• A receita do Queens of The Stone Age pro rock fazer sentido em 2014

    A morte do rock já foi cantada e decantada e, pra mim, é ponto pacífico. O rock entrou no século 21 agonizante e não sobreviveu aos ventos da mudança. Foi substituído sem solenidade como vetor cultural significativo da juventude, que vem adotando outras formas de identificação e empoderamento bem mais a ver com o ambiente […] >
  • Tommy Kambota, campeão mundial de Não Vale Pisar nos Risquinhos nos anos 80

    Publicado originalmente na revista Void número 99. *** Um papo com Tommy Kambota Quando o dentista Tomás Caetano, 47, entra no café que fica dentro do supermercado Zaffari do Menino Deus, em Porto Alegre, ele demora um pouco até chegar à minha mesa. Antes de sentar para começar nossa entrevista, precisa dar atenção aos funcionários e clientes […] >
  • Três notas rápidas sobre cultura pop e cultura digital

    1) Corrijam-me se eu estiver ruim de memória, mas suspeito que o comercial da F-1 da Globo usando “Taca-le pau” é o primeiro grande registro de um bordão que migra DA internet PARA a TV. Não é questão de brincar de disputinha TV x Internet, mas sim mais um sintoma interessante sobre a diversidade de fontes de cultura pop que a internet trouxe pra nossa realidade. E isso, lembrando, que ainda tem mais ou menos metade da população brasileira pra se conectar ainda…

    2) A ânsia em atender a suposta vontade das pessoas de criarem seus caminhos de conteúdo está levando empresas de conteúdo digital (mídia e publicidade) a abrirem mão da responsabilidade de criar hierarquias de informação. Isso está se refletindo também na mídia impressa e eletrônica. O resultado não tem sido democracia, mas bagunça.

    3) Existe uma ideia no ar de que as pessoas sempre pagam por aquilo que lhes é valor. No digital, as pessoas pagam pelo que não conseguem de graça, seja por preguiça ou por desconhecimento técnico pra chegar lá. O valor no digital na maior parte das vezes não está no produto/conteúdo, mas no acesso (o que é um tanto quanto deprimente para quem cria produtos e conteúdos).

    ***

    Foto: Raumrot.

     

     

  • Mike Myers: trajetória e bastidores do SNL

    Aproveite enquanto ainda está disponível pra download gratuito: o papo do comediante e podcaster Marc Maron com Mike Myers é definitivamente imperdível.

    Além de contar cronologicamente toda sua trajetória profissional, de membro de uma família criativa e intelectual da classe média canadense até criador de sucessos globais como Wayne’s World e Austin Powers, Myers ainda tricota causos de bastidores do Saturday Night Live e explica por que escreveu, produziu e dirigiu um documentário sobre Shep Gordon, lendário manager do Alice Cooper, Blondie e Luther Vandross.

    Pra quem curte meandros da comédia e do showbiz, é um episódio altamente inspirador.

  • Sabedoria na Era da Informação: um ensaio visual

    Já não é mais nenhuma novidade destacar que estamos, hoje, soterrados de informação e com grande dificuldade de processar tudo a que temos acesso. Mas, ao mesmo tempo, é justamente essa situação sufocante que torna válido chover no molhado quando o assunto é “infotoxicação”. O vídeo abaixo, um ensaio visual escrito pela Maria Popova do […] >
  • E se a abertura do Star Wars fosse dirigida por Woody Allen?

    Seria assim:

    Aliás, diga-se de passagem: o fato das aberturas dos filmes do Woody Allen nunca mudarem é um dos portos seguros estéticos da minha vida. Se ele não mexer nisso, me sinto mais tranquilo em geral.

    ***

    Leia também: E se Woody Allen filmasse em Porto Alegre?

  • O tempo perdido do gerenciamento de mídias digitais

    Dizem, popularmente, que logo antes de morrermos passa na nossa cabeça um filmezinho que resume toda a nossa vida. Um amigo meu tinha uma teoria alternativa: nesse filme só tem os momentos mais constrangedores que passamos, como tropeçar pelado botando a calça apressadamente, cumprimentar alguém de longe e perceber que é um desconhecido, fazer um comentário desnecessário num jantar, essas coisas.

    Mas eu acho que nos últimos tempos surgiu uma terceira versão disso. O filmezinho contemporâneo que passa na cabeça de quem vai morrer e viveu imerso na cultura digital é provavelmente um compacto só com cenas de todo o tempo perdeu organizando sua vida tecnológica – arrumando a agenda do celular, organizando as fotos no computador, limpando a caixa de emails, bloqueando pessoas ou jogos no Facebook, escolhendo avatar pro What’sApp, escolhendo filme no Netflix, procurando o torrent certo, e por aí vai. Toda vez que eu me pego fazendo uma dessas coisas, não consigo evitar de pensar que “um dia eu vou morrer e estou aqui perdendo tempo com os labels do Gmail”.

    Esse é um dos golpes mais sacanas da cultura digital. A cada ano (ou mês, ou dia), somos apresentados a uma novidade que promete simplificar nossa vida e nos dar mais tempo livre. Mas o sistema no qual estamos inseridos e que produz todas essas novidades produz junto uma série de pequenas ações, conteúdos e compromissos que nos afogam ainda mais. O especialista em cultura de convergência Henry Jenkins já escreveu em Cultura da Convergência sobre o que chama de “A Falácia da Caixa Preta”, ou seja, o conceito periodicamente resgatado (e enganoso) de que “cedo ou tarde todo conteúdo de mídia vai fluir através de uma única caixinha”.  A certa altura, após algumas reflexões teóricas, ele destaca: “não sei quanto a vocês, mas eu estou vendo cada vez mais caixas pretas na minha casa”. E, completo, junto com as caixinhas vem as tarefinhas. Isso só vai acabar de fato quando estivermos dentro de outra caixa, embaixo da terra.

    Pra quem trabalha inserido em contextos digitais, não há muito o que se fazer a não ser manter uma atenção constante e uma mentalidade minimalista caso não queira ser levado pela enxurrada de atualizações, notificações e providências burocráticas disfarçadas de design fofinho dentro de caixinhas. Uma vez, ouvi o Lama Padma Samtem dizer issonuma palestra: “onde se constrói piso, as folhas se acumulam”. Enquanto não encontramos uma saída definitiva, só nos resta varrer com certa graça.

    ***

    Leia também:

    - O app Humim quer revolucionar minha agenda? Não, obrigado.

    ***

    Foto: Raumrot

Share with your friends










Submit
Share with your friends










Submit
Share with your friends










Submit
Share with your friends










Submit
Share with your friends










Submit
Share with your friends










Submit
Share with your friends










Submit