28 de abril de 2009 às 12h00
Os limites da cultura digital 3
Semana retrasada postei uma suposta frase de efeito (hábito de ex-redator) no Twitter e agora apareceu um tempo pra poder explorar um pouco mais.
A frase me surgiu enquanto eu lia o post do Cris Dias onde ele conta como o Twitter e o Iphone o ensinaram a não se estressar com o excesso de informação. Bem, eu nunca recomendaria que alguém comprasse um iPhone pra não se estressar (e não é essa a idéia de Dias), mas o post tem um ponto de partida bastante interessante, que é o fato das notícias realmente relevante acabarem aparecendo na sua frente uma hora ou outra. Tem tanta gente postando, repostando e repassando coisas, que não precisa nem se preocupar em assinar centenas de feeds (eu não assino essas nabas) ou visitar centenas de sites: um ou dois bem escolhidos dão conta do recado e abrem portas bastante interessantes que podem ser visitadas com mais calma.
(Isso me lembrou uma entrevista do Moacyr Scliar de muitos anos atrás, no qual ele declarava não andar com um bloquinho no bolso pra anotar idéias, como reza o clichê do artista inspirado. Se a idéia for realmente promissora, diz, ela fica voltando à sua mente e aí uma hora você vai poder confrontá-la com o papel e ver, aí sim, se presta. O Woody Allen, no livro de entrevistas do Eric Lax, fala a mesma coisa. E se não basta o Moacyr Scliar e o Woody Allen pra te convencer de alguma coisa, não sou eu quem vai conseguir.)
Bem, voltando à questão do excesso de informação. Regular suas fontes de informação é uma questão sua, não sou eu quem vai dizer quais são os sites que mais valem a pena. Mas uma coisa eu me dei conta ao longo dos últimos anos e vamos ver se vale pra ajudar nos seus critérios: os sites de pessoas que pensam e geram conteúdo são muito mais valiosos, têm links muito mais interessantes e pontos de vista mais frutíferos (na verdade, têm ponto de vista) do que os sites que simplesmente colam vídeos, notícias ou referências visuais sem nenhuma reflexão ou edição mais cuidadosa. Desses, eu fujo.
Aplicar tempo em sites com conteúdo bem pensado é um benefício em vários aspectos: primeiro, você é obrigado a parar por alguns minutos pra ler e entender alguma coisa em vez de ficar clicando initerruptamente feito um zebu louco; e segundo, se a pessoa pensou mais, geralmente é porque ela passou por outros lugares interessantes (digitalmente, fisicamente, mentalmente) e vai lhe oferecer alguns caminhos, tem algo a contribuir.
Ok, até aqui tudo bem.
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Contuuuuuudo… se descermos um pouco mais no espiral de sutileza dessa discussão, vamos chegar em uma camada mais complicada que é, no fundo, a raiz de toda a ansiedade: a necessidade de ter credenciais, de ser o primeiro a saber. Sem dúvida, muitos dentre nós têm profissionalmente que saber das coisas antes. Isso faz parte do trabalho de grande parte dos publicitários e designers, por exemplo. O problema, e isso eu falo por experência própria, é quando a necessidade profissional de informação de primeira mão se mistura com a necessidade de credenciais particulares e, dessa forma, o espaço de reflexão e de vivência mais humana é ocupado pela pura ansiedade de saber antes. O Eduf fala muito disso.
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É nesse ponto que entra o equipamento descrito na tal suposta frase de efeito do Twitter. A meu ver, ainda não inventaram melhor software ou hardware pra lidar com ansiedade de informação do que o simples, efetivo e gratuito botão do foda-se.
O botão do foda-se é extremamente útil em momentos de sobrecarga mental. Ao mesmo tempo, não é muito fácil acioná-lo. É fácil, na verdade, pensar que você o acionou. Sobrecarga, desespero, botão do foda-se. Sobrecarga, desespero, botão do foda-se. Sobrecarga, desespero, botão do foda-se. Epa. Se ele precisa ser apertado muitas vezes, talvez seja porque não apertei direito das primeiras vezes. O botão do foda-se é difícil porque ele PARECE ter sido apertado muitas vezes quando não realidade não foi, foi apenas acariciado.
Mas isso rende muito. Por enquanto, eu fico com o que eu posso, que é o botão do delete. Delete, delete, delete, delete, delete. O deleite do delete.
Com essa piada horrorosa e sem um fechamento decente, eu me despeço. Até.




Editor, redator e (às vezes) desenhista neste blog. Guitarrista e vocalista dos Walverdes. Comentarista de cultura digital na Rádio Oficial de Verão com o programa Minimalismo. Colunista da revista Mais Soma. Diretor de Estratégia e Inovação na Competence. Entre outras coisas.
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