida, mas não distante nem separada da audiência. Foi extremamente atenciosa, realmente dividiu sua presença com todo mundo no lugar. Essa, eu acho, é a única frase exata que lembro dela dizer: “Sempre senti que não há divisão entre eu e meu público. Eu dou alguma coisa e ele me devolve algo”. Ou seja, o sentido mais profundo da palavra comunicação foi ensinado ali, com uma simples presença, sem qualquer outro recurso.

A não ser quando ela pegou o Just Kids pra ler uma carta que escreveu enquanto Mapplethorpe estava morrendo, um texto lindo que ganhou vida MESMO com um dos recursos mais poderosos da Patti Smith: a voz. Durante a leitura, ninguém comentava, ninguém falava nada. E olha que manter um auditório cheio de publicitários quietos não é pra qualquer um.

A leitura foi tão bonita que eu nem me dei ao trabalho de ligar a câmera, o que fiz só quando ela pegou o violão e tacou-lhe My Blakean Year. Antes disso, não parecia fazer sentido gravar…

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Hardfloor 20 anos

Isso aí em cima é um medley (há quanto tempo eu não via essa palavra!) comemorando os 20 anos da influente dupla de techno alemã. Embora nem todo mundo acredite, o Hardfloor me influenciou muito no jeito de tocar guitarra nos Walverdes. Além disso, claro, a banda também foi uma das grandes influências dos Carregados, o power trio de acid house que o Renan, o Pedro Damásio e eu montamos há uns 10 anos (e que rendeu um álbum próprio e um de remixes nunca promovidos decentemente).

Então aproveito os 20 anos pra dar parabéns e pra sugerir quem não conhece dar uma espiada no trampo dos caras. Lá no Soundcloud deles tem uma série de faixas que pegam desde os technos mais retões e batidões até os sons mais viajantes e grooveados, mas sempre na mesma pilha: começa simples, com uma batidinha inofensiva, e vai crescendo a coisa até… bem… veja você…

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