Conector http://www.oesquema.com.br/conector por Gustavo Mini Thu, 17 Apr 2014 12:06:28 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.6 Mais do mix de política e cultura pop http://www.oesquema.com.br/conector/2014/04/17/mais-do-mix-de-politica-e-cultura-pop.htm http://www.oesquema.com.br/conector/2014/04/17/mais-do-mix-de-politica-e-cultura-pop.htm#comments Thu, 17 Apr 2014 11:55:30 +0000 Gustavo Mini http://www.oesquema.com.br/conector/?p=7154 2014-04-09 08.09.06

Essa capa da semana passada do jornal Zero Hora é mais um item pra minha coleção de mashup de política e cultura pop (embora não seja política formal diretamente). Escrevi sobre isso no mês passado no post As Eleições Deste Ano Vão Ser Pura Cultura Pop.  E complementei em seguida com outro post sobre as versões de Happy do Pharrell falando de Porto Alegre e Rio de Janeiro.

Dias depois do meu primeiro post, me avisaram que tinha recém saído do forno o mapa da política brasileiro inspirado em Game of Thrones. Eu ia linkar o site original onde o mapa foi publicado, mas ele está fora do ar.

size_590_Versão_nacional_de_Game_of_Thrones_com_políticos_brasileiros

Aliás, não são apenas os nerds de fazem conexões entre cultura pop e vida cotidiana. O Jean Wyllys escreveu há poucas horas um post no seu Facebook fazendo uma análise da situação eleitoral e citando Game of Thrones. Segundo a Veja, tanto a Dilma como o  Vice-Presidente Michel Temer são fãs confessos do seriado mágico-medieval. Se bem que… a Dilma é meio nerd, né?

Mais adiante, vou sentar de novo pra continuar a escrever sobre a tendência. Stay tuned!

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Carta aberta ao fantasma de Kurt Cobain http://www.oesquema.com.br/conector/2014/04/15/carta-aberta-ao-fantasma-de-kurt-cobain.htm http://www.oesquema.com.br/conector/2014/04/15/carta-aberta-ao-fantasma-de-kurt-cobain.htm#comments Tue, 15 Apr 2014 16:30:09 +0000 Gustavo Mini http://www.oesquema.com.br/conector/?p=7143 584px-Kurt_cobain3

Caro Kurt

Hoje faz 20 anos e 10 dias que você morreu. A data normal pra escrever algo seria 10 dias atrás, mas como você era um cara alternativo, eu pensei “que coisa mais corporativa essa história de 20 anos! Eu vou chutar o pau da barraca e esperar 10 dias”. Sim, foi por isso que demorei, não foi porque me esqueci da data.

Achei por bem fornecer um pouco de contexto pra falar desses 20 anos. Caso não tenha internet onde você está, é bom avisar que o mundo pop mudou consideravelmente. A primeira coisa digna de nota é que a geração de vocês foi a última que deu a impressão de que poderia fazer alguma diferença através do rock. E, com isso, não estou querendo dizer que não surgiram bandas interessantes, criativas e relevantes nesse meio tempo. Surgiram sim. Mas, que eu me lembre, da parte da audiência ninguém mais espera que elas causem algum tipo de rutpura cultural. Todo mundo procura isso em outros lugares, não mais nos palcos ou nos discos. O rock se tornou apenas rock. Tu vê só, se isso acontecesse naquela época, talvez menos peso recaísse sobre seus ombros. Vai saber.

Lembra quando você apareceu na capa da Rolling Stone com uma camiseta dizendo “Corporate magazine still suck”? Pois é, eu sei que na época isso meio que causou, dividindo o pessoal entre os que aplaudiam a sua rebeldia e os que chamavam isso de rebeldia de butique, afinal que rebeldia havia em aparecer na capa da Rolling Stone? Hoje essa camiseta seria desnecessária porque não há mais praticamente resistência alguma. Rock e corporações convivem bem e servem um ao outro quando preciso. Pouca gente faz drama quanto a isso e parece que o sonho de uma boa parte da juventude não é contrapor, mas sim construir a sua própria corporação. Em vez de bandas, o pessoal está montando startups. Loucura, né?

Outra coisa curiosa é o que aconteceu com as roupas que vocês usavam. Cara, definitivamente aquela história de se vestir de qualquer jeito, com umas roupas meio detonadas e tal, aquilo não vingou MESMO. Hoje o pessoal mais alternativo se veste direito, como se estivesse indo sempre a uma reunião de negócios, e se você quer NOMES pra saber quem começou com essa moda, procure pelo pessoal do Strokes. Eles até tiravam uma certa onda de sujinhos, mas não eram não, foi ali que começou isso de se vestir decentemente. Bom, goste-se ou não, a moda pegou. Alguns grandes estilistas até vem tentando reeditar uma suposta moda grunge, mas na verdade é só roupa dos Strokes com estampas xadrez.

A mesma coisa aconteceu com o som. O arquétipo da sua turma era o vocal gritado e as guitarras bem distorcidas. Embora sempre apareçam umas bandas mais pesadas aqui e ali, o arquétipo do momento são vocais com gritinhos e guitarras com pouca distorção. O que, de novo, não é um problema em si. Mas quando vocês apareceram tinha aquela ideia de resgate de um rock mais sujo depois do som mais processado dos anos 80. Agora, riffs de rock e gritos são assunto de super DJs de pop e filmes infantis. Tá anotando?

Juro que não tô querendo fazer fofoca. Isso tudo é só contextualização. O ambiente muda externamente, mas lá no fundo o que é importante permanece importante. E eu resgatei essas mudanças porque me lembrei que o legado que você e sua turma nos deixaram não tem a ver com rebeldia anti-corporativa, com roupas detonadas e um som mais sujo. Não. Isso era só o invólucro, a embalagem. Tinha uma coisa maior, mais forte e que eu levo comigo até hoje.

Era uma certa conexão com a energia primal e desorganizada que a gente carrega dentro, lá no fundo. O lado escuro da lua. A nossa caixa de gordura. De tempos em tempos, surgem artistas que conseguem construir uma ponte entre esse subterrâneo e o mundo da superfície. Todo mundo sai ganhando quando aparecem artistas assim que, em vez de abafar o que vem dos subterrâneos do ser humano, conseguem processá-lo e trazê-lo à superfície de um jeito que as pessoas intuem que é subterrâneo mas não viram a cara nem tampam o nariz, e sim CURTEM. Entende? Ganhar as pessoas com florzinhas e pôneis é barbada. Mas com o esgoto? Cara… isso já é um talento de se fazer num pequeno segmento, reconhecido por alguns fãs e especialistas. E vocês fizeram vendendo milhões de discos no mundo inteiro, influenciando milhões de outros artistas, servindo de catalisadores pra toda uma mudança que estava acontecendo no mundo.

É realmente triste que você, como pessoa, não tenha sobrevivido a esse processo. Porque acho que o mundo volta e meia precisa de uma chacoalhada através dessa conexão direta entre subterrâneo e superfície. Não que as coisas estejam muito tranquilas e precisem de esgoto extra. Mas é que coletivamente a gente tem uma tendência de ficar passando Bom Ar em vez de abraçar o subterrâneo e processá-lo. Por mais bagunçado que você estivesse, era bom ter a sua contribuição artística de corpo presente nesse assunto.

Abraços aê
Gustavo Mini

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Desenho: Thomas Mikael / WikiCommons

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Crianças e tecnologia: é preciso mostrar quem é que manda http://www.oesquema.com.br/conector/2014/04/10/criancas-e-tecnologia-e-preciso-mostrar-quem-e-que-manda.htm http://www.oesquema.com.br/conector/2014/04/10/criancas-e-tecnologia-e-preciso-mostrar-quem-e-que-manda.htm#comments Thu, 10 Apr 2014 13:11:33 +0000 Gustavo Mini http://www.oesquema.com.br/conector/?p=7135 bitskids

“Quando nos deslumbramos ou nos apavoramos com uma criança que mexe com desenvoltura em um iPad, perdemos uma perspectiva de liberdade e conferimos uma certa aura mágica e misteriosa à tecnologia digital. Não há dúvidas de que essas cenas sejam cativantes, mas a verdade é que precisamos mostrar para as crianças de uma vez por todas quem é que manda. Não quem é que manda nelas, e sim nos aparelhos, sites e aplicativos que usamos diariamente. A maior parte deles é bem mais carente do que nossos filhos pois foram desenvolvidos de forma que precisamos lhes dar uma atenção tão constante que nem o mais indefeso dos bebês consegue rivalizar.

É muito fácil nos deixarmos levar pelo mar de notificações e conteúdos que chegam sem parar via email, mensagens de texto, chats e feeds de redes sociais porque esses sistemas são construídos assim, para gerar fluxos e engajar nossa atenção 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano até o fim dos tempos. Mas, apesar de parecer que sim, eles não tem vida própria e é uma decisão particular de cada um de nós aprender a regular a entrada de notificações e conteúdos em nosso campo de interesse. Está literalmente nas nossas mãos decidir quando vamos ler ou assistir o que está chegando.”

Trecho de um artigo meu sobre a relação de crianças, adultos e tecnologias digitais que saiu na Estilo Zaffari #66. A revista está à venda na rede Zaffari/Bourbon de supermercados, mas também dá pra ler online aqui no Issuu. Ou no embed abaixo. As ilustrações do artigo ficaram a cargo do meu parceiro Guilherme Dable.

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O problema do Facebook é que ele acredita em tudo que a gente pensa http://www.oesquema.com.br/conector/2014/04/08/o-problema-do-facebook-e-que-ele-acredita-em-tudo-que-a-gente-pensa.htm http://www.oesquema.com.br/conector/2014/04/08/o-problema-do-facebook-e-que-ele-acredita-em-tudo-que-a-gente-pensa.htm#comments Tue, 08 Apr 2014 12:02:57 +0000 Gustavo Mini http://www.oesquema.com.br/conector/?p=7128 facebook_pessoas_dancando

Um dos conselhos mais interessantes que eu já li em textos budistas foi o seguinte: “não acredite em tudo que você pensa”. Esse não é um conselho fácil de se entender inteiramente, muito menos de botar em prática. Embora todo mundo saiba mais ou menos o que são os pensamentos, a sua natureza, propriedades e funcionamento exato constituem um grande mistério pra maior parte de nós. Temos mais convivência do que propriamente intimidade com nossos pensamentos e eles costumam funcionar muito bem à nossa revelia.

As redes sociais se tornaram um campo através do qual nossos pensamentos se manifestam de um jeito novo, mais intenso e presente. Muito do que antes ficava apenas na nossa mente, em forma de palavras, imagens ou sensações, esperando uma oportunidade de manifestação num suporte físico, agora não precisa mais esperar. Essas pequenas moratórias, essa lacuna entre o surgimento de certos pensamentos na mente e a sua externalização foram extintas em muitos casos da cultura digital, dando vazão ininterrupta a um imaginário que antes ficavam por ali, surgindo, dançando, esmaecendo e sumindo.

O Facebook, em especial, se tornou um território saturado de pensamentos precoces materializados em frases e imagens (próprias, citadas ou remixadas) que agora dão um pouco mais de consistência ao que na verdade não tem peso, cor, forma ou som e que, frequentemente, não tem também um significado muito essencial. Fossem palavras em rodas de chopp, alguns pensamentos não durariam mais que alguns minutos. No Facebook, eles são lidos, curtidos, compartilhados, respeitados ou ridicularizados com um peso que muitas vezes nem merecem. O chopp aqui faz falta como o verdadeiro balizador do que vale a pena – depois de uma certa hora, nada!

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Assim como uma torcida organizada, um conjunto muito grande de pensamentos ralos ganha uma certa densidade que sequestra nossa atenção. Por exemplo, nas discussões hoje polarizadas sobre política e comportamento, declarações superficiais somadas em quantidade dão uma ideia dos movimentos culturais da sociedade. E isso é algo que não pode ser desprezado. Em março, o Outras Palavras publicou a matéria “Facebook: um mapa das redes de ódio”, que trazia um estudo do Laboratório de Estudos sobre Imagens e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo sobre as redes de admiradores da Polícia Militar. Na pesquisa do professor Fábio Malini, um dos destaques é a proliferação viral de um discurso de ode à repressão, num círculo vicioso que endeusa a ideia de uma PM violenta contra determinados grupos. Ideologias à parte, eu tenho quase certeza que a imensa maioria das pessoas que repassa esses conteúdos não são pessoas violentas por si, não seriam capazes de agir de forma autônoma conforme seus posts. Elas estão, quase sempre, operando no modo roda de chopp, desabafando seus medos e exercitando teorias – com o agravante de que numa cultura digital a roda de chopp tende a ter uma dinâmica bem mais intensa na propagação e na perenidade dos conteúdos da mesa.

A tecnologia digital não é neutra nesse processo pois, da forma como está configurada nas nossas vidas, ela incentiva o comportamento impulsivo e impensado. É mais ou menos como aquelas chamadas de operadora de celular: “fale ilimitado pagando apenas 5 centavos por dia”. Primeiro, por 5 centavos eu falo qualquer bobagem. Segundo, quem disse que falar ilimitado é uma coisa boa e desejável o tempo todo? Muito do peso que se dá aos pensamentos, hoje, vem dess nova relação que está se estabelecendo entre o pensar e o manifestar o pensamento ou entre o pensar e o agir.

Mas então, veredicto final: acreditar ou não acreditar nesses pensamentos fugidios que ganham um status além do merecido nas redes sociais? Minha aposta: é preciso acreditar não acreditando, dar atenção para compreender seus conteúdos sociais (e responder da forma mais eficiente) mas sem esquecer que não é deles que emana o peso e a concretitude, mas sim da relação que cada um tem com eles.

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Hanna Arendt: um bom filme pra ver nessa semana de reflexões sobre o Golpe de 64 http://www.oesquema.com.br/conector/2014/04/03/hanna-arendt-um-bom-filme-pra-ver-nessa-semana-de-reflexoes-sobre-o-golpe-de-64.htm http://www.oesquema.com.br/conector/2014/04/03/hanna-arendt-um-bom-filme-pra-ver-nessa-semana-de-reflexoes-sobre-o-golpe-de-64.htm#comments Thu, 03 Apr 2014 13:00:38 +0000 Gustavo Mini http://www.oesquema.com.br/conector/?p=7116

Com a reação quase histérica dos nossos bizarros conservadores diante de tantas manifestações condenando o Golpe Civil-Militar de 64, é impossível não lembrar de Hanna Arendt, a filósofa alemã que cunhou a expressão “banalidade do mal”, e principalmente de Hannah Atendt, o filme de 2012 que resume tão bem um dos pilares de sua filosofia. Dirigido pela alemã Margarethe Von Trotta, a biopic de Arendt é considerada por Roger Berkowitz, diretor do Hannah Arendt Center, um belo veículo para a divulgação das ideias de sua protagonista. Inclusive, escreveu ele na Paris Review, “o filme deveria se chamar ‘A Mais Sofisticada Leitura de Hannah Arendt A Alcançar uma Audiência Mainstream Até Hoje’.”

A noção de “banalidade do mal” nasceu da famosa cobertura que Arendt fez do julgamento do oficial da Gestapo Adolf Eichmann para a revista The New Yorker em 1961. Nela, a filósofa desafiou a opinião pública e todo um circuito intelectual ao propôr que o mal causado por Eichmann não vinha do fato dele ser um monstro e sim uma pessoa medíocre e burocrática. O artigo se transformou em um livro seminal e detonou o que Berkowitz chamou de “guerra civil intelectual”.

Não me sinto em posição de escrever sobre o Golpe (ou sobre Hannah), mas trago a lembrança do filme mais como um complemento de reflexão em relação às pessoas que hoje defendem na internet a ditadura e toda a cultura autoritária e violenta que ela suscita. Falo por mim: acho difícil processar adequadamente a indignação com quem relativiza os atos do regime militar e sua herança nefasta, mas sinto que vale o esforço de não distribuir indiscriminadamente rótulos de monstros a quem simplesmente é impulsivo, impensado e irresponsável com seu teclado. Por que vale isso? Porque me parede que é melhor responder a essas atitudes sempre baseado em uma reflexão mais aguda, embasada em lucidez, do que também agir impulsivamente e projetar todo um cenário de “monstros do lado de lá” que inflama ainda mais o ambiente. Esse espaço de reflexão radical, de resistência à resposta automática e rotuladora é uma das grandes lições que tirei do filme.

Preste atenção quando você for assistir: uma boa percentagem da narrativa é preenchida com cenas de Arendtsimplesmente PENSANDO em seu escritório, em casa, ou em uma de suas viagens. O tempo todo, Arendt é retratada pensando, pensando, pensando. O que é muito significativo e, no texto da Paris Review, Berkowitz explica:

“Paralisada pelo perigo da falta do pensar, Arendt passou sua vida pensando sobre o pensar. Poderia o pensar, ela pergunta, nos salvar da disposição de muitos, senão da maioria, de participar de maldades burocraticamente regulamentadas como foi o extermínio administrativo de seis milhões de judeus? Pensar, como Arendt considera levanta obstáculos a supersimplificações, clichês e convenções. Apenas pensar, argumenta ela, tem o potencial de nos lembrar da nossa dignidade humana e nos libertar para resistirmos a nosso próprio servilismo. Esse tipo de pensar, do ponto de vista de Arendt, não pode ser ensinado, apenas exemplificado. Não podemos aprender o pensar através de catecismo ou estudo. Aprendemos o pensar apenas através da experiência, quando somos inspirados por aqueles cujo pensar se introjeta em nós – quando encontramos alguém que se destaca da multidão.”

Nesses tempos confusos, assistir Hannah Arendt, se não lê-la, é ser lembrado por sua própria figura de que precisamos parar e pensar, pensar, pensar, pensar, pensar, antes de distribuirmos máscaras de monstros. Desumanizar aqueles que defendem ideias autoritárias e anti-humanistas rende bons memes mas tem pouca serventia prática a longo prazo numa democracia. Não acho nada confortável considerar que os filhotes digitais do Bolsonaros sejam mesmo meus parceiros de espécie, mas colocá-los do “outro lado” pode ser também muito perigoso. Primeiro, porque denota pouco penso. Segundo, consequentemente, porque essa atitude de escolher lados tão bem definidos é o ingrediente básico na formação dos regimes totalitários e ditatoriais mesmo (ou especialmente) quando estamos “do lado certo”.

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O filme Hanna Arendt mexeu comigo em diversos níveis. Um deles foi o estético. Além das frequentes sequências com a personagem principal pensando, chama a atenção também o ritmo sóbrio e o ar cool da produção – tanto em figurino, direção de arte e elenco quando nas escolhas narrativas, com uma ênfase em mostrar a mescla de vida social com intelectual de Arendt num clima BEM anos 60 como gostamos de imaginar os anos 60. Ou seja, pensadores fumando, bebendo e tirando conclusões em encontros informais e relações amorosas dúbias. Acredito que para um certo público (meio intelectual, meio de esquerda, diria Antônio Prata), dá vontade de estar no meio daquelas reuniões. Eu fiquei com essa vontade, pelo menos.

Ponto pra diretora, porque é aquela coisa: assuntos grotescos como o holocausto precisam às vezes do fator organizador da arte para terem algumas de suas questões melhor compreendidas e digeridas.

Ps: vale ler a crônica do Contardo Calligaris sobre o filme Hanna Arendt. A tese de mestrado dele foi desdobrando algumas ideias dela.

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O que eu aprendi no Treinamento Nesta/British Council para Empreendedores Criativos http://www.oesquema.com.br/conector/2014/03/31/o-que-eu-aprendi-no-treinamento-nestabritish-council-para-empreendedores-criativos.htm http://www.oesquema.com.br/conector/2014/03/31/o-que-eu-aprendi-no-treinamento-nestabritish-council-para-empreendedores-criativos.htm#comments Mon, 31 Mar 2014 13:00:47 +0000 Gustavo Mini http://www.oesquema.com.br/conector/?p=7105 1511090_10152235946541072_21774333_n

A palavra “criativo” é um grande problema. Em geral, as pessoas associam “criativo” a coisa “loucas”, “diferentes”, “irreverentes”, “fora da casinha”. Instalações de arte contemporânea, games bizarros, utensílios de cozinha inusitados, filmes experimentais, todos são considerados “criativos” enquanto que o planejamento dos produtores culturais, o fluxo de caixa da empresa de games, os relatórios do contador do estúdio de design e a planilha orçamentária da produtora de cinema são “uma encheção de saco”, “um mal necessário”, alienígenas incompreendidos em um planeta no qual todos praticam bullying com a burocracia.

Combinar na prática esses dois mundos, o pragmático com o imaginativo, foi a lição de fundo que eu aprendi no Treinamento Nesta para Empreendedores Criativos que freqüentei semana retrasada aqui em Porto Alegre. Durante 4 dias, eu e outras 19 almas perdidas fomos recebidos gratuitamente na Escola de Design da Unisinos para um excelente workshop promovido pela Secretaria da Cultura do Governo do RS numa parceria com o British Council e o NESTA, este último o responsável pela metodologia e pelo conteúdo do evento.

Assim como eu, todos os outros integrantes do treinamento estão trabalhando em projetos profissionais ligados à economia criativa. Entre as ideias sendo gestadas ou aperfeiçoadas estavam uma iniciativa de microcrédito para artesãos, uma ocupação cultural de um prédio histórico semi-abandonado, uma produtora de vídeos comerciais com abordagem documental, estúdios de animação, um app para o universo da cerveja artesanal, uma marca de moda, uma entidade associativa para marcas de moda, enfim, empreendimentos que são baseados muito mais em capital intelectual do que financeiro ou físico.

LYOSCB

Criado na Inglaterra como parte de um vasto programa de inovação com foco na economia criativa, o objetivo do Treinamento Nesta é submeter os projetos (ou ideias seminais) a uma bateria de exercícios e dinâmicas que permitem construir, revelar ou refinar seus pilares conceituais e operacionais com a ajuda dos companheiros de workshop. Essa metodologia não é novidade para os empreendedores seriais, para os que já vivem imersos na roda viva das aceleradoras, da busca por investidores, dos livros de negócio. Mas se eu fosse me basear na pequena amostragem desse Treinamento, daria pra dizer que 80% dos empreendedores criativos não tem seus projetos totalmente estruturados de maneira que sobrevivam a suas próprias contradições e lacunas – que dirá a fatores externos. A verdade é que mesmo com a disseminação da cultura e do vocabulário médio das startups no Brasil, a noção de modelar um negócio criativo de maneira formal ainda causa calafrios em muitas pessoas que gostam simplesmente de sentar e criar o que quer que seja. Aliás, eu sou uma dessas pessoas.

O que pra mim fez a diferença no caso do Treinamento Nesta foi o Creative Enterprise Tookit, um apanhado de ferramentas para modelagem de negócios que mistura elementos clássicos (como a matriz de análise SWOT) com contemporâneos (como alguns frameworks do criador do Business Model Generation, Alexander Osterwalder) de uma maneira que que não afugenta que não tem grande apreço por planos de negócios tradicionais. O Tookit é disponibilizado gratuitamente para download (em inglês no site do Nesta ou em português diretamente no meu Dropbox) e ele próprio é um passo-a-passo par ser utilizado independente do workshop. Mas trabalhar com o Tookit em grupo, com um orientador treinado, num ambiente sincero de troca e colaboração como foi o treinamento que participei, não tem preço: a interação com o grupo, bem conduzida, forma um caldo grosso de dúvidas e insights que enriquecem todos os projetos, por mais diferentes que sejam seus objetivos ou seus segmentos. Parabéns à treinadora Phily Page, que conseguiu manter a coesão e a energia do grupo em uma curva ascendente ao longo dos 4 cansativos dias de trabalho.

Fica, então, a esperança (e a reivindicação) que a Secretaria da Cultura dê proseguimento a seu programa RS Mais Criativo e promova mais workshops como esse. Dinheiro para projetos não é a única forma de incentivar empreendimentos criativos. Eu arriscaria a dizer que a maior parte deles se beneficiaria mais de um treinamento assim, seguido de um sistema de apoio de gestão, do que exclusivamente de dinheiro. Embora a grana seja sempre bem-vinda (e ajuda financeira é fundamental para a cultura de um país ainda emergente) um processo de  treinamento contínuo desse calibre é mais estruturante – além de estimulante e viral: aqui estou eu falando da metodologia para minha audiência e tenho certeza que meus colegas também se tornaram mutiplicadores dos saberes que adquiriram.

Aliás, antropologicamente falando, não é assim que as culturas evoluem?

***

Em abril, o Treinamento Nesta vai acontecer em Recife. As inscrições já estão encerradas.

De qualquer forma, vale explorar o site do Transform, o programa do British Council que trouxe o Treinamento para o Brasil e que está envolvido em uma série de outros projetos de intercâmbio cultural UK-BR.

O site do próprio Nesta é uma fonte de consulta bastante interessante. Eles tem, por exemplo, dezenas de relatórios e pesquisas nas áreas de inovação e economia criativa. Tudo pra download gratuito. Em inglês.

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Essa fachada de locadora é um infográfico da indústria do entretenimento http://www.oesquema.com.br/conector/2014/03/28/essa-fachada-de-locadora-e-um-infografico-da-industria-do-entretenimento.htm http://www.oesquema.com.br/conector/2014/03/28/essa-fachada-de-locadora-e-um-infografico-da-industria-do-entretenimento.htm#comments Fri, 28 Mar 2014 12:00:31 +0000 Gustavo Mini http://www.oesquema.com.br/conector/?p=7068 2014-02-27 13.44.43

O insight não é meu, é do Marcelo Firpo: vê se a fachada de uma das locadoras de vídeo mais tradicionais de Porto Alegre não é a perfeita representação gráfica do que está acontecendo com a indústria do entretenimento. Game em locadora de vídeo não é algo novo, mas é interessante perceber que o grafismo desse luminoso específico parece uma barra de progressão de instalação, com os games já ocupando 50% do espaço. E subindo.

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Dançando Happy do Pharrell em obras inacabadas de Porto Alegre http://www.oesquema.com.br/conector/2014/03/26/dancando-happy-do-pharrell-em-obras-inacabadas-de-porto-alegre.htm http://www.oesquema.com.br/conector/2014/03/26/dancando-happy-do-pharrell-em-obras-inacabadas-de-porto-alegre.htm#comments Wed, 26 Mar 2014 15:30:34 +0000 Gustavo Mini http://www.oesquema.com.br/conector/?p=7097

Viu o que eu falei na segunda? Que a política esse ano ia ter uma cara mais pop? Ontem, um autointitulado “grupo independente” de portoalegrenses lançou um vídeo dançando Happy do Pharrell (um meme recente) em obras inacabadas , a maior parte delas prometidas para a Copa. É comentário político e social sem aquele ranço que afasta muita gente do assunto.

Semana passada, um pessoal do Rio também fez o seu:

Abaixo vai o vídeo original e algumas paródias recentes.

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As eleições deste ano vão ser pura cultura pop http://www.oesquema.com.br/conector/2014/03/24/as-eleicoes-deste-ano-vao-ser-pura-cultura-pop.htm http://www.oesquema.com.br/conector/2014/03/24/as-eleicoes-deste-ano-vao-ser-pura-cultura-pop.htm#comments Mon, 24 Mar 2014 13:00:37 +0000 Gustavo Mini http://www.oesquema.com.br/conector/?p=7090 Istoe-Cunha-500x669

A combinação de eleições com internet é indiscutivelmente explosiva. Por mais que as campanhas eleitorais no Brasil tenham um pé no pitoresco desde sempre, foi só com o avanço da cultura digital dos últimos dois anos que o marketing político começou a experimentar um outro tipo de relação com o ambiente de comunicação nacional, tendo que levar em consideração um refluxo gigantesco de conteúdos que estão além do controle de políticos e marqueteiros. Esses não são conteúdos que necessariamente mudam os rumos de uma eleição, mas, no mínimo, tornam o diálogo com o eleitor mais complexo e, veja só, mais pop.

Em 2012, tivemos um gostinho do futuro: foi o ano em que o acesso à banda larga fixa e o acesso à internet por celular cresceram substancialmente no país. Além disso, também foi quando o Facebook teve seu verdadeiro boom local, crescendo quase 300% em número de usuários em relação a 2011 e chegando à marca de 35 milhões de brasileiro curtindo e compartilhando tudo que se mexia. Essa nova infra-estrutura fez com que 2012 nos trouxesse: as primeiras guerras de memes políticos, com o Serra liderando o ranking nacional de “memíveis”; um fórmula de sucesso para o jornalismo alternativo na combinação de leitores-ativistas com um ecossistema de disseminação em redes sociais; uma guerra (muitas vezes clandestina) de contra-informação entre partidos; e o fenômenos dos amigos chatos que poluem a sua timeline com campanha para seus candidatos.

Apesar de terem se passado apenas dois anos, as eleições de 2014 vão acontecer em um terreno bastante diferente. Não se trata só de novas estatísticas de telecomunicações, de mais acessos à internet, mais celulares conectados e um Facebook que dobrou de alcance. O que importa, na verdade, é o número maior de pessoas que entrelaçou seu jeito de conversar com colegas de trabalho, familiares e amigos usando os códigos da cultura pop A manipulação de imagens, a edição sarcástica de vídeos, o poder de repassar conteúdos para sua rede, o uso de personagens/bordões/roupas/logotipos de filmes, séries e músicos na comunicação do cotidiano, tudo isso que era uma forma de comunicação dominada e utilizada apenas por nerds e indies está se universalizando. O papa não é mais pop. O papa é meme.

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Agora em março, três eventos em sequência estabeleceram, a meu ver, a abertura oficial das Eleições 2014 no que diz respeito a esse uso de linguagem. Primeiro, o deputado federal Beto Albuquerque discutiu pelo Twitter ao vivo com o real-fake Dilma Bolada, protagonizando um momento fascinante de cruzamento da vida digital com a política dita real. Onde começa uma e termina outra? Em segundo lugar, a queda de braço de Eduardo Cunha com o Planalto lhe deu, na capa da Istoé e em uma reportagem da Carta Capital, o direito de ser comparado (justissimamente) com o congressista sem escrúpulos Frank Underwood, do seriado House of Cards (veiculado exclusivamente em streaming, vale lembrar). Em terceiro lugar, a Piauí de março abriu um pequeno artigo sobre o candidato presidencial do PSOL, Randolfe Rodrigues, lembrando que seu apelido no Senado é Harry Potter. Se Dilma Bolada, Frank Underwood e Harry Potter são a comissão de frente desse carnaval, o que nos espera nas alas seguintes?

Não há dúvida que o ambiente de comunicação política esse ano vai incluir ecos do complexo ativismo digital que se formou durante as Jornadas de Junho do ano passado. Mas minha aposta para 2014 é no crescimento da participação mainstream nesse processo, com um acento mais pop, ancorada na disseminação orgânica de conteúdos não-oficiais por parte dos milhões de usuários que vem exercitando no seu dia-a-dia a auto-expressão por referências. Quem vai ser o candidato incluído digitalmente em vídeos de funk ostentação? Ou que vai ter sua foto manipulada pra incluir aparelhos com borrachinhas coloridas nos dentes? Quem será o Voldemort de Randolfe Rodrigues? As complexas coligações partidárias serão comparadas às casas do Game of Thrones? Qual é o estado que vai ter um vídeo com seus candidatos a governador passando pelo crivo dos jurados do The Voice Brasil?

Essas perguntas serão respondidas ao vivo, online, durante a festa da democracia. Uma festa que agora tem evento marcado no Facebook, convite-spam enviado pra todo mundo e grupinho no What’s App. Pode se preparar.

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O pós-hype da Economia Criativa http://www.oesquema.com.br/conector/2014/03/21/o-pos-hype-da-economia-criativa.htm http://www.oesquema.com.br/conector/2014/03/21/o-pos-hype-da-economia-criativa.htm#comments Fri, 21 Mar 2014 12:00:37 +0000 Gustavo Mini http://www.oesquema.com.br/conector/?p=7078 tumblr_n2e9y3uQ8p1sfie3io1_1280

“Economia criativa” é uma dessas expressões, como “co-criação”, “crowdfunding” e “big data”, que recebem uma atenção tão concentrada no seu surgimento que acabam correndo dois riscos: serem esquecidas rapidamente em benefício de novas ondas ou se tornarem caricaturas que temperam palestras duvidosas. Mas, felizmente, em uma esfera que fica além dos títulos de posts e dos keynotes descolados, forças com intenções mais perenes se articulam para aprofundar as bases do que vale a pena manter de pé. É o caso da Economia Criativa, ao menos pelo que vi no lançamento da Escola da Indústria Criativa da Unisinos no sábado passado. O evento colocou no mesmo palco a Edna dos Santos-Duisenberg, Chefe do Programa de Economia Criativa da United Nations Conference on Trade &  Development, e a Lala Deheinzelin, especialista em Economia Criativa e Desenvolvimento Sustentável. E a fala das duas (assim como o lançamento da Escola) contrapõe a ideia de que a Economia Criativa possa ser apenas um modismo ou um termo bacanudo.

A Edna começou o papo trazendo uma visão panorâmica bem estruturada sobre os caminhos da Economia Criativa no mundo, destacando a importância desse tipo de negócio na recuperação de crises econômicas (é pra EC que alguns desempregados se voltam pelo baixo investimento inicial que exige) e o DNA do Brasil nesse segmento. Segundo ela, a gente tem uma inclinação à Economia Criativa por conta da nossa riqueza cultural e da nossa habilidade natural de misturar e improvisar. O que falta é aprendermos a transformar essa energia em um ecossistema organizado que permita aos criadores evoluir artísitica e economicamente.

Os casos nacionais bem sucedidos em grande escala são poucos mas exemplares (ao menos em termos financeiros): ela citou o Carnaval, as telenovelas e a música popular como indústrias criativas tipicamente brasileiras, calcadas em uma infraestrutura própria e geradoras de divisas e empregos. Além disso, essas três indústrias ainda colaboram na constituição da identidade do país. Edna chama isso de “soft power”, o poder de gerar riqueza e influência sem ativos tangíveis – algo que, crítica social à parte, os Estados Unidos utilizam muito bem na propagação de seu estilo de vida pelo mundo. Particularmente, senti falta, na fala da Edna, de uma ênfase na “cauda longa” da Economia Criativa – as centenas de nichos culturais que não são tão grandiosos ou populares mas que, combinados, se tornam uma força importante. Mas também entendo que ela tinha pouco tempo no palco e seu trabalho ocorre mesmo num nível mais macro. Segue o baile.

Lala Deheinzelin_por RodrigoBlum

A Lala Deheinzelin, na sua vez, fez outra comparação valiosa para esclarecer por que é tão necessário olhar para a Economia Criativa de forma estruturada e não apenas com as lentes em aros grossos do hype: “Precisamos de uma Petrobrás para a Economia Criativa brasileira”. Não que a Petrobrás precise ampliar seu programa de patrocínios… o que a Lalá quis dizer é que temos também uma espécie de pré-sal cultural que pede mais do que a capacidade de ser alcançado, tem a necessidade de ser processado para se colocar de pé num sentido econômico, para dar sustentabilidade ao circuito criativo. No Brasil, toda atividade criativa ainda sofre um certo preconceito, como se estivesse em um patamar inferior, menos sério, menos importante. O que é uma tremenda injustiça econômica. A Lala lembrou que o potencial da Economia Criativa é gigantesco por funcionar dentro de uma lógica exponencial: a soma de 2 produto físicos gera a renda de 2 produtos físicos; mas a soma de 2 ideias pode dar origem a uma terceira que gera um valor dez ou cem vezes maior do que a das unidades. O potencial para gerar riqueza dentro da Economia Criativa é nuclear.

Tanto a Edna como a Lala enfatizaram ainda o quanto a Economia Criativa tem um aspecto inerente de diversidade e inclusão. Um ecossistema saudável para o crescimento de Indústrias Criativas oferece outros formatos de vida para pessoas que não se adaptam à lógica econômica linear da indústria pesada ou dos serviços convencionais. Fora isso, se trabalhadas de forma anti-hegemônica, as Indústrias Criativas tem o poder de revelar e amplificar diferentes ângulos da nossa cultura, influindo inclusive sobre a auto-estima de segmentos inteiros da população. Pode ser uma visão otimista da minha parte, mas acho que vale a pena olhar assim.

Em resumo, a Economia Criativa precisa mais do que deslumbre que jogaram sobre ela há alguns anos. Voltando à fala da Edna, ela lembrou que a atuação governamental, por exemplo, não pode ficar restrita ao Ministério da Cultura. Economia Criativa é assunto transversal, que une ministérios diferentes como os ligados à indústria, ao comércio, à tecnologia, à educação e ao turismo. Um papo nesse nível talvez não pegue tão bem numa roda cool, mas pode fazer maravilhas pelo desenvolvimento do Brasil.

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Foto 1: New Old Stock

Foto 2: Rodrigo Blum, divulgação Unisinos

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