OEsquema

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Bairrista

1) Micro-documentário sobre o Bebeco Garcia, um dos guitar heroes do rock gaúcho, que tocou no Garotos da Rua e também depois mandou ver na sua excelente carreira solo (nessa fasem dividimos o palco do Orbital com ele uma vez em São Paulo, quando ele tocava com o Egisto e não me lembro quem era o batera…)

2) Trailer do documentário sobre as 12 Horas de Tarumã, uma prova clássica do automobilismo gaudério.

Aí estão mais dois sinais de uma coisa bacana: o Rio Grande do Sul nos últimos anos vem pagando tributo e explorando sua mitologia pop. Precisamos de mais documentários assim: sobre o DeFalla, sobre o Replicantes, sobre a Graforréia, sobre os Casvavelettes, sobre o TNT, sobre o Garagem Hermética…

(PS: o documentário das 12 horas de Tarumã vai trazer Walverdes na trilha…)

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The Hipster Cycle

Eu tenho uma tese de 1,99 que é o seguinte: se você mantiver seus gostos (pra roupa, cinema, comida, qualquer coisa estética) por toda a vida, a cada 18 anos você tem um ciclo de 3 nos quais está totalmente sintonizado na moda.

Portanto, é só comprar roupas (e apetrechos) de boa qualidade, ficar parado e esperar que o tempo passe por você e encaixe de novo.

***

O sketch aí de cima eu tirei do Portlandia, aquele seriado baseado em sarcasmo anos 90 aplicado aos tempos de hoje disfarçados de anos 90. O Portlandia em si é um “hipster cycle” porque pra achar engraçado você tem que estar pelo menos com um pé bem enfiado dentro da cultura que eles usam como base pra fazer graça.

***

Mas a verdadeira maravilha do Portlandia (além dos roteiros e atores afinadíssimos) é esse formato de sketchzinhos: dá pra achar quase tudo no YouTube, sem essa nóia de TORRENT. Procura lá, bota PORTLANDIA na busca, vai…

Aproveita que foram só seis episódios na primeira temporada e a segunda é só ano que vem. Sem aquela outra nóia de temporadas gigantescas cheias de episódios e histórias…

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Ah, mais uma coisa.

Um amigo meu (não sei se ele quer o nome envolvido com esse post) conhece um cara de Portland que lhe contou o seguinte. A indústria do cimento é central pra economia de Portland. Inclusive agora me lembrei que há 15 anos fiz alguns anúncios pra uma marca de cimento e havia um tipo de cimento chamado CIMENTO PORTLAND.

Bom, enfim.

O fato é que, ao que parece, a cidade é orgulhosa dessa parada do cimento (como Detroit era da indústria automobilística) e isso acabou gerando um efeito colateral interessante que são as PISTAS DE SKATE de Portland: diz que tem muitas pistas experimentais e malucas pra demonstrar a versatilidade do cimento.

Cimento pride. Algo assim. Tive preguiça de pesquisar mais.

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Semana ARP

Um dos grandes acertos desse 2011 que se encaminha para o fim foi a escolha da Associação Riograndense de Propaganda de dedicar sua tradicional semana de palestras ao tema Indústria Criativa. Também conhecido como “economia criativa”, o assunto vem sendo debatido e retratado intensamente nos útlimos dois ou três anos, especialmente nos veículos de economia e negócios.

(Economia criativa é como vem sendo chamado o escopo de atividades que inclui setores como moda, design, arquitetura, música, teatro, games, enfim, tudo aquilo que não era comumente tratado como indústria por ter seus produtos baseados em ativos culturais ou intangíveis. Pra entender um pouco mais, vale a pena dar uma olhada na extensa e didática matéria que a Época Negócios publicou no fim do ano passado.)

É sintomático (e muito inteligente) que a ARP surfe essa onda através do seu evento anual. A publicidade sempre funcionou, de certa forma, como um hub de economia criativa. O dinheiro ganho por redatores, diretores de arte, designers, diretores de comerciais e produtores de jingles a vida toda foi informalmente “desviado” para financiar projetos paralelos/pessoais de música, cinema, moda e design. A publicidade também é agregadora (ou corruptora, dependendo do seu ponto de vista…) de talentos das mais diversas áreas (arquitetos, designers, produtores digitais e audivisuais) e também o setor mais organizado e mais visível da economia criativa hoje. Natural, então, que uma iniciativa voltada à indústria criativa tenha como estopim um festival de publicidade. Antes isso do que a premiação pura, simples e irrefletida.

Estou sabendo também que há a intenção de que o assunto economia criativa não seja apenas um tema dessa semana de palestras (que tem no seu programa gente de moda, games, jornalismo musical, design, cinema e o Joh Howkins, autor do livro que conceitua a economia criativa). Já ouvi conversas, inclusive, sobre uma futura organização de clusters locais para negociar incentivos junto ao poder público. Uma das inspirações seria o Porto Digital em Recife.

Mas vamos com calma. O primeiro passo é prestigiar a Semana da ARP e dar uma boa pensada no assunto. Afinal, a base de toda indústria criativa é justamente isso: a capacidade de pensar, de imaginar, de criar.

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Druegas Pessadas

A pergunta que paira há anos no ar: o que botam no café dos publicitários argentinos?

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Começou

Em 2009, escrevi um post ressaltando um texto do jornalista Chuck Klosterman sobre Harry Potter. A tese do Klosterman era lógica e bem bacana: assim como quem não assistiu Jornada nas Estrelas e Guerra nas Estrelas perde uma parte das piadas dos seriados e filmes atuais, quem não acompanhou minimamente a série do Harry Potter vai encontrar buracos nas narrativas pop dos próximos 20 anos.

Pois bem, a imagem acima (que, acredito, não deve impactar todo mundo) é o sinal de que isso já começou.

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From Madison Avenue to Sesame Street

Falando em Mad Men…

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Um detalhe: a Vila Sésamos dos americanos tá na QUADRAGÉSIMA temporada.

(dica da Ana Carmem)

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O futuro de Mad Men

Se você não assiste Mad Men, aqui vai um resumo: o seriado é um novelão (bem bacana) que gira em torno da equipe de uma agência de publicidade nos anos 60. Maaaaas, a história da agência é apenas um recurso (bem pensado) pra falar dos problemas existenciais da classe média americana da época. Não é apenas a gênese da publicidade moderna que se vê, é também a gênese da maior parte dos males psíquicos que emplacaram nas últimas décadas (depressão, falta de pertencimento, ansiedades, desestruuração de um sistema vigente de status etc).

Uma das coisas mais interessantes do seriado (e que eles enfatizam claramente! são os pequenos hábitos cotidianos da época que caíram em desuso, como uma certa misoginia e, especialmente a tendência de beber e fumar a qualquer hora, o tempo todo. Não só publicitários estressados, mas donas de casas (inclusive grávidas) e médicos (que atendem grávidas) fumam e bebem numa quantidade impensável para os padrões médios atuais.

Não dá pra saber o quanto é verdade, mas dá pra ter uma idéia: eu trabalhei com algumas pessoas que viveram os anos 70 da publicidade brasileira e também lembro do status do álcool e do cigarro durante a minha infância. Eles eram, de fato, mais presentes fora de eventos sociais. O que antes era um comportamento comum hoje é algo quase alienígena, considerado fora da curva. Você olha alguns episódios e pensa (ao menos eu penso): “meu, o que é essa gente tosca?”

Pois o escritor de ficção científica William Gibson, em entrevista para o Boing Boing (que eu vi no Caos Ordenado), disse uma coisa que me lembrou justamente esse aspecto de Mad Men:

“Ao longo da minha vida, eu pude observar emergirem narrativas da história completamente diferentes. A história do que hoje é a Segunda Guerra e de como ela aconteceu é radicalmente diferente da história que me foi ensinada no colégio. Se você lê lê os Vitorianos escreverem sobre si mesmos, eles descrevem algo que nunca existiu. Os Vitorianos não pensavam sobre si mesmos como sexualmente reprimidos ou racistas. Eles não se viam como colonialistas. Eles se consideravam a jóia da coroa da criação.

Obviamente, nós poderíamos ser Vitorianos também.”

A partir dessa perspectiva, é curioso imaginar como seria a 55a temporada de Mad Men lá por 2051. Que comportamentos nossos hoje soarão toscos, retrógrados e excessivos? Que armadilhas sociais não conseguimos enxergar por estarem tão próximas de nossos olhos?

Não tenho muita certeza, mas acho que os episódios da 55a temporada de Mad Men:

- Se passariam em uma agência digital.
- Teriam como protagonista central um Diretor de Planejamento.
- Documentariam a chegada do Twitter e do Facebook.
- Mostrariam a decadência do atual modelo de agência digital.
- E também a frustração dos profissionais, que na verdade queriam todos ter sua própria startup de tecnologia.
- Deixariam claro como “era” exagerada a necessidade das pessoas de estarem conectadas 100% do tempo.
- Daria vergonha de ver como as pessoas “costumavam” ficar acessando emails durante reuniões
- Renderiam cenas hilárias sobre nosso entusiasmo com tablets e smarphones.
- Exporiam a nossa empáfia ao falarmos sobre comunicação digital como se realmente tivéssemos noção do que está acontecendo e o que estamos fazendo.

E por aí vai.

Não adianta: os sofisticados de hoje sempre serão os toscos de amanhã.

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Mas e você? O que acha que hoje é levado na boa mas será tosco no futuro?

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Netflix

Como comentei no Face e no Twitter, assinei o Netflix há algumas semanas pra testar o serviço de “locação online” (não é bem isso, mas enfim). De cara, gostei: tem 30 dias de graça pra experimentar e a interface, apesar de tosca, dá pra navegar com mais facilidade do que os concorrentes (que eu nem sabia que existiam direito, o que mostra o que é a força de uma marca global). O acervo do Netflix nacional não é lá essas coisas, mas também não precisa ser. Aliás, esse problema é generalizado com locação online por questões contratuais com os grandes estúdios (leia o dossiê completo do Link). De minha parte, gosto de dar uma vasculhada em filmes mais antiguinhos e tou podendo assistir o Mad Men Tem Muppets, De Volta para o Futuro, Duna… tá na boa.

Uma coisa que faz toda a diferença: lá em casa temos Wii, então usamos o Netflix na TV. Se fosse pra ser só no computador, na boa, teriam que cobrar menos que 14,90 por mês. Agora, tem um lance muito engraçado e curioso que tem a ver com a foto que eu postei acima.

O botão B do controle do Wii funciona como “VOLTAR” no Netflix. E ele fica na parte de baixo do controle. Ou seja: toda vez que você dá play e se recosta pra assistir o que quer que seja, não pode simplesmente largar o controle displicentemente no sofá. Precisa tomar cuidado e colocar ele de lado, de forma que não aperte o botão B sem querer e nem o controle fique apontando pra tela (porque senão ficam aparecendo os menus).

É uma bobagem, não chega a ser um problema. Mas são essas pequenas coisas que mostram 1) como estamos acostumados a sistemas estabelecidos – no caso, jogar o controle da TV ou da NET no sofá sem receios e 2) como um pequeno detalhe não previsto originalmente coloca um pequeno empecilho na sua interação com um novo sistema.

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Só pra não deixar de dar meu prognóstico, que é igual ao que tem saído em geral por aí: não acho que os serviços de locação online ameacem as locadoras tão cedo. Em primeiro lugar, pela questão dos lançamentos, que no DVD (original ou pirata) ainda saem antes por questões legais. Em segundo lugar, porque ainda precisa facilitar a vida do usuário médio que no geral prefere (minha intuição) ir até a locadora (ou o seu camelô) do que ficar se envolvendo com o mundo dos plugins e dos cabos (coisa de nerd).

Quando os lançamentos estiverem na mão e a experiência de compra/locação/assinatura for realmente suave, aí sim.

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Documentário como ferramenta de marketing

Uma coisa que me chamou a atenção este ano no Festival de Cannes foi a presença constante cases que giravam em torno ou terminavam em DOCUMENTÁRIOS. O fenômeno não é novo, mas possivelmente estamos chegando no ponto onde isso está se tornando mais comum, uma espécie de item permanente no cardápio de opções de uma campanha. Acima postei alguns exemplos e dando uma olhada (e uma pensada) por cima, não é difícil descobrir por que o uso desse recurso é tão sedutor para os publicitários.

1) Diferente do comercial de 30 segundos, em um documentário (ou em micro documentários) é possível explorar por mais tempo a história da campanha. Entretanto, isso não invalida o comercial de 30 segundos, que pode muito bem ser utilizado pra divulgar o documentário.
2) Os custos de gravação e edição digital deixa bem mais acessível a produção de conteúdo audivovisual mais extenso.
3) E, claro, a internet oferece uma plataforma de exibição a um custo mas baixo do que pagar a veiculação em TV.
4) A possibilidade de compartilhamento também é outra questão indiscutível.
5) O mais importante, nos últimos anos, os documentários entraram no alfabeto pop, estão aparecendo mais não apenas na publicidade, mas no cenário cultural como um todo.

De todos esses fatores, que surgem intimamente ligados, a internet é obviamente o mais forte quando olhamos para os pilares dessa tendência. Um bom documentário na rede nasce de mãos dadas com as redes sociais – especialmente quando o assunto é socialmente relevante. O Guardian publicou um artigo sobre isso em junho, não deixe de ler.

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Em tempo: por mais que os cases acima sejam interessantes, todos eles me deixaram com uma sensação muito esquisita. Talvez seja influência do formato documental, mas parece sempre que há uma intenção de “interferência social” da marca em uma comunidade ou em um assunto. É isso que, em todos esses cases, os documentários documentam.

Pode ser ceticismo, mas eu geralmente me incomodo com isso. Sempre achei – e continuo achando – que a melhor forma de uma empresa/marca contribuir socialmente com o que quer que seja é através de suas atividades do dia-a-dia e não SÓ através de uma campanha ou da comunicação. Pra deixar mais claro, sempre penso nesse exemplo: de nada adianta uma marca de carros fazer uma campanha para reduzir a mortalidade no trânsito e continuar a produzir comerciais que só sedimentam imagens de sucesso e excitação ligadas à velocidade. Eu sei que essa discussão é longa, que é muito fácil cair no maniqueísmo e achar que é tudo culpa da publicidade. Também sei que preciso temperar meu ceticismo com alguma dose de boa vontade e admitir que as comunidades impactadas por essas ações saem ganhando alguma coisa (os documentários, de novo, documentam isso).

Mas onde há tanto dinheiro envolvido, é preciso levantar essa lebre. Sempre.

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Um adendo. Até o Foo Fighters tá nessa:

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TV did not kill web stars

Esse comercial da Vostu com a Ivete é o mindfuck definitivo do marketing digital brasileiro. Há anos que artigos em revistas e sites especializados, bem como palestras evangélicas, vem detonando a televisão como um meio válido de publicidade. Anunciar na TV, para fundamentalistas digitais, é símbolo de incompetência. É tiro de canhão, desperdício, furto qualificado, diz-se. Não é preciso verba de mídia nem celebridades, o consumidor é a mídia, o que é bom viraliza-se naturalmente, declama-se.

Mas, tu vê só, o mundo dá voltas. Não defendo este ou aquele meio, vivo e trabalho em cima do muro (é de onde se tem a visão geral das coisas). Mas não deixa de ser engraçado ver empresas ícone do mundo digital experimentando um pouco com o mais (nos últimos tempos) mal falado dos meios. Dito isto, reforço: faz absoluto sentido a Ivete vendendo Megacity na TV (ainda que fechada, não vi na aberta). Ivete, TV e jogos sociais, é tudo mainstream. E brasileiro, pelo que sei, gosta de coisa mainstream. Cauda longa é consequência de mercados estabilizados e economicamente maduros, penso.

Mas o Ivete/Megacity não é a única. Desde o ano passado que a TV fechada vem sendo invadida por comerciais de empresas “da web”. Começamos pela mais recente, do Mercado Livre, que por sinal tem comerciais muito bacanas e um posicionamento espertíssimo:

E a Netshoes? Diz em alto e bom tom que “Você nasceu digital” e ela também.

O comercial do Chrome, sim, passou na Globo ano passado. Nada como um comercial da maior empresa digital do mundo passando no canal (ainda) mais visto do Brasil. Junção de canhões.

(Diga-se de passagem, em outubro de 2010 eu estava nos Estados Unidos e vi o Google anunciando a sua rede de conteúdo, seus banners, em página quádrupla no The New York Times – o autêntico cross-media.)

Um dos meus prediletos é o do Groupon (também do ano passado), porque ele explica o conceito de compras coletivas e define como “a nova febre da internet”:

O do SaveMe também é bem didático:

O do Buscapé vai um pouquinho mais longe:

No setor dos “regionais” e dos comerciais mais baratinhos, tem o Vaquinha Vip:

Esse do Peixe Urbano, por sua vez, é um deleite de subtexto e metalinguagem: a TV usada no fim do comercial é uma bem antiga, ainda por cima chamada pelo peixe de “aquário”.

Por último, um merchandising do Club Penguin no Disney Channel com direito ao apresentador vestido a caráter para uma festa medieval que iria acontecer dentro da rede social infantil da Disney, o popular e incrível Club Penguin.

Conclusão da história 1: se você trabalha com mídia, não precisa mais ter medo. TV está deixando de ser palavrão (como comentei aqui, gostar de TV é/já foi usado em alguns círculos pra ofender alguém).

Conclusão da história 2: em termos de cultura digital, é melhor sentar e ver a bagunça acontecer (e assentar de tempos em tempos) do que ficar bravateando por aí.

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Telas

Talvez um dos principais objetivos na vida de uma tela seja seduzir os humanos. E que alvo fácil nos tornamos. Diante de telas, todos somos um pouco como aqueles insetos que procuram a luz (ou, pra não ficar no clichê dos insetos, como a Carolyne de Poltergeist). Telas e olhos humanos: feitos uns para os outros.

São muitos os aspectos que nos atraem nas telas, mas creio que o princiapal é o fato de que uma tela estabelece limites claros entre o que está acontecendo dentro e fora delas. E dentro, todos sabemos, a vida é bem mais confortável: as explosões são inofensivas, a pobreza é suportável, a morte é uma abstração, a corrupção é do outro, os dramas são controlados e a comédia, fartamente disponível.

Não há dúvida de que uma tela conectada à internet oferece maior nível de interatividade e borra um pouco os limites entre a confusão de dentro e a de fora do retângulo. Mas na comparação, não adianta: em termos de perigo, a confusão de fora sempre vai ganhar da confusão de dentro.

A constatação é simples e deve ser antiga. É fácil imaginar o primeiro ser humano que buscou refúgio pela primeira vez dentro de uma caverna. Aposto que não foi o teto ou as paredes que lhe transmitiram alívio. Olhando para o tumultuado mundo lá fora, com o rosto iluminado por descargas elétricas, ele deve ter percebido as inegáveis (ainda que temporárias) vantagens de ver uma tempestade emoldurada pelo buraco da entrada.

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Imagem 1: série The Iluminatti de Eva Baden, toda com fotos de rostos iluminados por telas.

Imagem 2: anúncio da Band Sports que ganhou Leão de Bronze em Cannes.

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Leia também: Telas Fixas, Telas Móveis, Telas Coletivas, Telas Íntimas.

Leia também: As telas como personagens de Star Wars.

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De Cannes

Prometi no post anterior que ia passar por aqui para escrever essa semana. Mas não deu. De qualquer forma, convido todos os presentes (que ainda não foram) a visitarem o blog da Competence, onde fiz alguns posts bem grandes e com bastante coisa. Alguns não interessam só a publicitários.

Ontem eu escrevi sobre os novos modelos e os valores que fazem uma agência interessante a partir dos seminários da R/GA e da 72andSunny.

Dia 22 eu escrevi sobre os outsiders da propaganda em Cannes fazendo bonito: Robert Redford, Sarah Key, Pharrell, entre outros.

Dia 21 eu escrevi sobre a relação das pessoas com as telas e a classificação da BBDO usando personagens de Star Wars. Nesse mesmo, teve também os seminários com o Malcolm Gladwell e a Ariana Huffington.

Dia 20, o texto foi sobre marcas e crowdsourcing.

Semana que vem tem mais. Fotos comentários, Patti Smith, Will.I.Am…

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Futuro

Meu colega André Azeredo chamou a atenção do pessoal aqui no trabalho: esses dois comerciais, de premissa e roteiro idênticos, foram postados no mesmo dia no YouTube. Ele ainda lembra que “as duas marcas fazem parte da mesma empresa. E, aparentemente, um comercial é para os EUA e outro é para a França. Difícil não pensar que alguém já sabia e mesmo assim deixou as marcas se canibalizarem.”

Mas o que mais me chamou a atenção é que parecem comerciais saídos de um filme de ficção científica, não só pela temática e pela estética, mas especialmente pela trilha e pela locução.

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No preguiça

VIDEOGIOCO by Donato Sansone from Enrico Ascoli – Sound Design on Vimeo.

Já que falei de preguiça no post ante-anterior, vai aqui um vídeo de alguém com muita disposição…

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Muito além do Tropa de Elite 3

Um dos meus vizinhos de OESQUEMA, o Bruno que comanda o Urbe, fez algo que eu estava pensando fazer, mas com mais propriedade: reuniu alguns vídeos e links para textos fundamentais se você quiser sair do clima “torcida organizada” e entender um pouco melhor o que está acontecendo no Rio de Janeiro. Pra começar, vale assistir todo o Roda Viva com o Luis Eduardo Soares.

Parece pouco leve pro fim de semana, mas eu garanto que ativa menos a ansiedade do que assistir qualquer noticiário.

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Quando ficar fácil, vai ser facinho

Se você é um pouco mais ligado em tecnologia, deve achar normal baixar seriados ou filmes no computador. E deve se perguntar por que tem gente que ainda perde tempo indo em locadora e comprando filme. A resposta deveria ser óbvia: pra maior parte das pessoas baixar filme dá muito mais trabalho do que ir na locadora.

Esses dias eu baixei três episódios de um seriado e resolvi sentar com a minha garota na sala pra assistir na TV e não no laptop. Então começou a função: pega o cabo hdmi na gaveta. Puxa o cabo do som. Liga o som. Conecta os dois. Vai no legendas.tv. Baixa as legendas. Descompacta e copia pro folder dos vídeos. Renomeia as legendas pro VLC ler na boa. Coloca os episódios na playlist. E play.

A lista desses pequenos procedimentos pode rivalizar em tempo com a lista de procedimentos pra ir até a locadora (5 min contra 30 min), mas tem um detalhe importante: pegar o carro ou ir a pé até a locadora, escolher o filme, entregar pro balconista, assinar a notinha, catar a sacolinha, voltar pra casa, subir no elevador, sentar no sofá, botar o filme no DVD, selecionar a legenda e dar play são atividades amplamente dominadas por todos, enquanto que uma pessoa destreinada pode se embananar toda só pra achar a legenda certa pro arquivo certo e ter que fazer a mão de renomeá-la pro arquivo funcionar no player.

Resumo: ir na locadora é uma atividade simples, todo mundo sabe como funciona. É um formato que, além de tranquilo para a maioria, ainda rende um passeio pelo bairro e um papo furado com o balconista.

É por isso que os DVDs (e os CDs) piratas incomodam tanto mais: eles são uma alternativa que parte em cima de um modelo conhecido de consumo e de operação da tecnologia. O DVD pirata não pirateia somente a obra, mas se vale de toda a cadeia de uso do suporte. Você compra e usa um DVD pirata de uma maneira muito similar à do DVD oficial, enquanto que baixar filmes em redes P2P integram um universo completamente diferente de procedimentos e de conexões sociais.

Quando os downloads ilegais ou os legais estiverem integrados à vida cotidiana com essa profundidade e simplicidade, aí sim é que eles vão superar de fato os modelos clássicos. É uma questão de tempo? Sim, mas não um tempo de disseminação de uma tecnologia e sim de absorção de uma série de protocolos de comportamento coletivo.

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Texto inspirado num dos programetes Minimalismo que eu faço pra Oi FM.

O Minimalismo vai ao ar todos os dias às 9h30 e às 13h45 nas cidades onde tem Oi FM ou na webradio.

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150 amigos e 1.000 desculpas

Esses dias, abri a Zero Hora em casa e dei de cara com um artigo sobre o limite de conexões sociais que uma pessoa pode manter – 150 ligações fracas, dizem alguns estudos, mesmo com a ajuda “gerencial” das redes sociais. Aí cheguei na agência, abri o Twitter e lá estava o Eduf linkando um post seu que aprofunda a questão. Parecia que o assunto estava estava me perseguindo…

Mas não é pra menos. É um tema que rende, que ainda vai render muito mais. Por exemplo. Fiquei com os dois textos na cabeça e me lembrei de um outro viés que talvez a gente possa adicionar à discussão. Um olhar que tem um pouco a ver com os “connectors” do Malcom Gladwell.

No livro O Ponto de Desequilíbrio, já bastante comentado quando o assunto é redes sociais e viralização, Gladwell classifica as pessoas que disseminam conteúdos e costumes em três grupos. Um deles é o dos “connectors”, pessoas que circulam transversalmente na sociedade, convivendo com diferentes grupos de diferentes hábitos e que, o que nos interessa aqui, não tem constrangimento em manter laços sociais mais fracos ou mais superficiais nessa navegação social. Ou seja, são pessoas que não tem o menor problema em ignorar os estudos antropológicos e ultrapassar o número de 150 conexões com amigos e/ou conhecidos, nem nas redes sociais nem no cara-a-cara.

À maior parte de nós, parece um comportamento incomum e insustentável socialmente. Mas existem pessoas que realmente parecem tera essa habilidade de fazer desses laços fracos algo signiticativo, talvez não de forma profunda, mas com certeza de forma… interessante. Pega, por exemplo, a Hebe, o Silvio Santos, o Faustão, o Emilio Surita, o Marcelo Tas, o Edgard, a Mari Moon, qualquer bom locutor de rádio ou animador de rodeio.  O que essas pessoas têm em comum? Eles têm a capacidade dos connectors somada à mídia de massa. Eles conversam com milhares ou milhões de pessoas e ainda assim mantém um tom de intimidade que é respondido pelo público – com atenção, com consideração, às vezes com uma perigosa devoção. Quem nunca ouviu a história de alguma avó ou tia que dava boa noite para o Cid Moreira quando ele se despedia no Jornal Nacional?

Mari antes do Moon

O que é novo nesse momento em que nós estamos vivendo é que esse tipo de comportamento (de connector ou de comunicador de massa) não está mais restrito a connectors e comunicadores de massa. Todo mundo está experimentando um pouco disso. E fazendo algumas bobagens, cometendo alguns excessos, corrigindo ou não, descobrindo que é mais social do que pensava ou não, confundindo tudo – ou não!

As redes sociais na internet estão redefinindo o papel de pessoas que funcionam como hubs sociais e nesse processo de redefinição um monte de confusão está acontecendo. No momento, muita gente que não tem talento, necessidade e habilidade para ser Cid Moreira ou Mari Moon está fazendo suas experiências de Cid Moreira e Mari Moon. O que elas estão descobrindo, às vezes a um custo muito grande, é que não é por causa da televisão que as pessoas davam boa noite ao Cid Moreira e nem por causa do Fotolog que as pessoas se conectavam à Mari Moon. Era por causa, veja só, do Cid Moreira e da Mari Moon.

Pessoas. Elas aprontam, elas fazem das suas, metem os pés pelas mãos, mas continuam sendo o componente social chave das interações. Mil desculpas pelo clichêzão de palestra, mas dessa vez simplesmente não deu pra evitar…

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Meus amigos do Club Penguin

No post anterior, se você não leu, eu estava comentando sobre um certo bug que deu no meu cérebro quando comecei a ter que classificar meus amigos no Facebook. Depois de escrito, segui pensando no assunto e me lembrei de um caso bem interessante que adiciona um pouco de complexidade ao cenário.

Você conhece o Club Penguin? É uma mistura de MMPORG e rede social da Disney onde você cria um avatar de pinguim e sai por ilhas geladas jogando e interagindo com outros pinguins. Tudo dentro do padrão de segurança Disney para os pais não se preocuparem com possíveis pedófilos ou outros malandros do tipo. Interagir com o Club Penguin depois dos, sei lá, 25 anos, é um case study em si. Uma vez lá dentro (e eu tenho meu próprio pinguim, Mr. Walverde, embora não o use com frequência), você passa a fazer parte de um universo de socialização, diversão e compras. Pra comprar, você precisa de moedas. Pra ganhar moedas, você precisa jogar. Pra jogar, você acaba se engajando com outros pinguins-avatares.

Bimestralmente sai um catálogo com novas roupinhas, acessórios ou móveis para iglu, que você compra com as moedas que ganha fazendo pizzas, deslizando montanha abaixo em corridas na neve ou vencendo o Desafio Ninja. Quanto mais você jogar, mais pode comprar. (Não vou entrar aqui na questão do consumismo. No início achei esquisito a história dos catálogos, depois achei um bom gancho pra educar uma criança a não ficar comprando coisa o tempo todo).

O interessante é como a Disney trata a mídia do Club Penguin. Outro dia, estava assistindo TV com a minha enteada de 9 anos e de repente passou (não lembro em que canal infantil) um comercial sobre uma festa que ia acontecer em uma ilha dentro do ambiente do jogo. E em outra ocasião, um sobre a chegada do novo catálogo do Club Penguin. A interação on/off é simples mas interessantíssima e faz todo o sentido do mundo. A maior parte das crianças pula de uma tela pra outra sem quebra-molas.

Mas o mais legal que eu ia contar aqui é do dia que ajudei minha enteada a fazer o pinguim dela. Logo que você cria o seu avatar, o sistema gera um nome automático alfanumérico, que no caso da Stella foi PSTH1. A primeira coisa que eu lembrei quando vi PSTH1 foi o THX1138 do George Lucas e achei bacana. Mas pensei: “ela não vai querer isso, ela vai querer um nome fofo”. Aí, falei: “bom, depois a gente troca esse nome pra Tobi, Fifi ou Picolino”. E ela retrucou na hora: “Não, não, eu quero assim. Todo mundo na aula tem nome assim”.

Fiquei lá, com cara de bobo depois de tropeçar no generation gap. Nomes alfanuméricos só são frios e lembram filmes esquisitos de ficção científica pra quem tem essas referências. Pra quem mora no Club Penguin, PSTH1 é tão querido e fofinho quando Picolino.

Como diz o Frank Jorge: TÓIM.

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Telas fixas, telas móveis, telas coletivas, telas íntimas

Semana retrasada, recebi na agência uma pessoa que estava fazendo uma pesquisa para a Unisinos sobre TV Digital. Não é um assunto que eu domine de cima a baixo (como todos os outros, na verdade). Mas, durante a nossa conversa, aconteceu o que sempre acontece comigo em entrevistas e debates: eu começo a falar coisas que nem sabia que pensava. As sinapses vão acontecendo à minha revelia, as informações se juntam e eu fico morrendo de vontade de correr pra cá e escrever.

Aqui estou.

Nesse caso específico, a pesquisadora me perguntou sobre os formatos de publicidade em TV Digital e eu me lembrei do comentário de um engenheiro da Rede Globo em uma palestra 2 anos atrás (escrevi bastante sobre isso aqui e aqui), quando ele falou do maior receio da emissora a respeito de comerciais interativos. Em linhas gerais, ele disse que pra uma TV com as audiências do porte da Globo era preciso ter cuidado com os comerciais interativos, porque se o telespectador começa a interagir com o primeiro comercial do break, corre-se o risco dele não ver os comerciais seguintes e, ainda mais, que ele se perca por outros caminhos na navegação, esquecendo o programa que estava assistindo.

É, amigo…

Na época, embora eu não compartilhasse de tamanho medo já que não sou dono de nenhum conglomerado, achei até uma preocupação lógica. Mas, claro, é porque não dei o devido tempo pra pensar o assunto. Esse é bem o tipo de medo que não faz o MENOR sentido uma vez que ele se baseia na idéia de que os formatos de publicidade da TV digital (no que diz respeito à interatividade) vão ser idênticos aos formatos da TV analógica. Nesse caso, está se falando, AINDA, na chamada publicidade interruptiva (aquela que é esmagada entre pedaços do conteúdo que o consumidor quer efetivamente ver), um conceito estabelecido e ainda vencedor pra gerar faturamento mas bastante controverso no que diz respeito à interação com conteúdos digitais. Lembra do pop-up? Conhece as taxas de interação com banners? Pois é.

No caso colocado pelo engenheiro da Globo, ter medo de perder audiência por causa de comerciais interativos é desprezar todas as outras formas de interação com conteúdo que vão acontecer com as telas coletivas (TVs, monitores, displays públicos). Um programa de televisão digital, diferente de um programa de TV analógica, nunca vai morar dentro de um cercadinho. Ele naturalmente vai ter vias paralelas de acesso a outros conteúdos, sejam eles comerciais ou não. A era da coerção por “inércia do sofá” está com os dias contados. Veja bem, não estou falando do fim da inércia (conteúdo ruim e público zumbi sempre vai existir), mas sim do fim do cercadinho físico e técnico da TV analógica, que mantém sua audiência em frente à TV com uma mistura de conteúdo de massa (de boa qualidade em algumas ocasiões), limitações dessa tecnologia e indolência do seu público.

Terreno lodoso, não? A questão não envolve apenas as grandes redes de televisão nacionais e suas tecnologias, mas precisa incluir também toda e qualquer pequena mudança cultural provocada pela criação, distribuição e consumo de conteúdo digital. Não é possível falar de TV Digital como um aparelho ou como um sistema isolado de distribuição de conteúdo. É preciso olhar pra todo o conjunto de práticas sociais que está se modificando no país.

Por exemplo: a chegada das telas íntimas.

Durante décadas, nossa relação de intimidade com o aparelho TV foi relegada a situações de exceção. O aparelho de TV nasceu como um objeto eminentemente social. Primeiro, se assistia TV com os vizinhos. Depois, durante muitos anos, em família ou com os amigos. Assistir um grande número de horas de TV sozinho é um hábito muito recente, que em termos de consumo de massa talvez tenha dez ou quinze anos, no máximo vinte. Que é o período de tempo em que a economia brasileira permitiu a famílias de classe mais baixa ter mais do que uma TV em casa, ou seja, colocar TVs em espaços íntimos.

O fato é: nunca fomos íntimos das telas. Durante décadas, as crianças ouviam: “fique longe da tela, a radiação faz mal!” “Não bota a mão na tela, suja tudo”. Como é nossa vida agora? Vivemos a 40 cm da tela dos nosso computadores e notebooks, vivemos debruçados em telinhas de celular e estamos sendo convidados a meter o dedo em telas de todos os tamanhos pra interagir com os conteúdos. É o tipo de mudança de paradigma que bagunça totalmente a cultura de um país calcado na televisão de massa. É outra história. É outro bicho. É fascinante, não é?

A intimidade com a tela é pressuposto básico do consumo de conteúdos digitais. A estabilização da economia colocou TVs em város cômodos, computadores em 35% dos domicílios (números de 2009) e um celular na mão de praticamente todo mundo. O conteúdo que absorvemos e com o qual interagimos passa, em maior ou menos escala de eficiência, por todas essas categorias de telas. O paredão do BBB da terça vira trending topic no Twitter e é motivo de intensa comunicação via SMS e MSN ao longo da madrugada e no dia seguinte. O conteúdo hoje é como as novas gerações: neutro de formato. Ele não quer saber por onde vai caminhar. Ele VAI caminhar. E a gente vai acompanhar essa caminhada via o mosaico de telas com o quais convivemos. Veja você, que coisa mais anos 80: nossa vida virou um grande videowall…

Nesse contexto, não podemos mais classificar a forma de interação com o conteúdo falando de TV, computador e celular, uma vez que os papéis desses aparelhos estão sendo inegavelmente borrados. Talvez faça mais sentido falar no seguinte: telas fixas, telas móveis, telas íntimas e telas coletivas.

Classificando essa coisarada toda do ponto de vista de mobilidade, temos:

Telas fixas: o aparelho de televisão que fica lá na estante de casa; o monitor do computador; o monitores em locais públicos (para publicidade e informação em prédios, lojas, restaurantes, aeroportos e outros locais de serviço).

Telas móveis: o celular, o notebook, os tablets e e-readers, os mp3/4 players, os games portáveis, as telas digitais em ônibus, etc.

Do ponto de vista de proximidade de uso:

Telas íntimas: o celular, os tablets e e-readers, o notebook (de vez em quando), os mp3/4 players, os games portáteis, etc.

Telas coletivas: os monitores em locais públicos (aeroportos, lojas, etc), o aparelho de televisão da sala de casa, telas de computadores de família, telas de computadores de lan houses e escolas, etc.

***

Essa classificação (como todas classificações) não é perfeita. É preciso levar em consideração o lugar dos aparelhos e o tipo de usuário. Um aparelho de televisão no quarto de um apaixonado por games é uma tela íntima. Um celular em uma periferia de um país africano pode ser uma tela coletiva. Um tablet usado para um jogo entre amigos pode transformar uma tela íntima em coletiva durante algumas horas. Não é possível classificar definitivamente os aparelhos do ponto de vista dos aparelhos. Mas dá pra tentar por aproximação e pela maior frequência de tipo de uso.

Então, voltando ao início. Se quisermos compreender os futuros formatos de TV digital, vamos ter que esquecer uma boa parte do que aprendemos com a TV e lembrar que ela não é mais UMA tela com UM tipo de comportamento em frente a ela. Em alguns casos, a TV vai se comportar no âmbito da tela móvel, sendo acessada de telefones celulares ou notebooks. Em outros, ela vai se comportar como uma tela coletiva, caso esteja sendo consumida em um aparelho de grande porte pra uso em grupo. No caso do uso em tela coletiva, a comunicação one-to-one vendida em muitas interações digitais vai pro saco. Quem quer ligar a TV da sala com suas preferências registradas em algum tipo de cookie se tem o hábito de assistir programas pornográficos?

Provavelmente, viveremos um bom tempo de transição tosca, como a que estamos vivendo nos sites de compartilhamento de vídeo. Os velhos formatos interruptivos (links dentro do vídeo, banner transparente sobre o vídeo) ou coercivos (comerciais que precisam ser assistidos pra liberar o conteúdo) vão conviver com as frequentes tentativas de branded content (atrações com conteúdo patrocinado e ligados a marcas). Também certamente veremos a escalada do product placement (aqui chamado de merchandising) e, no caso de vingar o video-on-demand na TV aberta digital brasileira, algum tipo de patrocínio de marca pra conteúdo sob demanda. Publicidade é publicidade. E sempre vai ser publicidade, não importa os disfarces que ela use.

Mas, como eu disse pra moça da Unisinos, vocês não deviam confiar em mim. Deviam perguntar ao William que estudou isso na Inglaterra, país onde essa discussão está bem mais avançada.

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Imma Be a Marketing Star

O Matias falou do Telephone da Lady Gaga e do Born Free da M.I.A., mas eu acho que esqueceu (propositalmente, uma vez que o radar do cara é onipresente…) de citar uma outra pérola recente da história dos clips: Imma Be Rock That Body do Black Eyed Peas. Lançado há mais de dois meses, o clip não tem a exuberância artê do trabalho da Lady Gaga e nem a pungência poplítica (esse termo eu roubei do Bruno) do vídeo da M.I.A., mas, vamos combinar, não perde pra nenhum dos dois em termos de importância pra quem gosta de explorar as camadas mais profundas do pop contemporâneo.

A meu ver, a coisa é mais ou menos assim: se os clips da Lady Gaga e da M.I.A. querem provar algum ponto intensamente, a junção de duas faixas em um vídeo do Black Eyed Peas se foca nos dois aspectos mais fundamentais do pop (e da carreira do Black Eyed Peas): divertir e gerar divisas.

Por diversão, entenda-se a impressionante mão do produtor e líder dos Peas, Will.I.Am ao empilhar referências de praticamente tudo que se fez em música desde que o Kraftwerk foi preso dentro daquele elevador com o George Clinton. O mix das duas faixas, com suas diferenças de andamento e produção, parece mais um mini-set dos 2Many DJs: em cerca de oito minutos tem claras referências a rock, rap old school, rap contemporâneo, electro minimalista, big beat, maximal, enfim, não há tempo nem espaço a perder quando se trata de Will.I.Am. É como se ele promovesse um festival com Afrika Bambaata, 2Many Djs, Chemical Brothers, Daft Punk, Outkast, Justice, Moby e dissesse: “bom, vocês tem aí oito minutos pra tocar e divertir essa galera que não lê blog de música. Se virem.”

Em termos visuais, o clip segue exatamente a mesma lógica, saturando cenários e situações com boa parte da ficção científica dos últimos 40 anos. Ali estão: as armas de onda de impacto utilizadas pela equipe do Tom Cruise em Minority Report; os figurinos d’O Quinto Elemento a la Gaultier (incluindo o sutiã de cone desenhado pelo designer pra turnê Blond Ambition da Madonna); também figurinos inspirados nos antigos seriados do Flash Gordon; o comercial da Citroen com o carro-robô dançando break; logo, Transformers também; paisagens que misturam o ar de District 9, Tatooine e o primeiro Mad Max… enfim.. eu poderia ficar o dia inteiro listando as referências. Mas parte da graça de assistir o clip é justamente você fazer sua própria lista.

O tipo de inteligência que constrói esse Lego audiovisual não se baseia só em ambições artísticas. Will.I.Am é considerado, hoje, mais do que um produtor/frontman do pop. Ele é um übermarqueteiro de mão cheia e as ações de product placement nos clips dos Black Eyed Peas (que incluem motos, carros, celulares e computadores) são apenas a ponta do iceberg.

Uma matéria recente no Wall Street Journal lista as marcas que já trabalharam JUNTO com a banda (Apple, BlackBerry, Pepsi, Honda, Verizon…) e revela a eloquência do vocalista quando ele está longe dos palcos de estádios. É em salas lotadas de executivos que Will.I.Am tem dado seus maiores shows, respondendo com incrível competência a empresas ávidas por colar a imagem de suas marcas a um grupo que consegue atravessar nichos e agradar fãs de diferentes idades, estratos sociais e nacionalidades.

Pra completar, o cara ainda tira a maior onda em Imma Be, comparando sua trajetória de popstar com a falência do Lehman Brothers, banco que liderou o crash financeiro de 2008 nos Estados Unidos:

Loanin out a billion, I get back a trillion
Imma be a brother, but my name ain’t Lehman
Imma be ya banker loading out semen

Pois é, amigo… e você achando que aquele flashmob na Oprah era impressionante…

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Taí uma cena que não veremos mais

Esses dias estava relendo a matéria do Telegraph sobre as 50 coisas que estão sendo mortas pela internet e, na calada da noite, horas depois de ler, me veio a imagem de uma coisa que faltou incluir na lista: apresentadores no topo de montanhas de cartas.

Essa imagem foi, por muitas décadas, um dos maiores símbolos da interatividade entre os programas de TV e seu público. Era o data visualization versão analógica. A popularidade de um programa ou de um sorteio era inquestionável diante da abundância de envelopes com garranchos de pessoas de todas as idades e de todos os lugares do Brasil. Dava uma sensação interessante, de ser parte de uma grande comunidade. Ainda que parte daquilo fosse material cenográfico, vai saber.

Não assisto TV aberta o suficiente pra atestar se as montanhas de cartas efetivamente sumiram da inconografia do meio. Mas suspeito que, se ainda existem, elas devem estar em vias de extinção graças à erosão causada pelo SMS e pela internet.

Talvez falte um pouco de imaginação aos produtores, pois seria interessante ver os apresentadores metidos numas roupinhas Tron navegando em um cenário virtual que mostra todos os emails e SMS enviados pelos telespectadores. Referências de data visualization pra isso não faltam. É meio trash? É muito anos 90, muito çáiberpânque? Não. É algo bem hoje mesmo. E se tem um lugar pra fazer esse tipo de coisa, vamos convir que é na TV. E, de preferência, aberta. Bem aberta.

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Mondo Video: micropoemas

São peças criadas pelo Cocoe Studios pro canal de televisão La Sexta. Prova de que snack culture nem sempre significa superficialidade.

Poética e querida dica da @lu_xavier.

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2008 para 2009: Susana Vieira

Uma das atividades a que mais me dediquei de forma regular no ano passado foi acompanhar a novela que teve Suzana Vieira como atriz principal, Marcelo Silva como ator coadjuvante (ou seria o contrário) e um verdadeiro aparato de transmedia a partir do qual os espectadores podiam construir uma história utilizando fatias narrativas geradas pelo casal e editadas por jornalistas e fotógrafos de dezenas de veículos de comunicação em várias plataformas.

(Se você não sabe nada, aqui vai um resumo: a atriz conheceu o PM quando ele fazia bico de segurança no Carnaval de 2006; engataram um namoro, casaram, foram de lua de mel pra República Dominicana, onde Marcelo teve um apendicite em plena Caras; 3 meses depois, o figura foi preso por quebra quebra em um motel com uma prostituta e expulso da PM; Susana passou por cima do incidente com a ajuda da Glória Maria em uma entrevista no Fantástico e a relação seguiu sem maiores percalços até outubro de 2008 quando veio à tona a relação extra-susanavieral que Marcelo mantinha com uma nutricionista; semanas de barraco seguiram-se, atingindo o ápice com a morte do cara por overdose de cocaína, seguido de xingamentos da Ana Maria Braga em cadeia nacional, a revolta da família do falecido e um silêncio de Susana. Fecha parênteses…)

A novela particular de Suzana Vieira veiculou em noticiários “sérios” como o Jornal Nacional, brotou com naturalidade em programas de fofoca na televisão, se expandiu de forma dramática em revistas de celebridade e tem pedaços espalhados pelo YouTube, sites de fofoca, blogs e comunidades do Orkut (poucas se comparado a outros hits midiáticos do ano, mas tem). Como grande parte dos atuais produtos de transmedia storytelling, a trama ainda pôde ser acompanhada por um único meio, mas ganhou em exuberância ao ser montada peça a peça nas diferentes mídias. Por exemplo, as fotografias silenciosas de Susana em revistas como a Contigo! após a separação eram complementadas por confissões do casal formado pelo ex-PM e a nutricionista na Sonia Abraão e, posteriormente, coloridas com declarações raivosas de Ana Maria Braga em seu programa na Globo. Para não nos deixar esquecer, o YouTube fornece cenas do passado de namoricos e beijocas entre Susana e Marcelo na praia. O quebra-cabeça não é profundo, mas as peças são numerosas. Manoel Carlos perde de longe.

Após a morte do ex-PM, Susana Vieira voltou a público tentando mostrar-se otimista e positiva, mas o que verteu de páginas de revistas como Caras, Istoé Gente e Contigo! foi a alma da celebridade brasileira atual – alto astral de fachada. Mágoas (compreensivelmente) profundas, palavras pesadas e a mais pura acidez foram mal disfarçadas com o bom e velho “bola pra frente” brazuca, que dessa vez não pôde esconder a verdade: Susana Vieira, apesar das inúmeras tentativas de posar de super mulher (com a anuência de grande parte dos veículos, inclusive os programas “sérios” da Globo) é um ser humano com todos os itens de série lodosos que costumam vir no pacote.

E, se para o leitor do Conector isso parece dizer o óbvio, lembro que é importante escarafunchar esses ícones pois eles habitam o imaginário do país e nós, os “esclarecidos” aceitamos esses rótulos da forma como nos são empurrados, mesmo que seja simplesmente para desprezar. Isso também é uma forma de compactuar com esse sistema bisonho.

Como Susana diz que desprezou intensamente Marcelo dando uma forma burlesca ao seu luto, quando desprezarmos Susana tiramos do radar pedaços importantes da nossa coletividade, que se não forem bem examinados, serão simplesmente cristalizados em algum tipo de intelectualização maniqueísta que não leva a lugar nenhum.

***

Ainda sobre 2008 pra 2009: Arnaldo fala sobre Obama.

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Expandindo algumas colaborações

Adorei o conceito de brand hijacking que o Will trouxe pra cá. Ele já havia me falado em conversar informais, mas nada como ter as coisas mais esquematizadas. Eu lembrei alguns outros exemplos, derivados do Video Show, como a Dança dos Famosos, mas daria pra fazer uma lista na Globo, que tem uma série de atrações autofágicas – ou melhor dizendo, autoreferenciais. É o padrão Globo sendo reafirmado em uma espécie de vórtice sem fim na esperança de evitar o inevitável (s aber: impermanência).

No fundo no fundo, estamos falando de um comportamento contemporâneo totalmente generalizado: o já tão comentado fato de que as pessoas vão poder (estão podendo) consumir conteúdo da forma como quiserem e quando quiserem. O brand hijacking emula esse comportamento ao promover a salada antes que o consumidor o faça (nem todo mundo faz por si). Quem fizer salada e distribuir, vencerá. Tem um post do Tiago Dória que resvala nesse assunto – o NYT está linkando conteúdos da concorrência.

O post do Guilherme Dable (cujos desenhos eu tentei comprar) me lembra o título de um curso promovido pela galeria dele (e de uns sócios): Desenhar é Traçar o Pensamento. Algo assim. Depois de muitos muitos anos, esse ano eu voltei a desenhar. Não estou falando do Autopista, mais observações domésticas mesmo. Que é onde essas questões que o Guilherme colocou mais aparecem.

Quando faço desenho de observação, se eu me descuido, caio brutalmente em um estado de ansiedade por não estar conseguindo ver no papel o que estou vendo à minha frente. O que é, sob um certo ponto de vista, risível: como se houvesse à minha frente algo objetivo que possa ser transferido intacto de forma fidedigna ao papel. Rarará. É muito difícil pra mim desistir da idéia de como as coisas se parecem visualmente, como diz o incrível Antony Gormley (cujos desenhos ilustram esse post aqui) citado pelo meu interino. Fazer o quê. Vamos em frente.

Isso, de certa forma, está relacionado com o tocante post do Ronaldo Evangelista. Ele cita o poder de coisas (pequenas, grandes, óbvias ou escondidas) que nos inspiram. E o consequente impulso que brota em nós para tentar reproduzir essa inspiração sob a forma novas coisas (pequenas, grandes, óbvias ou escondidas).

Não há o que discordar do post dele, eu só acrescento um detalhe: essa quebra de percepção promovida por certos produtos culturais depende não apenas de um autor brilhante, mas de observadores com o coração aberto e sintonizados em uma frequência similar (ainda que não aparente). Vou mais longe: corações realmente abertos são extremamente habilidosos em enxergar inspiração nas situações/objetos menos desenhadas para tanto, inclusive as que prescindem de um autor e de uma intenção.

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Mad Men, Café da Manhã da BBC, a Dança do Siri e TV Branding

O Mini saiu de férias e me pediu pra regar as plantas nesta quinta-feira aqui no Conector.

Eu tenho um blog que fala sobre marcas de televisão na era digital, ou TV III, e tenho observado alguns fenômenos que acho que valem a pena comentar aqui (ainda mais que o Mini tem dissecado o livro do Henry Jenkins em diversos posts). Me refiro aos seqüestros, apropriações e intrusões de marcas de TV.

1. O Seqüestro de Don Draper

No dia 13 de Agosto de 2008, às 7:56 da manhã, o Twitter publica a primeira mensagem de um usuário que paradoxalmente vive nos anos 60.

“Tomando um whisky com Roger, para que ele não se sinta um alcoólatra”.

O tweet é assinado por Don Draper, o publicitário de vida dupla, personagem principal da premiada série americana Mad Men, produzida pelo canal premium AMC e transmitida no Brasil pela HBO. Vale acompanhar a série somente pela encenação da época, muito álcool, cigarro, ausência de consciência ecológica e ética, machismo e princípios de revolução feminista. A caracterização da agência de publicidade nos anos 60 é tão perfeita que é praticamente um personagem em si.


Veja também a paródia de Mad Men nos Simpsons.

Como sou fã da série, imediatamente segui os tweets de Don, e logo em seguida começo a receber convites para seguir outros personagens da série no Twitter: Roger Sterling (um dos donos da agência de publicidade fictícia Sterling Cooper), Peggy Olson (a secretária ambiciosa que vira redatora), Betty Draper (a mulher de Don) e até mesmo de Joan Holloway (a office manager voluptuosa).

Pensei eu: “que ação de marketing sensacional da AMC. Expandir a marca da série através da personificação dos personagens, permitindo que fãs dialoguem diretamente com eles, imergindo no mundo fictício de Mad Men. Bela maneira de engajar a audiência.”

No dia 25 de Agosto, menos de duas semanas depois, o Twitter bloqueia as contas de todos os personagens de Mad Men devido a uma intimação do DMCA (Digital Millennium Copyright Act) em relação aos direitos autorais de propriedade da rede AMC.

No dia seguinte, a empresa Deep Focus, responsável pelo marketing da AMC, persuasivamente convence seu cliente de que personagens do Mad Men engajando audiência via Twitter é boa publicidade, e assim as contas dos personagens são restauradas.

Depois de toda a ação, uma dúvida permanece: quem está por trás dos tweets de Don Draper e dos outros Mad Men?

O mistério vem à tona somente meses depois. Dia 16 de Novembro de 2008, Paul Isakson, estrategista e planejamento de marcas para a agência de marcas digitais Space 150 escreve um manifesto em seu blog, sob o título de Confessions of a (fake) Mad Man assumindo a paternidade dos tweets de Don Draper.

Paul confessa que tudo começou como uma um projeto pessoal de pesquisa ao pensar que seria possível estender realisticamente um personagem de um programa de TV para dentro de uma rede de relacionamentos.

A iniciativa de Paul Isakson, e dos outros fãs da série que assumiram identidades dos personagens no Twitter, é um exemplo perfeito de brand hijack (seqüestro de marca), onde usuários e fãs tomam para si uma marca e promovem sua evolução.

Paul liberou Don Draper de seu cárcere digital e o entregou para a AMC este mês, e pediu desculpas por não ter alimentado o personagem tão bem devida à falta de tempo para se dedicar a tarefa.

2. Apropriação no Café da Manhã

A apropriação de uma marca acontece quando um canal ou programa de TV refere-se ao conteúdo relacionado a outro canal ou programa com o intuito de promover sua própria marca, apropriando-se dos valores de marca alheios através dessa associação. Henry Jenkins fala brevemente disso no Convergence Culture, contando o caso dos outros canais de TV que entrevistavam os candidatos do Big Brother que haviam sido eliminados da casa.

Aqui no Reino Unido, isso acontece descaradamente todos os dias de manhã, quando a grande rede pública BBC exibe seu show matutino de notícias, o BBC Breakfast. Boa parte do show consiste em entrevistas com celebridades de programas de sucesso de outros canais de TV da Inglaterra. A desculpa é que é rede pública, sem fins lucrativos, com foco em fomentar a diversidade. Enquanto isso, o BBC Breakfast aumenta sua audiência às custa de valores de marcas de terceiros.

No Brasil, o Vídeo Show é um bom exemplo de apropriação de marca dentro do domínio de marca de um conglomerado de mídia. O formato do show é basicamente uma ferramenta de promoção dos outros conteúdos da Globo, e ao mesmo tempo, enriquece sua própria marca através dos atributos dos programas que documenta.

Mas não há nada como a sacripantice do Pânico na TV, que descaradamente ridiculariza contratados da Globo em entrevistas desconcertantes. Neste caso, a marca da Globo (ou Glóbulo, nas palavras do Sílvio) é apropriada e “torturada”. Aqui, existe uma simbiose bizarra de marcas, numa dinâmica onde a Rede TV promove brand awareness da Globo através da constante menção ao seu nome e atores, enquanto a RedeTV ganha audiência via seu freakshow de desconstrução da marca Global.

3. A Intrusão do Siri na toca da Globo

O fenômeno mais curioso é do Pânico da TV, com a Dança do Siri promovida pelos personagens Vesgo & Sílvio. A dança em si virou um forte veículo da identidade do show, e é relacionado com o programa seja onde estiver.

O mais engraçado é a intrusão da dança (e conseqüentemente da associação à marca) durante as transmissões ao vivo da Globo, feita por fãs do programa.

A Globo tem um histórico de rigidez no controle de sua marca. Mesmo assim, é difícil impedir a intrusão, ainda mais num ambiente digital, como aconteceu na sua festa da novela Sete Pecados no Second Life. O vídeo abaixo é um tanto quanto parcial, mas ilustra bem mais uma intrusão de uma marca da RedeTV no domínio da Globo.

Estaria o Conector a apropriar-se de marcas ao publicar posts de convidados neste blog?

Espertinho esse Mini, hein? Bem feliz lá curtindo umas férias.

Post escrito por Will Prestes enquanto o Mini está de férias.

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