OEsquema

Merchandising de Novela

Ilustra: Jeana Sohn

Notícia do Blue Bus de hoje dá conta de que os merchadisings em novela podem se tornar ilegais. Um procurador da República em Minas Gerais alega que “se baseia no artigo 36 do Código de Defesa do Consumidor, que diz que “a publicidade deve ser veiculada de tal forma que o consumidor, fácil e imediatamente, a identifique como tal”. Comenta a proposito – “A lei nao diz que o merchandising é proibido, mas tem de haver algum alerta de que se trata de publicidade”

Diferente de muitos dos meus colegas, acho bom quando se impõem restrições à publicidade porque acaba protegendo os próprios publicitários de seus excessos.

Porém…

… alguém tem alguma dúvida de que os merchadisings são merchandisings?

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Só pra botar….

… um pouco mais de cor no seu dia…

(de um passeio randômico q acabou no flickr…)

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Baixalá

Eu não tinha avisado ainda: o Playback, nosso ultimo disco, está inteiro para download no site da Trama Virtual.

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Só na mãozinha

Hoje tem show no Manara, em Porto Alegre. A função é pra dar o start na campanha pelo clip da Publica no VMB. Votem lá nos caras, o clip é massa!

E amanhã estamos em Gramado no Coca Cola Vibezone. Conforme prometido.

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Um exemplo radical da ascensão da estética analógica misturada à linguagem digital. Que clip massa hein? Na mesma pilha, outro que vem sendo bastante comentado:

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É o que a minha namorada comentou esses tempos: a “mão” está na moda. Logo, “à mão” também está na moda.

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Ou você não notou a atenção que vem sendo dada a ilustradores?

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Ou você acha que a falação em torno do Michel Gondry nos últimos anos é de graça?

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E por aí vai.

Pra terminar, Rancoteurs.

Té mais.

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A dança do salmão e outros animais

Já os Chemical Brothers lançaram um concurso pra sua música Salmon Dance. Aquele papo que já tá virando clichê: vc manda seu vídeo, os melhores ganham ingressos, aquela coisa… só vale pra fãs dos EUA e UK. A música é EXCELENTE, realmente dá vontade de sair dançando feito um salmão. Se tu ainda tem paciência pra ver um monte de gente dançando em casa, aqui tá a página.

E a Sony continha se puxando pra provar que a sua TVzita tem cores melhores do que as outras. Tá bom. De tudo vale pra convencer o povo disso. Na atual insuficiência renal dos anúncios e comerciais, por que não distribuir coelhos coloridos por NY? Bem simpática a idéia, embora eu sempre fico pensando que direito tem uma marca tomar conta do espaço público assim. A dica foi do Bah q teto e mais sobre o assunto tem aqui.

Rola que o seguinte: pesquisadores descobriram um monte de novas espécies num interflúvio (região entre rios) na Amazônia. Até um macaco que se acreditava ser produto de histórias fantásticas foi encontrado. Mas nada ganha desse inseto new rave.

A dica foi do meu colega Marcello Pereira, o incansável Serial Cliquer.

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Dança do Siri, o maior viral do Brasil?

É a minha tese do momento. Não tenho muitos dados pra provar, a não ser as 443.000 citações no Google. Só pra vc ter uma idéia, Cicarelli praia dá 263.000 citações. Em termos de You Tube, a dança do siri tem mais de 2000 vídeos postados, enquanto que, digamos, o Tapa na Pantera tem 973 e Cicarelli na praia tem 283. Faça seus testes, mas a questão aqui não são números: há quanto tempo você não via uma coisa dessas se espalhar dessa forma?

Duas perguntas rondam o meio publicitário ultimamente. Na cabeça do pessoal mais old school, a questão é “quando teremos de novo aquelas campanhas memoráveis como ‘o primeiro sutiã’”? Na cabeça da galera mais nova, a pergunta é “como fazer pra minha idéia pegou como pegou o tapa na pantera?”

As duas perguntas precisam enfrentar uma realidade complicada: hoje em dia tudo é mais difícil de se tornar memorável. O mundo está saturado de tudo. Existe mais filmes, mais música, mais formatos, mais canais de acesso, mais produtos, mais tecnologia disponível pra executar e distribuir. Meu, olha a quantidade absurda de fotos que as pessoas estão tirando porque não precisam mais se preocupar quando faltam 4 poses do filme da máquina… ok?

Num cenário desses, porque é que a Dança do Siri se destaca? Bom, primeiro porque ela é muito boa, quebra total qualquer lógica de dança que já tenha sido inventada, incluindo aí outras danças bizarras como a Dança dos Famosos.

Segundo porque ela tem estirpe: mesmo que não intencionalmente, acredito que a Dança do Siri descenda diretamente de uma linhagem que passou com força através do Silly Walk do Monthy Pyton. Num contexto histórico, tudo faz sentido.

Terceiro porque ela é democrática: excetuando-se alguma dificuldade física, qualquer um pode fazer a dança do siri, gravar seu vídeo sem grandes dificuldades. Pra efeito de comparação, pegue o pagode ou funk carioca. Por mais populares que sejam, ainda esbarram no apartheid rítmico que impede gente sem ritmo de dançar. A Dança do Siri não. Tudo que ela pede é uma certa falta de noção, o que está fartamente disponível em qualquer festa sob a forma de cerveja.

Quarto porque ela tem a essência do Brasil: é totalmente à prova de se tornar cool. O Tapa na Pantera tem um lado cool, uma estética meio anos 70 que é moda hoje. Mas não existe como uma pessoa posar de cool fazendo a Dança do Siri e essa total abertura e entrega é parte do zetgeist brasileiro – Didi Mocó que o diga.

Quinto, e talvez o mais importante: o Silvio e o Vesgo trabalham duro. Diferente do que muita gente pensa, uma mensagem não se viraliza apenas por si própria. Exige um impulso inicial muito específico e forte. Na falta de especificidade, que venha a força. O Silvio e o Vesgo são totalmente incansáveis. Olha agora a perseguição ao Galvão Bueno. Eles estão dispostos a apanhar ou a serem atropelados, processados, seja lá o que for, pra fazer o Galvão Bueno dançar a Dança do Siri. Quem é capaz desse nível de comprometimento?

Sexto. A Dança do Siri toma de assalto veículos de massa. Seja oficialmente, através do programa na TV ou na rede de rádios, a Dança do Siri ainda marca presença no noticiário de outros veículos com suas perseguições bizarras.

Enfim. A tese está colocada. Seguirei informando vocês de mais algum maravilhoso insight. Contribua nos comentários.

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Próximos Shows dos Walverdes

17 Ago – Sexta – Manara – Porto Alegre/RS com Publica
18 Ago – Sábado – Coca Cola Vibezone – Gramado/RS com Skank, Dudu Nobre, etc…
15 Set – Sábado – Drakkar – Florianópolis/SC – com Kratera
16 Set – Domingo – John Bul Pub – Camboriú/SC – com Matanza e outros
29 set – sábado – Pop Cult – Novo Hamburgo/RS
10 nov – sábado – local a definir – Guaíba/RS

A agenda tá bonita. Vão acompanhando novas adições no nosso myspace.

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Conector Entrevista Jonathan Harris – Apêndice


Recortes de realidade


Grande parte da beleza de We Feel Fine está em colher dados matemáticos e fazê-los brotar na tela sob a forma de uma animação lúdica, formada por pequenos objetos geométricos coloridos dançando no melhor estilo “poderia ser alguma coisa do Flaming Lips”. A colisão de matemática com estética surge no trabalho de Harris como resultado de seus interesses pessoais (que misturam computação, exploração geográfica & humana do mundo, belas artes e contar histórias), mas se alinha com toda uma tendência atual de encontrar beleza na organização de dados.

O blog Infosthetics (http://infosthetics.com) é um dos pontos de conexão mais interessantes para quem costuma retirar mais informação do desenho dos gráficos do que do papo furado que os acompanha. Mantido pelo belga Andre Vande Moere, professor-assistente de Design Computing na Universidade de Sidney, os posts do Infosthetics reúnem periodicamente novidades em visualização de dados com a informalidade que um blog permite. Isso significa textos concisos e muitas vezes bem humorados, além da correlação de assuntos próximos, como videoclips inspirados em infográficos e outras áreas de arte eletrônica. Se você curtiu o assunto da matéria, o Infostethics é um bom ponto de partida para mergulhar nesse curioso mundo.

Outra dica interessante é o projeto The Dumpster, de Golan Levin. Usando recursos parecidos com os do We Feel Fine, The Dumpster rastreia blogs de jovens americanos em busca de posts que revelem um dos pontos de maior concentração de energia na adolescência: tomar um pé na bunda do namorado ou da namorada, “being dumped”. A interface gráfica chega a ser bem humorada: os posts que revelam o pé na bunda são traduzidos em bolinhas que “caem” o tempo todo, uma referência ao “dumped”, que pode ser traduzido por ser “jogado fora”.

Já o tênis Onitsuka Tiger aproveitou a onda e lançou o site madeofjapan.com, no qual mostra seus modelos de tênis construídos com fotos que tenham alguma coisa a ver com o Japão capturadas em sites e blogs.

Na outra ponta do espectro, está o Week In Review (http://www.weekinreview.org/), criado em Los Angeles e que traduz cada semana em uma folha de papel preenchida com impressões trocadas por qualquer que se disponha a aparecer no bar onde os participantes se encontram. O resultado parece mais o desenho de uma criança do ensino fundamental, mas não deixa de trazer um insight poderoso: meia dúzia de canetinhas e uma mesa de bar são a essência da web 2.0.



Alguns projetos de Harris

universe.daylife.com – O projeto mais recente de Harris parte de representações gráficas de constelações astrais para reunir imagens, textos e frases capturadas dos sites de notícias globais. O objetivo de Universe é determinar uma espécie de mitologia relacionando as pessoas e temas mais citados nas notícias com a idéia de mitos sendo contados no céu. Ambicioso e um tanto quanto complexo de navegar, mas faz pensar bastante sobre o peso real das figuras preponderantes na mídia mundial.

tenbyten.org – O mecanismo de busca de 10×10 coleta as 100 imagens mais representativas dos sites de notícias e as transforma em um grid de dez por dez fotos. Forma, assim, um instigante panorama visual diário da situação do planeta Terra vista sob a ótica do jornalismo na web.

wordcount.org – Esse site parte do database do British National Corpus, uma compilação de 100 milhões de palavras em língua inglesa do século XX coletadas das mais diferentes fontes. O Wordcount seleciona as 86.800 mais usadas e as coloca em ordem de uso em uma linha única horizontal. O mais legal é que você pode pesquisar palavras e descobrir sequências que formam frases curiosas como “SEX CLAIMED ORGANIZATION HOLDING” ou “RAP TUMMY MONTREAL DECORATIONS”.

oralfix.com – Não é propriamente uma investigação artística na web, mas uma incursão de Harris e dois amigos no mundo das pastilhas refrescantes. Segundo ele, o objetivo era simplesmente pegar um produto comum do dia-a-dia e torná-lo mais bonito e mais interessante.

number27.org – O site que compila todos os trabalhos de Jonathan Harris. Você pode ficar dias lá. Você vai ficar dias lá.

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Eu tinha me esquecido que a matéria seguia com mais essas info… agora tá tudo aí.

Não fiz hyperlinks de propósito.

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Debate

Então na quarta rolou o debate sobre “Mercado” no projeto Palavras – Poesia de Rua, como eu tinha dito. Rodrigo Brandão do Mamelo Soundsystem, o Jean da Alvo Produtora Cultura, o DJ Martins, a Fabiana do Instituto Trocando Idéia e eu – mas na real a platéia praticamente fazia parte da mesa e foi bom pra conhecer mais gente, tipo o W Negro e o PX, entre outras pessoas.

Teoricamente o direcionamento do papo era a dificuldade de distribuição no meio independente, mas quando se fala de cultura independente a coisa sempre cai na questão da “autenticidade” e da suposta cooptação pelo dinheiro… o lado bom é que das últimas vezes em que eu li/assisti/participei de alguma conversa onde isso surgiu, mais vozes vinham defendendo uma visão menos militante e mais aberta, aprendendo a lidar com a questão de forma menos católica apostólica romana culpada. Então eu nem vou perder tempo com esse ponto.

Distribuição, então.

É curioso ver como, no caso da distribuição, o teor das reflexões são muito próximos às intermináveis dúvidas que o mercado publicitário tem a respeito do “estado das coisas”. Foi meio deja vù pra mim, um deja vù bastante sutil, não muito explícito.

A real é que, no fim das contas, tanto na publicidade quanto na música, todo mundo está preocupado com a dificuldade de disseminar conteúdo em um cenário de total dispersão.

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A grande distorção na questão musical é confundir distribuição de CD (suporte) com a distribuição da música. São duas coisas diferentes e o que foi abalado nos últimos anos não foi a música mas a distribuição do suporte físico como conhecíamos (leia-se CEDÊ NA LOJA). Mas, respeito: não vamos confundir distribuição de suporte com distribuição de música.

Provavelmente nunca se ouviu tanta música quanto hoje e está se configurando um cenário de incrível ebulição. A única diferença é que o terceiro mundo ainda não encontrou um modelo de distribuição universal com remuneração adequada. Tentativas existem: Cd-R pirata, CD-R queimado em casa, compartilhamento de arquivo via P2P, pen drive, mp3 player, streaming… a música circula. O dinheiro é que está meio confuso nessa história toda. Não sabe pra que lado ir. E acaba não indo a lugar nenhum.

O primeiro mundo se agarrou no modelo de remuneração por download, totalmente amparado no fato cabal de que gringo tem mais grana. Então a questão não é a Apple ou o iPod ou a tecnologia ou o download a 1 dólar. A questão é o amplo acesso à banda larga. Pra não falar do hábito que os gringos tem de serem mais certinhos e gostarem de pagar pelas coisas.

Vai dizer: não é muito a nossa pilha.

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(Aviso: não vou perder tempo com as iniciativas nacionais de oferecer dowload pago. É limitado, caro, total nadaver.)

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Curva 90 graus.

Toda vez que eu vou tocar em algum lugar cai na minha mão um ou dois CDs de alguma banda nova. Não vou mentir: a maior parte deles acaba ficando no case da guitarra, eu esqueço lá. Acabo escutando a banda no Myspace. O CD funciona como um cartão de visitas e não tanto como um suporte pro som, pq dificilmente ando com CD por aí.

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Na segunda retrasada, o Dary do Terminal Guadalupe me lançou um pacotinho esquisito. Uma caixinha de madeira toda cheia das chinfras, um logo impresso no capricho, você abria e dentro tinha… uma pen drive! Com música, som e texto da banda, o último discos dos caras todo lá pra tu passar e repassar. E ainda ganha uma pen drive na boa. É caro? É caro. É original? Não 100%, outros tão fazendo por aí. Mas foi um lance muito interessante. Porque diferente dos CDs que eu recebo, eu saí mostrando a caixinha por aí pra todo mundo, algumas pessoas pegaram o pen drive e rapidamente copiaram o conteúdo pros seus computadores, coisa q não costuma acontecer com os CDs. Isso é mudança de hábito.

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Então todo mundo tem que abandonar o CD e investir no mercado das pen drives. A questão é experimentar, tentar, não se fechar.

Acho que os caminhos possíveis todos acabam se resumindo a dois eixos.

1. Facilitar a circulação: permtir que a música seja espalhada e tentar derrubar o máximo de impedimentos pra que isso aconteça. Isso não significa ELIMINAR a remuneração. Se isso significa, talvez, rever a forma de remuneração. Invente o seu jeito. Você ganha dinheiro com CD? Vai nessa. Com direito autoral? Beleza. Com show? É isso. Com camiseta e adesivo? Tudo bem. Toca de graça, joga os mp3 na rede e depois vende palestra sobre as viagens da sua banda? Ó aí.

2. Ampliar a profundidade de experiência: uma sugestão que eu dei no debate, vinda de várias experiências que eu já vi por aí é pegar a grana que você investiria em suporte (prensagem de uma grande quantidade de CDs) e investir em outras formas de interação com seu público, seja alguns shows com atrações especiais, seja uma puta página na internet cheia de chinfras, seja um game, seja uma série de vídeos no YouTube. O que isso tem a ver com música? Tudo. Música nunca foi só música, sempre veio agregada a estilo e artes visuais. É o tipo de cosia que envolve as pessoas. Se a música for boa então, nossa. Se não for boa, você pode pelo menos descobrir que tem outros talentos.

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Na publicidade, o problema é o mesmo. Se confunde muito o suporte com a mensagem. Ainda se acha que o comercial de 30″ e o anúncio é que são a publicidade – quando na verdade a publicidade é o conteúdo ou a interação. E aí é que a indústria se sente ameaçada. Porque confunde o suporte com o conteúdo. Quer dizer… não confunde, mas fica apavorada porque o modelo de remuneração – como na indústria musical – está atrelado ao suporte e não ao que importa: o conteúdo.

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Mas isso é papo pra outro dia.

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Bom fim de semana.

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Conector entrevista Jonathan Harris – parte 2

Jonathan Harris nasceu e cresceu na bucólica Shelburne, rodeado pelas Green Mountains e pelo Champlain Lake, encantadores acidentes geográficos que ajudam o estado de Vermont a fazer fronteira com o Canadá. Mesmo saindo de lá e passando anos estudando ciência da computação na Universidade de Princeton, Harris sempre se viu mais como um contador de histórias e um artista do que propriamente como um técnico. Na sua busca por narrar, desenvolveu websites mais humanos para setores da universidade, uma mitologia para a marca de roupas Distilled Spirit e uma revista universitária que misturava turismo com arte e literatura, combatendo a xenofobia que se instalou nos Estados Unidos após o 11 de setembro. Harris também nunca parou de tentar fazer com que interfaces gráficas amigáveis e coleta de dados convivessem harmoniosamente, tanto em projetos comerciais (Daylife.com) quanto puramente investigativos

Conector: Geralmente quem trabalha com padrões e dados são pessoas que não têm um interesse na interface visual. Padrões são geralmente estudados mais em disciplinas matemáticas. Mas o seu trabalho é mais visual. Como você relaciona a visão mais humana, intuitiva e visual com os padrões matemáticos?
Harris: A representação visual permite que os padrões sejam compreendidos por mais gente. Eu estou interessado em comunicar idéias da forma mais simples, lúdica e clara possível. Assim mais gente se interessa por essas idéias.

Conector: Enquanto eu navegava nos seus projetos, eu tive a sensação de que as pessoas precisam se educar no seu sistema para realmente se conectar com seu trabalho. Quero dizer que não basta sair clicando por alguns segundos, abrindo páginas e escaneando o conteúdo com os olhos. É preciso ler os manifestos, entender o que está por trás e se acostumar com a ferramenta. É quase como se a pessoa tivesse que imitar o seu jeito de pensar. Por que isso?
Harris: As pessoas desenvolveram um tempo de atenção muito curto na internet, então geralmente elas esperam tirar conclusões a respeito do que elas vêem em poucos segundos. Mas meu trabalho não se parece com nada que elas viram antes, então leva algum tempo até você se orientar. Isso é normal. Eu luto para produzir trabalhos que são, como diz Golan Levin, “instantâneos no reconhecimento e infinitos no potencial de maestria”. Por exemplo, o piano e o pincel: são ferramentas que uma criança pode pegar e usar, mas que um virtuose vai passar sua vida inteira tentando dominar. Além disso, eu não quero que meus trabalhos recebam a mesma atenção superficial que recebe um vídeo no You Tube. Eles demandam mais de quem entra em contato com eles, mas por outro lado também oferecem muito mais. Há muitas sutilezas, muitas camadas, há reentrâncias e fissuras a serem exploradas.

Conector: Como você separa seu trabalho comercial do trabalho comercial? Um alimenta o outro? Como funciona?
Harris: Eu tenho tido bastante sorte nisso… tenho sido pago para desenvolver trabalhos como Yahoo Time Capsule, Phylotaxis e Daylife que exploram as mesmas questões do meu trabalho mais pessoal. Tenho conseguido andar sempre na mesma direção, seja por amor ou por dinheiro.

Conector: Onde você costuma trabalhar?
Harris: A maior parte do meu processo criativo acontece em parques, caminhadas, cafés, restaurantes, observando pessoas, ouvindo pessoas. Primeiro eu desenvolvo minhas idéias no papel e só sento no computador quando estou certo do que eu quero fazer. Eu acho difícil pensar criativamente direto no computador.

Tibor Kalman, tbem uma das inspirações deste blog

Conector: Quem inspirou e quem ainda inspira você?
Harris: Bob Dylan, Tibor Kalman, Hayao Miyazaki

Conector: Eu vi que você já viajou bastante. Em que cidade você adoraria viver?
Harris: Eu sou um garoto do campo. Eu vivo em Nova Iorque agora, mas nasci em Vermont e espero me mudar de volta pra lá algum dia. Eu também adoraria morar numa casinha no morro no sul da França, com uma esposa maravilhosa (ainda estou à procura!), onde a gente pode trabalhar todos os dias, cozinhar toda noite e conversar sobre tudo bebendo um bom vinho tinto.

Conector: Por que você se considera um “contador de histórias”?
Harris: Histórias são, em última instância, sobre ajudar as pessoas a enxergar suas similaridades em vez das diferenças. E meus trabalhos tentam ilustrar as similaridades que existem no mundo – todos nós amamos ou ficamos tristes de vez em quando, todos acreditamos em alguma coisa. Quando as pessoas começam a pensar dessa forma sobre seus vizinhos do outro lado da rua e do outro lado do mundo, o sentimento de “estrangeiro” se dissipa e um âmbito comum emerge. E eu acho que esse âmbito comum, que se alcança contando histórias, é a melhor esperança que temos para o futuro.

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Conector Entrevista Jonathan Harris – parte 1


O da esquerda é o Harris. O da direita é o Kamvar. Os dois são os responsáveis pelo We Feel Fine, um dos projetos mais interessantes em termos de investigação humana da web. Entrevistei o Harris por email há alguns meses e o texto foi pra versão impressa da Mais Soma. Reproduzo-o aqui em forma de remix. Reorganizei a ordem do texto pra facilitar a leitura no blog (vc me conta se funciona ou não…) , mas sugiro que você dê um jeito de arrumar uma Mais Soma, vale conhecer a revista – que é gratuita.

Na conversa, Harris esclareceu a relação entre dados e estética, fala sobre o gap que existe entre mundo online e offline, cita suas inspirações e explica por que se define como um contador de histórias.

***

Um prenúncio de tempestade toma conta da cidade no fim do dia. As nuvens estão carregadas e o lixo é jogado de um lado para outro pelo vento que também forma redemoinhos junto ao meio fio. Pó está sendo espirrado nos nossos olhos. Está um pouco mais difícil de enxergar, de respirar, de parar pra pensar. São seis da noite. De vez em quando, um folheto vem voando até as nossas mãos. Na maior parte do tempo, é publicidade barata. Mas num dia mais iluminado, podemos ter a sorte de nos tornarmos o destino do pedaço da vida de alguém na forma de uma folha de agenda rasgada, um naco de bilhete com uma mensagem de amor ou quem sabe uma receita médica de tarja preta. Um fragmento com essa qualidade que consegue abrir caminho no meio dessa bagunça tem a propriedade de nos conectar instantaneamente com uma outra vida, com as angústias, compromissos ou amores de um outro ser.

Na rua, isso acontece de forma inesperada e caótica. Na internet, o que era pra ser um acidente pode se tornar um ato deliberado de conexão humana se você digitar wefeelfine.org. Inicialmente, você será jogado em um ambiente tomado por palavras e imagens aparentemente desconexas. Mas à medida em que sua testa se franze, seus ombros se encolhem e seu corpo se debruça física e mentalmente sobre o conteúdo do site, você começa a enxergar pontinhos coloridos que dançam na tela e reagem ao seu mouse como pequenos organismos unicelulares que carregam vidas concentradas. Você clica e uma frase é destacada.

Conector: O que move você a fazer coisas como We Feel Fine e Ten byTen?

Harris: Há tempos que eu comecei a notar que a web, geralmente vista como um espaço frio e sem humanidade, na verdade reúne uma quantidade absurda de expressão humana. E fiquei interessado em revelar essa humanidade escondida. Desde então, a maior parte do meu trabalho envolve a análise de dados em larga escala para produzir insights a respeito do mundo humano e não do mundo dos dados.

Conector: Qual sua motivação por trás da busca de padrões humanos no meio do caos de informação?

Harris: O mundo está submerso em informação e isso pode ser sufocante. Recursos como padrões, listas e “zeitgeists” permitem que a gente gerencie um pouco melhor o caos. Além disso, padrões também podem oferecer insights a respeito de quem somos, o que nos preocupa, como nos sentimos, como nos comportamos, geralmente revelando aspectos nossos que ainda não percebemos. Isso leva a uma melhor compreensão de nós mesmo e do mundo.

Conector: Então você acha que “Human behaviour is pattern recognition”, como disse William Gibson no romance Pattern Recognition?
Harris: Numa escala maior, sim. Mas numa escala menor, as pessoas são maravilhosamente surpreendentes.

Conector: Seu objetivo é tocar as pessoas ou apenas expressar seu ponto de vista?
Harris: Eu não tento forçar meu ponto de vista. O que faço é criar sistemas que têm limites, ainda que caóticos e abertos dentro desses limites. Dessa forma, cada pessoa que acessa meus sistemas os experimenta do seu próprio jeito.

Conector: O que você está tentando dizer com isso?
Harris: Em vez de apresentar conclusões sobre o mundo, eu estou mais interessado em produzir sistemas que levam as pessoas a desenhar suas próprias conclusões sobre o mundo.

Conector: Como você acha que isso toca as pessoas?
Harris: Eu acho que realidades tocam as pessoas. Então tento fazer com que meu trabalho reflita a realidade. Isso pode ser muito inspirador, porque a realidade é muito inspiradora.

Estamos compartilhando um pouco da visão de mundo de Jonathan Harris. Mas não foi Harris que escreveu a frase acima. Na verdade, junto com o Especialista em Personalização do Google Sep Kamvar, ele criou o site que pinçou esse momento particular. O projeto de Harris e Kamvar parte de um software que rastreia a internet de dez em dez minutos, buscando em blogs frases que contenham as expressões “I feel” ou “I am feeling”. O pequeno espião poético aproveita a viagem e captura também (se houver disponível) alguma imagem e informações básicas do post como local, horário e sexo de quem escreveu. Pra terminar, ainda cruza essas informações com a previsão do tempo local.

Mesmo quando não encontra todos esses dados, We Feel Fine oferece interessantes recortes da realidade. Com uma frase prosaica e uma informação simples, se contróem pontes para momentos do dia de alguém que você nunca viu e nunca verá na vida. Mas que, curiosamente, podem lembrar muito de coisas dentro de você.

Conector: Você tem mania de procurar padrões no seu dia-a-dia? Como uma prática pessoal?
Harris: Sim, eu vejo padrões em tudo.

Conector: Por exemplo…
Harris: Quando eu caminho pela cidade, ou ando de metrô, ou estou sentado no parque, eu sempre fico observando as pessoas, procurando por similaridades nas roupas, nas conversas, na postura, no comportamento. Às vezes isso até me atrapalha porque em vez de aproveitar as situações eu fico analisando, procurando padrões e significados quando geralmente o melhor é simplesmente relaxar e viver a vida. Estou tentando mudar isso.

Conector: Marshall McLuhan diz que “O ambiente é invisível”. A web é seu ambiente?
Harris: Não, não estou interessado na web desse jeito. Eu simplesmente uso a web porque atualmente é o melhor reflexo do mundo que eu posso encontrar.

Conector: Mas esse mapeamento que seu trabalho faz acaba sendo parcial porque muita gente não está conectada ainda, especialmente no terceiro mundo. Os mapas gerados pelo We Feel Fine deixam isso muito claro. Qual a sua preocupação quanto a isso? Você acha que o padrão dos blogs reflete o padrão do mundo offline?
Harris: Não. Eles representam o mundo dos blogs, que de fato não é uma representação exata do mundo offline. Mas, no momento, é a melhor representação da realidade global que existe. Eu acredito que o mundo se torne mais conectado ao longo dos próximos anos e, na medida que isso aconteça, acredito que o mundo online se aproxime mais da realidade offline.

(continua amanhã)

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Conector no Projeto Palavras hoje no Santander Cultural

Às 17h eu vou estar ali no centro de Porto Alegre discutindo mercado musical no debate SR. MERCADO. O lance é dentro do Projeto Palavras – A Poesia do Ritmo, do Instituto Trocando Idéia. Na mesa, tem o pessoal do Mamelo Sound System, o DJ Martins (que fez a batida de “Meu Samba é Assim” do último D2, o Jean Andrada (da Alvo) e a Fabiana Menini do Trocando Idéia.

Servicinho:

LOCAL:Santander Cultural – Praça da Alfândega, s/n
Horário: 17h
Entrada Gratuita

Realizacao : Instituto Tr.i
institutotri@riseup.net

Apoio: MinC , Santander Cultural e Dirty & Gabbana

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… e segue o baile…

Funk carioca. Eu adoro o som, mas às vezes acho tudo muito atordoante. Ok, é a idéia. Mas eu não deixo de acalentar a idéia de inventar o ambient funk…

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Continuando o post de ontem…

Esse veio lá do Trabalho Sujo.

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É ou não é pura new rave?

Genial comercial da Nike. Acho q ganhou algo em Cannes esse ano.

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Mullet, um dos quitutes do finde

Conector’s mullet strategy

Adorei essa. Chama The Mullet Strategy. Basicamente consiste no jeito que portais como o You Tube e o MySpace tratam o seu conteúdo: na frente tudo bem cortadinho com editores que colocam o que há de mais interessante. Atrás a reba da vultosa quantidade do famoso conteúdo gerado pelo consumidor. Business up front, party in the back!

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Esvazie o conteúdo dos seus bolsos, jogue tudo no scanner, enfie a cara lá, feche os olhos e escaneie. Se você for russo, ajuda.

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E aqui, rápido bate papo do Warren Ellis com o William Gibson na Wired. Tem um insight bem interessante do Gibson. Se eu bem entendi, a questão é que ele anda fazendo esperto hyperlinks entre o conteúdo de seus livros e o mundo “aqui fora”.

“As pessoas não param de me perguntar sobre as possibilidades da ficção interativa e parece q eles não tem a menor idéia do quanto já estamos nessa…” diz ele.

Prestenção… a gente às vezes ainda espera que a interatividade esteja escarrada na nossa cara, mas ela acontece de forma não linear. Um dia eu abro mais a questão.

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Clipzinho da Publica. Se você quer entender ou conhecer Porto Alegre, tá tudo aqui. Não tão claro, mas tá tudo aqui. Adoro a música, acho emocionante, uma mistura de Oasis com Nei Lisboa. Esse clip me dá bons arrepios. Um trabalho incrível.

The original Detroit style: Xirú registra Vianna Moog.

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Olha que massa esse banner. Pena que a revista é meio palha.

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“Como faz uma tira pra abraçar muita gente? Outro dia me pus a pensar na quantidade de gente que lê Macanudo. E certamente, entre todas essas pessoas, deve haver milhares que, por uma razão ou outra, lhes daria um abraço. Mas… como faz uma tira pra abraçar muita gente?”

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Um abraço pra todos vocês.

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Buda, o filme


Ano que vem rola nos cinemas provavelmente o melhor filme a respeito do Buda. A garantia é que o roteiro é baseado num livro do grande mestre zen-vietnamita Thich Nhat Hanh e tem as bençãos do Dalai Lama, que examinou os detalhes da produção. Por exemplo, foi pedido que a equipe de filmagem passasse um tempo em um mosteiro budista para compreender melhor os ensinamentos e saber o que estão filmando.

Old Path Withe Clouds“, o livro base pro filme, nunca foi lançado no Brasil. Mas há 10 anos a pequena editora Bodigaya solicitou os direitos de tradução e comercialização e, mesmo com o assédio de grandes editoras nacionais, os detentores dos direitos internacionais mantiveram sua palavra e destinaram o privilégio de publicação à Bodigaya.

Esse é o Thich Nhat Hanh q eu falei

A Bodigaya é uma editora pequena, sem muitos recursos, e na real esse trabalho está bem além de sua capacidade financeira e estrutural. O Via Zen – Associação Zen Budista do RS, decidiu apoiar o projeto. Devido à minha conexão com o Via Zen, ajudei a escrever um release e estou assinando embaixo dessa iniciativa aqui no blog.

Quem sentir alguma conexão com o budismo ou com esse projeto pode ajudar simplesmente adquirindo exemplares antecipados no site da Editora Bodigaya. A Bodigaya precisa vender 600 exemplares para cobrir o custo de produção da obra.

É isso!

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Meet Good Magazine

Mais uma revista digital? Sim, mais uma entre milhões online ou no pdf baixado. Mas tem algo interessante aqui além das incontáveis matérias sobre tendências, música ou páginas em mais páginas de ilustração modernosa que lotam a internet hoje.

O slogan da Good é “media for people who give a damn”, algo como “mídia pra quem se importa”. Mas não é o ponto pra mim. O lance que tá me pegando na Good é o que tecnicamente eu chamo de manipulação visual de dados de um jeito massa. Tipo o vídeo aí em cima (dica do Léo Prestes). Podia ser um infográfico em 3d bagaceiro. Podia ser um power point trouxa. Podia.

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Então não sei quanto a vocês, mas vou roubar essa idéia pra alguma apresentação aqui da agência. Eu vi primeiro!!

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Outro bom exemplo é a seção “Transparency”. O “slogan” da seção é “A graphical exploration of the data that surrounds us.” Saca só esse sobre água.

Então é massa. Tem um pouco de um certo ranço americano de “vamos tratar de questões sérias”, um certo clichê sutil de “eu estou certo sobre o mundo pq me preocupo com a água”, se é q vc me entende. Mas ainda assim a abordagem é legal. Gostei dessee lance de “graphical exploration of the data that surrounds us”. Um dos maiores problemas do “mundo dos negócios” é o pavoroso tratamento gráfico que se dá para visualização de dados.

Então, digamos que você quer fazer uma apresentação sobre a moda do momento, q é detonar as sacolas plásticas. Vc não precisa fazer um power point, pode fazer algo assim…

Enfim.

Esse é o site da revista.

Esse é o canal do YouTube.

Te vira.

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ôje

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Hmmm…

Filme novo do Wes Anderson do Três é Demais, Tennenbauns e o Vida Aquática com o Zissou. Mais uma vez temos rachas familiares e um visual indiexótico.

Hm.

Começa a me parecer repetição. Em compensação tem o Owen Wilson.

Uma sobrancelha se levanta. Vejamos.

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Blablablá

Tanto blablablá em torno da revolução que anda em curso na publicidade e esse neon diz TUDO em duas micro-frases. Genial. Sensacional. Adorei.

Esse luminoso new rave tá em uma da salas da Iris Nation, agência canadense que faz de tudo um pouco. Apesar do insight legal, o site e o trabalho deles é meio caretinha. Eu diria a você a nem perder tempo no site, fica com a imagem do neon que já é a grande contribuição deles pro momento.

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Explicação para os não-publicitários que lêem o blog.

A publicidade está vivendo um momento crucial. Nadadenovo, esse assunto entrou em loop há uns 2 anos e agora não pára de ser repetido à exaustão em tudo que é palestra e veículo. Mas, retomando em poucas palavras, é o que diz o neonzito: toda idéia em qualquer mídia.

Que grande diferença é essa do que vinha sendo feito até então? Durante DÉCADAS a publicidade viveu financeiramente de AGENCIAMENTO DE ESPAÇO DE MÍDIA. Você é cliente, me contrata pra eu comprar espaço em televisão/jornal/mídia externa/rádio, eu ganho uma comissão sobre esse trabalho. Eu também crio o conteúdo que vai nesse espaço (comerciais, anúncios, jingles), mas meu faturamento vem mesmo é dessa comissão de mídia.

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Com o avanço brutalito da tecnologia modificando hábitos de comunicação e consumo de informação/entretenimento, a coisa pegou. Agora o cara que vivia na frente da TV pode estar disperso olhando as fotos do filho do amigo no celular ou então no messenger BEM NA HORA QUE PASSOU O COMERCIAL QUE CUSTOU CARÍSSIMO!!!!

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Problema número 1: é preciso criar conteúdo para um monte de outros canais e as agências não sabem muito bem como.
Problema número 2: não existe um modelo de remuneração pra cobrar essas coisas diferentes…

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Solução? Aprender a trabalhar de forma colaborativa com novas empresas. Aprender a trabalhar nicho. Aprender trabalhar de forma não linear, quebrando pacotes prontos.

Ou seja, fazer tudo o contrário do que vem sendo feito nos últimos 40 anos. Quem está preparado pra isso? Pouca gente de publicidade “convencional”. Muita gente de outras áreas. É por isso que empresas tipo de promoção, internet, marketing direto e conteúdo estão ganhando tanto espaço dentro dos clientes: tem um DNA mais aberto.

Ainda bem que eu tenho os Walverdes.

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Possíveis obstáculos a esse novo cenário e suas saídas.

Obstáculo 1: inclusão digital. Saída 1: camelôs e pirataria.
Obstáculo 2: Rede Globo. Saída 2: nada nesse mundo é eterno e sólido.

Ok?

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Mas quem tem mais pecha pra dizer isso tudo, melhor do que eu, é o Bob Garfield. O cara é colunista da Advertising Age, uma das publicações mais influentes do mundo na área. Esse cara é uma figura. Ele faz profissionalmente o que a gente faz na informalidade: fica criticando comerciais e anúncios, tipo crítico de música. No Brasil não tem isso muito não, o meio publicitário é todo pisando em ovos, ninguém fala muita coisa. Tem o blog de um cara que escreve como uma vovó detonando várias campanhas, mas é meio sarcasmo demais pro meu gosto.

Tu saca do riscado…mas que cabelinho hein?

Enfim, na Meio e Mensagem dessa semana, tem uma entrevista massa com o Bob Garfield. Num tom catastrófico mas divertido, ele faz um resumão do que vem dizendo nas suas colunas sobre o caos se aproximando… mas o melhor mesmo é um certo desencanamento na postura do cara.

“Antes de responder, preciso deixar claro que não sei nada, sou um crítico de propaganda e me divirto avaliando diversos comerciais de TV. Eu não sou um especialista, anda que eu tenha um programa de rádio que trate dos assuntos. Mas alguns pontos me pareciam tão óbvios que eu comecei a fazer perguntas a verdadeiros especialistas. As respostas não me convenceram. Comecei, então, a realmente estudar o assunto e montar a teoria. O assunto tem sido bastante debatido e fui convidado a participar de debates em vários países, com muitos minimizando a gravidade do que descrevi garantindo que a situação não seria tão extrema. Mas posso dizer que nos últimos dois anos e meio ninguém apareceu para apresentar um simples fato que refute o cenário que descrevi, que me parece cada dia mais real. Eu fico até nervoso, afinal, me expus e fico pensando se fui ingênuo ou se a qualquer momento num estalar de dedos alguém pode chegar e derrubar a minha argumentação. Mas ainda estou esperando.”

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Me identifiquei.

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(Infelizmente a Meio e Mensagem tem conteúdo fechado só pra assinantes… tsc, tsc, tsc…)

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Tá mas e daí?


E daí que vivemos um momento incrível para o surgir de novas oportunidades. Quem trabalha em publicidade não deveria se deixar levar pelo discurso-catástrofe. Não porque a catástrofe não vai acontecer. Ela VAI acontecer. E ela é uma BOA notícia.

Velhos padrões estão sendo quebrados. Novas formas de trabalhar estão aparecendo. As pessoas podem aprender coisas novas, entrar em novos universos, fazer cruzamentos com profissionais de outras áreas. Sim, é provável que a era da barbadinha de agenciar mídia e fazer anúnciozito acabou. Mas essa é a BOA notícia, a menos que você seja muuuuuito preguiçoso e não queria mudar um milímetro da sua vida. Porque, se você tem um pouquinho de espírito de aventura, esse é o melhor momento pra se trabalhar em publicidade desde que eu comecei nesse troço.

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O melhor, dessa história toda, é que os trabalhos exigem um envolvimento maior com os nichos que precisam ser atingidos. Se você se interessa por conhecer as pessoas, por entender como o ser humano funciona, por entrar em contato com formas diferentes de pensamento, essa é o momento. Nunca foi tão fundamental entrar em profundidade na vida do consumidor. E mesmo que seja para vender (esse pecado tão terrível…), exige um maior envolvimento, um olho mais apurado e mais próximo. Quem souber aproveitar isso pra sua vida só tem a ganhar.

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(a má notícia é q nem todo mundo quer/sabe trabalhar assim. o q transforma alguns dias numa torturinha…)

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Mas voltemos ao copo meio cheio.

Semana retrasada eu estava lá no frio, de madrugada, participando do Flashrock da Converse e pensei nisso: estamos todos protagonizando um anúncio. Um anúncio diferente, mas um anúncio.Acho que eu nunca vi pessoas tão entusiasmadas em fazer um anúncio – e olha q havia cerca de 30 pessoas envolvidas e o ponto não era grana. Trinta pessoas achando divertido participar do anúncio, porque o envolvimento com o assunto era muito maior.

Quem souber trabalhar gerando esse tipo de sensação vai se dar muito bem.

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Bom, nao vamos ser ingênuos. Os picaretas também vão se dar bem, é verdade. Sempre vai ter os picaretas. Mas quem não quiser ser picareta vai se divertir muito mais, vai tirar muito mais disso, não vai acabar na frente do home-theater fumando charuto.

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A maneira de lidar com essa coisarada toda tem vários olhares. A agência inglesa Go Viral fez uma palestra em Cannes esse ano com o tema “WELCOME TO THE MEDIA YOUCRACY”. Nadadenovo, mais uma vez. MediaYoucracy, LongTail, Chaos 2.0… tudo aquilo que você e eu já sabemos e já vimos por aí de outra maneira.

Mas a FORMA como eles apresentam é muito clara e interessante. E a grande barbada: o livro que tem o conteúdo da palestra está disponível pra download gratuito em PDF. Vai lá no site e PEDE com jeitinho.

As imagens que ilustram esse post são todas desse PDF.

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Deixa eu só sublinhar uma última coisa aqui: com isso tudo eu não estou dizendo que estamos entrando em uma era de redenção com o espectador no poder, que vai comandar tudo e que “AGORA VAI”. Eu detesto “AGORA VAI”.

Sim, o lixo cultural vai continuar existindo. Sim, os grandes veículos vão continuar a trabalhar com tiros de canhão. Sim, ainda teremos blockbusters por aí durante um bom tempo.

Mas o fato é que quem quiser montar a sua rede e fazer as coisas do seu jeito tem muito mais possibilidades de se conectar, distribuir conteúdo ou então receber conteúdo de forma diferenciada. Esse é o ponto. Ok?

Isso aqui é o tipo de coisa que só pode acontecer num cenário desses. Lê a matéria no G1 e pensa em como isso poderia se espalhar dessa forma há dez anos. Não só se espalhar, mas ser considerado relevante. Tem coisa aí. A questão não é só o espalhe.

(Dica do Trabalho Sujo)

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Bom fim de semana.

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Conector Hoje no Multishow

Vou estar na estréia do Urbano, novo programa da Renata Simões.

Às 20h tem a discussão da pauta ao vivo por webcam no site do Multishow.

E às 23h45min o programa entra no ar de fato.

Vêlá.

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Flashrock Converse

O seguinte: nas primeiras e geladíssimas horas do Dia do Rock, 13 de julho, nós e mais quatro bandas tocamos na rua em Porto Alegre numa versão rock dos saudosos flashmobs… lembra deles? Pois então. 5 diretores da Zeppelin gravaram esses 5 flashrocks com uma galera do grafite sprayzando uns bustop da Converse (que bancou toda a parada a partir da uma idéia do Chico e do Mauro da GlobalCom). Todo mundo de Converse agora, galera!!!

Foi frio e divertido. A gente tinha que chegar na camufla pois não havia autorização pra fazer o lance, uma equipe montava tudo, posicionavam as câmeras e os “efeitos especiais”, 1-2-3-4, toca correndo, termina de tocar e sai correndo.

Realizei um sonho: gravar um clip com um casacão como os Beastie Boys em Gratitude.

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Pata de Elefante smerilhandou:

Pública e a linda Long Plays:

Ultramen:

Irmãos Rocha:

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Marcas & essas coisas

Uma apresentação bem legal sobre MARCAS. Simples, direta, 1-2-3-4 e foi.

Isso aqui é outra coisa. O Gabriel Borges tá fazendo mestrado na Inglaterra e pediu uma força pra quem quiser colaborar. A pesquisa é a respeito de buzz marketing e acima tá a proposição do trabalho.

Quem quiser colaborar pode simplesmente responder este questionário a respeito de conversas que andou tendo sobre marcas com amigos ou conhecidos. Ele oferece o download do relatório (depois de pronto, claro) pra quem colaborar.

Vai nessa.

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Pra começar a semana com cor

Mais um pouco de…

viagem no Painbrush… um programinha bem amigo, como concorda o tal do Pablo

De vez em quando, emocionado desenhando no Paint eu até acho, de fato, que desenho. Mas aí eu recebo um link com desenhos como esses abaixo e caio na real…

Isso veio do blog do Alberto Cerriteño, dica da Lise bing.

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