OEsquema

Arquivo: Música

0 2006 do Conector – parte 2

Filme do Ano: Mysterious Skin

É de 2004, mas azar. Esse ano, foi o filme que mais dias ficou na minha cabeça, se mexendo, revirando idéias, fazendo perguntas. Sem exercícios de estilêra pra chamar a atenção, com um roteiro absurdamente limpo e direto, que vai te enganando sem inventar moda e entrando dentro da tua cabeça pra tratar um tema que podia muito bem dar num Supercine babaca. Não vou contar qual é o tema pra não estragar o filme. Muitas vezes nós já visitamos uma pequena comunidade americana com suas bizarrices e acompanhamos o desenrolar da vidinha de nerds e desajustados, mas pouquíssimas vezes fizemos isso sem ter que conviver com clichês melodramáticos ou, no oturo extremo, Harmonikorineanos.

O que embalou meu ano

1. A trilha sonora de Michael Andrews para Eu, Você e Todo Mundo é exatamente como o filme: bonita e doce mas esquisitinha. Tecladinhos bagaceiros viajando em melodias quase aleatórias e uma primeira faixa que traz o lindo texto que também abre o filme. Inspirador, um espetáculo à parte.O tal Michael Andrews é o mesmo cara da trilha de outro filme esquisitinho, o Donnie Darko.

2. Uma comediante argentina começa a trocar a carreira de sucesso nacional na TV por incursões num folk indie-experimental. Isso sim parece piada, mas o fato é que no terceiro disco, Son, a Juana Molina se estabeleceu de fato como a cantora bizarrinha que é. Qual a diferença para os zilhões de folk-indie-experimentais que andam por aí? O climão dos pampas que surgem em paisagens sonoras esparsas e na mistura bem argentina de tradição com elementos cosmopolitas.

***

É muito complicado escolher um disco do ano, uma música do ano… eu ouvi muita música em 2006, muito por ter começado a fazer o programa da Ipanema. Para escolher 5 músicas/bandas por semana, teve vezes que entrei num ritmo absurdo de pesquisa. Muita coisa eu acabei conhecendo ao vivo nos festivais, tocando com os Walverdes, mas outras tive que ir atrás pra não cair na mesmice e também trazer algumas cosias diferentes pro pessoal. Se ficar só nos festivais, muitas vezes se acaba preso ao rock e suas variantes mais próximas.

Uma constatação ótima depois de colocar mais de 120 músicas de 120 bandas independentes na rádio foi que, já falei aqui, existe muita coisa boa rolando no Brasil. Nem sempre o suficiente pra encher um álbum, mas tem muita gente escrevendo e produzindo ótimos singles. O que não é grandes problemas em uma época acelerada e dominada mais por canções isoladas do que propriamente por álbuns completos. Os goianos do MQN e o rapper gaúcho Nitro Di são só dois exemplos de artistas que já sacaram isso e estão, ao menos por enquanto, abandonando o formato álbum e trabalhando com lançamentos periódicos de single. É uma escolha de cada um e faz sentido.

***

Uma decepção no ano pra mim foi o disco do Beck, The Information. Eu sou fã incondicional do Guero e pra mim o The Information foi uma espécie de Guero domesticado, lavado e mais sem graça. Há boas canções como Think I’m in Love, Motorcade 1000x e Cellphone’s Dead, mas no geral é um disco bem polido e fica em cima do muro quando o Guero meteu o pé na misturinha clássica Beck.

***

Não sei se eu comecei a prestar mais atenção, mas me parece que os sons mais experimentais estão ganhando terreno. O Hurtmold sempre teve um bom público no cenário indie nacional, mas cada vez surgem mais bandas que abrem mão das estruturas formais e investem na doencinha como estética. A circulação de nomes como Fóssil, do Colorir, Macaco Bong, São Paulo Underground e Headphone L a mim soa como um caminho que se expande. Vamos ver onde dá…

***

Mas o rock meio dançante continua sendo o filé das festas indie, né. Quanto tempo mais vai durar? O que vem depois disso? A tal da new rave vai chegar aqui? Vamos ver uma renascença da cena eletrônica com ares acid house ou o psy vai dominar tudo?

***

E You Tube? Me tarzan, you tube. Rarará.

O You Tube é a melhor invenção da internet depois do compatilhamento de mp3 e foi navegando nele que eu passei um bom tempo do meu ano online. O mais curioso do You Tube é a rapidez com que ele se alastrou e com que entrou na cultura popular (também a rapidez com que a cultura popular entrou no You Tube). Há exatamente um ano, eu ainda estava gravando CDs para alguns amigos com trechos de shows ao vivo e clips, hábito que logo se tornou anacrônico: agora basta mandar um email com alguns links.

***

Os mp3 players ganharam suas versões populares nos aparelhos genéricos de 256 Mb trazidos da China e vendidos em dez vezes nas grandes redes de varejo. Mais uma vez, também, os camelôs tomam a frente na distribuição de tecnologia para a grande massa que não tem mil e tantos reais pra botar num iPod aqui e muito menos 5 mil reais pra fazer uma viagem pro exterior e trazer um iPod de 100 dólares.

***

Mesmo com todo o atravanco do país, o uso de internet cresce a cada dia, em grande parte impulsionado por duas culturas paralelas: banda larga mais barata para a classe méida, lan houses e o uso do computador no trabalho para o pessoal com menos grana. Nada mais natural na terra do informalismo. No entanto, tava lendo ontem, os investimentos em publicidade ainda se concentram na TV: 60% contra 2% em investimentos de mídia online.

***

Nos últimos dois meses, se fala muito do Second Life no meio do marketing (deu até na Exame). Empresas e agências abrem filiais dentro do mundo virtual e tem usuário fazendo dinheiro de verdade com isso. Mas a real é que ninguém sabe muito bem onde isso vai dar. Não é pra todo mundo, mas tem coisa aí.

Comente

Conector é ecomomia!

Nos últimos 20 dias passei enfurnado em um grande trabalho na agência que envolveu estudos a respeito dos movimentos de consumo no varejo no RS, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. E numa das reuniões se falou muito sobre como está circulando menos dinheiro no Rio Grande do Sul, especialmente… crise na agropecuária, problemas estruturais, aquela coisa, enquanto que em São Paulo rola o maior festerê por causa de uma produção animal de cana que derrama dinheiro por tudo quanto é lado – o que explica o crescimento considerável de redes de lojas como Casas Bahia e Ponto Frio em todo o interior de São Paulo enquanto que no RS essas lojas só fecham… tem outras que abrem, mas aí é outro papo.

Pra ajudar, Yeda, a nossa nova governadora, anunciou essa semana algo que já vinha sendo esperado: um pacote de aumento de ICMS, impostos sobre mercadorias e serviços. Acho que cigarros, cerveja e refri são os principais afetados. Impopular por si só, o pacote também vai contra o que ela mesma pregou durante sua campanha. As entidades de indústria e comércio obviamente surtaram.

Onde eu quero chegar com isso? Que não é pra menos que ouvi em 2006 promotores de festas reclamando que “o pessoal não tem grana”, “não quer pagar pra fazer festa”. Ouvi isso não só de indies, mas de produtores de graaandes festas onde vai gente com muuuita grana.

Isso não é um fato isolado. Por todos os lados que eu tenho contato (indústria, comércio, serviços) só se fala em redução de investimentos e em menos circulação de investimentos. E se existe menos dinheiro circulando em nível macro, óbvio que a indústria do entretenimento acaba sendo afetada de alguma forma, especialmente nos grandes centros e na classe média, onde a noção de cultura ainda envolve estruturas mais formais.

Podemos esperar então um 2007 meio que de vacas magras no sul. Embora bandas e festas não faltem por aqui, os bares e casas pra shows estão cada vez mais toscos e com pouca estrutura. Um pouco acho que é da cultura gaudéria que acha que qualquer coisa mais bem feita é coisa de viado ou de playboy ou de capitalista (experimente abrir um CB aqui ou uma Funhouse pra ver o que acontece…). Mas um pouco é disso tudo que eu falei: tem menos dinheiro circulando nos pampas. Talvez isso esteja começando lá na ponta, na crise da agropecuária. Mas acaba pegando todo mundo.

Se alguém tiver algo a contribuir, pode adicionar… pq não é uma coisa que eu domine…

Comente

O 2006 do Conector – Parte 1

Não sei quanto a você, mas 2006 foi o ano que eu descobri pra que serve a arte. Dizem que arte não deve servir pra nada, dizem que arte não serve pra nada, dizem que é difícil definir o que é arte, dizem que arte é chata, dizem que isso é arte e aquilo não, dizem tanta coisa que o cara se perde às vezes.

Pois esse ano, depois dos módulos um e dois de curso de Processo Criativo com o prof. Charles Watson eu descobri que 1) arte ser chata ou não depende da curiosidade de quem está olhando e 2) que arte pode ser uma belíssima e profunda forma de busca espiritual através das diferentes linguagens que são aglomeradas sob esse amplo e nebuloso rótulo – arte.

Quando eu falo de busca espiritual, não estou me referindo ao cidadão se engajar formalmente em um sistema religioso, mas do bichinho do inconformismo que corrói por dentro e quer porque quer saber o porquê das coisas, descobrindo a cada passo que o porquê está em abrir mão dos porquês não por ignorância ou medo ou descompromisso ou vagabundagem mental, mas justamente pela entrega total e irrestrita.

Acho lindo que isso possa ser feito através de uma escultura. Mais lindo se trouxermos a noção do zen-budismo, onde esse caminho pode ser tomado sem precisar se refugiar em um mosteiro ou pintando um quadro, mas simplesmente carimbando guias numa caixa de banco: a arte da vida.

Essa noção eu aprendi, em grande parte, freqüentando semanalmente o Via Zen para participar da Oficina de Zen-Shiatsu, uma técnica de massagem ligada ao Zen Budismo que é muito mais do que massagem, é praticamente uma meditação. Na prática do Zen Shiatsu, nas instruções da professora e na leitura de A Arte Cavalheiresca do Arqueiro Zen foi me caindo a ficha: um músculo dolorido e contraído faz força contra os dedos de um terapeuta e o obriga a se focar, a estar presente, relaxado e firme no toque para desfazer a tensão. Quem está fazendo massagem em quem?

***

2006 foi o ano que me rendi a um hábito que nunca tive e que adquiri em 2005: acompanhar seriado americano. Lost foi minha introdução e O Aprendiz com o Sr. Trump meu curso de extensão paralelo. Mas com a nebulosidade e as voltas da terceira temporada dos perdidos na ilha maluca, acabei me focando no maravilhoso My Name Is Earl. Descobri assistindo um episódio na casa de um amigo e continuei o hábito baixando os episódios pelo eMule. My Name is Earl é deleite por todos os lados (ui!): escrita enxuta e esperta, humor sagaz baseado na ingenuidade (o fator Homer Simpson), ausência de dramas médicos, profusão de referências pop e meia dúzia de personagens amavelmente desajustados (fator Bart Simpson).

***

Aproveito para dedicar também o ano de 2006 aos nerds de nicks esquizos que se dispõem a traduzir as falas dos seriados e estarem disponibilizando para a galera as legendas na graça do criador. Obrigado!

Comente

Uhú Tá certo Sim!

beastie boys, talking heads, bomb the bass, blur, tudo no mesmo saco… eita clipezinho mais massa… ah, o verão…

Comente

Ela dança, eu danço

Aos 44 minutos do segundo tempo (com descontos, uma vez que estou no plantão da agência essa semana), me chega um dos discos do ano nas mãos. Não foi por falta de aviso, porque meu parceiro Renan há horas me mandava emails sobre o Lindstrom. Se eu lesse mais frequentemente a Erika Palomino, já teria me ligado mais.

Mas o assunto aqui não é exatamente o disco do Lindstrom e sim a coletânea que ele e outro parceiro escandinavo colocaram na rua em 2005 (nem deveria ser disco desse ano, mas agora ét). Os outros dois volumes são de “norwegian groove house music”, o que deve ser meio que o berço dessa space disco, mas eu nunca ouvi.

Pois essa tal space disco pra mim parece mais uma nova versão de acid house do que propriamente algo só em cima da disco. Estamos falando, sim, de batidas disco, mas no fundo eu diria que é tudo funk – como mostra a capa. Então temos batidas funk, ora retas e bem space disco mesmo (Lindbaek & Lindstrom – Alien in My Pocket), ora quebradas e divertidas (Olav Brekke & Sideshow Jogge – Gul Boss). Tem também ares mais nu skool breaks (Kango’s Stein Massiv – Tobakk), umas coisas bem acid a la Hardfloor (Doc L Junior – Sentimeltal Breakdown) e outras que lembram as viagens Echoman do Chicken Lips (Todd Terje – Bodies (Prins Thomas Orgasmatron).

Enfim… música mega-dançante, espacial, viajante, minimalista na medida, com vários pés, cada um deles em um gênero de música eletrônica e frequentemente nos mais interessantes como a acid house e o nu skool breaks (que nem é mais nu skool né…)… vale o conferes.

Comente

Bestófes do Ano

Desde o início de dezembro que começaram as listas. Eu sou uma desgraça com listas porque tenho péssima memória, às vezes deixo de fora algo que escutei direto… também nem sempre escuto os lançamentos, então tem muita coisa que fica de fora.

Aniuêi, a primeira lista que participei dessa vez foi a da Trama Virtual. O resultado tá aqui e me surpreendeu. Eu acho Superguidis uma puta banda, um puta show e fez um puta disco. Mas não pensei que a jornalistada estivesse nessa também. Se bem que também olha quem votou…. só os confirmados…

Não ouvi tudo que está na lista, estou pra ouvir melhor o Debate e o Rômulo Fróes. Fazer o programa/coluna/podcast na Ipanema me ajuda a ouvir bastante coisas, mas também a falta de tempo e o fato de eu ter que colocar uma banda nova por dia na rádio me faz ter pouco envolvimento com os discos inteiros de vez em quando. Por isso minha lista acabou sendo do que ouvi mais de discos mesmo… e o Forgotten eu nem votei pelo disco (que eu sei que é bonzaço), mas pelos shows.

Minha lista, em ordem de preferênça do momento em que fiz.

Noisecoregroovecocoenvenenado – Zefirina Bomba
Superguidis – Superguidis
Homem Espuma- Mombojó
Manifesto 1/2 171 – De Leve
A Farsa do Samba Nublado – Wado
Polaris – Publica
Tem Arte na Barbearia – Bonsucesso Samba Clube
Stand by The Dance – Forgotten boys
Guab Versus – Guab
The Unconscious Spy’s Snapshot Album – Headphone L

Alias, vários desses tu encontra inteiro na Trama Virtual. Dá um bizú lá.

***

Em breve, alguns bestófes do Conector… semana que vem… e são bestófes mais subjetivos.

***

Sexta tem show beneficiente com os Walverdes no Manara em Porto Alegre. Dá um pulo no nosso blog e dá uma olhada.

***

Uma hora eu tenho que discorrer um pouco mais sobre o fato de que eu descobri que eu sou GSM… não é GLS, é GSM… acho que existem pessoas que são GSM e pessoas CDMA…

1 Comentário

Sanchez

Uma das fitas que guardei foi da Sanchez, banda de Joinville que pratica uma mistura muito da fina de punk, ska e algum groove mas de um jeito que resiste a definições. Como eu faço questão de tentar colocar em palavras pra fazer jus aos bons momentos que a audição dessa fita me garantiu, acho que dá pra falar em coisas como Minutemen, Pixies e Mundo Livre… ou seja, uma banda de caminhos não muito usuais, de timbres bem cuidados e estruturas musicais bem particulares.

Existe um registro ao vivo da banda na Trama Virtual. A mixagem meio esquisita (batera mto alta, baixo estourando) compromete um pouco, mas com boa vontade, dá pra pegar o clima das músicas e o trabalho massa de guitarras (ouve Gangsta Way of Life e Drunkster com seus tremolos e tudo mais…).

Comente

K7

Joguei fora quase todas as minhas fitas cassete. Estava há horas pra fazer isso, mas uma hora não deu pra segurar: eu sou muito apegado a não guardar muita coisa.

***

Na verdade, eu separei elas pra botar no lixo há duas semanas. Antes, tentei conseguir alguém que quisesse elas pra sei lá o quê. Obviamente fitas cassete não interessam a mais ninguém. Vão pra reciclagem, seja lá o que pode ser reciclado.

***

As únicas que guardei foram 3 “cassetes oficiais” por sentimentalismo e as fitas demo por eu acreditar piamente que são um documento importante de uma parte da música brasileira.

Os oficiais que ficaram foi o Warehouse Songs and Stories do Husker Du, 20 Rock Shots do Kinks e o single de El Scorcho do Weezer. Fitas que nunca ouvi muito. Acho que eu ouvi mais Sugar do que Husker Du. Até gosto mais de Sugar.

***

Antes de jogar fora fiquei me perguntando se as fitas não vão voltar uma hora, sob um rótulo de vintage, como o vinil. De repente estou jogando fora um milhão de reais. Bom, que seja…

***

É possível tecer todo um rosário de loas à fita cassete:o quanto é legal fazer a seleção pra gravar, as boas coletâneas que fiz para pessoas queridas, o manuseio, fazer as capinhas e tudo mais… isso tudo dá um brilhozinho, mas não dá pra negar a maravilha que é ter um bom mp3 player. Mete no bolso e vai, sem precisar ficar andando com aquelas caixas de fita e a caneta bic.

***

Em 2000 eu fui de férias pra Espanha, 15 dias sozinho. Ou seja, obrigatório levar o walkman e umas fitinhas. E o raio do walkman estragou no embarque em Porto Alegre. Parou de tocar as fitas. Tudo bem. Apesar de já sair no prejuízo, comprei um walkman qualquer no aeroporto de São Paulo e toca ficha. O problema: o diabo do walkman novo acelerava todas as fitas um pouquinho. Passei 15 dias ouvindo minhas bandas prediletas com voz de pato. Lamentável. Que venha a tecnologia!!

***

Falando em tecnologia, se alguém tiver dúvida sobre qual mp3 player comprar, acho que sou um dos poucos que faz propaganda do Zen da Creative. Comprei ele no ano passado quando era concorrente do iPod Mini, antes do advento do Nano. Enfim, o Zen Micro (nem sei se ainda está em linha) tem rádio e gravador de voz, duas coisas que não tem nos iPod. Vale a pena.

***

Até andei pensando em lançar uma fita cassete com material solo ano que vem. Mas sei não. Quem vai ouvir? Onde vão ouvir?

***

Quando fui visitar o Takeda em maio, vi em Buenos Aires um livro lindo sobre fitas cassetes editado pelo Thurston Moore do Sonic Youth. A capa tá lá em cima, abriu o post e tem o texto de introdução aqui.

***

O termo mixtape em sendo muito usado novamente nos últimos anos… acho que no rap nunca foi abandonado. Mas o engraçado é que agora ele designa mais o ato de selecionar e mixar as músicas do que propriamente define o meio. Eu mesmo comprei esses tempos uma das mixtapes do Guab.

***

Na real estamos falando não de suportes (fita, cd, vinil), mas de uma atitude de edição: não quero ouvir só desse jeito, quero ouvir na minha ordem, nos meus critérios de seleção, etc e tal. A idéia de mixtape, é óbvio, continua cada vez mais viva e faz ainda mais sentido numa época onde se baixa som música a música. Seleções em CD são meio trabalhosas e sem a diversão lúdica de gravar fitas. Ou alguém aí acha divertido ficar selecionando arquivos em 50 folders pra determinar um playlist? Eu não acho. Não sou de fazer playlists e nos últimos tempos acabei migrando para algo que nunca tive muita vontade, que é o shuffle.

Então eu vejo que o shuffle é quase uma necessidade, não é propriamente uma escolha deliberada (com o perdão da confusão semântica).

***

Uma coisa engraçada é o como o suporte CD desvalorizou nos últimos tempos. Amigo meu comentou que grava uma coletanea pra ouvir no carro e depois joga fora… mídia custa tipo 80 centavos, os arquivo tão todos guardados no HD…

***

Na boa, o calor tá começando a fritar meus miolos e não sei mais o que estou escrevendo direito… até mais ver… segunda tem um pouco mais sobre uma fita de uma banda catarina que eu acho massa…

3 Comentários

Listas

“Outra coisa interessante é: será que ainda faz sentido votar em álbum? Cada vez a música está mais fluída. Cada vez mais se baixa músicas isoladas, se vê shows, mais do que pegar um álbum inteiro e curti-lo todo. Eu ainda faço isso com grande parte dos artistas, mais por um hábito antigo. Muita gente que começou a curtir música depois da chegada da internet se relaciona de modo diferente com a questão de álbum. O que é álbum pra muita gente? É um folder num HD. E nem sempre esse álbum está completo. E às vezes ele está espalhado pelo HD.

E mais: como colocar nessa lista quem lançou seu som sem um álbum e sem gravadora, como o Fino Coletivo? Ou por uma gravadora independente de fora do país como o Headphone L? Ou por quem nem lançou álbum, mas single virtual como o MQN? Ou ainda quem estreou direto nas pistas como o 808Sexx? Pra não falar de quem só tem vídeos ao vivo no You Tube e por aí vai.”

É o que eu pergunto na coluna da Ipanema, onde ainda tem Mudcracks, Sweet Cherry Fury (aquela banda brasileira que está concorrendo na BBC), Nervoso, Stuart e Locomotores.

Comente

MTV, Play TV, Ivete & Submarino

A MTV anunciou em coletiva ontem que está abrindo mão definitivamente dos clips como carro chefes. O motivo é óbvio: ninguém mais precisa perder tempo esperando na frente da TV pra passar o clip da sua banda predileta encontrando tudo com facilidade não só no You tube como googleando ou no próprio MTV Overdrive.

A mudança também tem a ver com a ameaça da Play TV, que tem a manha de fazer algo que a MTV está demorando pra fazer: cruzar as referências pop e tecnologia. O programa de maior audiência da Play TV é o Combo Fala + Joga, no qual o entrevistado bate papo enquanto joga games em vários consoles com a apresentadora Luísa.
Eu fui lá ser entrevistado em julho no Combo (representando os Walverdes) e me chamou muito a atenção todo o astral da Play TV, tinha no ar um certo lance de novidade que não sei explicar muito bem. Pode ser um detalhe, mas quando você chega numa empresa onde tem console de videogame na recepção, alguma coisa tem ali…

Gente como eu, “trintões alternativos” (e seus derivados), ainda vai choramingar mais por que “a velha MTV que era boa”. Mas a real é essa: se parar na frente da TV à espera de um clip legal da sua banda preferida ou de opinões relevantes é algo de outra era de mídia.

De qualquer maneira, voltando ao público entre 12 e 18, vale prestar atenção nisso tudo pq pelo jeito mais um paradigma clássico de consumo está caindo, aquele velho “público jovem assiste MTV”.

Um adendo, eu estava pensando agora: resta saber se mesmo o público entre 12 e 18 não vai sentir falta das atrações mais pop ligadas a clip, como o Disk MTV. Fiquei curioso pra saber a audiência do TVZ do Multishow…

***

Enquanto isso, a Rolling Stone anuncia Ivete Sangalo como sua próxima capa, com a chamada “Rainha do Verão”. Motivo de infarto para quem curtiu o Iggy Pop na capa da última, mas eu acho extremamente adequado: goste-se ou não do som, tá mais do que na hora de Ivete ser reconhecida como a diva pop brasileira por alguém que não seja a Rede Globo ou os milhões de fãs por todo o Brasil.

Também me parece que esse movimento determina bem a que a Rolling Stone veio, esse mapeamento mais cultura pop geral e menos música do que a Bizz (que continuo mantendo como minha revista preferida nesse sentido). Fico curioso pra saber que tipo de público a Rolling Stone vai pegar, ou se vai construir um público.

***

Achei muito massa esse comercial, não só pela idéia em si (de uma simplicidade massa), mas também por ele terminar com uma proposição bem focada no que a empresa faz. É meio que uma indicação de um novo caminho talvez, uma vez que nos últimos 5 anos a TV esteve cheia de comerciais baseados na lógica estritamente emocional estilo “Filtro Solar“.

1 Comentário

Conexão Acre

Você não sabe quase nada do Acre (Chico Mendes, Hildebrando, o q mais?), mas muito em breve vai saber mais. Se você for intelectual, já deve ter visto a reportagem na revista Raiz. Se for indie, tá por dentro do Festival Varadouro e do Los Porongas, pra não falar da matéria na primeira edição da Rolling Stone brasileira. Se não é indie nem intelectual, vai ser atingido pela história da região através da uma minissérie da Globo escrita pela acreana Glória Perez. Enfim, queira você ou não, o Acre vai entrar na sua vida. Na minha ele já entrou: faz menos de 24 horas que eu voltei de Rio Branco, onde toquei com os Walverdes no Festival Varadouro (fotos aqui no Flickr ou em links espalhados pelo texto).

Varadouro são os caminhos que os povos abrem na mata, “varando” com uma “vara” o que está impedindo o caminho. Nos anos 70, Varadouro também foi um jornal alternativo que circulou no Acre nos anos 70 (a primeira aparição de Chico Mendes na mídia foi lá). Feito na clandestinidade, o Varadouro dependia da boa vontade de um patrocinador consciente e da disposição dos integrantes viverem humildemente e correndo pra lá e pra cá com linotipos falsos pra despistar a polícia. Hoje, Varadouro é um festival de rock independente que está na segunda edição e se estabelece como um dos eventos mais importantes no novo circuito de música brasileira. O Varadouro está “varando” uma série de obstáculos, sendo o principal deles a distância do eixo SP-Recife. Por isso mesmo, ele faz parte do Fora do Eixo, agremiação de eventos e pessoas relevantes na música independente que estão estabelecendo um importante, ahn, eixo que atravessa o Brasil por dentro, passando pelo interior de São Paulo, pelo Cerrado, norte e nordeste. Mogi das Cruzes (SP), Uberlândia (MG), Palmas (TO), Belém (PA) e Porto Velho (RO) são algumas das cidades integrantes, só para ficar nas menos óbvias.

A cena de Rio Branco é pequena e recente, mas está sabendo se articular com inteligência e maturidade. Embora não sejam os únicos a meter a mão na massa, a coisa toda parece girar muito em torno da trinca Los Porongas, Catraia Records e Camundogs. O Catraia faz a sua parte não só sendo selo, mas também através de um estúdio que registra uma parte importante do que é produzido por lá. O Camundogs leva a bandeira do pop-rock bem feito e acessível, colocando o povo pra suas músicas junto, mostrando a faceta indie do orgulho acreano. E o Los Porongas assume o papel da banda antenada que mistura referências locais e universais e que vai para o centro do país fazendo o nome da região.

Como percebi no DoSol em Natal, o Varadouro é um festival jovem mas que já nasceu pensando grande: dois palcos, estrutura profi, a disposição de trazer bandas de todos os recantos brasileiros e a sabedoria de colocar produtores e jornalistas relevantes não só pra cobrir, mas também pra trocar uma idéia, tomar uma ceva, absorver e desovar informação. O intercâmbio de boas idéias qualifica as cenas locais tanto quanto bons shows. E algo interessante acontece: não só as pessoas “da capital” inspiram como também são inspiradas pelo sangue novo, pela energia e pelos horizontes diferentes que cidades como Rio Branco, Belém, Cuiabá, Natal e Fortaleza estão abrindo.

Dia 1 – Do Chuí ao Oiapoque

O Acre é logo ali, passando a farmácia.

Chegar no Acre não é bem assim pra quem vem do extremo sul. São 13 horas de vôo e de aeroportos. Mas quando você bota o pé na pista de pouso em Rio Branco e respira o ar tomado de cheiro de mato, sente que valeu a pena. Quando a gente entrou no ônibus da produção do Varadouro, já era quase uma da manhã e ainda havia a função de check-in no hotel pela frente. Então na sexta eu acabei vendo pouca coisa festival. Peguei as últimas quatro músicas do excelente Coletivo Rádio Cipó, galera que vem resgatando música tradicional de Belém e reorganizando em cima de bases de reggae, funk e música eletrônica, conseguindo fugir do surrado esquema “pega-um-sample-de-músia-folclórica-e-bota-em-cima-de-uma-batida.” Na seqüência rolou o melhor show do festival: Macaco Bong, power trio instrumental de Cuiabá que deixou todo mundo de olhos arregalados e boca aberta. Explicar o som da Macaco é complicado mas as equações comentadas nos bastidores falavam de “um encontro do Slayer com o At The Drive In e o Living Colour” ou então do guitarrista Kayapy como uma mistura do Jimi Hendrix com o Thurston Moore. As comparações, a meu ver, não são nada exageradas. Seguro, intenso, experimental, metal, funkeado, barulhento, cheio de paradas inusitadas, climas e ritmos quebrados: só com um monte de adjetivos pra falar do Macaco Bong.

A seguir, os Camundogs jogaram em casa e colocaram o público na mão com seu pop-rock bem construído, baseado muito em cima de algo raro no meio independente: um vocalista que canta muito bem. No meio do show dos caras, o cansaço da viagem bateu pesado e não pude conferir o Moptop, mas o que me contaram no dia seguinte é que os caras fizeram um belo show e que já tinha gente cantando as músicas deles. Não é pouca coisa.

Dia 2 – de Rio Branco a Quinari

O segundo dia foi de exploração. Acordei num horário não muito inteligente, mas troquei horas de sono por uma caminhada pelo centro de Rio Branco. Foi meu primeiro contato com a remodelação promovida pelo governador Jorge Vianna (mais detalhes num texto específico abaixo), especialmente na Praça Plácido de Castro. A idéia era conhecer toda a região, mas tive que voltar correndo pro hotel pra uma entrevista pra TV União. Na seqüência, almoço com as bandas e jornalistas num bistrô amazonense (não comi nada amazonense, mas me esbaldei no Pavê de Farinha Láctea) e a seguir a agenda da tarde do Festival, que começou com uma visita à Usina de Arte João Donato. A Usina é um recém inaugurado complexo multicultural com espaço para artes plásticas, teatros, shows, além de salas reservadas para cursos e estúdios audiovisuais. Um dos espaços de exposições, aliás, estava já devidamente preenchido pela obra bem interessante de Gesileu Salvatore. A exposição Ninawá trazia objetos bizarros, místicos, orgânicos, meio sexuais até, feitos a partir de matéria prima natural e do folclore da região. Uma pilha meio Franz Krajberg, mas bem calcada na cultura dos seringais tanto em temática quanto na escolha dos materiais.

A visita à Usina não era por nada. Estava programada para lá a segunda tarde de debates sobre a inserção do norte na cultura independente nacional. Quem abriu os trabalhos foram três pessoas envolvidas no antigo Jornal Varadouro, aquele lá do início da matéria e introduzido pelo Diogo do Los Poronga como uma das raízes da atual movimentação do rock. Não pude assistir a tudo, pois tinha entrevista marcada na rádio União, bem no meio de um programa de dance music comandado por um figuraça.

Depois da entrevista, o Aarão do Camundogs me levou para um city tour mais completo: começamos por uma das margens do Rio Acre, onde comemos saltenha (um pastel furioso com batata e galinha) no Mercado Municipal e passeamos em frente a uma série de casas históricas repaginadas. Atravessando uma passarela modernosa, que lembra mais ou menos a ponte Juscelino Kubitscheck de Brasília, você gente chega na Gameleira, um simpático calçadão que abriga um mastro alto com uma descomunal bandeira do Acre (e a letra do Hino numa placa), além de mais casebres antigos de cara nova. Num deles, toda sexta rola um bem freqüentado chorinho indie, segundo o Aarão. Dali, partimos por uma das vias expressas que cortam a cidade até o município vizinho. Curiosidade: a cidade tem o nome de Senador Guiomard, mas todo mundo chama de Quinari. Até mesmo em uma sede da polícia está lá escrito na parede: Polícia de Quinari. Sensacional…

Em Quinari paramos pra comer tacacá, um caldo quente feito à base de tucupi (líquido extraído da mandioca), goma de mandioca, camarão, pimenta e jambu (folhas que deixam a língua adormecida). Apesar de bastante esquisito ao meu paladar acostumadinho a massa, feijão, arroz e pizza, eu já tinha ouvido falar bastante no tacacá porque meu pai é amazonense e vive com tucupi na casa dele. Outra atração de Quinari é o amendoim. O Aarão e a Ju me prometeram ser o melhor amendoim do mundo e, embora eu não tenha tanto conhecimento pra comparar, devo dizer que o amendoim realmente se destacou na minha experiência de vida com amendoins. A Gol deveria conhecer o amendoim de Quinari.

Mas a essas alturas já era hora de voltar e começar a se preparar pra segunda noite do festival. Viemos por mais uma das vias expressas do Jorge Vianna, essa especial porque abriga uma incrível ponte new wave.

2ª Noite do Festival

Devido ao pouco sono da noite anterior e um dia inteiro de entrevistas e city tour, acabei dormindo no início da noite e perdendo as bandas locais que abriram o festival, além do Mezatrio, de Manaus, que eu queria ver. Paciência. Ao menos consegui pegar o excelente show da Porcas Borboletas, banda de Uberlândia (MG). O Porcas é uma dessas bandas que consegue fazer o termo MPB não soar como palavrão, letras inteligentes não soarem chatas e uma postura teatral não parecer ridícula e forçada. A presença de palco deles é enfatizada por um som que lembra coisas do Arrigo Barnabé, mas com uma dinâmica de rock que permite a todas essas influências mpbísticas não destoarem num festival cheio de roqueiros malvados como a atração a seguinte. Tou falando do MQN, quarteto de Goiânia que eu já vi um milhão de vezes e que posso ver mais um milhão que nunca vou cansar. A entrada do mestre Gustavo no baixo injetou ainda mais metaleirice safada numa banda que já apavorava ao vivo. Tudo bem: fora solo de bateria e complicação, no rock nada nunca é demais.

Enquanto a gente arrumava o palco pra fechar a noite, o Los Poronga motrava por que é tão amado na sua cidade e por que vem recebendo tanta atenção da imprensa nacional. Com um som próprio que consegue inserir elementos regionais quase imperceptíveis no rock inglês dos anos 80, os Porongas soam absurdamente atuais e universais. Grande parte desse mérito vem de um excelente guitarrista que diz tudo que precisa dizer em dedilhados cristalinos bem colocados e embalados em efeitos sutis. Fazer auê com distorção é fácil, difícil é preencher o espaço com som limpinho. Enquanto eles finalizavam seu show, eu ficava no palco oposto, pensando em como é que íamos fazer pra tocar depois daquela pequena catarse acreana. A resposta você procura por aí nas resenhas do festival.

Enfim

Os festivais independentes brasileiros vem tomando para si um papel que ultrapassa cada vez mais a relevância para a “cena”. Estão, na real, articulando cabeças pensantes, fazendo circular informação por todo o Brasil da melhor maneira que existe: pessoalmente. Orkut é bom, mas melhor ainda é quando gente que faz (e que pensa) se encontra cara a cara. Isso vem acontecendo com uma freqüência e uma abrangência geográfica impressionante. Resta trabalhar (e torcer) para que essas iniciativas ganhem pernas próprias, atingindo cada vez mais gente e ajudando a fomentar as cenas culturais e econômicas das cidades.

*******

NOTAS SOLTAS

Rio Branco
A capital viveu nos últimos 8 anos uma verdadeira virada. Várias partes da cidade foram reformuladas. O centro histórico teve suas praças, teatros, palácios e mercados reformados, pintados, uma coisa linda de se ver de se aproveitar. As ruas são impressionatemente limpas e amplas e os parques parecem bem cuidados, diferente da maior parte das cidades do norte. É tudo obra dos dois mandatos do governador Jorge Viana, uma figura pop porém controversa reconhecido tanto pela sua capacidade de fazer quanto pela sua megalomania, seu exacerbado orgulho acreano e sua habilidade como orador. Tanto é sua força que elegeu para o próximo mandato seu secretário de educação, o alternativo Binho Marques.

A (pouca) oposição discorda da atuação de Vianna. Considera o Acre um estado totalitário, que mantém sua força subsidiando grande parte da economia e da cultura. Além disso, apesar de toda a recente reurbanização, Rio Branco sofre (embora em bem menor escala) com os problemas comuns a toda grande cidade do norte, ainda mais se considerarmos sua perigosa proximidade com regiões chave do narcotráfico.

As pessoas com quem conversei sobre isso tudo eram todas ligadas ou simpatizantes ao governo. Mas mesmo aprovando e aproveitando a política de Vianna, também não me pareceram cegas aos deslizes e exageros do atual governador.

Baixaria
Cucuz, carne moída, dois ovos, cheiro verde e pimenta. Este petardo se chama Baixaria e é o que rebate a bebedeira do pessoal no fim da balada. Não cheguei a experimentar a iguaria.

Rixa
Uma coisa que eu achei interessante na matéria da Rolling Stone foi, pela primeira vez, citarem uma diferença que se repete em muitas cenas musicais. De um lado, bandas de classe média que contam geralmente com aporte de dinheiro de bons empregos, dos pais, da iniciativa privada devido à maior articulação comercial ou do governo graças a uma maior articulação política. Por outro, o pessoal que vem da periferia, com menos dinheiro, menos acesso à informação e também ao governo. Só mais um exemplo das inúmeras diferenças sociais no Brasil, o que exige cada vez mais diálogo e jogo de cintura.

Anoulédgements
Devo ressaltar a incrível simpatia e disposição de todos os acreanos com quem tive contato. Galera massa. Agradecimentos especiais ao Aarão, João Eduardo, Daniel Zen, Diogo, Karla, Violeta, Ju, Camundogs & Los Porongas. Valeu mesmo.

3 Comentários

Saiu a segunda leva de DVD’s da série The Directors, que compila os principais trabalhos de diretores de clips e comerciais. A primeira edição trazia coisas incríveis de caras incríveis como o Spike Jonze, o Michel Gondry e o Chris Cunninghan.

Agora é a vez do Stéphane Sednaoui (o cara que fez Give It Away do Chilli Peppers), Anton Corjbin (fotógrafo fodão e responsável por Heart Shaped Box do Nirvana e One do U2), Jonathan Glazer (que trabalhou com Unkle e Blur) e 0 Mark Romanek, o único que assisti dessa nova leva. Os outros estão na fila.

Quem é Romanek? Romanek é Are You Gonna Go My Way” (Lenny Kravitz), é “Closer” (Nine Inch Nails) e “Hurt” (Johnny Cash). É também “Scream” (Michael e Janet Jackson), “Can’t Stop” (Chilli Peppers), “Cochise” (Audislave) e “Little Trouble Girl” (Sonic Youth).

Embora não apareça nada no DVD sobre o assunto, “Retratos de Uma Obsessão”, aquele filme com o Robin Williams, também é do Romanke e o título em portugês retrata o estilo do cara. Todos os entrevistados para o documentário que tem no DVD assinam embaixo: o Romanek é PERFECCIONISTA. Se preocupa com todos os pequenos detalhes e pensa tudo o que vai fazer. Mas o mais legal disso: nem sempre o resultado é frio (apenas quando desejado) e matemático, mas uma visão muito bem amarrada sobre o conceito de cada música, um clip que adiciona tantos elementos que é difícil pensar na música sem o clip.

Uma coisa que me chamou a atenção foi o trabalho de iluminação. Não falo do diretor de fotografia, mas os clips do cara têm sempre um toquezinho diferente de luz: luminosos, fogos de artifícios, luzes de câmera amadora, coisas que compõem não só a iluminação, mas o design do cenário, a direção de arte. Em Are You Gonna Go My Way isso é muito presente, tem aquele puta “mega-lustre” que vem baixando quando o riff vai entrando… nossa! E os fogos de artifício em Cochise são incríveis (talvez uma boa metáfora para o Audioslave). E a tal luz amadora é utilizada como única fonte de iluminação no clip da Fiona Apple, o que se traduz em uma puta estética refinada em vez de lo-fi-ismo.

“Are You Gonna Go My Way” é pra mim é um dos melhores clips de pop rock. É empolgante ver a edição em relação ao groove, às entradas dos riffs de guitarra, o clima, a importância da baterista. O Chris Rock vai mais longe: diz que o Romanek foi responsável por transformar o Lenny Kravitz num ícone pop mundial e cada vez que ele goza com uma mulher na cama, deve gritar “ROMANEEEEEK!!!”

1 Comentário

Último Show dos Walverdes em 2005

Comente
Página 11 de 111...34567891011