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A boa e velha FALTA DE NOÇÃO

Falta de humanidade e falta de visão de marca.

A Red Bull foi fazer buzz marketing distribuindo a bebida na região da cratera paulista.

Êta grosseria!

Já estão falando até em boicote.

Boicote vai ser a tendência em 2007? É bom pra abrir os olhos de algumas marcas.

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UPDATE!!
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A Red Bull soltou uma nota que não resolve nada: por que mandar as mulheres lá todas paramentadas como fazem nas promoções de noite? Por que não enviar tudo sigilosamente?? Por favor… niguém é tão idiota…

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Pintxos

Ah, a criatividade popular!

Foto tirada pelo meu chefe em Capão da Canoa, litoral gaúcho.

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Trance. Embora curta coisas que derivaram ou tem a ver com o gênero (Hardfloor, algumas coisas alemãs), realmente não suporto toda essa onda psy. Principalmente por causa da música, que não tem groove nenhum!

Mas não dá pra negar esse fenômeno meio silencioso. E alguma coisa isso deve trazer de bom.

Pra saber um pouco mais e manter a mente aberta, vale dar um bico na matéria do Matias sobre o assunto.

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Quase-decepção. É o meu veredicto pro Nacho Libre, filme bastante aguardado aqui no Conector, aquele com o Jack Black. Eu já achei esquisito quando descobri que o diretor é o Jared Hess, o mesmo do exercício-de-estilêra-nerd Napoleon Dynamite. Aí um amigo me disse que era meia boca e eu já fui de sangue doce.

Resultado: o copo de água fria do meu amigo melhorou o filme porque baixei minhas expectativas. O filme parece nunca engrena, mas é o estilo contido do Jared Hess, de não permitir grandes explosões. Não tem aquela soltura, por exemplo, de Escola do Rock – eu esperava que o filme fosse nessa batida, mais leve. É um filme pesado de certa forma, direção mão pesada. Mas é o jeito do cara. Cada um, cada um.

Dito isto, vamos às coisas boas: o Jack Black é o Jack Black! Ele encontra brechas pra dar suas explodidinhas e é aí que o filme fica incrível, dando a impressão de que vai engatar uma quarta e ir embora (não vai, fica em primeira e segunda). Se fosse um diretor RUIM, eu diria que o Jack Black salva o filme. Mas não é ruim. Só é meio doente.

Outra coisa massa no filme é a direção de arte. É tudo incrível. A fotografia. As cores. Os cenários. É um deleite estético, tem todo um cuidado, tudo muito meticuloso. O que deixa o filme com ar de contido e contemplativo também deixa ele lindo.

Enfim. À medida em que eu vou escrevendo e pensando sobre o filme, gosto mais dele. Mas se alguém espera uma comédia de riso solto, descompromissada e leve, esqueça. Foi isso que me decepcionou e sei que anda decepcionando mais gente. Minha namorada ouviu um locutor da Ipanema falando isso, que “muita gente tem se decepcionado com esse filme”.

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Logo acima eu falei mal do diretor. “Mão pesada.” E depois emendei: “mas cada um, cada um”.

Tava conversando sobre isso com um amigo meu, com quem costumo analisar clichês sociais: já percebeu que toda vez que alguém detona outra pessoa sutilmente, depois diz “mas cada um cada um né?”, ou suas variações tipo “cada um sabe da sua vida”.

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Vocêêêê… vocêêêê… e vocêêêêê…

Todo o papo que tomou conta de 2006 a respeito do consumidor tinha que dar nisso: a Time escolheu VOCÊ como Personalidade do Ano. A Spin escolheu VOCÊ como Artista do Ano. A Advertising Age, principal publicação de publicidade nos EUA, escolheu VOCÊ como Agência do Ano.

Pra bonito, chamamos isso de CGC – Consumer Generated Content, Conteúdo Gerado pelo Consumidor. Ou então UGC – User Generated Content, Conteúdo Gerado pelo Usuário. Tanto faz, tanto fez, tem até uma discussão na Wikipedia sobre a nomenclatura

Isso não surgiu em 2006, claro. Em termos mais rudimentares, o rádio sempre foi um veículo com muita participação do ouvinte, a Reader’s Digest sempre contou com a colaboração de seus leitores. Mas era tudo muito tímido e ainda havia claras separações entre produtor e consumidor.

Agora, a coisa veio crescendo de um jeito diferente nas últimas décadas. Especialmente desde que o termo “customização” começou a aparecer no fim dos anos 90 e cresceu naturalmente com o excesso de ofertas de produtos (para se diferenciar, buscaram a proximidade com nichos cada vez mais específicos), com as facilidades cada vez maiores na industrialização e nos avanços da tecnologia. A tendência natural de frescurização do ser humano também ajudou.

A internet é CGC por natureza, mas um dos exemplos mais interessante disso nos últimos meses é um lançamento offline: a revista popular Sou + Eu, da Editora Abril. Comprei uma (de 2,50 por 1,99!) pra dar uma bisbilhotada e é impressionante.

Todas as reportagens, as receitas, as dicas de beleza, as dicas de moda, tudo aquilo que antes era determinado por uma editoria agora é REDIGIDO pelas leitoras e enviado EM TROCA DE PAGAMENTO (claro que deve haver uma copidescagem). Há splashes em cada categoria de matéria. “Se sua matéria sair com 3 páginas, você recebe R$ 500,00″. Quinhentinhos. Deve ser o salário da maioria das leitoras. “Se a sua receita for publicada, você recebe R$ 50,00″. E por aí vai. TODA a revista é assim.

Outra presença constante nas retrancas é a possibilidade de participar da revista via SMS. A leitora pode, por exemplo, enviar piadas por torpedo, também recebendo R$ 50,00 se for publicada. Um leilão de “Quem paga menos” deu ao vencedor um carro. Ele fez lances cada vez menores, também por celular, enviando cerca de 40 torpedos. Os emails também são utilizados pra enviar fotos para a seção de Transformação Virtual (mais cinquentinha se sua foto photoshopeada for publicada) ou para mandar as colaborações.

Então você vê que a Sou+Eu faz o que muita publicação mais “sofisticada” tenta e não consegue muito bem: borra os limites entre as mídias e entre a separação leitora/editoria. Tudo bem: é um borrão pop, controlado e altamente comercial. Mas não deixa de ser interessante ver um bicho assm surgindo.

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O comercial de lançamento da revista é interativo: qualquer leitora pode ligar para um número e gravar o texto numa secretária eletrônica. Se for escolhido… quinhentinhos!!

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Uma pena que, a despeito da riqueza humana de várias histórias publicadas, existe uma pobreza de escrita e uma carência de novos conteúdos.

Todas as matérias trazem um texto simplório, quase um bate-papo rasteiro transcrito. Tudo flui, mas carece de grande elaboração, o que puxa pra baixo a possibilidade de uma pessoa crescer um pouco lendo construções frasais mais interessantes. Mesmo revistas como Contigo! parecem ter um pouco mais de cuidado nisso. Aqui a espontaneidade é gol contra.

Quanto ao conteúdo, também. Não que a vida das celebridades tragam grandes novidades, mas parece que as dicas e histórias das leitoras entram num loop sem o aporte de informações frescas que chegam por parte de jornalistas que vivem fora do mundo da leitora. Aqui pode ser um preconceito de classes/atividades… mas é assim que me parece no momento.

Se eu continuar lendo a revista, conto pra vocês o desenrolar.

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Uéb Brazil, rápidas impressões

Segunda-feira eu estava batendo papo com o Marcello do Serial Cliquer e ele me enviou alguns dados a respeito do acesso à internet no Brasil, coisa oficial do CGI, o Comitê Gestor de Internet no Brasil.

O número de domicílios que têm computador cresceu de 16% em 2005 pra 19% em 2006 (embora só 14% tenha acesso à internet). A posse e o uso de computador conectado à internet cresceram mais nas classes BC, especialmente entre o público de 10 a 15 anos. O uso principal das classes CD é nos centros de acesso público pagos (lan houses e internet cafés) enquanto que, claro, as classes mais altas usam a internet de casa banda larguíssima.

Os números confirmam o senso comun: o acesso à internet ainda é muito restrito e os hábitos de acesso são definidos por classe social e região do Brasil. Quem tem mais grana/escolaridade ou mora em regiões mais ricas acessa mais e de casa na banda larga. Quem tem menos grana/escolaridade ou mora em regiões mais pobres acessa menos e na lan house.

Um número interessante: 50% das pessoas que possuem internet em casa ainda acessam pelo miserável dial up. 28% tem xDSL. O principal motivo para as pessoas não instalarem banda larga é, claro, o alto custo (51% declarou isto). Mas 21% acham que “não tem necessidade” e não se importam de acessar pela internet discada: gente paciente!!!

Embora tudo isso corrobore ainda mais a impressão de que eu viva num mundo extremamente elitizado e restrito, é interessante ver como o ASSUNTO internet é mais vasto do que o seu uso ou suas aplicações. Vide a repercussão do bloqueio do acesso ao You Tube por causa da Cicarelli na midia de massa. É provável que a imensa maioria da população não se importe muito com não poder acessar o You Tube.

Mas o estrato da sociedade afetado coincide com o estrato que mais consome e comanda a mídia. Um mais um é igual a dois: a maioria da população se vê envolvida em uma discussão sobre algo a qual ainda não tem muito acesso.

Mas vai ter. É negócio pra todo mundo que tenha.

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Uma coisa óbvia a respeito da pesquisa do CGI: a presença de celular em domicílios cresceu de 61% pra 68%. O telefone móvel é a estrela do acesso à tecnologia e à convergência, com cada vez mais aparelhos elaborados a preços baixos ou condições de pagamento muito facilitadas em tudo quanto é loja. Outra coisa curiosa a respeito de celulares: o número de pessoas que declara usar o aparelho pra enviar mensagnes de texto cresceu de 40% pra 60%. O número de pessoas que declara usar serviços de download de músicas e filmes é baixo ainda (entre 10 e 15%), mas respeitável se você parar pra pensar no quanto isso pesa na conta de telefone.

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Mais detalhes aqui, no site do CGI.

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Mosquitarelli 3

Eu falei no outro post que o vídeo Mosquitarelli estava crescendo 30 mil por dia, mas a coisa é maior. De segunda pra terça o número de acessos totais, juntando You Tube e Google Video praticamente dobrou de 160 mil pra 290 mil. De ontem pra hoje, saltou de 290 mil pra 390 mil.

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Deu capa no site do Estadão ontem e hoje tá na capa do Terra. Também tem matérias na Folha de São Paulo, Jornal do Commércio de Pernambuco, JB online, A Tarde da Bahia, O Povo do Ceará e O Liberal do Paraná.

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E finalmente a modelo fez uma declaração a respeito da paródia.

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Isso tudo me lembra os ensinamentos de Dzongsar Khyentse Rinpoche a respeito de carma e interdependência: que estranhos fatos passados ligam tanta gente à Cicarelli? O que ela fez de ruim pra nós e nós à ela pra estarmos todos ligados dessa forma, a ponto de cancelar o acesso a um site popular e tudo mais? Quantas modelos e atrizes fizeram nheco-nheco-varifum na praia e não rolou tudo isso?

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Vou parar de falar disso aqui…

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Mosquitarelli 2

Esse vídeo que eu postei esses dias foi criado aqui na agência pelo Vinicius Malinoski e pelo Diego Worthman pra Secretaria da Saúde. Pois é, veja só: um vídeo para funcionar como viral para o Governo do Estado. Foi a primeira ação viral de um governo no Brasil e quiçá no mundo. Mas, enfim. Como todo viral, não se sabia exatamente no que ia dar quando foi criado, mas a coisa começou a tomar boas proporções. No último fim de semana, o número de acessos dobrou e começou a crescer numa base de 30 mil por dia. Hoje tava em quase 300 mil.

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A Cicarelli ajudou a espalhar esse vídeo reaquecendo o assunto da praia. Melhor que a encomenda pra agência e pro Governo do Estado. Esse assunto de combate à dengue é tão chato e os comerciais geralmente são tão sem graça… foi legal o pessoal ter criado algo tão diferente pro Governo, um cliente geralmente mais conservador, e pra um assunto tão maçante. Saca aqueles vídeos “Esvazie os pneus… coloque terra nos vasos…”

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E eu achava que a celebridade sem noção dos últimos tempos era o marido da Suzana Vieira, que foi pego espancando uma prostituta num motel com o carro da atriz e ainda assim não queria aceitar o divórcio… mas, vamos combinar, tirar do ar o site mais popular da internet nos últimos anos foi a coisa mais joselítica que eu vi recentemente. Parabéns ao relações públicas dela! Se tivesse sido criada meticulosamente uma campanha para estragar a imagem dela, não teria sido algo tão eficiente.

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Dá uma olhada no site Boicote a Cicarelli. Tem dicas de como burlar o bloqueio ao You Tube.

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Percebam que a Cicarelli que bloqueia o You Tube é apresentadora da MTV, a emissora que criou um You Tube próprio (MTV Overdrive) pra tentar manter a uma audiência que migra cada vez mais dos meios convencionais para os meios digitais. Doce ironia.

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Isso tudo me lembra um editorial do Ricardo Alexandre numa Bizz do ano passado onde ele fala que artista brasileiro não sabe jogar o jogo pop, entrar na brincadeira… porque artista vive de imagem, vive desse tipo de coisa. Era de saber usar a seu favor, brincar com isso e não ficar dando uma de Maria Madalena… quis dar discursinho no VMB…

Eu falei “artista” mas nem isso a Cicarelli é. Ela é ex-modelo, apresentadora, a clássica “celebridade” que vive única exclusivamente da sua IMAGEM. Ela não tem uma arte pela qual se expressa, a IMAGEM dela, aquele corpo e tudo mais são o patrimônio dela, é o que sustenta ela. Então ela deveria cuidar da IMAGEM dela. Não é uma questão de hipocrisia, mas de cuidado com o seu sustento e o seu trabalho, por mais superficial que ele seja.

Um artista, se quiser, pode aparecer com algas no calção dando pra alguém na praia, porque o que interessa dele é a obra e não o que ele faz fora da obra – embora isso apimente a obra, traga contexto e brindes extra, especialmente no caso dos artistas pop. Nesse caso, existem até mesmo aparições forjadas especificamente pra dar uma apimentada na carreira insone de artistas palha (Britney) ou então gente que investe em situações trash porque ISSO é a sua carreira (Paris Hilton). Mas até mesmo isso pode ser classificado de mais profissionalismo do que a Cicarelli.

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Bem que a Cicarelli poderia fazer um reposicionamento de imagem e começar a fazer aparições em outras praias do mundo… depois abria uma agência de viagens…

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“Plataformas abertas – como YouTube, MySpace, Blogger e Facebook – oferecem muitas oportunidades de se expressar livremente, conectar com pessoas, criar arte e promover discussões políticas, e não devem ser ameaçados por censura – especialmente para proteger os direitos de uma modelo boba que deveria ter mais noção – ainda mais porque o vídeo já está em toda a Internet.” diz o colunista de tecnologia Mitch Wagner segundo uma matéria do Terra.

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Mosquitarelli

Mas que tal…

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Trabalho sem diversão faz de Jack um Bobão

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MTV, Play TV, Ivete & Submarino

A MTV anunciou em coletiva ontem que está abrindo mão definitivamente dos clips como carro chefes. O motivo é óbvio: ninguém mais precisa perder tempo esperando na frente da TV pra passar o clip da sua banda predileta encontrando tudo com facilidade não só no You tube como googleando ou no próprio MTV Overdrive.

A mudança também tem a ver com a ameaça da Play TV, que tem a manha de fazer algo que a MTV está demorando pra fazer: cruzar as referências pop e tecnologia. O programa de maior audiência da Play TV é o Combo Fala + Joga, no qual o entrevistado bate papo enquanto joga games em vários consoles com a apresentadora Luísa.
Eu fui lá ser entrevistado em julho no Combo (representando os Walverdes) e me chamou muito a atenção todo o astral da Play TV, tinha no ar um certo lance de novidade que não sei explicar muito bem. Pode ser um detalhe, mas quando você chega numa empresa onde tem console de videogame na recepção, alguma coisa tem ali…

Gente como eu, “trintões alternativos” (e seus derivados), ainda vai choramingar mais por que “a velha MTV que era boa”. Mas a real é essa: se parar na frente da TV à espera de um clip legal da sua banda preferida ou de opinões relevantes é algo de outra era de mídia.

De qualquer maneira, voltando ao público entre 12 e 18, vale prestar atenção nisso tudo pq pelo jeito mais um paradigma clássico de consumo está caindo, aquele velho “público jovem assiste MTV”.

Um adendo, eu estava pensando agora: resta saber se mesmo o público entre 12 e 18 não vai sentir falta das atrações mais pop ligadas a clip, como o Disk MTV. Fiquei curioso pra saber a audiência do TVZ do Multishow…

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Enquanto isso, a Rolling Stone anuncia Ivete Sangalo como sua próxima capa, com a chamada “Rainha do Verão”. Motivo de infarto para quem curtiu o Iggy Pop na capa da última, mas eu acho extremamente adequado: goste-se ou não do som, tá mais do que na hora de Ivete ser reconhecida como a diva pop brasileira por alguém que não seja a Rede Globo ou os milhões de fãs por todo o Brasil.

Também me parece que esse movimento determina bem a que a Rolling Stone veio, esse mapeamento mais cultura pop geral e menos música do que a Bizz (que continuo mantendo como minha revista preferida nesse sentido). Fico curioso pra saber que tipo de público a Rolling Stone vai pegar, ou se vai construir um público.

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Achei muito massa esse comercial, não só pela idéia em si (de uma simplicidade massa), mas também por ele terminar com uma proposição bem focada no que a empresa faz. É meio que uma indicação de um novo caminho talvez, uma vez que nos últimos 5 anos a TV esteve cheia de comerciais baseados na lógica estritamente emocional estilo “Filtro Solar“.

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O You Tube Perfeito & MKD

O Léo do Fiambres, meu colega de agência e de Blogger, selecionou seus 5 vídeos que estão faltando para o You Tube ser perfeito. Me empolguei e ia fazer a minha lista também, mas é difícil pensar gripado.

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Ontem eu tive um seminário/curso rápido/palestra de dia inteiro a respeito de Marketing Direto, que vem a ser toda aquela publicidade que você recebe diretamente, em mãos, tipo folders pelo correio. É bom saber que, com todo o lixo que a gente recebe diariamente, existem pessoas realmente empenhadas em fazer malas-diretas com decência e inteligência, que acham que não se deve ficar chamando a pessoa pelo nome na mala direta sem ter algo realmente pessoal a oferecer. Não são muitas pessoas nessa pilha, é verdade, mas elas existem.

Baixos orçamentos, nariz empinado por parte das agências de publicidade, a indiferença ou o ódio da maior parte dos consumidores…. e, ao contrário da mídia de massa, a verdade nua e crua, sempre sabendo quantas pessoas de fato leram aquela mala direta… cowboy, tem que ser meio cowboy pra trabalhar em marketing direto.

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Conector + André Takeda: Brand Television

Na real era pra ser uma entrevista com o Takeda. Mas antes que eu convidasse ele pra responder umas perguntas sobre o trabalho dele na Fox Argentina e sobre a vida em Buenos Aires, ele me mandou um texto sobre Brand Television, uma disciplina pouco praticada no Brasil mas levada bem a sério fora daqui. Sobre Buenos Aires, eu escrevo mais adiante.

Então nada mais a declarar, passo a palavra pro Takeda.

Brand Television – André Takeda

Por algum motivo que eu ainda não sei, no mercado de comunicação brasileiro existem poucos profissionais que se dedicam ao brand television. Na verdade, todos o canais de televisão do Brasil têm uma equipe dedicada à produção do que nós conhecemos como chamadas. Mas fora do país, o negócio é levado a sério. Os departamentos criativos dos grandes canais americanos e europeus são verdadeiros estúdios, com equipes especializadas no planejamento, criação e produção de vinhetas, chamadas e projetos especiais. Existem até agências que se dedicam exclusivamente a isso. Por que essa importância? Ora, porque os canais usam um espaço valioso no intervalo comercial e já está mais do que provado que cada segundo de chamada pode contar muito para a personalidade do canal. E em um mundo de TV por assinatura, ter personalidade significa rating.

Bom, no Brasil o negócio ainda não é como nos Estados Unidos e Europa. As exceções para mim, são os canais Globosat e a MTV, claro. Mas, nos outros países da América Latina, a história é um pouco diferente. A maioria dos departamentos criativos dos canais pagos estão baseados em Buenos Aires, por exemplo. Isso explica o fato de você às vezes ver algo escrito em espanhol no meio de um texto em português. Na Fox Latin American Channels, onde trabalho, nós somos quase 50 pessoas cuidando de toda a comunicação on air (chamadas, vinhetas, etc) e off air (propaganda, digamos assim, tradicional) dos canais Fox, National Geographic, Fox Life, FX e Speed. Claro que não fazemos tudo sozinhos. No caso de off air, trabalhamos sempre com agências. E, já que falei em agências, vou agora ao ponto onde queria chegar.

Os profissionais de agências talvez não saibam, mas o nosso maior esforço aqui na Fox também beneficia o mercado publicitário. Explico: a nossa obsessão é fazer com que o nosso intervalo seja tão divertido quanto os nossos programas. A gente sabe que todo mundo gosta de ver trailers. Então, a gente perde horas na ilha de edição cortando uma chamada para o 24 Horas que seja digna de cinema. A gente sabe que muitas pessoas adoram ver backstage de filmes. Por isso, a gente vai atrás de making ofs, edita tudo bonitinho e coloca no ar. E, quanto mais tempo o telespectador prestar atenção no nosso trabalho, mais tempo vai prestar atenção no trabalho das agências. Simples, não?

O nosso maior exemplo aqui na Fox é o bloco de animação para adultos Não Perturbe!, que vai ao ar nas noites de segunda e terça. Tudo que criamos para o NP! tem o objetivo de mostrar que não temos apenas programas e, sim, um bloco com identidade que, por si só, já é divertido. Um exemplo disso foi a criação dos personagens Coelhos de Birmânia. Estas animações absurdas são um sucesso e não vendem absolutamente nada, a não ser a idéia de que o NP! é este espaço doido para os adultos que não são tão adultos assim. Em seis meses, já produzimos 10 vinhetas com os coelhos, fora uma série especial para a Copa do Mundo. Outros projetos inovadores no NP! foram o NP! Deitado (quando veiculamos toda a programação, incluindo os comerciais, de forma “deitada”, para ver na cama) e o Anti-Carnaval (especialmente no Carnaval, o NP! foi veiculado de sexta a quarta, para ser uma alternativa aos desfiles das escolas de samba). Outra coisa que estamos experimentando com o NP! é a criação de keepers. Essas peças têm a função de manter o telespectador ligado no canal durante o intervalo. Na Argentina, no México e na Colômbia, acabamos de colocar no ar o projeto NP! Responde. O pessoal manda perguntas absurdas via SMS. E, assim que o bloco de um desenho termina, colocamos uma peça com a pergunta com a mensagem “NP! responde depois do intervalo”. Quando o intervalo termina, nós colocamos a nossa resposta absurda e idiota para perguntas absurdas e idiotas. Todos estes projetos vêm empacotados com peças divertidas e temáticas. Como disse antes, é a tal preocupação com o conteúdo que colocamos no ar. E se isso é bom para a Fox, é bom para os clientes das agências também.

A gente também está muito preocupado com a interação internet, TV, celular, além da criação de conteúdo para marcas. Mas isso é assunto para outro texto.

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William Gibson vem aí lálálálálálálá

Um bando de garotas, somalis num campo de refugiados no Kenya, curtem jogar seu voleizinho. Mas, sendo muslim, precisam obedecer a regras estritas no vestir. Aquela coisa, panos por tudo, que cobrem dos pés à cabeça, e podem ser práticos para esconder o corpo mas são péssimos para dar uma manchete ou uma cortada.

Nisso, a Nike entra no jogo através de um contato das Nações Unidas e se propõe a criar uniformes para as garotas do vôlei somali que respeite ao mesmo tempo as convenções religiosas das moças e a liberdade de corpo que um jogo de vôlei existe.

Reflexões políticas & econômicas à parte, isso dá margem a imagens fascinantes como essa aí de cima. Algo não muito longe do futuro imaginado na ficção científica cyberpunk: em vez de um mundo frio e padronizado a la THX 1138, cada vez mais vivemos numa bagunça cultural doente & interessante.

Fico imaginando a felicidade dos designers por pegar um trabalhinho desses.

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Ação


Campanha criada pela DDB Berlim para a entidade World Vision dando a real a respeito da maneira como os problemas sociais são tratados em nível global. A assinatura diz algo como “Seria bom se só compaixão ajudasse, mas nós precisamos é do seu dinheiro”.

Bem legal a campanha, mas penso que a melhor maneira das agências ajudarem também não seria fazendo anúncios, mas questionando o posicionamento comercial de alguns clientes. Por exemplo, em vez de uma agência fazer camapanha contra acidentes de trânsito, por que não questionar o posicionamento de determinados carros que se vendem pela potência e pela velocidade?

Não é fácil, a questão é complexa. Mas não custa nada perguntar.

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Aquino

Se algum dia eu ganhar algum prêmio de redação em publicidade, além dos meus diretores de criação e colegas redatores, vou ter que agradecer a uma boa lista de escritores. Eu seria obrigado a começar por Frank Miller, o roteirista e desenhista de clássicos dos quadrinhos, o Martin Scorcese da Marvel; tem o Bukowski (o de Cartas na Rua porque em Velho Safado já rola mais verborragia); tem toda aquela série de livros excelentes do Verissimo que saíram no meio dos anos 80 (Orgias, A Mulher do Silva, todos aqueles com capa do Caulos); Life After God do Douglas Coupland; o Nick Hornby, os livros de alpinismo do John Krakauer e por aí afora.

Agora faço questão de colocar no meu panteão de professores o Marçal Aquino. Eu já tinha sido cativado pelo jeito que ele escreve em Cabeça à Prêmio mas fui totalmente pego nesse último de nome grande. Tentando descrever pra alguém, eu falei em “minimalismo exuberante”, porque é exatamente isso que ele parece fazer: corta todos os excessos mas ainda assim as frases e os parágrafos mantém uma riqueza colorida, hiper realista, carregada. Não é tipo “a beleza do minimalismo”. É um minimalismo brutal e direto. Talvez parte dessa contundência não seja do estilo, mas do conteúdo: o universo que o Marçal Aquino usou nos dois livros que li foi um submundo BEM brasileiro que não passa pelo filtro de submundo ou underground da cultura americana. Não existe emulação à americana (talvez um q de western), são livros absurdamente DAQUI.

Fica a dica para os redatores. Marçal Aquino faz tão bem quanto Eugênio Mohallem.

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Saiu a segunda leva de DVD’s da série The Directors, que compila os principais trabalhos de diretores de clips e comerciais. A primeira edição trazia coisas incríveis de caras incríveis como o Spike Jonze, o Michel Gondry e o Chris Cunninghan.

Agora é a vez do Stéphane Sednaoui (o cara que fez Give It Away do Chilli Peppers), Anton Corjbin (fotógrafo fodão e responsável por Heart Shaped Box do Nirvana e One do U2), Jonathan Glazer (que trabalhou com Unkle e Blur) e 0 Mark Romanek, o único que assisti dessa nova leva. Os outros estão na fila.

Quem é Romanek? Romanek é Are You Gonna Go My Way” (Lenny Kravitz), é “Closer” (Nine Inch Nails) e “Hurt” (Johnny Cash). É também “Scream” (Michael e Janet Jackson), “Can’t Stop” (Chilli Peppers), “Cochise” (Audislave) e “Little Trouble Girl” (Sonic Youth).

Embora não apareça nada no DVD sobre o assunto, “Retratos de Uma Obsessão”, aquele filme com o Robin Williams, também é do Romanke e o título em portugês retrata o estilo do cara. Todos os entrevistados para o documentário que tem no DVD assinam embaixo: o Romanek é PERFECCIONISTA. Se preocupa com todos os pequenos detalhes e pensa tudo o que vai fazer. Mas o mais legal disso: nem sempre o resultado é frio (apenas quando desejado) e matemático, mas uma visão muito bem amarrada sobre o conceito de cada música, um clip que adiciona tantos elementos que é difícil pensar na música sem o clip.

Uma coisa que me chamou a atenção foi o trabalho de iluminação. Não falo do diretor de fotografia, mas os clips do cara têm sempre um toquezinho diferente de luz: luminosos, fogos de artifícios, luzes de câmera amadora, coisas que compõem não só a iluminação, mas o design do cenário, a direção de arte. Em Are You Gonna Go My Way isso é muito presente, tem aquele puta “mega-lustre” que vem baixando quando o riff vai entrando… nossa! E os fogos de artifício em Cochise são incríveis (talvez uma boa metáfora para o Audioslave). E a tal luz amadora é utilizada como única fonte de iluminação no clip da Fiona Apple, o que se traduz em uma puta estética refinada em vez de lo-fi-ismo.

“Are You Gonna Go My Way” é pra mim é um dos melhores clips de pop rock. É empolgante ver a edição em relação ao groove, às entradas dos riffs de guitarra, o clima, a importância da baterista. O Chris Rock vai mais longe: diz que o Romanek foi responsável por transformar o Lenny Kravitz num ícone pop mundial e cada vez que ele goza com uma mulher na cama, deve gritar “ROMANEEEEEK!!!”

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Ética (1)

Um dos principais objetivos desse blog é abrir um espaço de reflexão sobre a atividade publicitária. Por diversos motivos, a reflexão pura e simples é muitíssimo rara no dia-a-dia das agências e eu acho que isso faz uma falta tremenda.

Dois interessantes espaços de reflexão disponíveis seriam a imprensa especializada e o meio acadêmico. Mas o primeiro é muito próximo do mercado, gerando às vezes uma relação incestuosa à base de press-releases e muito pouca crítica real. E o segundo me parece distante, não vejo chegar no ambiente das agências material de reflexão útil com que pudéssemos trabalhar. Falo da minha experiência, é bem possível que haja parcerias produtivas por aí que não se limitem ao fornecimento de estagiários.

Um dos assuntos que é muito pouco discutido em profundidade no mercado publicitário é a ética. Ética em publicidade não se discute, se resolve à base de normas (inclusive quando se trata de remuneração).

A rigor, todas as agências respeitam o Código de Auto-Regulamentação Publicitária confeccionado pelo CONAR, o Conselho de Auto-Regulamentação Piublicitária. O CONAR foi criado no fim dos anos 70 como reação a uma disposição do Governo em criar um órgão de censura prévia à atividade publicitári. Antes que os militares fizessem mais bobagem, os publicitários se reuniram e propuseram esse conselho auto-regulador, formado por lideranças do setor.

Pode parecer que isso não daria certo, você pode achar que publicitários não puniriam publicitários, mas aí vai uma boa notícia: o CONAR funciona muito bem. Realmente incentivo uma visitar ao site do CONAR e um passeio entre os processos que já foram julgados. Entre disputas comerciais, você encontra ali uma boa quantidade de ações iniciadas por denúncias de consumidores contra publicidade que de alguma maneira foi entendida como prejudicial ao cidadão.

Na maior parte dos casos, o cidadão ganha a causa. E em 100% das vezes a decisão do CONAR é totalmente acatada, apesar dele não ser um órgão oficial, não ter poderes executivos. Os comerciais podem ter até mesmo sua veiculação sustada totalmente. Eu já tive a oportunidade de acompanhar a decisão do voto de um relator do CONAR em que ele pedia que o anúncio em questão não trouxesse mais informações fundamentais naquele asterisquinho no canto da página, mas explícita junto à chamada. A ação foi acolhida pela câmara do CONAR e a retificação foi feita.

É de total interesse dos publicitários que a publicidade ruim, mal feita e prejudicial seja estancada, barrada e filtrada. Todo mundo sai ganhando quando a publicidade é mais inteligente, mais divertida e mais ética.

No entanto, eu comecei a me perguntar se esse tipo de norma basta para definir a publicidade como ética e resolvi estudar um pouco do assunto. Um pouco mesmo, não é algo muito profundo.

Reuni alguns livros e alguns artigos, entre os quais um especial da Lia Diskin, fundadora da Associação Palas Athena na revista Bodisatva. No texto, Lia faz um rápido apanhado da história da Ética citando duas raízes: uma de ética normativa e uma de ética reflexiva – se bem entendi.

A ética normativa é “de fora pra dentro”: baseia-se num sistema de regras de conduta que precisamos obedecer.

A ética reflexiva é “de fora pra dentro”, portanto baseada em julgamento interno, individual.

Acho que uma não funciona sem a outra. A ética normativa, pelo que entendi, serve para orientar a ética reflexiva, mas o que costuma acontecer é que o sujeito se deita nas cordas e simplesmente pára de refletir, levando as regras de conduta ao pé da letra e esquecendo do caráter orgânico da vida. Todos nós vimos isso acontecer com a ética religiosa católica, um sistema que pode ser muito benéfico sendo talvez mal utilizado.

Mas, de volta à publicidade. O fato é que, pelo menos na minha experiência, existe muito pouco da tal ética reflexiva. Ou, quando existe, acontece duas coisas.

1) Ela é totalmente balizada por motivações comerciais. As decisões éticas são norteadas por questões de conquistar mercados e consumidores.
2) Quando a motivação é nobre, ela é mal pensada e formulada. Não existe um esclarecimento ou uma sabedoria mais profunda do que pode, de fato, trazer satisfação ao consumidor.

No primeiro caso, a reflexão até costuma ser profunda e muito estudada. É normal trabalharmos com pesquisas que duram vários meses e vão realmente longe na compreensão dos desejos dos seus consumidores. E não só dos desejos materiais, mas de suas aspirações de vida.

No entanto, geralmente se acredita que essas aspirações possam ser respondidas com comunicação, serviços ou produtos. Quer dizer, nem todo mundo acredita. Uma parte acredita e a outra parte (na qual me incluo) finge que acredita para poder fazer o seu trabalho.

(continua)

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Foie Grais


Campanha da agência belga Duval Guillame para a ong GAIA (Global Action in the Interest of Animals) a respeito do Foie Gras. Pra quem não sabe, é um patê de fígado de ganso hipertrofiado. O ganso é imobilizado e alimentando à exaustão até que o fígado fica bem “recheadinho” e disso é feito o patê.

Não sou exatamente ativista dos animais, mas achei a campanha interessante. Nunca na minha vida tinha visto um anúncio anti-foie gras.

Segundo meu colega de trabalho que enviou a notícia, “a campanha seria veiculada nas 40 maiores estações de trem da Bélgica, mas a companhia de transportes recusou os cartazes por considerarem “muito chocante” e, claro, pelo medo de perder anunciantes como McDonalds e afins. “

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Interdependência

Enquanto eu não escrevo e nem arrumo uns artigos decentes e bem escritos para o blog, vou linkando o de outras pessoas. Um site que vale a pena vasculhar é o do americando Douglas Rushkoff. Ainda estou conhecendo o trabalho do cara, mas só por meia dúzia de textos que li, dá pra dizer que vale a pena. Ele é um desses caras que tem às pencas nos EUA, um “ensaísta”. Fica lá, tendo idéias e publicando-as, aparecendo em conferências, dando aula e tal.
Mas, enfim, o Rushkoff é um cara que faz cortes e conexões interessantes, abordando desde a cultura do ecstasy até poluição midiática, persuasão em publicidade, consumo jovem, essas coisas. É como se o Beck resolvesse estudar teoria da comunicação em vez de fazer discos.
(Esses dias estava passando um documentário no GNT em que ele apareceu como apresentador e co-roteirista. Mais adiante falo do documentário.)
De cara, recomendo a leitura do artigo What’s Next. Aqui ele começa explorando a necessidade do mercado (que não deixa de ser reflexo da necessidade das pessoas) de uma “next big thing”, uma nova onda, um novo lance, uma grande virada. Esse processo engatou uma quinta marcha nos últimos dez anos e estamos num ritmo alucinado de “novidades” e “lançamentos”.
Ele não cita especificamente isso, mas acho que o exemplo mais visível e popular hoje seria os lançamentos de celulares. Em poucos meses o aparelho que era pequeno, moderno e útil se torna grande, ultrapassado e ineficiente perto dos outros. Embora uma parte das pessoas não se importe com os novos modelos lançados, é cada vez maior o número de consumidores que adere à chamada obsolecência programada. Longe de ser apenas um artifício industrial “promovido pelo grande demônio capitalismo”, vejo isso muito como uma expressão em maior escala do próprio hábito humano de buscar a novidade, de se entediar com o que conquista e logo querer um pouquinho mais.
Mas na real o tópico do texto do Rushkoff é outro, um conceito muito interessante chamado Social Currency – a Moeda Social. O exemplo que ele dá é perfeito: as figurinhas que vem com chicletes. Aquilo é pura Moeda Social, um produto que em si tem um valor muito baixo (péssima resolução nas imagens, material de baixa qualidade, durabilidade duvidosa), mas que ganha importância à medida em que é usado para interação social entre os garotos. Ou seja, o que interessa não são as figurinhas em si, mas a diversão de ver quem tem e quem não tem, trocar as repetidas, quem já achou aquela mais valiosa, enfim.
De posse do seu bolinho de figurinhas, do seu bolinho de Moeda Social, você faz parte de uma comunidade e o lance do ser humano é achar seu lugar numa comunidade, não é?
O fator Moeda Social é um dos grandes motivos pelos quais os virais funcionam na internet, desde o incrível vídeo do Ronaldinho botando a bola várias vezes no travessão quanto aqueles “Power Points Edificantes” com fotos de Image Bank e mensagens batidas: embora o conteúdo em si seja o impulsionador, o grande prazer aqui é compartilhar o que você está vendo. Tipo “nossa, o Ronaldinho fez isso, não acredito, outras pessoas precisam ver isso”. O conteúdo – e isso o Rushkoff advoga diretamente – é apenas um veículo para essa necessidade de interação social que existe no coração até do mais misantropo.
Eu sei que isso soa óbvio, mas a maneira como o conteúdo é tratado hoje não demonstra essa consciência. Essa interação social é citada geralmente em segundo plano, numericamente, nunca em termos qualitativos, em termos humanos. Cada vez mais se cria conteúdo (comercial ou não) pensando na sua multiplicação e menos nos motivos reais e mais profundos de cada pessoa.
Ok, e qual a saída? O Rushkoff aponta algumas. Eu tenho lá minhas idéias, aos poucos vou comentando aqui alguma coisa.
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