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	<description>por Gustavo Mini</description>
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		<title>Marc Maron + Noah Baumbach</title>
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		<pubDate>Wed, 22 May 2013 15:29:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tá imperdível o episódio do podcast do comediante americano Marc Maron em que que ele recebe o Noah Bambach &#8211; popularmente conhecido como &#8220;o diretor de A Lula e a Baleia&#8221;, entre outros filmes da linha sou-itelectual-pop-novaiorquino-pagador-de-tributo-ao-Woody-Allen-e-amigo-do-Wes-Anderson. É 1 hora e 15 de um bate papo muuuito interessante, não apenas sobre o filme mais recente [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/05/maxresdefault-594x334.jpg" alt="maxresdefault" width="594" height="334" class="alignnone size-medium wp-image-6428" /></p>
<p>Tá imperdível o episódio do podcast do comediante americano Marc Maron em que que ele recebe o Noah Bambach &#8211; popularmente conhecido como &#8220;o diretor de A Lula e a Baleia&#8221;, entre outros filmes da linha sou-itelectual-pop-novaiorquino-pagador-de-tributo-ao-Woody-Allen-e-amigo-do-Wes-Anderson. É 1 hora e 15 de um bate papo muuuito interessante, não apenas sobre o filme mais recente de Baumbach mas também cobrindo a relação dele com os pais (autênticos intelectuais novaiorquinos), com a tal cena intelectual novaiorquina, sobre um autógrafo do Bill Murray, sobre a parceria com o Wes Anderson, sobre a emotividade da página de A Lula e a Baleia na Wikipedia, enfim, essas coisas triviais. :-)</p>
<p><a href="http://www.wtfpod.com/" target="_blank">Aqui é o site do WTF</a>, mas o negócio é pegar o episódio logo lá nos podcasts do iTunes, porque daqui a pouco sai do ar.</p>
<p>Mais uma boa dica do <a href="http://papodehomem.com.br/author/eduardopinheiro/" target="_blank">Pinheiro</a>.</p>
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		<title>Carta aberta da TV à Internet</title>
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		<pubDate>Sun, 19 May 2013 21:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cultura Digital]]></category>
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		<description><![CDATA[Querida Internet Quem lhe escreve aqui é a TV, aquela tela maior que fica ali na sala. Sei que você não me tem em muito boa conta, que está cheia de compromissos e não pode gastar seu valiosíssimo tempo, tão disputado e fragmentado, com quem já está por aí há muito tempo. Ainda mais eu [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/05/diagrama-esquema-tv-preto-branco-telefunken_MLB-F-3106405434_092012-594x441.jpg" alt="diagrama-esquema-tv-preto-branco-telefunken_MLB-F-3106405434_092012" width="594" height="441" class="alignnone size-medium wp-image-6425" /></p>
<p>Querida Internet</p>
<p>Quem lhe escreve aqui é a TV, aquela tela maior que fica ali na sala. Sei que você não me tem em muito boa conta, que está cheia de compromissos e não pode gastar seu valiosíssimo tempo, tão disputado e fragmentado, com quem já está por aí há muito tempo. Ainda mais eu obrigando você a abrir um envelope e ler uma carta de papel. Mas esse foi justamente o subterfúgio que encontrei pra chamar e prender sua atenção. Quem sabe uma carta de papel lhe cause tanto fascínio que, antes que você desperte do choque, já leu minha mensagem inteira &#8211; muito embora ambos saibamos que executar tarefas inteiras não é sua especialidade. Kkkkk. (Não é assim que você ri?)</p>
<p>Me desculpa se já comecei sarcástico (são as reprises de Seinfeld&#8230;), mas na verdade meu contato é para fazer alguns agradecimentos e trazer alguns alertas de quem já passou por alguns desafios que você está enfrentando. </p>
<p>Primeiro, os agradecimentos. Obrigado por tirar os pais, médicos e religiosos fundamentalistas de cima de mim. Você não sabe o inferno que era a minha vida com essa gente antes de você chegar. Logo que surgi, assim como você, me tornei o centro das atenções domésticas, o que causou muito ciúmes por aí. As crianças, sempre prontas para abraçar a vanguarda, me adotaram de tal forma que muitos pais espertinhos passaram a me usar de maneira vulgar e exagerada para não precisar cuidar e educar os seus filhos. Bem, talvez eu esteja sendo também vulgar e exagerado, pois na verdade acabei sendo a solução para todo um novo contexto urbano que não necessariamente era responsabilidade dos pais. Alguns trabalhavam tanto e moravam em lugares tão pouco amigáveis que restava às crianças sentar na minha frente por horas e horas para passar o tempo. De qualquer forma, a culpa recaiu sobre mim e me arrumaram até um apelido hoje ultrapassado e usado para um outro eletrodoméstico: babá eletrônica. </p>
<p>Quanto aos religiosos fundamentalistas, você não sabe a loucura que foi. Primeiro, fui acusada de ser um instrumento do diabo por abrir a cabeça das pessoas para toda uma forma de cultura popular que mexeu com costumes tradicionais. Alguns sacerdotes mais exaltados chegaram a fazer exorcismos comigo! Ironicamente, isso não durou muito tempo pois esses sacerdotes rapidamente se deram conta que eu poderia ajudá-los com seus interesses e, antes que eu pudesse perceber, estava possuída por eles! Isso dura até hoje e não pára de crescer! Agora sim, chamem o exorcista, por favor! Kkkk!</p>
<p>Mas chega de falar de mim. Sei que você está passando por algo bastante parecido. Os primeiros 20 anos de holofotes são assim, intensos, vertiginosos. Nós não fomos os primeiros a serem execrados. O rádio, que ainda está por aí, inclusive eu sei que vocês tem andado bastante juntos, enfrentou as mesmas questões. O cinema, a fotografia e a imprensa também. Imagine você que numa das primeiras sessões de cinema da história, que mostrava o filme de um trem em movimento, as pessoas saíram correndo da sala achando que o trem era de verdade. Fala sério, nem eu nem você passamos por algo tão pitoresco&#8230;</p>
<p>Tenho acompanhado o noticiário (claro) e volta e meia surgem matérias sobre os perigos de usar você: dizem que a capacidade de concentração das dessoas está sendo afetada, que a sua informação é menos confiável, que você ameaça o sistema clássico de direitos autorais, que acabou com a indústria fonográfica e que vai acabar com o cinema! Hmmm, tá poderosa! Kkkk! Pois esse é justamente o principal segredo da nossa profissão &#8211; conferem a nós um poder que não é nosso. Embora eu também esteja impressionada com o que você vem fazendo de positivo (a democratização do conhecimento, a conexão de nichos culturais que estavam isolados geograficamente, a possibilidade de mobilização cultural e política e, o mais importante, os filmes dublados do Jerry Lewis circulando por aí), os responsáveis por tudo isso são as pessoas. Não importa o quanto coloquem o peso sobre nós, são elas que mexem os cordões. Falo isso como amiga, porque estou vendo que você anda se achando e, experiência própria, quando subimos no salto o tombo é muito maior. Olha o que o rádio passou nos últimos anos pra recuperar a auto-estima depois de décadas de protagonismo. Aliás, sei que você tem ajudado muito ele e é bonito isso &#8211; porque um dia você pode precisa de ajuda.</p>
<p>Talvez esse dia nem esteja muito longe. Só pra dar um exemplo, se eu não estivesse passando tanto seriado bom hoje em dia, se eu não fosse capaz de reunir tanta gente pra ver futebol ao vivo e se alguns autores de novela não gostasse tanto de mim, talvez as pessoas não tivessem tantos motivos pra usar você. Porque vídeo de gatinho e de bebê fazendo gracinha é legal, mas não a vida toda. Ok, SEGUNDA tela? Ops! Escorreu veneno aqui&#8230; Kkkk!</p>
<p>Mas não vamos terminar a carta num clima ruim. No fim das contas, estamos todas no mesmo barco. TV, internet, fotografia, cinema, pintura&#8230; acaba que tudo se mistura e é justamente quando a gente se encontra que a coisa fica interessante. Embora hoje eu tenha minha própria personalidade, você não imagina o quanto eu devo ao rádio, ao teatro e ao cinema. Sem eles, eu nem teria começado nesse negócio. Também aproveito pra lembrar que todas nós devemos muito à escrita. No fim das contas, é ela que nos deixa mais instigantes, é ela que nos estrutura, é ela que ainda consegue, em pleno ano de 2013, fazer alguém parar por um pouco mais de tempo e devotar sua atenção a uma coisa tão antiga quanto uma carta. </p>
<p>Cordialmente,<br />
TV<br />
(a PRIMEIRA tela! Kkkk não resisti!)</p>
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		<title>Documentário sobre mais um pedacinho do Tibet no Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 17 May 2013 13:00:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Budismo]]></category>
		<category><![CDATA[Chagdud Gonpa]]></category>

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		<description><![CDATA[Acabou de sair um pequeno documentário em DVD com as cerimônias de 2008 que consagraram a Terra Pura de Padmasambava, o primeiro templo budista desse tipo no Ocidente construído de maneira totalmente tradicional. Pra resumir, é um pedacinho do Tibet aqui do lado, em Três Coroas, na serra gaúcha. Além de cobrir as tais cerimônias, [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/05/20130514-140642.jpg"><img class="alignnone size-full" alt="20130514-140642.jpg" src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/05/20130514-140642.jpg" /></a></p>
<p>Acabou de sair um pequeno documentário em DVD com as cerimônias de 2008 que consagraram a Terra Pura de Padmasambava, o primeiro templo budista desse tipo no Ocidente construído de maneira totalmente tradicional. Pra resumir, é um pedacinho do Tibet aqui do lado, em Três Coroas, na serra gaúcha.</p>
<p>Além de cobrir as tais cerimônias, que duraram cinco dias, o filme também traz o depoimento de lamas budistas sobre o significado desse templo e entrevistas com artistas nepaleses e butaneses que trabalharam nas estátuas, nas pinturas e nos adornos. Só essa residência artística, na verdde, já mereceria um documentário em si, pois esses escultores, marceneiros e pintores deixaram um legado inusitao entre seus pares locais. Na verdade, alguns deles inclusive se casaram e hoje moram no Brasil. Estão por aí, espalhando técnicas e sensibilidades milenares que não costumam ser passadas adiante com facilidade por aqui.</p>
<p>No vídeo acima, tem uma palhinha, com o lama (e talentoso diretor de cinema) Dzongsar Khyentse Rinpoche explicando como funciona a noção de bem e mal, céu e inferno. Enfim, esse DVD é um documento único de uma feliz conjunção de fatores um tanto quanto inusitados.</p>
<p>Mais informações sobre o DVD e sobre como comprar <a href="http://br.chagdud.org/documentario-sobre-a-consagracao-da-terra-pura-de-padmasambava/">aqui no site da Fundação Chagdud Gonpa. </a></p>
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		<title>Power Paola</title>
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		<pubDate>Tue, 14 May 2013 13:29:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Editorial Comun]]></category>
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		<category><![CDATA[Power Paola]]></category>
		<category><![CDATA[Quadrinhos Autobiográficos]]></category>

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		<description><![CDATA[Romances autobiográficos salpicados de detalhes íntimos picantes da vida do autor e de sua família não são exatamente uma novidadade no mundo dos quadrinhos desde o advento de Robert Crumb. Mas começar uma carreira nesse nicho com um livro cuja primeira imagem da história, ocupando a página inteira, traz os pais da autora trepando, mais [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-6413" alt="virustropical01" src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/05/virustropical01-594x830.jpg" width="594" height="830" /></p>
<p>Romances autobiográficos salpicados de detalhes íntimos picantes da vida do autor e de sua família não são exatamente uma novidadade no mundo dos quadrinhos desde o advento de Robert Crumb. Mas começar uma carreira nesse nicho com um livro cuja primeira imagem da história, ocupando a página inteira, traz os pais da autora trepando, mais especificamente concebendo-a, bem, pode ter certeza que algum tipo de marca específica essa autora deve deixar no nicho estético que escolheu habitar.</p>
<p>Virus Tropical, da colombiana-equatoriana Power Paola, simultanemanente se insere e se destaca na linhagem dos grandes romances gráficos autobiográficos. Distanciada anos-luz dos perigos de transformar sua vida desenhada em uma espécie de &#8220;Meu Querido Diário&#8221;, o maior pecado desse setor, o que Power Paola faz é pegar um gênero já amadurecido e bastante exercitado sob a ótica dos anglo-saxões e adicionar uma dose saudável e fundamental de tempero latino. Nesse sentido, diferente dos seus pares norte-americanos, canandenses e europeus, Virus Tropical examina as relações familiares de Paola como entranhas vivas e presentes, não como elementos de uma equação a ser retratada, analisada e discutida cientificamente. Para os que acompanham o gênero, é impossível não comparar Virus Tropical com Umbigo Sem Fundo, de Dash Shaw ou Fun Home de Alisson Bechdel e perceber como a latitude influencia na perspectiva do quanto a vida em família inluencia na construção da nossa identidade.</p>
<p><img alt="Virus tropical 104" src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/05/Virus-tropical-104.jpg" width="592" height="819" /></p>
<p>Paola nasceu em Quito, Equador, de uma gravidez inesperada. Sua mãe havia ligado as trompas mas ainda assim engravidou. O primeiro médico que examinou a Sra. Gaviria não acreditava na situação e deu seu veredito: &#8220;É impossível que esteja grávida. Deve ser um vírus tropical&#8221;. Assim, ela se tornou a quarta mulher de uma casa cujo único homem era o pai, sacerdote de uma igreja e claramente um coadjuvante &#8211; de uma ausência influente, mas ainda assim coadjuvante em relação ao eixo matriarcal construído com muito suor pela mãe de Paola. A partir dessa constituição básica se desenrolam os dramas cotidianos e absolutamente comuns: a separação dos pais, a rica interação entre irmãs de mesmo sexo porém de idades bem diferentes, a luta da Sra. Gaviria para manter o núcleo familiar minimamente unido e funciona. Em resumo, Virus Tropical é uma crônica muitíssimo bem construída sobre a difícil arte de tocar o barco nos mares do sul, onde a subsistência, a religião, o espaço urbano conturbado e os laços consanguíneos ganham papéis importantes na nossa narrativa pessoal.</p>
<p><img alt="tumblr_mkhbxxuqNs1rx6z0ro1_1280" src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/05/tumblr_mkhbxxuqNs1rx6z0ro1_1280.jpg" width="570" height="830" /></p>
<p>O traço de Paola é uma atração à parte. Declaradamente influenciado por Julie Doucet, o estilo rudimentar, um tanto quanto infantil, engana. As páginas tem ritmo, os cenários são ricos, o foco de ação é sempre claro. É a linguagem dos antigos fanzines punk usada para contar de forma crua e direta uma história bonita e cheia de amor.</p>
<p>***</p>
<p>Virus Tropical ainda não saiu no Brasil, mas vocês podem pedir para o Liniers que está essa semana em Porto Alegre para o FestPoa Literária. Foi <a href="http://laeditorialcomun.com/producto/virus-tropical/" target="_blank">a editora dele que lançou o livro na Argentina.</a></p>
<p>Pra saber mais sobre Power Paola:</p>
<p>* Blog <a href="http://powerpaola.blogspot.com.br/" target="_blank">Power Paola.</a></p>
<p>* Blog <a href="http://lapoderosa.megustaescribir.com/" target="_blank">La Poderosa.</a></p>
<p>* <a href="http://www.flickr.com/photos/powerpaola/" target="_blank">Flickr Power Paola</a> &#8211; não deixe de visitar, tem muita coisa bacana.</p>
<p>* <a href="http://www.oh-nena.com/blog/2013/04/entrevista-ilustrada-power-paola/" target="_blank">Entrevista ilustrada com Power Paola.</a></p>
<p>* O que mais escrevi sobre <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/tag/liniers" target="_blank">Liniers ou a Editorial Comun.</a></p>
<p>***</p>
<p>Nos últimos anos, eu venho escrevendo de vez em quando sobre quadrinhos autobiográficos ou jornalísticos. Aqui vai uma pequena lista:</p>
<p>- <a href="eu venho escrevendo de vez em quando sobre quadrinhos autobiográficos ou jornalísticos. Aqui vai uma pequena lista:  - &lt;a href=&quot;http://www.oesquema.com.br/conector/2012/03/04/os-dois-lados-da-moeda.htm&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;Exit Wounds de Rutu Mondam e Notas sobre Gaza de Joe Sacco&lt;/a&gt;. O primeiro, Exit Wounds, traz uma rara visão de uma quadrinista israelense dos conflitos da área. - &lt;a href=&quot;http://www.oesquema.com.br/conector/2011/08/11/the-quitter-harvey-pekar.htm&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;The Quitter do Harvey Pekar&lt;/a&gt; - &lt;a href=&quot;http://www.oesquema.com.br/conector/2011/03/04/jeffrey-brown.htm&quot;&gt;Jefrey Brown&lt;/a&gt; - &lt;a href=&quot;http://www.oesquema.com.br/conector/2010/12/05/french-milk-lucy-knisley.htm&quot;&gt;Lucy Knisley&lt;/a&gt; - &lt;a href=&quot;http://www.oesquema.com.br/conector/2011/01/14/new-orleand-after-the-deluge.htm&quot;&gt;Josh Neufeld&lt;/a&gt; - &lt;a href=&quot;http://www.oesquema.com.br/conector/2010/08/04/epiletico-david-b.htm&quot;&gt;David B.&lt;/a&gt; - &lt;a href=&quot;http://www.oesquema.com.br/conector/2009/11/24/sobre-ir-fundo-em-camadas-horizontais.htm&quot;&gt;Dash Shaw&lt;/a&gt; - &lt;a href=&quot;http://www.oesquema.com.br/conector/2008/10/28/liniers-finalmente-no-brasil.htm&quot;&gt;Liniers&lt;/a&gt; - Alison Bechdel (&lt;a href=&quot;http://www.oesquema.com.br/conector/2009/02/20/fun-home.htm&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt; e &lt;a href=&quot;http://www.oesquema.com.br/conector/2009/02/25/fun-home-revisitado.htm&quot;&gt;aqui&lt;/a&gt;). - &lt;a href=&quot;http://www.oesquema.com.br/conector/2008/01/14/vida-cinza.htm&quot;&gt;Guy Deslile&lt;/a&gt;" target="_blank">Pagando por Sexo</a> de Chester Brown.</p>
<p>- <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/2012/03/04/os-dois-lados-da-moeda.htm" target="_blank">Exit Wounds de Rutu Mondam e Notas sobre Gaza de Joe Sacco</a>. O primeiro, Exit Wounds, traz uma rara visão de uma quadrinista israelense dos conflitos da área.<br />
- <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/2011/08/11/the-quitter-harvey-pekar.htm" target="_blank">The Quitter do Harvey Pekar</a><br />
- <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/2011/03/04/jeffrey-brown.htm">Jefrey Brown</a><br />
- <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/2010/12/05/french-milk-lucy-knisley.htm">Lucy Knisley</a><br />
- <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/2011/01/14/new-orleand-after-the-deluge.htm">Josh Neufeld</a><br />
- <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/2010/08/04/epiletico-david-b.htm">David B.</a><br />
- <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/2009/11/24/sobre-ir-fundo-em-camadas-horizontais.htm">Dash Shaw</a><br />
- <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/2008/10/28/liniers-finalmente-no-brasil.htm">Liniers</a><br />
- Alison Bechdel (<a href="http://www.oesquema.com.br/conector/2009/02/20/fun-home.htm">aqui</a> e <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/2009/02/25/fun-home-revisitado.htm">aqui</a>).<br />
- <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/?s=Guy+Delisle" target="_blank">Guy Delisle</a></p>
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		<title>Em relação à cidade, todo ciclista anda pelado</title>
		<link>http://www.oesquema.com.br/conector/2013/05/10/em-relacao-a-cidade-todo-ciclista-anda-pelado.htm</link>
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		<pubDate>Fri, 10 May 2013 12:51:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No segundo post da série Diários de Bicicleta, contei minha sensação, bastante comum entre quem voltou a pedalar, de ficar mais em contato direto com a cidade: descobrir lojinhas que não via quando andava apenas de carro, me impressionar com aquela fachada de prédio feita de pequeníssimos ladrilhos antigos lindos, atravessar pracinhas escondidas em concavidades [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-6408" alt="4963916925_e63c8ef990_z" src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/05/4963916925_e63c8ef990_z-594x433.jpg" width="594" height="433" /></p>
<p>No <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/2013/03/14/diarios-de-bicicleta-o-olhar-que-precede-a-mudanca.htm" target="_blank">segundo post</a> da série <a href="http://www.oesquema.com.br/conector/tag/diarios-de-bicicleta" target="_blank">Diários de Bicicleta</a>, contei minha sensação, bastante comum entre quem voltou a pedalar, de ficar mais em contato direto com a cidade: descobrir lojinhas que não via quando andava apenas de carro, me impressionar com aquela fachada de prédio feita de pequeníssimos ladrilhos antigos lindos, atravessar pracinhas escondidas em concavidades internas de um bairro aleatório, e por aí vai. De certa forma, essa sensação me lembra um pouco quando o inverno pesado passa e a gente botar de novo as pernas e os braços de fora na primavera &#8211; pescoço, coxas, canelas, antebraços e cotovelos retomam uma exposição subtraída deles durante um período. Nesse retorno, a sensação do sol, do vento e da grama na pele (bem como da pele na pele), que depois se torna corriqueira, é experimentada nas primeiras semanas com um certo frescor. São os divivendos da desproteção.</p>
<p>A bicicleta na cidade dá esse lucro: em relação a andar de carro, ou mesmo de ônibus, você está bem mais desprotegido. Isso pode ser encarado como uma questão de segurança trânsito. Desse ponto de vista, é sinônimo de saber se equipar, de saber andar dentro das orientações técnicas e, também, de uma certa tensão e de uma atenção constantes. Mas também dá pra olhar a desproteção na bicicleta com um viés mais lúdico. Desprotegido da cidade, o ciclista deixa um pouco mais dela entrar por seus poros, não os furinhos na pele, mas os poros gerais dos sentidos.</p>
<p>Por esses poros, muita coisa entra, nem todas desejáveis. As cores, os cheiros, os barulhos e as intenções gerais da rua são experimentadas numa variedade e numa velocidade bastante particulares, diferentes da experiência em carro, na moto, no ônibus ou mesmo a pé. Nos veículos mais rápidos, o buffet urbano é atravessado, cortado. A pé, você se vê invariavelmente envolvido e está numa posição que pode fazer determinadas escolhas. De bicicleta, flutua-se entre o envolvimento e a distância, uma zona esquisita dentro da qual você está munido para colher percepções suficientemente ricas porém sem tempo para desfrutar na hora. O que se absorve terá que ser elaborado e consumido mais tarde. É como passar pelos corredores de uma lojinha, ir enchendo os braços de produtos e só ver de fato o que comprou quando se chega em casa. Andando de bicicleta na cidade, dá pra escolher a lojinha e o corredor, dá pra pegar coisas pelos poros (de carro, ônibus e moto, não), mas não dá pra se certificar 100% de que você pegou só o que queria. Desprotegido, se incorre nesse tipo de descuido e se leva pra nossa casa (física e emocional) bem mais do que se planeja.</p>
<p>Essa nudez relativa é o bônus &#8211; entre alguns ônus conhecidos &#8211; do ciclista urbano, de todo ciclista urbano. Por mais paramentado que seja o ciclista, há uma série de variáveis que estão sumariamente fora de sua alçada. Ele pode ser o mais cartesiano, cuidadoso e paranóico dos ciclistas, mas ainda assim estará permanentemente sujeito às intempéries poéticas e conceituais do ajuntamento mais complexo e interessante que o ser humano já criou.</p>
<p>***</p>
<p>Desenho: <a href="http://www.flickr.com/photos/sarahlippett/" target="_blank">Sarah Lippet.</a></p>
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		<title>Lojinha inocente</title>
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		<pubDate>Wed, 08 May 2013 13:00:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Imagem]]></category>
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		<description><![CDATA[Um aviso&#8230; &#8230; não ache fofinho antes de terminar de assistir.]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/05/Screen-Shot-2013-05-07-at-9.40.55-PM-594x371.png" alt="Screen Shot 2013-05-07 at 9.40.55 PM" width="594" height="371" class="alignnone size-medium wp-image-6404" /></p>
<p>Um aviso&#8230;</p>
<p><iframe src="http://player.vimeo.com/video/4749536?portrait=0&amp;color=ff9933" width="560" height="315" frameborder="0" webkitAllowFullScreen mozallowfullscreen allowFullScreen></iframe></p>
<p>&#8230; não ache fofinho antes de terminar de assistir.</p>
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		<title>Razões para seguir uma religião</title>
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		<pubDate>Sun, 05 May 2013 22:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mini</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Mente]]></category>
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		<category><![CDATA[Karen Armstrong]]></category>
		<category><![CDATA[Religião]]></category>

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		<description><![CDATA[Estava com esse post encrencado há muitas semanas, mas a vinda de Karen Armstrong a Porto Alegre me deu um impulso final pra terminá-lo de uma vez. Armstrong é uma das poucas vozes que tem aparecido nos veículos culturais pra defender a ideia de que as religiões institucionalizadas não são exatamente uma coisa indesejável. Do [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/05/60737192ffec9bfd0592c6a0edd4d695220d59a1_m.jpg" alt="60737192ffec9bfd0592c6a0edd4d695220d59a1_m" width="339" height="480" class="alignnone size-full wp-image-6402" /></p>
<p>Estava com esse post encrencado há muitas semanas, mas a vinda de <a href="http://fronteirasdopensamento.com.br/conferencistas/?5,112" target="_blank">Karen Armstrong</a> a Porto Alegre me deu um impulso final pra terminá-lo de uma vez. Armstrong é uma das poucas vozes que tem aparecido nos veículos culturais pra defender a ideia de que as religiões institucionalizadas não são exatamente uma coisa indesejável. Do ponto de vista mainstream, não parece que as religiões precisem de advogado: o número de praticantes das grandes disciplinas espirituais mundiais ainda é gigantesco e sua influência, maior ainda. Mas, ao menos nos círculos (físicos e digitais) que eu frequento, a palavra &#8220;religião&#8221; vem sendo proferida com uma mistura de desdém e desconfiança, o que me causa um certo desconforto já que eu sou o que se poderia classificar como uma pessoa religiosa. Sei que a maior parte das pessoas que me conhecem provavelmente não me colocaria na mesma turma daquela tia carola, mas vamos ver: eu rezo diariamente, eu vou a templos regularmente, participo de cerimônias, leio livros considerados sagrados, sigo preceitos, tomo votos e respeito autoridades religiosas. Desse ponto de vista (e apenas desse…), eu acabo mais perto da tia carola dos meus amigos do que dos meus amigos.</p>
<p>Para muita gente, ser uma pessoa religiosa hoje significa que você compactua com uma forma de manipulação, uma estrutura de poder, um sistema de pilhagem em grande escala, uma visão arcaica do mundo ou, na melhor das hipóteses, uma instituição caduca. Na base dessas acepções, geralmente estão experiências particulares com a Igreja Católica, o contato midiático com as Evangélicas, a ideia de que o Budismo no Ocidente é um hype e a péssima propaganda gerada por radicais tresloucados que se consideram representantes do Islã (quando, em geral, representam projetos de poder geopolítico). Outros vetores importantes na construção desse conceito de religião são a cruzada de certos intelectuais pelo ateísmo (Richard Dawkins e Christolher Hitchens sendo os mais pop deles), a recente adoção do ateísmo e da ciência como uma espécie de religião laica por muita gente, a disseminação de documentários amparando essa ideia (Zetgeist) e os infindáveis memes anti-clericais que tomaram conta das redes sociais.</p>
<p>A religião e a linhagem que eu sigo não tem qualquer apreço por proselitismo e evangelização mas, justamente por conta das minhas experiências positivas, me sinto compelido a defender a ideia de que a prática espiritual sistematizada traz imensos benefícios. Infelizmente, não tenho muito para oferecer em termos de argumentos a não ser essas experiências que citei, com certeza bastante subjetivas. Que me desculpem, então, os discípulos de Dawkins e Hitchens: esse texto é construído unicamente a partir das minhas observações e reflexões. Suponho que não há muito método científico aqui que não seja o empirismo.</p>
<p>Mas, enfim, diante dos conhecidos perigos da burocratização do caminho espiritual, qual é a grande vantagem que eu vejo em seguir um método organizado? Eu elegi quatro pontos que são importantes na minha prática espiritual pessoal: 1) O método 2) Ter aonde ir 3) Parceria 4) Referenciais vivos. </p>
<p>Em primeiro lugar, é justamente o fato de se existir um método. Para quem compreende o caminho espiritual como um processo de investigação a respeito de si, do mundo, do universo, da sociedade e do que regeria tudo isso, ter um método à mão coloca questões existenciais, por definição bagunçadas, dentro de uma moldura. O papel dessa moldura, a meu ver, não é (ou não deveria ser) congelar as dúvidas para pregá-las na parede e venerá-las emolduradas, mas sim confrontar o que nos é internamente nebuloso com uma estrutura de pensamento, o que costuma jogar alguma luz sobre a nebulosidade. O método, quando legítimo, também fornece fundamentais ferramentas de navegação interna. Como ferramenta, aliás, a moldura não tem uma utilidade final, ela não é o objetivo. Todos os mestres budistas que ouvi disseram que, resolvido o que o caminho se propõe, a ferramenta deveria ser abandonada, se torna desnecessária.</p>
<p>Uma curiosidade adicional: a convivência com um caminho espiritual que tem métodos muito bem delineados me fez perceber que, na maior parte das vezes, as pessoas que criticam os métodos religiosos vivem cercadas de outros tipos de métodos. E, frequentemente, submetem-se a esses métodos de forma absolutamente dogmática. O ambiente das artes e o mundo corporativo, dois exemplos que eu conheço bem, são pródigos nesse tipo de comportamento.</p>
<p>Bom, vamos adiante.</p>
<p>Em segundo lugar, um caminho espiritual formal traz o benefício de ter aonde ir. A criação de templos e centros de prática oferece um destino geográfico, um lugar de reunião e também um intervalo dos lugares que frequentamos cotidianamente. Os locais urbanos para prática espiritual são, via de regra, pequenos oásis de tranquilidade em meio ao caos. Os centros que ficam fora das cidades costumam oferecer contato com a natureza e com uma vida mais simplificada, dois elementos por si só catalisadores de reflexão e de cura psíquica. É claro que não é preciso vincular-se a uma religião para ter esse tipo de experiência. Mas é diferente quanto ela vem acompanhada do item anterior, o método, e de todo um contexto que induz à contemplação e não apenas a mais alienação sensorial.</p>
<p>Em terceiro lugar, um caminho espiritual formal provê parceria na busca. No momento em que você encontra a estrutura que lhe serve, automaticamente tem contato com outras pessoas que tiveram a mesma necessidade e o mesmo encontro. O contato com um grupo de praticantes do mesmo método permite que você contemple as questões cruciais que o levaram até ali sendo examinadas por outras pessoas, à luz de suas próprias dificuldades e de todo seu cardápio próprio de condicionamentos. É claro que emoldurar a diversidade com o método gera o risco de aplainar as inclinações e manifestações pessoais. Mas, por outro lado, se estamos falando de um método e de um local genuínos, a diversidade do grupo surge ainda mais flagrante, colorida e interessante. Não existe grupo de busca espiritual isento de diferenças, embates e dissidências. Pelo contrário, muitas vezes o método tende a exacerbar as diferenças de forma que as pessoas se obriguem a se flexibilizarem e a trabalhar com elas. Em duas ou três palestras, já vi a Monja Coen, da tradição zen budista, colocar da seguinte forma sua experiência de treinamento intenso em um mosteiro no Japão: as monjas são como bolinhas de ferro cheias de pontas colocadas em um mesmo recipiente fechado. Aquele recipiente, então, é sacudido. As bolinhas se chocam umas com as outras freneticamente até que, pelo atrito, as pontas sejam aparadas e fiquem lisinhas, lisinhas… Claro: para que o atrito não termine em guerra, é preciso método, objetivos comuns e muito manejo.</p>
<p>Em último lugar, o que talvez seja o mais importante, uma religião formal de tradição confiável costuma oferecer pessoas que são a referência viva do caminho. Em <a href="http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2013/05/karen-armstrong-abre-edicao-2013-do-fronteiras-do-pensamento-4127431.html" target="_blank">entrevista para a Zero Hora no último sábado, Karen Armstrong faz essa observação importante</a>: <em>&#8220;Devo falar sobre a natureza do conhecimento religioso, lembrando que é um conhecimento derivado da prática – especialmente a prática da compaixão – e não da correção doutrinária. É como nadar ou dirigir, algo que só é possível aprender através da prática diligente e não pela leitura de livros e textos.&#8221;</em> Ou seja, uma referência é alguém que colocou em prática os ensinamentos da religião de forma tão íntegra que se tornou os ensinamentos. Se levarmos em consideração os aspectos mais essenciais de todo método espiritual que possa se dizer humano, que são o amor e a compaixão*, qualquer pessoa que queira ser uma referência desse método deveria necessariamente ser a corporificação do amor e da compaixão, não de forma particular e apenas servindo ao seu método, mas de maneira verdadeiramente ampla e universal. </p>
<p>Pra fechar, então.</p>
<p>Não é preciso chover no molhado: vivemos numa época em que as principais questões sociais perderam seu esquema de regulagem. As religiões institucionalizadas, em muitos casos, eram a baliza principal desse esquema. Talvez essa desconexão entre certas instituições religiosas e a sociedade tenha alguns frutos interessantes. Um deles é a necessidade de reformas e adequações na relação com as pessoas em geral. Outro, mais importante, seria o resgate do papel essencial das religiões de promover caminhos universais de amor e compaixão por meio do trabalho interno. </p>
<p>***</p>
<p>* Uma vez que amor e compaixão são palavras de significados amplos, ressalto que usei aqui as definições que aparecem em textos do budismo tibetano. Nesse caso, amor seria &#8220;o desejo de que o outro encontre a felicidade e as causas da felicidade&#8221; e compaixão, &#8220;o desejo de que o outro se livre do sofrimento e das causas do sofrimento.&#8221;</p>
<p>Imagem: <a href="http://ffffound.com/image/60737192ffec9bfd0592c6a0edd4d695220d59a1" target="_blank">daqui.</a></p>
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		<title>Por que o anúncio da Unicef é importante</title>
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		<pubDate>Thu, 02 May 2013 13:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Semana passada, o anúncio acima, criado pela agência sueca Forsman &#38; Bodenfors, circulou pela rede angariando os comentários mais previsíveis dos últimos tempos. De um lado, a maior parte das pessoas que eu vi se manifestar se limitou a parabenizar a coragem do anúncio de dar um tapinha na cara dos ativistas de sofá. Outros [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/04/unicef-594x840.jpg" alt="unicef" width="594" height="840" class="alignnone size-medium wp-image-6398" /></p>
<p>Semana passada, o anúncio acima, criado pela agência sueca <a href="http://www.fb.se/" target="_blank">Forsman &amp; Bodenfors</a>, circulou pela rede angariando os comentários mais previsíveis dos últimos tempos. De um lado, a maior parte das pessoas que eu vi se manifestar se limitou a parabenizar a coragem do anúncio de dar um tapinha na cara dos ativistas de sofá. Outros criticaram a ideia, lembrando que o Facebook ajuda sim a dar visibilidade a muitas causas que não tem condições de pagar mídia de massa ou apelo suficiente para ganharem tempo no noticiário. Na verdade, os dois lados tem razão e flutuar entre esses dois pólos é o grande predicado desse anúncio. Algumas pessoas podem achá-lo um pouco sensacionalista, meio golpe baixo. Mas toda chamada que funciona tem um pouco de maldade, uma certa malícia que fica no limite.</p>
<p>O mais importante, nesse caso, é que o anúncio da Unicef parece funcionar também como resgate de uma tradição de redação publicitária clássica que vem dos anos 60 e prova ainda ter um poder incrível de enganchar o leitor mesmo veiculando intensamente em blogs e redes sociais &#8211; ambientes repletos de ruído. A chamada é direta, sintética e limpa, baseada em um argumento único, claro, acessível e totalmente relevante na conversa atual. É o tipo de fala que estava na boca de muita gente &#8211; algum redator esperto foi o mais rápido em capitalizar em um anúncio. Essa capacidade de síntese e de simplicidade é o tipo de trabalho vital para causas e entidades sociais hoje, muitas vezes perdidas no seu trabalho de comunicação por estarem sendo atendidas por publicitários mais interessados em pirotecnias que rendam prêmios.</p>
<p>Antes que alguém queira polêmica, já deixo claro que nesse assunto eu também não escolho lado: acho importante as ações elaboradas e complexas, sei que elas tem seu papel e costumam ajudar. Mas também sei que muitas vezes há entidades precisando mesmo é de um bom folder com um texto decente. Melhor ainda se for uma chamada ganchuda e inteligente.</p>
<p>***</p>
<p>Ainda sobre o assunto redes sociais e causas, aproveito e re-colo aí embaixo o resumo que fiz quando fui ao Rio+Social em 2011. Coloque em full-screen ou faça um download pra ler sem problemas.</p>
<p><iframe src="http://www.slideshare.net/slideshow/embed_code/13471025?rel=0" width="512" height="421" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no" style="border:1px solid #CCC;border-width:1px 1px 0;margin-bottom:5px" allowfullscreen webkitallowfullscreen mozallowfullscreen> </iframe>
<div style="margin-bottom:5px"> <strong> <a href="http://www.slideshare.net/gustavomini/riosocial-13471025" title="Rio+Social" target="_blank">Rio+Social</a> </strong> from <strong><a href="http://www.slideshare.net/gustavomini" target="_blank">Gustavo Mini</a></strong> </div>
</p>]]></content:encoded>
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		<title>Dicas de trabalho de uma ex-bike messenger</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Apr 2013 13:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No vídeo abaixo, que eu tirei de um post da Fast Company, a ex-bike messenger Kim Perfetto conta rapidamente quais eram suas regras particulares pra conseguir se manter sã no trabalho de bike messenger, os &#8220;motoboys de bicicleta&#8221;, muito comuns em algumas cidades americanas. O tema do vídeo não é propriamente segurança de bicicleteiro no [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/04/3008464-inline-inline-1-badass-nyc-bike-messenger-turned-soulcycle-instructor-managing-chaos-work-594x334.jpg"/></p>
<p>No vídeo abaixo, que <a href="http://www.fastcompany.com/3008464/work-smart/nyc-bike-messenger-turned-soulcycle-instructor-managing-and-staying-calm-chaos" target="_blank">eu tirei de um post da Fast Company</a>, a ex-bike messenger Kim Perfetto conta rapidamente quais eram suas regras particulares pra conseguir se manter sã no trabalho de bike messenger, os &#8220;motoboys de bicicleta&#8221;, muito comuns em algumas cidades americanas.</p>
<p><iframe width="560" height="315" src="http://www.fastcompany.com/embed/7e851acb4ccee" frameborder="0" scrolling="no" allowfullscreen></iframe></p>
<p>O tema do vídeo não é propriamente segurança de bicicleteiro no trânsito, mas sim que habilidades você desenvolve ao pedalar na cidade e que podem ser úteis em outras situações. Não espere nenhuma grande epifania, mas sempre acho esse universo interessante, especialmente na sua estética. Não é pra menos que os bike messengers <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bicycle_messenger#Messenger_culture_and_influence" target="_blank">já foram tema de romances, filmes e seriados.</a></p>
<p>Pensando alto: tá faltando no Brasil ainda um grande fenômeno de mídia que mostre a cultura dos motoboys, não? Acho que já aconteceu alguma coisa nichada, mas, se não me engano, nada ainda do nível das empreguetes da novela das sete&#8230;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Pagando por Sexo de Chester Brown</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Apr 2013 13:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gustavo Mini</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Lançado no ano passado no Brasil, Pagando por Sexo é um romance-estudo-resportagem-autobiografia no qual o canadense Chester Brown conta detalhadamente como chegou à decisão de se relacionar sexualmente apenas com prostitutas, abandonando a ideia do amor romântico e do &#8220;sexo gratuito&#8221; como parte inerente de uma relação afetiva. O tema é cabeludo, mas a habilidade [...]]]></description>
				<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone size-medium wp-image-6389" alt="4ulv4tuubl695qfb12ckwrx0v" src="http://www.oesquema.com.br/conector/wp-content/uploads/2013/04/4ulv4tuubl695qfb12ckwrx0v-594x371.jpg" width="594" height="371" /></p>
<p>Lançado no ano passado no Brasil, <a href="http://www.wmfmartinsfontes.com.br/detalhes.asp?ID=553273" target="_blank">Pagando por Sexo</a> é um romance-estudo-resportagem-autobiografia no qual o canadense Chester Brown conta detalhadamente como chegou à decisão de se relacionar sexualmente apenas com prostitutas, abandonando a ideia do amor romântico e do &#8220;sexo gratuito&#8221; como parte inerente de uma relação afetiva. O tema é cabeludo, mas a habilidade de Brown como narrador e ilustrador, já reconhecidas no meio literário, resolve tudo. Além de tornar uma reflexão cultural interessante e divertida, Pagando por Sexo enfileira causos e argumentos (inclusive com uma polpuda bibliografia) para sustentar moralmente e socialmente a escolha de seu autor.</p>
<p>Questões sexuais à parte, o que mais me chamou a atenção no livro foi o fato de Brown ter construído e divulgado formalmente uma via pouco usual de relação com mulheres. Não me interessa discutir os motivos da escolha ou investigar suas emoções, mas sim o fato notável dele ter aberto esse espaço, ainda que isso tenha acontecido em um país como o Canadá, que me parece ser mais tolerante à diversidade. Pagando por Sexo, nesse sentido, é fascinante.</p>
<p>Dias depois, lendo &#8220;Cultura, Um Conceito Antropológico&#8221; de Roque de Barros Laraia (<a href="http://www.google.com.br/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=1&amp;cad=rja&amp;ved=0CDUQFjAA&amp;url=http%3A%2F%2Fdisciplinas.stoa.usp.br%2Fmod%2Fresource%2Fview.php%3Fid%3D41050&amp;ei=yp12UfejLK-60QGS9oHYDA&amp;usg=AFQjCNFS-HOK0B3_Pbrc66dSHTqGC6EZ2A&amp;sig2=y7shi7Su6nX0G2nI-VGOww&amp;bvm=bv.45512109,d.dmQ" target="_blank">clique aqui com o botão direito pra baixar em PDF</a>), me deparei com esse parágrafo abaixo. É uma pequena ode à diversidade cultural do ser humano e na hora pensei que descreve bem o que senti lendo Pagando por Sexo:</p>
<p><em>&#8220;Não se pode ignorar que o homem, membro proeminente da ordem dos primatas, depende muito do seu equipamento biológico. Para se manter vivo, independente do sistema cultural ao qual pertença, ele tem que satisfazer um número determinado de funções vitais, como a alimentação, o sono, a respiração, a atividade sexual etc. Mas, embora estas funções sejam comuns a toda humanidade, a maneira de satisfazê-las varia de uma cultura para outra. É esta grande variedade na operação de um número tão pequeno de funções que faz com que o homem seja considerado um ser predominantemente cultural.&#8221;</em></p>
<p>Não se deveria cobrar de todos que aceitem ou apreciem a diversidade. Contemplá-la como fato já seria um belo começo.</p>
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